Mensagem do Barnabé Varejeira – O Mané Sujão Cruz-Credo.


Bão dia, Cérjim. Bão dia, não; ba tarde. Já é tarde aqui. Se aqui, na roça, já é tarde, intão aí em Piamoangaba tamém é; se não é, devia sê. O cê já armoçô? Já!? Então, é ba tarde. Não!? Então, é bão dia. O dia, hoje, tá de rachá os miolo de todo fio de Deus. Nossa Senhora! Parece, inté, que abriro as porta da casa do cão; e o fogo das profundeza dos inferno sobe pa arriba da terra e queima os ómi de carne e osso, e as muié tamém pruque elas tamém são de carne e osso e fias de Deus. Parei um tiquinho de tempo, deitei na mia rede, que já tá um pôco escangaiada, pa lê umas notícia e ligá o uatesape e enviá mensage pos amigo; e o cê é um dos meu amigo pa quem, vira e mexe, dia sim e otro tamém, envio mensage. Hoje, Cérjim, eu conto po cê uma instória divertida, que se deu onde se deu, não muinto longe daqui, e nem muinto perto, e tamém não foi muinto longe dali, e muinto perto tamém não foi; e nem muinto longe e nem muinto perto de acolá. O cê conhece o Mané Sujão Cruz-Credo?! Não o conhece?! Tudo bem. Pa entendê a instória o cê não percisa conhecê ele. O Mané Sujão Cruz-Credo é o ómi mais sujo do praneta. E o mais fedido. E o mais porco. Um gambá de duas perna. Fedido que Deus me livre. Vive no chiquero, o porcalhão! Suíno! Leitão gambázento! Usa ropa tão fedida quanto ele. É doido de pedra, o imundo. Maluco de comê terra e achá que tá comeno filémiôn. Hoje, cedinho, não se sabe porque cargas d’água – e quem sabe o que se passa dentro da cabeça de um cabeça-de-cuia!? – ele, o doido-de-pedra, arresorveu se banhá no córgo da fazenda do Tião Saca-Rôia, que, diga-se a vredade, não cuida muinto bem do córgo, que tá bem fedido, bem sujo, mais sujo do que o trasêro do coisa-ruim. O Tião Saca-Rôia é relaxado pa dedéu, que Deus me perdõe a língua. Não quero dá ca língua nos dente: O Tião suja, e suja muinto, o córgo; no córgo ele joga muinta sujidade. Que Deus Nosso Senhor me corte a língua se eu tô falano mentira. Não falto ca vredade, não. Pois bem, Cérjim, o que fez o Mané Sujão Cruz-Credo!? Ele tirô as rôpa, e pulô no córgo da fazenda do Tião Saca-Rôia. E nem bem caiu nas águas, o córgo cuspiu ele pa fora, espaventô ele, e mandô ele í embora: “Sai daqui, gambá fedorento! Vá levá sua catinga gambázenta pos quinto dos inferno, diabos do cão! Fedido! Fedorento! Pé de porco!” E o Mané, espavorido, pálido de medo, pegô as rôpa, passô sebo nas canela, e foi pa bem longe do córgo, contô-me o Jãnjão Umbigo de Pêra, que não é ómi de contá lorota. Esta é a mensage que eu quis contá po cê, Cérjim; já contei. Fique, amigo, com o Menino Jesus, fio de José e Maria. Inté.

A Morte do Tiziu – mensagem do Barnabé Varejeira

Bão dia, meu querido amigo, amigo do peito, Cérjim, que tá no meu coração. Com a graça de Deus, Cérjim, hoje eu tô digitano, cos meus dedo, no meu celulá, esta mensage po cê, e estou muinto animado, muinto feliz, feliz pruque tô vivo, pruque minha óra ainda não chegô. Tô vivo, e a mia muié tamém, e tamém os meu fio, pruquê Deus ansim quis, e ansim quer. É d’Ele a vontade de me dexá vivo até agora. Que Deus seja lovado. Quando Ele achá que tá na óra de eu í desta pa onde Ele achá que devo í, vô. Que escoia eu tenho?! Manda quem pode; obedece quem tem juízo. E quem pode é Deus. Então, pa mim, resta-me o juízo.

Já faz um bom tempo, né, Cérjim, que nós não se fala pelo Uatesape. Um bom tempo. Eu mando um bão dia po cê, com desenhinho animado, e tamém mando ba noite, e ocê devórde bão dia e ba noite cos desenhinhos animado, figurinhas alegre, e só. Mas hoje eu tirei um tempo da mia vida atarefada pa contá po cê uma instória divertida, divertida pa dedéu, que aconteceu hoje cedo, mas que não começô o seu começo hoje; o começo da instória começô ônte à noite; e a instória terminô hoje cedo, cedinho. Foi um acontecimento muinto engraçado. Engraçado pa dedéu. Ocê nem imagina o que aconteceu. Nem imagina. Foi por demais engraçado. Não me guento de tanto ri. Não me guento. E tenho obrigação de contá po cê o que aconteceu de tão engraçado. Ocê tem de sabê o que foi. Não me guento de tanto ri, Cérjim. Não me guento. Não me guento. Os meu sorriso vão de uma oreia à ôtra, e vórta da pa qual foi pa da qual saiu. Vão e vórta de uma oreia pa ôtra, sem pará. Foi engraçado demais, Cérjim, muinto engraçado, o que se deu hoje cedo. Muinto engraçado. Ocê tinha de vê. Foi muinto engraçado. Meu Deus do Céu! Cada uma que acontece, aqui, que ocê nem querdita. Ri tanto, tanto, mas tanto, que os botão da mia camisa arrebentáro, e a fivela da cinta estorô. E eu soei três litro de suor, de tanto que ri. Fiquei encharcado. Jesus Cristo Nosso Siôr, Fio de Deus! É cada uma, Cérjim, que só Deus veno! É cada coisa que acontece. Não consigo digitá direito as palavra da instória. Se ocê vê os meu erro de prutuguês, com letra fora do lugar, uma letra engolino ôtra, desconsidere os erro, e me perdõe. Não consigo segurá o celulá, de tanto estô rino. Parece, inté, que aconteceu ônte o que tenho pá contá po cê, mas num aconteceu ônte, não; aconteceu hoje, hoje cedo, um pôco depois de o Garrincha cantá o nascer do sór. E canta que é uma beleza, o meu garnizé, que já tá véinho, coitado. Mas ainda canta, e canta tal qual um tenor intaliano, daqueles gordo, cheio de ar nos purmão. É cada uma que acontece, que a gente contano, todo mundo pensa que é mentira. E eu tô só embruiano a instória. E não tô contano ela po cê. Vâmo deixá de enrolação, de lerolero, e vâmo pa instória que nos interessa, instória muinto engraçada. É engraçada pa dedéu, ocê vai vê.

O seu António, o nosso Tóninho, óme bom e trabaiadô, casado ca dona Lulu, muié trabaiadêra que só veno, tem quatro fio, dois óme e duas muié. Um dos óme é o Fernando, o Nandinho, bicho branco inguar arroz descascado; a gente, só de pirraça, chama ele de Tiziu; e o ôtro fio do Tóninho e da dona Lulu é o Lúcio, óme tão pequeno, menor que pé-de-arface, que parece um canarinho, e tem cabelo espetado; e chamamo ele de Urubu; ele é branco, o coitado, mais branco do que o irmão, e não gosta que a gente chama ele de Urubu, mas a gente, mermo ansim, só pa arrumá encrenca e deixá ele bufano de raiva, com vento nas fuça, chama ele de Urubu.

E agora conmeça a instória de hoje cedo, instória que começô ônte à noite. Quero dizê: a instória já aconteceu, e aconteceu hoje cedo, e parece que foi ônte, e agora coméço a contá-la po cê, po cê conhecê-la. Até agora eu só escrevi a introdução; agora, vâmo à instória intêra.

O Tiziu sumiu. Sim. Ele sumiu. O que não é de espantá ninguém; e todos já estamo habituado com os sumiço dele; não é a primêra vez que ele some, e não será a úrtima. E não sumiu hoje; sumiu ônte à noite. Era onze da noite, o céu ia condecorado de estrela, e tudo ia carmo, na santa paz. E a dona Lulu começô a percurá pelo fio desaparecido, nas redondeza, ino de casa em casa, pedino notícia do dito cujo pa todas as pessoa. E ninguém lhe dava notícia do fio, que tomara chá-de-sumiço, era certo, mais certo do que dois e dois ser quatro, e uma dúzia ser doze. E onde tava o Nandinho, o nosso Tiziu? Ele, Cérjim, é óme feito, mas não regula bem da cabeça, não tem cabeça boa, não. Diz o ditado que quano a cabeça não pensa, o corpo padece. Quem foi o primêro óme que ditô o ditado, e pa quem o ditô, não sei. Sei que o ditado se encaixa, à perfeição, no Tiziu. Parece, inté, que foi inscrito pa ele. Enquanto a dona Lulu percurava o fio sumido, o seu Tóninho bebia cerveja, co Grilo e co Gafanhoto, irmãos gêmeo que se parecem um co ôtro e são unha e carne, e a corda e a caçamba, e comigo e co Ruivo, no bar do Zé Carrapato, e não tava nem aí ca órde do dia. Tava sossegado o seu Tóninho. Mas o sossego dele acabô ansim que a dona Lulu entrô no bar, toda esbaforida, suano em bicas, de óios arregalado inguar trasêro de vagalume, o coração dano pinotes, e falô, com voz esganiçada, po marido dela, que ela desposô, na santa igreja, diante do padre:”Tónho, o nosso fio sumiu.” E o seu Tóninho arrespondeu-lhe, carmo: “Não se percurpe, muié. Logo o Nandinho aparece.” E nem percisô a dona Lulu falá que quem sumira fôra o Tiziu pa o seu Tóninho sabê de quem se tratava. É só o Tiziu que some. O Urubu, embora não bata muinto bem dos pinos,tem juízo. Ansim parece. E o seu Tóninho, a tranquilidade em pessoa, bebeu de um pôco de cerveja, enquanto a dona Lulu, de óios arregalado, cas mão no peito, percurpava-se com o fio desaparecido. Enfim, todos fômo cada um pa sua casa. E o Zé Carrapato fechô as porta do bar. Já era bem tarde. Passava das meia-noite. A dona Lulu varô a noite em claro, percurpada com o fio desaparecido, que não aparecia de jeito nenhum, não dava sinal de sua beleza po mundo. E o seu Tóninho drumiu inguar pedra, pois sabia que o Tiziu ia aparecê mais cedo ô mais tarde; sempre que some,o Tiziu quase sempre aparece mais tarde. E desta vez não foi diferente. Ô foi? O Garrincha cantô. E cantô bonito. Parecia, inté, que havia marcado um gol. E nós, eu, mia muié, os gêmeos Grilo e Gafanho, e a dona Maria dos Doce, e a dona Quitéria, e o seu Janjão, e o Zé da Botica, e a dona Natinha, e a Vó Preta, e inté o Zé Carrapato,fomo pa casa do seu Tóninho e da dona Lulu sabê notícia do desaparecido Tiziu. Tava todo mundo percurpado; mais percurpado ca saúde da dona Lulu do que co Tiziu, que, todos sabia, ia aparecê, mais cedo ô mais tarde. E era umas nove óra aparece na casa do seu Tóninho e da dona Lulu o Tião do Cemitério, que é segurança, que não segura nada. E pode ele segurá arguma coisa com aquela pança de muié prenha!? Não pode. É imporssíve. E o Tião, cos passo medido, ca cara vexada, tímido, falô pa dona Lulu e po seu Tóninho estas palavra: “Seu Tónho, dona Lulu, eu tenho uma coisa pa contá po ceis dois, mas tô um pôco vexado de contá. É uma instória triste, tão triste que me dói o coração. O fio do ceis, o Fernando, tá lá no cemitério.” Foi um deus-nos-acuda, Cérjim. A dona Lulu desmaiô nos braço do seu Tóninho. E corre um daqui, pa pegá cadêra, e corre ôtro dali, pa pegá água pa dona Lulu; e um acóde ela; e ôtro presigna-se e pede a Deus a sarvação da arma do Tiziu. Todos ficamo tonto ca notiça. A dona Lulu acorda do desmaio, bebe de um pôco de água do copo que arguém, não me alembro quem, lhe ofereceu, e, o coração parado, preguntô po Tião do Cemitério: “De que ele morreu, Tião?”, e o Tião, apalermado, respondeu-lhe: “O Fernando morreu!? Ele não morreu, não, dona Lulu. Eu o encontrei, agorinha cedo, deitado, perto do túmulo do Prefeito, vivinho-da-silva. Ninguém encomendô a arma dele, não, dona Lulu. Ele tá dormino, lá,perto do túmulo do Prefeito, e fedeno cachaça.” E todos gargaiamos, de alívio. Tá vivo o Tiziu, aquele manguaça. Que susto ele deu em nós, se nem magina, Cérjim.

É esta é a instória que eu queria contá po ce. E contei. É triste, e divertida tamém.

Mande mensage pa mim, Cérjim. Dê notícia daí da cidade. Ansim que eu tivé ôtra instória pa te contá, conto. Fique co Deus Nosso Senhor Menino Jesus, fio de José e da Santa Maria. E tenha um bão dia. Té breve.

Faz frio, ou calor?

Era uma vez…
Samantha, moça na primavera dos seus dezoito anos, morena cor de jambo, de olhos amendoados, lábios sedutores, cintura de vespa, quadris de tanajura, cabeleira a encachoeirar-se pelos ombros estreitos, pernas bem esculpidas, de um corpo, enfim, divino – que me desculpem a ousadia.
Naquele dia, de temperatura de congelar pinguim, saiu a beldade, às oito da manhã, da sua casa. A sua indumentária, a de uma nativa pré-cabralina; não digo que ela estava nua, inteiramente nua, como a natureza a deu ao mundo, porque cobria-lhe os pés mimosos chinelos-de-dedos, o quadril uma faixa de pano que atende pelo nome de shorts, e o busto generoso uma tira de tecido diáfano, e as orelhas brincos multicoloridos. Cruzou o caminho de Beatriz, sua amiga, que, assim que deteve nela os olhos, esgazeou-os a ponto de arremessá-los para fora das órbitas e, com voz e palavras que lhe traíam a surpresa involuntária, exclamou:

– Sam, meu Deus! Você está no Saara!? Nossa! Eu, a tremer de frio, e você…

– Oi, Bia. Meu corpo não reage ao clima segundo as leis da natureza.

– Sei… Exibida.


E Samantha e Beatriz rumaram, juntas, ao mercadinho.

O Homem que se Machucava Demais.

