Governo Bolsonaro na pandemia. Violência psicológica.Notas breves.

Persiste o presidente Jair Messias Bolsonaro em falar das ações do Governo Federal durante o um ano e quatro meses do que se convencionou chamar Pandemia (ou Epidemia) do coronavírus (ou Covid-19), evento, este, profetizaram renomados médicos e cientistas, cataclísmico, que culminaria na extinção da civilização se medidas drásticas de contenção da disseminação do vírus não fossem implementadas. E o que se viu? Que os países que as implementaram colheram os mesmos frutos que os que não as implementaram – para tristeza de muitos, não foi o fim-do-mundo – e enfrentam crises social e econômica significativas, a antecipar recrudescimento das que as antecediam e a abrir caminho para a ereção de estados totalitários (o que já se vê em alguns países devido às revoltas populares – em especial nos países que decretaram rigorosas medidas restritivas) – os, lentos em uns, acelerados, em outros, movimentos nesta direção estão explícitos nos decretos governamentais de cerceamento das liberdades básicas, um deles o da exigência de Passaporte Sanitário, que rouba aos cidadãos o direito ao livre exercício das suas liberdades elementares.

Em publicação, de 29/07/21, em sua conta no Facebook, o presidente, mais uma vez, insistindo em registrar as ações do seu governo, diz o que muitos estamos cansados de ouvir, mas que deve ser dito inúmeras vezes, para que as mentiras não prevaleçam. Há uma guerra de narrativas; e as narrativas mentirosas têm de ser confrontadas com as verdadeiras. Enviou o Governo Federal recursos aos governos estaduais e municipais – é esta uma informação que todo brasileiro tem de conhecer, muitos, todavia, decidiram ignorá-la porque preferem adotar como verdadeira a oposta, prejudicial à imagem do presidente Jair Messias Bolsonaro. E segue o presidente do Brasil: aeronaves da FAB transportaram remédios e vacinas, e pessoas, para o estado do Amazonas, e a outros estados; em auxílio às pequenas e micro empresas criou o Governo Federal o Pronampe, que, evitando a bancarrota de milhares de empresas, conservou milhões de empregos – diretos e indiretos -, preservando, assim, aquecida, a economia, apesar da perda do poder aquisitivo do brasileiro nestes dezesseis meses – e os mais tarimbados, talentosos, criativos, souberam usar, sabiamente, os poucos recursos que lhes chegaram às mãos em equipamentos e máquinas eficientes, e enveredaram por novos mercados, pouco explorados, preparando-se, agora, à retomada da economia, para conquistar novos clientes e progredirem rapidamente. Outro ponto importante do texto presidencial prende-se na absurda, irresponsável, postura, inconsequente, da mídia, que demonizou remédios que poderiam ser ministrados às pessoas que, infectadas pelo coronavírus, e encontrando-se no estágio inicial da doença, manifestaram os sintomas; e adicionou comentários acerca do direito do médico ao livre exercício da Medicina, o médico atuando, para o benefício dos seus pacientes, e com a aquiescência deles, prescrever-lhes remédios off-label (fora da bula), remédios que eles consideram apropriados ao tratamento, remédios que, sabe-se, hoje, são de uso disseminado pelos que adoecem (e por aqueles que querem se precaver caso venham a ser pelo vírus infectados) de gripe causada pelo vírus que, dizem, veio de Wuhan.

E insiste o presidente Jair Messias Bolsonaro em informar que o Supremo Tribunal Federal delegou a prefeitos e governadores a responsabilidade de decretar as políticas que eles entendessem apropriadas para o efetivo e correto enfrentamento do surto epidêmico do coronavírus; coube, portanto, a eles, e não ao presidente do Brasil, a decisão de decretar quarentenas e lockdowns; e não foram poucos prefeitos e governadores que determinaram pela obrigatoriedade do uso de máscaras, pelo fechamento do comércio, pela aplicação de multas a empresários que ousassem erguer as portas de seus estabelecimentos comerciais e trabalhar, pela prisão de pessoas que caminhassem, sós, em praças, avenidas, ao largo de praias, nas areias das praias, e pela imposição de toques de recolher, medidas, todas estas, que prejudicaram milhões de brasileiros. E não deixou de lembrar que o Governo Federal recorreu, em duas ocasiões, ao STF, solicitando aos seus ministros que reconhecessem inconstitucionais os decretos dos governadores, que, alegou o Governo Federal, desrespeitam o artigo quinto da Constituição Federal, e em tais pedidos o Governo Federal não foi atendido. E as últimas palavras do presidente Jair Messias Bolsonaro ele as usa para dizer que o seu governo respeitou a liberdade individual de ir e vir, e a de expressão – no que diz a verdade, mas os seus inimigos insistem em negar-lha, e a dá-lo ao público, que, tudo indica, não está comprando tal narrativa, como um sujeito autoritário.

Faz bem o presidente Jair Messias Bolsonaro vir a público expôr as ações do seu governo para confrontar as narrativas mentirosas que os seus inimigos, que são inimigos dos brasileiros, lhes assacam com virulência desmedida.

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Em seu texto do dia 30/07/2021, publicado no Facebook, Flávio Lindolfo Sobral fala do mal que a lei que trata da violência psicológica contra a mulher pode vir a causar aos brasileiros. Li um outro texto, de outro autor (cujo nome não anotei), que acredita que tal lei, sancionada, e sem vetos, pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, redundará numa guerra sexista no Brasil, afinal “violência psicológica” é algo extremamente subjetivo, de larga acepção, ilimitada, e qualquer coisa dada como violência psicológica, se assim entender o juiz de plantão, assim será a acusação entendida. Ai do homem que se atrever a chamar de feiosa um exemplar feminino da espécie humana desprovido de atributos que excitam a imaginação masculina, que é bem fértil em tal matéria. E que jamais o homem diga a uma feiosa que ela é uma baranga. Chamá-la de mocréia!? Nem pensar! Tribufu!? Prisão perpétua ao machista.

Prostituição Já!

Há poucos dias, uma bela atriz afirmou que, em decorrência das políticas culturais do governo Bolsonaro, restaria às atrizes a prostituição. Tal declaração é uma confissão, conquanto se queira com ela dar a entender o contrário, de que há tempos amealham os artistas fortuna, arrancando-se do bolso dos brasileiros um bom punhado de moedas, com trabalhos medíocres, e muitos deles destituídos de valor, que os brasileiros não compram; fosse diferente, os artistas promover-se-iam em atividades culturais privadas, aos brasileiros venderiam cada qual o seu peixe, e encheriam as burras de ouro; mas não é o que se vê; vivem de dinheiro público, que sai, sem controle, dos cofres públicos, pelo ladrão. Que o mecenato seja atividade louvável, ninguém há de negar, mas o que se discute é a distribuição de recursos públicos, que são escassos, aos artistas; sabe-se que quase toda a verba pública destinada à cultura escoa pelo ralo e vai desaguar nas contas bancárias de artistas milionários, e não nas mãos dos que, vivendo na rua da armagura, pedem um arrimo para alavancarem a carreira, que se encontra em seu estágio inicial.

A declaração da bela atriz me fez evocar um assunto que provocou, há um bom tempo, animada celeuma: a legalização dos serviços das mulheres de vida fácil, as que praticam a profissão mais antiga da civilização: a prostituição. Houve quem defendesse a legalização de tal serviço recebendo as rivais de Pompadour o direito a registro trabalhista, pois elas fazem a felicidade de garotos imberbes e de marmanjos barbudos, solteiros, uns, casados, outros, muitos dos quais, além de alguns poucos minutos, ou muitas horas, de ínfrene atividade lúdica, obtêm da contratada orientações psicológicas e espirituais e aconselhamentos conjugais, muitos varões, influenciados pelas carinhosas e maviosas palavras que delas ouvem, no himeneu clandestino, a renovarem seu amor pela esposa tão negligenciada. Pensando com os meus botões, pergunto-me como se daria a relação das beldades que fazem a felicidade dos homens carentes de afeto com o fisco, com a legislação trabalhista, com a Receita Federal, com os seus clientes e com os seus patrões. É um tema sério, demasiadamente sério, que desperta risos, comentários jocosos, e maldosos, e irônicos, e sarcásticos. É extraordinariamente complexo. Penso, agora, na relação das mulheres que exercem a mesma atividade de uma que recebeu, de Nosso Senhor Jesus Cristo, o perdão, com seus patrões, os cafetões. Imagino um ma cena: Uma mulher de vida fácil e o seu senhor, à mesa, a discutirem direitos trabalhistas: salário-hora, horas extras, adicional noturno, adicional periculosidade, décimo terceiro, filiação sindical, direito à greve, férias remuneradas, aposentadoria, e outras coisinhas mais. E ao fim da negociação vai o cafetão aos órgãos públicos competentes, federais, estaduais e municipais, registrar a sua empresa, obter o CNPJ e o alvará de funcionamento do estabelecimento comercial, localizado, este, em bairro nobre, numa rua de fácil acesso, e a contratar serviços de empresa de marketing e a divulgar sua empresa em revistas, jornais, emissoras de televisão e de rádio, e em sites. Agora, ao imaginar a relação de uma atraente e exuberante prestadora de serviços espirituais em negociação com seu cliente, vem-me à cabeça: a dedicada e responsável profissional apresenta-lhe documentos que lhe provam que ela não possui doenças venéreas, e compromete-se a, encerrado o serviço, emitir nota fiscal – com o valor que dele recebeu para ele abatê-lo do imposto de renda – de serviços de orientação psicológica, ou de aconselhamento conjugal, ou de terapia espiritual, ou de medicina ayurvédica, ou de serviços de massagem. Se o seu cliente é casado, assim ela insisite em fazer, mesmo que ele não o queira – afinal está ela a pensar, preocupada, no bem-estar físico, espiritual e psicológico dele – para que ele não se veja em maus lençóis, sob o risco de ter de se aborrecer com uma batalha judicial com sua querida e adorada consorte, que dele desejará arrancar a metade do patrimônio que ele arduamente acumulou.

E não me escapa à sagaz inteligência o direito que os clientes das formosas beldades têm de recorrer ao Procon caso a contratada – ou as contratadas – não execute à perfeição o serviço combinado. Ensina-nos o ditado: O combinado não é roubado. Cabe às prestadoras de serviços respeitar o estabelecido em contrato e entregar aos seus clientes o prometido.

Pergunto-me se os cafetões e as Messalinas irão se dispor a percorrer a via-crucis burocrática para legalizar seus empreendimentos comerciais.

Não sei o que o futuro reserva para as atrizes que hoje lamentam a indiferença do presidente Jair Messias Bolsonaro, que, dizem, está a destruir a digna e valiosa cultura – cujas obras mais significativas são Macaquinhos e Golden Shower – que herdou dos que, antes dele, nos últimos quarenta anos, carregaram a faixa presidencial, mas, tendo-se aos olhos da minha imaginação a bela estampa de muitas delas, de fome, sei, elas não morrerão.

Bolsonaro na ONU: sucesso retumbante.

Ontem, dia 21 de Setembro de 2021, o presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, no discurso de abertura da reunião anual da Organização das Nações Unidas, apresentou, assenhoreado pela ambição, nobre e humana, de um aguerrido, destemido, voluntarioso e abnegado combatente da Democracia, da Liberdade e da Justiça, em um pouco mais de dez minutos, numa oratória límpida, num estilo primoroso, com a dicção dos mestres helênicos da arte do bem falar, numa retórica vazada nos moldes clássicos do exercício correto e justo da exposição das idéias, as suas políticas, que se coadunam com as dos vanguardistas do espírito humano; e encerrado o seu discurso, ovacionaram-lo e o aplaudiram, estrondosamente, em pé, os chefes-de-estado presentes no prédio da Organização das Nações Unidas, todos eles, enquanto ele discursava, a ouvirem-lo, atentamente, embevecidos, alumbrados com a ínsigne postura do líder nato da nação mais rica e próspera da América do Sul; e os efusivos aplausos os congêneres do representante brasileiro os estenderam até se cansarem, durante quarenta e quatro minutos. Nas horas que se seguiram e no dia de hoje, jornais de todo o mundo e sites e emissoras de televisão estamparam a venerável figura do presidente da República Federativa do Brasil, acompanhada do discurso magistral que saira da boca dele, um estadista, o personagem de maior importância de toda a história da nação que se formou a partir da amálgama, em seus primórdios, de lusitanos, africanos e nativos ameríndios pré-colombianos, com a contribuição posterior de ingredientes étnicos e culturais de outros povos. Estas palavras, poucas, estão aqui inscritas para enaltecer o valoroso presidente do Brasil, um herói de escala universal. Não nos estenderemos, neste artigo, os louvores ao senhor Jair Messias Bolsonaro, coquanto ele mereça todos os concebíveis, e, esculpida em bronze, uma estátua titânica de sua portentosa, apolínea e hercúlea figura. Aqui encerrado o parágrafo que dá aos nossos leitores a conhecer a participação do lídimo e legítimo representante do povo brasileiro na reunião anual da Organização das Nações Unidas neste 2021, reproduzimos, no parágrafo subsequente, dele, o eloquente discurso, discurso, este, uma obra-prima da retórica política que merece atentas e reverentes leituras e releituras. Eis o discurso do ilustríssimo presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro:

Amigues, hoje, eu, o presidente do Brasil, estou, aqui, para anunciar a todes as políticas politicamente corretas, comunistas, socialistas, de ideologia de gênero, marxistas e leninistas, que estou, eu, Jair Messias Bolsonaro, proponente da extinção das soberanias nacionais, a voz do Estado brasileiro, eu, Jair Messias Bolsonaro, o Estado, eu, Jair Messias Bolsonaro, a Opinião Pública Brasileira, obediente ao Governo Mundial, a implementar, em todo o território brasileiro, punindo todo cidadão brasileiro recalcitrante com o fuzilamento, as políticas que irão fazer do Brasil um paraíso socialista tecnocrata transhumano e cientificista. Fuzilei, fuzilo e fuzilarei ao paredão todo indivíduo hostil, de mentalidade fascista e nazista, de temperamento genocida, capitalista, ocidental, supremacista branco e cristão fundamentalista e intolerante. A religião é o ópio do povo. Deus é um personagem do tempo do nunca, do arco-da-velha, das histórias da carochinha de nossos avós brutos e asselvajados, adorado pelos energúmenos medievalistas, preconceituosos e fanáticos crentes que estão sempre a sobraçar o livro, que eles têm na conta de sagrado, recheado de baboseiras folclóricas, lendárias, de um povo rude, bárbaro, inculto e ignaro. A família, esta instituição opressora, burguesa, capitalista, favorece o exercício autoritário, ditatorial, totalitário do patriarcado sexista e machista, e dela tira seu poder máximo o homem cristão, ocidental, branco, loiro e de olhos azuis. A religião é o ópio do povo. O Grande Satã tem de ser aniquilado. Todo o poder aos proletários! Abaixo a burguesia! Eu odeio a classe média! Há lógica no assalto. Proletários de todo o mundo, uni-vos! Vivas à revolução! Para salvarmos a Terra urge extirpar-lhe o tumor cancerígeno maligno que muito mal lhe faze: a espécie humana. Vivas à Mãe Gaia! O Estado sou eu! A opinião pública sou eu! Iniciemos o processo de renovação da natureza removendo do útero das fêmeas da espécie humana o amontoado de células, coisa inerte e sem vida, bizarra e anômala, que, no interior dele, os homens inserem numa quantidade que elas ignoram. Todo o poder às mulheres empoderadas! Às pessoas sem vagina, dotadas de masculinidade tóxica, o paredão, destino reservado a todos os seres que não sabem qual é o seu papel na história, papel que o partido lhes reserva. Salvemos as baleias! Salvemos os pandas! Salvemos as tartarugas marinhas! Regulamentemos a mídia e a internet para que elas não disseminem dos conservadores fascistas e nazistas e genocidas fakes news e discursos de ódio. Exterminemos o gabinete do ódio conservador! Todo poder aos soviétes e aos chins! Fidel Castro e Che Guevara, olhai por nós! Marx e Engels, orai por nós! Lênin e Stalin, olhai por nós! Mao e Pol Pot, orai por nós! Não há dois sexos. Há setecentos e noventa e quatro gêneros, ensinam-nos os heróis do movimento. Abaixo a ditadura dos capitalistas opressores! Que os filhos libertem-se dos grilhões com que seus pais lhes manietam os movimentos! Fim aos tabus! Enalteçamos o amor intergeracional! Louvemos os novos tipos de família! Abaixo a família tradicional, arcaica, opressora, liberticida, pecadora! Vivas ao amor com os animais, com as plantas, com os objetos, com os cadáveres! Que aos inúteis à paz socialista seja oferecida a morte digna via injeção letal, ou por envenenamento, ou enforcamento, ou fuzilamento. Enviemos os inimigos da paz universal aos campos de reeducação, instrução e treinamento. Que as crianças não vivam na companhia de seus pais, seres opressores, que as maltratam durante sessões diárias de tortura psicológica de inspiração cristã! Que nenhuma pessoa tenha direito à legítima defesa! Que a educação e a segurança fiquem a cargo do Estado, exclusicamente do Estado. Fiquemos em casa; a economia veremos depois. Que ninguém se retire, à rua, de sua casa, até segunda ordem. Prisão aos refratários aos decretos estatais. Internacionalizemos a Amazônia, e o Pantanal, e o Mangue, e a Chapada Diamantina, e os Lençóis Maranhenses, e Fernando de Noronha, e a ilha de Marajó, e Parintins, e o Recôncavo Bahiano. O homem branco é racista; é racista de espírito; é mal; é iníquo. Amigues, sei que estas minhas palavras, poucas, ecoam no espírito de todes vocês. Unidos, iluminaremos, guiados por cientistas renomados, a mente dos humanos; e aos que optarem por permanecerem à escuridão oferecemos um paredão e um cárcere e lhes daremos o direito de escolher o que entenderem que lhes seja a melhor das duas opções, que lhes deixaremos à disposição. Tenhamos um bom dia, amigues. Fidel Castro e Che Guevara, olhai por nós! Marx e Engels, orai por nós! Lênin e Stalin, olhai por nós! Mao e Pol Pot, orai por nós!

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Nota de rodapé: Inútil é dizer, digo, todavia: o discurso aqui apresentado é uma peça de ficção; e o Jair Messias Bolsonaro que o proferiu não existe – se existisse, cá entre nós, amá-lo-iam e o idolatrá-lo-iam onze de cada dez de seus inimigos.

Mensagem do Barnabé Varejeira – Os bobões da cidade

Mensagem do Barnabé Varejeira – Os bobões da cidade

Cérjim, meu amigo, amigo do peito, agora eu tô, no Uátesápe, côs meus dedo caloso, enviano mensage pa mia muié e pa mia fia, que tão aqui do meu lado, à mesa, bebeno o café-da-manhã. Pa mia muié eu mandei mensage de amô, e ela gostô; sorriu, inté, a malandrinha, e me mandô um coração bem vermeio; eu vi os sorriso no rosto bonito da mia patroa. Eu vi. A patroa gostô da mensage de amô que mandei pa ela. Aquele sorrisinho, sorrisinho bonito que eu conheço muito bem… E pa mia fia eu mandei mensage de carinho de pai, com dois coraçãozinho.
Mas eu não quero falá, Cérjim, das mensage que mandei pa mia muié e pa mia fia; quero falá do mocorongovírus, um bicho-papão que veio da China, que fica perto de onde Judas perdeu as bota. Ora, quem viu o mocorongovírus!? Ninguém viu. Os ómi das cidade são uns bobão, todos eles. Todos bobão. Lê livros, e acha que são sabido. Vai pas facurdade, e vira cabeçudo. Não usam a massa cinzenta que Deus enfiô nas cabeça deles. Até em Pinamoangaba, a maió metróple deste e de ôtros praneta, os ómi que vive nas facurdade são bobão, querdita em quarqué bestêra. Se as bestêra tá nos livro, eles querdita que é verdade; se os cientista falá bestêra, eles querdita que é coisa séria. Se os cientista diz: “Tatu voa.”, Eles querdita. E pru que eles querdita!? Pruque cientista têm diproma uvinersiotário. Os ómi das cidade grande acha que o conhecimento das coisa da vida tá na fôia de papér que traz inscrivido “diproma”. Grande porcaria!
E o mocorongovírus, quem viu!? Ninguém viu ele. O mocorongovírus tem pernas!? Ninguém sabe se tem. Ninguém viu ele. Ele tem braços, cabeças, olhos, narizes e pestanas?! Ninguém sabe. E testa ele tem?! E quantas? Ninguém sabe. E pru que tá todo mundo co medo dele? Pruque são bobão. Pruque, dizem, ele mata gente. Ora, mas a vida mata gente; a gente tá vivo pa morrê um dia; e só Deus Nosso Senhor sabe quano. Nóis ómi não é eterno, nem imortal; nóis morre; só Deus é imortal, é eterno, vive desde antes de Ele criá o mundo e viverá até depois de Ele destruí o mundo. Os ómi, não; os ómi morre. E os ómi, e as muié tamém, da cidade tamém morre; não são eterno. Eles percisa entendê isso, e isso é a verdade verdadeira.
E ôtra coisa: Pa se vivê bem tem que se gostá e buscá o ar livre, e o sór, e, tamém, e é o mais importante, tê o gosto de vivê, e tê famia e amigos. E tê espreança de vivê bem. E como os ómi da cidade tão viveno!? Tão viveno!? Não tão, não! Tão trancado nas suas casa, Não toma sór; não toma ar fresco; não se mexe; fica todos parado, assistino tebelisão, todo isolado uns dos ôtro; não se abraça, não se dão aperto de mão. E perdêro a espreança. Querem vivê trancado em casa; e qué que todas as pessoa fique trancada. É pa matá todo mundo, é!? E eu percebi, Cérjim, que os ómi dipromado, que tem diproma pregado na parede, ómi de vida mansa, têm medo do mocorongovírus, bicho que eles nuca viro, e ri da gente da roça pruque a gente querdita em curupira, lobisómi e bicho-papão. É vredade. Nóis querdita mermo, mas nóis enfrenta eles; enchemo os peito de força, de energia de Deus, pegamo os trabuco, e encaramo os bicho. Inté em onça e porco-do-mato eu já disparei uns tiro, e pa matá, mermo. Mas errei os tiro.
E hoje é só Cérjim. Ôtro dia eu mando ôtra mensage po cê. Inté.
E fique com Deus Nosso Senhor.

Padre Brown, detetive – (Father Brown) – série de televisão – temporada 6, episódio 4, O Anjo da Misericórdia (The Angel of Mercy).

“Morte digna” é o eufemismo que à eutanásia se dá, hoje em dia.
Os defensores da eutanásia, ou morte assistida, entendem que cabe a cada pessoa decidir quando, e como, querem morrer, principalmente as pessoas que enfrentam doenças incuráveis, que lhes causam dores sem fim, insuportáveis. É este o tema central deste episódio de Padre Brown, detetive (Father Brown), série da televisão britânica inspirada nos contos do personagem homônimo de G. K. Chesterton. E em apoio ao tema central, o secundário: se tem autoridade, e superioridade, moral quem, se dando o direito de assumir o papel de anjo da morte, atende aos pedidos – ou, em não raros casos, às súplicas – das pessoas que desejam, por razões as mais diversas, retirarem-se à vida.
Freda Knight (Janet Dale), acamada, debilitada por câncer, suplica à Mrs. McCarthy (Sorcha Cusak), sua amiga, que a sufoque com um travesseiro, e ela, contrariando-lhe a vontade, aterrada, rejeita-lhe, terminantemente, o pedido. Horas depois, chega ao conhecimento de Mrs. McCarthy a notícia da morte, misteriosa, de Freda Knight. E Mrs. McCarthy recorre ao Padre Brown (Mark Williams), que lhe dedica atenção. E entram em cena Bunty (Emer Kenny) e o Inspetor Mallory (Jack Deam), que, com Mrs. McCarthy, compõem uma galeria de personagens onipresentes na série, e Caitlin O’Casey (Roisin O’Neill), Ellen Jennings (Wanda Ventham) e Seth Knight (Daniel Hawksford), e personagens de menor expressão. Durante o desenrolar das investigações, sucedem-se outras mortes misteriosas, todas de pessoas que, tal qual Freda Knight, sofria de grave doença.
Enfim, com a desenvoltura de um investigador infalível, para contrariedade do inspetor Mallory, cujas teorias se revelaram incorretas, Padre Brown resolve o caso: uma das personagens que animam a trama havia atendido ao pedido de Freda Knight e de outras pessoas que desejam morrer.
O anjo da misericórdia, pessoa que entendia executar um bem, um bem inestimável, às pessoas que lhe pediam – melhor, suplicavam – que lhes tirasse a vida, justificou, nos derradeiros momentos do drama, sua ação, ação meritória, de amor à vida, acreditava.
Pessoas que, de tão doentes, e de tão tristes, desesperançadas, e sem razôes, nem vontade, para prolongar suas vidas, têm o direito de decidir irem-se desta existência, por seus próprios meios, ou por ações alheias?

O homem que traiu – sem querer – a sua esposa

Encontraram-se, num sábado, às dez horas da noite, na praça Dom João VI, José do Carmo, que retirara-se, dez minutos antes, do bar Nabé, e duas amigas suas, Carmem e Carmelita. Assim que saudaram-se com beijos no rosto, Carmem perguntou para José do Carmo:

– Está bem a Solange?

– Que Solange? – perguntou, intrigado, José do Carmo.

– A Solange – respondeu Carmem, enquanto Carmelita conservou-se, em silêncio, fitando José do Carmo, na expectativa, um sorriso escarninho a se lhe esboçar no rosto.

Carmo, surpreso com resposta tão enigmática, sorriu, olhou de Carmem para Carmelita, e de Carmelita para Carmem, e para esta perguntou, sorrindo:

– Que Solange, Carmem? Conheço quatro Solange: A prima do Renato, gerente do banco A*; a mãe da Márcia, que trabalha comigo; a irmã da Susana, cabeleireira, que tem um salão de beleza (freqüentado só por mulheres feias) perto da minha casa; e a diretora da escola B*.

– Você enlouqueceu, Zé? – perguntou Carmem.

– Que eu saiba, não – respondeu José do Carmo, gracejando. – Além disso, se eu tivesse enlouquecido, eu não saberia que enlouqueci.

– Você enlouqueceu, Zé, não me resta dúvidas – disse Carmem. – Refiro-me à Solange, a sua esposa.

– A minha esposa! – exclamou José do Carmo, surpreso com a revelação. – A minha esposa chama-se Solange?

Entreolharam-se José do Carmo, Carmem e Carmelita, todos surpresos, cada um por uma razão.

– Ela é loira – perguntou José do Carmo, referindo-se à sua esposa -, e de um metro e oitenta de altura?

– Não – respondeu Carmem, de imediato. – Ela é morena e da altura de um metro e sessenta.

– Meu Deus! – exclamou José do Carmo, ao mesmo tempo em que se aplicou um tapa na própria testa. – Então… Então… Diabos! Então eu fiz uma grande besteira.

Um escritor e seus lápis

Tenho, sobre a minha escrivaninha, vinte e três lápis, todos devidamente apontados, prontos para o uso.

Hoje, após o café-da-manhã, sentei-me à escrivaninha, para escrever um conto. Peguei um lápis dos vinte e três que tenho à mão, e mirei a folha de sulfite em branco. E menhuma idéia me veio à cabeça. Após meia hora de inércia, desiludido comigo mesmo, abandonei o lápis sobre a escrivaninha. E levantei-me da cadeira. E sai de casa. E todos os meus vinte e três lápis ficaram desapontados.

Aquaman – com Jason Momoa

Aquaman (Jason Momoa), cujo nome humano é Arthur Curry, é um ser híbrido, filho de um homem humano, Tom Curry (Temura Momoa), e de uma mulher atlântida, Atlanna (Nicole Kidman).

O Rei Orm (Patrick Wilson), atlântida, ambicioso e iníquo, almeja ter sob suas mãos o domínio dos sete reinos marinhos; não titubeia em urdir artifícios – a acumpliciá-lo David Kane (Yahya Abdel-Mateen II), o Arraia Negra, que busca vingar-se de Aquaman, que se havia recusado, após luta no interior de um submarino, a atender-lhe a súplica e socorrer-lhe o pai, Jesse Kane (Michael Beach) – para justificar ataque de Atlântida às nações humanas. Antevendo o cenário apocalíptico, que se desenha, Mera (Amber Heard), uma atlântida, recorre a Aquaman, e pede-lhe que ele, o verdadeiro rei de Atlântida, confronte o Rei Orm. Neste entremeio, o Rei Orm obtêm, usando de um expediente criminoso, a aliança do Rei Nereus (Dolphi Lundgren).

A guerra entre atlântidas e humanos é iminente.

Num duelo submarino, o Rei Orm derrota Aquaman, que, Mera a auxiliá-lo, foge. Ambos, Aquaman e Mera, para solucionar um segredo guardado a sete chaves, vão dar ao Fosso, onde enfrentam as criaturas horripilantes que o habitam, e à Nação Perdida, onde uma surpresa agradável os aguarda e onde está o Tridente de Poseidon, protegido por um monstro mitológico gigantesco, Karathen. E apenas o rei de Atlântida, herdeiro do Rei Atlan, poderia empunhar o Tridente de Poseidon. E Aquaman revela-se o legítimo herdeiro do trono (usurpado por Orm) de Atlântida. E na sequência desenrola-se a guerra entre Aquaman e o Rei Orm.

Nas linhas acima, um resumo do filme do êmulo de Namor, o Príncipe Submarino. O filme é um bom entretenimento; os seus cenários submarinos, grandiosos, e os de locais habitados pelos humanos, simples.

É Aquaman um filme que entretêm; despretensioso; conta uma trama comum, que remonta à lenda do Rei Arthur.

Esquecia-me: em sua infância, Arthur Curry é treinado por Vulko (Willem Defoe); e Geoff Johns, respeitado autor de histórias em quadrinhos de super-heróis, deu seus pitacos no roteiro.

Palavras De Sabedoria Do Zeca Quinha – publicadas no Zeca Quinha Nius

Na sua luta contra os egípcios, Moisés não usou uma metralhadora porque James Cook ainda não havia chegado na Austrália.

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Se os mudos não falam, os cegos não veem e os surdos não ouvem, não há razão para a existência das tartarugas.

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O Sol ilumina porque ilumina; se não iluminasse não iluminaria.

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A tampa tampa, a roda roda, a bóia bóia, a pinga pinga, mas a pia não pia.

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A corda não acorda, a palha de aço não é palhaço, a palha assada não é palhaçada, e as formigas vivem nos formigueiros.

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Se os leões fossem peixes não seriam leões.

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O homem sábio é sábio porque é sábio e não porque é sábio.

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O nível de inteligência de um homem é diretamente proporcional ao tamanho do chapéu que ele usou três dias antes.

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Deve-se usar cadarços sempre que os cadarços devam ser usados.

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A melhor esposa do mundo é aquela que é casada com o seu marido.

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Os pais nascem antes dos filhos e depois dos avós porque os avós nascem antes dos pais e depois dos bisavós.

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É lei da natureza a natureza da lei.

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Além de cabelos os humanos têm unhas porque se tivessem cabelos e não tivessem unhas não teriam unhas mas teriam cabelos.

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Os castelos foram construídos pelos construtores de castelos.

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O maior prédio do mundo foi construído pelas pessoas que construíram o maior prédio do mundo.

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Há certas coisas que todo mundo sabe. Por exemplo: Escrever por exemplo sempre que se dá um exemplo que seja um exemplo.

Um Homem Célebre (de Várias Histórias) – de Machado de Assis

É o herói deste conto, Pestana, popular compositor de polcas, admirado por muitos. Conquanto gozando de sucesso e popularidade invejáveis, vivia desgostoso consigo mesmo, pois, sabia, era apenas um autor de peças efêmeras, para diversão e o prazer de público inculto, iletrado, destituído de sensibilidade musical, sensualista, que se satisfaz com qualquer obra que lhe atenda os prazeres imediatos, uns lúbricos, que usufruem nos bailes, e não o de obras imorredouras que se rivalizam com as de Beethoven, Mozart, Bach, Schumann, Haydn e outros gênios da música clássica, obras que lhe incluem o nome, eternizando-o, no panteão dos heróis da arte. O seu sucesso atormentava-o, pois era unicamente o resultado da popularidade de obras às quais ele não dava grande valor, obras que não mereciam figurar entre as criações perpétuas de músicos agraciados com o dom da música. Esforçava-se, em vão, para criar obras eternas. Após casado com Maria, viúva e tísica, bafejado com o sopro da criatividade – assim ele acreditava -, compôs um Noturno, que Maria reconheceu como sendo uma peça de Chopin. E Pestana foi obrigado a dar o braço a torcer. Ludibriaram-no sua ambição e sua memória. Reproduzira, certo de que criara uma obra original.
uma peça que não era sua. E enviúva-se Pestana. Dedica-se, durante um ano, à composição de um Réquiem, para tocá-lo numa efeméride: o aniversário de um ano da morte de Maria. Fracassado em seu propósito, envergonha-se. O seu talento dava-lhe idéias para criar polcas, polcas populares, que caíam no gosto, não muito exigente, do povo, que não primava pelo requinte, pelo apuro musical – era assim ontem, é assim hoje.
A ambição de Pestana não andava no mesmo compasso de seu talento, que lhe oferecia recursos para criar obras que os homens, pouco exigentes, amavam, e as quais ele, demasiadamente exigente consigo mesmo, ambicionando admirar seu nome no rol dos autores cuja obra é eterna, desprezava – e ele não pôde gozar de prazer que a popularidade delas lhe ofereceria caso ele não fosse tão orgulhoso, prazer que outro músico, não tão orgulhoso e pretensioso quanto ele, gozaria. Pestana queria dar passos maiores do que os que suas pernas lhe permitiam – e por isso foi um homem infeliz.

X e W – de Arthur Azevedo

Era Xisto um carioca muito feio, de olhos esbugalhados, orelhas enormes, boca deveras larga, de andar desengonçado; enfim, era Xisto um tipo que nenhuma mulher apreciava. E ele adorava a beleza feminina; não podendo ter belas mulheres aos seus braços, com elas sonhava. Em uma certa manhã, a linda viúva de trinta anos que morava na casa diante da dele convida-o a visitá-la à meia-noite. Xisto não se faz de rogado. Prelibando os prazeres que auferiria, preparou-se para a entrevista com a mulher que cobiçava. Foi à casa dela, ao encontro agendado. E realizou o seu sonho. Uma semana depois, Xisto viu-a; e ela tratou-o com indiferença, desgostando-o. Com o passar dos dias, ele se resignou à indiferença que ela lhe dedicava; recordava os quinze minutos durante os quais se entreteve com ela, no ninho das delícias cujo acesso ela lhe dera, e evocava a postura maquinal dela, distante, fria, de uma mulher que executava, dir-se-ia, unicamente, um ato mecânico. E o tratamento que ela lhe dispensou após o ato consumado intrigava-o. E a resposta para a interrogação que ele se fazia acerca da atitude esquiva dela ele a teria, passado um ano, de Wladimir. E o caso se lhe esclareceu. E a estranheza da conduta da linda viúva de Xisto e de Wladimir, o X e o W do título do conto, recebeu comentários misto de surpresa e incredulidade.

Entrei para o Clube Jácome – de França Júnior

Julião, o herói desta peça, adquiriu a mania, que transtornava sua esposa, Dorotéia, e que, suspeita-se, roubando-lhe, de Julião, a sanidade: a de adorar os cavalos, apreciar as atividades hípicas, o que o fez entrar para o Clube Jácome. Tão obcecado pela sua paixão hípica que admitiria para marido de sua filha, Francisca (Chiquinha) um homem que fosse sócio do Clube Jácome, daí rejeitar, terminantemente, a idéia de ceder a mão dela a Ernesto, cujo amor por Chiquinha era por ela correspondido, pois ele, além de não saber montar a cavalo, não era sócio do Clube Jácome.