Não tinha Valério o porte de um portentoso e atemorizante guerreiro viking, nem o tipo escultural, apolíneo, de um herói helênico do tempo de Péricles; e tampouco o de um desgracioso, minúsculo, franzino pigmeu. Não era ele um varapau esquálido, risível e desengonçado, tampouco um gigante tourino, enxundioso, pesado; era um homem comum, de nariz comum, e comuns lhe eram os lábios, e o nariz, e as orelhas, e o queixo, e o rosto desguarnecido de barba e bigode, e a testa, e as mãos, e os dedos, enfim, era ele uma figura comum, esbelta, que já contava a idade de vinte e seis anos. Mas comum não lhe era a cabeleira frondosa, espessa, que lhe ataviava a cabeça, esta comum, e elevava-se do chão um metro e setenta centímetros de altura, aumentando-lhe a estatura em uns cinco centímetros. Invejavam-lhe a cabeleira, misto de juba leonina e crina equina, homens e mulheres, estas mais do que aqueles. Não era Valério um portento de força capaz de erguer uma tora de madeira de cem quilos e carregá-la por um quilômetro, e tampouco um fracote desguarnecido de músculos que mal conseguia erguer uma pena de galinha-d’angola. Extrovertido, e brincalhão, e espirituoso, de índole cativante, que alegrava o mais casmurro dos homens e a mais resmungona das mulheres, de todos a extrair, e sem esforço, sorrisos, risos e gargalhadas, estava sempre a surpreender com suas histórias seus familiares e parentes, e seus amigos e conhecidos, e seus colegas de trabalho. Casado, havia um ano e dois meses, com Jacqueline – que fazia questão de inscrer, em seu nome, o “c” entre o “a” e o “q” – bonita moça de vinte e dois anos, pequena, de um corpo frágil, quebradiço, dir-se-ia de vidro – tal observação dá a entender ao leitor que era a consorte de Valério mulher enfermiça. Reconsideramos, portanto, as palavras que usamos para descrevê-la, e com estas palavras a apresentamos: Era Jacqueline – e não nos esqueçamos do “c” entre o “a” e o “q” – pequena, magra, de cristal, doce, meiga, de pele acetinada, sedosa, de sorriso encantador; um modelo perfeito de uma ninfa, uma sílfide, uma naiade; era ela uma sereia; seus cabelos, atavios que lhe sublimava a beleza; seus olhos, lábios, sobrancelhas, cílios, nariz, orelhas, queixo, maçãs-do-rosto, cabelos, e mãos, e pés, incomuns, raros, dir-se-ia fantásticos, irreais. Mas eram reais, verdadeiros. E hipnotizaram Valério, um dos muitos pretendentes dela; e ela, de todos os homens que a requestavam, decidiu com ele unir-se em cerimônias matrimoniais civil e religiosa, porque não lhe resistia às espirituosidade e graça autênticas, que muito a faziam rir. E invejavam Valério os amigos dele, os solteiros, à procura cada um deles de sua cara-metade, e os casados, que sempre que comparavam a figura de Jacqueline cada qual com a de sua esposa, suspiravam, uns, trangredindo o décimo mandamento, a lamentarem haver um dia decidido vestirem uma aliança no dedo anelar da mão esquerda, e diante de um padre, ou, simplesmente, de um juiz de paz.
Tem princípio a nossa história num sábado ensolarado do mês de Novembro, à tarde, segundos antes do início do crepúsculo. Conta a nossa história três capítulos da vida de seu herói, o já apresentado Valério, o felizardo marido de Jacqueline. O primeiro passa-se em um bar, o segundo em uma casa, e o terceiro em um pronto-socorro. No desejo de não trocarmos os pés pelas mãos, não nos anteciparmos aos eventos, não acelerarmos a narrativa sonegando informações ao leitor, iremos por partes, num ritmo lento, mas não demasiadamente lento, com as minúcias que achamos apropriadas.
E vamos ao bar. E não a um bar qualquer o Valério foi. Ele foi ao bar do Evandro Saraiva, o popular, naquele bairro, e nas adjacências, descendente de nativos de alguma colônia portuguesa na África e de silvícolas ameríndios que escaparam das mãos de bugreiros, Tupi Guaraná, bar distante de sua casa uns duzentos metros, no quarteirão vizinho, à direita, na esquina das ruas Damião de Góes e Manuel Antonio de Almeida. E foi a passos lentos, como que a calcular-lhes os centímetros que cada um deles cobria, e a cronometrar seus movimentos, em cada passo a gastar o mesmo tanto de segundos, a cabeça ligeiramente abaixada, a sorrir, antecipando-se à cena que, desejava, criaria, uma peça, digamos, que pretendia pregar em quem no bar estivesse. Carregava, no braço direito, gesso, que o cobria quase que por inteiro. Com os dedos da mão esquerda coçou o peito, metros antes de chegar ao seu destino; e assim que sentiu algo lhe tocando a cabeça, passou-lhe a mão esquerda ao mesmo tempo que se deteve, e olhou para cima, à procura não sabia do que. Não encontrou o que o atingira; abaixou a cabeça, olhou ao redor, esquadrinhou o chão, e viu galhos e folhas, e concluiu que algum galho, pequeno, lhe acertara a cabeça. E seguiu rumo ao bar, onde chegou pouco depois. E mal transpusera o enquadramento da porta, anunciou-se. Assim que pôs os pés no território do Evandro Saraiva, passou ao seu lado, quase lhe tocando ombro com ombro, um homem de altura que equivalia à sua, gordo, calvo, trajado com uma bermuda, que lhe estava colada às coxas, e uma camisa, que lhe deixava à mostra a metade inferior da barriga proeminente. Saudou Evandro e os dois outros homens que com ele palestravam, ao balcão, todos animados, a se pronunciarem em alto e bom som, e a gargalharem, então perdidos numa animada confabulação acerca de futebol, todos a enodoarem a progenitora do árbitro da partida. Voltaram-lhe os três a atenção, um deles, naquele momento, a levar à boca o copo americano com cerveja alemã. E mal o viram, intrigaram-se, a atenção deles a convergirem-lhe para o gesso que lhe cobria o braço direito. Eram os dois amigos-de-copo de Evandro Saraiva, um, baixote, moreno acobreado, homem de vida difícil, via-se, de rochosa musculatura, semi-calvo, Renato, também chamado, pelos amigos, Galo de Briga, o outro, robusto, moreno, de estatura mediana, de cabelos encaracolados, preto-foscos, o Lobato, assim alcunhado devido às suas espessas sobrancelhas, e cujo nome de batismo era Vicente João Serafim Ricardo.
Antecipando-se aos seus dois amigos, Evandro, curioso, perguntou, zombeteiro, a Valério:

– Quebrou a patinha, donzela?!
Riram Vicente e Renato. E Vicente espetou, com um palito-de-dentes, que tirara de dentro de um copo com cerveja até a metade, um ovo de codorna cozido, e levou-o à boca.
Valério exibiu, então, aos três homens, o braço direito coberto com gesso, com ar triunfante, como se lhes exibisse um troféu arduamente conquistado, e antes de responder à pergunta que lhe fôra feita, Evandro fez-lhe segunda pergunta:

– O que houve, Valério?!

– Ouço o que me chega aos ouvidos. – respondeu-lhe o nosso herói. – Não sou surdo, ô, cacique txucarrapai.
Gargalhou Renato, visivelmente ludibriado pela loira gelada que namorava há alguns minutos. E Vicente sorriu, a inspirarem-lhe o sorriso a pergunta que Evandro fizera a Valério, a resposta que este lhe dera e a gargalhada de Renato.

– Vá se danar, paspalho – replicou Evandro.

– Oi, Galo – saudou Valério a Renato, que foi uns dois passos em sua direção, e deu-lhe três tapas no ombro direito, e passeou-lhe a mão pelos cabelos, acariciando-os, ao mesmo tempo que lhe dizia:

– ‘tá luzidio, Valérinho. De barriga cheia. Que vida mansa, marajá.

– Luzidio, eu, garnizé?! – observou Valério. – Veja suas penas. Brilham ao sol. Penas de ouro e de prata. Que exuberância.

– Apanhou da sua mulher? – perguntou Vicente ao recém-chegado.

– Antes fosse – respondeu-lhe Valério. – Dela eu receberia, e com muito gosto, a pancadas.

– Até eu – afirmou Renato, sorrindo tolamente. – A sua muié é uma tetéia.

– Não me desrespeite, franguinho. – replicou Valério, num tom jocoso. – Olhe o mandamento.

– Respeite a mulher do Valério, Galo de Briga. – reprovou Evandro a atitude de Renato.

– Não esquenta, Valérinho – desculpou-se Renato. – Fêmea de amigo meu para mim é macho.


Valério sorriu ao vê-lo pendular-se para a direita e para a esquerda.

– Vá beijocar a loirinha, galinho. – sugeriu-lhe Valério, que, voltando-se para Evandro, perguntou-lhe: – Quantas geladas o passarinho já bebeu?
Antes que Evandro lhe respondesse à pergunta, entrou no bar, com um jornal dobrado sob a axila esquerda, um magricela branco, de cabelo curto, penteado ao meio, trajado com calça e camisa machados de tinta, Gabriel, que, tão logo viu Valério, perguntou-lhe:

– O que houve, Valério?

– Darei a você, Pé-de-Pato – respondeu-lhe Valério -, a mesma resposta que dei para o cacique Tupi Guaraná: Ouço o que me chega aos ouvidos.

– Conte-nos o que aconteceu, zé-mané – solicitou-lhe Gabriel.

– A senhora muié dele – antecipou-se Renato a Valério – sentou a vassoura no lombo dele, sugando-lhe um litro de sangue, e partindo-lhe o braço em três partes, a do meio ele a jogou pro cachorro do Tupi.

– Cacique, por gentileza – disse Valério -, não dê mais nenhuma gota de malte para a criança. – E voltando-se para Renato, aconselhou-o: – Ô, hobbit, ponha o copo, com a boca para baixo, sobre o balcão. E não ponha mais cerveja na boca, ou vai fazer xixi na cama. – E voltando-se para Evandro: – Mestre morubixaba, sábio indígena, discípulo do mestre Yoda, telefone para a mãe do pouca-sombra, e diga-lhe que venha, e já, buscar o filhotinho, que acha que já é galo, mas que ainda não saiu do ovo.
Renato divertiu-se com o que ouviu. Vicente caiu na gargalhada. E Evandro e Gabriel riram – e este pediu àquele cerveja, e ele atendeu-o prontamente.
Assim que restabeleceram conversa, Valério respondeu à pergunta que Gabriel lhe fizera:

– O que me aconteceu!? Vocês querem saber o que me aconteceu!? Contarei o que me sucedeu, tim-tim por tim-tim. Apresentarei aos senhores todas, e mais algumas, minúscias, pormenorizadamente, com detalhes incalculáveis, num relato repleto de emoção, drama, suspense, mistério, surrealista e parnasiano, e barroco e romântico, a minha enocionante aventura, cujo encerramento, que não me foi do agrado, é cômico, quase trágico, e dolorido, muito dolorido, imensamente dolorido. Estava eu, belo e formoso, a tirar da geladeira a caixa com leite, após dela tirar um pote de plástico cheio de gelatina; não era um pote, digamos a verdade; era um prato de plástico; na verdade, não era um prato, nem um pote; mas era de plástico; era uma vasilha de bordas maiores do que as de um prato e menores do que as de um pote. Mas era de plástico, e de plástico fino, frágil.

– Desembucha, matraca. Você fala mais do que a nega do leite – reprovou-o Evandro Saraiva.

– Silêncio, majestoso pajé dos cataporas – retrucou Valério.- Vamos, passo a passo, a narrar a história. Continuemos, caros aristocratas bebedores do mais puro malte: Pus, sobre a mesa, o prato, ou pote, ou vasilha, ou tapoer, sei lá eu o que era aquela porcaria, com gelatina, e, em seguida, a caixa com leite; e assim que fechei a geladeira, de repente, mais que de repente, na velocidade de um raio, entrou, e logo saiu, na cozinha, um pardal, que me atingiu, com seus pés, a cabeça, assustando-me, e desequilibrei-me, e bati com o cotovelo na mesa, e derrubei, com a mão, não me lembro se com a direita, se com a esquerda, a caixa com leite, e leite derramou-se pela mesa e pelo chão, e esparramou-se, e no meu esforço de recuperar o equilíbrio, estiquei-me, desengonçadamente, e pisei na poça de leite, e pousei a mão, na mesa, onde havia leite derramado, e escorregaram-se-me, levando-me para o chão, violentamente, os pés e as mãos, e cai-me sentado. Doeu-me as almofadas. E tratei de me levantar; e assim que me pus de pé, furibundo, enraivecido, descarreguei um soco, e bem dado, na gelatina. E quebrou-se-me o braço. Vejam, senhores cidadãos do reino tupi: meu braço engessado, obra de um tombo, que um pardal me presenteou.

– E do que era tal gelatina? – perguntou-lhe Evandro, intrigado. – De pedra?!

– Não, Saraiva, não. – respondeu-lhe Valério. – Era de limão.

– De limão azedo? – perguntou-lhe Gabriel, divertindo-se com a situação. – Eu não sabia que com limão azedo se faz gelatina tão dura.

– Que gelatina dura, o que, Pé-de-Pato – falou-lhe, Renato, pronunciando, desajeitadamente, as palavras, silabando-as, exibindo dificuldade para coordenar os pensamentos, que lhe saíam aos trancos. – Você não conhece o Valérinho, não?! Ele é uma flor. Quebrou a patinha de moça. Bilu Tetéia.

– O Valério é de porcelana – comentou Vicente, dobrando-se numa gargalhada convulsiva.

– É uma rosa – disse Renato, aproximando-se de Valério, e passeando-lhe as costas da mão esquerda no rosto e deslizando-lhe a mão pelos cabelos.

– Podem rir – disse Valério, num tom fingidamente pernóstico e irritado em meio às gargalhadas de seus três interlocutores. – Gargalhem. Gargalhem. Se vocês conhecessem o final da minha aventura, que eu ainda não contei do princípio ao fim, não iriam rir, nem gargalhar, jamais, nunca. Eu poderia me recusar a prosseguir com a narração; não o farei, todavia, entretanto, porém, no entanto; embora os senhores bebedores de malte, glutões inveterados, não mereçam de mim ouvir nem mais uma palavra, eu, ainda assim, me dignarei a contar aos senhores o que se me sucedeu. Se porventura um raio cair-me sobre a cabeça, ainda assim eu narrarei o que me comprometi a narrar, e com todos os detalhes indispensáveis, queiram os senhores, ou não, mereçam, ou não, os senhores de mim ouvir tão emocionante relato.

– Deixa de lero-lero, e desembucha – reprovou-o Renato.

– Dê-me silêncio, galinho. – pediu-lhe Valério. – Vá cacarejar em outra freguesia. Antes de mais nada, digo: são de aço, e não de porcelana, meus braços. Mas, vejam. Melhor: escutem, escutem atentamente: eu soquei, e com um soco bem dado, daqueles bem dados, num supetão, a gelatina, esmagando-a, pulverizando-a, esmigalhando-a. E fez-se ouvir o barulho de algo se quebrando; e não era o algo a gelatina; era o meu braço. Ora, soquei a gelatina; e infelizmente, embaixo dela estava a mesa, e não mesa qualquer, de compensado; é a mesa de madeira nobre, jacarandá, herança de meus avós. O osso aqui do braço… Como se chama?! Fêmur?! Não sei. Eu nunca fui bom em poesia. Partiu-se-me o osso em dois. Foi um deus-nos-acuda! A Jacqueline ouviu-me o berro, e correu acudir-me. E num pulo chegamos ao Pronto Socorro. E logo atenderam-me os enfermeiros. E aqui estou, na companhia de três de meus amigos, quebrado, mas inteiro,a bebericar uma geladinha.
E estrondejaram, altissonantes, as gargalhadas.
Entraram no bar outros homens. E Valério logo inteirou-os do que lhe sucedera. Narrou a história, com diferenças insignificantes, quatro vezes, Renato a interrompê-lo a curtos intervalos, infalivelmente a criar cenas hilárias e a embaraçar a todos, em uma ocasião, sendo inconveniente, a ouvir uma reprimenda de Evandro Saraiva, que não admitia em seu território toda e qualquer atitude, e, consciente de seu papel desrespeitoso, desculpou-se com todos, sinceramente constrangido, apesar de sua ligeira ebriez.
Seguiu, animada, a conversa, até as vinte e duas horas.
Encerrado o primeiro capítulo da nossa história, nosso herói, Valério já há um bom tempo recuperado, removido de seu braço direito o gesso – que, um dia antes de o médico lho tirar, estava inteiramente coberto com inúmeras garatujas, e desenhos, uns exemplarmente bem-acabados, e uma pintura de um êmulo de Michelângelo, uma réplica de um afresco que embeleza a Capela Sistina, a obra-prima do admirador do gênio renacentista ladeava a assinatura, cuidadosamente trabalhada, com esmero incomum, de Jacqueline -, damos as primeiras palavras do segundo capítulo da aventura que acompanhamos atentamente.
Transcorreram-se quatro meses do dia que Valério, no bar do Evandro Saraiva, o Tupi Guaraná, anunciou o seu acidente. Estamos, agora, no mês de Março, em um sábado quente e abafado, às dezoito horas.
Valério e Jacqueline, ambos asseados, perfumados, havia poucos minutos banhados na água quente de um chuveiro, retiraram-se de carro, ela ao volante, ele, no banco posterior à direita dela, desajeitado devido ao gesso que lhe cobria a perna direita abaixo do joelho. Para entrar no carro, a amparar-se em muleta de madeira, marrom, manchada de preto em oito pontos, auxiliara-o Jacqueline, que o ajudara a acomodar-se no banco e a livrar-se da muleta. Incomodava-se Valério, que resmungava de tempos em tempos, sempre a adicionar às queixas comentários jocosos, esforçando-se para ver graça em sua situação. Jacqueline trajava um vestido, discretamente decotado, vermelho – que lhe respeitava os contornos do corpo -, as orlas a lhe descerem até os tornozelos, e as alças, finas, a sustentá-lo. Admirou-lhe a beleza e formosura Valério, que lhe disse que ela não tinha que se embelezar tanto, pintar, com tanto cuidado, com esmalte vermelho fosco, as unhas, e tampouco fazer uso de tanto capricho no penteado dos cabelos e dos cílios e das sobrancelhas, pois ela era naturalmente bela, divina, e louvou-lhe a beleza. Jacqueline, ao mesmo tempo que dele acolheu de peito aberto os elogios, pediu-lhe que não tivesse um ataque de ciúmes tal qual o que dera uma semana antes, na festa de casamento de um casal de amigos. Valério careteou.
Iriam à casa dos avós maternos de Jacqueline, Joaquim e Isabel, para a efeméride: septuagésimo quarto aniversário natalício do mais antigo ancestral vivo de Jacqueline, o vovô Joaquim, ancião pacato, de poucas, quase nenhumas, palavras, que, havia dois meses, na mesa de cirúrgias de um hospital, foi retalhado por um cirurgião, que lhe instalara duas pontes-de-safena, às pressas, após ele sofrer uma parada cardíaca que quase lhe roubara a vida.
Na casa de Joaquim e Isabel chegaram Valério e Jacqueline vinte minutos após retirarem-se de sua casa, ela a dirigir, com cuidado extremo, o carro, por ruas esburacadas, e mal-iluminadas, algumas envoltas pela escuridão, pois estavam apagadas as lâmpadas dos postes, e ele a reclamar do sacolejar do carro, movimentos abruptos que lhe provocavam dores na perna envolta em gesso.
E retiraram-se do carro. Mal havia Valério pousado a perna esquerda na calçada, escorando-se, desajeitadamente, na muleta, e Jacqueline a ladeá-lo, e de bem perto, aproximaram-se dele, curiosos, animados, eufóricos, sorridentes, Bianca e Bruno, gêmeos, de cinco anos, sobrinhos de Jacqueline, ele vestido com uma bermuda azul e uma camisa verde, e nos pés tênis pretos amarrados com cadarços brancos, e cabelos desmanchados, ela, com uma calça amarela e camisa branca, carregando, nos pés sandálias, e trazendo, presos, com uma presilha de plástico, os cabelos longos.
E Bianca, que se antecipara a Bruno um passo, abriu os braços para abraçar Valério, que se curvou, esforçando-se para não deixar seu rosto transparecer o desconforto que tal gesto lhe inspirara, para a frente, e ofereceu-lhe o rosto direito, que ela osculou, carinhosamente, ao mesmo tempo que Jacqueline agachava-se, e punha-se de cócoras, e abraçava e beijava Bruno, que lhe saltara aos braços num pulo prodigioso quase vindo a derrubá-la para trás. E saudaram-se com abraços e beijos Jacqueline e Bianca, e com um beijo Valério e Bruno. E assim que encerraram as saudaçoes calorosas, os beijos, os abraços,e Jacqueline pôs-se de pé, Bruno voltou-se para Valério e, apontando-lhe a muleta,perguntou-lhe:

– O que é isso, tio? É uma espingarda?
E Bianca chamou a atenção de seu irmão:

– Não, né, Bruno. O tio não é soldado.

– Marcha soldado, cabeça de papel; se não marchar direito, vai preso no quartel. – cantarolou Bruno. – Não é assim, tio, que soldado canta, e canta e marcha?

– É – respondeu-lhe Valério. – É assim que soldado canta, encanta, e marcha.

– Mas o que é isso? – perguntou-lhe Bianca, apontando a muleta.
E Valério respondeu-lhe:

– O meu estepe.

– Estepe!? – indagou, curiosa, a menina.

– É uma bengala – respondeu Valério, escondendo para si o sorriso que lhe animava o espírito.

– Bengala?! – indagou-lhe Bruno, intrigado, cismado.

– Não é bengala, não – observou Bianca, séria. – Não é um pão. Bengala é pão. Isso – e apontou para a muleta – não é pão. É madeira, madeira de árvore.

– É tábua – corrigiu-a Bruno.

– É madeira – replicou Bianca.

– Não é madeira, não – retrucou Bruno. – É tábua. Tábua é feito de árvore.

– Madeira também é feito de árvore, né, bobo!? – corrigiu-o Bianca, mostrando-lhe a língua.

– Bobona – xingou-a Bruno, que logo voltou-se para Valério: – Tio, isso – e apontou a muleta – não é estepe, não. Não é, não. Isso – e mais uma vez apontou a muleta – não é um pneu de carro.
Valério e Jacqueline não conseguiram controlar o riso. Jacqueline exibiu uma fileira de dentes brilhantes de tão brancos, perfeitos, lácteos. E Valério disse para as duas crianças:

– Vocês me pegaram, danadinhos. Isto – e indicou-lhes a muleta – não é estepe, nem bengala. É um cajado mágico de um bruxo feiticeiro do castelo do rei Príncipe Leão, vossa majestade do reino encantado. Muleta é o nome deste cajado; tem o poder de me amparar; se eu não o deixo, assim, encaixado, aqui, embaixo do sovaco, caio de bumbum no chão. Ai. Ai. Ai – fez que havia caído.
A representação dramática de Valério arrancou ondas de gargalhadas de Bruno e Bianca.
Aproximou-se deles, Laura, irmã de Jacqueline, de dezessete anos, de cabelos escorridos, tão brilhantes, que chamaram a atenção de sua irmã, que não se conteve ao elogiá-la. Beijaram-se as irmãs no rosto, ambas encostando-se os rostos, sem tocarem neles os lábios, movendo-os como se se osculassem. E Jacqueline avaliou os cabelos de Laura, pegando-os, cuidadosa e carinhosamente, e deixando-os escorrerem, suavemente, por entre os dedos das mãos.
Enquanto as irmãs conversavam, e admiravam-se, entretinham-se, numa palestra animada, Bruno, Bianca, e Valério, aqueles concentrados nas palavras deste.

– O senhor está com a perna quebrada, né,tio? – perguntou Bianca a Valério.
E antes que Valério respondesse, Bruno indagou-lhe, ao mesmo tempo que coçava o nariz e ajeitava a bermuda:

– Tio, por que o senhor quebrou a perna?

– Não foi de propósito, acredite – respondeu-lhe Valério. – Sabem o que me aconteceu? Não sabem, é claro. Vou contar para vocês o que houve. Eu estava, na varanda da minha casa, que é, também, a casa da tia Jacqueline, que manda quando não estou lá, a lavar o carro, um calhambeque aristocrático, e não uma lata-velha caindo aos pedaços, com água e sabão, mais água do que sabão, e muito sabão. E eu a passar a esponja com água e sabão no carro, e no carro a esguichar água para dele remover o sabão, até o carro brilhar de tão limpo, a assumir a figura de uma pedra preciosa. Brilhava que era uma beleza o meu carro. E eu, assim que olhei perto da roda de trás, não me lembro se do lado direito, se do esquerdo, vi uma gigantesca montanha de espuma.

– Bem grande? – perguntou-lhe, curiosa, Bianca.

– Enorme. Imensa. – respondeu Valério. – Enorme de tão grande. Imensa de tão enorme. Grandiosa. Maior do que todas as montanhas que existe em todo o mundo.

– E em toda a galáxia – completou Bruno.

– Sim. – confirmou Valério. – Em toda a galáxia. E até o infinito, e além. E lá estava a montanha de espuma, bem diante de meus olhos. E eu, não sei porquê, usando todo o poder intelectual da minha massa cinzenta, o miolo que recheia minha cabeça de homem sábio, decidi, para desfazê-la, dar-lhe um pontapé, e bem dado. E dei-lhe o chute. E quebrou-se-me a perna. Ai. Ai. Ai. Doeram-me pé e perna. Era tanta, mas tanta, a dor, que, não me aguentando em pé, fui parar, no chão, a berrar igual neném que apanha no bumbum.

– Mas, tio, espuma de sabão nem é dura – observou Bruno.

– É verdade – comentou Valério. Espuma de sabão não é dura. A espuma de sabão, meu querido sobrinho, não é dura, eu sei, você sabe, tu sabes, ele sabe, e ela também, nós sabemos, vós sabeis, eles sabem, e elas também, mas a roda, roda de metal, de adamantium, que a espuma de sabão escondia, é. É duríssima. Mais dura do que a minha cabeça. Duríssima. Que dureza! Doeram-me à beça pé e perna. Chorei, até, de dor, e dor bem doída. Não sei qual fenômeno se me envolveu, que, além de quebrar ossos dos dedos do pé, quebrei o da perna direita, a… Tíbia?! Não sei. É assim que se diz?! Sei lá. Geometria não é o meu forte. Foram pras cucuias os ossos.
As duas crianças gargalharam. Durante a festa, elas, mais do que Valério e Jacqueline, encarregaram-se de espalhar a história para todos os presentes na casa de Joaquim e Isabel.
Valério ainda não havia encerrado a sua narrativa, da casa dos avós de Jacqueline saíram Joaquim, um irmão deste, Pedro, e uma filha deste, Maristela, que ficaram a ouvir as derradeiras palavras do relato de Valério, que, assim que o encerrou, saudou-os e abraçou-os. E trataram todos de entrar na casa do aniversariante.
Encerrado o segundo capítulo da aventura de Valério, chegamos, agora, ao terceiro capítulo, que é o último que aqui relatamos, para, ao seu final, darmos fim à nossa história, à qual nos dedicamos, com agrado e boa-vontade, durante alguns minutos de nossa curta existência. E este terceiro e derradeiro capítulo, já dissemos, passa-se em um pronto-socorro.
Estamos, agora, no mês de Junho, na manhã, um pouco antes das sete horas, de uma quarta-feira de frio de trincar ossos, de fazer toda pessoa bater os dentes, uma espessa neblina a cobrir toda a cidade, impedindo as pessoas de verem o que havia a um palmo à frente do nariz.
No saguão de entrada do Pronto Socorro Municipal, estava, sentado numa cadeira-de-rodas, Valério, e a empurrá-la Sócrates, seu irmão. Detiveram-se à porta, à espera do carro que os conduziria à casa de Valério. Trazia o nosso herói uma atadura na cabeça, os dois olhos quase invisíveis, o esquerdo oculto sob espessa camada de pele preta-arroxeada, circundados por hematomas, o nariz quebrado, rubro, coberto com uma gase e esparadrapo, o rosto avermelhado, o braço direito e a perna esquerda engessados, e a perna direita inchada tantos eram os machucados que a cobriam. A aparência de Valério, de dar arrepios. Mal conseguia falar com seu irmão; a voz arrastava-se-lhe pelo esôfago, e nos dentes, encontrando dificuldades, praticamente intransponíveis, para lhe saírem da boca. Sempre que desejava falar ao seu irmão, este curvava-se, ligeiramente, para a frente, e punha-lhe a orelha à boca.
Estavam, à entrada do pronto socorro havia uns vinte minutos, quando abordou-o Denilson, amigo de Valério desde o pré-primário; ambos não se viam desde o casamento de Valério com Jacqueline. Assim que se aproximou deles, Denilson exclamou, surpreso, e sem esboçar vontade de ocultar sua surpresa:

– Ó mai góde!
Voltaram-se para ele Valério, e Sócrates, que lhe estendeu a mão direita, para apertar-lhe a direita, que ele lhe oferecia. E Denilson, encostando-se em Sócrates, e saudando-o com um bom-dia, e dando-lhe tapas fraternais nas costas, perguntou a Valério:

– O que aconteceu com você, Valério?! Atropelamento?! O que aconteceu? Meu Deus, Valério. Você está um bagaço. Um caminhão passou por cima de você?
Valério não respondeu; esboçou um sorriso acanhado, que se assemelhava ao esgar repulsivo de uma quimera fabulosa, monstruosa, mitológica.
Esperou Denilson pela resposta, mas obteve de Valério apenas silêncio e um olhar desaprovador. Diante de tal cena, Sócrates informou a Denilson que Valério mal podia falar, e pediu-lhe que dele se aproximasse. Denilson, então, curvou-se, pousou as mãos nos braços da cadeira-de-rodas, e perguntou a Valério:

– Um caminhão passou por cima de você? Ou foi um trem?

– Antes fosse – respondeu-lhe Valério, ciciando. – Antes fosse, Nil. Mas o veículo que me esmagou é maior, e mil vezes mais destruidor.

– Diga-me o que aconteceu – pediu-lhe Denilson, sua curiosidade atiçada pelas palavras enigmáticas de seu amigo. – Conte-me a história do começo ao fim.

– Nos mínimos detalhes? – perguntou-lhe Valério, esboçando um sorriso grotesco.

– Sim – respondeu Denilson. – Nos mínimos detalhes, e nos máximos, também, se os houver. Não me deixe de falar todos os pormenores. Estou curioso. Nunca vi você assim; ‘tá parecendo um pântano de tão disforme. Não sei que idéia eu quis expressar com tal observação, mas tudo bem. Esqueça o que eu disse, e conte-me o que se deu contigo.

– Eu dei um tapa na cara da Jacqueline, a minha querida esposa. – respondeu Valério, com dificuldade, as palavras mal lhe saindo da boca, e obrigado a fazer curtos intervalos entre cada uma das palavras que dissera e a repetir as mais extensas.

– Quê?! – surpreendeu-se Denilson com a revelação. – Ora, Valério. Não vá me dizer que a Jacqueline fez de você um bagaço. Conte-me outra, que esta não colou. A Jacqueline, tão pequena, tão frágil, tão fraquinha, fez de você saco de pancadas?! Não acredito.

– Espere, Nil – pediu-lhe Valério, sussurrando,paciência. – Não é o que você pensa. Não se precipite. Ouça-me: Discutia-mos eu e a Jacqueline. Mais ela comigo do que eu com ela. Íamos a berrar, a xingar um o outro, não me lembro porquê, e ela me disse não me lembro o que. Não me lembro o que ela me disse. Não me lembro. Dói-me a cabeça. Ela me disse algo que me tirou do sério, e do sério eu saindo, melhor, eu sendo tirado, perdi a cabeça, a compostura, a decência; e sem pensar duas vezes, dei-lhe um tapa, de supetão, na cara, com a mão direita; a direita, sabe? a destra. Foi um tapa bem dado. E a Jacqueline levou a mão ao rosto, e olhou-me com aquele olhar, sabe? de raiva, de raiva furiosa, de fúria raivosa. E entendi, então, ao fitá-la, que ela não iria levar desaforo para casa; aliás, estávamos em casa. E ela não permitiria que o desaforo ficasse lá dentro. Denilson, eu não sei, juro, no que eu pensava, naquele momento. Eu não pensava por mim. Eu não me responsabilizava pelos meus atos, mas me responsabilizaram por eles.
Todo o relato reproduzido no parágrafo anterior, Valério o apresentou num tempo que equivalia ao triplo do que gastaria se estivesse de plena posse de seus pulmões, esôfago e boca. Embora não pronunciasse corretamente as palavras e no volume adequado para se fazer ouvir pelo seu interlocutor, fez-se por ele se entender.

– E sua esposa, Valério – indagou-lhe Denilson -, aquela mulher tão frágil, tão meiga, deu uma sova em você?! E você quer que eu acredite nesta patranha?! Que a Jacqueline tem unhas de leoa, eu sei; que ela é brava, eu também sei. Ela herdou o temperamento sanguíneo do pai dela, aquele homem abrutalhado, fruto da miscigenação de nórdicos, bretões, russos, mongóis e visigodos. Até hoje eu não entendi como de um homem tão selvagem e estúpido e chucro nasceu mulher tão meiga e bela. Juro que não entendo. E olha que ela tem os olhos e o nariz dele.