É uma peça simples, cuja trama se desenrola, em dezoito cenas, num ato; despretensiosa, de desenlace destituído de surpresa; aos poucos personagens que a animam, Julião, Dorotéia, sua esposa, Francisca (Chiquinha), sua filha, Antônio, seu criado, Ernesto, o pretendente à mão de Chiquinha, e o Comendador Anastácio (inserido na trama, presumo, com o único propósito – que aflorou à mente do autor – de criar uma cena cômica) não se envolvem numa rede de cenas hilárias equivalentes às encontradas em outras peças de França Júnior; são pobres em suas caracterizações; suspeito que França Júnior, ao conceber tal peça, não estava em um momento de inspiração. A peça não correspondeu às minhas expectativas, que criei com a leitura das outras peças do autor. Não esperei, é óbvio, uma obra sofisticada, de estrutura complexa, personagens shakespereanos, pois as obras que dele li não me levaram a concluir que ele, neste Entrei para o Clube Jácome, tem para oferecer algo além do que oferece nas outras peças; além disso, tal gênero de obra tem a oferecer o que lhe é peculiar: uma trama simples, com personagens estereotipados, caricaturais, de cuja personalidade apenas um aspecto, destacado, é dado a conhecer ao público, para a criação de cenas divertidas numa aventura cômica; nesta peça, todavia, França Júnior não foi bem-sucedido em seu propósito.

Paulino e Roberto – de Arthur Azevedo

Narra este conto a história de Paulino, homem infortunado, flagelado por caiporismo inescapável. Pobre, une-se em matrimônio com Adelaide, mulher formosa, encantadora, vaidosa, de espírito orgulhoso, que vive de reclamar da sua vida em comum com Paulino, sempre a jogar, no rosto dele, a pobreza que a afligia, a vida de sacrifícios; ele não possuía renda que lhe permitia oferecer a ela recursos para ela satisfazer todos seus caprichos de elegância e requinte. Numa conversa com um seu amigo, amigo do peito, Vespasiano, Paulino ouve severas críticas a Adelaide, e uma confissão: que ele, Vespasiano, jamais se casaria com uma mulher com o gênio intratável de Adelaide.Certo dia, a negócios Paulino seguiu para o Rio Grande do Sul. E desembarcou em Santa Catarina, onde perdeu o paquete “Rio Apa”, e teve de esperar por outro. Enquanto esperava por outra embarcação, recebe a notícia de que o “Rio Apa” naufragara, matando todos os passageiros, e a tripulação; e em jornais lê, na lista dos nomes dos vitimados pela tragédia, o seu, e se lhe aflora, então, a idéia, adotando-a, sem pestanejar, de se silenciar a respeito, e instalar-se em Santa Catarina, adotar outro nome, e deixar que, em sua terra, o Rio de Janeiro, as pessoas de seu relacionamento – Adelaide, principalmente – recebessem a notícia de sua morte. E rumou para o interior da província, na companhia de um rico industrial teuto-brasileiro. E adotou um novo nome: Roberto. Decorridos alguns anos, agora de barba crescida e gordo, viajou ao Rio de Janeiro; sem se anunciar a ninguém, afinal estava morto. E não precisou esperar muito tempo para presenciar uma cena que jamais lhe passaria pela cabeça. Cena inimaginável. E nada mais digo.

Em busca de sabedoria, o brasileiro foi à Grécia.

Ao alvorecer do século XX, um brasileiro, Tobias Alvarenga Ramos de Souza Lima e Silva, homem amargurado, após ouvir a sensata exortação de um amigo que muito bem lhe queria, Paulo Pires de Campos Peixoto, rumou, na primeira oportunidade que se lhe apresentou, oito dias depois, de navio, à Grécia, onde, dissera-lhe o amigo, ele poderia conversar com homens sábios. Logo no dia seguinte ao seu desembarque em Atenas, ouviu de um venerável octogenário de ares sapienciais, edificantes palavras de sabedoria. Satisfeito com o que ouvira, no dia seguinte regressou ao Brasil. Como Tobias Alvarenga Ramos de Souza Lima e Silva do idioma grego não sabia patavinas, ele não entendeu, é óbvio, o que o sábio grego lhe dissera, e para mim, que registro este capítulo da sua biografia, não pôde transmitir o que dele ouvira – e tampouco para outro filho de Deus. E aqui deixo registrada esta interessante aventura de um brasileiro que foi à Grécia em busca de sabedoria.

Shazam! – (2019) – com Zachary Levi

É Shazam! um acrônimo. Cada uma das letras que o constituem corresponde à inicial do nome de um personagem lendário ou mitológico: S, de Salomão; H, de Hércules; A, de Atlas; Z, de Zeus; A, de Aquiles; e, M, de Mercúrio. Para a pessoa merecer possuir os poderes de tais personagens tem ela de ser pura de coração, abnegada, nobre de espírito.
Nas revistas em quadrinhos recebe o personagem o nome Capitão Marvel.
No princípio do filme, numa estrada: no interior de um carro estão, ao volante, Mr. Silvana (John Gloover); à sua direita, seu filho primogênito; e, no banco traseiro, Thaddeuz Silvana (Ethan Pugotto), seu segundo filho, alvo de constantes chacotas de seu irmão e de desprezo de seu pai. Um fenômeno inexplicável surpreende o menino – que poucas décadas depois se tornaria o arqui-inimigo de Shazam, o maquiavélico Doutor Thaddeuz Silvana (Mark Strong), êmulo de Lex Luthor -, que é transportado para um universo mítico; e ele se vê na presença do Mago (Djimon Hounsou), guardião do cajado cuja posse apenas o merecedor dos poderes de Salomão, Hércules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio, terá. E o menino Thaddeuz Silvana revela-se deles imerecedor.
Transcorrem-se os anos. Conhecemos, agora, a desventura de Billy Batson (Asher Angel), que, depois de abandonado por sua mãe (Caroline Palmer), vive uma vida errática até ser acolhido, num orfanato, pelos proprietários deste, o casal Vasquez, ambos egressos de orfanatos, Victor (Cooper Andrews) e Rosa (Marta Milans). E no orfanato estreita Billy Batson laços de amizade com Pedro Peña (Jovan Armand), Darla Dudley (Faithe Herman), Eugene Choi (Ian Chen), Mary Bromfield (Grace Fulton), e Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer), que viria a ser dos cinco internos o seu amigo mais próximo.
Após algumas peripécias juvenis, Billy Batson é transportado, por vias misteriosas, para o reino do Mago, este debilitado e envelhecido. Antes o doutor Thaddeuz Silvana, diante do Mago, não tendo a posse do cajado místico, incorporara os poderes dos demônios que representam os sete pecados capitais. O Mago, apreensivo, não se dedica a, com percuciência, paciente, avaliar os candidatos aos poderes dos seis heróis; vai de atropelo, agora que Silvana libertara e incorporara os dons dos demônios, e cede o cajado a Billy Batson, um garoto.
Ao saber possuidor de super-poderes, com ajuda de Freddy Freeman, Billy Batson, agora com o corpo de Shazam (Zachary Levi), seu alter-ego adulto, conservando sua mentalidade de garoto de quatorze anos, aprende, aos poucos, e aos trancos e barrancos, a conhecê-los, a usá-los. Os dias de aprendizado de Billy Batson, Freddy Freeman a ladeá-lo, e as rugas entre os dois garotos, rendem cenas hilárias. E em tais cenas estão uns dos poucos atrativos do filme.

É inevitável o confronto entre o herói, Shazam, e o vilão, Doutor Silvana. O universo traçou o destino de cada um deles, e os pôs em rota de colisão. E lutam herói e vilão. Mas Shazam não era páreo para os sete demônios que o seu oponente incorporara.
Ao fim, de posse do cajado místico, Shazam pede aos seus cinco amigos de orfanato que eles toquem o cajado e pronunciem a palavra de invocação dos heróis míticos, Shazam. E assim todos eles convertem-se em super-heróis de poderes equivalentes aos de Billy Batson. E ao final da aventura são vitoriosos os super-heróis e derrotado o Doutor Theddeuz Silvana.
Faço questão de registrar, nesta resenha, um comentário acerca do discurso progressista – subjacente à trama – que não muito sutilmente o filme vende. Quem não se deixou seduzir pelas cenas engraçadas e atentou para os tipos das personagens captou as mensagens razoavelmente discretas. Pensei em dizer que são as mensagens subliminares. E eu poderia declarar que elas são explícitas, escancaradamente explícitas.
São o pai e o irmão de Thaddeuz Silvana desrespeitosos com ele, e o maltratam; o pai e a mãe de Billy Batson não constituem uma família, não são a mãe e o pai dele exemplares, a mãe dele o abandonou, num parque de diversões, quando ele ainda era uma criança, e o pai dele é um criminoso; os donos do orfanato e os cinco internos são de famílias desestruturadas. Dos cinco internos, um é gordo, latino, Pedro Peña, um, menina, negra, Darla Duddley, um, oriental, Eugene Choi, um, aleijado, Freddy Freeman, e um, mulher entrando na idade adulta, Mary Bromfield. E o casal Vasquez e os internos constituem, assim se diz, uma família, uma família harmoniosa, perfeita, ideal, conclui-se.
Estas são as mensagens, duas, que o filme transmite:
Primeira: A família tradicional, constituída de pai, mãe e filhos, laços de sangue os unindo, é prejudicial, nefasta, opressora, enquanto o modelo de família propagandeada pelos progressistas é o ideal, o da reunião de pessoas de inúmeras origens e sem laços de sangue.
Segunda: Os cinco internos do orfanato são cada um deles o símbolo de uma classe oprimida pelo homem branco, ou, tambêm pode-se dizer, o de uma minoria (a dos gordos, a dos negros, a dos orientais, a dos aleijados – ou, melhor, dos portadores de necessidades especiais, para não ferir suscetibilidades – e a das mulheres), todas as cinco vítimas da sociedade arcaica, ocidental, cristã.
É Shazam! um filme razoável. E um panfleto ideológico.

Esquerdismo, ideologia das trevas. Presidente Bolsonaro, Arte Sacra e Belas Artes. Tunísia. E outras notas breves.

O esquerdismo é deplorável. Ideologia de criaturas do pântano, diz Marco Frenette, que, em uma de suas publicações recentes, afirma que os esquerdistas não estudam – nem política, nem história, nem psicologia, nem filosofia, enfim, nenhum assunto, completo; eles lêem livros que lhes fortalecem as crenças esquerdistas, a sociopatia, livros que lhes dão instrumentos para se desconectarem da realidade, para viverem, digo, na segunda realidade, fictícia, fantasiosa, realidade paralela, cujo ecossistema social, político, idealizado, é inteiramente comunista. São desonestos; e robustecem suas crenças mesmerizados com as palavras – ressignificadas pelos intelectuais que alimentam a fantasia criminosa esquerdista – que lhes ecoam na mente doentia, ou em processo gradativo de adoecimento. E Marco Frenette também atenta para o uso, pelos conservadores, em suas manifestações, do vocabulário esquerdista, sem perceberem que estão a fazer o jogo do inimigo.

Em duas outras de suas publicações, fala, em uma delas, de uma curiosidade: um episódio cômico envolvendo Lênin, que, em viagem a Paris, teve, roubada, a sua bicicleta; e deplorou o defensor da extinção da propriedade privada a supressão da sua valiosa propriedade, que lhe foi subtraída sem a correspondente indenização; e, na outra, que os revolucionários desejam reescrever a História, e esfaquearam Jair Messias Bolsonaro e atearam fogo numa estátua de Borba Gato em ações orquestradas que participam de um movimento que é, talvez, o prefácio de um capítulo tenebroso da história brasileira -, porque ainda não têm meios para caçar e matar os conservadores, ou, é melhor dizer, os bolsonaristas e os cristãos.

E ainda acerca de esquerdismo, comento um texto de Jairo José da Silva, “Tipologia do Esquerdismo”, que ele publicou em sua página no Facebook. É interessante e ilustrativo. Elenca os cinco tipos de esquerdistas: o débil; o intelectualmente deficiente; o impotente; o hipócrita; e, o inexistente. Começo pelo último, que, segundo o autor – e toda pessoa sensata há de concordar com ele -, não existe, e de fato não existe, pois não são os esquerdistas os santos da lenda do movimento revolucionário, pois eles jamais repartem a renda. Agora, o primeiro tipo: é o homem despersonalizado, gregário. E o segundo: é o sujeito que não sabe ler a realidade fora da dicotomia explorador-explorado: para ele, todas as relações humanas seguem as regras da luta de classes: o pai explora o filho, o patrão o empregado, o homem a mulher, e assim impreterivelmente. E o terceiro: é o fracassado. E o quarto: é o pequeno-burguês, sujeito bem-sucedido, que vive da exploração de atividades capitalistas, e que tece loas às bondades socialistas, e adora os heróis comunistas, e deplora as atividades capitalistas, assim se apresentando como um homem sensível e humano, mas sem jamais abrir mão de seus bens, de seu conforto.

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O presidente Jair Messias Bolsonaro para a Lei Rouanet assinou decreto que ajudam pequenos artistas, o homem comum – diz André Porciuncula -, ao reduzir a burocracia. E dá atenção à Arte Sacra e às Belas Artes. O Brasil está a se livrar, aos poucos, de uma política cultural que privilegiava espetáculos grotescos, imundos, de homens a urinarem, em praça pública, na cabeça de outros homens, e de crianças a tocarem, em museus, homens nus, e de homens e mulheres, em círculo, de quatro, a se enfiarem uns nos fiofós dos outros o nariz. Que se persista na política iniciada pelo governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, para que o Brasil possa se ver livre dos demônios que corromperam gerações inteiras de brasileiros fazendo do Brasil uma miniatura do inferno.

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Aldo Lebed dá notícia da destituição e da cassação, na Tunísia, pelo presidente tunisiano, respectivamente, do primeiro-ministro e da imunidade dos parlamentares. E o presidente da Tunísia também acionou o exército contra o parlamento e pôs o país sob Lei Marcial. Segundo o autor, tais ações do presidente tunisiano vão contra a elite globalista da Nova Ordem Mundial, a Irmandade Muçulmana e o Califa Erdogan, e contra, também, Barack Hussein Obama.

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Em entrevista a Rodrigo Constantino,  André Porciuncula afirma, citando Eric Voegelin, que a guerra em que estamos envolvidos é a de sempre, a eterna, a na qual os humanos se batem, desde que o mundo é mundo; antagonizam os humanos que crêem numa ordem transcendente e os que negam aos humanos a transcendência; entre os que querem viver e deixar viver e os que alimentam um eternamente insatisfeito apetite pelo poder.

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Felipe Fiamenghi está na lista dos que criticam, duramente, Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação do governo Bolsonaro. Em sua publicação de 27/07/2021, além de manifestar o seu descontentamento com o ex-ministro, revela ressalvas suas aos intelectuais, pessoas (e aqui ele está, presumo, aludindo a Olavo de Carvalho e aos olavistas, que adoram tecer ao presidente Jair Messias Bolsonaro críticas construtivas, que infalivelmente o constrangem) que de teorias políticas entendem, mas da política do dia-a-dia não sabem nem uma vírgula.

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Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, elenca as idéias defendidas pelo movimento negro, idéias que correspondem em tipo e grau às da esquerda: desencarceramento de criminosos, liberação das drogas e vitimização dos bandidos. E para ele, os negros militantes idolatram criminosos, estes seus heróis e mártires.

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Na entrevista que concedeu à Rádio Cidade Luis Eduardo Magalhães, da Bahia, o presidente Jair Messias Bolsonaro fala de sua saúde; de Adélio Bispo e de sua filiação ao Psol; e da economia brasileira; da pandemia, das decisões de governadores e prefeitos, chanceladas pelo STF; dos efeitos deletérios de lockdowns e quarentenas e toques de recolher decretados por governadores e prefeitos; e lembra do alerta que desde sempre fizera: de cuidar da saúde e da economia; e trata dos programas federais de apoio aos micros e pequenos empresários, o Pronampe; e do Auxílio Emergencial, que atendeu a mais de sessenta milhões de brasileiros sendo que quase quarenta milhões deles são trabalhadores informais – e do consequente endividamento do governo federal; e relembra da política do “Fique Em Casa que a Economia a Gente Vê Depois” e dos males que dela resultou, quase vindo a levar o Brasil à bancarrota; e dos estímulos do Governo Federal aos homens do campo, que do presidente recebeu elogios sinceros; e das demarcações de terras indígenas e quilombolas, políticas que, outrora, sendo uma farra, com demarcações indiscriminadas, redundava em insegurança para os proprietários de terras; e da posse de armas-de-fogo; e das multa aplicadas pelo IBAMA; e da Reforma Administrativa; e de outros assuntos da alçada do Governo Federal. Em poucos minutos, o presidente Jair Messias Bolsonaro oferece aos ouvintes da Rádio Cidade Luís Eduardo Magalhães uma amostra do hercúleo trabalho do Governo Federal.

Declínio dos Estados Unidos e ascensão da China. Ex-bolsonaristas anti-bolsonaristas. Borba Gato e os revolucionários. Transhumanismo. E outras notas breves.

Em sua página no Facebook, Maurício Alves sugere um interessante exercício de imaginação. Observador perspicaz, projeta luz sobre o que se conta acerca do caos que nos aflige. Penetrante em suas análises, apresenta, de um ponto de vista inusitado – dir-se-ia uma teoria da conspiração (às idéias dele talvez assim se refiram pessoas que nada sabendo do assunto e nada desejando saber declaram que de tudo estão inteirados, tecem a respeito comentários infundados, pior, escabujando de ódio ou simulando tranquilidade de espírito, limitam-se a ofendê-lo).

Não é Maurício Alves um replicador de informações, tampouco um disseminador de análises ideologicamente enviesadas. Diz ele que o flagelo que nos atormenta é obra de homens que almejam a derrocada dos Estados Unidos da América e a ascensão da China à superpotência mundial; dentre tais homens, além, é óbvio, dos membros do Partido Comunista Chinês, estão bilionários ocidentais e políticos do Partido Democrata americano. É o objetivo dos inimigos da América, e, por extensão, do mundo livre, demolir as instituições americanas, que são a salvaguarda do poder do Dólar como a moeda do comércio internacional, moeda cujo lastro é a confiança que o mundo deposita nas instituições democráticas criadas pelo Tio Sam. Compra-se Dólar porque confia-se que o Tio Sam honra os seus compromissos.

As restrições ao comércio, a fraude eleitoral nas eleições americanas de 2020, as políticas sanitárias iníquas, e as políticas de passaporte sanitário e a consequente obrigatoriedade da vacinação contra o Covid-19 concorrem para o mesmo objetivo: enfraquecer os Estados Unidos da América.

E estão com pressa os inimigos dos Estados Unidos, afinal, poderá em 2022 Donald Trump obter a maioria nas duas casas legislativas; e a auditoria das eleições americanas, de 2020, no Arizona e em outros estados americanos tem para revelar segredos que muitos não desejam que venham a público, o mesmo se pode dizer da investigação da origem do coronavírus, investigação que revelará o papel de Anthony Fauci e outros ilustres personagens na condução da pandemia.

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Ricardo Santi e Guillermo F. Piacesi Ramos atentam para o erro que não poucos bolsonaristas cometem ao respeitarem as opiniões de youtubers que nada entendem de política e que atuam sempre em defesa de seus interesses pecuniários – nem sempre com a verdade, a justiça, lançando mão de expedientes reprováveis com o objetivo de ampliar seu público, ter seus vídeos popularizados – em vez de confiar no presidente Jair Messias Bolsonaro, cuja experiência política não é desprezível, e além disso, tem ele informações que lhe dão uma idéia melhor da situação, informações que nenhum outro brasileiro, por mais perspicaz que seja, pode imaginar quais sejam.

Quem também repreende tais bolsonaristas é Fernando Vaismann, que trata como ingênuos, imaturos, quem pede por intervenção militar, a aplicação do artigo 142 da Constituição Federal, e suplica ao Exército a prisão de vândalos e personagens folclóricos da política brasileira.

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E pela segunda vez trato de comentários de Maurício Alves aqui nesta edição das minhas Notas Breves. Em uma de suas publicações feicebuquianas (ou facebookianas?), ele, ao falar do ato vandálico contra a estátua do bandeirante Borba Gato, prevê a ocorrência possível de conflitos em futuro próximo, o que justificaria, pelo STF, um golpe branco, e assim estaria alijado o presidente Jair Messias Bolsonaro da cadeira de presidente do Brasil. Não é o único brasileiro que chama a atenção para o recrudescimento dos atritos entre os apoiadores do presidente Jair Messias Bolsonaro e os inimigos dele; estão os nervos à flor da pele, e basta um estopim para que a dinamite social exploda, o que obrigará as Forças Armadas a agirem no intuíto de restabelecer a lei e a ordem. Está por um fio, prevê-se, o conflito. Fernando Vaismann (o Bituka du Bronx) é um dos que alertam para o perigo da ocorrência de convulsão social no Brasil. E os sinais que evidenciam a sua iminente eclosão estão diante dos olhos de todos, mas apenas os treinados podem vê-los.

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O transhumanismo, pensa Neto Curvina, hoje, 25/07/2021, no Facebook, acompanhado da Agenda 2030 (da ONU) e do Great Reset (Grande Reinício), está no âmago de política satânica que redundará na ruína do Homem.

A criação de seres híbridos humanos-animais e humanos-máquinas, em gradativo aprimoramento, é, diz Jayson Rosa, do canal Casando o Verbo, a última tentação do homem. Já em andamento o hibridismo, preparam os Senhores do Universo os povos para a aceitação do novo ser que nascerá da mistura de homens, animais e máquinas num mesmo organismo. E os monstros serão, é certo, inúmeros. Dentro de poucos anos, conviveremos com minotauros, quimeras, centauros, equidnas, esfinges e sátiros.

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Somos os humanos ratos de laboratório, segundo Welton Nehemiah, ontem, 24/07/2021, em sua página do Facebook. Para ele, os humanos desessencializados, corrompem-se em sua integridade, em seu espírito, em seu ser, em sua natureza original, a humana, para se converter em sabe-se lá o que. Em nome da saúde eterna, de uma idéia fantasiosa de saúde, estão a se curvar perante os que os oprimem. Não todos os humanos, é claro, mas aqueles, que são muitos, que acolhem, bovinamente, as ordens de seus algozes e condenam ao ostracismo e ao fogo do inferno os que se dignam a se respeitarem em sua condição humana. O pensamento de Welton Nehemiah coincide com o meu e com o de outras pessoas, que não são poucas.

E pergunto-me se se avizinha de nós o mais desumano e assassino governo da história. Há quem já o vislumbre, ao longe; e há quem afirme que estamos no, dele, átrio de entrada, ao enquadramento da porta principal; e para outros já estamos dentro dele, e ele está a nos massacrar, mas, anestesiados pelas comodidades modernas, a gozar de uma vida de entretenimento e descompromisso e de prazeres ilimitados, desenssibilizados, não nos damos conta da nossa situação deplorável.

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Davi Marciglio informa que o governo francês criou um comitê interministerial para proteger do islã em sua vertente fanática a República; para os franceses é o secularismo inegociável.

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Alfredo Vieira é um pintor brasileiro. Suas obras, de óleo sobre tela, reproduzem as coisas com realismo estonteante – diz-se escola hiper-realista. Na sua pintura “Casebre”, ele retrata uma casa antiga, rústica, em área rural, à volta chão de terra e à frente uma cerca de madeira; ao fundo, colinas cobertas de vegetação verde, rasteira, e árvores. É uma pintura que agrada aos olhos. Bucólica.

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Bill Watterson era dono de sensibilidade incomum. Nas estórias de seu mais famoso personagem, Calvin, que está sempre acompanhado de Haroldo, seu tigre de pelúcia, ele é bem-sucedido em reproduzir a alma de uma criança em toda as suas simplicidade e complexidade, traduzindo-lhe, numa associação perfeita de desenhos e textos, a casmurrice, a ingenuidade, a tristeza, a alegria, a euforia, enfim, todos os sentimentos que fazem de um ser humano ser humano.

Em uma das curtas estórias protagonizadas pelo menino Calvin, de quatro quadrinhos, vê-se, no primeiro, Calvin a tropeçar em uma pedra; no segundo, ele, enraivecido, a dar-lhe um pontapé, arremessando-a longe; no terceiro, a pedra a acertá-lo na cabeça; e, no quarto, Calvin com a cara enfiada no chão. O conto narrado nestes quatro quadrinhos é simples; os desenhos de Bill Watterson confere-lhe o tom cômico, a graça; é uma prova, e bem simples, de que o importante não é a estória que se conta, mas como se conta a estória.

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Quatro pinturas que admirei na página Ars Europe. Uma de cada um dos seguintes pintores: Jan van Balen; Titian; Gianantonio Guardy; e, Bartolomeo Veneto. A de Jan van Balen, Feast os Bacchus, um óleo sobre tela, representa uma cena, num bosque, dionisíaca. Adornam a cena cupidos. Era o pintor um colaborador de Jan Bruegel. E sua obra insere-se no período barroco. Titian, italiano, num óleo sobre tela, apresenta “Worship of Venus”, um rito romano à deusa que dá título à obra. Estão presentes na pintura crianças com asas. Em sua pintura, Gianantonio Guardy ilustra uma cena do poema de Torquato Tasso; estão representados Ermínia, Valfrino, e Tancredi, este, ferido, estirado no chão. E por último, um quadro animado por Maria, e Jesus, criança, ao Seu colo. Ao fundo, vê-se camponeses, animais e um cavaleiro montado em um cavalo; e mais ao fundo, montanhas e construções.

Acompanha cada uma das quatro pinturas um texto curto que dá notícia do pintor e do tema da pintura.

Embora não tenhamos acesso às pinturas originais, podemos admirar réplicas em formato digital; podem muitos alegar que a experiência de admirar réplicas de pinturas numa tela de computador não se iguala à, superior, insubstituível, de admirá-las em seu estado original; pode-se concordar com tal afirmação, mas há de se reconhecer que muitas pessoas jamais terão diante de seus olhos as pinturas originais; portanto, as réplicas, incluídas as reproduções digitais, têm o seu valor; da mesma forma as reproduções em vinil, fita-cassete e digital de espetáculos de música, e em vídeo de apresentações teatrais.

Comprovação científica. Perdeu-se o Elo Perdido. De quem é a Partícula de Deus? Por que a girafa esticou o pescoço? E outras notas breves.

É o mantra atual “Eu só acredito no que tem comprovação científica.”

Desde o início do capítulo Covid-19, que se dissemina uma idéia, que conta com a aceitação de muitos milhões de seres humanos: a de que os cientistas são infalíveis. Não se pode fazer uso do Tratamento Precoce porque não há comprovação científica de que ele vem em benefício ao seres humanos, contra a gripe que nos assola (Reconheçamos: Não é a gripe que está a nos assolar, mas os políticos e os empresários que o usam para implementar uma cultura que os beneficia). E os mesmos que dizem tal defendem o uso, contra o vírus, das vacinas porque têm há, dizem, comprovação cientítifica de seus benefícios para os seres humanos. E quem disse que há em um caso comprovação científica, e em outro não? Jornalistas, políticos, intelectuais, cientistas. Mas que provas eles deram da comprovação científica em um caso e da ausência dela em outro? Mesmo que eles as dêem, os leigos não podem avaliar o que dizem os cientistas pois não têm conhecimento científico, portanto, ao se moverem em favor ou contra uma narrativa estão a agir com credulidade. E na opinião do radicais cientificistas é a credulidade anti-científica. Sendo assim, quem crê que o Tratamento Precoce não tem comprovação científica e que a vacina tem está a agir religiosamente, e não cientificamente – e aqui uso, para efeitos retóricos, a postura científica e a religiosa como antagônicas. Mas por que insiste-se tanto em falar de “comprovação científica”? Não vejo tal discurso isolado do universo social. Parece-me que é um detalhe constituinte de um plano maior. De uma cultura cientificista que tem no cientista o novo sacerdote e no laboratório o templo religioso. É, neste mundo novo, admirável mundo novo, lei a palavra do cientista, e lei que não admite réplica; e infiéis quem não o idolatram. Muitas pessoas, inocentes, ingênuas, crédulas, pacatas, acreditam que estão a respeitar as Ciências ao assumir uma postura servil aos cientistas. Estão, elas não sabem, a desrespeitá-las. E muitas o fazem porque presunçosas e vaidosas: não querem passar por tolas. E não são poucas as que acreditam, piamente, que apenas o que está cientificamente provado tem valor, é verdadeiro, real. A comprovação científica, para muitas pessoas, é imprescindível para se determinar a existência, a realidade. E aqui vejo uma ameaça aos religiosos. E com algumas perguntas ilustro o que penso: Há comprovação científica da existência de Deus? Há comprovação científica da existência da alma? Há comprovação científica da existência do Amor? (E aqui registro Amor, assim mesmo, com inicial em maiúscula, para indicar o sentimento nobre em sua acepção autência, e não na corrompida). Há comprovação científica da existência da consciência? Ao se instituir a norma da comprovação científica para efeito de reconhecimento de coisas do mundo então temos de negar a existência de quase tudo que não é composto de matéria, coisas que a transcendem, e reduzir a amplitude da nossa percepção das coisas do mundo; e ocorreria – e está a ocorrer – o empobrecimento da nossa inteligência, que ficaria restrita à percepção de coisas materiais. Mas creio que todo projeto – maléfico – culmina em fracasso, pois a inteligência humana é inegavelmente complexa e não pode ser reduzida à minúscula estatura à qual ambicionam reduzi-la; e ela sempre haverá uma mover uma reação em sentido contrário, de libertação.

Diz a lenda que o estudo das ciências amplia a inteligência do estudioso. Que a ciência amplia os horizontes. Não penso assim. Entendo que a ciência reduz, não digo a inteligência, mas a nossa capacidade de perceber as coisas do mundo se não vier acompanhada de uma rica formação cultural, literária, religiosa, de uma constituição mental que não restringe o pensamento às coisa físicas. Ora, o químico reduz todos os dons humanos à manifestação de ação e reação química. Por que um homem apaixona-se por uma mulher? Porque, responde o químico, tais e tais elementos químicos agem no cérebro dele, assim e assado, em tal setor. Por que a mãe é tão carinhosa e cuidadosa com seu filho recém vindo à luz? Porque, responde o químico, o cérebro produz os elementos químicos A, C, H e M, que agem, diretamente em tal e tal setor de tal órgão. E assim por diante. E o que responde o biólogo às duas perguntas acima escritas? Que o organismo do homem, que é um animal, libera tal substância, que atua em tal órgão, e produz tal reação, que o obriga a exercer tal conduta; e, o corpo da mulher produz esta e aquela substância, que exerce este e aquele efeito em seu organismo, impelindo-a a agir como o faz. Em suas explicações o químico reduz toda a conduta humana às leis da química, e o biólogo às da biologia. Ambos a reduzirem a condição do ser humano à da ciência que cada um deles estuda – e não raro eles não está aptos, nem com boa-vontade, a reconhecerem que o ser humano é uma coisa imensamente ampla, e que as leis da ciência química e as da biológica não a podem abranger em sua totalidade. O mesmo raciocínio podemos usar para se falar da origem do universo, da origem da vida e de outras questões além do entendimento humano, questões que transcendem a matéria.

A cultura materialista, cientificista, está roubando aos humanos o seu dom de se espantar (espantar, aqui, no sentido de se maravilhar) com as coisas do universo, da vida. E tal cultura está a devastar a inteligência humana.

Um gracejo: temos, na cabeça, o lobo frontal, o lobo temporal e o lobo occipital. Trocando em miúdos: temos, na cabeça, uma alcatéia. Agora entendo porque às vezes a minha cabeça uiva.

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E o Elo Perdido onde está? Perdeu-se? Ou o perderam? Sempre que me entendo por gente, ouço falar que os evolucionistas estão a procurar o Elo Perdido. E ainda não o acharam, os palermas! Oh! Criatura esquiva! Está a brincar de esconde-esconde com os cientistas. Mas existiu um elo entre os primatas e os humanos? Se existiu, então era ele de uma espécie distinta da primata e da humana; portanto, pertencia a uma terceira espécie, nem humana, nem primata; somos, então, descendentes de tal criatura, nosso ancestral imediato, sendo o primata anterior a ele. Ou é o Elo Perdido um personagem imaginário, concebido pela mente de biólogos evolucionistas, que ambicionam impor a teoria evolucionista como a única aceitável para se explicar a existência do ser humano? É apenas o Elo Perdido um personagem fictício? Se sim, temos de reconhecer que são os biólogos criativos.

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Não muito tempo atrás, cientistas dispararam, num acelerador de partículas europeu, um átomo de não sei o que. E o estimularam a não fazer corpo mole: “Sebo nas canelas, The Flash.” E ele, entusiasmado, eufórico, rompeu a barreira do som – e a da luz também, não sei; só sei que ele foi rápido pra dedéu, mais rápido do que ele mesmo.Procuravam, então, os cientistas, o bóson de Higgs, uma partícula prevista em uma fórmula matemática. Ora, havia em tal fórmula um furo; e que se preenchesse tal furo, em cujas infinitesimais dimensões encaixa-se à perfeição o bóson de Higgs, ou, é seu outro nome, a Partícula de Deus. A experiência foi empreendida a contento, e os cientistas depararam-se com o… Não sabiam. Lembro de, na ocasião, curioso, ler algumas reportagens a respeito; em uma delas, um cientista declarou que haviam encontrado uma coisa, coisa esta que ele não sabia o que era, mas sabia que não era o que procuravam, o que, acreditavam os cientistas, eles deveriam encontrar ao realizarem tal experiência, e um outro cientista disse que tinham de avaliar os dados resultantes do experimento, pois suspeitava-se que nada haviam encontrado, nem o tal de bóson, nem outra partícula. Deram um tiro no escuro os cientistas, que não souberam dizer no que haviam acertado.

Procuraram pela Partícula de Deus e encontraram a Partícula do Diabo.

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Ensina Lamarck que as girafas, para colherem, das árvores, folha a quatro, cinco metros altura, alongaram o pescoço. Pensando, aqui, hoje, com os meus botões, pergunto-me porque as girafas não mudaram de dieta, e não comeram folhas de arbustos, e gramíneas. Imagino o sofrimento das girafas durante o processo de esticamento do pescoço.

Por que as girafas esticaram o pescoço, afinal? Diz a mitologia científica que houve um tempo, antes do Dilúvio Universal, que de tanto comer das árvores as folhas que estavam ao seu alcance as girafas as esgotaram, e agora teriam de comer as folhas que estavam em galhos mais elevados. Cabe aqui uma reflexão, que se inicia com uma pergunta: Quanto tempo durou o processo de adaptação das girafas ao novo meio (agora com as folhas que constituíam a dieta das girafas a quatro metros de altura)? Alguns poucos anos na vida de uma girafa? De tanto esticar-se para alcançar as folhas, uma girafa, do seu nascimento, até a sua morte, criou para si um pescoço extenso? Ora, mas se as folhas estavam fora do seu alcance quando ela era pequena,  então ela, é provável, talvez tenha morrido de fome antes de completar o processo de distensão do pescoço. Ou tal alteração – de pescoço curto para pescoço comprido – do corpo das girafas se deu de uma geração para outra. É possível a ocorrência de tal fenômeno. Havendo a necessidade de adquirir um dom para conservar a existência de sua espécie, os indivíduos estimulam o aparecimento dele na geração seguinte? Querer é poder?! É assim tão simples? E outra possibilidade: Tal adaptação foi um processo prolongado, que se estendeu por inúmeras gerações de girafas. Neste caso, a extinção das girafas seria certa.