– Não, Denilson – reprovou-o Valério, falando com a mesma dificuldade que vinha enfrentando até então. – Não é o que você está pensando. A Jacqueline é inocente. Não é ela a personagem mais importante da história. Não foi ela, é claro, que me moeu. Foi o irmão dela. Lembra-se dele?! O David?! David, aquele grandalhão, aquele brutamontes, aquele bárbaro da Ciméria. Homenzarrão de três metros de altura e dois de largura. Davi pequeno é só o da Bíblia. O David, meu antagonista, é um dos monstros da mitologia. De qual mitologia, não sei. Mas que ele é um monstro, é. Um monstro boxeador, lutador de muay-tai, de karatê, e de não sei quais outras, umas cinco ou seis, artes marciais. Coisas de marciano. Reconheço, Nil: o David é um bom homem. E é um ótimo irmão, ninguém há de negar. E é meu cunhado. Meu cunhado favorito. Ai! Dói-me o corpo; dói-me todo o corpo. Dos pés à cabeça. Até as unhas. Mas só dói quando eu respiro.

O Nome da filha de Cristiano Ronaldo. Linguagem. Filmes. Guerra na Ucrânia. Notas breves.

O nome da filha caçula do futebolista português Cristiano Ronaldo, Esmeralda, inspirou ao escritor Deonísio da Silva comentários curiosos, tratando da origem persa do nome e evocando o poeta brasileiro Olavo Bilac.

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Sob o título “Existem Níveis no Uso da Língua?”, publicado, no Facebook, dia 8 de Maio de 2.022, na página Língua e Tradição, Fernando Pestana resume um pensamento de Eugenio Coseriu, que entende que é a linguagem literária, e não a científica, a linguagem por excelência, pois ela explora em sua plenitude a jazida que é a linguagem humana, tão rica, tão vasta.

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Li, recentemente, sete textos, não sei se devo dizer resenhas, ou simplesmente comentários despretensiosos, acerca de filmes, um de autoria de Neto Curvina, um de Paulo Cursino, e cinco de Vincent Sesering. Considerarei o dos dois primeiros, textos, e não artigos, e tampouco resenhas, e ambos os textos publicados, no Facebook, nas páginas de seus respectivos autores, e os do terceiro, resenhas, publicadas, todas as cinco, no site Coquetel Kuleshov. Todos os sete textos são excelentes, e revelam de seus autores fina sensibilidade, e argúcia, para captar detalhes que de quase todos passam despercebidos. O de Neto Curvina é o tema o novo filme que tem seu personagem o mais famoso herói do escritor Ian Fleming, “007 – Sem Tempo para Morrer.”; o de Paulo Cursino comenta um filme nórdico, O Homem do Norte, do qual vi um trailer, que me prendeu a atenção e despertou-me a curiosidade e inspirou-me o desejo de assisti-lo. Diz o autor que representa o filme a figura bárbara, selvagem do herói, não se inibindo em apresentá-lo sujo, em aspecto repulsivo. E as cinco resenhas de autoria de Vincent Sesering, todas publicadas neste ano de 2.022, todas ótimas, são: do mês de Março, “Batman, Matt Reeves, 2022.”, publicado no dia 8; “A Trilogia Bourne, Doug Liman, Paul Geengrass, 2002, 2004, 2007.”, no dia 16; “Batman vs Superman: a origem da Justiça, Zack Snyder, 2016.”, no dia 3; de Abril, “Medida Provisória, Lázaro Ramos, 2022.”, publicado no dia 27; e, de Maio, “Narciso Negro, Michael Powell & Emeric Pressburger, 1947.”, publicado no dia 2.

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Emmanuel Macron, presidente francês, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, pedem cessar-fogo na Ucrânia. E Lloyd Austin, secretário de defesa dos Estados Unidos da América, e o ministro da defesa da Rússia, Sergey Shoigu, reúnem-se, e o representante americano pediu o imediato cessar-fogo.
Aqui, detenho-me para escrever algumas, poucas, observações, acerca das notícias que me chegam aos olhos. Desde o início da conflagração deflagrada pela Rússia há um pouco mais de dois meses que a OTAN planejou, milimetricamente, nos mínimos detalhes, a guerra na Ucrânia, guerra por procuração, e de longa duração, atraindo Vladimir Putin para uma armadilha, na qual ele caiu como um patinho, uma armadilha primorosamente orquestrada, para desgastá-lo, enfraquecer a economia russa e gerar descontentamento nos oligarcas russos, que cortariam a cabeça do ex-espião da KGB. E agora vêm o presidente da França e o secretário de defesa dos Estados Unidos, num curto intervalo de tempo, pedirem pelo fim das hostilidades. Algo não me cheira bem. É só jogo de cena, ou a OTAN deu um tiro no próprio pé, perdeu o controle da situação, as coisas, degringolando-se, estão indo de mal a pior? O que a imprensa não nos conta? O Vladimir Putin já pode dizer: “Não contaram com a minha astúcia.”, ou ainda é cedo? Há dois meses os ocidentais – entenda-se: OTAN – precipitaram-se, e não foram tão astuciosos, como a mídia dava a entender? Presumia-se, então, que a Europa (melhor, Estados Unidos, França e Inglaterra, e seus satélites servis) tinham deixado a Rússia de joelhos.

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Talvez Xi Jinping visite a Arábia Saudita, para tratar da venda de petróleo saudita à China, que pagaria em Yuan, e não em Dólares, as transações financeiras por um meio que não o SWIFT, do qual a Rússia foi excluída logo no primeiro capítulo da novela das sanções otânicas ao país dos Romanofs. Estariam Rússia e China unidos para desbancar o Dólar como moeda hegemônica do comércio internacional, e secundados por Irã, Venezuela e países da antiga União Soviética? É a guerra que ora se desenrola na Ucrânia os prolegômenos de uma guerra que pedirá um Homero para cantá-la, invocando as musas?

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Os países do chamado Ocidente, inclusive os que geograficamente se situam no Oriente estão, inegavelmente, a revelarem-se, não os paladinos da Liberdade, como assim ensina a propaganda, e desde tempos imemoriais, mas autoritários, daí muitos ocidentais indiferentes aos destinos de seus países, vistos, infelizmente, como infernos na Terra, o povo, confuso, desnorteado, a confundir os seus supostos representantes com a terra em que pisam. O governo da Austrália quer vir a proibir o cultivo de alimentos em propriedades particulares, seus donos a labutarem para garantir o próprio sustento, e não para comercializarem os produtos comestíveis que extraírem de suas terras. E mesmo que os comercializassem, que mal haveria? A quem interessa a proibição do cultivo caseiro de alimentos? Os grandes empresários do ramo alimentício, que veriam os australianos comendo-lhes nas palmas das mãos, cabisbaixos, constrangidos, humilhados, a delas tirarem migalhas, que lhes são postas diante dos olhos, para emasculá-los. Tal notícia me fez evocar duas reportagens, que há um bom par de anos eu li, que traziam notícia, uma, dos Estados Unidos, outra, do Brasil, aquela a informar que uma família americana foi proibida de cultivar, no jardim de sua casa, para consumo próprio, tomates, esta a falar da proposta de um político brasileiro que sugeria algo similar ao que o governo da terra dos cangurus e dos ornitorrincos ora propõe – se não me falha a memória, em um dos entes estaduais da região sul, lá pelas bandas da terra do Érico Veríssimo. E vem-me à mente o filme O Vingador do Futuro, de Paul Verhoeven, com Arnold Schwarzenegger a interpretar o protagonista. Neste filme, os marcianos, que são humanos, vivem à mercê da boa vontade de empresários cujas empresas monopolizam a distribuição de oxigênio.
Não sei se é a vida que imita a arte, se a arte que imita a vida.

Faz calor, ou frio?

Era uma vez…
João Cascudo, descendente dos neanderthais, homem de meia idade (e o que eu quero dizer ao dá-lo de meia-idade, não sei), de estatura mediana, barriga pronunciada, de poucos fios de cabelos espalhados pela cabeça razoavelmente agigantada. Num dia de sol de rachar a cabeça de todo filho de Deus, saiu à rua com indumentária típica dos esquimós. Abordou-o Paulo, seu vizinho, que, ao vê-lo, perguntou-se, divertido com a figura bizarra dele, o que lhe ia na cabeça:

– Ô, casca grossa, você está no Pólo Norte?

– Não, songomongo; estou no Pólo Sul – replicou João, sério e sorridente, carrancudo e jocoso.

– E tem pinguim aí, ô, picolé? – persistiu Paulo, zombeteiro, a rir, agora com mais liberdade, de seu amigo.

– ‘tô com frio, ô, diabos!

– Frio!? Você está doente!?

– Doente, ou não, hoje estou com frio. Não sei o que me acontece hoje. Tão logo acordei, desci da cama; ao pôr os pés no chão, tremi, e dos pés à cabeça, de frio, de frio dos infernos.

– Dos infernos!? Dos infernos!? E há frio no inferno!?

– Quem sabe?!


E João e Paulo seguiram, juntos, até a padaria.

Alarmismo ambiental. Fome. Autoritários. Transhumanismo. Guerra na Ucrânia. Soberania Brasileira. Notas breves.

O alarmismo ambiental é mentiroso, criminoso, nefasto. Os ambientalistas alarmistas assopraram as trombetas do apocalipse, que já ocorreu, e ontem, e os humanos, indiferentes ao destino da Terra, não perceberam. É um fenômeno eterno o fim-do-mundo que os ambientalistas xiitas anunciam, diuturnamente, a conservar suspensa a respiração de quem lhes dá ouvidos. O mundo já acabou, conclui quem se dispõe a fazer de seus ouvidos penicos dos salvadores da Terra.
Em defesa das políticas ambientais suicidas, que redundarão, sabem os sensatos – e a voz destes não sensibiliza os donos-do-mundo -, no fim da Terra, os financiadores das políticas ambientalistas mundiais ocultam de todos as notícias alvissareiras, que, além de lhes contestarem a narrativa, ao mundo mostram que as coisas não estão a ir de mal a pior, os humanos a chegarem ao ponto de dizimar a vida na Terra.
Uma reportagem, de autoria de Luis Dufaur, publicada no site ‘Verde: A Cor Nova do Comunismo’, publicada, no dia 20 de Março deste ano de 2.022, “Mais de 550 Novas Espécies Descobertas em 2.021.”, dá a conhecer notícia que anima quem não se dobrou às mentiras reinantes. Para espanto de muita gente, que, boquiaberta, passeia seus olhos pelas palavras que recheiam o artigo, sabe-se que ainda há muito a se conhecer: não estão catalogadas todas as espécies de seres vivos existentes na Terra. Fala-se na reportagem da descoberta de crustáceos – cuja figura lembra a dos camarões -, criaturas que vivem em lagos, em fossas oceânicas e em outros locais, e da de vespas, e caranguejos, e mariposas, e moscas, e besouros, e anfíbios, e répteis, e plantas. Ao fim da leitura, conclui-se que a ignorância dos humanos acerca da vida na Terra, de sua diversidade, é maior do que se pensa, do que querem dar a entender que é. Que imagine quem tem o dom da imaginação o que há para se conhecer nos oceanos e na floresta amazônica, regiões quase que inteiramente inexploradas pelos seres humanos. Há quem diga que os humanos sabemos mais da Lua do que do fundo dos mares.

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A crise econômica provocada, não pelo coronavírus, mas pelas políticas sanitárias insanas decretadas em escala global, aumenta a escassez de gêneros alimentícios em muitos países e provoca a elevação do preço de alimentos em praticamente todos os países. E em algumas nações, Madagascar, Etiópia, Sudão do Sul e Iêmen, o que já era ruim piora, e a olhos vistos.

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São impressionantes, e assustadoras, a desfaçatez e a violência – verbal, que pode se traduzir em violência física – daqueles que pretendem impor sua visão-de-mundo a todo o mundo; movem eles montanhas para removerem da frente toda e qualquer pessoa que não se prosterna, pusilanimemente, diante deles.

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Klaus Schwab, em um curto vídeo, no Fórum Econômico Mundial, fala do Great Reset e da Quarta Revolução Cultural. E muita gente diz que o Great Reset – da mesma forma que a agenda ONU 2030 – é teoria da conspiração. E é teoria da conspiração, também, a ideologia transhumanista, a interface humano-máquina (cérebro humano e computador interconetados), um trambolho apelidado de Neurolink – alô, Elon Musk! -, idéia, esta, que está no livro “Muito Além do Nosso Eu.”, de Miguel Nicolelis, e a ereção de um Estado Global onipotente, onipresente, omnissapiente. São teorias da conspiração mesmo depois de elas saírem do papel, e concretizarem-se.

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Kassandra Marr informa que o Conselho de Segurança da ONU publica uma declaração, que conta com a assinatura da Rússia, a considerar, num vocabulário de quem pisa em ovos, para não ferir brios do governo russo, um conflito, um conflito, unicamente, a guerra que ora se desenrola aos olhos de meio mundo.

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É a Ucrânia prostituta da OTAN; e a OTAN dos Estados Unidos, declaram alguns dissidentes, seres que se negam a papaguear a narrativa da mídia ocidental. E pergunto: Os Estados Unidos são a prostituta de quem? Os atuais passos do Tio Sam são de estranhar toda pessoa que tem nele um modelo perfeito de defensor da Liberdade, da Justiça e da Democracia, valores universais dos quais, pensa-se, ele não abre mão e em defesa dos quais não titubeia.

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Chamaram a atenção alguns comentaristas de política tupiniquim a uma fala, ou a uma postagem em rede social, não sei, de Luís Inácio Lula da Silva, candidato a presidente do Brasil: a que trazia a informação de que ele, se eleito presidente, irá valorizar a soberania brasileira, e para tanto fortalecerá instituições supranacionais, o Mercosul, a Unasul, a Celac e o BRICS. Viram em tal afirmação asneiras das grossas, a mais rematada tolice. Mas desapaixonadamente, e sem se impelir pelo ódio visceral ao personagem indigitado acima, deve-se perguntar, considerando o contexto político internacional, se ele disse alguma asnice monumental e se pode o Brasil prescindir de alianças com outras nações, com algumas dentre elas agrupadas sob esta ou aquela sigla. Reprovar a opção dele pelo Mercosul, que nenhum bem trouxe ao Brasil – aliás, ao Brasil só trouxe dissabores e aborrecimentos – e à Unasul e à Celac, entendo; são escolhas decididas por identidade ideológica. Mas, e a presença do Brasil no BRICS? A filiação do Brasil ao BRICS favorece, ou não, a soberania brasileira? Não nos esqueçamos que três dos outros quatro países – Rússia, na atualidade a segunda maior potência militar, Índia, potência econômica, militar, cultural e política em ascensão, e China, a maior economia nacional, se se considerar a paridade do poder de compra da sua moeda – são ciosas cada qual da sua soberania nacional, mas não dispensam a aliança, para fazer frente à UE e à OTAN, com os outros membros do BRICS. O Brasil tem recursos para levantar, em nome de sua soberania, vôo solo, dispensar toda e qualquer aliança estratégica, agir tal qual um lobo solitário, orgulhoso de seu poder – que é, sabemos, fruto da imaginação, irrealista, vou assim dizer, de nacionalistas fervorosos, que estufam o peito para cacarejar suas patriotadas impotentes -, e encarar, de peito aberto, as outras nações, principalmente as mais poderosas? Que o Brasil participe, sem abrir mão de sua soberania, de grupos supranacionais, mas que sejam estes os que o fortaleçam, e não os que o enfraquecem. E não se pode deixar de apontar: o presidente Jair Messias Bolsonaro, assim me parece, não é hostil ao BRICS.

Escrever bem. Tensão nos Balcãs. 2.000 Mules. Guerra na Ucrânia. Notas breves.