Aqui, uma pergunta, que não quer calar: Se as girafas, quando ornamentadas com pescoço curto, aprenderam a comer folhas que e lhes estavam ao alcance da boca, por que, agora, iriam elas esticar o pescoço para abocanhar folhas a quatro metros de altura, em vez de aprender a se alimentar de espécies de folhas, que estavam ao seu alcance, de árvores pequenas, e de arbustos, e de plantas rasteiras? Juro que não entendo a idéia do Lamarck. E ele poderia nos falar das girafas amazônicas, uma espécie surgida recentemente.

E que ninguém pense, ao ler esta minha nota breve, e as que a antecedem, e as que a sucedem, que eu sou um cientista, um biólogo. Longe disso. Sou apenas um homem que se faz algumas perguntas.

Esta nota breve me foi inspirada por lições quaisquer colhidas aqui e ali, e não por estudo sistemático do assunto. Que me desculpe o leitor a ignorância científica.

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No início do mundo, havia, na Terra, seres simples, que, durante bilhões de anos viveram e se proliferaram admiravelmente bem; se é assim, não havia razão para eles evoluírem, afinal, estavam muito bem, obrigado!, adaptados ao mundo em que viviam; a menos que, entediados com o ramerrão de então, tenham desejado gozar de experiências inéditas.

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A evolução de um animal de uma espécie para outra, mais complexa, mais sofisticada, se dá em quantas gerações? Uma? Duas? Milhares, no percurso de milhões de anos? Uma espécie possui tais órgãos; e, num processo evolutivo que se conclui após milhares de gerações, transmite cada geração para a geração subsequente, partículas dos órgãos que irão constituir os individuos da espécie seguinte, e não os órgãos inteiros; e tais partículas de órgãos não têm utilidade para os individuos que a recebem de herança; sendo assim, eles não as transmitem aos seus descendentes. Por que o fariam, se elas lhes são inúteis? Então, neste caso, o processo evolutivo jamais se dá, pois as partículas, que são inúteis, dos órgãos que uma geração recebeu da imediatamente anterior não são transmitidas à geração subsequente àquela que primeiro as recebeu.

Uma pergunta, que me fiz hoje: As mudanças evolutivas, isto é, a manifestação de partículas de órgãos inexistentes em uma geração na geração seguinte, são aleatórias, erráticas, ou seguem um programa previamente definido? E como seguiriam um programa, para culminar na formação da espécie seguinte, se não se sabe em quanto tempo se dará tal processo e tampouco quais serão as características do ecossitema em que ela viverá? A espécie herdeira, num futuro indefinido, que não pode ser antevisto, projeta, na inteligência natural da espécie que a antecede na árvore genealógica evolutiva, as características que lhe serão indispensáveis à sobrevivência, obrigando-a a sofrer tais e tais modificações?

China, chuvas, enchentes, a hidrelética de Três Gargantas e o aquecimento global. Bolsonaro e Argentina. Ministro Tarcísio e o Ferrogrão. E outras notas breves.

Notícias exibem cenas dramáticas sucedidas em território chinês após a tempestade torrencial que desabou no país do Bruce Lee. E dá-se a conhecer que a precipitação de água desta vez superou todas as expectativas. Foi um volume tão grande de água que o fenômeno pode ser comparado a um dilúvio. Há quem pense que não é inteiramente correto atribuir à chuva inesperada a catástrofe que se abateu sobre a China, pois suspeita-se que a causa da tragédia deve-se à frágil estrutura das hidrelétricas situadas em território chinês. E avizinha-se dos chineses uma tragédia cataclísmica, suspeitam estudiosos; é o que se lê nos artigos “O rompimento da hidrelética das Três Gargantas na China irá causar uma calamidade global.”, de Renato Cunha, publicado, dia 12/05/2021, no site Stylourbano, e “Barragem pode se romper a qualquer momento na China (Exército)”, publicado, sem nome do autor, no site do Estado de Minas, dia 20/07/2021.

No primeiro artigo aqui mencionado, informa o autor, evocando recentes fatos histórios sucedidos na China desde há um pouco mais de vinte anos, que a construção da hidrelétrica de Yangtsé está envolta de suspeitas de corrupção desde a apresentação do seu projeto pelo governo chinês e é tal obra faraônica uma peça de propaganda do governo chinês, comunista. E o risco de um rompimento da barragem não pode ser descartado. No segundo artigo acima mencionado, fala-se do rompimento da barragem de Luoyang. Não podemos, sabemos, confiar nas palavras do governo chinês, cuja desonestidade é proverbial – nada que nos surpreenda, afinal é o governo chinês comunista.

A tempestade que ora atinge a China vem bem a calhar para o governo chinês e para os ambientalistas alarmistas. Sendo verdadeira a história da fragilidade da hidrelétrica das Três Gargantas, o resultado será uma catástrofe apocalíptica, com milhões – fala-se em centenas de milhões – de chineses mortos. E o governo da China já estaria a criar um bode expiatório, eximindo-se de suas responsabilidades: o aquecimento global, que, alterando significativamente o clima terrestre, causou a tragédia. E os ambientalistas alarmistas, xiitas, comunistas verdes (diria Luís Dufaur), estão prontos para sacar as suas armas retóricas para condenar os seres humanos, para eles o câncer da Terra, e exigir dos estados nacionais submissão à uma agenda global de combate ao aquecimento global de origem antropocêntrica chancelada por uma organização mundial, que a todos os povos do mundo irá impor, em nome do bem da Terra, uma política totalitária, que engendrará miséria inimaginável e mortes incalculáveis.

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O presidente Jair Messias Bolsonaro publicou, hoje, em sua página no Facebook, um vídeo. Vídeo que apresenta o testemunho de um argentino, que não tem seu rosto exibido, acerca do que se passa na Argentina. E o presidente Jair Messias Bolsonaro, na sequência, fala de uma conversa sua com Maurício Macri, antecessor de Alberto Fernandez na cadeira da Casa Rosada, e do alerta que vem fazendo desde há dois anos, a de que retormando o poder as esquerdas o Brasil viverá o inferno na Terra, e falou da crise econômica e social argentina, e, evocando o exemplo dos venezuelanos que migram para o norte do Brasil, do fluxo migratório de argentinos para o sul do Brasil. Falou um pouco do Voto Impresso, de sua importância, inprescindível para o bom andamento das eleições brasileiras, e de um ministro do STF, Luis Roberto Barroso, e de Lula, sem deste citar o nome. E repetiu uma de suas costumeiras frases, a que diz que ele, presidente Jair Messias Bolsonaro, joga dentro das quatro linhas da Constituição.

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O ministro da Infra-estrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, bate-se contra ambientalistas militantes, informa Fábio Matos, no artigo “Tarcísio volta a defender o Ferrogrão e afirma que ativistas não conhecem o projeto.”, publicado, dia 20/07/2021, no site da Revista Oeste.Critica, e duramente, com as suas civilidade e pacatez costumeiras, o já lendário ministro da Infraestrutura, galardoado pelos brasileiros com um apelido carinhoso, Tarcísio do Asfalto, os ativistas ambientalistas que, não se contentando em defender a natureza, almejam emperrar a construção de obras benéficas aos humanos. É o Ferrogrão extensa linha ferroviária de mais de novecentos quilômetros, que vai de Sinop, Mato Grosso, até Itaituba, Pará, no porto de Miritituba, às margens do Rio Tapajós. Escoará a produção de grãos do Centro-Oeste, pela BR-163, que recebe obras de melhoria, até o Pará.

Há um imbróglo no projeto do Ferrogrão. Envolve a legenda do Psol, e o ministro do STF Alexandre de Moraes, e o Governo Federal, além de outros personagens; e diz respeito ao Parque Nacional do Jamanxim, no Pará.

O projeto contará com conexões de ferrovia, hidrovia e portos, e elimina a dependência que têm da malha rodoviária os produtores de grãos. Trará muitos ganhos para o agronegócio brasileiro, e para o Brasil como um todo.

Li, há pouco, um artigo, “Escoamento de Grãos de MT para o porto de Miritituba- PA deve crescer 20% em 2021”, escrito por Luiz Patroni, publicado, no blog Canal Rural, dia 04/01/2021. Traz importantes informações.

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Fernando Vaismann, sob o codnome Bituka du Bronx, manifesta a desconfiança que nutre por Abraham Weintraub, Daniel Silveira, Oswaldo Eustáquio, e por deputados federais que, recém-eleitos, excurcionaram pela China, ciceroneados por atenciosos e prestativos guias turísticos de olhos puxados, e por Janaína Paschoal, deputada estadual por São Paulo. Muitos brasileiros, em especial os bolsonaristas, até hoje não engoliram as desculpas que os patriotas deputados federais apresentaram ao se verem de calças arriadas. Para não poucos são as desculpas esfarrapadas. E os bolsonaristas, com uma pulga atrás da orelha, os fitamos com o canto dos olhos, um pé para trás.

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Neto Curvina publica uma informação que dá o que falar e deixa a todos de cabelos em pé. Diz ele que se dissemina pelos quatro cantos do planeta uma idéia do balacobaco: agências de notícias informam que com o fim das restrições à movimentação econômica e ao livre exercício de atividades públicas dos indivíduos, aumentar-se-á o efeito estufa, automaticamente avolumando-se, e perigosamente, os ingredientes que favorecem o aquecimento global. Aqui, dá-se como certo que o fenômeno cataclísmico que profetizam os ambientalistas fanáticos tem sua origem na atividade econômica humana, pior, na existência do ser humano.

No ano passado, li reportagem que informava que as quarentenas e os lockdowns haviam beneficiado a natureza; que os rios e o ar e o mar estavam menos poluídos. Na ocasião cocei a cabeça, intrigado. Agora, à insinuação de que a retomada das atividades econômicas redundará em prejuízo à Terra, percebo que cocei, e com razão, a cabeça, a pensar com os meus botões. Inserindo tal detalhe, a informação dada por Neto Curvina, num cenário, percebe-se que se está a preparar os homens para a aceitação de medidas de restrição econômica, em nome do bem das tartarugas marinhas, dos ursos polares e dos ursos pandas, e da Terra, a mãe Gaia, como um todo, medidas que erguerão uma civilização mais humanitária porque menos populosa, quase desabitada. É difícil equacionar a questão ambiental. É o homem um personagem da Terra. E muitos ambientalistas desdobram-se com seriedade ímpar no estudo da questão ambiental; infelizmente, são os inescrupulosos que, barulhentos, estão sob os holofotes.

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Nicolas Carvalho de Oliveira, na sua página do Facebook, hoje, dia 23, tece comentários percucientes a respeito da mentalidade dos conservadores, mentalidade com trinta anos de obsolescência. Estão os conservadores cegos para as questões atuais, prementes, dentre outras a conexão deletéria entre capitalismo de consumo e marxismo cultural, a guerra espacial, e a ditadura das High-Tech. Está com a razão Nicolas ao apontar o consumismo e o entretenimento hedonista como sustentáculos do despotismo dos Estados.

Em boca fechada não entra mosquito. Partidos de esquerda e direita não são iguais. Esquerda limpa-se em sua sujeira. E outras notas breves.

A pessoa que, desconhecendo um determinado assunto, e dotada de bom-senso, numa discussão pública mantêm-se à parte, na arquibancada, assistindo ao espetáculo que pessoas que, acredita, entendem do riscado oferecem, ciente de que talvez uma delas, ou todas elas, nada entendem do que dizem, afinal, ignorando o assunto, não pode avaliar o teor das dissertações que elas dão a conhecer. Compreende que não pode ponderar acerca do que é tratado, mas pode, se atentar para o que dizem, detectar incoerências, inconsistências, argumentos enviesados, falácias, se tem preservada a boa-vontade em apreender as coisas do mundo, e humildade para reconhecer suas limitações, e revelar-se maduro para não se precipitar e manifestar suas opiniões apenas tendo em mira o objetivo de não se passar aos olhos alheios por um tolo, um ignorante. Diziam os homens de cãs veneráveis, nossos avoengos, que a palavra vale prata, e o silêncio, ouro; em muitos momentos, sim. Não é raro uma pessoa passar por situações que só não são constrangedoras porque ela decidiu pelo silêncio ao ouvir uma tolice saída da boca de uma pessoa que se tem na conta de sábia sem o ser e dotada de conhecimentos superiores.

Todas as palavras anteriores eu as escrevi de intróito ao que direi a partir de agora. Neste ano e quatro meses de pandemia (fraudemia, para os perspicazes) oficial, políticos, chandelados por médicos e cientistas renomados (eleitos pela mídia e por quem a financia) e diretores e presidentes de organizações internacionais, e amparados pelos meios que se dizem de comunicação, autorizados por autoridades dos órgãos jurídicos estatais, decretaram medidas restritivas, ditas sanitárias, que, alegaram, visavam conter o avanço do vírus entre os humanos. Os resultados estão aos olhos de todos: fracasso retumbante e fortalecimento de políticas autoritárias em todo o mundo. No princípio, medidas como quarentena (primeiro, quinze dias; depois, mais quinze dias; e de quinze dias em quinze dias, um ano e quatro meses), isolamento das pessoas, para evitar aglomeração e o uso de máscara. Ora, dizia-se, então, que se enfrentava uma doença nova, que pedia medidas originais para se poder enfrentá-la. Mas não havia, na ocacião, nenhuma experiência que revelava a eficiência de tais medidas, excetuada uma, na China, em Wuhan, que, segundo o governo chinês, comunista, foi um sucesso incontestável. Muitos inocentes acreditam nas narrativas do governo comunista chinês, principalmente as dotadas de senso crítico. E não foi preciso muitos dias após o anúncio da existência de um protocolo médico que indicava para traramento de pessoas infectadas pelo Covid um coquetel de remédicos que contava, dentre outros, com a hydroxicloroquina, para que este remédio, e o tal tratamento, a mídia, a escorá-la médicos e cientistas renomados que ela mesma alçara à condição de heróis, o demonizasse, dando-o como coisa de gente retrógrada, antiquada, anti-científica, da Idade Média, terraplanista, e coisa e tal. E não poucas pessoas, já em estado vísivel de histeria, esposaram a posição midiática e partiram para a ofensa aberta, declarada, aos que carinhosamente alcunharam negacionistas e apresentaram-se como seguidores da ciência. Ao assumirem tal postura, a de pessoas de cérebro petrificado num estado de letargia, incapaz de acionar os neurônios, impelidas pelo medo estimulado pela tortura psicológica à qual inconscientemente se submeteram, fincaram pé numa posição sem que soubessem o que faziam, certos de que faziam o certo, ignorando a real, verdadeira, motivação daqueles que implementavam as políticas ditas sanitárias, numa postura de quem eram profundos conhecedores de ciência, de medicina, e, a presunção das presunções, autoridades morais ungidas por seres celestiais onipresentes e omnissapientes. E nada sabiam então, e nada sabem ainda hoje, de ciência, e tampouco das motivações dos políticos e dos empresários metacapitalistas que financiaram as políticas que, sob pretexto sanitário, estão a destruir empresas pequenas, produzir desemprego, rasgar o tecido social criando atritos e desconfiança entre as pessoas, principalmente entre familiares e parentes, e erguendo uma estrutura estatal tecnocrática totalitária global.

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Ouvi, certa vez, de alguém que se acredita profundo conhecedor de política, que Direita e Esquerda, sendo opostas uma à outra, são iguais. Falava, então, de PSDB e PT. Em seu argumento, inscrevia o PSDB na direita do espectro político; e o PT na Esquerda. Toda pessoa que leu algum texto de estudioso honesto de política sabe que é o partido dos tucanos de Esquerda, e não de Direita. Mas não é este o ponto desta minha nota breve. O que me chamou a atenção na ocasião foi a ausência de sentido do argumento do suposto conhecedor de política, ele a disparar disparates a esmo e deles não se dar conta. Para ele, as idéias da Direita e as da Esquerda são iguais, mas as políticas delas são opostas, às desta às daquela; e o PSDB é de Direita e o PT de Esquerda, este sendo o oposto daquele, e o ideal daquele é igual ao deste; e ele se decidia pelo PSDB porque o PT tem política diferente, embora seja a mesma. Eu só posso concluir que tal pessoa, presunçosa, usava as palavras Direita e Esquerda apenas por hábito, sem conhecer nem um mísero fato histórico, que remonta à Revolução Francesa, que lança luz, e escuridão, acerca da questão. E ela revelou, também, desconhecer as políticas dos dois partidos políticos brasileiros em análise, objetos de seu comentário disparatado. Teria ela de incluir PT e PSDB na Direita, ou na Esquerda, jamais um em cada um destes dois grupos, afinal a taxonomia política não permite que se inclua em grupos distintos partidos políticos de idéias idênticas.

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Há não muito tempo, o PSDB lançou um movimento intitulado “Esquerda Pra Valer”. Há quem não tenha entendido tal postura, afinal, desde que o mundo é mundo, o PSDB se deu aos brasileiros como partido de Direita. Se é assim, por que vinha ele, agora, se declarar de Esquerda? Estudiosos perspicazes entenderam a artimanha: Dando-se como de Esquerda, pretendia o PSDB apresentar o PT como uma falsa esquerda, uma esquerda que traiu os ideais esquerdistas, assim limpando o PSDB o nome da Esquerda, até então associado ao Mensalão, aos governos de Lula e Dilma, de triste memória. Já era, então, de domínio público, os demandos dos petistas e seus tentáculos.

Geraldo Alckmin, certa ocasião, muma entrevista à Jovem Pan, na companhia, dentre outros, de um dos mais proféticos e certeiros comentaristas de política nacional e internacional, afirmou que Lula é de Extrema-direita, e disse tal com todas as letras, e sem gaguejar. É o mesmo artifício que estão os esquerdistas a usar nestes dias, que correm, quando se revelam ao mundo as imundícies dos governos esquerdistas da Venezuela e de Cuba. Jogam a batata quente nas mãos da Direita, dos militares e dos capitalistas. Tal narrativa ecoa nos ouvidos de muita gente desavisada.

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Há poucas semanas, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva deixaram suas diferenças de lado e, pelo bem do Brasil, aliaram-se contra o presidente Jair Messias Bolsonaro. Há quem acredite que eram FHC e Lula adversários e que a aliança foi coisa séria. Mas parece que a idéia não agradou nem os gregos e nem os troianos, e foi abandonada. Presumo que ninguém quis assumir a paternidade dela.

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Intelectuais são gente como a gente, e não seres superiores como acreditam alguns. E muitos deles amam de paixão ditadores e genocidas. Heidegger flertava com Hitler, Sartre com Stálin, Gabriel García Márquez e Saramago com Fidel. Para citar apenas quatro deles.

E duas informações: Fidel Castro estudou Direito, e Che Guevara, medicina. E há quem pense que formação universitária forma o caráter.

O vírus é o que dizem que ele é? Arma biológica? Quem a produziu? Revelações. Em quem acreditar? Fundão sem fundo e o presidente Bolsonaro. Cuba. E outras notas breves.

Que o mundo dá voltas ninguém há de negar, mesmo que ninguém sinta a constante rotação, que, é a verdade, não atrai a atenção de onze em cada dez humanos. Os homens, excetuados alguns poucos cientistas e curiosos, ocupam seus dias com outros afazeres. Mas o mundo, a nossa Terra, podia dar voltas numa velocidade inferior à costumeira. Que desacelere. Os humanos não suportamos, mais, tanta revolução.

Assisti, hoje, dia vinte, ao vídeo “Reiner Fuellmich entrevista Dr. David Martin – Afinal foi uma ilusão fabricada.”, legendado, publicado, no Rumble, canal de vídeos na internet, no dia dezesseis deste mês. Tem um pouco mais de uma hora de duração. É ilustrativo. Dá-nos o que pensar. Faz-nos coçar a cabeça, até nos arrancarmos os cabelos. Não ouso, aqui, nesta nota breve, reproduzir, puxando pela memória, as informações que o entrevistado fornece, inúmeras, e tampouco empregar o vocabulário dele. Não é está a minha ambição. Quero, aqui, dar, unicamente, uma idéia, que, sei, é fraca, do teor do vídeo, e encerrar esta nota breve com um comentário pessoal.

Diz o Dr. David Martin que não é o coronavírus, o tal de SARS-CoV-2, o bode expiatório que os políticos nomeiam para nos infernizar, uma criatura nova, surgida no ano de 2.020, vinda de um laboratório, do qual escapou após driblar-lhe o sistema de segurança máxima de matar de inveja os construtores de Alcatraz. Nada disso. Já era a danada conhecida de todos, e há décadas. Documentos dão a conhecer a sequência genética do coronavírus (mocorongovírus, no vernácuo acaipirado do meu amigo Barnabé Varejeira), apresentando-o como de um ser novo. Não o é, entretanto. É ele um matusalém. Nosso velho conhecido. E estou me repetindo.

Em certo momento da entrevista, o entrevistado, bem humorado, afirma que primeiro criaram uma demanda para uma vacina, que estava patenteada antes da patente do vírus, que, sendo criatura natural, não pode ser patenteada, pois pode-se patentear apenas o que é artificial, produto da criação humana. Havia, nos longínquos anos 2000, uma vacina contra coronavírus para uso em coelho e em cães, e não em humanos. E a criação do novo (que não é novo) coronavírus, se deu nos laboratórios do NIAID (National Institute of Allergy and Infectious Diseases) e contou com a participação do mitológico Anthony Fauci.

E fala o Dr. Martin de HIV, de armas biológicas, do DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency – Programa de Pesquisas Avançadas de Defesa dos Estados Unidos), do anthrax, da Ciprofloxacina, da NIH (National Institutes of Health), das agências de saúde (ou devo dizer “de doença”?) estrangeiras na história da criação do novo (que não é novo) coronavírus.

Brinca o Dr. David Martin que criaram um tratamento médico para uma doença provocada por um vírus que não existe, vírus, este, o tal de SARS-CoV-2 (mocorongovírus, repito, no singular dicionário do Barnabé Varejeira, meu amigo), vírus, o Covid, que é um avatar, uma simulação de computador, uma espécie de personagem de videogame do time do Kratos e do Donkey Kong. Pensei em dizer do da Lara Croft ou do do Sonic. Mas a êmula de Indiana Jones é muito meiga e prodigiosa e exuberantemente voluptuosa e o rival do Ligeirinho, muito rápido, ligeiramente veloz, um rival de Usain Bolt (e o tal de coronavírus, desde sempre suspeitou Barnabé Varejeira, é um mocorongo).

Além de não ser novo o novo coronavírus, a teoria do vazamento do vírus de um laboratório de virologia de Wuhan não passa de uma asneira.

E declara o Dr. David Martin que a vacina injeta nas pessoas estimuladores de patógenos.

Enfim, queriam porque queriam os propugnadores da vacinação universal criar um ambiente propício para criar a procura por um produto, a vacina, que não tinha uso.

A campanha de terror psicológico promovida, à perfeição (ou não, são muitos os impenitentes negacionistas – que, todavia, calculo, não sei se pessimista, constituem parcela reduzida da população mundial), pela mídia tradicional e internética, cuidou de induzir o povo à histeria e levá-lo a suplicar dos governos o elixir da imortalidade – e milhões de pessoas ainda não se deram conta de que foram levados, tais quais cãezinhos de Pavlov, a fazer o que os engenheiros sociais quiseram que fizessem – e ofereceram-se-lhes de ratinhos de laboratório.

Prometi, linhas acima, apresentar os meus comentários, que serão breves: há mais de um ano ouvi dizer à boca miúda que era o coronavírus personagem folclórico inofensivo, filho putativo de Bruce Wayne; depois, que era ele um ser mitológico apocalíptico, bíblico, no dizer de alguns, pagão, no de outros; não muito tempo depois, que era ele uma criatura usada, em experiências científicas, por cientistas chineses, que nutriam a ambição de criar um rival do Godzilla, e usá-lo para destruir os Estados Unidos; depois, veio-me ao conhecimento que era ele apenas um vírus, e nada mais, que nasceu em algum lugar, ninguém sabia onde, e espalhou-se pelo mundo; meses atrás, eu soube que ele escapara de um laboratório de Wuhan; e agora, escuto um homem dizer que é ele uma criatura, que não existe, produzida em laboratórios americanos. Qual destas histórias é verossímil? Há uma que o seja? São todas inverossímeis? Mas há verossimilhança na inverossimilhança!? Pois bem, declaro que já não sei o que pensar a respeito de uma questão que eu acreditava conhecer.

Este vídeo, que me deu o que pensar, e me fez escrever esta nota breve, me obriga a jamais me precipitar a adotar uma postura de convergência ou divergência com o que se divulga. Agora, com uma pulga atrás da orelha, pergunto-me se a narrativa do Dr. David Martin procede, ou se é desinformação, afinal, agora aponta-se o dedo aos Estados Unidos, e o dedo acusador não é de um chinês. Que Ion Mihai Pacepa me ajude a pensar.

Se eu incorri em algum despautério; se eu transmiti alguma informação errada; se eu embaralhei os dados fornecidos pelo Dr. David Martin; se eu, enfim, escrevi o que não devia escrever, desculpo-me com o leitor e peço-lhe que me compreenda.

Esta nota breve ficou breve só na minha intenção.

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O Fundão dá o que falar. Não precisaríamos nos atormentar com tal assunto se as campanhas eleitorais fossem financiadas com dinheiro de pessoas e de empresas. Que cada brasileiro, sendo este seu desejo, doe um quinhão, ou uma moeda que seja, de seu bolso ao candidato que apóia ou ao partido político ao qual é filiado – ou, se não é a ele filiado, subscreve-lhe suas políticas. Mas tirar de cada cidadão brasileiro uma porcentagem do que lhe pertence (Qual é a fonte de recursos do Fundão? Impostos, taxas e emolumentos cobrados ao cidadão pelo Estado. E quem recolhe aos cofres públicos o produto da riqueza do trabalho? O cidadão.) e entregá-la a partidos políticos, que a distribui aos políticos, é um acinte ao povo que sua em bicas todo santo dia para comer o seu prato feito e encerrar o mês sem um tostão no bolso furado. Assim todo brasileiro financia políticos que ele não tem em alta conta e que defende valores que ele não esposa. Infelizmente é neste pé que estamos.

E o famigerado Fundão, assim jocosamente designa o brasileiro a conta, estipulada pelos legisladores nacionais, que teremos de pagar, sabem pessoas de mente suspicaz, está a servir de moeda de troca, em Brasília, políticos a se oporem ao presidente Bolsonaro a chantageá-lo. Que ele ouse vetar o aumento da verba destinada às campanhas eleitorais de 2.022! Ele verá o que é bom pra tosse e com quantos paus se fazem uma canoa. Se vetar o aumento do montante de recurso destinado ao Fundão, Jair Bolsonaro, prevê Ricardo Santi, em publicação do dia vinte deste mês, para enfrentar os seus inimigos, contará apenas consigo mesmo, constituirá um exército de um homem só, um de Brancaleone, a encarar, destemido, dragões e a desferir golpes a esmo, amalucados, contra moinhos de vento.

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Ilustrado com uma foto que retrata uma praia paradisíaca, de Cuba, o texto de Lukas Hawks, de ontem, dia dezenove, fala, em poucas palavras, que o país caribenho, de principal destino turístico dos sobrinhos do Tio Sam, um paraíso na Terra, converteu-se, após a revolução comunista concretizada por Fidel e Che, num paraíso socialista, isto é, um inferno na Terra. Hoje, sob a foice e o martelo comunistas, os cubanos para fugir à opressão contra eles praticada pelo Estado comunista da ilha-cárcere, arriscam-se em balsas, enfrentam tubarões, para, rezam, pisar em terras da Flórida. O destino dos mal sucedidos, capturados pelos agentes de Cuba, é mais sofrido, dramático e trágico do que o que tem os que naufragam e, caídos nas águas caribenhas, são triturados pelos dentes afiados dos caçadores dos mares.

E em outra publicação, esta do dia quinze, tece um comentário rápido, penetrante: antes, o comércio com os americanos eram prejudiciais à Cuba, daí a necessidade de uma revolução socialista; hoje, a ausência de comércio com os americanos é prejudicial à Cuba. Coitado do Tio Sam!

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O jogo de poder dos poderosos Senhores do Universo dá um novela de suspense magistral. Maurício Alves informa que Mark Zuckerberg pode estar a fazer a caveira de Gates e Biden, pois conta com o arrimo de pessoas mais poderosas do que os três. Quem pode imaginar que possa existir gente mais poderosa do que o atual presidente dos Estados Unidos? E informa tambêm que Fauci e Gates estão em maus lençóis, torrando uma boa fortuna com advogados. Tal história está relacionada com o Instituto de Virologia de Wuhan, China, patentes do SARS-CoV-2 e algumas outras questiúnculas incontornáveis.

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Admirei duas pinturas, ambas publicadas, no Facebook, na conta do Ars Europe, uma de Giuseppe Vermiglio, esta a retratar Davi e Golias, aquele a exibir a cabeça deste, decepada, em sangue; e uma, óleo sobre tela, de Cornelius de Voss, pintor flamengo, a exibir Vênus a sair do mar, sob o olhar de Tritão e de cupidos.

A pintura de Giuseppe Vermiglio é impactante, realista, nua, crua. Ilustra, segundo o texto, curto, que acompanha a reprodução da pintura, episódio narrado no primeiro livro de Samuel.

Governo Federal, boas notícias. Lei de Diretrizes Orçamentárias, algumas notas. Passaporte sanitário. E China. E outras notas breves.

Da SECOM, Serviço de Comunicação do Governo Federal, duas notícias: O Governo Federal investirá mais de trinta milhões de reais em obras de saneamento no Distrito Federal e em treze estados da federação, nas cinco regiões do território nacional; e, o crescimento da movimentação portuária, informa a Agência Nacional de Transportes Aquaviários no Painel Estatístico Aquaviário, neste ano, foi da ordem de 9,3%.

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Raquel Brugnera, em sua página do Facebook, hoje, 19/07/2021, dá uma síntese da substância da Lei de Diretrizes Orçamentárias (conjunto de regras – e não o orçamento federal anual, como muita gente pensa – para o uso do dinheiro público no ano seguinte à sua assinatura) publicada neste 2021 e seus dois pontos polêmicos, o que discute o salário mínimo e o do Fundo Eleitoral (o famigerado Fundão), e fala da manobra empreendida por Marcelo Ramos, que está presidente da Câmara na ausência de Arthur Lira, de recesso.

Explica Raquel Brugnera que os recursos que se discutem na LDO convertem-se em Orçamento após concretização das regras discutidas, que, aprovadas, participam da LOA (Lei Orçamentária Anual). Neste 2021, foram votadas 57 programas e 223 ações, que deputados, senadores e comissões do Poder Legislativo e Bancadas Estaduais sugeriram, e mais 773 emendas. Dentre os objetos de discussão, determinou-se que municípios com população de até cinquenta mil habitantes, estando inadimplentes, podem recorrer ao Governo Federal e obter recursos para honrar os seus compromissos; e que dar-se-á prioridade aos programas habitacionais, aos de vacinação, aos de tratamento de câncer, e às creches; e que para o Censo, às Polícias, ao ensino integral, aos programas de inclusão digital e ao estímulo ao agronegócio não se promoverá redução de valores.

As duas polêmicas, citadas linhas acima, resumem-se ao Salário Mínimo e ao Fundo Eleitoral, sendo que este está a engendrar debate popular acalorado. E a autora dos textos informa que o parágrafo que menciona o aumento dos recursos para o Fundão, da ordem das unidades de bilhões de Reais, de 2 para 5,7, contou com a rejeição da base do Governo, base que queria votá-lo em separado, mas, voto vencido, ao votar para a aprovação da LDO, acabou por aceitar o Fundão, ciente, no entanto, que o Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, poderá vetá-lo. E conclui a autora que as Casas Legislativas podem derrubar o veto presidencial.

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Nesta nota breve, um apanhado de informações que colhi de dois textos, cada um de um autor, ambos publicados no Facebook, e de um artigo de site. Este, de autoria de Will R. Filho, dado ao público, sob o título “Embaixador da China no Brasil contraria a fé cristã em postagem: “O Povo é Deus.” “, no site do jornal Opinião Crítica; e aqueles são, um, de autoria de Neto Curvina, o outro, de Patrick Alves, ambos de 19/07/2021.Reúno o teor dos três textos, em síntese, nesta nota breve, em vez de comentar cada um deles em uma nota separada, porque tratam os três de assuntos que se complementam. O de Neto Curvina, prende-se à política de passaporte sanitário, que está a se exigir em inúmeros países, mas é rejeitado pela população – embora parcela considerável dela a aceite bovinamente. Comenta o autor que tal passaporte nada tem de objetivo sanitário, sendo, unicamente, medida autoritária a atender uma agenda política de uma ditadura sanitária globalista. Com tal passaporte, e a vacinação obrigatória, que não poucas pessoas estão a rejeitar, o setor de turismo de países inteiros irá colapsar, e sabendo-se que países como França, Israel e Portugal dependem dele, estes países sofreram um bocado. E ao final afirma que logo iremos todos mendigar migalhas aos chineses. E é a China o elo  deste texto de Neto Curvina com o de Patrick Alves e o artigo de Will R. Filho. Patrick Alves acompanha seu texto, curto, de um mapa com a indicação dos países com maiúsculo investimento chinês. E é assustador: toda a África, toda a Ásia, quase toda a América do Sul e quase toda a Europa é, ou está na iminência de ser, colônia chinesa. E no Brasil tem a China hidrelétricas, escolas, rodovias, e está em vias de possuir redes de transmissão de energia. E tem muitos políticos, políticos brasileiros. E quantas moedas chinesas estes receberam pelos serviços prestados aos mestres do kung-fu? E Will R. Filho fala da manifestação pública do embaixador chinês no Brasil, Yang Wanning, que escreveu, e deu a público: “Quem é Deus? O Povo é Deus, é o povo que faz a história e determina a história.” Em um país de cristão, a manifestação do embaixador é um acinte. Além de reproduzir tais palavras do embaixador chinês, evoca o autor alguns fatos histórios dramáticos e trágicos da história chinesa (o Grande Salto Adiante, que matou de fome quarenta milhões de chineses; e o banho de sangue perpetrado por estudantes chineses, que mataram familiares, professores e intelectuais), e explica: Na cultura comunista é o líder do Partido Comunista da China a encarnação do Povo, portanto, ao dizer “O Povo é Deus” entenda-se que está a declarar que Xi Jinping é Deus, melhor deus, um deus político, ideológico, comunista.

Relembro: há poucas semanas li, de Maurício Alves, textos em que ele afirma que o dragão oriental não tem o poder que ele acredita possuir e o que a mídia lhe atribui, e que os Estados Unidos estão, neste momento, a quebrar-lhe a espinha dorsal. Não sei como encaixar tais dados naqueles que colhi dos dois textos e do artigo os quais tratei nesta nota breve.

E uma recordação: Jair Messias Bolsonaro, ainda candidato à presidência do Brasil alertava: A China está comprando o Brasil. E ele, se presidente, iria permitir que a China comprasse do Brasil. Pergunto: ainda estamos em tempo de evitar tornarmo-nos uma colônia chinesa?

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 Silas Feitosa publicou, hoje, 19/07/2021, um texto que esposa uma idéia que li em outro texto cujo autor não me lembro – não anotei, dele, o nome, na ocasião: os ambientalistas estão a forçar o aumento do preço dos combustíveis de origem fóssil, em atendimento à agenda ONU 2030. O projeto, de substituir a matriz energética atual pela chamada de energia limpa, renovável. No texto ao qual fiz alusão, e que, dias atrás, tratei, aqui, diz o autor que a produção da chamada energia limpa não é, na comparação com a de origem fóssil, economicamente vantajosa, daí a ocorrência, suspeita, de explosões, no Oriente Médio, de gasodutos em dois ou três países produtores de petróleo, o que ocasionaria a redução, no mercado internacional, da oferta do ouro negro, e, automaticamente, o aumento do preço deste, que, na comparação com os dos concorrentes ditos de origem limpa, seria desvantajoso.

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Dois textos, um de Kleber Sernik, um de Carlo Manfredini, ambos do dia dezoito do corrente mês, a versar sobre Cuba, sua história recente. O de Kleber Sernik, sob o título “Cuba: Como era antes do comunismo e como ficou.” oferece informações interessantes; e o de Carlo Manfredini resume-se a comentários ligeiros e condenação aos que beijaram os pés dos Castro.

No texto de Kleber Sernik, dentre outras informações, lê-se: Em 1958, Cuba tinha população de 6,5 milhões de habitantes, PIB per capita maior que o da Irlanda, da Áustria, da Espanha e do Japão, médicos e dentistas per capita superior ao da Grã-Bretanha, mortalidade infantil inferior ao da França e da Alemanha, e era a vigésima nona maior economia do mundo. Feita a revolução, em 1959, o governo cubano confiscou 382 empresas americanas, sem indenizar os proprietários delas. E Cuba foi subsidiada pela URSS, que lhe comprava açúcar pelo quintuplo do preço de mercado, assim criando, na mais famosa ilha caribenha, a monocultura açúcareira. E financiou, para agradar os seus credores, os comunistas soviéticos, guerras no Congo, e na Etiópia, na Nicarágua e na Bolívia, e em Angola e em El Salvador, além de outros países. E caiu o muro de Berlim. E a Rússia suspendeu os subsídios à ilha-cárcere. E veio a Venezuela a amparar os Castro, mas a política de Chaves e Maduro provocaram a ruína da Venezuela. E a política de Donald Trump foi pá de cal sobre os carrascos cubanos. Presume-se. E o povo cubano está a comer o pão que o diabo amassou.

Meios de comunicação!? Bolsonaro, a vacina e a máscara. Fauci e Wuhan. E outras notas breves.

Os meios de comunicação comunicam o quê? Dizem por aí que transmitem informações a respeito de fatos, fatos verídicos, sem distorcê-los, sem interpretá-los. Há quem acredite ser verdadeira tal sentença. Um truismo. Na minha outra vida, eu, um ingênuo que mal suspeitava da hombridade dos profissionais dos meios de comunicação, acreditava que era real a imagem de nobreza, confiança, dos assim chamados meios de comunicação – jornais, revistas, televisão. Sei, hoje, que eles não são nada além de meios de subversão.

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Enquanto em alguns blogs e sites nacionais, poucos, e, principalmente, nos americanos, fala-se de Anthony Fauci, da fuga, facilitada, ou não, tal questão está em aberto, do vírus chinês de um laboratório de virologia de Wuhan, a grande mídia tupiniquim dorme, num universo paralelo, em berço esplêndido. Não toma conhecimento do assunto que está agitando sites e blogs independentes. Melhor: conhecimento da questão os profissionais da mídia têm, mas eles não têm interesse em fazê-la cair na boca do povo. Que o povo nunca venha a saber de Fauci, do laboratório de virologia de Wuhan, do aumento de função do vírus, que, artificial, foi criado em laboratório, e coisa e tal.

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Há um ano, no primeiro capítulo da Epidemia – Fraudemia, digamos a verdade – do Coronavírus – Mocorongovírus, segundo o Barnabé Varejeira, meu amigo – anunciava-se: a vida voltará ao normal assim que tivermos a vacina – e as pessoas se vacinarem, é óbvio. Deixariam, então – o futuro alvissareiro prometido pelos onipresentes especialistas da Medicina e da Ciência -, de haver razão para se conservar restrições à movimentação de pessoas em locais públicos, aglomerações no interior de propriedades privadas, atividade comercial, e para a obrigatoriedade de uso de máscaras. Mas, mas… O presidente Jair Messias Bolsonaro – nas palavras de um homem de mãos calejadas, Bomnosares – o nosso querido Capitão Bonoro, resolveu – e tinha de ser ele, ó meu Deus! – dizer, em público, em ato e bom som, que as pessoas já vacinadas e as que já foram infectadas com o mocorongovírus não têm de ser obrigadas a usarem máscaras em locais públicos. E não é que os onipresentes, e também omnissapientes, especialistas, reprovaram-lhe as palavras! Ora, se as vacinas, dizem por aí, imuniza as pessoas vacinadas, que, agora, não transmitem vírus e não são mais por ele infectadas, por que têm elas de usarem na cara a máscara?!

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Com a vacinação – foi o que se disse desde que o mundo é mundo -, reduzir-se-ia os casos de infecção e morte por vírus chinês. E não mais seriam necessárias medidas restritivas ao comércio e à circulação de pessoas em locais públicos. Dá o que pensar a manutenção e, em alguns casos, a ampliação, de medidas restritivas – quarentena, lockdown, fica ao gosto do freguês – por presidentes de países cuja população está quase que em sua metade vacinada. Cito o Chile e o Uruguai, que decretaram novos lockdowns.

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O presidente da Argentina, Alberto Férnandez, decreta lockdown, após meses de lockdown, para conter o avanço da pandemia, que os lockdowns anteriores não contiveram. E na cidade brasileira de Araraquara, umas das mais severas na aplicação de restrição à livre movimentação de pessoas, não se vê os prometidos bons resultados dos lockdowns e quarentenas. Enquanto isso, no Texas, um dos estados dos Estados Unidos, toda restrição à livre circulação de pessoas foi suspensa e foi eliminada a obrigatoridade ao uso de máscara, e os casos de morte pelo vírus despencou de um dia para o outro, para surpresa de todos. E os onipresentes e omnissapientes especialistas em segurança sanitária não tomaram conhecimento de tais informações.

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Disseram que a vacina é um produto pronto e acabado. E eu vi, dias atrás, numa reportagem, que um grupo de mais de trezentas mulheres grávidas participam de uma pesquisa para analisar os efeitos da vacina em gestantes. Epa! Parem a Terra, que eu quero descer. A vacina ainda está em fase experimental?! Estão testando os efeitos dela em mulheres grávidas?! E eu, e só eu, estranhei o teor da reportagem?!

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Há quem proponha que o Estado deva punir com cárcere privado numa fétida enxovia todo e qualquer cidadão da selva brasílica que ousar dizer que a vacina é uma porcaria e que o tratamento precoce salva vidas. E quem propõe tal política tem em mente o bem-estar da humanidade, é claro. Pergunto-me onde fica o debate científico aberto, franco, na cabeça de tal gente.

É o presidente Jair Messias Bolsonaro nazista e fascista? Copa América. E outras notas breves.

Dizem de viva voz os anti-bolsonaristas que é o presidente Jair Messias Bolsonaro nazista e fascista. Pergunto-me se se sustenta tal afirmação se se considerar a política que ele está a promover e a implementar, e não a retórica saída da boca dos inimigos dele. Em nenhum momento o presidente Jair Messias Bolsonaro esboçou, mesmo pressionado a fazê-lo, um ato anti-democrático, autoritário, de inspiração nazista e fascista. Sua postura é a de um homem de espírito democrático. Com a popularidade de que goza teria ele poder de impor-se a todos, se assim o desejasse, rasgar a Constituição Federal, e estabelecer um estado de exceção; e teria, não erro em dizer nesta especulação que jamais poderá ser analisada, amplo apoio popular. Está ele a defender o direito, que ele considera inalienável, inegociável, à legítima defesa, cada cidadão a usar, se sua consciência o mandar, arma-de-fogo, a reduzir o Estado ao desregulamentar inúmeros setores da economia, a criar mecanismos de ajuda às micro e pequenas empresas, a eliminar a proibição ao ensino domiciliar, e outras medidas que convergem para uma política de maior autonomia de cada cidadão brasileiro. E nestes mais de um ano de fraudemia – para muitos, epidemia – do coronavírus (Covid, para os íntimos; mocorongovírus, para o Barnabé Varejeira), o povo, torturado pela mídia, incapaz de pensar acerca do que está a acontecer, o presidente Jair Messias Bolsonaro assume, contra tudo e contra todos, a postura de um chefe-de-estado comprometido com as liberdades individuais; não escreveu nem sequer um rascunho de uma política de supressão da liberdade do cidadão brasileiro em nome de uma política sanitária insana e abusiva, lesiva à vida de toda pessoa que vive em território de terras em que se plantando tudo dá. Não ameaçou com multa e prisão quem decidiu sair de sua casa, ir trabalhar para seu sustento, fazer uso de remédios e não se deixar vacinar. Fosse um homem dotado de espírito autoritário, de alma nazista e fascista, seria ele, hoje, o dono do Brasil. Mas dono do Brasil, dizem, é aquele cujas obras, inacabadas, o presidente Jair Messias Bolsonaro não pode concluir.

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Há mais de um mês ouço falar que está na iminência de quebrar no Brasil a terceira onda – provocada por uma versão indiana do vírus de Wuhan, (mocorongovírus, ensina Barnabé Varejeria) nosso velho conhecido – de infecção viral. Mas, tudo dá a entender que tal onda não se realizará; esqueceram de combinar com os indianos, ou hindus, como queiram, a importação do vírus tão malfadado, que, declaram, é 60% mais letal do que o original, saído da China, dizem. Todavia, insistem as trombetas do apocalipse a profetizar o flagelo que nos abaterá. Se é verdade, ou não, não sei; sei apenas que para se conter o avanço do chinavírus entre nós a medida mais promovida e praticada, dada como eficiente e indispensável, é a quarentena (ou lockdown, para quem ama usar palavras estrangeiras num texto em português). Se é assim, por que prefeitos e governadores, à ameaça do coronavírus (mocorongovírus, diria Barnabé Varejeira), ao invés de tomarem tal providência, estão a suspender as restrições às atividades públicas?

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Uma celeuma animou os espíritos dos brasileiros há poucas semanas. Envolvia futebol e epidemia. É sensato promover, no Brasil, a Copa América? Não iriam os casos de infecção e morte pelo tal de Covid, que está a nos atormentar há um bom par de meses, aumentar consideravelmente piorando o já estado miserável do nosso sistema de saúde e ocasionando um morticínio sem precedentes nas terras de Cacambo e Lindóia? Com a voz da certeza inspirada pelos deuses pagãos, os flageladores da humanidade cravaram: é uma rematada tolice, uma irresponsabilidade genocida um campeonato esportivo no Brasil num momento tão sensível. E choveu uma tempestade torrencial diluviana de pancadas na cabeça do presidente Jair Messias Bolsonaro. Passadas as semanas, a Copa América seguiu o seu curso normal, e não se realizou o cataclisma profetizado.

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Lembro-me que no ano passado, ali pelos meses de Outubro, Novembro, informava-se que de todas as vacinas contra o coronavírus (Covid, para os íntimos; mocorongovírus, no vocabulário singular do Barnabé Varejeira) era a melhor a Coronavac, que serviria, porque tinha 100% de eficiência, para imunizar as pessoas por ela vacinadas contra o vírus em sua versão original e contra os de todas as versões dele atualizadas (isto é, as variantes, as cepas). Pois bem, passaram-se os meses, e muitos milhões de pessoas tiveram em si injetada a vacina chinesa (ou vachina, sua alcunha carinhosamente concebida pelos que não vêem com bons olhos o governo comunista chinês). E os mesmos que diziam que ela era o elixir da saúde, a poção mágica contra o mal chinês, afirmaram que teriam as pessoas vacinadas (ou vachinadas) de seguir a respeitar as regras sanitárias (uso de máscaras – se possível de duas camadas, ou duas máscaras sobrepostas uma à outra -, isolamento social; enfim, todo o pacote sanitário), pois poderiam vir a serem infectadas, e, se infectadas, infectar as que não se vacinaram – o que por si só já era um contra-senso, afinal, as vacinadas estão imunizadas. E constrangidos diante dos casos, inúmeros, de pessoas que, já vacinadas há meses com as duas doses da Coronavac, foram infectadas pelo vírus saído de Wuhan, e adoeceram, vindo algumas a morrerem, declararam, tom de voz vacilante, numa postura de quem simula segurança para inibir qualquer pessoa atrevida de lhe questionar a afirmação, que nenhuma vacina – a Coronavac, portanto, incluída – é 100% eficiente e que todas elas podem provocar efeitos colaterais nas pessoas vacinadas.

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Nos idos de Abril deste ano de 2.021, informava-se que o Brasil enfrentaria um aumento expressivo de infecções e mortes por Covid, se o Governo Federal (entenda-se: o presidente Jair Messias Bolsonaro) não implementasse um lockdown nacional de um mês e vacinação em massa de toda a população antes da suspensão do lockdown. O presidente Jair Messias Bolsonaro não fez nem uma coisa e nem outra, e os casos de infecções e mortes por Covid reduziram-se expressivamente.

Hoje no Mundo Militar, e Cuba, África do sul, Argentina e China. Fomento à Cultura. Intermináveis quinze dias. E outras notas breves.

Em um tempo em que se tem à disposição inúmeras, infinitas, fontes de informação é incompreensível que exista milhões de pessoas que se agarram ferozmente aos tradicionais meios de comunicação, que, sabe-se, pecam pela malícia. E ai de quem ousa alertá-las para a distorção que eles promovem, suas narrativas enviesadas, manipuladoras.

Ontem, assisti a quatro vídeos no canal Hoje no Mundo Militar, no Youtube. São os vídeos: “Por que a China e a Argentina estão tão interessadas em negociar armas?”, “Por que só agora a Europa está se preocupando com o programa nuclear do Irã?”, “A África do Sul em chamas.”, e “China ameaça usar armas nucleares contra o Japão! “Se interferirem em Taiwan, atacaremos!”, China.” Todos os quatro publicados, neste ano de 2021, no mês de Julho; o primeiro e o segundo, dia 11, o terceiro, dia 14, e o quarto, dia 16.

Em todo vídeo, o narrador apresenta uma síntese da história dos países comentados, dos atritos entres eles, evocando personagens lendários e dando um apanhado geral da sucessão dos eventos, para situar, na linha da História, o mais recente, que lhe inspirou o tema do vídeo. No primeiro vídeo aqui mencionado, fala da Guerra das Malvinas, ou das Falklands, da força militar argentina, e de sua posterior debilidade, dos embargos militares à Argentina, derrotada, e humilhada, na guerra, impostos pela Inglaterra, e do atual estreitamento militar entre Argentina e China, política que está a contornar o bloqueio imposto pela Inglaterra, o que é de interesse da China, que, além de ganhar rios de dinheiro, fortalece sua presença na América do Sul e no mundo. No segundo vídeo, os governos da França, Inglaterra e Alemanha, enfim, dão o braço a torcer, e, preocupados com o andar da carruagem no Irã, reconhecem, mas dando uma de João-sem-braço, que Donald Trump e Benjamin Netanyahu estavam coberto de razão ao confrontarem o governo dos aiatolás. Relembra do acordo nuclear, assinado por Barack Hussein Obama, com o Irã, das desconfianças, melhor, certezas, de Donald Trump, que, não se dobrando à pressão internacional, retirou os Estados Unidos do acordo assinado pelo seu antecessor. E de brinde, dá informações acerca de energia de fisão nuclear e da de fusão, fala de urânio 235, plutônio 239, deutério e irídio, enriquecimento do urânio, para uso civil, e propulsão, e para uso militar na construção de bombas termo-nucleares. No terceiro vídeo, dá uma pincelada na História da África do Sul, desde seu tempo de colônia da Holanda, há quatro séculos, até os dias de hoje, passando pela guerra dos bôeres e pelo Apartheid, falando de escravidão, segregação racial, e, ao final, de Zuma, da condenação deste à prisão, o estopim da revolta popular, que culminou, em uma semana, na morte de centenas de pessoas. É a África do Sul, hoje, um barril de pólvora. E no quarto vídeo, sabemos da violência japonesa contra os chineses nos anos 1930, da batalha de Manchúria, e da de Nanquim, das atrocidades cometidas pelos nipônicos, e da morte, calcula-se, pelo Império do Sol Nascente, de quinze milhões dos descendentes dos homens que ergueram a grande muralha. E fala de Taiwan, da relação da China com a Província Rebelde, do rancor dos chineses com os japoneses, do desejo do governo de Pequim de conquistar as Ilhas Senkaku, japonesas, que dizem os chineses serem suas, mas Tóquio diz que não.

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André Porciuncula, hoje Secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria Especial da Cultura, publicou, em sua página do Facebook, um trecho de sua entrevista à Camila Abdo. Corajoso, falou de cultura popular e do desvio que as políticas públicas de fomento à cultura sofreram durante os governos anteriores ao do Jair Messias Bolsonaro. E declara que inexiste uma classe artistica; que o que há é um sindicato elitista, arrogante, de retórica revolucionária, que monopolizava os recursos públicos destinados à cultura, e que toda a gritaria dela escancara-lhe a desfaçatez de quem erguia fortunas com obras grotescas, medíocres, tirando ouro de uma jazida inesgotável. Acabou a farra. Agora, segundo o secretário, os recursos serão entregues aos artistas do povo, artistas que expoem suas obras nas praças, nas rodoviárias, nos mercados.

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Os professores são prestadores de serviços; são profissionais que, sob contrato, por um determinado período de aulas são remunerados com um salário, sejam os professores da iniciativa privada, sejam os das escolas públicas. Os de Matemática ensinam Matemática; os de Língua Portuguesa, Língua Portuguesa; os de Física, Física; os de Geografia, Geografia. Infelizmente, o que se vê em muitas escolas são professores despreparados que, além de mal ensinarem o que deviam ensinar, os que sabem alguma coisa da disciplina à qual se dedicam, assumem compromissos que não são seus, como o de formar o caráter dos seus alunos, e canalizar-lhes os pensamentos, e, consequentemente, as ações, numa certa direção, nem sempre a que lhes conclui em benefícios, ganhos de qualquer natureza. Vaidosos e presunçosos, muitos exigem, além de salário maior do que o que recebem – e não fazem por merecer nem este -, um tratamento distinto, que os homens dos tempos de Homero dedicavam aos seres divinos. E nestes dias de pandemia, estão a reclamar muitos porque ocupam-se durante mais horas por dia do trabalho do que antes das novas regras e pelo mesmo salário. Supreende-me até agora não terem convocado os sindicatos da categoria para os defender da sanha de governadores e prefeitos.

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Na França e na Grécia os respectivos governos implementam políticas de carteira de vacinação de covid; obrigatoriedade de vacinação para acesso a locais e estabelecimentos públicos; enquanto muitas pessoas aceitam bovinamente tais medidas autoritárias, outras se levantam contra elas; é o que se vê na terra de Asterix e da de Aristóteles. Os levantes contra as medidas draconianas que estão a segregar os povos em dois grupos distintos, que se hostilizam, os vacinados e os não-vacinados, espalham-se pela Europa. E são as pessoas alcunhadas de irresponsáveis, de descompromissadas com a saúde coletiva, as que revoltam-se e lutam em defesa da liberdade, enquanto as acríticas, passivas, que até outro dia se intitulavam rebeldes, pessoas que não têm ligação com o chão que pisam, cosmopolitas, de espírito chão, egoistas, as que faziam a resistência contra o avanço da direita, da extrema-direita, não esboçam nem a mais débil resistência aos desmandos dos governantes.

Trazendo o tema para o Brasil: Aqui, a galerinha da resistência, que até outro dia contra o Jair Messias Bolsonaro clamavam Resistência É Sobrevivência, foi a primeira a sucumbir à tortura midiática e a se genuflexionar, reverente e covardemente, diante das autoridades governamentais, prefeitos e governadores, e ainda assim delas se assenhoreiam a audácia de se auto-intitularem heróis.

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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações fala do grafeno, de sua aplicação na indústria automobilística e na construção civil. É o grafeno, na declaração de muitas pessoas da área tecnológica, o material do futuro, leve, flexível, resistente, econômico. Anuncia uma revolução em todos os campos tecnológicos. E até outro dia Jair Messias Bolsonaro os anti-bolsonaristas o ridicularizavam sem sabem porquê.

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Admirei, anteontem, na página Ars Europe, no Facebook, duas pinturas, uma de Matteo di Giovanni, outra, de Jacopo Pontormo, ambas obras-primeiras, a de Matteo a representar Madonna e Criança, e a de Jacopo, Maria Romola Salvati, esposa de Giovanni de Médici e uma criança. Acompanha as duas pinturas uma síntese da história das personagens representadas.

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No dia 16/07/2021, Sidney Silveira publicou percuciente comentário, sob o título “Intragável para Otimistas Obcecados”, acerca da obra “Comentário a Tessalonicenses”, de Santo Tomás. O texto atrai a atenção, desperta o interesse e causa espanto.

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E a Secretaria de Comunicação do Governo Federal informa que o governo, na Operação Samaúma, apreendeu setecentos metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente das florestas brasileiras. E dá notícias de crimes ambientais em unidades federais de conservação ambiental, e do trabalho das Forças Armadas. Ao contrário do que dizem os anti-bolsonaristas, está o governo Bolsonaro empreendendo uma guerra contra os crimes ambientais.

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No seu site, Perspectivas, O. Braga publicou, recentemente, três artigos interessantes, “A necessidade que os meRdia merdosos têm de provar o contra-factual.”, “O romantismo que os meRdia apregoam e propagandeiam.”, e, “Não vale a pena gastar cera com tão ruim (e maoísta) defunto.” No primeiro, ele esposa uma idéia que vai ao encontro do que penso e do que muita gente que não se deixou esmagar pela máquina de matar consciências durante estes meses de histeria coletiva. No segundo aponta associação entre Jean-Jacques Rousseau, a escola romântica e o movimento revolucionário, este flhote daquela – interessante observação, que me faz pensar. E no terceiro, fala da ereção, na União Européia, de um Totalitarismo de Veludo.

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Dias atrás tomei conhecimento de um site, do qual li, ontem, 17/07/2021, cinco artigos. É o Diário de Um Linguista, de Aldo Bizzocchi. Os artigos que li são: “A Morte da Cultura.”, de 16/07/2021, “Léxico, a Alma da Língua.”, de 27/02/2019, “Língua Oral ou Língua Escrita: Qual é a Melhor?”, de 11/05/2020, “A Norma Culta do Futuro.”, de 30/03/2021, e, “Português Brasileiro Atual: Um Língua Indigente?”, de 07/05/2018.Tece em seus artigos Aldo Bizzocchi comentários sensatos, que ecoa nos ouvidos de toda pessoa dedicada aos estudos, pessoas que sabem do inestimável valor da Língua Portuguesa, mesmo não a podendo mensurar. Compara o uso da língua pelos brasileiros de há cinquenta, sessenta anos, com o que fazem dela os brasileiros dos primórdios do século XXI. E não há o que negar: está correto o autor ao afirmar que os brasileiros de hoje em dia fazem mal uso da mais rica herança que recebemos os brasileiros dos portugueses. Há um empobrecimento, em todos os sentidos, do uso que damos à riqueza dos lusitanos. O autor não diz, e eu me pergunto se o desprezo com que tratamos a Língua Portuguesa não é fruto do movimento modernista, de 22, que não zelava pela cultura portuguesa ao atender ao seu nativismo sentimental, romântico, idealizado.

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Alguns escritores que acompanho na rede social Facebook: Marcelo Rocha Monteiro, Estêvão Caparari, Paulo Diniz, Marcelo Ferreira Caixeta, Jacson Alves Osen, Kaique Alexandre, Wilson Oliveira, Jairo José da Silva, Lukas Hawks, André Porciuncula e Ramon Cardoso.

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A pessoa que acredita que a vacina a protege contra o Covid, e, vacinada, protegida, portanto, acredita que tem de seguir todas as regras sanitárias que se exige das não-vacinadas, porque, embora vacinada, protegida, portanto, está desprotegida, não me parece ser o que ela acredita ser: uma pessoa sensata. Sou um homem educado.*Indique a alternativa correta:Na frase “Quinze dias para achatar a curva”, “quinze dias” corresponde a:

a) Ninguém sabe;

b) Quantos dias os políticos quiserem;

c) Ninguém se lembra como tal história começou;

d) Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe;

e) Os alienígenas construíram as pirâmides do Egito; e,

f) Todas as alternativas anteriores e todas as outras que se possa imaginar, menos a que indica que “quinze dias” corresponde a quinze dias.

Argentinos, sortudos; brasileiros, azarados. Voto auditável, impresso, e apuração pública. Governo Bolsonaro, heróico. E outras notas breves.

Na página de Kleber Sernik, li que a Argentina vai de mal a pior. Os nossos hermanos, que, segundo os nossos compatrícios anti-bolsonaristas – sócios do Covid Clube Desportivo, torcedores fanáticos, insanos, do Fique Em Casa Futebol Clube, seres que seguem a ciência, dotados dos mais requintados talentos intelectuais e dos mais sapienciais dons morais e éticos – gozaram, no ano de 2.020, de uma política, implementada pelo preposto de Cristina Kirchner (alcunha pelos maledicentes – que maldosos! – de Cretina Kirchner), Alberto Fernadéz, responsável, humanista, de combate ao coronavírus (mocorongovírus, diria meu amigo Barnabé Varejeira), estão, agora, em maus lençóis, comendo o pão que o diabo amassou. Eram os irmãos do Maradona felizardos, pois contavam com um presidente comprometido com o bem-estar deles. Tristes eram os brasileiros, que viviam, então, sob o tacão de um nazifascista genocida que atende pelos nomes de Bozo e Bozonazi. E um mês de lockdown – dizia-se, então, quarentena – foi a fórmula mágica que Fernandéz encontrara para conter o avanço da infecção pelo vírus que é hoje o bode expiatório de todos os desmandos governamentais (e empresariais, também; não se pode ignorar que muitos governantes comem nas mãos de empresários poderosos). E passado um ano o que se vê? A Argentina despencando em todos os aspectos. O PIB, conta-nos Kleber Sernik, do país ao sul do Brasil despenca 10% em 2.020 e os casos de mortes pelo Covid chegam a 100.000. E mais lockdown implementa-se para frear o avanço do vírus, que não encontra obstáculos. E o Brasil, apesar dos pesares, sob o comando do Capitão Bonoro, também conhecido por Jair Messias Bolsonaro, segue vivo e forte, recompondo-se do golpe que as criaturas do pântano, os seres das trevas, lhe aplicaram.

E um adendo, de minha lavra: Na comemoração do título do time de Messi pela Copa América eram tantos os argentinos nas ruas de Buenos Aires, que o Covid (Mocorongovírus, diz Barnabé Varejeira), assustado, recolheu-se ao seu bunker, e só deu as caras em áreas públicas após o fim da festança.

E de Kleber Sernik, em outra publicação, uma informação, esta tratando de Cuba. O presidente americano, Joe Biden, que até outro dia dizia que nas relações da terra do Tio Sam com a do Fidel aplicaria políticas, que seguiriam os passos da de Barack Hussein Obama, favoráveis aos políticos que governam, com foices e martelos, cortando o pescoço dos cubanos, e esmagando-lhes as cabeças, a ilha-prisão, está, agora, após mudança de rumo de 180 graus, a aplicar políticas à Cuba prejudiciais, seguindo a política de seu antecessor tão mal falado pela imprensa mundial, Donald Trump.

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Brasileiros pedem pelo voto auditável, impresso, e pela apuração pública dos votos, enquanto políticos, jornalistas, artistas pedem a manutenção do sistema atual. Ora, toda pessoa séria quer um sistema que possa ser auditado, para se evitar conflagração interminável devido à impossibilidade de se conhecer a verdade, quantos votos recebeu Fulano e quantos Beltrano. Mas há quem não quer um ambiente favorável à decência eleitoral. Maurício Mühlmann Erthal, em sua página no Facebook, informa que os líderes de partidos políticos eram favoráveis ao voto impresso, auditável, mas após reuniões com ministros do S.T.F. mudaram de idéia, inexplicavelmente.

E Fernando Vaismann explica, num vídeo, o Voto Proporcional, o Distritão e o Distrital, e diz porque é o Distrital o ideal, e, em um texto, projeta luz na questão do Fundão, cujo valor criticou, e tece críticas ferinas aos histéricos apoiadores do presidente Jair Messias Bolsonaro, pessoas que, mal-informadas, compram, sem negociar, e por um alto preço, as narrativas dos anti-bolsonaristas. E fala da Lei das Diretrizes Orçamentárias. Tal assunto também é tema de um texto de Guillermo Federico Piacesi Ramos, que menciona Julio Ribeiro, de quem reproduz um curto texto. Seus argumentos convergem com os de Fernando Vaismann, inclusive nas críticas aos desavisados apoiadores do presidente.

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O governo do presidente Jair Messias Bolsonaro faz das tripas coração, e só recebe pauladas, de todos os lados. E muitos daqueles que o apoiavam estão agora a atacá-lo, insuflados pela mídia. São sugestionáveis. Seduzidos pelo canto das sereias dos chamados meios de comunicação tradicionais, única fonte de informação que eles conhecem, desapegados da realidade, adotam a postura de quem está acima do chão que pisa, a pairar, como um ser superior, acima do mundanismo dos bolsonaristas, dos bolsominions, dos, repetindo o vocabulário dos mais fanáticos anti-bolsonaristas, gado bozonazi. É lastimável.

Em meio ao caos reinante, à iminência de vir o Brasil a cair no precipício, ao anúncio do Apocalipse (ou Ragnarok, para os que cultivam a mitologia nórdica), o governo Jair Messias Bolsonaro apreende toneladas e mais toneladas de drogas e reduz consideravelmente os casos de assassinatos. Os índices de criminalidade despencam no Brasil. E não podemos deixar de lembrar que é o Brasil o paraíso dos bandidos. Há, nestas terras, bandidólatras, juristas, intelectuais, escritores. A bandidolatria é, em terras dos descendentes de Peri e Ceci, uma religião.

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Há, hoje em dia, dois tipos de pessoas: As não-vacinadas e as vacinadas. As não-vacinadas podem ser infectadas pelo Covid. As vacinadas também. As não-vacinadas podem infectar outras pessoas. As vacinadas também. As não-vacinadas podem morrer de Covid. As vacinadas também. As não-vacinadas tem de usar máscaras. As vacinadas também. As não-vacinadas têm de evitar aglomerações. As vacinadas também. As não-vacinadas têm de usar álcool-em-gel. As vacinadas também. Afinal, há alguma diferença entre as não-vacinadas e as vacinadas? Sim. Há. As não-vacinadas não sofrem de efeitos colaterais provocados pelas vacinas.

Nota de rodapé: Os vacinófilos coronalovers não queriam porque não queriam saber da Hydroxicloroquina porque ela causava efeitos colaterais, e agora suplicam pela vacina, que também provocar efeitos colateriais.

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Paulo Cursino chama a atenção para o silêncio retumbante dos esquerdistas brasileiros, que não dão nenhum pio a respeito do que se passa em Cuba, do levante popular do povo cubano contra o governo de Havana. Compreensível, o silêncio dos defensores da liberdade.

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E o Afeganistão desanda.

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Durante este ano e poucos meses de desgovernos estaduais e municipais que, sob pretextos de se combater um vírus que veio sabe-se lá de onde (diziam que da China), decretam políticas que estão a arrasar empresas pequenas e micros, o governo Jair Messias Bolsonaro cria o Pronampe, programa de empréstimo a micro e pequenas empresas, salvando muitas delas da extinção. E as almas penadas dizem que o presidente Jair Messias Bolsonaro nada fez e nada faz para amparar os brasileiros neste momento de grande agitação e desespero de muitos.

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Nos Estados Unidos, a política de desinvestimentos na polícia provoca, para surpresa de ninguém, aumento dos índices de criminalidade. E a política migratória de Joe Biden vai de mal a pior, e causa uma crise sem precedentes na fronteira dos Estados Unidos com o México.

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Nos site Contra os Impugnantes há bons textos de Sidney Silveira, filósofo. E no Permanência, de Gustavo Corção.

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Dentre os ótimos escritores que publicam seus textos na rede social Facebook estão: Claudio Kezen, Melquisedeque Galdino, Renato Valle Castro, Glauco Paludo Gazoni e Silas Feitosa. Leio-os, atentamente, sempre que posso. São as redes sociais, e a internet, fontes inesgotáveis de conhecimento. Muitas pessoas inteligentes e cultas publicam seus textos e vídeos em site e blogs e redes sociais; pessoas que jamais teriam espaço nos meios tradicionais de comunicação. Para a felicidade de quem não se dispõe a se curvar diante dos mandões de plantão.

Ministro Tarcísio. Teoria Crítica Racial. Putin. E outras notas breves.

E o Ministro Tarcísio, Tarcísio Gomes de Freitas, da Infra-estrutura, carinhosamente alcunhado Tarcísio do Asfalto, realizou mais uma de suas inumeráveis proezas. Entregou a quingentésima locomotiva de corrente alternada (AC44) produzida no Brasil. O trabalho, hercúleo, do ministro da Infra-estrutura, o de reerguer o gigante combalido, esfarrapado, está indo de vento em popa. Provoca uma revolução nos meios de transportes brasileiros; e na malha ferroviária são imensas as conquistas, e os avanços. Reduz os custos de transporte. E vivas à Ferrovia Norte-Sul, à Paulista, à Integração Oeste-Leste, e à futura Integração Centro-Oeste. É o Capitão Tarcísio um homem de grandes méritos, de grandes feitos.

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Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, em sua página do Facebook, tece rápidas, curtas e certeiras, e severas, contundentes, críticas ao movimentos negro, aos esquerdistas, que fazem dos negros gato e sapato, bucha de canhão de uma guerra cultural criminosa. Sem papas na língua, põe os pingos nos is, dá nomes aos bois, põe a nu a maledicência, má-fé, de quem usa os negros para fins políticos iníquos. Faz da Fundação Palmares uma instituição de respeito aos negros, à cultura deles. Compartilhou um artigo, Teori Crítica Racial: Pai Acusa Escola de Ensinar Filha Que “Sua Mãe é Do Mal” Por Ser Branca, publicado no site Senso Incomum, cujo autor, Leonardo Trielli, dá notícia de um episódio vexatório, e preoupante, que se passou numa escola pública do Distrito de Caledonia, Michigan, e prevê que tal teoria, que está a causar celeumas nos Estados Unidos logo fará o seu estrago nas escolas brasileiras.

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Fernando Vaismann, usando o nome de seu avatar, Bituka Du Bronx, no Facebook, declara que não é o Vladimir Putin conservador e que ele se opõe ao progressismo em terras eslavas e o promove em território estrangeiro. Inteligente, o ex-agente da KGB é, ninguém há de negar: Financia nos países inimigos uma política que irá enfraquecê-los, debilitá-los.

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Lembro-me que há um bom tempo, em eras antediluvianas, li, no Jornal Rascunho, um artigo, cujo autor, melhor, autora, não me lembro, que trata da Metamorfose, de Franz Kafka. A autora afirma que George Samsa não se converte em uma bicho peçonhento, um inseto asqueroso, uma barata, ou algo que o valha. Nada disso. A palavra alemã que designa o “bicho” na verdade, assim me lembro do pouco que minha memória conserva do artigo registrado, indica um estado espiritual de George Samsa, e não físico. E é tal palavra intraduzível. Os familiares de Samsa viram um monstro espiritual, e não um bicho repulsivo. É um caso kafkiano. Parece que além dos alemães, ninguém mais entendeu a sina do mais famoso personagem de Franz Kafka. Ou nem eles a entenderam? Tenho de encontrar tal artigo. Procurei-o, ontem, no Google. Não o encontrei.