No texto, publicado, no Facebook, “Como Escrever com Clareza.”, na página “Língua e Tradição”, Lara Brenner fala da importância do ato de escrever, mas não escrever sem um propósito definido, e, sim, tendo em mente um tema importante, que toca fundo no espírito de quem se põe a escrever, a ponderar as argumentações apresentadas, com sinceridade e coragem autênticas, e pensamentos ordenados numa sequência lógica, buscando-se o conhecimento de si, enfrentando os seus demônios – e para tanto tem de se conhecer as regras básicas da gramática, para que se possa expor os pensamentos com segurança, o que se alcança, com certo esforço e dificuldade, é verdade, se, e apenas se, se é franco para consigo mesmo quem se dedica a escrever. E menciona um estudioso, James Pennebacker, que, nos anos 1990, persuadiu doentes a participar de um teste de escrita, que se conhece pelo nome de psiconeuroimunologia, importante remédio anímico, e obteve resultados satisfatórios. Ao ler tal texto, evoquei a figura de Olavo de Carvalho, escritor, filósofo e professor de extraordinária formação literária, que exortava alunos seus e seus leitores, e seus admiradores, enfim, qualquer pessoa a, de tempo em tempos, escrever um necrológio, cada um o seu, a refletir sobre sua vida, um exercício poderoso para o autoconhecimento, uma atividade salutar. E lembrei-me de Rodrigo Gurgel, professor, escritor e crítico literário fora-de-série, que não se nega a, e tampouco se cansa de, falar da importância de se escrever diários e memórias.

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Está a aumentar, li em algum lugar, as tensões nos Balcãs. As Forças Armadas sérvias estão a realizar exercícios militares.

Não foi há muito tempo que o povo daquela região, um caldeirão étnico e cultural, viveu um mortícinio durante conflitos sangrentos insuflados, li, por nações ocidentais, Estados Unidos em particular. E esfacelou-se a Iugoslávia. Desentranhou-se. E as nações que de tal esfacelamento resultaram estão sempre na iminência de se auto-destruírem. Para irem às vias de fato, basta uma fagulha; e qualquer coisa, um piscar de olhos mal interpretado, pode vir a detonar novo conflito sangrento entre os povos balcânicos.

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O documentário 2.000 Mules, de Dinesh D’Souza, que não assisti, mas do qual já li comentários, está a dar o que falar, e a pôr em pé os cabelos de muita gente, até os de carecas, e a roubar o sono de gente que, conquanto diabólica, até outro dia, enquanto dormia, sonhava com os anjos. Dá notícia o documentário – foi o que eu li – da ocorrência de fraudes nas eleições americanas de 2.020. Exibe os “mulas” do Partido Democrata a executarem atos indignos de pessoas que respeitam as regras democráticas.

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Ao contrário do que muitos comentadores, estudiosos e especialistas afirmaram, na antevéspera, na véspera, e durante os preparativos militares, da eclosão da guerra que ora varre a Ucrânia, Vladimir Putin, assim pensam alguns observadores, jamais pretendeu tomar de assalto a Ucrânia, e conquistar Kiev em no máximo uma semana, e tampouco reconstruir, nos anos subsequentes, a União Soviética. Todos os blogueiros, jornalistas e youtubers e similares que defenderam tal tese limitaram-se a ecoar a narrativa da imprensa ocidental, que está nas mãos de multibilionários ocidentais, os mesmos que têm na Rússia, e não em Vladimir Putin, independentemente de quem ocupa a cadeira principal do Kremlin, um inimigo a ser abatido; e foi com a unanimidade midiática que Volodymyr Zelensky se converteu em um herói da estirpe de Winston Churchill, mas que, já se percebe, não passa de um capacho dos globalistas ocidentais, dos metacapitalistas, que ambicionam pôr todas as nações sob o garrote de um Estado Global, e que não medem esforços para atingir os seus objetivos.

Pretende Vladimir Putin, dizem alguns comentadores, unicamente, avançar, aos poucos, lenta, e constantemente, e inexoravelmente, para dentro do território ucraniano, a partir do leste, fronteira da mãe da Rússia com a Mãe Rússia, e com seus meios ir eliminando, durante o avanço, os militares ucranianos, os mercenários estrangeiros e os neonazistas – que, parece, não são personagens fictícios de uma trama russa diabólica, conspiracionista, mas pessoas de carne e osso que há um bom tempo estão a aterrorizar os ucranianos, principalmente os do leste, em Donbass e Donetsk -, deixando, assim, segura, a retaguarda, evitando, consequentemente, surpresas desagradáveis – se dominasse toda a Ucrânia antes de eliminar a resistência militar ucraniana e os combatentes estrangeiros, o exército russo enfrentaria, posteriormente, dificuldades insuperáveis para conservar o controle do território ucraniano, e manter a ordem social, e teria problemas maiores, infinitamente maiores, do que o que enfrentou ao pôr os pés na Ucrânia. Os que declararam que a OTAN armou uma arapuca para Vladimir Putin, e ele nela caiu como um patinho, equivocaram-se, presume-se, redondamente, pois partiram do princípio que era intenção dele conquistar a Ucrânia da noite para o dia, começar a guerra na segunda-feira à noite e dá-la, vitorioso, por encerrada, na terça-feira de manhã. Se não foi essa a intenção primordial de Vladimir Putin, por que, então, o exército russo avançou, pelo norte, território ucraniano adentro, contra Kiev? Entendem alguns estudiosos de estratégia militar que os militares russos que participaram de tal manobra, seguindo à risca um plano desenhado no Kremlin, tinham a função de obrigar as Forças Armadas ucranianas a manter em Kiev batalhões ucranianos, que, para bloquear o avanço russo, não poderiam auxiliar os batalhões ucranianos que combatiam no leste – e estes não recebendo reforços, as duas posições militares ucranianas, a do leste e a de Kiev, ficaram em desvantagem frente ao exército russo.

Após os mais de dois meses de conflito, a Rússia segue, lenta, e gradativamente, o seu avanço por terras ucranianas, com segurança, e destrói aeroportos e ferrovias, impedindo que o carregamento de armas enviadas por Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e alguns poucos outros países chegue às tropas ucranianas.

E é resultado visível, e preocupante, e direto, do conflito, a elevação dos preços das commodities russas, gás, petróleo, matérias-primas e produtos alimentícios, pelos quais agora a Europa paga mais caro do que pagava há poucos meses. E é preocupante a redução da produção de alimentos da safra ucraniana; e já se avizinha crise de abastecimento de produtos alimentícios nos países mais pobres – escassez e encarecimento de alimentos.

E para encerrar esta nota breve, notas brevíssimas: Militares ucranianos, em Azovstal, usam a população de escudo humano; a Ucrânia perde, todo santo dia, uns quinhentos soldados; mães e esposas de ucranianos revoltam-se contra o governo ucraniano, que está a recrutar seus filhos e maridos, e a enviá-los para a frente de batalha, para a morte certa, pois eles, antes, não recebem apropriados treinamento e armamentos – são apenas buchas-de-canhão, homens descartáveis; as sanções que alguns países europeus impuseram à Rússia afetam mais eles mesmos do que a Rússia; mercenários estrangeiros, que acreditaram que teriam vida fácil na Ucrânia, e que passeariam por lá, regressam, com o rabo entre as pernas, aos seus países de origem.

Muitas das informações que registrei, nesta nota breve, eu as tirei de textos de Kleber Sernik, e de outras fontes.

Para me informar acerca do que se passa na Ucrânia, não necessariamente em terras ucranianas, mas ao conflito que envolve Rússia e OTAN, que tem na Ucrânia seu principal, em termos bélicos, campo de batalha, leio textos do já citado Kleber Sernik, e de Kassandra Marr, Karina Michelin, Naomi Yamaguchi, Maurício Alves, e outros.

O socialismo dos socialistas e o socialismo real. Profissão: bandido. Multiculturalismo e politicamente correto. Notas breves.

Diz, melhor, dizia a lenda que Hugo Chavez, e, após ele, Nicolás Maduro, implantaram, na Venezuela, políticas econômicas, de inspiração socialista, anti-capitalista, de distribuição gratuíta de petróleo e alimentos aos venezuelanos, a favorecer o Estado, em detrimento dos capitalistas e empresários, políticas que fariam da Venezuela um paraíso, país, a Venezuela, onde não mais existiriam injustiça social e desigualdade de renda. E o povo venezuelano acreditou no canto da sereia socialista e embebedou-se com as facilidades que os esquerdistas, de bom grado, amáveis, ofereceram-lhe, e vislumbrou, no horizonte imaginativo, fantástico, que a oratória de Chavez e companheiros de jornada inspiraram-lhe, o paraíso; e cuspiu na cara de todo aquele que lhe chamou a atenção para o perigo que as políticas de Chavez e Maduro representavam, expondo-as à razão, projetando luz sobre seu núcleo demagógico, populista, trazendo-lhe para diante dos olhos cenas de um futuro negro, tétrico, o povo venezuelano a comer o pão que o diabo amassou. Dos alertas o povo venezuelano fez pouco caso; preferiu acreditar nos políticos que lhe prometiam o céu. E mal sabia que teria o inferno. Entregou aos seus carrascos a corda com que eles o enforcaram. Foi tiro, e queda; e não foram necessárias décadas, ou uma centúria, para que a miséria decorrente da política socialista chavista e madurista se tornasse do conhecimento do mundo. Mas enquanto tal não se deu; enquanto puderam do mundo ocultar os horrores, que se multiplicavam, na Venezuela, a miséria, que se encorpava, a tirania, que, se fortalecendo, massacrava o povo, e o êxodo de venezuelanos para a Colômbia e o Brasil, os socialistas declaravam, orgulhosamente, de peito cheio, que o socialismo trouxe paz, riqueza, justiça, igualdade e democracia aos venezuelanos ao eliminar os capitalistas, mas bastou perderam o controle da narrativa, o mundo vindo a conhecer o inferno em que a Venezuela se transformou, que mudaram o discurso; agora, dizem que na Venezuela não há socialismo; que os postulados socialistas não estão, e nunca estiveram, contemplados nas políticas de Hugo Chavez e Nicolás Maduro. E os socialistas, então, decidiram apostar todas as suas fichas na Argentina, que ia desgovernada, diziam, nas mãos de Maurício Macri, amigo dos capitalistas gringos. Tinham os socialistas, para o bem do povo argentino, de remover da Casa Rosada o desumano capitalista, e no seu lugar pôr um socialista. E assim foi feito: Alberto Fernández foi eleito o representante, democraticamente eleito presidente da Argentina, do povo argentino. E tem ele a graciosa Cristina Kirchner sua vice. E a Argentina rumou, a passos largos, e seguros, ao paraíso, agora a viver sob regime socialista; e os socialistas clamaram vitória, e os argentinos felicidade inédita. Só que não, como se diz por aí. A Argentina vai de mal a pior. Os heróis dos antibolsonaristas, Alberto Fernández e Cristina Kirchner, traíram, dizem, agora, os socialistas, os ideais nobres do socialismo e, ao invés de produzirem riqueza, igualdade e justiça, produziram miséria, desigualdade e injustiça. Traidores miseráveis! E os socialistas, heróicos e destemidos combatentes do mal capitalista, persistem; não desistem; são resilientes; não esmorecem. Estão decididos a erguer, agora no Chile, o paraíso socialista, com o tal Gabriel Bóric, personagem lendário, herói impoluto, que está a pedir um Homero para lhe registrar, em hexâmetros dactílicos,seus feitos memoráveis, para conhecimento da posteridade.

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Não li, com atenção, uma certa notícia, cujo teor passou-me, diante dos olhos, na velocidade da luz: um governador qualquer de não sei qual estado da federação brasílica, ou um prefeito qualquer de sei lá eu qual município, disse que temos os brasileiros de atentar para a importância da indústria do tráfico de drogas, que está a contribuir para atenuar os efeitos nefastos do desemprego causado pela epidemia, pois o tráfico está a empregar muitos, muitos jovens, que, sem a oportunidade, imperdível oportunidade, que os traficantes lhes oferecem, estariam, perdidos, na rua, sujeitos a serem aliciados por criminosos, e a integrarem a legião de marginais que estão a flagelar a sociedade brasileira, e a virem a perpetrar crimes, e crimes horrendos, hediondos. Quase me vieram lágrimas aos olhos, confesso, ao conhecer a dedicação do político pelo bem comum, mesmo que eu tenha passado por cima os olhos em tal reportagem. É consolador saber que há políticos brasileiros que pensam no bem-estar dos brasileiros.

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Está a Suécia em maus lençóis. Marco Frenette informa que, durante o regime militar, muitos comunoterroristas fugidos do Brasil, expatriaram-se para a Suécia; e com a imigração desordenada de adeptos do islamismo, enfrenta o país de Selma Lagerlof o domínio dos maometanos, que, em algumas áreas do país, impõem a sharia, e ninguém lhes faz objeção. E ai de quem se opõe às políticas multiculturalistas e progressistas que estão a rasgar o tecido social sueco! Quem ousa questionar, esboçar, que seja! uma crítica a tal política, é tachado de fascista, de extremista de direita, de islamofóbico. O mesmo fenômeno, já chegou ao meu conhecimento, e não foi hoje, nem ontem, se dá em outros países europeus, principalmente na Alemanha, na Grã-Bretanha, na Noruega e na Holanda. Não sei se procede a notícia, ou se é teoria da conspiração: ocorreu, há não muito tempo, na Alemanha, estupro coletivo, na véspera de comemorações natalinas; centenas de mulheres foram estupradas por muçulmanos. E dá-se a conhecer que é a Suécia a capital mundial dos estupros. E não podem os suecos esboçar uma queixa que o mundo lhes desaba sobre a cabeça e soterra-os sob toneladas de impropérios.
O multiculturalismo, e todo o pacote politicamente correto, está a fazer um estrago danado em todas as nações, mas, parece, mais nos países da Europa ocidental e nos Estados Unidos do que em qualquer outra parte do mundo. Algumas nações rejeitam terminantemente o manual de instruções do instrumento politicamente correto, em seu todo, e nem sequer desejam pô-lo sobre a mesa para discussão; sabem do poder corrosivo de tal obra malfazeja, e não pretendem perder tempo simulando urbanidade, civilidade, como o fazem os povos europeus, que, para se diferenciarem do restante do mundo, e se darem ares de sofisticados, culturalmente superiores, e não se misturarem com os bárbaros de outras praças, adotam o figurino que os engenheiros sociais lhes oferecem, e o fazem orgulhosos, gostosamente. São os gostosões do planeta, e muitos, tais quais avestruzes, estão, com a cabeça enfiada no chão, a estapearem e escoicearem toda pessoa que lhes exorta a olhar em volta para se conscientizarem do inferno que a pusilanimidade deles criou. Pisaram na jaca, e pisaram feio, e agora choram as pitangas. E pergunto-me se são de crocodilo as lágrimas que lhes escorre pelo rosto.

Maldita Valéria! – mensagem de Barnabé Varejeira.