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Leio, no Facebook, artigos de vários autores, todos ótimos, a versarem sobre os mais variados temas. Aqui, alguns escritores que muito me ensinam: Neto Curvina, Carlo Manfredini, Flávio Lindolfo Sobral, Cesar Ranqueta Jr., Eduardo Levy, Raquel Brugnera, Daniel Fernandes, Paulo Cursino, Silas Feitosa, Marco Frenete, Glauco Paludo Gazoni e Sérgio Camargo, este, presidente da Fundação Palmares.

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Dizem que as redes sociais são meios de se perder tempo; ora, nas redes perdem tempo quem não sabe bem usá-las. Sempre encontro, sempre, todos os dias, nelas, coisas de alto valor.Além de usar o Facebook, uso, também, o GETTR, o MeWe, o Likabout, o Gab.ai e o Bom Perfil. Dentre eles, recorro mais ao Facebook, que tem maior público e mais usuários do que os outros, e é nele que encontro muito do que procuro; as outras redes sociais ainda estão engatinhando.

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Se os anti-bolsonaristas, pessoas que se dizem anti-autoritárias, fossem de fato o que dizem ser, comparariam o presidente Jair Messias Bolsonaro ao Stálin, ao Mao, ao Fidel, ao Pol Pot, e não apenas ao Hitler e ao Mussolini. Mas eu os entendo. Eles têm os seus autoritários de estimação.

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Li um volume de Filosofia com trechos da obra Tratado dos Sistemas, de Condillac, publicado, pela Abril Cultural, na coleção Os Pensadores. Condillac, em outras palavras, afirma que os filósofos, perdidos em abstrações, escrevem muita asneira. Antes, eu lera, de Will Durant, pela mesma coleção, uma História da Filosofia onde o filósofo americano, ao final de cada capítulo, dedicado a um pensador, tece, em poucas palavras, alguns comentários expondo os dados negativos da filosofia deles. O que se conclui daí? Que os filósofos pensam, e pensam, e pensam, e pensam… E batem cabeça, o tempo todo. A aventura que eles decidiram viver é emocionante.

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Há cientista que acreditam, piamente, que um dia eles irão desenvolver uma teoria de tudo, de tudo o que há. A Teoria de Tudo, que explicará o Universo, a Vida. E que reduzirá tudo a uma fórmula matemática. Presunçosos os cientistas, não!? Crédulos.

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Os brasileiros precisamos aprender a valorizar os brasileiros talentosos, inteligentes, geniais. Além do Mário Novello, temos o Newton Carneiro Affonso da Costa, matemático de valor universal, de quem ouvi, semana passada, uma entrevista, que ele concedeu a Murilo Ferraz, do site Filosofia Pop. Fala o matemático da Lógica Paraconsistente e de alguns capítulos de sua vida de sucesso. Está a entrevista em duas partes; são os áudios 43 e 44, cada um deles de aproximadamente uma hora de duração.

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Olavo de Carvalho costuma dizer que a palavra cachorro não morde; muita gente, no entanto, todavia, porém, entretanto, acredita que as palavras são coisas reais, fenômenos naturais.

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Se o macho da galinha é galo; se o macho da pata é pato, por que o macho da codorna é codorna? Devia ser codorno, não devia? Ou é melhor, em respeito, melhor, submissão, à ideologia de gênero, dizer, para a fêmea e para o macho da codorna, codorne? E assim vamos de gale, ou galinhe, e pate. É feio. E risível. Grotesco e arabesco. O horror! O horror! O horror!

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Já nada entendo do pouco que eu entendia. Até há não muito tempo, diziam os bem pensantes que, para se evitar ferir suscetibilidades de gente de sentimentos epidérmicos, devia-se substituir dos substantivos as desinências masculina e feminina pela letra “x”, que indica neutralidade de gênero; assim aluno e aluna ficariam alunx. A mesma regra valendo para o plural: alunxs. Que idéia de jerico. Como se pronuncia alunx e alunxs? “Alunxs” e “alunx” são palavras, ou sequências de letras? Agora, abandonada tal idéia, que era de jerico, inventaram outra idéia, de jerico também: Substituir as desinências masculina e feminina dos substantivos pela letra “e”. E fica assim alune e alunes. Pode-se lê-las. Mas, pelo amor de Deus! Que cérebro concebeu tão brilhante despautério!?

Para encerrar: Desinências masculinas e femininas, ou desinêncies masculines e feminines? Brinco, mas a coisa é séria. Quero dizer, “e coise é série”.

Médicos e cientistas. Redes sociais. Petróleo e fontes renováveis de energia. Mário Novello e Universo Inacabado. E outras notas breves.

– Você não acredita nos médicos e cientistas renomados que estudaram cinco anos em faculdades de Medicina; que dedicaram décadas à profissão médica? E os cientistas não contam com a sua confiança por quê? Eles estudaram em faculdades de boa reputação. Apreenderam inúmeros conhecimentos. E você sabe o que de ciência? Nada. Você se opõem aos médicos e aos cientistas só porque você é a favor do Tratamento Precoce e contra a vacinação e foi contrário às regras sanitárias. Você é contra a vacina? Você se formou em Medicina e Ciência pela Universidade do WhatsApp?

– Eu poderia poupar você de constrangimento, mas decidi não o fazer. Primeiro, às duas perguntas que você me fez respostas grosseiras, que você merece ouvir: Para a primeira: Você é contra ou a favor da farinha de trigo? Para a segunda: É claro que eu não me formei em Medicina e Ciência pela Universidade do WhatsApp; formei-me em tais áreas pela Universidade do Telegram. Agora, falando sério: Não há razão de ser a primeira pergunta. Ser contra ou a favor da vacina não é a questão. Deve-se perguntar por que se vacinar contra um vírus que causa gripe, se o ser humano é em sua maioria imune a ele. Quase todas as pessoas infectadas pelo vírus sentem, se muito, um desconforto. E pelo que se sabe até agora, pessoas doentes, de baixa imunidade, velhas ou não, podem adoecer e morrer, se não tratadas adequadamente logo que a doença se manifesta. Ora, o mesmo se dá com qualquer gripe. Não há, portanto, razão para tanto bafafa em torno da vacinação. E tampouco vacinação em massa, que interessa à indústria farmacêutica. E eu sou, sim, e deixo isso bem claro, defensor do Tratamento Precoce, e para todas as doenças. Por que as pessoas infectadas pelo coronavírus não podem ser medicadas logo que se apresentam os sintomas?! E querem muitos política mundial de vacinação obrigatória. Pra quê!? E a sua segunda pergunta é apenas uma demonstração de sua presunção, de sua auto-imagem supervalorizada. Você é da galerinha do Eu Sigo a Ciência, cujos associados jamais leram um texto de ciência; são tipinhos pernósticos, posudos, que adoram alcunhar Negacionista quem não tem opiniões convergentes às dos heróis midiáticos. E para concluir: Faço-me a pergunta: os médicos e os cientistas, todos eles, são honestos? Esta é a pergunta que importa.

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Toda invenção humana pode ser bem empregada, para o bem de todos, ou mal empregada; uma faca pode ser usada para cortar carne, ou para matar uma pessoa; um tijolo usa-se numa parede de uma casa, ou encaixa-se, com pancada mortal, na cabeça de algum desavisado; a energia nuclear emprega-se em quimioterapia, ou em bombas; e as unhas compridas mulheres as esmaltam, embelezando-as, agradando os olhares de homens, outras, no entanto, as usam com um único propósito: beliscar o consorte sempre que ele desvia o olhar para o saracoteio sedutor de uma jovem de belo patrimônio.

Registradas as primeiras palavras desta minha nota breve, trato, agora, das Redes Sociais, este instrumento, esta invenção, bem explorada por uns, mal explorada por outros; aqueles que a usam sem dela extrair todo o seu potencial perdem-se em futilidades, mexericos, coisas, enfim, de nenhum valor, ou, o que é pior, de valor negativo. Acerca deles me calo. E também não falo daqueles que a usam bem. Trato do bem que elas proporcionam àqueles que bem a usam. Que toda pessoa, inclusive as mais sensatas, percam preciosos minutos em futilidades – nada que surpreenda, afinal também são eles seres de carne e osso – não é de surprender. Há pessoas que sabem melhor ocupar o tempo que usam viajando pela Redes Sociais. E tais pessoas nelas encontram muita coisa de valor publicada por muita gente de valor. Há assuntos para todos os gostos, Economia, Política, Teologia, Filosofia, Arte, História, Revistas em Quadrinhos, Ciência, todos os temas, enfim. No Facebook, por exemplo, encontram-se página de arte; em uma delas, Ars Europe, pode-se admirar pinturas de Giacomo Francesco Cipper, Rembrant, Charles Lemire (Lemire, the Elder), Neri di Bicci, Antonio del Castilho Saavedra e Charles-Antoine Coypel. Cito apenas estes seis nomes, que vi hoje – de cada um deles, uma pintura. Quem aprecia a História do Brasil, pode muito aprender com a página A Terra de Santa Cruz, na qual, hoje, vi uma pintura, Gato com Papagaio, de Nicolas-Antoine Taunay. E quem aprecia Política, Filosofia, Teologia, Educação, conta com incontáveis escritores, de altíssimo nível, todos a publicarem textos muito bem escritos. Dentre os muitos, inteligentes e cultos, que publicam seus textos no Facebook, elenco alguns: Rodrigo Micelli, Maurício Mühlmann Erthal, Victor Vonn Serran, Maurício Alves, Aldo Lebed, Kleber Sernik, Guillermo F. Piacesi Ramos, Elisa Robson, Rodrigo Gurgel, Filipe G. Martins, Wagner Malheiros, Ricardo Santi, Sidney Silveira, Fabio Blanco e Ana Caroline Campagnolo. E chamo a atenção, sem desmerecer os outros acima elencados, para os nomes de Rodrigo Gurgel, Sidney Silveira e Fabio Blanco. O primeiro, professor e crítico literário de mão cheia; os outros dois, filósofos respeitáveis.

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Há quem acredita que a civilização só escapará da ruína se se substituir a matriz energética mundial de origem fóssil, chamada energia não-renovável, pelas chamadas fontes de energia renováveis. Mas as fontes de origem não renováveis não são renováveis? Li, ontem, um artigo (Teoria do Petróleo Abiótico, de Erica Airosa Figueredo, publicado no site InfoEscola), que traz as seguintes informações: Há duas teorias científicas que tratam da origem do petróleo, a de Mikhail Lomonossov, a Teoria da Biogênese, que dá o petróleo como produto cuja origem está na matéria de animais e vegetais mortos; e a Teoria da Abiogênese, de Marcellin Berthelot e Dmitri Mendeleev, ambos a apontaram a origem inorgânica do ouro preto – isto é, é o petróleo formado de minerais. Mas é renovável, o petróleo? Diz a lenda que não. Se acabar, acabou. Lembro que li, há muito, muito tempo, reportagem que fala de um geólogo que concluiu que é o petróleo renovável; que um poço de petróleo, esgotado, deixado ao deus-dará durante umas poucas décadas, renova-se – infelizmente, não anotei, na ocasião o nome de batismo do dito geólogo, que, se não me falha a memória, é americano (e sei que não posso confiar na minha memória).

Para encerrar, dois adendos: 1) Diz-se que a Energia Eólica, a Energia Elétrica, e outras energias ditas renováveis, alternativas, são energias limpas. Limpas, por quê?! Na cadeia de produção de todas elas não há sujeira?; e, 2) Li (o meu hábito de quase nunca anotar o que leio constrange-me não poucas vezes a escrever que “li, não sei onde, um texto, não sei de quem, que…”) que os Senhores do Universo planejam substituir, até 2.030 (ONU 2030), a matriz energética convencional – entenda-se, baseada no petróleo – pela elétrica e outras ditas alternativas, mas como o custo destas é alto comparado com o do petróleo, estão a dar um jeito de torná-las aceitáveis, comparadas ao seu concorrente, e para tanto forçam a subida do preço do petróleo mediante explosões de gasodutos em países árabes e a redução da produção de petróleo e gás natural em solo americano – assim, com a redução da oferta, e o consequente aumento do consumo, aumenta-se o preço.

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Mário Novello, cosmólogo brasileiro, impar entre os seus pares, no artigo O Universo Solidário, do dia 12/04/2018, publicado no seu site, fala, rapidamente – o artigo é curto – de Albert Einstein e de Alexandre Friedman; e do microcosmo e do macrocosmo, e das partículas elementares dos corpos e os aspectos topológicos do universo – estes e aquelas em perfeita união, sendo que aquelas não funcionam bem sem estes e tampouco estes sem aquelas – que está em expansão, pois é dinâmico.E no texto Sobre o Infinito (trecho do livro O Universo Inacabado), publicado, dia 25/05/2021, no site Cosmos & Contexto, fala o extraordinário cosmólogo brasileiro, evocando o mito de Sisifo, de Giordano Bruno, Georg Cantor; e da finitude humana e da infinitude de Deus; e de múltiplos, distintos, número ilimitado, infinitos universos infinitos. Pôxa vida! Se já é impossível se conceber em imaginação um, um só, só um, universo infinito, o que pensar de se imaginar infinitos universos infinitos!?

E mais um pouco de Mário Novello. No vídeo, de uns dez minutos, publicado, dia 06/04/2021, no Youtube, no canal History of Science, Universo Inacabado, Mário Novello, em bom português, simples, acessível ao leigo, fala de Gödel, Sakarov; de matéria e anti-matéria – e porque (Graças a Deus) é o nosso universo composto, em sua maior parte (ou ele disse em sua totalidade? – este detalhe é relevante), de matéria; e da força gravitacional, e do mundo quântico; e da luz, que se curva à força gravitacional. Afirma ele que é o universo inacabado; que o Big Bang é um fenômeno que não indica a origem do universo, mas uma passagem de uma fase do universo em colapso para uma do universo em expansão – o universo, portanto, passa por ciclos, indefinidamente, de contração e expansão, com uma explosão universal de entremeio entre estas duas fases. O universo não é estacionário; está em constante formação; é inacabado, conclui o cientista brasileiro.

Ao ouvir Mário Novello dizer que o Big Bang não está na origem do universo, mas é apenas uma singularidade, que aponta o fim de uma era e o começo de outra, eu abri – em imaginação, claro – um largo sorriso de uma orelha à outra. Ora, eu sempre me perguntava o que, ó raios! explodiu no Big Bang. Se houve uma grande explosão, alguma coisa explodiu. Mas o quê!? Li que foi um tal de Ovo Cósmico. Mas quem botou tal ovo!? Não sou cientista. Não sou cosmólogo. Sou apenas um sujeito curioso que lê de tudo um pouco, de algumas coisas mais do que de outras. Mas que o tal de Big Bang sempre me cheirou a disparate, cheirou. Nunca fez sentido para a minha cabeça, que não é a de um cientista, repito.

E para encerrar: Usei de um pouco de liberdade literária na redação desta nota breve. Se incorri em algum pecado, perdoem-me.


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No Youtube, há ótimos canais que tratam de literatura. Dois: O de Rodrigo Gurgel; e, o de Tatiana Feltrin. Ambos os dois estudiosos comentam livros, resenham-los, com muita agudeza de inteligência. Aprende-se muito com eles. As aulas – não há exagero em dizer que se trata de aulas – são inestimáveis.


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E eu não poderia deixar de falar do presidente Jair Messias Bolsonaro, que uma vez mais vai ao hospital para tratamento. Ele, e desde as eleições, fala de nióbio e de grafeno, dois produtos que poderão – e irão – revolucionar a indústria mundial. E sempre foi o presidente brasileiro alvo de chacota. Os anti-bolsonaristas, que são contra, mas não sabem dizer porque, tudo o que ele defende, o apelidaram com as alcunhas mais torpes que se possa imaginar. E não é que ele está antenado nos rumos que a sociedade toma? que nióbio e grafeno são produtos revolucionários na sociedade tecnológica atual?!

Transhumanismo. Paulo Freire. Interface homem-máquina. Neurolink e Musk e Nicolelis. Bill Gates. Vacina e Novo Normal. Comprovação científica. E outras breves notas.

Está em discussão nos Estados Unidos a permissão do uso de fetos abortados em experiências genéticas que visam a criação de seres híbridos, mistos de humanos e animais. Há quem defenda tal prática científica, nos Estados Unidos e noutros países ocidentais, para que na área da Ciência Biológica o Ocidente não seja ultrapassado pela China. E onde fica a ética científica? Em defesa de uma vantagem competitiva entre as nações admite-se que os homens de jaleco branco brinquem de Deus? Se na China admite-se tal prática, e, segundo consta, no país dos mestres do kung-fu não há empecilhos para tais experimentos, deve o Ocidente trilhar o mesmo caminho, ou pressionar o governo da China a criar normas para abandoná-lo? E cá entre nós, não creio que no Ocidente não existe laboratórios científicos clandestinos onde cientistas se divertem misturando os genes de humanos com o de macacos e com os de outros animais.

Nas minhas primeiras palavras desta nota breve eu disse “fetos abortados”. Não são tais palavras as apropriadas para se identificar a ação empreendida na supressão à vida de seres humanos em seu estado intra-uterino. O correto seria “crianças assassinadas” ou “seres humanos assassinados”.

Uma série de televisão, que está para estrear, ou já estreou, não sei, Sweet Thoot, exibe criaturas híbridas fofinhas, crianças com focinho de porco e crianças com orelhas de alce. E as pessoas inocentes as acham uma gracinha. Não percebem que os financiadores do transhumanismo as preparam para acolher experiências científicas antiéticas e ver com naturalidade as anomalias que delas irão brotar.

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Dias atrás, neste mesmo canal e neste mesmo horário, escrevi que do pouco que eu conheço das idéias de Paulo Freire, o ato de ensinar e a escola não tinham razão de ser, de existir. Se o professor não pode transmitir aos alunos conhecimentos – transmitir conhecimentos é ato opressor -, não podem ter autoridade, que é opressora, e se não há conhecimentos superiores e conhecimentos inferiores, mas conhecimentos diferentes (sem escala de valores, portanto) – e assim, conclui-se, igualam-se os dos professores e os dos alunos – não há razão para se conservar a dispendiosa estrutura moderna de ensino. E dois dias atrás anotei algumas palavras-chave para registrar um pensamento que me coçou a cabeça. E agora eu o dou ao papel. É este: Se a transmissão, pelos professores, aos alunos, de conhecimentos é ação opressora; se a autoridade do professor é opressora; e se não há escala de valores entre os conhecimentos, e, portanto, não são superiores, em comparação com os dos alunos, os dos professores, então, ampliando o alcance do raciocínio, Paulo Freire revela-se incoerente ao transmitir os seus conhecimentos de pedagogia (muita gente diz que não há pedagogia no pensamento dele – deixo, aqui, esta questão de lado), por meio de seus livros – assim ele oprime quem o lê – e os professores paulofreireanos erram triplamente, deixando-se por ele oprimir, ao reverenciá-lo, reconhecendo-o uma autoridade, recolhendo, dele, os conhecimentos que ele lhes transmite e tratando-o como um ser dotado de conhecimentos superiores.

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As Forças Armadas das mais poderosas nações já empregam em seus soldados exoesqueletos e outros equipamentos – e medicamentos – que lhes ampliam os sentidos. O homem, hoje, pode ter em seu corpo inseridos inúmeros mecanismos, alguns que lhe prolongam a vida, corações artificiais, marca-passos. Há equipamentos que beneficiam enormemente os sequelados em acidentes e os nascidos com deficiência de movimentos devido à má constituição de ossos e músculos. Mas o sonho do Homem de querer emular Deus o levará à ruína.

Umas das propostas que ao meu ver é absurda, grotescamente desumana, uma ameaça à condição humana do ser humano é a do Neurolink, de Elon Musk, o herói dos geeks e dos nerds. Não é novidade. Está esposada, por Miguel Nicolelis, em Muito Além do Nosso Eu, livro que li há um bom tempo e que me causou imenso desconforto. Propõe ele a conexão do cérebro de todos os seres humanos com um computador global. Assim, acredita, chegaremos ao paraíso, pois toda pessoa saberá dos pensamentos de toda pessoa. Ninguém irá mentir, tampouco enganar alguém. Lindo, não?! E quem irá controlar o computador global? Os tiranos agradecem.

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Jayson Rosa, do canal Casando o Verbo, nos seus vídeos fala de inúmeros assuntos relacionados à manipulação do pensamento por meio de filmes, de transhumanismo. Não compartilha da idolatria de muitos pelo Elon Musk, o homem – dizem – mais rico do mundo.

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Falando em Elon Musk: Dias atrás, ele declarou, em alto e bom som, que a sua empresa Tesla não iria mais negociar com o Bitcoin, a criptomoeda mais famosa do universo. E o valor do Bitcoin despencou, no precipípio, no mesmo dia; agora, para a minha supresa, li uma notícia de estarrecer, de derrubar o queixo do mais impassível dos homens: Elon Musk declarou aos quatro ventos que a Tesla poderá negociar com o Bitcoin. E o valor do Bitcoin escalou o Everest. Não posso terminar esta nota breve sem uma pergunta: Nas mãos de quem estão os Bitcoins?

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E o Bill Gates, que até há não muito tempo era o homem mais rico do mundo, posto que ele perdeu para o Elon Musk, fez mais uma das suas. Oficialmente, Gates e Musk são os homems mais ricos do mundo, mas há quem diga que eles são os pobretões do panteão dos miliardários. Deixemos tal questão de lado, e tratemos da última do Bill Gates. Ele quer porque quer salvar a Terra do aquecimento global; para tanto, pensou numa idéia brilhante: pulverizar poeira, partículas aerossolizadas, na estratosfera terrestre, assim criando uma camada protetora, que restituirá ao espaço sideral os raios de luz disparados pelo Sol, nosso querido Sol. Seriam borrifos de carbonato de cálcio, atóxico. É um projeto que participa de uma ambição universal de geoengenharia, cujos proponentes miram o objetivo de alterar a estrutura física da Terra, mas não querem atingi-lo com coisinhas pequenas, não, como a construção de uma represa, e a da Muralha da China, e a da Pirâmide de Quéops, e a do Canal de Suez, e a do Maracanã. Querem chegar a ele com coisinhas imensas, de escala universal. Há quem veja com bons olhos tal idéia. Para mim, que não sou cientista nem nada, parece-me uma rematada sandice. E uma idéia de jerico a do Bill Gates. E pergunto-me se há algum parentesco entre Bill Gates e Mini-Me.

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Até outro dia dizia-se que teríamos restituída a nossa vida de antes da pandemia (melhor: fraudemia) assim que nos vacinássemos. E era a vacina o elixir da saúde, o escudo protetor, infalível instrumento de defesa, contra o chinavírus. Agora, vacinada, a pessoa – dizem os onipresentes especialistas, que até ontem prometiam o paraíso àqueles que se vacinassem – tem de usar a malfadada máscara, manter o distanciamento social, evitar aglomerações, porque não é 100% segura a vacina. E só agora descobriram isso!? E quando teremos uma vacina 100% segura? Nunca, pois o vírus está em constante e ininterrupta mudança. Teremos, então, de esconder, e para sempre, atrás de uma máscara, a nossa cara e não mais nos reunirmos com familiares, parentes e amigos; teremos, enfim, segundo médicos e cientistas renomados, heróis dos coronalovers e vacinalovers, de rejeitarmos a nossa vida social, de nos negarmos a viver, ao atendermos as exortações dos veneráveis especialistas, benfeitores da humanidade.

E as máscaras são 100% eficientes. As de pano? Já se sabe que são inúteis.

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Não se admite o uso, pelos que adoecem de gripe causada pelo vírus chinês, de remédios que, dizem, não têm comprovação científica. Pergunto-me se posso processar minha avó paterna – já falecida, e que Deus a tenha – que, aos meus oito, nove anos, não me lembro, eu atormentado por febre, que de jeito nenhum queria me deixar, submeteu-me, na casa dela, a um suadô, que consistiu no seguinte: bebi um copo de água com alho e deitei-me, no sofá da sala, sobre e sob camadas e mais camadas de cobertores, à noite, e dormi, e acordei, na manhã do dia seguinte, tinindo de bom, suado, minhas vestes encharcadas, fedendo a alho. Sarei.

Minha avó se perguntava se tal tratamento, o suadô, tem comprovação científica?! Minha avó merece responder postumamente a um processo?

E quantas pessoas já fizeram uso de babosa sobre machucados para inibir o aparecimento de cicatrizes? Alguém se pergunta se há comprovação científica do uso benéfico de babosa em tais casos? E para o uso de caninha do brejo para tirar pedras dos rins alguém pergunta se há comprovação científica? E para o emprego de picumã para estancar sangue de machucados? Alguém pergunta se há comprovação científica? E para drenar o pus de um machucado provocado por unha encravada, como se deu comigo há mais de trinta anos, usa-se compressa com água quente. E quem é que pergunta se tal prática tem comprovação científica? Ora, as pessoas, no seu dia-a-dia, usam o que funciona, o que traz bons resultados, independentemente de haver ou não comprovação científica. E digo mais: as pessoas ignoram, em muitos casos, solenemente, e desdenhosamente, conselhos médicos, e se tratam por si mesmas, com os meios que lhes estão mais às mãos. E muitas pessoas nem sequer tomam ciência de médicos e cientistas, e tampouco desejam saber o que eles pensam, e não são poucas as que os desprezam.

Toda essa história de se obter uma comprovação científica do uso deste e daquele medicamento e deste e daquele tratamento é política de desprezo pela sabedoria popular, pelos conhecimentos milenares adquiridos e acumulados pelos nossos avós, bisavós e mais antigos ancestrais. Os profissionais da ciência moderna se arvoram os proprietários exclusivos do conhecimento sobre a vida e a morte. E porque digo “proprietários exclusivos”? Porque excluíram Deus da história.

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Li por aí que há uma tal de Teoria Racial Crítica, que, em resumo, determina que é o homem branco por natureza racista. Que seja tal idéia uma rematada idiotice só os tolos não sabem. Mas o mais surpreendente desta história é que homens brancos na tal teoria citada linha acima vêem um instrumento de combate ao racismo. Tolos! Estão atirando no próprio pé. Estão ao carrasco entregando o machado e oferecendo o pescoço. Se todo homem branco é em sua essência racista, então eles também o são. São assustadoras as imbecilidade e estupidez de tal gente.

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Não é difícil encontrarmos notícias que nos dão a conhecer histórias macabras de mulheres que acusam falsamente homens de as haver estuprado. Pede-se às mulheres que colham as provas para sustentar a acusação, afinal ao acusador – em tais casos, as acusadoras – cabe o ônus da prova. E aparecem defensores – falsos defensores – das mulheres que alegam que em tais casos não é obrigação da mulher colher as provas, pois tal é muito constrandor, e adicionam, então, a conclusão, que, afirmam, encerra-se em justiça para com as mulheres: a de que o homem tem de provar-se inocente. É a total inversão dos valores. Que é constrangedor para a mulher a situação em que se encontra, após seviciada, num processo, ter de provar que a acusação que faz ao homem procede, ninguêm ignora; mas alegar que por causa do constrangimento deve-se dispensar a mulher de responder ao seu compromisso é um acinte à Justiça.

Vejamos, agora, um cenário com outros personagens: um homem acusa outro homem, este homossexual, de havê-lo estuprado. A qual destes dois cabe o ônus da prova? Ao acusador, ou ao acusado? Prevalecerá, neste caso, a pressão da militância?!

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Sempre que um policial branco mata, independentemente das circunstâncias, um homem negro, nasce, por combustão espontânea (financiada e orquestrada por metacapitalistas mais rico do que o Tio Patinhas), revoltas e sublevações sociais que põem cidades inteiras de pernas para o ar. Mas quando um homem, bandido, assassino, seja ele branco, negro, marrom, amarelo ou verde, mata um policial negro, ouve-se o mais retumbante silêncio, que ecoa no labirinto de todas as pessoas em todo o mundo. E onde a revolta dos defensorea dos negros?! Não se ouve um pio a respeito, nem a metade de um pio. 

Dizem aqueles que esbravejam no primeiro caso e calam no segundo que naquele o policial é um agente do Estado, um agente que tinha o dever de agir com justiça, sem preconceitos, sem discriminar as pessoas pela cor da pele. É justo. É o correto. O Estado, neste caso, portanto, falhou ao ter em sua estrutura um racista. E no segundo caso, nada dizem porque não foi um agente do Estado que matou o policial negro. Aqui, fazem distinção entre a violência do Estado e a violência de um cidadão, e culpam o Estado, no primeiro caso, e inocentam o cidadão, este, vítima da sociedade, no segundo. Há duas observações a se fazer: As pessoas que culpam o Estado, no primeiro caso, e inocentam o cidadão, no segundo, são estatólatras, de esquerda, vêem no Estado a instituição suprema infalível; e, não entendem que no segundo caso, o do assassinato do policial negro, o Estado também falhou, pois não protegeu o policial. Nos dois casos, o Estado falhou; no primeiro, ao contratar um agente que não atendia aos requisitos essenciais para o exercício do trabalho de polícia; no segundo: ao não garantir a segurança de um de seus agentes. E é de surpreender que os sábios estatólatras seguem, diante de provas cabais dos limites do poder do Estado, a pintar o Estado como a instituição suprema, infalível. Não sabem tais seres que é o Estado uma abstração, apenas uma abstração, fruto das elucubrações de homens que, porque homens, são falíveis?!

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Os auto-intitulados defensores da liberdade de expressão não admitem que gozem da liberdade de expressar seus pensamentos – nas redes sociais, inclusive – pessoas que não subscrevem o pensamento politicamente correto, a ideologia de gênero, a política dos pronomes neutros, e outras coisinhas mais. São intolerantes os defensores da liberdade de expressão. Para ocultar de si mesmos e de outros a sua intolerância declaram-se anti-facistas e anti-nazistas, e rotulam de facistas e nazistas seus oponentes, assim demonizando-os e justificando a exclusão deles de toda discussão pública.

Isentões, isentos? Rússia x Ucrânia, prólogo da Terceira Guerra. O avatar do Daniel. Cuba, nova revolução. Haiti. E outras notas breves.

Os isentões, carinhas de ares sofisticados, de auto-imagem irrealista, egocêntrica, de isentos nada têm. Põem-se num ponto equidistante, e acima, entre os grupos que eles denominam extrema-esquerda e extrema-direita, aquele resumido no PT e este no Bolsonaro. Aqui já demonstram a falta de equivalência de valores, pois estão a comparar um partido político com um político – o correto seria comparar Bolsonaro e Lula, o que muitos passaram a fazer após a mídia lançar o Barba candidato natural à presidência do Brasil em 2.022. São, acreditam, moderados, serenos, pacíficos, de centro, mas estão a comprar uma narrativa mentirosa que dá Bolsonaro o êmulo natural, em se tratando de radicalismo na política, política revolucionária, de Lula, o reflexo, dele, mas no extremo oposto do espectro político, dando a entender que são ambos os dois figuras do mesmo álbum de fanatismo político de inspiração ideológica autoritária; comparam, e igualam – e sabe-se lá que instrumentos teóricos usam em suas análises -, um ser real, o Lula, com um ser fictício, o Bolsonaro descrito pelos seus inimigos. Mas na hora de decidirem o que fazer, que posição tomar, fincam pé ao lado dos adversários do Bolsonaro, convertem-se em máquinas esquerdistas de moer reputações de não-esquerdistas.

Dias atrás, numa ação de esquerda contra o presidente Jair Messias Bolsonaro, ação que redundou em atos violentos – mas a mídia, confiável que só ela, insiste em classificá-la manifestação pacífica de meninos -, um grupo de peéssedebistas ingênuos – ou tolos? – quis cerrar fileiras ao lado de peceólistas (partidários do P.C.O, Partido da Causa Operária), e foi por eles escorraçado. E, li, alguns partidários do N.O.V.O., em outra manifestação, não sei, no mesmo dia, ou em outro, foram agredidos por esquerdistas, que atuaram com suas urbanidade e civilidade proverbiais, e surpreenderam-se com a agressividade insana deles. Que esses carinhas sofisticados, os isentões, em 2.022 votem, em massa, no Lula, o elejam presidente, que a partir de 2.023, ou antes mesmo, saberão o que é radicalismo, extremismo, fanatismo na política. O silêncio dos isentões a respeito da agressão de peceólistas e outros esquerdistas contra peéssedebistas e novistas é ensurdecedor, e revelador do amor não declarado dos isentistões pela esquerda, conquanto dela ganhem umas belas e inesquecíveis sovas.

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Durante aqueles dias em que Vladimir Putin, o agente da KGB (hoje FSB), enviou dezenas de militares russos para a fronteira da Rússia com a Ucrânia, previu-se uma conflagração entre a terra dos tzares e a OTAN. E não foram poucos que viram em tal capítulo, dramático, que poderia culminar numa tragédia de proporções planetárias, o princípio da Terceira Guerra Mundial, que não se deu, graças a Deus – ou foi adiada. Jayson Rosa, do canal Casando o Verbo, assumiu uma postura de preocupação com o andar da carruagem; foi um dos que previram nos atritos entre Rússia e Ucrânia o estopim da conflagração que se expandiria até abarcar todas as nações. Maurício Alves, em publicações na rede social Facebook, assumiu uma posição contrária: viu no imbrógio eslavo-ucraniano apenas fogo de palha. O desenrolar dos eventos prova – por enquanto – que Maurício Alves estava correto em sua análise.

Jayson Rosa e Maurício Alves merecem atenção, fazem análises excelentes das questões mundiais, principalmente quando divrergem, e quando erram, pois sempre dão informações imprescindíveis para o conhecimento do que está a ocorrer no nosso planeta.

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… e o presidente Jair Messias Bolsonaro insinuou que um tal de Daniel, avatar de um líder revolucionário brasileiro treinado em Cuba, tem consigo alguns segredos acerca de ministros do STF, e coisa e tal. E o universo político nacional, embasbacado, calou-se. E a mídia, que adora atacar o presidente Jair Messias Bolsonaro sempre que ele abre a boca, desta vez emudeceu.

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Os cubanos sublevam-se contra o governo ditatorial, autoritário, totalitário, de Miguel Díaz-Canel, preposto do Raúl Castro. Kleber Sernik, na rede social Facebook, dá-nos informações do que se passa na ilha-cárcere do falecido Fidel, amigo do também falecido escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez e ídolo do igualmente falecido escritor português José Saramago. Parece que tem a mão da C.I.A. na revolta. E Bituka Du Bronx, avatar de Fernando Vaisman, vê associação do que se passa em Cuba com a morte do presidente do Haiti, e com o alusão, pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, de segredos de um tal de Daniel, e com a visita ao Brasil de um alto funcionário da C.I.A. Quem sabe o que se passa nos altos escalões dos governos e dos serviços de inteligência!?

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Não poucos brasileiros pedem por urnas eleitorais eletrônicas auditáveis e apuração pública dos votos. Não acreditam que as urnas são invioláveis, suspeitam que fraudes já ocorreram em pleitos eleitorais anteriores e prevêem que poderá vir a se dar no de 2.022. Mas há quem diga que as urnas são confiáveis; que fraudes são impossíveis; que fraudes são figuras do folclore nacional imaginados por gente de mentalidade rústica, atrasada, antediluviana, isto é, de bolsonaristas (bolsominion, para os íntimos) e do presidente Jair Messias Bolsonaro. Percebe-se nas pessoas – e trato, aqui, de cidadãos brasileiros, e não de políticos, de ministros do STF, de artistas, de intelectuais, de jonalistas – contrárias ao voto auditável, em papel, e apuração pública dos votos, uma rejeição insensata, irracional, que tangencia a má-vontade, a má-fé, não da proposta em si mesma, mas dela porque ela foi esposada pelo presidente Jair Messias Bolsonaro. E o que se lê e se ouve de tais pessoas é deboche, e nada mais do que deboche. Não é de hoje que percebo que muitos anti-bolsonaristas vão de encontro aos seus mais caros valores se ao encontro deles vai o presidente Jair Messias Bolsonaro. É tiro e queda. O Fulano defende “A” e se opõe a “B”; e ao ouvir o presidente falar em favor de “A” e ir contra “B”, automaticamente converte-se num defensor intransigente de “B” e declara-se hostil, e desde o berço, a “A”. Um dos argumentos – se se pode chamar tal asnice de argumento – que aventam contra a proposta do voto impresso é que tal é um retrocesso, o mesmo que tornarmos a usar mimeógrafo e máquina de datilografia. Não entendem os sandeus que se está a falar de justiça eleitoral, de lisura do pleito eleitoral. A turminha do Clube Desportivo Urna Eleitoral Eletrônica Inviolável perdeu de há muito o bom-senso. E um adendo: tal turminha é a mesma que se auto-intitula Seguidor da Ciência, rotula quem não lhe subscreve os mandamentos de Negacionista, e clama pela salvação das Girafas da Amazônia, que estão na iminência de serem varridas da face da Terra pelas mãos genocidas do presidente Jair Messias Bolsonaro.

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Li que está a ocorrer casos de pericardite em pessoas que se imunizaram – pode-se falar que foram imunizadas? – com vacinas de RNA mensageiro. E reportagens que dão notícias de pessoas que morreram em decorrência da vacina e de pessoas que estão a sofrer com os efeitos colaterais provocadas pela vacina.

São as vacinas experimentais? Ora, semanas atrás vi duas reportagens: uma dava notícia da existência de um grupo de um pouco mais de trezentas mulheres grávidas e a outra de um grupo de mais de mil jovens, ambos os grupos a participarem de testes com vacinas, para se mensurar as reações que os participantes dos testes teriam, se eles sofreriam efeitos colaterais. Ora, mas as vacinas não são produtos testados em laboratório, prontos e acabados?! Pra que os testes em humanos?! E surpreendeu-me saber que mulheres grávidas se dispuseram a participar do teste, e após notícia de que mulheres grávidas morreram em decorrência da aplicação da vacina contra o Covid.

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Dizem os anti-bolsonaristas que é o presidente Jair Messias Bolsonaro genocida.

No livro Terras de Sangue, de Timothy Snyder, dá-se a conhecer o horror vivido pelos poloneses sob a mortífera foice-e-martelo dos comunistas soviéticos e a máquina de matar dos nazistas, comunistas e nazistas a se revezarem na matança aos poloneses. E o autor lembra que a palavra “genocídio” é um neologismo que nasce da fusão de duas palavras, uma de origem grega, outra latina, que significam, a grega, geno, raça, tribo, e a latina, cídio, matar. Foi tal palavra forjada pelo advogado polonês Raphael Lemkin. Genocídio é, respeitando-se o seu significado original, política sistemática de extermínio de um povo patrocinada pelo Estado. Alguns estudiosos entendem que houve apenas um genocídio em toda a história, a da política de extermínio, pelos nazistas, de judeus, outros incluem o Holodomor, matança de ucranianos pelos comunistas soviéticos, nos anos 1930, sob a liderança de Joseph Stalin. Milhões de ucranianos morrerem de fome. Há quem inclua, na lista dos genocídios, o extermínio dos tibetanos pelos chineses comunistas e por estes mesmos comunistas a morte de uygures. Ora, qual política de perseguição sistemática, com o consequente assassinato, a grupos étnicos e raças o presidente Jair Messias Bolsonaro promoveu? Que se saiba, ele jamais aventou uma política de tal cariz. Usa-se chamar o presidente Jair Messias Bolsonaro – e, por extensão, seus aliados e eleitores – de genocida (e de terraplanista, de negacionista, de nazista, de fascista) única e exclusivamente com a intenção de desumanizá-lo, dá-lo não como um ser humano que merece respeito, mas como uma coisa qualquer que pode ser retirada da existência, afinal não é ele – e tampouco os seus aliados e eleitores -, segundo os seus inimigos, um ser humano; e assim justificarão a morte dele e as dos que o seguem e inocentarão quem se dispuser a eliminá-los. “Genocida” é só um rótulo desumanizador.

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Eleito presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, ainda em 2.018, antes, portanto, de assumir a presidência do Brasil, declarou, de viva voz, em alto e bom som, que exigiria dos médicos cubanos a realização do Revalida e que entregaria a cada médico cubano residente no Brasil seu salário integral. Bastou tais palavras alcançarem os ouvidos dos plenipotenciários cubanos, que estes ordenaram a ida imediata dos médicos cubanos residentes no Brasil a Cuba. E dizem, ainda hoje, que o presidente Jair Messias Bolsonaro expulsou do Brasil os médicos cubanos, acabando, assim, com o programa Mais Médicos. Pergunto-me se os tais médicos cubanos – médicos, ou agentes de infiltração comunista a treinar guerrilheiros e a doutrinar brasileiros com a ideologia comunista? – regressaram a Cuba, ou se circulam por terras brasileiras e nelas exercem a verdadeira tarefa – que não foi a medicina – para a qual foram encarregados.

Li, não me recordo onde, ontem, que há, no Brasil, células terroristas iranianas e cubanas. E que soldados russos estão, na Venezuela, na fronteira deste país com o Brasil. Acredito que não estão lá os agente do Putin a dançarem pagode cossaco e a encherem a cara de vodka.

Os defensores da liberdade, autoritários. Os seguidores da Ciência, anticientíficos. Os sábios que nada sabem. Os idiotas úteis. Arma biológica chinesa. E outras notas breves.

Os heróicos, abnegados defensores da liberdade, lídimos guerreiros da justiça social, neste mais de um ano de fraudemia, revelaram-se tipinhos autoritários, caricaturas da caricatura de Adolf Hitler criada por Charles Chaplin. Em toda família um de seus membros, no mínimo – nas menos desgraçadas pelo vírus do autoritarismo -, revelou-se um patético ditadorzinho de calça apertada; e este era o que mais fazia discursos de amor pela Liberdade, pela Justiça, pela Democracia. Tais criaturas, que se tinham – e ainda se têm – na conta de justiceiras sociais – e justiceiras sociais elas são, mas na sua corrente acepção, a de seres que se atribuem autoridade moral e intelectual, superiores aos reles humanos, dotados do direito, portanto, de massacrar qualquer um com as suas ladainhas moralizantes -, mostraram-se em sua verdadeira mentalidade, que é autoritária, umas explicitamente, mal conseguindo conter seu ímpeto autoritário, outras, esforçando-se para conservar as aparências, emprestando certo respeito pelos próximos, mas não se contendo todo o tempo, deixando transparecer sua animosidade contra quem não lhe segue os passos e suas má-vontade e má-fé.

Nesta era de fraudemia – uma pandemia virtual, que só se viu na mídia e em discursos de médicos e cientistas renomados -, os defensores da liberdade foram os primeiros que perderam – aqueles que a tinham – a capacidade de pensar com racionalidade, ponderar as questões, e a sucumbirem ao bombardeio midiático, que anunciou o apocalipse, e a genuflexionarem-se, reverentes, acovardados e aterrorizados, diante dos micro-ditadores que impuseram as restrições mais severas, mais draconianas, às liberdades do ser humano, como a de ir e vir, a de trabalhar para seu sustento e o da sua família, a de se reunir, livremente, com seus familiares e parentes e amigos.

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Ninguém é tolo para declarar que não há um vírus a matar pessoas, e que não houve um surto epidêmico de mortes por vírus. Mas acreditar, piamente, que tudo o que se diz do vírus é verdade é ato de gente crédula, e não de gente cética, de espírito científico. Num mundo de gente de carne e osso, e não de gente idealizada a viver num mundo imaginário edênico, políticos, empresários, profissionais liberais, inclusive os da área da saúde, defendem, e muitos inescrupulosamente, seus interesses pessoais, indiferentes ao mal que podem vir a causar a outras pessoas, e alguns deles, cá entre nós, o mal aos próximos desejam.

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Nada sabem de Ciência os Seguidores da Ciência. Nada. Mas eles se têm na conta de mestres da Ciência porque curvaram-se, temerosos, à autoridade dos heróis midiáticos, médicos e cientistas renomados que os meios de comunicação (melhor: meios de subversão) elegeram sábios, seres dotados de omnissapiência, infalíveis, criaturas celestiais de poderes divinos materialistas, e do materialismo mais chão, mais cru, mais estreito.

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Aqueles que nestes meses do que se convencionou intitular Pandemia do Coronavírus atribuíram-se dons superiores – e, aqui, falo de pessoas comuns, e não de políticos e cientistas renomados e de presidentes e diretores de organizações mundiais – revelaram-se providos da mais reles paixão pelo mandonismo, de desprezo pela verdade, pelo estudo, de uma arrogância que não encontrou limites, donos de uma auto-imagem doentiamente insensata que lhe satisfaz o ego inflado, inchado. Tais pessoas, acriticamente, acolheram todo o discurso midiático acerca do vírus que tanto nos atormenta. Nada questionaram. E se dizem racionais, pensadores independentes, que ninguém pode manipular. Foram facilmente sugestionados a acolher como verdades, truismos, todo e qualquer discurso que por mais ridículo, esdrúxulo, patético fosse – e talvez por tal razão perderam a razão, aqueles que a possuíam, perdidos num torvelinho de ordens que se anulavam, de narrativas que se contradiziam, desarrazoados insanos de enlouquecer todo e qualquer filho de Deus. E dizem, de peito inflado, pomposos: “Eu sigo a ciência.” e condenam os que eles chamam de negacionistas ao ostracismo. Para eles estes são párias e merecem viver à margem da sociedade porque não acreditam nos médicos e cientistas renomados. Eu ia escrever que os Seguidores da Ciência endeusam os cientistas, mas corrigi-me a tempo. Eles não sabem diferenciar dos cientistas os charlatães, afinal não sabem o que a Ciência é, e não sabendo o que ela é não podem saber quem de fato faz ciência e quem diz fazer ciência mas está apenas a falar em nome dela e não a praticando.

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Os carinhas se dizem anticapitalistas, defensores da justiça social, pedem o fim da desigualdade de renda, e apóiam medidas restritivas ao comércio, que favorecem, ainda não entenderam os pascácios, as grandes empresas, que têm poder econômico para sustentar prejuízos durantes anos. E as empresas que faliram durante a fraudemia foram as pequenas e as médias. Assim, as grandes empresas conquistaram mercados, monopolizaram muitos deles, sem precisarem provar que são os mais competentes. Ora, no ano passado reportagens indicaram que os homens mais ricos do mundo, bilionários, enriqueceram-se, enquanto os mais pobres empobreceram. E sabem disso os anticapitalistas defensores do fim da desigualdade de renda. Mas tais néscios não atinam com a relação entre medidas restritiva ao comércio e o empobrecimento dos mais pobres e o enriquecimento dos mais ricos. São, ou não são, úteis aos metacapitalistas os idiotas que dizem combater o Grande Capital?!

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De algumas semanas para cá, pululam na mídia americana notícias que informam que é o coronavírus uma arma biológica desenvolvida pela China. Se é, não sei. Parece-me muito grosseira a história que narram. Dar à China, exclusivemente à China, a culpa pelo flagelo que oito bilhões de humanos enfrentam é, assim vejo, um atentado contra a inteligência humana. Penso que há muita gente poderosa, no Ocidente, esquivando-se de suas responsabilidades, melhor, irresponsabilidades, pelo que promoveram neste ano e meio de recrudescimento de políticas autoritárias subjacentes e justapostas às políticas ditas sanitárias que em nada melhorou a situação. Não tenho, é óbvio, e eu nem precisaria tocar neste ponto, conhecimento do que se passa nos suntuosos escritórios de chefes de Estado, de diretores de organizações mundiais, de presidentes das farmacêuticas e das Big Techs, e das mansões dos patriarcas das famílias dinásticas que mandam e desmandam em nosso mundo; mas nada me impede de imaginar que no Ocidente há muita gente poderosa com insônia temendo ver seu busto exposto em praça pública, cuspida e coberta de sujidades. Apontam o dedo acusador para o Partido Comunista Chinês, o bode expiatório, pessoas que até ontem foram, dele, seus mais fiéis aliados. É o Partido Comunista Chinês o boi de piranha. Muita gente poderosa que compartilha com os comunistas chineses de sua visão de mundo materialista, anti-religiosa, e que ambiciona criar um governo totalitário global seguem na promoção de suas políticas anti-humanas enquanto o mundo concentra seus olhos na China.

Eu disse, linhas acima, que entendo grosseira a narrativa que dá a China protagonista – antagonista do Ocidente – de uma história de ingredientes bélicos a preparar-se para a Terceira Guerra Mundial, que seria uma guerra biológica, e não química, como a primeira, e tampouco atômica, como a segunda. E seria o coronavírus a arma que ela empregaria contra o Ocidente. A intenção da China, dizem, era lançar nos países ocidentais o vírus para colapsar-lhes o sistema de saúde. Ora, parece-me muito grosseira tal artimanha, pois os países ocidentais rastreariam a origem do vírus até a sua origem – como dizem estar fazendo neste momento com o chinavírus, que se originou num laboratório de virologia de Wuhan – e contra-atacariam com um vírus de equivalente poder, ou superior. Penso que a guerra que se faz hoje é mais sutil, e os povos ocidentais têm em seus próprios governos seus inimigos, e também nas organizações mundiais que sustentam com impostos escorchantes. O vírus é a arma biológica que o governo chinês pretendia lançar contra os países ocidentais, ou os governos dos países ocidentais declaram que é o vírus chinês uma arma biológica chinesa contra a qual eles têm o antídoto, este a verdadeira arma biológica? Não podemos ignorar que os governos ocidentais oprimem seus povos, e muitos deles – aqui no Brasil, prefeitos e governadores, e vereadores e deputados, estaduais e federais, e senadores, e juízes – comem nas palmas das mãos, dos comunistas chineses, uns, dos metacapitalistas ocidentais, outros, metacapitalistas ocidentais e comunistas chineses, cada um ao seu modo, a arquitetarem um edifício totalitário global.

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No ano passado, Sérgio Moro, na condição de herói nacional, de patrimônio brasileiro, homem de quem todo brasileiro se orgulhava, revelou-se um vilão, o Marreco de Maringá – assim o indigitavam alguns daqueles que não o viam com bons olhos -, derrubando o queixo de muitos milhões de brasileiros. Lembro-me que tão logo ele se revelara em sua inteireza, para desilusão e tristeza de muitos, profissionais da área jurídica cerraram fileiras ao seu lado, enalteceram-lhe a biografia, da qual o então Ministro da Justiça era cioso, e pediram, melhor, exigiram, uns, o impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro, e outros, o caluniaram com nomes que simulavam educação e vocabulário aparentemente sofisticado. Não hesitaram em condenar o presidente Jair Messias Bolsonaro. Para homens das Leis, representantes da Justiça, eles se revelaram desprovidos de senso de Justiça, afinal, tinham ouvido até então uma lado da história, a contada por um dos seus, o acusador Sérgio Moro, e ignoraram o acusado, o presidente Jair Messias Bolsonaro, cuja voz não tinham ouvido e não pretendiam ouvir, e a rejeitaram antes mesmo de ouvi-las. E a ouviram, e no mesmo dia em que ouviram a de Sérgio Moro, e a rejeitaram. E anteviram a revelação aos olhos de todos da má conduta que ao presidente Jair Messias Bolsonaro o Sérgio Moro imputara. E até hoje, decorridos quatorze meses daquele fatídico dia, nada de o Sérgio Moro revelar os podres que ele atribuíra ao presisente Jair Messias Bolsonaro. E muitos profissionais de justiça ainda têm Sérgio Moro na conta de herói e rejeitam, terminamtemente, de antemão, toda réplica, com intransigência. Mas nada se provou contra o presidente Jair Messias Bolsonaro nestes meses todos. Mas Sérgio Moro revelou-se um homem inculto, imerecedor de confiança, homem que, nos meses que se seguiram, aproximou-se dos tipos mais desprezíveis da política brasileira. E penso na conduta dos profissionais da classe jurídica que ainda o enaltecem. Conduta corporativista, entendo eu, e de auto-proteção. Tais personagens têm auto-imagem favorável, entendem-se membros de uma casta social superior, culta e sofisticada, seres divinos. Mas eles sabem que a imagem pública deles é uma farsa, maquiagem apenas, à qual se agarram com unhas e dentes, cientes de que não são os seres superiores que dizem ser; daí um dos seus, Sérgio Moro, revela-se, e por seus recursos intelectuais superiores aos dos seres humanos, um tipo incomum em sua ignorância, incultura e ausência de valores elevados, e eles correm, constrangidos, não erro em dizer que aterrorizados, para blindá-lo, pois se ele se revela um tipo abaixo da média do comum dos homens, reles, eles se sentem atingidos, expostos em sua verdadeira estatura, membros de uma classe que vive de aparências.

Os homens – e as mulheres também, óbvio – que, trabalhando para a Justiça com seriedade e sinceridade e humildade, talentosos e inteligentes, donos de integridade moral, não mediram palavras nas críticas ao Sérgio Moro, diga-se de passagem; os que eu vi a brindá-lo foram os pernósticos, os presunçosos, os que se arvoram, porque ostentam um título, seres superiores.

O Despioramento da Economia Brasileira. Boas notícias, infelizmente. Tio Sam Desgovernado. E outras notas breves.

No Brasil, se as coisas não vão de mal a pior, vão de pior a mal, não importa o que ocorra, se o homem público que ocupa a cadeira de presidente, na companhia de seres iníquos, de alma carcomida, não bebe champagne e não come caviar, em banquetes nababescos financiados com o dinheiro suado do povo brasileiro, em suntuosos salões aristocráticos paramentados com obras de profundo mal gosto, de dar engulhos em toda e qualquer pessoa que tenha no espírito, conservada, a consciência do que é belo, de bom-gosto. E se aquele que, no cumprimento de seu dever cívico, contra poderosas forças disruptivas, movimentos revolucionários subversivos, supera dificuldades inimagináveis e obtêm sucesso considerável na Economia do país, produzindo riqueza e gerando emprego, atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro, do fruto do trabalho dele e de sua equipe se diz que é algo que despiorou o que ele mesmo, o presidente indigitado, havia piorado, que era a Economia que ele herdou de seus antecessores, que, sabe toda pessoa minimamente informada, administraram com zelo admirável o rico dinheirinho do povo brasileiro.

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De boas notícias, o inferno está cheio. Por que há de dar boas notícias a mídia aos brasileiros, se é mais vantajoso aterrorizá-los com más notícias, que os deixam com os cabelos em pé, a passarem noites em branco, atormentados por insônias desvigorantes, ou, se eles caem em sono profundo, a perturbá-los com pesadelos assustadores. O PIB nacional cresceu razoavelmente bem no primeiro trimestre do corrente ano e se prevê que irá crescer em torno de quatro por cento, neste ano, em relação ao ano passado. Que triste é para os infelizes cavaleiros do apocalipse tão boa notícia.

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Está Joe Biden – Dodô Bidê, para os íntimos -, o presidente americano, a desgovernar a casa do Tio Sam, nosso querido parente do norte. Há crise na divisa territorial da grande nação com a terra dos astecas. Lá imigrantes são barrados, presos – e a vice-presidente americana, em viagem à Guatemala, solta uma pérola de fazer cair o queixo daqueles que, de tão ingênuos, acreditam que os burros azuis e vermelhos amam os sobrinhos do Tio Sam e lutam pelo bem-estar deles.

E o resultado da política de desinvestimento na polícia se faz conhecer: aumento da violência em boa parte dos EUA.

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Os carinhas dizem seguir a ciência. Alguns ignoram solenemente a existência de Didier Raoult e Luc Montagnier, dois cientistas de primeiro time que não subscrevem a ladainha reinante na imprensa de todo o mundo. Outros, conhecendo-os, e acerca deles ouvindo comentários, poucos, torcem o nariz e rejeitam terminantemente qualquer idéias saídas da boca deles. São ambos negacionistas, nas palavras dos seguidores da ciência, gente que jamais ocupou sequer um segundo de sua humilde existência ao nobre estudo da ciência.

Quanto a ouvir idéia diferentes daquelas que defendem, os carinhas que seguem a ciência não querem nem saber. Que!? Confrontar hipóteses, eu!? Tá doido, tio. Adoto como verdadeiramente científica, ou cientificamente verdadeira, a que os heróis midiáticos, aqueles cientistas e médicos renomados alçados ao píncaro do estrelato pela imprensa, afirma ser a correta.

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É possível construir-se um muro na divisa territorial dos Estados Unidos com o México. É impossível construir-se um muro na divisa territorial do Brasil com o México, pelas razões óbvias – mas Geografia não é o forte de um certo político tupiniquim.

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Onde estão os humoristas brasileiros? De férias? São tantos os disparates da classe política, da artística, que dá para se criar um sem fim número de anedotas e piadas.

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Os remédios cujos nomes não podem ser citados, remédios que compõem um tratamento que não pode ser veiculado, estão salvando muitas vidas, vidas de pessoas que, se se deitassem em berço esplêndido à espera de cuidados de profissionais que trabalham em órgãos competentes, morreriam intubados num leito de UTI.

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Enquanto isso, na divisa entre Brasil e México, uma sublevação social na Colômbia, que, segundo consta nos livros de geografia de um certo político, faz divisa com o Canadá.

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As figurinhas carimbadas da política e do showbusiness nacional já ensinaram aos ignaros descendentes de Peri e Ceci que na Amazônia há girafas e que Brasil e México são países vizinhos. Não está longe o dia em que lhes ensinarão o Teorema de Pitágoras e a Sequência de Fibonacci. E quem criou o Teorema de Pitágoras? E a sequência de Fibonacci?

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E da Bielorússia nenhuma notícia. E nem da Ucrânia. E ninguém fala das peripécias bélicas do Putin. E o Afeganistão é um país distante, muito distante. E a China e a Austrália estão em rota de colisão. E a China e as Filipinas estão em rota de colisão. E a China e Taiwan estão em rota de colisão. E a China e os Estados Unidos estão em rota de colisão. A China, parece-me, está em rota de colisão com todos os outros países.

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As mais avançadas tecnologias que temos à nossa disposição estão obsoletas. As mais avançadas das mais avançadas são de uso exclusivo das forças armadas das nações mais poderosas do mundo e de alguns, poucos, miliardários universais de antigas dinastias.

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E já se fala em uma nova onda de infecção por coronavírus, agora de uma variante que nasceu no Vietnã. Nem bem nos livramos da hindu, e já temos que enfrentar a vietnamita. Farei algumas pesquisas, rápidas, de geopolítica. O Vietnã está confrontando a China em algum campo de interesse do governo comunista deste país?

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Pesquisas de intenções de votos, não faz muito tempo, apontavam Bolsonaro em maus lençóis. E dizia-se aos quatro ventos que ele perdia popularidade. Mas aí, o Capitão Bonoro inventou de passear de moto, em Brasília, no Rio, e em São Paulo. Assim, ele derrubou duas narrativas: a de que perde para os seus adversários num confronto eleitoral e a de que não tem popularidade, perdeu-a, é impopular. E os seus principais oponentes, em particular o Nove Dedos, também chamado de Nine Molusco, não dão a cara à rua. E não mais se publica na nossa tão confiável impressa pesquisa de intenções de voto.

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E da terra do Tio Sam, notícia do Arizona, condado de Maricopa. Dá-se os últimos retoques na auditoria dos votos das eleições americanas de 2.020. Há novidades por aí. E a mídia brasileira a ignorar o assunto, do mesmo modo que ignora Faucy, laboratório de Wuhan, fogo em embarcação iraniana, rebeldes ganhando espaço no Afeganistão…

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Todos os que andamos hoje em dia pela face da Terra temos a disposição infinitas fontes de informações. Infelizmente, muitos de nós não desgrudam os olhos da telinha da televisão, sintonizada nos canais de sempre.

O que os professores ensinam e o que os alunos aprendem. E Paulo Freire.

Ensinam os professores aos seus alunos o que aprenderam de seus professores e o que estudaram durante os anos, inclusive durante os que exercem o magistério. Mas o que aprenderam, afinal, os professores? Que livros leram? Que livros seus professores lhes indicaram? De quais livros deles exigiram a leitura? Sabe-se que, nas escolas, boicota-se escritores, de ficção e de não-ficção, que não subscrevem a cultura política, ideológica, vigente, dominante, que é de inspiração marxista, politicamente correta. Aprende-se Paulo Freire, mas não Pierluigi Piazzi; aprende-se Sartre, mas não Zubiri; aprende-se Jorge Amado, Antonio Callado e Gianfrancesco Guarnieri, mas não Octávio de Faria, Lúcio Cardoso, Marques Rebelo, Herberto Sales, Guilherme de Almeida; aprende-se Antônio Cândido, mas não Álvaro Lins; aprende-se Karl Marx e Rosa Luxemburgo, mas não Carl Menger, Ludwig von Mises e Eugen von Böhm-Bawerk; aprende-se Florestan Fernandes, mas não José Osvaldo de Meira Penna e João Camilo de Oliveira Torres; aprende-se os Iluministas, mas não os Padres da Igreja; aprende-se, enfim, autores que reverenciam marxistas e comunistas, mas ignora-se os que se lhes opõem. Durante os anos de tirocínio, os alunos aprendem o que querem que eles aprendam, e o que eles aprendem nem sempre é – corrijo-me: não é – o que há de melhor já concebido pela inteligência humana, e não raro é de uma mendacidade constrangedora.

Os alunos mais aplicados, que apreendem tudo o que os professores lhes ensinam, sabem, ao fim da vida escolar, apenas os conhecimentos que os professores lhes transmitiram. E que valor têm tais conhecimentos? O diploma, ao contrário do que muita gente pensa, não é prova de bom nível cultural, intelectual, literário, artístico. Prova o diploma que aquele que o ostenta assimilou, se tal se pode dizer, apenas o que lhe foi transmitido, nas salas-de-aula, pelos professores – e tendo professores despreparados, de má-formação, deve-se dizer que nada de útil aprenderam.

Cada professor pode transmitir aos seus alunos apenas o que ele sabe, e nada mais. Sendo o professor de pouca, ou nenhuma inteligência, e de má formação, pode ele pouco, ou nada, transmitir àqueles que tem ele como seus alunos.

E o Paulo Freire? Antes de falar do que se diz por aí acerca dele digo que li, dele, apenas um livro, A Pedagogia do Oprimido, e há mais de vinte anos, e nunca mais me interessei em ler a obra de tal personagem, divinizado e idolatrado por onze de cada dez professores. O que acerca dele, melhor, da obra dele, escreverei resume-se ao que dele ouvi, e li, adicionando alguns comentários, meus, acerca das idéias que, dizem seus adoradores, são dele. Uma das idéias que os paulofreireanos atribuem ao seu insigne e divino mestre é: Não se deve aplicar aos alunos a “pedagogia de gavetas”, isto é, a prática de ensino que faz do aluno apenas um receptáculo de conhecimentos, que não são dele, mas nele injetados pelo professor; em outras palavras, não cabe ao professor transmitir ao aluno conhecimentos, pois o aluno é agente ativo do processo de ensino, e não passivo. Outra idéia ao maior pedagogo que já pisou na face da Terra – segundo seus admiradores – atribuída pelos que o reverenciam ensina: O professor é uma autoridade; sendo, portanto, uma autoridade, oprime os alunos, o que não é aceitável, pois não é papel do professor oprimi-los, mas libertá-los.

Pensando no que vai escrito no parágrafo anterior, sou obrigado a dizer que os professores paulofreireanos que eu conheço não são paulofreireanos, pois eles transmitem conhecimentos aos seus alunos, praticando, portanto, a “pedagogia das gavetas” tão demonizada por Paulo Freire, e os avaliam por meios de provas – e ou os aprovam, ou os reprovam -, aqui exercendo autoridade, e, portanto, oprimindo-os. E adiciono uma pergunta, para encerrar este parágrafo: A pedagogia – se se pode chamar de pedagogia a obra de Paulo Freire – paulofreireana se levada à prática não redunda na extinção da escola e do ato de ensinar, e para ela existir não se deve excluir os professores da prática do ensino? Baseado no que escuto de professores que idolatram Paulo Freire – e que ninguém ouse criticá-lo -, eles não são paulofreireanos, pois, repito, transmitem conhecimentos aos alunos e os avaliam.

Esquecia-me: Dizem, também, os paulofreireanos, que não há conhecimentos superiores e conhecimentos inferiores, mas conhecimentos diferentes. Qual é o impacto de tal idéia, atribuída, por inúmeros professores, ao deus da pedagogia, na formação intelectual dos alunos? E se não há conhecimentos superiores e conhecimentos inferiores, mas conhecimentos diferentes, unicamente, por que os alunos têm de ver nos professores pessoas dotadas de superioridade intelectual?

As três idéias – paulofreireanas, segundo os paulofreireanos – apontadas nos parágrafos anteriores não são desserviços ao ato de ensinar?

E para encerrar este artigo, repito: considerei, unicamente, para redigir os comentários acerca de Paulo Freire o que dele ouvi de professores paulofreireanos. E que ninguém use de falácias para defender o supremo sábio pedagogia universal, da da autoridade principalmente: “Paulo Freire ganhou centenas de prêmios mundiais. A obra dele é lida em todo o mundo. Ele é respeitado em todas as universidades.” E coisa e tal.

Qomolangma Feng, China

Qomolangma Feng, Qogir Feng, Kangchenjunga, Makalu, Cho Oyu, Ohaulagiri, Manaslu, Nanga Parbat, Annapurna, Gasherbrum, Xixabangma Feng.

Acima, os nomes das onze montanhas mais elevadas do mundo, situadas no território compreendido pela China, pelo Nepal e pela Índia. Todas de mais de oito mil metros de altura. Daquelas montanhas chegou-nos a lenda de uma criatura estranhíssima. Ouvimos falar de Ieti, o abominável homem das neves, que vive naquelas regiões, parente distante do Pé Grande, que habita as mais elevadas montanhas norte-americanas e canadenses; entretanto, poucos sabem, Ieti não é a única criatura que vive, segundo a lenda, no Himalaia. Há outra, e há pouco tempo os ocidentais dela ouviram falar. Aventureiros chineses, indianos, norte-americanos, brasileiros, irlandeses, argentinos, nepaleses, nigerianos e japoneses, em busca do controverso Ieti, ouviram relatos sobre uma criatura a respeito da qual jamais tinham ouvido uma palavra. Tratava-se de Keqyshadi, cuja existência era um mistério, maior, até, do que o de Ieti e o do Pé Grande – e, também, o do monstro do lago Ness.

Vários estudiosos e aventureiros, em 1993, ouviram inúmeras histórias acerca de Keqyshadi, e empreenderam uma expedição à procura dele. Ele vivia no Himalaia. Algumas pessoas declararam que ele vivia no topo de Qomolangma Feng, o topo do mundo, acima das nuvens. Keqyshadi é parente distante de Ieti e parente ainda mais distante do Pé Grande, disseram algumas pessoas; outras disseram que, como o Pé Grande e o Ieti, Keqyshadi é apenas uma lenda. Houve quem discordasse de tal afirmação; afinal, nem Ieti, nem Pé Grande, tampouco Keqyshadi, jamais foram vistos pelos homens, portanto, não se pode afirmar que eles não existem. Muitas coisas que os homens jamais viram existem, argumentou um dos integrantes da equipe, com uma lógica irrefutável. Em território indiano, os expedicionários colheram muitas informações a respeito de Keqyshadi, esta criatura que, na opinião de muita gente, era mais fascinante do que o Ieti.

No ano de 2003, seis dos doze integrantes da equipe que empreendeu a expedição de 1993 resolveram empreender outra expedição ao Himalaia; os outros seis lançaram-se a outros projetos, para eles mais realistas. Não havia sentido, disseram alguns destes, quando fizeram-lhe o convite para empreenderem nova expedição ao Himalaia à procura de Keqyshadi, despender tempo e dinheiro em empreitada irrealista, e tentaram dissuadir de realizá-la os que haviam confirmado a sua participação na expedição. Um dos aventureiros convidados que recusaram o convite (ele se lançaria, pouco tempo depois, numa expedição à floresta amazônica) disse, polido, aos expedicionários que iriam ao Himalaia à procura de Keqyshadi, que eles estavam obcecados por ele, uma criatura lendária que habita, supostamente, aquelas gélidas e desoladas montanhas.

Os seis aventureiros, convictos de que encontrariam a fabulosa criatura, gracejando, disseram que poderiam, ao procurarem Keqyshadi, encontrar, acidentalmente, o Ieti.

Eis os nomes dos seis aventureiros da Expedição Qomolangma Feng e as suas respectivas nacionalidades: Valmiki, indiano; Li Po, chinês; Thomas Smith, americano; José da Silva, brasileiro; Arthur Doyle, irlandês; e Akira Kurosawa, japonês.

Planejaram, minuciosamente, a viagem. A escalada impor-lhes-ia inúmeras dificuldades. Enfrentariam o frio rigoroso, o ar rarefeito, a solidão, a fadiga.

O mais novo deles, Li Po, de trinta e quatro anos, conhecia, como poucos, o Himalaia; já o havia palmilhado inúmeras vezes, e escalado quatro vezes o Qomolangma Feng, ou, como é conhecido no ocidente, Everest, e o Qogir Feng, que no ocidente é chamado de K-2.

Reuniram-se, em Pequim, os aventureiros. O dia, frio. José da Silva encontrou dificuldades para enfrentar o frio enregelante da região; ele, que vivia no Rio de Janeiro e tomava banho de Sol quase todos os dias durante seu período de férias voluntárias entre duas aventuras arrojadas, a temperatura acima de trinta e cinco graus célsius, não suportava a temperatura abaixo de zero graus célsius em Pequim.

Os outros cinco integrantes da expedição moravam em regiões frias; pouca dificuldade tiveram para se adaptarem ao frio da capital chinesa, de trincar os ossos.

Hospedaram-se os aventureiros no apartamento de um amigo, escocês, aventureiro também, que realizava uma viagem ao Pólo Sul, e que lhes cedera o apartamento no qual eles passaram a última noite antes de principiarem a jornada ao Qomolangma Feng.

Na manhã do dia seguinte, prepararam-se para o início da aventura. Cada um deles carregando trinta quilos de apetrechos, retiraram-se do apartamento, e iniciaram jornada rumo a maior cadeia montanhosa do mundo.

Andaram pelas movimentadas ruas de Pequim, pelas quais circulavam muitos veículos automotores e uma quantidade incalculável de bicicletas. Os chineses, curiosos, fitavam aquelas seis figuras exóticas.

Saíram do perímetro de Pequim. Na avenida, encontraram-se com um amigo, que os aguardava. Ele era o motorista do ônibus que os conduziria até a cidade de ***, e dali em diante os aventureiros jornadeariam com raros contatos com a civilização.

Quase um dia depois, chegaram ao ponto marcado. Estavam a mais de dois mil metros de altura acima do nível dos oceanos. Dali em diante, cruzariam com algumas vilas; depois, o Himalaia. Os habitantes dos povoados mais isolados disseram-lhes que já haviam visto Keqyshadi, e declararam que ele, monstruoso, tinha mais de quatro metros de altura. A descrição que de Keqyshadi deram os habitantes da região aos aventureiros correspondia ao que estes ouviram, em povoados e vilas, na China, na Índia, no Nepal e no Butão. Keqyshadi era o Keqyshadi em todos os povoados. O Ieti, por sua vez, era descrito, em cada povoado, com uma aparência; em um povoado descreviam-no como um anão peludo e minúsculo; em outro, como um feroz gigante descomunal de mais de dez metros de altura; em outro, como uma criatura pacífica que ajudava as pessoas e com elas relacionava-se amigavelmente.

Findava o primeiro dia da expedição. O Sol desaparecia atrás das montanhas. Os aventureiros armaram barracas, e nelas ajeitaram-se.