Bão dia, Cérjim, meu amigo, amigo do peito, amigo que muito bem eu quero, amigo do coração, do coração de ouro, de ouro de oito que late. Que Deus Nosso Siôr Jesu Cristo Menino, Fio do Zé i da Santa Maria, proteja ocê sempre, i sempre, i pa todo o sempre. Amém.
Transandônte, anteônte, i ônte, i ôje, Cérjim, eu ovi uma instória daquelas de arrepiá os cabelo de ovo de pata. Meu Deus do Céu! Tem gente neste mundão de Deus Nosso Siôr que só sabe fazê disgrama das bem desgraçada. Que os diabo as carregue pus quinto dos inferno. E que Deus Nosso Siôr me perdõe se cometi, i cometi, uma heresia imperdoáve. Mas não dá pa guentá tanta mardade das pessoa. Não dá. Não tenho paciência de Jó. Deus me livre! Deus deu, Cérjim, um inspírito pa cada fio-de-Deus, um só, unzinho só, um pa cada uma das pessoa de duas perna; todavia, entanto, há pessoas que têm dois inspírito: o que Deus deu, e o que o cão deu, e o cão deu o inspírito-de-porco. Deus me livre de tanta disgrama! Cérjim, eu ovi, já disse eu, i repito, ônte, i anteônte, i transandônte, i ôje, i osso às veiz, à quarqué hora do dia i da noite, uma daquelas notiça de doer no coração de todo ômi de bom coração.
Óia, Cérjim, ocê sabe tão bem quanto eu, o até mais, pruque ocê é um ômi estudado, que há um bão tempo nóis sofre pruque um sino-chinês comeu, lá pras banda dos ómi de óio fechado, parente próximo, um primo, i quase irmão, dos japa-nipônico, um morcego, i cru. Daí, a instória é de conhecimento de todo os ómi. O sino-chinês ficô ruim pa dedéu, i antes de í po beleléu, gurspiu, o mal-encaminhado, um caroço de catarro com o vírus, aquele bichinho que os fio-de-Deus, não o veno, vê, i o estrupício, o tal bichinho, vuô, i vuô, foi de lá pra cá, o bandido, i infectô uns punhado de sino-chinês, de japa-nipônico, de viéti-vietnã, de gringo-americano, de portuga-lusíada, de ítalo-romano, i ôtras raça de gente de otros praneta, até que, enfim, infectô um brasilêro, i, depois disso, arrasô cas vida de muinto de nosso povo. I que Deus Nosso Siôr Jesu Cristo Menino, Fio do Zé i da Santa Maria, sarve as arma de todos ele, i dêxe elas í pô céu. I que tenha misericórdia de todo os ômi.
Pois bem, Cérjim, nós sofreu à beça. Sofrêmo muito. Mas tâmo nos livrano do mardito mocorongovírus, que fez uma disgrama que só veno. Mas a vida segue. Temo de segui, sem insmorece. Temo que arregaçá as manga, i pôr mãos à obra. Fazê o quê?! Se é ansim, é ansim. Deus Nosso Siôr sabe o que faz.
Agora, veja bem, Cérjim. Ocê veja como as pessoa não qué que a gente respire nem um gole de ar puro, pa espairece, renová as energia, pa podê pegá no batente, i segui em frente pruque atrás vem gente, i já dão um jeito de fazê as pessoa ficá cas perna bamba de tanto medo. Ô gente coisa-ruim! Nem mal nos livrâmo do mocorongovírus, i já trosséro ôtro bichinho pa nos atazaná a cabeça, i nos deixá de cabelos em pé, i o coração apertado, de tanto susto, susto atrás de susto. Deus me livre. Primêro, um sino-chinês cóme carne de morcego, crua, i o mar se espáia pela terra de Nosso Siôr, fazeno muinto mar pa toda as pessoa; i agora, uma tar de Valéria cóme carne de macaco, má-passada, passa mar, e górspi um catarro tão tamanhudo, de assustá até abantesma, sofre um piripaque, i parte desta pa mió, i da massa catarruda que ela gurspiu brota um bichinho, que, tal qual o mocorongovírus, não o veno, todo mundo o vê, i espaia-se de um fio-de-Deus para ôtro, i pa ôtro, i pa ôtro, i pa ôtro, i põe toda as pessoa de cabelo em pé.
Óie ocê, Cérjim, i ossa bem: as muié são danada pa trazê disgrama no mundo. Primêro, a senhora Eva, de triste memória, come uma das maçã da maciêra, instragada, i agora a tar da Valéria come carne de macaco, má-passada. Mardita Eva! Mardita Valéria!

Amos Oz, Fernando Sabino, Rodrigo Gurgel, Dostoiévsli, Kafka, Monteiro Lobato, Mário de Andrade. Gianfrancesco Guarnieri. Notas brevíssimas.

Sumri, de Amos Oz, é um livro cativante, sensível.

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Martini Seco, conto, que aqui não conto, de Fernando Sabino, é uma divertida sátira dos romances policiais. A cena final, hilária.

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Para Rodrigo Gurgel, professor, escritor e crítico literário, são os três escritores fundamentais da literatura brasileira Manuel Antonio de Almeida, Machado de Assis e Graciliano Ramos.

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Após a leitura de Crime e Castigo, de Dostoiévski, e O Processo, de Kafka, não se recupera jamais a sanidade.

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Pergunto-me se Jeca Tatu e Macunaíma eram tipos brasileiros comuns, ou se, de tão raros, atraíram a atenção, o primeiro, de Monteiro Lobato, o segundo, de Mário de Andrade, ou se são criações literárias que simbolizavam as leituras singulares que seus criadores faziam da realidade.

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Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, é um panfleto ideológico apenas. Em tal peça, condena-se o homem que não se submete à classe à qual dizem que ele tem de pertencer e que sonha com sua ascensão social.

Admirável mundo novo. Rússia x OTAN. E outras notas breves.

Durante os anos de epidemia, além de crescerem exponencialmente as transações financeiras e comerciais via meios digitais, o que para muitos é contraproducente, elevaram-se as vozes favoráveis ao famigerado passaporte vacinal, o que se configura para não poucas pessoas um instrumento de vigilância, de controle populacional, um exercício, em estágio embrionário, de monitoramento de pessoas, exercício que irá integrar as estruturas constritoras de um estado global autoritário, o que, é questão de tempo, será erguido, doa a quem doer. E a facilidade com que centenas de milhões de pessoas, flageladas pelo terror midiático, que promoveu histeria coletiva, submeteram-se aos mandos e desmandos de políticos secundados por renomados médicos e cientistas alçados, da noite para o dia, à condição de heróis, é, inequivocamente, um sinal agourento para os autênticos defensores da liberdade, e alvissareiro para os propugnadores do estado autoritário tecnocrata transhumanista, sob cujo jugo todo indivíduo despersonalizado, roubada de si a consciência individual, viverá, pusilanimemente, respondendo a estímulos pavlovianos. É esta uma visão fatalista, determinista, da história da espécie humana. Está o ser humano fadado a perder a sua essência humana, os dons que o fazem humano, ou é tal futurismo abstração fantasiosa, quimérica, que vai às raias do absurdo, do surrealista, fruto de cérebros imaginosos?

As transações financeiras por meios digitais acenderam o sinal de alerta na cabeça de muita gente, que prevê, e para um tempo não muito distante, a extinção do dinheiro em papel, o que será uma catástrofe, pois todas as informações referentes às finanças de todos os cidadãos da aldeia global estarão armazenadas em supercomputadores dotados de inteligência artificial, propriedades de gente extraordinariamente ricas, que, na comparação com o Tio Patinhas, o muquirana mais amado da história, dono de quaquilhões que transbordam de sua caixa forte, alvo preferencial dos Irmãos Metralha, são faraós, e tão podres de ricos, que governam, por meio de chefes-de-estado, seus testas-de-ferro, o destino de nações e povos. E se um cidadão cair em desgraça ao contrariar os interesses de algum potentado, o dinheiro, em meios virtuais, desaparece, como se nunca tivesse existido, num estalar de dedos, num piscar de olhos, num passe de mágica. Seria o fim da liberdade. Todo o cidadão estaria à mercê de tiranos. E qual é a outra alternativa? Virar as costas para o futuro que se esboça, hoje? Ou dar-se um jeito de se adaptar ao meio que está a se criar, sem por ele se deixar subjugar, oprimir, massacrar? Ou erigir outra civilização que dispensa os recursos tecnológicos do admirável mundo novo no qual muita gente sonha viver. Quem nunca sonhou com as comodidades que a civilização da era dos Jetsons oferece? E quantos são os que preferem viver na era dos Flinstones?

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Aumenta a Gazprom, empresa petrolífera russa, consideravelmente, desde o início da conflagração que varre o território ucraniano, a venda de gás à China, que está a substituir os europeus na condição de clientes dos russos, o que, para muitos, irá pôr a Rússia na dependência da China, desta vindo a se tornar um mero satélite. E há uns meses, e antes do início do conflito russo-ucraniano, alguns estudiosos ocidentais alertaram para a política temerária do ocidente, a de ameaçar a onça com vara curta, e encurralá-la, melhor, ameaçar o urso russo, pois o obrigaria a jogar-se no colo dos chineses, ou, o que era mais provável, Moscou estreitar laços estratégicos com Pequim, constituindo um bloco anti-ocidental poderoso – e parece que é este o cenário que está se desenhando.

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O governo da Bulgária, e o da Hungria, e o da Eslováquia, e o da República Tcheca – quatro países que, além de dependerem do gás russo, estão no caminho pelo qual o gás russo é transportado, da Rússia, para a Europa ocidental, estão em uma posição desconfortável. São tais países a chave para expôr a maracutaia européia, inconfessada, que a mídia esforça-se por ocultar. Noticia-se que a Europa não abre mão da política de sanções contra o gás e o petróleo russos e que os governos dos quatro países citados acima são refratários, os desavergonhados, à política de sanções, porque tais países dependem do gás russo. Mas a verdade, a verdade verdadeira, ensina que tal narrativa é jogo-de-cena, e que a Europa dispensou da aplicação de sanções ao gás russo os governos da Bulgária, da Hungria, da Eslováquia e da República Tcheca, para que ela possa destes países comprá-lo – para todos os efeitos, compra a Europa dos quatro países, não o gás russo, mas, respectivamente, o gás búlgaro, o gás húngaro, o gás eslovaco e o gás tcheko. Meninos espertinhos os europeus ocidentais, ninguém há de negar. Conquistar a fama de heróis a lutarem contra o poderoso urso russo, ao mesmo tempo que se conservam aquecidos com o gás russo. Há um porém, todavia: agora, pagam os europeus uma nota preta pelo gás que antes compravam por uma pechincha. Não são tão espertinhos os espertalhões.

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Grupos pró-Rússia, que têm, na mãe Rússia, a salvação da civilização humana, e no Ocidente, resumindo-o aos Estados Unidos da América, o demônio a ser vencido, e em Israel uma terra amaldiçoada, e seu governo maldito, e seu povo desprezível, estão a ver com bons olhos o estreitamento dos laços diplomáticos e estratégicos do governo da Rússia com os da Síria e do Irã, e o apoio dos russos ao Hezbollah e à resistência palestina, sabidamente governos e grupos que almejam concretizar o sonho, há muito acalentado, de varrer Israel do mapa. E elogiaram tais russófilos a ida de uma delegação do Hamas a Moscou e a recepção amigável, para uns calorosas, que o representante especial do presidente russo para o Oriente Médio e África, Mikhail Bogdanov, dipensou-lhe. E justificaram a ação do governo russo: o governo israelense oferece apoio militar a grupos ucranianos nazistas que se batem com a Rússia, então, não há razão para se reprovar o governo russo, que acolhe em seu seio os inimigos de Israel. E há poucos dias causou desconforto em autoridades israelenses uma declaração de Sergey Lavrov, a de que era Adolf Hitler judeu.

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Denunciam grupos pró-russos atrocidades cometidas pelo exército ucraniano, na aldeia de Terny, no distrito de Limansky, em Donetsk. Procedem as denúncias? Sabe quem lá está.

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Estão a bombardear, com drones, território da Transnístria. Dizem, uns, que são os russos que o bombardeiam; outros, os ucranianos. Quem diz a verdade? O que deseja quem ataca o território oeste da Ucrânia, na fronteira com a Moldávia (ou é território leste da Moldávia a Transnístria, na fronteira com a Ucrânia? Tão confusas estão as coisas por aquelas bandas que já não se sabe qual território pertence a qual país). A quem interessa a escalada do conflito? Aos russos, aos ucranianos, aos alemães, aos ingleses, aos americanos, aos gregos, aos troianos?

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Ataca um vilarejo armênio o exército do Azerbaijão.

Há ouro no subsolo da região fronteiriça entre Azerbaijão e Armênia – ouro em boa quantidade, presumo, quantidade imensurável de ouro, toneladas e mais toneladas, o que valeria uma guerra entre as duas nações que querem assumir total controle sobre a região. Entre as duas nações, ou entre as pessoas que pretendem retirar de sob a terra o diamante dourado, um russo, que tem o direito de explorar a região do lado armênio da fronteira, e um iraniano, que da fronteira explora o lado azerbaijão – e os governos dos dois países limitam-se a satisfazer-lhes os desejos.

As guerras acompanham os humanos desde Caim e Abel, e suas causas são as mais variadas, e vão desde a inveja entre irmãos até as ambição e ganância desmedidas de homens e mulheres de todas as raças, credos e ideologias. O ouro é só um dos objetos que faz com que os homens, de tanto cobiçá-lo, matem-se.

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A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Ibama executaram, no estado do Pará, a bem-sucedida Operação Madeira do Norte II, contra desmatamento ilegal, e prenderam, em flagrante, uma pessoa envolvida no esquema, e apreenderam boa quantidade de madeira da floresta extraída ilegalmente.

Ministro Tarcísio e a jornalista. Colégio católico processado. Rússia x OTAN. Notas breves.

Uma jornalista – não lhe sei o nome, e não quero sabê-lo, e tenho raiva de quem o sabe – perguntou para Tarcísio Gomes de Freitas, homem que, na condição de ministro da infraestrutura do governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, ergueu obras que muitos benefícios estão a oferecer aos brasileiros, o que um policial tem de fazer em um tiroteiro, num embate contra criminosos, se tem o policial de atirar para matar o criminoso, e ele lhe respondeu que tem o policial de atirar para se defender, se defender do criminoso; e aqui Tarcísio Gomes de Freitas inteligentemente inverteu os papéis, para contrariedade da jornalista, e dos bandidólatras anti-polícia, que esperavam que ele – e eu não fui a única pessoa a aventar tal hipótese – dissesse que tem o policial de atirar para matar o bandido. A pergunta, claro, foi capciosa; feita para gerar manchetes bombásticas, e rotular Tarcísio Gomes de Freitas um homem truculento, incivil, que quer resolver tudo à bala – para repetir um slogan, usado em campanha de 2018, por um dos oponentes de Jair Messias Bolsonaro -, um homem de mentalidade assassina, e genocida, que se eleito governador do Estado de São Paulo, irá implementar uma política má-vista pelos que se dizem defensores da justiça social, política que redundará no aumento exponencial da letalidade da polícia estadual, a converter o Estado de São Paulo num território sem lei, tal qual o Velho Oeste americano tão popularizado pelas películas de Hollywood, e serão seus heróis brasileríssimos êmulos de John Wayne e Clint Eastwood.
Saiu-se bem o capitão Tarcísio Gomes de Freitas, para frustração daqueles que lhe querem mal.
Não houvesse tanta militância bandidólatra na mídia, na intelectualidade, e entre artistas e políticos e homens-da-lei, o popular Tarcísio do Asfalto não precisaria usar de uma sutileza retórica para expressar o seu pensamento. Mas sabe ele com que tipo de gente está tratando.

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Organizações representativas dos LGBT (e não sei quantas outras iniciais, todas em maiúsculas), informa Ludmila Lins Grilo, processaram um colégio confessional católico, que, ao contrário de muitos colégios católicos que se prosternaram, pusilanimemente, diante dos bezerros de ouro politicamente corretos, defende os valores cristãos e reprova a agenda identitária das chamadas minorias.

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Notícias da Guerra Rússia x OTAN.
Pensei em escrever “Notícias da Guerra entre Rússia e Ucrânia.”, e recuei em meu intento: elevei a caneta esferográfica logo ao escrever “Guerra”, e reconsiderei o que eu pensava, e substitui Ucrânia por OTAN. Presumo que toda pessoa que se informa a respeito do conflito que ocorre em terras ucranianas já entendeu que é o território ucraniano o campo de batalha, e os beligerantes agrupados em dois exércitos hostis, o russo e o, direi, ocidental (ou, melhor, otaniano), sendo os ucranianos nada mais do que buchas de canhão, e que quem dá as cartas nas estepes eslavas é um ex-agente da KGB que atende pelo nome de batismo Vladimir Putin, e no lado ocidental alguém, que os pobres homens comuns que habitam a face da Terra jamais viram mais gordo, e não o atual ocupante da Casa Branca, criatura que mais parece um espantalho morto-vivo do que o presidente dos Estados Unidos da América.
E hoje li uma notícia interessante a respeito do que se passa em território dos compatrícios de Gogol. A OTAN enviou para a Ucrânia, para renovar o estoque de munições das tropas ucranianas, munições suficientes para uma semana, e elas desapareceram em um dia, viraram pó, literalmente, escafederam-se para não terem de enfrentar os chechenos, os terríveis chechenos. Suspeita-se que dispararam os ucranianos a esmo, aterrorizados frente ao inimigo mais poderoso, e inabalável, ou desviaram os projéteis para o mercado negro os espertalhões, ou os russos as tomaram para si ao sobrepujarem as tropas ucranianas e assumirem o controle das regiões onde elas se encontravam. Não se sabe qual é a explicação correta para o caso, às mãos de quem as munições foram parar; sabe-se apenas que desperdiçaram-se as munições.
E dois brasileiros já fizeram história na Ucrânia, dois heróis tupiniquins, homens de bravura indômita invejável, e das façanhas que eles realizaram, de seus feitos heróicos, os brasileiros nos orgulhamos. Um deles é um deputado estadual paulista, que à Ucrânia foi, num esforço de guerra louvável, produzir artefatos bélicos primitivos – mas estranha é a sua decisão de regressar à sua pátria amada, tão querida, poucos dias após a sua ida em auxílio aos ucranianos às voltas com o gigante russo. Que ele permanecesse por lá, nas terras ucranianas, pois os ucranianos pedem, ainda hoje, por apoio de humanistas abnegados, gente aguerrida, e destemida, e brava, muito brava, da estirpe do nobre deputado paulista que carrega nas suas veias o sangue dos bandeirantes. Outro brasileiro que tem seu nome inscrito nos anais da guerra é um praticante de paintball, homem que, disposto a ajudar o lado certo do combate, homem de coragem templária inexcedível, logo que ouviu o zunido de projéteis aos ouvidos, tratou de arrumar as trouxas, e passar sebo nas canelas, e, às pernas que te quero-as! disparar como um condenado, mais branco do que burro quando foge, às terras que Pedro Álvarez Cabral conquistou para a coroa lusitana há um pouco mais cinco centúrias e que tem entre seus mais famosos filhos Pelé e Garrincha.
E é da Ucrânia que nos chega, acredita-se, quatro notícias que dá a entender que é Kiev, não uma terra sob tensão, com mísseis escarrados para todos os lados, de todos os lados, mas um parque de diversões: toda pessoa ilustre vai à Ucrânia a passeio: ora é um ator e diretor de cinema que diz ter o fim de registrar cenas de guerra para a produção de um documentário; ora a primeira-dama de uma das nações envolvidas no conflito, mulher que atravessou o Atlântico para se deixar filmar, e aparecer bem na foto; ora é uma atriz, que foi ver não se sabe o que, mas para lá ela foi, e recebeu a atenção de quem manuseava os holofotes; ora um cantor, que usava óculos, para cantar, nos subterrâneos do metrô, algumas criações artísticas não sei se dele, ou de outro músico, ou cantor, ou letrista, sei lá. Que farra! Parece que a guerra não é assim tão belicosa; não tem o tom fúnebre que a mídia dá a entender que tem. E uma pulga atrás da minha orelha, a casquinar, pergunta-me, a ladina, se todos os personagens ocidentais, famosíssimos todos eles, que visitam Kiev foram a Kiev, ou à outra localidade ucraniana, ou para outro país, ou para um estúdio de cinema, e lá permaneceram, que seja por algumas horas, e de lá transmitiram as imagens, que correram mundo, da visita deles a Kiev, os nomes deles a estamparem o título de incontáveis reportagens.

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A Alemanha envia para a Ucrânia armas autopropulsionadas, de fabricação, umas, alemãs, outras, americanas. Para a Ucrânia, a OTAN envia sucata; bons – ou maus, exemplos são os javelins, que se popularizaram nestes dias, a imprensa a louvá-los. E à Ucrânia também envia a OTAN armamento pesado, o obuseiro M-777, que exigirá manutenção constante e dos seus operadores conhecimento especializado, e o seu uso pelos ucranianos lhes redundará em dificuldades, e eles serão vítimas da ignorância no manuseio de tais equipamentos, autênticos presentes de grego.

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O presidente americano Joe Biden reativou uma política americana dos tempos da Segunda Guerra Mundial, a do Lend-Lease, para facilitar a venda de maquinário bélico à Ucrânia, política que o Tio Sam implementou, na última grande guerra, para vender armas aos aliados e à União Soviética.

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Li reportagem que vende a seguinte informação: Não interessa ao Vladimir Putin uma guerra rápida; para ele é vantajosa uma guerra de longa duração. Para ele, e apenas para ele? E para as indústrias bélicas americana e européia não é vantajosa a guerra duradoura, e o envolvimento, nela, e indefinidamente, de inúmeras nações, melhor, de todas as nações? A guerra é um grande negócio.

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Diz-se por aí que há, na Ucrânia, biolaboratórios, financiados pelos países membros da OTAN, a produzirem armas que afetam pessoas de certas etnia. Serão usadas, algum dia? Ou já estão em pleno uso, mas ninguém avisou os bípedes implumes filhos-de-Deus, ou esqueceram, os desmemoriados patrocinadores de tais pesquisas, de avisá-los. E um passarinho espalhou pelo mundo uma notícia do grotesco e do arabesco: a Rússia encontrou, em território ucraniano, tais laboratórios, o que pôs os líderes ocidentais, isto é, os dos países membros da OTAN, de cabelos em pé, a ponto de se descabelarem; e até Vladimir Putin tratou do assunto, é o que dizem reportagens, em público. Se procede tal notícia, o Vladimir Putin pôs os líderes do Ocidente contra a parede, sob ameaça de trazer a público fotos, documentos e vídeos de tais laboratórios, e chantageou-os, e eles, temendo a exposição pública, cederam-lhe à chantagem e fizeram alguns favores?! Não há mal em se fazer tal pergunta.

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Na Alemanha, há inflação de preços de alimentos, dos quais, de alguns, já atinge a casa dos dois dígitos, o que preocupa autoridades, que estão a vislumbrar nuvens escuras a acumularem-se no horizonte, agourentas, ameaçadoras, e aproximarem-se rapidamente. É a inflação consequência da política do, como se diz em terras de José de Alencar, tranca-rua, e das sanções econômicas que os principais países europeus estão a impôr à Rússia, sanções que, declaram alguns estudiosos, estão a afetar negativamente mais a economia dos país que impõem as sanções do que a do país alvo delas.

Cartórios no Brasil. A imprensa ataca Bolsonaro. Adélio Bispo. Notas breves.

O Governo Federal publicou a Medida Provisória dos Serviços Públicos, para modernização dos cartórios brasileiros. Já não era sem tempo! Por que os cartórios insistem em usar tecnologia do tempo da pedra polida, pior! do tempo da pedra lascada, mais pior ainda! do tempo de antes de o homem aprender a usar a pedra em seu benefício, e não adotam as tecnologias modernas que estão à mão de todos? E por que aceitam pagamentos em, como se diz, dinheiro em espécie, em dinheiro vivo, em cascalho, em din-din, e não em cartão de crédito, via aplicativos, e PIX?

Há um mês, a pedido de uma de minhas tias, e as minhas tias são muitas, mais de uma dezena, fui ao cartório solicitar a impressão de uma segunda via do seu atestado de nascimento. Paguei pela folha de papel, uma folha só, míseros R$ 80,00. Que papel caro! Foi uns centavos menos, na verdade, o que faz uma grande diferença. Entreguei, em dinheiro vivo, ao funcionário do cartório, três notas, uma de R$ 50,00, uma de R$ 20,00 e uma de R$ 10,00, e ele me entregou algumas moedas, o troco. Que rapaz generoso! Quero dizer: O cartório, generoso, restituiu-me uma parcela do dinheiro que eu lhe entregara. E há duas semanas, pediu-me uma amiga que ao cartório eu fosse solicitar uma impressão de segunda via do atestado de óbito da mãe dela, e não me fiz de rogado; fui, e paguei, pelo documento solicitado, míseros R$ 40,00. Na verdade, não entreguei, à moça que me atendera, R$ 40,00, assim, redondos, perfeitamente redondos, não. Paguei-lhe, em dinheiro vivo, duas notas de R$ 20,00. E ela restituiu-me três moedas – uma delas a brilhar de tão nova! – que, somadas, não chegavam a R$ 1,00. É banhado a ouro o documento!

Até aqui falei dos preços das segundas vias impressas dos documentos, uma de um atestado de nascimento, uma de um atestado de óbito, e nenhuma palavra eu proferi acerca do tempo que eu gastei, no cartório, na fila de espera, em cinco ocasiões: na primeira, para solicitar o atestado de nascimento de uma de minhas tias, uns quarenta minutos; na segunda, uma semana depois, para retirar o documento que eu solicitara uma semana antes, uns trinta minutos; na terceira, dias depois, para solicitar o atestado de óbito da mãe, falecida não muito tempo antes, de uma de minhas amigas, que, encarecidamente, me pedira lhe fizesse tal favor, uns trinta minutos – e do cartório retirei-me antes de fazer a solicitação, pois vi que havia a atender aos pacientes visitantes uma, e apenas uma, funcionária, e testemunhei a lentidão enervante de cada atendimento, e calculei no relógio… (reflexão sem pé, nem cabeça: no relógio, a calcular o tempo? ora, calcula-se usando-se calculadora; mas, não se usa calculadora para se calcular o tempo; usa-se relógio), e ao calcular o tempo, melhor, ao medir o tempo enquanto verificava que cada um dos que, precedendo-me na fila, já haviam sido atendidos pela funcionária, usaram oito minutos para empreender a aventura emocionante de ser contemplado pela atenção da dedicada funcionária do cartório, e vendo, na fila, à minha frente, oito pessoas, decidi retirar-me do cartório, para ir ao banco e à lotérica, compromissos, estes, inadiáveis; na quarta, no dia subsequente, para fazer a solicitação que eu não fizera no dia anterior, não gastei, para a minha felicidade, cinco minutos; e, na quinta, e última, uma semana depois, para buscar o documento que eu solicitara, uns trinta minutos.

Cá entre nós, os cartórios são locais onde os homens – e as mulheres também – podem empreender as mais inusitadas e emocionantes e fascinantes aventuras, inesquecíveis, similares às de Odisseu, heróicas, e com dose cavalar de ingredientes kafkianos.

Se há tecnologias que podem vir a favorecer os brasileiros, por que os cartórios não as usam? Eu sei porquê. Sei qual é a razão de ser da obsolescência dos cartórios: os que os mantêm regozijam-se ao verem que os que os visitam encontram, nos domínios cartorianos, emoções fortes, e estão sempre com o coração a pinotear, e a inteligência a cambalhotear, todos a viverem com a adrenalina ativada ao extremo.

Que se grave, à entrada dos cartórios, em letras poéticas: “Deixai, ó vos que entrais, toda a esperança.”

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Para surpresa de todos, ou de ninguém, sei lá eu, os meios de comunicação, melhor, de subversão, redobram os ataques ao presidente Jair Messias Bolsonaro. Executam os profissionais da imprensa o que tinha ares de coisa impossível.

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Li que aventa-se a hipótese de se pôr na rua, e antes do pleito eleitoral desde ano de 2.022, leve, livre e solto, o Adélio Bispo, o esfaqueador do então candidato a presidente do Brasil, em 2.018, Jair Messias Bolsonaro. É um acinte; provocação de gente de espírito-de-porco. O Adélio Bispo está trancado a sete chaves, e é dado como louco; e agora estão a dá-lo como um homem que pode regressar ao convívio social. Se procede tal notícia, que se conclua que os inimigos do presidente Jair Messias Bolsonaro não encontram limites em suas ações funestas.

BOPE, e sublevações. ONGS no Brasil. Controle mundial. Meio-ambiente e agressões ao Brasil. Brasil: ruptura institucional. Notas breves.

No Rio de Janeiro, informa, num texto curto, Maurício Mühlmann Erthal, o BOPE encontrou muitas cápsulas – de fabricação norte-coreanas – de fuzis, e são tantas que tem deixado de cabelos e orelhas em pé autoridades de segurança federais. O submundo do crime, e do crime internacional, e não apenas do nacional, está a preparar – e tal alerta, eu li, há uns dois anos, em um site, que não digo qual é, e tampouco o nome do autor da matéria, porque, na ocasião, não os anotei – uma sublevação popular, não com a participação do povo, mas com a de militantes e criminosos armados até os dentes, a financiá-la os inimigos viscerais, os daqui e os do exterior, do atual presidente brasileiro. Não é correto, tampouco justo, falar em sublevação popular, neste caso, afinal o povo dela não participará; o correto é falar que se trata de uma ação, orquestrada nos esgotos da política mundial, de desestabilização do atual governo, e antes do pleito presidencial deste ano, ou depois, caso Jair Messias Bolsonaro se reeleja, ou que se eleja presidente o seu principal oponente, para que este, objetivando, em tese, restebelecer a paz e a ordem, decrete políticas de cunho autoritário, aproveitando a oportunidade, que os agitadores seus aliados criaram, para eliminar o resquício de liberdade que o povo brasileiro ainda goza. Ou pertence o contrabando de munições à renovação do estoque bélico de criminosos, que não participam de um plano maior, de tomada de poder, que é do agrado de políticos que não estam contentes com o atual governo.

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E do Maurício M. Erthal, li outro texto, curto também, que dá notícia de informações publicadas pelo IBGE. Estima tal instituto de pesquisas que haja no Brasil mais de duzentas mil organizações não-governamentais (sendo o número real delas é desconhecido) – e mais de cinquenta por cento delas atuam na chamada Amazônia Legal. Quem financia tantas organizações não-governamentais? Gente de bem, que acredita que, de fato, elas trabalham em benefício dos povos, e muita, muita gente indiferente aos povos, interessada nas riquezas minerais e naturais que há na floresta amazônica, e em manipular as pessoas, injetando-lhes pensamentos de ódio pelo Brasil, pelo comércio livre de grilhões estatais, pela Igreja, pela família, e em insuflar descontentamentos, rancores e ressentimentos, e canalizar de todos que estão sob sua sugestão a raiva para um fim, que atende aos interesses de gente poderosa, que conta com agentes subversivos regiamente pagos, contratados para causar confrontos – e os mais desejados são os sangrentos.

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E do Maurício M. Erthal, li um terceiro texto, também curto, que não trata, como é o caso dos outros dois dos quais acima faço uma síntese e aos quais adiciono comentários breves, mas pode ao Brasil ser apontado: o uso da cibernética para dominar o mundo, controlar as pessoas, oprimir os povos. Tal tecnologia, que escapa ao controle dos estados nacionais, está, em boa parte, se não em seu todo, nas mãos de megacorporações transnacionais, que, desconfia-se, financiam os estados nacionais, ditam as regras das políticas nacionais, e também das internacionais, e têm políticos na sua folha de pagamentos, comendo-lhes, servilmente, nas palmas das mãos, e conservam em pé instituições internacionais criadas unicamente para destruir as soberanias nacionais e pôr o pescoço de todos os indivíduos humanos sob a guilhotina de um governo global pantagruélico.

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Organizações transnacionais podem usar as questões ambientais de pretexto para atacarem o Brasil sem que lhe apontem o dedo acusador, concentrando-o na figura querida – querida pelo povo brasileiro – do presidente Jair Messias Bolsonaro, homem que, por razões óbvias, que são as reais, e não as alegadas, que ilustram as narrativas dos meios de comunicação (melhor, de subversão) tradicionais, políticos e capitalistas, nacionais e internacionais, amam odiar, assim se diz, homem que, declara-se, representa tudo o que há de pior no espírito humano e que incorpora as mais desumanas, nefastas, ideologias – com exclusão, claro, do comunismo, que é, para os bem-pensantes, a ideologia cujos postulados, se implementados em todo o mundo, irá fazer da Terra um paraíso, o que os comunistas jamais promovem, afinal eles deturpam o divino Marx, infalivelmente. Mas o verdadeiro comunismo há de ser praticado. “Oxalá durante a minha existência.”, sonha, esperançoso, o esquerdista.

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Não são poucos os que, a observarem a política brasileira, chegaram à conclusão de que a tão malfadada, indesejada, malfalada, ruptura institucional já se deu, e há um bom tempo, e que a harmonia entre os três poderes talvez nunca tenha existido, sendo apenas uma quimera fantasmagórica, e que o tão badalado estado democrático de direito seja unicamente uma falácia, e o espetáculo ao qual os brasileiros assistimos seja apenas um teatro de marionetes. Pessimistas são os que assim pensam? Ou eles são realistas, e sabem ver o que as palavras não dizem, o que elas querem esconder?