Thomas Smith e Valmiki ficaram em uma barraca. Valmiki, excelente contador de estórias, contou uma dúzia das de seu vastíssimo repertório, mas seu ouvinte ouviu apenas as duas primeiras que ele narrou, pois na metade da terceira, adormeceu profundamente, mas Valmiki não se deu conta de que os seus relatos de As mil e uma noites ele não os apreciava, e só cessou a narração quando o sono o dominou.

José da Silva e Li Po ficaram em outra barraca. Traçaram alguns planos para o dia seguinte, e adormeceram.

Arthur Doyle e Akira, exaustos, assim que deitaram, dormiram.

Na manhã seguinte, Valmiki despertou antes de todos os outros aventureiros, e preparou a refeição, da qual os comensais partilharam; era pitoresca, e estava saborosa.

Os apetrechos arrumados, caminharam os aventureiros, galgando a montanha pelas estradas estreitas que a recortavam, e cruzaram, a longos intervalos, o caminho de algum aldeão, que falava um idioma que apenas Valmiki e Li Po conheciam. Uma família de aldeães hospitaleiros convidou os seis aventureiros para uma refeição. Eles não se fizeram de rogados.

O início da jornada, isento de dificuldades além das comuns em aventuras do gênero. Interromperam-na os aventureiros ao crepúsculo.

*

Nos dez primeiros dias de jornada com nenhuma criatura depararam-se os aventureiros, nem com um lobo das neves, nem com outros animais comuns na região. Conquanto monótonos estes dias, não desistiram do propósito que os impeliram até lá. Valmiki contou muitas estórias, algumas de sua lavra, outras que ouvira de contadores de estórias populares, e outras de suas leituras. Se houvesse, dentre eles, um escritor de talento, ele redigiria um volume adicional às Mil e uma noites.

O frio, à medida que escalavam a montanha, intensificava-se.

Transcorreram-se os dias. Estavam os aventureiros há mais de cinco mil metros acima do nível dos oceanos. Keqyshadi morava nas mais elevadas montanhas, diziam os habitantes daquela desolada região.

*

Os aventureiros palmilharam vasta extensão do Himalaia. Não encontraram vestígios de Keqyshadi, criatura que, como o Ieti, o Pé Grande, o Monstro do Lago Ness, o Boitatá, era dotado de capacidade extraordinária de ocultar-se dos olhos humanos.

Aproximavam-se das mais altas montanhas. A partir de certo ponto não havia mais povoados humanos, nem estradas, nada que lembrasse a civilização. Agora, eram a natureza e os seis homens que a desbravavam.

A camada de neve atingia, em alguns pontos, os joelhos de Akira Kurosawa, o mais baixo dentre os seis aventureiros. Embrulhados nos seus agasalhos apropriados para o frio rigoroso, os aventureiros tremiam. À noite, ouviam ruídos horripilantes. Eram os ventos que cortavam o ar e golpeavam as barracas. Pareciam-lhes assobios de uma criatura espectral, sinistra, que desejava bani-los daquele reino, que não era o deles. Calafrio percorreu a espinha dos seis aventureiros. Valmiki narrava estórias maravilhosas, agora alimentadas pelo ambiente, e espantava o medo que os atingia. Quando não contava estórias, meditava, contemplava a região e recitava trechos do Mahabarata e do Ramayana.

Transcorreram-se os dias. Nenhum sinal de Keqyshadi. Os aventureiros continuariam a percorrer o Himalaia, segundo o plano traçado de antemão, até encontrarem o Keqyshadi, ou provas de que ele existia.

Enfim, chegou o momento de enfrentar Qomolangma Feng. Ousaram desafiá-lo. Invadiriam o reinado de Keqyshadi. Iriam ao pico de Qomolangma Feng. Keqyshadi lá vivia, acreditavam, em uma caverna escondida por espessa camada de neve.

Antes de principiarem a escalada de Qomolangma Feng, descansaram. O Sol ainda não havia se posto. Armaram as barracas, e, aquecidos pelas vestimentas, no interior das barracas dormiram. Acordaram, no dia seguinte, minutos antes do meio dia, recompostos, decididos a escalar a montanha.

Valmiki encabeçava a fila. Seguiam-lo José da Silva, Thomas Smith, Li Po, Arthur Doyle e Akira Kurosawa, nessa ordem. Eram cuidadosos. E redobraram a atenção.

Quase esgotados de forças, escalaram um dos trechos mais íngremes do Qomolangma Feng. Dos seis, Thomas Smith era o que mais havia se desgastado; no entanto, ele não parou para descansar. O frio poderia matá-lo, se ele perdesse a consciência, ou adormecesse.

Os ventos sopravam mais fortes. Não havia sinal de animais. Li Po, dentre os expedicionários o de ouvidos mais apurados, distinguiu um ruído, que destoava do ambiente. Arrepiou-se de imediato dentro da vestimenta, que o protegia do frio enregelante. Acenou para os outros companheiros, que cessaram a escalada.

Nuvem espessa começava a cobrir a região, impedindo os aventureiros de verem o que estava logo à frente deles. Da direção da qual Li Po acreditava que lhe chegara o ruído que lhe atraíra a atenção, chegou-lhe uma série de ruídos. Fixou o olhar, no horizonte, para distinguir qualquer coisa, no tapete branco que cobria a montanha. Nada encontrou. José da Silva disse-lhe que ele se enganara, iludido pelo cansaço e pela fome. Era uma alucinação. Valmiki e Arthur Doyle secundaram-lo. Mudaram de opinião quando ouviram um ruído estranho. Arregalaram os olhos e perguntaram-se que ruído era aquele. Li Po sorriu, vitorioso.

E pela terceira vez Li Po ouviu o estranho e indefinível ruído. Era a voz de Keqyshadi? Valmiki e Li Po disseram que o ruído era a voz de alguma fera, de uma fera, salientaram, que não existia. Valmiki explicou o que desejava dizer com tais palavras. E Li Po as acentuou. Era a voz de um animal. Não era, concluíram, som produzido pelos ventos. Era o som de alguma fera desconhecida dos humanos. Talvez o rugido de Keqyshadi. Ou de outra fera desconhecida dos humanos.

Se encontrassem pegadas na neve! Seguiram na direção da qual chegou-lhes o ruído. Entusiasmados, negligenciaram cuidado. Thomas Smith afundou-se, em um trecho, na neve, que o encobriu, e ele quase foi carregado encosta abaixo. Valmiki, atento, segurou-o. E os expedicionários conseguiram, com muito esforço, erguê-lo e salvá-lo.

No princípio da noite, os ventos sopravam mais intensos. Os aventureiros encontraram um ponto, na encosta, que lhes oferecia segurança, e nele montaram as barracas, fixando-as no solo. Nenhum deles conseguiu dormir, pois imaginavam Keqyshadi a rondar as barracas. Temiam que ele os atacasse.

Na manhã seguinte, Valmiki, ao sair da barraca, viu um vulto imenso em meio à nuvem que cobria a região. Assustado, gritou para os seus companheiros, que se retiraram, imediatamente, das barracas, e olharam para a direção que Valmiki apontava. Valmiki disse que vira uma criatura de mais de três metros de altura. Os outros aventureiros recolheram as barracas, e caminharam na direção que Valmiki apontava. Ouviram uma voz estranha. Todos eles a ouviram ao mesmo tempo. Havia, lá, uma criatura. Inclinaram-se a acreditar que se tratava de Keqyshadi. Akira aventou a hipótese de tratar-se de Ieti, e Valmiki perguntou-lhe porque encontrariam o Ieti, se procuravam o Keqyshadi, e por que não encontraram o Ieti quando o procuraram. Akira não lhe deu resposta.

Andaram, cautelosamente, na direção da qual chegou-lhes a voz estranha. Os fortes ventos e a impossibilidade de ver um metro diante dos olhos os obrigavam a prosseguir em velocidade reduzida. Além dos assobios dos ventos, nada mais ouviam.

Deslocaram-se poucos metros. Ruídos atraíram-lhes a atenção. Pareceu-lhes que a criatura que estava nas proximidades tinha o cuidado de não se lhes revelar; movia-se com cautela.

Akira, que estava atrás de todos os aventureiros, rumou à direção da qual a voz lhes chegara aos ouvidos. Olhava, apavorado, de um lado para o outro. De repente, sentiu, nas costas, uma forte pancada, que o arremessou contra José da Silva, logo à sua frente, e os dois esbarraram em Li Po. Caíram os três. Li Po escorregou pela encosta suave; Valmiki agarrou-o. Thomas e Arthur o ergueram. Refeitos do susto, perguntaram para Akira o que lhe acontecera. Mal conseguindo articular as palavras, ele lhes disse que lhe atingiu-o as costas forte pancada. Alguma criatura – inteligente, presumiram – os tocaiava. Acreditaram que Keqyshadi anunciara-se – nenhum deles o viu, mas não lhes restava dúvida: Keqyshadi estava próximo deles.

Vasculharam a região que a visão alcançava. Desnorteados, desorientados, perderam a noção de direção e de espaço.

Valmiki, olhos apurados, viu um vulto aproximando-se de si. Boquiaberto, apontou-o. José da Silva perguntou-lhe o que ele via, e viu o vulto, grande, a poucos metros de si, e correu, imprudentemente, em direção a ele. Valmiki agarrou José da Silva pela gola da jaqueta, que se lhe escapou. E José da Silva correu no encalço do vulto. Thomas, Arthur e Akira gritaram-lhe que não fosse na direção da criatura. José da Silva desapareceu.

Transtornados, os cinco aventureiros não sabiam o que fazer. Permaneceram, não se sabe por quanto tempo, imóveis, irresolutos.

Estavam nas proximidades de uma encosta. Poucos metros depois deles, um declive. Retiraram-se de lá, e buscaram proteção. Armaram as barracas. Não dormiram. Esperavam que José da Silva regressasse. Akira teve uma previsão funesta: José da Silva morreu na montanha. Qomolangma Feng era o seu túmulo.

Na manhã seguinte, eles não desarmaram as barracas. Permaneceriam lá, durante dois dias, à espera do regresso de José da Silva.

Escasseavam os provimentos. Os aventureiros não poderiam esperar, indefinidamente, por José da Silva, ou todos eles morreriam.

Thomas disse que teriam de principiar a descida. Valmiki sugeriu que esperassem por José da Silva mais um dia. Decidiram esperá-lo.

Poucas horas depois, ouviram uma voz abafada pelo assobio dos ventos. Reconheceu-a Li Po. Era a voz de José da Silva.

Logo depois, José da Silva apareceu diante deles, entusiasmado. Dizia, ofegante, mal articulando as palavras, que viu Keqyshadi à boca de uma caverna a pouco mais de cem metros de onde eles se encontravam. Thomas esqueceu do seu desejo de surrar José da Silva, e perguntou-lhe se ele poderia conduzi-los até a caverna.

Tomando a dianteira da fila indiana, José da Silva conduziu-os até a caverna na qual dissera haver encontrado o Keqyshadi. À boca da caverna, acionaram as lanternas, iluminando-lhe o interior. E cautelosos, e preparados para qualquer eventualidade, na caverna entraram. E nada encontraram. Nenhum sinal de Keqyshadi. Nem pegadas que indicassem a existência dele. O silêncio, absoluto.

Ouviram, enfim, um ruído. Olharam para a boca da caverna. Os ventos assopravam fortes. Ouviram um assobio estridente. À boca da caverna, um vulto. Abismados, olhos arregalados, fitaram-lo os aventureiros.

O vulto desapareceu do mesmo modo que surgira. Os ventos assopravam, intensos. Os assobios, altissonantes. Uma voz invadiu a caverna na qual estavam os seis aventureiros. Os ventos, cada vez mais fortes. Lá fora, furioso, o clima. Os ventos, mais fortes. De repente, apagaram-se as lanternas, e a escuridão reinou na caverna. E enfraquecia-se a respiração dos seis aventureiros.

E o silêncio reinou absoluto em Qomolangma Feng.

Maldita Parentela – de França Júnior

Nesta peça, o autor trabalha um tema recorrente em sua obra: o desencontro entre pai e filha, aquele à procura de um consorte rico para esta, e esta apaixonada por um homem, que lhe responde à paixão, comum, sem posses, de baixa extração social, digno e correto. A trama ocorre na casa de Damião Teixeira e Raimunda; eles acolhem a nata da sociedade e parentes, para uma festa. Lá estão, para o prazer de Damião Teixeira, o Comendador Pestana, o Visconde, o Conselheiro Neves, o Chefe de Polícia da Corte, e outras personalidades da nata da sociedade fluminense, e, para o seu desprazer, e desespero, parentes de sua esposa, pessoas que ele, um homem que se tem na conta de pessoa sofisticada, mas que se revela um toleirão presunçoso, e que pede o convívio exclusivo da aristocracia, despreza. Basílio, irmão de Raimunda, e suas filhas, Laurindinha, que está sempre a achar graças de tudo e a gargalhar, e Cocota, moça ranzinza e grosseira, sempre a se queixar; e Cassiano Vilasboas, primo de Raimunda, estouvado e atrapalhado; e Desidério José de Miranda, tio de Raimunda, e sua filha, Hermenegilda Taquaruçu de Miranda, que, pernóstica, passa por ridícula com sua linguagem artificialmente sofisticada, são alguns dos parentes de Raimunda que comparecem à festa.

O dia em que se dá o evento festivo é chuvoso, e os parentes de Raimunda, todos simplórios, encontrados nas camadas baixas da sociedade, promovem cenas dignas de boas comédias, e contrastam com o ambiente social que Damião Teixeira quer emprestar à festa. Tais personagens se movem, desembaraçados, ingenuamente indiferentes à reação dos outros convidados.

Damião Teixeira deseja casar Marianinha, sua filha, com Joaquim Guimarães, homem de posses, que, segundo Damião Teixeira, é um tolo e ignorante, mas, por conveniência – ele é rico – quer dar-lhe a filha por esposa; Marianinha, por sua vez, contrariando a vontade de seu pai, quer se casar com Aurélio. Desidério José de Miranda apresenta Hermenegilda, sua filha, ao rico Joaquim Guimarães. E dá-se uma disputa silenciosa entre Damião Teixeira e Desidério José de Miranda, ambos a abordarem Joaquim Guimarães, para lançá-lo aos braços de suas filhas, aquele, nos de Marianinha, este, nos de Hermenegilda.

Durante a festa, dão-se cenas engraçadas, umas protagonizadas pelo desastrado Cassiano Vilasboas, outras por Joaquim Guimarães, e outras por Laurindinha, sempre a gargalhar, sempre a achar graça em tudo, até nos contratempos. E ao final da peça, de um ato, desembaraçado em vinte e duas cenas, França Júnior reserva ao leitor uma surpresa.

O Capitão dos Andes (História Pitoresca de um Caudilho) – de Raymundo Magalhães Júnior

Prendeu-me este livro a atenção, e desde a primeira página. E com a leitura, interrompida poucas vezes para a execução de algumas atividades, e para dormir uma noite, aumentava o meu apreço pelo livro, que me surpreendeu favoravelmente, e pelo autor, que se me revelou um escritor primoroso, dotado de recursos literários que lhe permitem o controle da narrativa, a correta exposição da trama, e a exibição das personagens, que se revelam em sua integridade. Pediu-me, melhor, exigiu-me, o livro leitura dedicada, atenta, o que nenhum esforço me custou, afinal, além de escrito com esmero, não descarrega informações que em nada o enriquecem. E não moveu o autor a pretensão de escrever uma obra imorredoura; ele se limitou a romancear um fato histórico sucedido, em meados do século XIX, na Bolívia.

É O Capitão dos Andes (Histórica Pitoresca de um Caudilho) um romance histórico. É pitoresca, e patética, ridícula, tragicômica, a história de Dom Manuel Mariano Melgarejo, que é identificado ora como Dom Mariano, ora como General Melgarejo. A aventura se deu em meados do século XIX, o Brasil então sob o Império de Dom Pedro II. Político aventureiro, de mentalidade totalitária, bate-se Dom Manuel Mariano Melgarejo, numa guerra caudilhista, com Isidoro Belzu e é por ele derrotado. Seu inimigo não era flor que se cheirasse. E Dom Manuel Mariano Melgarejo não se lhe sobressaía em virtudes. Embora suplantado em combate pelo seu rival, acaba por eliminá-lo numa ação arriscada, temerária, surpreendentemente bem-sucedida: o da invasão do Palácio do Governo, em La Paz, empregando artifícios grosseiros que se lhe revelaram favoráveis.

Após assumir o poder na Bolívia, Dom Manuel Mariano Melgarejo empreende ações que lhe satisfazem as ambicões totalitárias. Conhece Juanita Sanchez, moça de atrativos que o seduzem, e ele, mesmerizado pela beleza de tal moça, pobre, órfã de pai, vivendo com a mãe, na companhia de um irmão e uma irmã, e que vivia da pouca renda que auferia de um botequim, adota-a como a sua preferida, convertendo-a na Dona Juanita Sanchez, a única pessoa que tem o poder de lhe impor a vontade e impeli-lo a reconsiderar algumas de suas ações assassinas. Não demora muito tempo, enfrenta sedições, que nascem da urdidura conspiratória de Castro Arguedas (e de outros aventureiros), que o confronta em batalha sangrenta, e o derrota.

À medida que amplia-se o seu poder com a eliminação de seus adversários e com a subjugação da aristocracia de La Paz, Dom Manuel Mariano Melgarejo intensifica a política plenipotenciária, massacra os dissidentes, rouba aos nativos suas terras, deporta os insubmissos, dissipa os recursos públicos, humilha o povo; todavia, na mesma proporção do seu ganho de poder aumenta o descontentamento da população, que deseja alijá-lo do Palácio do Governo, mas que, sem os meios para empreender a ação que resultará em tal ato, resigna-se. E sucedem-se as expropriações de propriedades e de terras, sob a responsabilidade do General Antezana, que, na sua caça aos índios, invade território peruano, criando um incidente diplomático com o governo peruano. No uso da força, conquista Dom Manuel Mariano Melgarejo a lealdade da imprensa. E seguem-se as orgias, as bebedeiras, no Palácio do Governo. E para agradar Dona Juanita Sanchez, que deseja brilhar na alta sociedade, aritocrática, de La Paz e comprar-lhe jóias e vestidos suntuosos, confisca propriedades e arquiteta uma tama, que consiste numa falsa acusação de conspiração contra os aristocratas de La Paz que não se lhe haviam curvado, submissos. E tão bem urdida, que os subjuga. Após ameaçar matá-los, finge atender às súplicas das esposas deles, e liberta-os.

Tem, agora, Dom Manuel Mariano Melgarejo, os aristocratas sob sua vontade, todos a se genuflexionarem diante dele, reverentes e amedrontados, e de Dona Juanita Sanchez, que passa a ser admirada pelas aristocratas, que antes a desdenhavam. E seguem-se as deportações dos inimigos do governo. E os massacres. E os fuzilamentos.

Ao mesmo tempo que se dedica às negociações com o Conselheiro Lopes Neto, representante do Império do Brasil, acerca das demarcações fronteiriças entre a Bolívia e o Brasil, Dom Manuel Mariano Melgarejo, antes de convocar uma Assembléia Constituinte e votar nova constituição (que perderia validade logo após promulgada, pois ele considerava-a um empecilho à sua ambição de exercer plenos poderes), eliminou da vida pública, com exílio ao Chile e ao Peru, e à morte, seus adversários. Promulgada a Nova Constituição, que ele revogou após um louco atacá-lo, aproveitou, sem titubear, do incidente, e gritou aos quatro ventos que havia contra seu governo uma conspiração, que ele cuidou abortá-la em seu nascedouro. E seguiram-se massacres, fuzilamentos, expropriações de terras. E sublevações de índios. E sedições.

O povo, massacrado, humilhado, na iminência de ser dizimado, encontra forças, que se acreditava inexistentes, para reagir contra Dom Manuel Mariano Melgarejo, o homem que o maltratava com crueldade diabólica e de quem a imprensa local escrevia hagiografias.

A história do caudilho boliviano revela o que há de mais tétrico, de mais asqueroso, de mais repulsivo, de mais condenável, de mais insano, de mais doentio, na alma dos homens dotados de mentalidade revolucionária, totalitária. Narra a vida de um homem que, na presunção de entender-se um ser superior, uma entidade privilegiada provida de poderes divinos, dotado do poder de governar o mundo, revela-se, não o ser supremo que ele pensa ser, mas um sujeito reles, minúsculo, desprezível, patético, ridículo, o suprassumo da animalidade humana. É Dom Manuel Mariano Melgarejo um emblema do caudilho e de todos os homens que almejam o poder absoluto.

Merece O Capitão dos Andes (História Pitoresca de um Caudilho), de Raymundo Magalhães Júnior, leitura atenta e divulgação. É livro de escritor consciencioso. De leitura agradável. E instrutivo.

O Tipo Brasileiro – de França Júnior

Nesta comédia, França Júnior apresenta o antagonismo entre duas personagens, Teodoro Paixão, pai de Henriqueta Paixão, e Henrique, pretendente à mão de Henriqueta Paixão. É Teodoro Paixão fervoroso adorador de estrangeirismos. Compara o povo do Brasil, e sua cultura, sua língua, seus hábitos, seus costumes, com o povo da Alemanha, da França, da Inglaterra, da Itália, e a cultura, língua, hábitos e costumes deles e entende o povo do Brasil e tudo o que brota em terras brasileiras inferior aos seus similares estrangeiros. Para ele, o povo brasileiro é fútil, bárbaro, leviano, indolente, imerecedor de crédito, e seus valores desprezíveis, irrelevantes. E Henrique se lhe opõem, veemente, em defesa do Brasil e dos brasileiros. Henrique detecta, em seu antagonista e nos tipos que se lhe equivalem, um mal, de ontem e de hoje, que muito prejuízo dá ao Brasil: a ignorância que têm os brasileiros de seus heróis, seus literatos talentosos, seus compatriotas geniais, que construíram, no transcurso de suas vidas, obras meritórias, de valor imperecível. Tal crítica de Henrique aos brasileiros não perdeu, no decorrer de mais de um século após a publicação desta peça, o seu valor; os brasileiros ainda hoje valorizam muito produto estrangeiro desprovido de valor e desvaloriza os equivalentes nacionais que lhes são superiores e dá mais valor a artistas, escritores, músicos estrangeiros medíocres e desdenham os concorrentes brasileiros melhores e mais talentosos e criadores de obras superiores.
Não querendo flertar com patriotadas, há de reconhecer todo brasileiro sensato, que preserva o senso de justiça, capaz de dar a cada obra o seu valor justo, que o brasileiro produz, na literatura, na música, na ciência, obras de valor superior às de muitos estrangeiros que enaltecem, idolatram.
Abandonemos as lamúrias, e tratemos da peça de França Júnior. Desenrola-se a peça, num ato, em treze cenas. Além do desencontro das opiniões de Teodoro Paixão e Henrique acerca do tipo brasileiro, há outro ponto que promove atrito entre as duas personagens: devido ao seu desprezo mortal pelos brasileiros e seu amor irracional pelos estrangeiros, Teodoro Paixão quer que sua filha se case com Mr. John Reed, bretão, engenheiro, que pretende se lançar numa aventura empresarial. Henrique, no entanto, não desiste de seu propósito: o de se casar com Henriqueta Paixão. E para alcançar tal fim, idealiza um projeto – simultaneamente produto da perspicácia e da insensatez de um homem apaixonado -, que, pensa, irá obrigar seu rival a se exibir com sua verdadeira face aos olhos da mulher amada e do pai dela. E o projeto concebido por Henrique, projeto que segue uma direção que ele não previu, o acaso a providenciar-lhe o bom sucesso da empreitada, propicia uma cena hilária.

O Jogo Mais Bem Jogado Pelos Melhores Jogadores Do Mundo – escrito por Alessandro Cassarrato – publicado no Zeca Quinha Nius

O jogo de futebol entre os times Mordepescoço e Covardeéocapeta começou às dez para às dez, dez minutos antes das dez, o que corresponde a seiscentos segundos antes das dez.Todos os torcedores que foram ao estádio assistiram, de dentro do estádio, ao jogo que assistiram, e os que não foram ao estádio e, mesmo assim, assistiram ao jogo, assistiram ao jogo de outros lugares que não o interior do estádio. Nas arquibancadas, os torcedores; no campo de futebol, os jogadores, o árbitro, os bandeirinhas; e, nos dois bancos de reserva, os jogadores reservas e o técnico e o massagista, e o auxiliar-técnico, e o auxiliar técnico do auxiliar técnico. Quarenta e cinco minutos após o início do primeiro tempo, o primeiro tempo encerrou-se, e quinze minutos depois começou o segundo tempo, que se encerrou depois de transcorridos quarenta e cinco minutos. Durante o jogo, os jogadores chutaram a bola, e a cabecearam, e a joelharam, e a cotovelaram, e a barrigaram, e a tornozelaram, e a manusearam.Nove coisas do jogo chamaram a atenção dos torcedores:1, o gramado, que era verde;2, o árbitro, que correu e se posicionou bem, e não atrapalhou os jogadores;3, o técnico, que não berrou feito doido;4, o auxiliar-técnico, que auxiliou o técnico;5, o auxiliar-técnico do auxiliar-técnico, que auxiliou o auxiliar-técnico;6, os jogadores reservas, que substituíram os jogadores titulares, que, por sua vez, foram por eles substituídos;7, os bandeirinhas, que correram sempre ao lado de fora do campo de futebol;8, as redes dos gols, que impediram a bola, quando ela entrou no gol, de cair longe do gol; e, por último, mas não o menos importante,9, as linhas bancas que marcam as marcas que limitam o campo de futebol são brancas.Durante o jogo, choveu água, e muita água, água transparente, pingos e mais pingos, todos eles pingando do céu onde havia muitas nuvens. A chuva caiu, mas caiu com tanta força, que parecia que o chão ia desabar. Todavia, a chuva não impediu que os jogadores jogassem futebol, e chutassem a bola, que era redonda, diga-se de passagem.O jogo foi espetacular. O melhor jogador do jogo foi o camisa dez do Mordepescoço, Joaquim Dentedessabre, que se destacou porque, além de marcar quatro gols, mordeu o pescoço de três jogadores do Covardeéocapeta; e o melhor jogador deste time foi o camisa sete, Marcantônio Derrubaposte, um grandalhão de dois metros da cabeça aos pés – considerando-se o chão como a base -, que trombou nos onze jogadores do Mordepescoço, e no árbitro, e nos bandeirinhas, e nos gandulas, e nos jogadores reservas, e nos fotógrafos, derrubando todos eles, e esmagando sete. Foi um espetáculo de doer.O placar, quando, aos sete minutos do primeiro tempo, Ronaldo Pançadepanda, camisa nove do Covardeéocapeta, marcou um gol, com uma cabeçada com a cabeça na bola, e a bola passou entre as mãos de Rogério Seguraquiabo, e acertou a rede pela parte de dentro, marcou Mordepescoço 0 x 1 Covardeéocapeta; e aos vinte e dois minutos, quando Edson Calcanhardeaquiles, com lance genial, marcou um gol, chutando a bola de fora da grande área, com força, muita força, mais força, até, do que a necessária para a bola ir de onde ele a chutou até o gol, em cuja rede ela parou, o placar marcou Mordepescoço 1 x 1 Covardeéocapeta. Depois disso, só deu o Mordepescoço.Joaquim Dentedessabre, aos vinte e sete minutos, marcou um gol; e aos trinte e três, mais um; e aos quarenta e quatro, mais um; e mais um ele marcou nos acréscimos, pouco antes de o árbitro assoprar o apito. E o segundo tempo não foi diferente: Só deu o Mordepescoço. E o placar final foi Mordepescoço 7 x 1 Covardeéocapeta. Um jogo para entrar para a história, e para nunca ser esquecido, mas será… pelos jogadores do Covardeéocapeta. Infelizmente, eles não abaixarão a crista. 

O Mundo de Olavo Bilac, de Henrique A. Orciuoli; e, Olavo Bilac: Vida e Obra, de Osmar Barbosa

O livro de Henrique A. Orciuoli, dos dois aqui tratados o primeiro que li, está vazado numa prosa poética, que reproduz a simplicidade da poesia do biografado, o Príncipe dos Poetas Brasileiros, infelizmente hoje em dia pouco lido e lamentavelmente difamado pelos seres que, além de desprovidos de talento poético, adoradores de imundícies escatológicas, odeiam o que há de melhor, mais valioso, mais belo, na cultura brasileira. A prosa do autor é em si mesma uma homenagem a Olavo Bilac. Conta-nos Henrique A. Orciuoli, numa prosa poética acessível a qualquer pessoa minimamente ilustrada, a angústia de Olavo Bilac, seu amor por Amélia, irmã de outro herói da poesia brasileira, Alberto de Oliveira, que, do mesmo modo que o autor de O Caçador de Esmeraldas, é ignorado pelos incultos e vilipendiado pelos que tiveram sua formação intelectual feita pelo que há de pior do que não sei se é certo chamar de literatura moderna. Olavo Bilac amava, apaixonada e doentiamente, Amélia, seu eterno amor. Noivaram o poeta e sua amada, também poetisa, e irmã de poetas, mas não chegaram ao enlace matrimonial por obra de Juca, irmão mais velho de Amélia, e da mãe dos Oliveiras, a viúva Dona Saninha. Os dissabores do poeta são angustiantes. Dói-se o coração de Bilac, alma sensível e imaginosa; e o poeta sofre até no leito de morte, Amélia a mover-se em sua imaginação, a agitar seu coração.

Além de falar da paixão de Olavo Bilac e Amélia, da hostilidade inexplicável de Juca, que não queria o casamento de sua irmã com o autor de Via-Láctea, Henrique A. Orciuoli reproduz poemas de Bilac e de Amélia, e dá notícia do embrião da Academia Brasileira de Letras, a casa dos Oliveiras, a “Engenhoca”, local privilegiado frequentado pela nata da cultura de então.

Resume a biografia, de um pouco mais de cem páginas, ao amor entre Bilac e Amélia, dedicando poucas palavras a outras atividades do Príncipe dos Poetas Brasileiro. Lê-se o livro como se lê um romance; aliás, é o livro um romance, um romance de personagens reais que enriquecem a história do Brasil.

Tem o livro de Osmar Barbosa, Olavo Bilac: Vida e Obra, dimensões, em páginas, próximas das do livro de Henrique A. Orciuoli, e, ao contrário do deste, não se prende ao romance de Bilac e Amélia. Apresenta um panorama mais amplo da vida do Príncipe dos Poetas Brasileiros. Dá notícia do nascimento dele, em ano em que se desenrolava a Guerra do Paraguai; e do seu tirocínio com o Padre Belmonte, e de seus estudos no Colégio Vitório; fala-lhe, rapidamente, da mãe, D. Delfina Belmira dos Guimarães Bilac, e do pai, Dr. Brás Martins dos Guimarães Bilac, que o queria médico e que dele se afasta devido à reprovável vida errônea e boêmia que ele, Bilac, prodigalizava na companhia de amigos. Fala, também, o autor do abandono, por Olavo Bilac, do curso de medicina, e de seu ingresso na Faculdade de Direito; e de sua amizade com Alberto de Oliveira, José do Patrocínio, Raul Pompéia, Artur Azevedo, Paula Nei, Emílio de Menezes, Coelho Neto; e da sua paixão por Amélia; e da sua admiração por Gonçalves Dias; e de suas viagens à Europa; e do seu encontro com Eça de Queirós; e de seu trabalho de inspetor escolar; e da sua participação na fundação da Academia Brasileira de Letras; e de suas conferências a favor do escotismo, do serviço militar obrigatório, da abolição dos escravos; e das adversidades enfrentadas porque desprovido de recurso pecuniários para se manter; e de suas prisões; e do seu envolvimento em duelos literários, em defesa de Gonçalves Dias, contra Lúcio de Mendonça, e na guerra entre parnasianos e simbolistas; e de sua ação a favor de José do Patrocínio e contra o Marechal Floriano Peixoto; e de seu reencontro, em 1910, na casa do Professor Hemetério dos Santos, que aniversariava, com sua amada Amélia de Oliveira, vinte e dois anos após o encontro anterior. E adiciona brindes ao leitor o autor Osmar Barbosa: algumas anedotas da vida do autor de Via-Láctea, a reprodução de uma crônica que o maior dos poetas parnasianos brasileiros escreveu acerca de seu encontro com Eça de Queirós, e um conto infantil, O Velho Rei, de autoria de Bilac.Os dois livros são de pessoas que admiravam Olavo Bilac.

Enquanto Henrique A. Orciuoli ocupa-se do amor, eterno amor, do Príncipe dos Poetas Brasileiros por Amélia, Osmar Barbosa fala de outras questões que lhe enriquecem a biografia. O primeiro foi bem-sucedido em seu objetivo ao concentrar-se no mundo do maior poeta parnasiano brasileiro, o mundo em que Amélia ocupava a mente e o coração do poeta; e o segundo, de escopo mais amplo, fez o tema do amor de Bilac por Amélia secundário. Ambos escritores de boa, bem cuidada, prosa, seduzem o leitor; transcrevem poesias de Bilac, e ensinam uma inestimável lição aos leitores: é impossível entender as poesias se não se conhecer a vida dos poetas. A poesia de Olavo Bilac é melhor compreendida se se conhecer suas atividades, e muito de sua obra poética alude à Amélia, sua Beatriz.

São O Mundo de Olavo Bilac, de Henrique A. Orciuoli, e Olavo Bilac: Vida e Obra, de Osmar Barbosa, dois livros simples, que abrem aos amantes da literatura as portas que dão acesso à vida, ao coração do Príncipe dos Poetas Brasileiros. 

O Defeito de Família – de França Júnior

Divertida comédia de França Júnior, um mestre do humor. O autor deveria figurar no panteão dos heróis das letras nacionais. Ele sabe, com a desenvoltura dos mestres da comédia, desenrolar, graciosamente bem, uma simples, despretensiosa trama animada por tipos hilários. Espirituoso, nesta peça de um ato, desembaraçado em vinte e cinco cenas, França Júnior presenteia os seus leitores com um conto de humor, um, pode-se dizer, causo folclórico, que se resume à gostosa confusão originada de suspeitas infundadas. Protagonizam a aventura três pessoas de uma família, Matias Novais e Gertrudes Novais, marido e mulher, e Josefina Novais, a filha do casal, e um criado da família, de nome impronunciável, Ruprecht Somernachtstraumenberg, e Artur de Miranda, noivo de Josefina Novais, e André Barata. Há, para se revelar, indica a peça no seu título, um defeito de família, na família dos Novais, defeito que é conservado oculto do público a sete chaves.
França Júnior urdiu, inspirado, uma trama simples, divertidíssima, sem ingredientes que lhe emprestem ar artificial. É a trama simultaneamente verossímil e inverossímil.
Criador de personagens inesquecíveis sobrecarregados de traços facilmente identificáveis em tipos singulares encontrados na sociedade, dando provas de sua perspicácia de observação, e de seu talento para avaliar as pessoas, e destacar, delas, os aspectos que melhor as identificam para transfigurá-las em personagens de suas comédias, França Júnior apresenta, nesta peça, Matias Novais, homem de hábitos simplórios, pouca formação intelectual, dotado de escassa, ou nenhuma, inteligência, inculto, bom marido e bom pai. É do elenco pequeno a personagem mais cativante, desenhada pelo autor com poucos traços, os suficientes para apresentá-lo ao leitor em toda a sua integridade.
E o desfecho desta comédia, impagável, parece saído dos filmes do Gordo e o Magro, e de Os Três Patetas.

Stuart Little – de E. B. White

É Stuart Little o segundo filho dos senhores Little; é seu irmão George. Tem o pequeno Stuart a aparência de um camundongo. E vive em Nova York. É amado pelos seus pais e seu irmão; e não goza da estima do felino da família, o Bolo-de-Neve, um gato branco que almeja dar-lhe fim.
Tem mais de três anos de idade quando resolve experimentar fortes emoções. Sai da sua casa, certa manhã, e ruma ao Central Park, onde, a marinheiro, no tanque dos veleiros, participa de uma corrida de veleiros em miniatura. Comanda a escuna Vespa, miniatura de escuna, adornada com uma bandeira dos Estados Unidos da América e munida de um canhão, e cujo dono é o doutor Paul Carey, dentista e construtor de miniaturas. É seu oponente um menino, Le Roy, de doze anos, gordo e mal-humorado, que governa o veleiro Lilian B. Vomrat.
Anos depois, além de outros capítulos de sua vida atribulada, estabelece amizade com Margalo, fêmea de passarinho, que salva-o, certo dia, quando ele, após sair de sua casa a passeio de patins, para fugir de um terrier irlandês esconde-se numa lata de lixo, é despejado, junto com o conteúdo desta, num caminhão de lixo, e, depois, numa barcaça de transportar lixo – estava Stuart nesta embarcação, sendo carregado não sabia para onde, quando sua amiga vem em seu socorro. E em outro episódio, Margalo, informada, por um pombo, que Bolo-de-Neve e uma angorá pretendiam devorá-la, foge. E Stuart Little sai-lhe à procura. E pede ajuda ao doutor Carey, que o presenteia com um carro em miniatura movido à gasolina que conta com o recurso da invisibilidade. E aqui tem início as aventuras do pequeno Stuart.
A edição da Editora Martins Fontes, que li para escrever esta resenha, tem mais de oitenta ilustrações, em preto e branco, de Garth Williams.

… e Pindamonhangaba progride.

Pindamonhangaba era uma cidade atrasada. Repito: Pindamonhangaba era uma cidade atrasada. E por que digo que era Pindamonhangaba uma cidade atrasada, e não digo que ela é uma cidade atrasada? Ora, porquê!? Há poucos dias, inauguraram aqui em Pindamonhangaba, a minha querida Princesa do Norte, um estabelecimento comercial, um supermercado, que tem, em seu interior, uma escada rolante. E que funciona. Na verdade, é uma rampa rolante, e não uma escada rolante. Mas tal detalhe não vem ao acaso. É a primeira escada – quero dizer, rampa – rolante erguida aqui em Pibdamonhangaba. Agora, todos os pindamonhangabenses podemos, orgulhosos, bater no peito, e anunciar aos quatro ventos: “Temos escada rolante!” E Pindamonhangaba converte-se numa das raras cidades do interior de São Paulo que entraram, e de cabeça, na modernidade. É o progresso. Não é uma escada rolante, eu sei; é uma rampa rolante; para todos os efeitos, todavia, é a rampa uma escada, e rolante. Viva o progresso!

Mensagem do meu amigo Barnabé Varejeira – O Dodó Doido

Cérjim, meu amigo, ôje conto p’ocê uma instória do Dodó Doido. Ocê asselembra dele? O Dodó Doido é aquele doido-varrido que vive de caçá sapo no cemitério. E agora, Cérjim, alembrôusse dele? Pois saiba que agora aquele doido-de-pedra, além de caçá sapo, deu-se na cachola, e no bestunto, a mania de caçar rã. Ônte ele correu pelas rua do bairro, de um lado pr’ôtro, berrando, como um endoidecido: “Achei rã que voa! Achei rã que voa! Achei rã que voa!” Só fartava anunciá a notícia no jornal. E ele carregava com ele um bicho, bicho que ele mostrava pá todo mundo. E eu, o Gumercindo, o Tião e o Mané Marreco ‘tava na praça, jogando truco, e veio até nós cuatro o Dodó Doido, que, enquanto nos exibia, pá nós vê, o bicho que tinha consigo, berrava, ferindo-nos os tímpano: “Achei rã que voa! Achei rã que voa! Achei rã que voa!” Olhamos bem po bicho, po bicho, que fique bem entendido, que o Dodó Doido trazia nas mão, e não po Dodó Doido, que também é um bicho, um bicho bem doido; então, prossigo, olhamos po bicho, e olhamos bem, e não ficamos espantado com o que vimos; e olhamos nós cuatro cada um de nós pá os ôtro três, mas pá cada um dos ôtro três de cada vez e não pá os três de uma vez só, e sorrimos. E falamos todos de uma vez, como se fosse combinado de antemão, po Dodó: “Dodó, esse bicho nas sua mão não é uma rã; é um morcego.” E o Dodó Doido, doido que só ele, saiu como quem não qué nada e quem nada tinha ovido, com o refrão: “Achei a rã que voa! Achei a rã que voa! Achei a rã que voa!” E o Mané Marreco observô: “Daqui a pôco o Dodó vai cacá perereca, pegá uma, e dizê que é um tamanduá.” Pois é, Cérjim, o Dodó ‘tá cada dia mais doido. Vãmo rezá p’alma dele.

Poder Global e Religião Universal – de Juan Claudio Sanahuja – Ecclesiae – 1ª edição – Maio de 2.012

É esquiva a linguagem que os Senhores do Universo, que ambicionam o poder absoluto, usam com o fim de ocultar, dos povos de todo o mundo, seus verdadeiros objetivos, criminosos, assassinos, que eles escondem atrás do véu das, assim dizem, boas intenções, políticas humanitárias. Tais potentados jamais são explícitos em seus propósitos, pois, se o fossem, os revelariam ao mundo, e sofreriam a rejeição imediata, contrária, hostil daqueles que eles almejam submeter aos seus desejos recrimináveis; daí empregarem artifícios semânticos para de suas vítimas escondê-los, coonestando-os, e assim persuadindo-as a abandonarem suas crenças milenares, seus valores mais estimados, seu amor pela família, sua paixão pelo chão que pisa, do qual retira o alimento que as sustenta, cooptando-as a ingressarem, sem que o percebam, no exército que irá roubar-lhes tudo o que elas têm de mais precioso, destruí-las, matá-las.

Ao ouvirem o canto das sereias politicamente corretas de indivíduos que se proclamaram Senhores do Universo, muitas pessoas, ingênuas, sugestionáveis, pelo canto politicamente correto seduzidas, entregam-lhes a própria vida. E tal canto vem protocolado por organizações globais que gozam de autoridade moral, conquistada por meio de sórdida campanha midiática mundial, que delas vendem ao mundo, que o compra sem barganhar, uma imagem falsa, mentirosa. E povos de todo o mundo, crentes que terão o paraíso que tanto desejam, viverão no inferno que os Senhores do Universo lhes reserva.

Juan Claudio Sanahuja, neste pequeno livro de duzentas páginas, bosqueja a estrutura do poder global totalitário, numa apresentação recheada de informações, indispensáveis para, se não o total entendimento da ação em curso de uma política desumana, assassina, um vislumbre de compreensão dos meios sutis que os trilionários universais, que, se achando acima do comum dos mortais, pretendem concentrar em suas mãos o poder de vida e morte sobre todas as pessoas e reservar pra eles unicamente todos os bens da Terra, empregam com destreza exemplar, obtendo resultados que lhes são favoráveis, e um dos recursos que eles, desinibidos, empregam é o da corrupção semântica; higienizam o vocabulário, adornam-lo com um requinte falso, com uma sofisticação inexistente não para esclarecer um assunto, expor a essência de suas políticas, nefastas, assassinas, mas para subverter valores, confundir as pessoas, induzi-las a irem contra os próprios princípios ao adotarem a linguagem corrompida, deturpada, como se fosse a reprodução fiel das ações promovidas pelos Senhores do Universo – e as pessoas, viciadas por um vocabulário espúrio, por uma linguagem que perdeu o seu sentido real, verdadeiro, sem perceberem a ruptura aberta entre o significado das palavras e o das ações que elas supostamente designam, compram políticas assassinas certas de que estão, na inocência de seus corações, promovendo o bem.

O autor não economiza, considerando-se as pequenas dimensões do seu livro, informações acerca do vocabulário que organizações mundiais empregam, na promoção de suas políticas desumanas, para a concretização de um projeto de poder global, que visa a imposição de um discurso único, de raiz anti-cristã, com o objetivo de submeter as pessoas a um credo universal, a uma religião biônica, mistura exótica de inúmeras religiões milenares, retiradas, delas, a essência, e delas conservadas apenas aspectos insignificantes, e incontáveis práticas místicas esotéricas. Querem estabelecer os Senhores do Universo um mundo onde estão excluídos os valores transcendentes, o amor pela família, o apego à pátria, e destruídas as soberanias nacionais, e convertidos os Estados nacionais em títeres deles, representantes, não do povo sob sua guarda, mas dos homens, os donos do mundo, que de fato governam as instituições globais; os presidentes, os primeiro-ministros, os deputados, os senadores, os governadores, criaturas sem liberdade de ação, são, neste cenário, mantidas nos altos escalões da burocracia estatal nacional com um único objetivo: o de chancelar as políticas elaboradas pelos não-eleitos da organização global, centrada na ONU; os presidentes locais, neste cenário, já real, estão convertidos apenas em carimbadores de documentos redigidos, no exterior, por homens cujos nomes são desconhecidos de todos e cujas figuras ninguém imagina quais sejam; e os povos de todo o mundo, à revelia de todo processo político, acreditam, ingênuos, que os políticos que elegeram com o voto são seus representantes, legítimos defensores de seus valores, de seus princípios, de seus desejos.

As palavras sofrem tal mutação, que seus significados originais desaparecem, e elas adquirem significados espúrios que servem de instrumentos de sustentação, em nome do bem-estar dos povos, de uma política desumana, assassina; e assim altera-se o consenso social, para tornar as pessoas refratárias aos bens espirituais, aos valores e sentimentos que as beneficiam, e dóceis aos que as prejudicam; e estão criados novos consensos, fabricados, por engenheiros sociais, em laboratórios nos quais os ratos-de-laboratório são os seres humanos. Os engenheiros sociais falam de “autonomia reprodutiva”, “direitos sexuais”, saúde psíquica da mãe”, “saúde sexual”, “livre orientação sexual”, “paternidade responsável”, “saúde sexual e reprodutiva”, para vender, como ato meritório, um direito inalienável, o do assassinato de seres humanos que, ainda no interior do ventre de suas mães, indefesos, em seu estágio embrionário uns, outros já formados, não são, na ótica dos defensores de tal política, seres humanos; são, unicamente, coisas, pedaços do corpo das mulheres que os carregam dentro de si, fetos, um amontoado de células, e não seres que, dependentes de um corpo adulto feminino, são únicos, outros corpos, de outros seres humanos. E dá-se, numa linguagem profilática, cientificista, o nome de feto ao ser humano em formação, e o de aborto à prática assassina, que o rouba à vida antes de ele vir à luz – e tal política não atende ao bem comum, como salientam os seus defensores, os seus promotores, os seus financiadores, mas aos interesses de quem almeja o controle absoluto de todos os bens que a Terra pode ofertar. A política de controle populacional, de “desenvolvimento sustentável do planeta”, no jargão politicamente correto, é um artefato bélico de destruição em massa apontado contra o homem comum. E para os donos do mundo, e seus empregados bem-remunerados, a eutanásia é “morte digna”. E as religiões milenares, “religiões dogmáticas”, “fundamentalistas” – daí proporem, sabe-se lá no uso de quais mecanismos, um sincretismo religioso, que irá criar, com a mistura de práticas da New Age (Nova Era), a maçonaria, profecias de Zoroastro, o Alcorão, Confúcio, budismo, taoísmo, xintoísmo, Bhagavad-Gita, uma “ética cósmica”, e estará criada, neste mundo de paz entre as religiões, uma “sociedade tolerante” centrada na religião universal, e deste mundo estará excluída a transcendência das religiões milenares.

Outro dado interessante, que o livro de Juan Claudio Sanahuja apresenta aos seus leitores, diz respeito às políticas ambientalistas, que, em nome da salvação do planeta, promovem o assassínio, por meio de políticas de “controle de natalidade”, “saúde reprodutiva da mulher”, de pessoas ainda no ventre de suas mães, e o estímulo ao sexo desenfreado, descompromissado, irresponsável, e a ereção de novos tipos de família. A Carta da Terra, aponta o autor, ataca, frontalmente, a religião cristã; vende uma religiosidade sem transcendência, panteísta, uma “ética universal da vida sustentável” para o “desenvolvimento sustentável”, a “sustentabilidade”; é o ecologismo, cujos agentes, partindo de uma preocupação legítima, que alerta para a saturação dos recursos naturais, propõem uma reformulação das religiões, das leis, das culturas, num movimento forçado, destruindo os humanos no processo, para a formação de um sincretismo religioso de laboratório, de uma mentalidade relativista disruptiva, com a consequente aniquilação das religiões milenares.

O livro dá preciosas informações a respeito do papel da ONU, de ongs, e de fóruns de debates e congressos financiados pelos Rockfeller, nas políticas de uma “ética universal”, uma religião universal, que cria seres dóceis, sugestionáveis, manipuláveis.

E Juan Claudio Sanahuja fala do “Report of the Comitte of Inquiry into Human Fertilization and Embriology”; do comitê de monitoramento de “Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (CEDAW, 1979); do comitê de monitoramento do “Tratado Internacional contra a Tortura”; e do “Diálogo das Civilizações”; e da Anistia Internacional; e do Clube de Roma; e do Human Rights Watch; e do World Wide Fund for Nature (WWF); e da UNESCO; e da “Cúpula Mundial de Líderes Espirituais e Religiosos para a Paz”; e da “United Religions Initiative (Iniciativa das Religiões Universais – URI); e da participação, no esforço de ereção da sociedade global, de Kofi Annan, Desmond Tutu, Fernando Henrique Cardoso, Jimmy Carter, Nelson Mandela, George Soros, Noam Chomsky, José Saramago, Gabriel Garcia Márquez, Ted Turner, Leonardo Boff, Isabel Allend, Barack Obama, Tony Blair, e outras personalidade de fama mundial.

E presenteia os seus leitores com a reprodução, em dois anexos, de textos de outros autores, o primeiro, “Obama e Blair. O messianismo reinterpretado”, conferência de Michel Schooyans, proferida, em 2.009, no dia 1 de março, na Cidade do Vaticano; e o segundo, “A Terra e seu caráter Sagrado”, da Irmã Donna Geernart, SC, conferência realizada, em 2.007, no mês de Maio, em Roma, no Plenário da União Internacional de Superioras Gerais, acompanhada de comentários.

Poder Global e Religião Universal, de Juan Claudio Sanahuja, traz inestimáveis informações acerca do movimento anti-cristão que move o mundo, faz a cabeça dos poderosos dotados de insaciável sede de poder, inimigos figadais dos seres humanos.

Conclui-se da leitura do livro que nos altos escalões das organizações globais estão seres humanos que se têm na conta de deuses, dotados de poder de vida e morte sobre todas as pessoas – eles excluem Deus da história, do universo, para se fazerem de deuses, e entre estes deuses de carne e osso persiste uma auto-imagem favorável, falsa, que muito os envaidece, a de seres superiores, inestimáveis, imprescindíveis para a ereção, na Terra, de um mundo perfeito, o “outro mundo é possível” dos discursos politicamente corretos, e o que eles criam é apenas caos, miséria, sofrimento e mortes.

Nas primeiras linhas desta resenha, falei da linguagem esquiva dos donos do poder, os Senhores do Universo; e é só alterando o significado das palavras, vendendo aos povos uma nova linguagem, um novo vocabulário, novas expressões, palavras antigas com significados deturpados, que eles conseguem subverter valores, e, com a subversão dos valores, produzir pessoas dóceis, sugestionáveis, obtendo, destas, a lealdade, e expulsar do convívio social os indomados, e indomáveis, que, firmes na defesa dos valores que herdaram de seus ancestrais, resistem à agressão psicológica, à manipulação semântica.

A linguagem é o campo de batalha dos Senhores do Universo. Deturpando-a, e impondo a linguagem deturpada aos povos de todo o mundo, eles podem coonestar suas politicas desumanas, assassinas, criminosas, e explorar os humildes, que não lhes impõem resistência, pois deles foram arrancados, por aqueles que se dizem seus libertadores, os instrumentos que lhes dariam meios de ponderar a respeito das coisas do mundo dos homens.

É Poder Global e Religião Universal, de Juan Claudio Sanahuja, um livro de valor inestimável.

Quo Vadis? – de Henryk Sienkiewicz

As primeiras páginas deste livro não me prenderam a atenção; persisti, no entanto, na leitura da aventura de amor entre Marco Vinício, cônsul romano, sobrinho de Petrônio, autor de Satiricon, e Lígia, cristã, filha do rei dos lígios, capturada pelos romanos, e serviçal de Pompônia Grecina cujo filho, Aulo, estava sob seus cuidados.

O autor inicia o relato dos desencontros entre o cônsul romano e a filha do rei dos lígios, com a descrição de um panorama da sociedade romana, de sua cúpula de poder, do imperador Nero e de quem lhe é próximo, de seu círculo político circunvizinho. Ao ter diante de seus olhos a bela Lígia, Marco Vinício apaixona-se por ela de imediato, e, recorrendo ao seu tio, Petrônio, obtêm, de Pompônia Grecina, o direito de fazer da filha do rei dos lígios sua mulher. Lígia, no entanto, foge, protegida por Ursus, um lígio de força descomunal, inigualável, um Hércules lígio.

Estamos nos tempos do imperador Nero, tempo em que ainda caminham pela Terra os apóstolos Pedro e Paulo de Tarso, não muitos anos, portanto, após a crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Para raptar Lígia, Marco Vinício recorre a Chilon Chilonides, um grego perspicaz e interesseiro, que, no decorrer do relato, revela sua personalidade traiçoeira e covarde. Após inúmeros contratempos, consegue para si Lígia, perturbado ao compreender as diferenças, que não podem ser extintas, entre as duas crenças, a dele, pagã, romana, herdeira do politeismo grego, e a de sua amada, Lígia, cristã, que convive com os apóstolos Pedro e Paulo de Tarso. Para o sucesso de seu empreendimento, tem de pisar em ovos, pois é sua querida e adorada Lígia cristã. Viviam ambos numa época em que os cristãos não gozavam de nenhum direito civil em Roma; eram párias; a condição humana deles não era respeitado pelos romanos, principalmente por aqueles que detinham o poder em Roma; eram malvistos. Eram, enfim, inimigos do império romano.

Durante o decurso de sua ação para tirar Lígia de sob os cuidados dos cristãos e da proteção de Ursus, Marco Vinício, sob influência da personalidade amável dela, do ambiente, vivendo em meio aos cristãos, que recendia à bondade, o amor pelas pessoas, vêm a reconsiderar suas idéias. Queria Lígia consigo, mas sem forçá-la a ir com ele; que ela o amasse, e só assim se decidisse viver com ele sob o mesmo teto. A conduta de Lígia, e, também, a de Ursus, seu fiel e leal protetor, e a dos apóstolos movem o senador romano a acolher Jesus Cristo em seu seio.Nas primeiras linhas desta resenha, declarei que a obra Quo Vadis? não me prendeu a atenção. E não ma prendeu, de fato; o que me levou a fazer do livro uma leitura descuidada – mas não até a última de suas linhas -, espaçada; deixei o livro, fechado, durante vários dias, sem tirá-lo de sobre a escrivaninha, sem a ele dedicar nenhum interesse; assim, acabei por perder o fio da meada, conquanto algumas cenas estivessem bem gravadas em minha memória; e quando retomei a leitura após a interromper vários dias antes – duas semanas, talvez – o fiz disposto a ir até o final, mas, neste tempo, de mim já se me havia escapado da cabeça alguns detalhes, que, no entanto, não prejudicaram a leitura, que se arrastou até o capítulo que narra o imperador Nero a atear fogo em Roma. Aqui, a leitura esquentou – e que me perdõem o trocadilho infame. O relato, até então insosso, assumiu outro tom, não se prendeu, em seu primeiro plano, nos desencontros e encontros de Marco Vinício e Lígia, caso, este, que, agora, se reduz a um dado irrelevante, desimportante. A narrativa assume ares épicos, trágicos, heróicos. Lê-se Nero a atear fogo em Roma e a iniciar uma caçada aos cristãos, indicados, por ele, como os culpados pela destruição de Roma. E seguem-se cenas grandiosas dos eventos que se dão na arena, os cristãos martirizados, encontrando a morte nas garras e dentes de feras selvagens, que lhes rasgam o ventre, lhes fazem em tiras, para a diversão do populacho, que se entretêm com espetáculos sangrentos indescritíveis, animalescos – e animalescos, aqui, não foram apenas as ações selvagens das feras, mas, também, a selvageria dos romanos, tanto a do povatéu, quanto a dos das classes dominantes. Prendeu-me a atenção as páginas que trazem o relato da tragédia dos romanos, e, mais do que a destes, a dos cristãos. São as trezentas, aproximadamente, páginas que compõem a segunda parte do livro, que tem – na edição que li, um pouco menos de setecentas páginas de leitura cativante. Da leitura do livro de Henryk Sienkiewicz tiramos uma idéia do tipo humano que foi Nero, homem cruel, insano, sanguinário, e da mentalidade dos romanos, e de sua cultura – civilizada? ou bárbara?E nas páginas finais do livro, revela-se que Pedro, o apóstolo, é a pedra inaugural, angular, da Igreja. Ele ouve, do próprio Cristo, palavras, poucas, que o obrigam a cumprir o destino que Deus lhe reservara: o de Pai da Santa Igreja.

Apologia de Sócrates – de Platão

Sócrates é um emblema do homem do povo que, conhecedor de sua ignorância, melhor, buscando conhecer sua ignorância, descobre-se, no confronto com os reputados sábios, que ostentam títulos e fortuna, para sua surpresa, que é ele o sábio, e eles os tolos, que não se dedicam ao cultivo da sabedoria, pois criam de si mesmos uma imagem que lhes satisfaz a vaidade, imagem irrealista, e que fogem à tarefa de se dedicarem ao estudo de si mesmos, para se conhecerem, e ocupam-se de avaliar os outros – mas o fazem, claro, sem inteligência, pois não se conhecem, e acabam por projetar nos outros o que são, escudando-se atrás dos títulos e da fortuna que tão orgulhosamente ostentam.

Na sua apologia, Sócrates, segundo Platão, declara que ouviu da pitonisa de Delfos palavras que lhe soaram oraculares, palavras que, em síntese, o apontam como o mais sábio dos homens. Intrigou-o tal revelação. Seria Sócrates, um ignorante, ele assim se entendia, o sábio dos sábios? Ele, um homem sem títulos; ele, apenas um cidadão de Atenas, o mais sábio dos atenienses? Sábios, sabia ele, eram aqueles homens que, nas praças, apresentando-se ao público, vendiam seus conhecimentos para aqueles que lhos pudessem comprar por um bom punhado de moedas. Mas ele, Sócrates, um sábio!? Ora, foi a pitonisa do oráculo de Delfos que lhe dera tal notícia; ela transmitira-lhe uma revelação do Oráculo de Delfos. E o Oráculo de Delfos era infalível. Sempre revelava aos homens o que destes os deuses conservavam oculto. Errou o Oráculo de Delfos, que era infalível? Sócrates encasquetou-se; intrigado, coçou a cabeça. Cabia a Sócrates, agora, e a ele apenas, tirar a prova dos nove. Se o Oráculo de Delfos disse que era Sócrates o mais sábio dos homens, então era Sócrates o mais sábio dos homens. Sócrates, então, impelido pelo demônio que lhe animava o espírito, decidiu ir à praça abordar os sábios da Grécia e submetê-los à sabatina, usando de um instrumento, o diálogo, mas não um diálogo proposto de uma forma qualquer, desordenado, como se os que dele participassem jogassem as palavras ao vento; ele, Sócrates, tinha de extrair a verdade das questões discutidas; e tinha um meio, meio só seu: fazer-se de parteiro da verdade, e o recurso que usou foi a maiêutica, obra de seu demônio interior. E abordava Sócrates um dos doutores da época, reputado sábio, e com ele entabulava, despretensiosamente, uma conversa, e à pergunta que lhe fazia ouvia-lhe a resposta, e seguia-se outra pergunta, e outra pergunta, e outra, até que o caso se esclarecesse, e a verdade acerca do tema tratado se lhes revelasse. E abordava Sócrates outro de seus contemporâneos reputados sábios, e fazia a vez de um ignorante em busca da compreensão das coisas do mundo. E abordava outro cidadão ateniense respeitável, dono de conhecimento das coisas do mundo físico e metafísico. E outro. E outro. E assim, sempre no papel de ignorante, Sócrates revelava a ignorância alheia, a dos reputados sábios, pessoas que sabiam falar, e falar bem, e persuadir as que as ouviam de que o que lhes falavam era a sabedoria dos deuses. E tais sábios, feridos no ego, deparando-se com um homem que ousava, destemido, revelar, deles, a ignorância, ressentidos, rancorosos, enraivecidos, ensandecidos, arquitetaram-lhe a morte, a de Sócrates, homem que os desmascarava em praça pública, constrangendo-os, enodoando-lhes a reputação. Jamais admitiriam que um joão-ninguém se lhes sobressaísse na arte na qual eles se consideravam lídimos representantes e seguisse a arregimentar um exército de admiradores, um sem número de seguidores, que, lhe reconhecendo a superioridade, desdenhavam-los; os pretensos sábios, feridos na vaidade de homens reputados superiores, em razão da aventura intelectual de Sócrates, e no confronto com este revelando-se tolos, tinham de dar-lhe cabo.

No confronto com os sábios revelou-se Sócrates sábio, não porque era o seu desejo sobressair-se aos seus rivais, mas porque desejava, unicamente, intrigado, entender o teor da revelação, para ele enigmática, do oráculo de Delfos; e sobressaindo-se, repito, não porque era esse o seu propósito, aos seus oponentes, estes, afamados sábios, que, ao emularem-lo, revelaram-se pequenos, risíveis, conquistou-lhes a inimizade, e a de muitas outras personagens, que nele identificaram uma ameaça à ordem por eles estabelecida. E Sócrates, caluniado, foi acusado, por Meleto, de ser hostil aos deuses da cidade de Atenas e corruptor dos jovens atenienses. E secundaram Meleto Anito e Lícon.

E Sócrates usa, em sua defesa, a mais poderosa arma à disposição dos homens: A palavra. E a palavra de Sócrates é poderosa. Tão poderosa que, mesmo não conquistando o coração do júri, que não o inocentou dos crimes que Meleto lhe imputara e condenou-o à morte, obrigando-o a ingerir cicuta, sobreviveu a vinte e cinco séculos. E hoje a façanha de Sócrates está, registrada em todos os idiomas, à disposição de todos os homens que se movem pelo mesmo espírito que o animava.

Além de, ao reconhecer-se ignorante, e revelar-se um sábio, era Sócrates audaz, corajoso, um modelo de abnegação, de vida dedicada a algo maior do que a sua existência; e era tal a sua consciência do valor, autêntico valor, da liberdade do homem que preferiu ele morrer a suplicar aos juízes que lhe poupassem a vida; não se traiu; não se curvou diante de seus algozes. Honrou-se ao conservar-se altivo em sua humildade. E outro de seus talentos revelou Sócrates, segundo o relato de seu mais famoso discípulo: o da profecia: vaticinou sofrimento indizível aos homens que o condenaram. E a história ensina que o destino deles corresponde ao profetizado pelo mais sábio dos homens.

É Apologia de Sócrates um livro indispensável para quem deseja conhecer o que é a coragem de um homem talentoso diante dos medíocres, de um homem que prefere, por amor à verdade, a morte, e sabe que, obtendo-a, conquista a liberdade.

Amor com amor se paga – de França Júnior

Nesta peça, França Júnior narra uma singela trama em que se entrecruzam dois casos de amores ilícitos, que não se consumam, conservando-se os amantes no universo platônico do encantamento pela beleza e pelo ideal de amor imaginário – no caso, uma das personagens, romanesca, tem suas idéias amorosas inspiradas nas obras de Byron e Chateaubriand. Dois casais animam a peça: o Coutinho, Eduardo e Emília; e o Carneiro, Miguel e Adelaide; e com eles contracena Vicente do Amparo, um serviçal. Em um ato, em quatorze cenas, curtas, principia-se a peça – que não se prolonga além de quinze páginas numa sala, a mesa preparada, por Vicente do Amparo, para um encontro entre Eduardo Coutinho e Adelaide Carneiro. Na sequência, na sala retirando-se Eduardo Coutinho, e nela presente apenas Vicente do Amparo, entra, esbaforido, Miguel Carneiro, fugindo à caça que lhe promovem alguns moradores da vizinhança. Aqui, narra Miguel Carneiro os contratempos que enfrentara durante os preparativos para o seu encontro com a sua amada, que, sabe-se logo depois, é Emília Coutinho. E assim que se anuncia o regresso de Eduardo Coutinho, agora acompanhado de Adelaide Carneiro, Miguel Carneiro, antecipando-se à entrada deles na sala, esconde-se embaixo da mesa, e, escondido, ouve-lhes a conversa, e reconhece a voz de sua esposa, que revela seu amor pelo marido e sua leviandade ao, deixando-se seduzir pelas idéias românticas dos livros, concordara com o encontro com Eduardo Coutinho. Maldiz, então, Miguel Carneiro, os livros românticos, que estão a virar a cabeça de sua esposa.
Abro um parêntese: É recorrente na literatura romântica a idéia do mal que a literatura faz às mulheres, principalmente às suscetíveis, de imaginação fantasiosa, que facilmente se excitam com a leitura de aventuras amorosas, encantadas pelas narrativas dos mestres do romantismo. E aqui fecho o parêntese.
E nesta peça, singela e divertida, de França Júnior, é Adelaide Carneiro a mulher que representa o tipo frágil e inocente que, deixando-se seduzir por obras românticas, espelha-se nas suas personagens, e alimenta o desejo, irrefreável, de levar à realidade façanhas dignas de dramas romanescos saídos da cabeça de escritores.

Os homens são superiores às mulheres. Ou: Discussão entre pai e filha. Ou ainda: Machismo versus feminismo.

O pai: “Os homens são melhores do que as mulheres.”

A filha: “Deixe de bobagem.”

O pai: “Não é bobagem. E eu digo, certo de que o que eu digo é certo: as mulheres são insensatas; os homens, sensatos.”

A filha: “Vou fingir que acredito.”

O pai: “E provo a certeza do que digo.”

A filha: “Prove, então.”

O pai: “Eu, um homem, portanto ser humano sensato por natureza, casei-me com sua mãe; e sua mãe, uma mulher, portanto por natureza ser humano insensato, casou-se comigo.”

Uma sombra na janela (L’ombre chinoise) – de Georges Simenon

Uma sombra na janela atende às exigências de todo apreciador da literatura policial.

Nas suas primeiras linhas, o leitor se vê na cena do crime, que se sucedeu, em um escritório de um laboratório, onde se fabrica soros do Dr. Revière (e onde fôra encontrado o cadáver do Sr. Raymond Couchet), do Place des Vosges, nº 61, à noite fria de um dia 30, e tem diante de si o comissário Maigret, que, momentos antes, recebera, da Sra. Bourcier, porteira do Place des Vosges, telefonema misterioso.

E insere-se, na cena do crime, o Sr. Martin, funcionário de um cartório, servil à Sra. Martin, sua esposa; e Nine Moinard, que, deduziu o comissário Maigret ao estudar-lhe a maquiagem, o vestido, o olhar e o modo de segurar a bolsa, era mulher de teatro de Revista e amante do Sr. Raymond Couchet; o Sr. Philippe, diretor do laboratório, homem na altura dos quarenta anos, bem arrumado, barba castanha, mãos metidas em luvas de camurça pérola; e o Sr. de Saint-Marc.

Os suspeitos estão apresentados.

Quem matou o Sr. Raymond Couchet?

Algumas descrições e informações instigam o leitor, que, à leitura das primeiras páginas, não decide apontar o dedo acusador para nenhum dos suspeitos: a Sra. Bourcier, a última pessoa a ver o Sr. Raymond Couchet vivo; Nine Moinard, que, indagada pelo comissário Maigret se o Sr. Raymond Couchet tinha um testamento, diz que não sabia; o Sr. e a Sra. Martin, ambas de comportamento inusitado; o Sr. Philippe, a única pessoa que, além do Sr. Raymond Couchet, possuía a chave e a senha do cofre; e o Sr. de Saint-Marc.

O médico-legista aponta, em um relatório verbal: O Dr. Raymond Couchet morreu com uma bala no tórax e teve seccionada a aorta; e foi fulminante a morte; distava dele o assassino três metros, no momento do disparo; e a bala era de calibre 6,35 mm. E outras informações o autor fornece ao leitor: o Sr. Raymond Couchet tinha o costume de permanecer, sozinho, no escritório, após o expediente; há vinte e oito locatários no edifício; o Sr. Martin retira-se do seu apartamento, tarde da noite, e tem atitude suspeita; o Sr. Raymond Couchet lançou as pesquisas do Dr. Revière, que morrera cinco anos antes; trezentos e sessenta mil francos foram roubados do cofre do laboratório; Nine Moinard insinua que o Sr. Raymond Couchet frequentava, em Meulan, uma certa villa.

Aqui, o leitor pode suspeitar de que o criminoso é um personagem que o autor ainda não apresentou, e da esposa do Sr. Raymond Couchet, que talvez tenha descoberto que seu marido era amante de Nine Moinard. As suspeitas maiores recaem sobre Nine Moinard, Sr. Philippe e a esposa, agora viúva, do Sr. Couchet. E eram dois os criminosos, um ladrão e um assassino, presumiu o comissário Maigret.

O relato que se segue na manhã seguinte agarra o leitor, pelo pescoço, surpreendendo-o, e inserindo-o em uma trama intrincada. Em visita à Nine Moinard, o comissário Maigret vem a saber que um dos vizinhos dela, Roger Couchet, é filho do Sr. Raymond Couchet e da Sra Martin, e enteado do Sr. Martin. E no Quai dês Orfèvres, o comissário Maigret conversa com a Sra. Martin. Durante a entrevista, ela lhe diz que ela sofreu durante os três anos que viveu com o Sr. Couchet e que ele abandonou o filho e jamais lhe pagou pensão alimentícia. E apresentadas as fichas policiais dos envolvidos no caso, sabe-se que Nine Moinard fôra, certa vez, detida por prostituição (suposta); que Roger Couchet estava sob observação da Brigada de Jogo e da Brigada de Tóxicos; e que Céline, que vivia com Roger Couchet, era prostituta.

Quem matou o Sr. Raymond Couchet? E quem roubou os trezentos e sessenta mil francos?

E outras personagens são inseridas na trama. E sucedem-se eventos envolventes que enredam o leitor, forçando-o a desconfiar de todas as personagens. Enfim, aproxima-se o encerramento da aventura do comissário Maigret, que, em um ônibus, ouve de um passageiro notícias de cédulas de mil francos boiando na barragem de Bougival e descendo o rio Sena… E Maigret acha um revólver…

Encerrada a leitura do livro, reconheci que de muitos dentre os detalhes que anotei eram irrelevantes e infundadas as minhas suspeitas.

George Simenon sabe envolver o leitor, mesmerizando-o. Não lhe sonega informações.

Encerro, aqui, a resenha. Se eu lhe adicionar mais uma palavra, roubarei ao leitor o prazer de ler a trama protagonizada pelo comissário Maigret.

No velório, João Miolo Mole

João Miolo Molo era um sujeito irresistivelmente engraçado. Não batia bem dos pinos, o que lhe conferia singulares dons histriônicos e incomum graça ao falar. Certa feita, no velório do pai de um amigo seu, disse tantos despautérios, e ilustrou as suas narrativas amalucadas com mímica tão graciosamente hilária, que o defunto, esquecendo-se que estava morto, dobrou-se de tanto rir.