Sangue Judeu

  • – Você tem sangue judeu?
  • Por que você me pergunta se tenho sangue judeu?
  • – Os judeus, dizem, sempre respondem uma pergunta com outra pergunta.
  • – E só o povo judeu faz isso?
  • – Não sei. Mas dizem que os judeus nunca respondem uma pergunta com uma resposta. E você é tal qual os judeus, se a lenda é verdadeira. Sempre que alguém faz uma pergunta para você, você responde com outra pergunta, e não com uma resposta.
  • – E ao perguntar, em resposta a uma pergunta que me fazem, não estou dando uma resposta?
  • – Não. Você não responde à pergunta, mas faz outra pergunta, que obriga quem faz a você uma pergunta a dar uma resposta, e aí os papéis se invertem.
  • – Você pode me dar um exemplo?
  • – Posso. Claro que posso. Perguntei para você se você tem sangue judeu, e ao invés de me dizer se tem, ou não, sangue judeu, você me perguntou porque eu perguntara para você se você tem sangue judeu, e eu, então, em resposta à pergunta que você me fizera em vez de me responder à pergunta que eu havia feito a você, disse para você que dizem que os judeus sempre respondem uma pergunta com outra pergunta e não com uma resposta. E aqui estamos nós dois, eu respondendo às perguntas que você me faz. E você ainda não me disse se você tem sangue judeu.
  • – E por que eu diria a você se tenho, ou não, sangue judeu?
  • – E você não pode me dizer se você tem sangue judeu?
  • – E por que você quer saber se eu tenho sangue judeu?
  • – E há algum mal eu querer saber se você tem sangue judeu?
  • – E por que haveria algum mal em querer saber se tenho sangue judeu?
  • – E quem disse que há algum mal em querer saber se você tem sangue judeu?
  • – E não foi isso que você insinuou?
  • – Eu insinuei que há mal em querer saber se você tem sangue judeu?
  • – E não insinuou, não?
  • – Insinuei?
  • – Se você não insinuou que há mal em querer saber de mim se tenho sangue judeu, por que você me perguntou se há mal em querer saber se tenho sangue judeu?
  • – E eu tal pergunta fiz por que eu vejo que há mal em querer saber de você se você tem sangue judeu?
  • – E não vê mal, não?
  • – Vejo?
    … e a conversa prossegue indenifidamente.

Peixe de água doce e peixe de água salgada

Fui a peixaria, e tão logo um de seus funcionários atendeu-me, eu lhe disse: “Pediram-me para eu comprar peixe de água doce, e não de água salgada. Quais de água doce vocês têm?” E ele apontou-mos: eram três, ou quatro. E eu, sem titubear, perguntei-lhe: “E os outros são de água salgada?” E ele respondeu-me que sim, que os outros eram de água salgada. Não demorei para entender a minha tolice; e assim que paguei pelos peixes que pedi, já afastando-me da peixaria perguntei-me, rindo de mim mesmo, se havia peixe que não vive em água doce, tampouco em água salgada. O funcionário, que me atendeu, da peixaria tratou-me com o mais profundo respeito e de mim não riu – acho que não, pois a máscara que lhe cobria a cara não me permitia ver-lhe o rosto. Uma pulga, no entanto, está a coçar-me a orelha: Assim que me retirei da peixaria, aquele funcionário, rindo a bandeiras despregadas, contou a história que protagonizei a todos os outros funcionários, uns seis.

É racismo, sim!

Há um mundo, mundo de gente bizarra, grotesca, anômala, mundo que os homens comuns, que representam a maioria dos indivíduos da espécie humana, os bípedes implumes mais inteligentes do universo, não desejam conhecer, e do qual recebem, queiram ou não, inúmeras, incontáveis, notícias, que a gente estranha que nele vive não se vexa de lhes dar, e com a pachorra e a presunção de seres superiores, investidos de autoridade moral e intelectual e cultural e civilizacional que só os escolhidos possuem. E há poucos dias, alguns homens comuns tiveram a graça de receber duas notícias do estranho, bizarro mundo em cujas terras jamais desejaram pisar, e não sonham em tê-las sob os seus pés, e de cujos habitantes querem manter distância segura, mas nem sempre o conseguem, e a vida os obriga a com eles conviver, o que é deveras desgastante, doído, sofrido, angustiante, frustrante, irritante. Uma das duas notícias traz informações do balacobaco, uma inusitada leitura de um, não sei se digo certo, esporte popular, ou, simplesmente, uma atividade lúdica popular, que se pratica em cima de mesas de bilhar, a sinuca – não sei se se diz mesa de bilhar, ou mesa de sinuca, e não sei diferenciar bilhar de sinuca (da mesma forma que não sei distinguir truco de pôquer), pois não sou adepto de nenhum dos dois jogos, e não faço idéia se talvez sejam “bilhar” e “sinuca” dois nomes do mesmo jogo. O ponto mais importante da interessante notícia acerca do jogo popular que no mundo dos homens comuns se pratica, e com muito gosto, e que no mundo de gente bizarra do qual a notícia chegou recebeu a atenção de um daqueles seus típicos habitantes, personagem que aos homens comuns causam espanto de tão esquisitos, grotescamente esquisitos, estranhos, bizarramente estranhos, anômalos, escalafobeticamente anômalos; o ponto mais importante, prossigo – e eu fiquei a ponto de perder o fio da meada -, da interessante notícia é uma informação que o distinto adventício transportou ao mundo dos homens comuns: é a sinuca um jogo racista. Racista!? Sim. Racista. E explica, para que nenhuma dúvida persista na mente de nenhum homem comum, o caro alienígena (alienígena, aqui, sinônimo de ‘aquele que vem de fora’, e não de extraterrestre, embora seja ele um lunático de marca maior), o seu perspicaz pensamento: “É racista a sinuca, afinal todos os seus elementos constituintes apontam para a luta de classes racial: é a principal bola do jogo a branca, agente da ativa, a mais poderosa, que cumpre o papel de empurrar a bola preta, agente da passiva, removendo-a, com um taco, à força, para dentro da caçapa – e estampa a bola preta o número oito. É a caçapa símbolo da senzala; a mesa, da casa grande; a bola branca, da raça branca; a bola preta, da raça negra; o taco, do chicote; o número oito, de algemas. Todo o jogo é um instrumento de opressão, a carregar mensagens subliminares, símbolos que, aos poucos, e sem que as pessoas se dêem conta, fazem a cabeça do povo, que, habitando a sociedade ocidental, de matriz européia, helênica, cristã, colonizadora, paternalista, patriarcal, binária, é facilmente sugestionável, influenciável, e de tal influência não pode escapar. Desta forma, cientes da influência deletéria, na mente do povo, do hábito deste praticar tal jogo, exigimos, dele, para o bem da humanidade, a proibição, e a consequente supressão de todos os documentos históricos que lhe dão conhecimento.” É este o teor da idéia, brilhante idéia, produto da inteligência sagaz do bizarro habitante do mundo que o homem comum não deseja habitar, e cujos habitantes estão constantemente a atormentá-lo a ponto de fazê-lo perder a sanidade e com os quais é ele obrigado a conviver.
Da outra notícia, tão espantosamente inusitada, e da qual digo pouco, quase nada, para dar fim a esta crônica, que escrevi, não digo a contragosto, mas para expor o mal que aos homens comuns fazem os que, do outro mundo neste se manifestando, dizem lhe querer o bem, lhe fazer o bem, escrevo apenas: é urgente proibir-se a comercialização de palmito, ou, então, que se mude o nome de tal substância comestível, pois é, dele, a primeira sílaba sexista, machista, a extravasar masculinidade tóxica.
As criaturas que do mundo bizarro, estranho, as do outro mundo possível, as do mundo melhor, oferecem os seus préstimos aos homens comuns, e estão a assediá-los, querem, deles, a salvação, e não medem esforços para dar-lhas, e estão dispostos, até, para salvá-los, matá-los, se eles rejeitam, intransigentes, irredutíveis, a oferta.

Covid, o bode expiatório.

Parece piada, mas não é uma piada. Ou é, e de mal gosto?! Penso mal, e imensamente mal, ao concluir, após ler notícias, cujos títulos, em letras garrafais, estamparam, na primeira página de sites de notícias e sob ícones de vídeos de sites de vídeos, que as autoridades de organizações mundiais de saúde contaram, entre si, nos suntuosos salões, uma piada, pra lá de hilária, e caíram na gargalhada, e decidiram dá-la a público, com ar de seriedade, a imprensa, escudada por autoridades médicas e científicas, a disseminá-la como se fosse algo respeitável, prova cabal da responsabilidade de organizações internacionais preocupadas com o bem-estar coletivo? E qual piada elas contaram? A seguinte: todas as mortes causadas por falta de atendimento médico-hospitalar, durante os dois anos de vigência de política sanitária de combate ao vírus, e por depressão, são debitadas na conta do covid. Então, ficamos assim: governadores e prefeitos decretaram: a partir de agora, e enquanto vigir o estado emergencial de saúde pública para enfrentamento ao coronavírus, os atendimentos médico-hospitalares ficarão restritos às pessoas infectadas pelo novo coronavírus – que, até onde se sabia até há poucas semanas, tinha nascido em um laboratório chinês, e agora fala-se que talvez seja sua origem ucraniana, seu berço um laboratório neste país erguido e administrado por entidades americanas. E as pessoas flageladas por outras doenças foram relegadas a segundo plano – as adoecidas pelo covid merecedoras de atendimento preferencial, em detrimento de todos os outros doentes. E não se pode ignorar que muitas pessoas afetadas por algum mal cardíaco, cientes de que necessitavam de tratamento médico, não procuraram, em decorrência do medo-pânico que a campanha midiática, que aterrorizou a todos, e poucos foram os que bravamente lhe resistiram, nos hospitais, pelos médicos, temendo vir a nos hospitais serem infectados pelo covid. E as que morreram de males cardíacos, sejam as que tiveram adiada, indefinidamente, às calendas gregas, a consulta com o cardiologista, ou a cirurgia, ou a operação, sejam as que afugentaram de seus pensamentos uma ida ao médico, temerosas de virem a morrer pelo vírus do qual fugiam como o diabo foge da cruz, agora, segundo os órgãos competentes – competentíssimos, diga-se de passagem, os mesmos que desde o início da tragédia covidiana trocaram os pés pelas mãos -, são dadas como vítimas, não de políticas equivocadas – pode-se dizer criminosas – de governadores e prefeitos, e profissionais da saúde, e burocratas de organizações globais, mas do coronavírus. É o coronavírus o bode expiatório perfeito para inocentar os verdadeiros assassinos, que – para usar uma expressão popular, de nenhuma elegância, de imagem suja – estão a tirar o seu da reta. Dizem, agora, que são os mortos, durante os dois últimos anos, por falta de atendimento médico, vítimas indiretas do covid. Pergunto-me, sem saber a resposta correta: o que consta no atestado de óbito de quem, durante a vigência do estado emergencial, não recebendo atendimento médico, morreu de ataque cardíaco? Ataque cardíaco, ou morte indireta por covid?! Inventaram uma nova doença: a morte indireta por um determinado mal. Os desavisados, ingênuos, facilmente sugestionáveis – e para concordar com sandices basta que estas estejam assinadas por cientistas e médicos renomados, e autoridades eminentes, e chanceladas por organizações mundiais – encontram sentido em tal coisa, que não tem sentido algum, mas se lhe darmos uma explicação jocosa, eliminando da narrativa o tom artificialmente sério a ela emprestada, percebe-se, facilmente, o ridículo que ela ilustra. Um pouco hiperbólico, e caricatural, feito unicamente com o propósito de destacar o ponto principal da farsa, ponto ao qual querem dar um ar de seriedade, eu o faço com um exemplo qualquer: “Jesualdo, diabético, na doçaria, come uma tonelada de doces, e levanta-se da cadeira, para se retirar do estabelecimento. Neste momento, à porta, um bandido anuncia o assalto, e, sem piscar, dispara quatro tiros contra o peito de Jesualdo, que tomba para trás, e jaz morto antes de atingir o chão. No seu atestado de óbito, registra o médico a causa da morte: morte indireta por consumo excessivo de açúcar.” Ridículo!? Sim! Ridículo! O raciocínio, a lógica, que usei neste exemplo ridículo, num tom jocoso, é o que está a se usar para se dizer que é correto imputar ao covid as mortes, durante o estado emergencial, por problemas cardíacos, e depressão, e outros.

Da terra do Tio Sam, novidades. Hepatite. Doutor Estranho. E outras notas breves, e brevíssimas.

O que se passa na terra do Tio Sam? De lá recebemos notícias agourentas. Uma: Hilary Clinton responde a processos que a implicam em um esquema daqueles – daqueles, entendem, daqueles bem sinistros. Agora, vem de lá 2.000 mulas, que participaram de fraude nas eleições de 2.020, o que pode complicar a vida já deveras complicada de Joe Biden, um tipo caricato, político veterano de uma biografia da qual qualquer outra pessoa – pessoa que não tenha nenhuma espécie de afinidade com tal criatura – se envergonharia, e que, é visível, ‘tá mais perdido do que bêbado no Saara, e, pior! não ‘tá batendo bem dos pinos – e até fantasmas (ou amigos imaginários) ele está a saudar após encerrar seus discursos homéricos.
E mais uma bizarrice, esta de inspiração orwelliana, chega-nos da outrora terra da liberdade – melhor, ainda é os Estados Unidos a terra da liberdade (não serei pessimista, de espírito apocalíptico) -, e diz respeito à criação, pelo Joe Biden, de um Conselho de Governça da Desinformação, imediatamente após o anúncio de sua criação apelidado Ministério da Verdade.
Para encerrar esta nota breve, uma nota ainda mais breve: O governo Biden ‘tá de olho no descaso – assim diz a mídia militante – do governo Bolsonaro na Amazônia. Vem por aí chumbo grosso da terra dos ianques!
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Primeira nota brevíssima: Multiplicam-se, nos Estados Unidos e na Europa, os casos de hepatite em crianças.
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Segunda nota brevíssima: teme o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, a invasão, pela China, das Ilhas Salomão. Para tranquilizar a todos, afirma-se que é a notícia da invasão um boato. Vá saber! Em tempos tão agourentos…
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Terceira nota brevíssima: Em um curto texto, em sua página na rede social Facebook, Ricardo Santi chama na chincha os da direita floquinhos-de-neve, que vivem se cuspir seus perdigotos histéricos contra o ministro André Mendonça.
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Quarta nota brevíssima: Paulo Cursino publicou comentários seus ao filme Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Ótimo texto; de quem entende de cinema.
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Li, não me lembro onde, há poucos dias, uma tese, que me fez pensar, mas não sei se a respeito dela pensei bem, de um estudioso de geopolítica: metacapitalistas ocidentais, os mal-falados globalistas, apóiam Rússia e China numa guerra global contra os Estados Unidos, com o objetivo de pôr a terra de Washington e Lincoln de joelhos diante do mundo; e para tanto, destronar o Dólar é essencial; e a guerra que ora se desenrola na terra de Gogol é apenas um jogo-de-cena para dar poder aos inimigos do Ocidente, em particular dos Estados Unidos da América, país que os globalitas odeiam. E a China, país que os metacapitalistas tiraram na miséria, é apenas um laboratório social onde se experimenta técnicas de controle social draconiano, que pretendem os donos do poder, num futuro não muito distante, implementar em todo o mundo, assim realizando o sonho, que tão apaixonadamente acalentam, de erigir um governo global totalitário. É a China a gestante, a mãe-de-aluguel – não sei se digo bem com tal imagem – de um embrião, que em seu útero, a crescer livremente, dará forma a um monstro devorador de carne e alma humanas, pantagruélico, insaciável.
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Quinta, e última, nota brevíssima: Jonas Fagá Jr. afirma que foi a epidemia do Covid e é a guerra na Ucrânia artimanhas que aqueles que controlam os bancos centrais executaram para ocultar de todos os prejuízos que eles causaram às nações.

Rodrigo Gurgel e três escritores brasileiros fundamentais. Lula, e a aula magna. Bandidos, e bandidos. Rússia x OTAN. Digitalização do mundo. Notas breves.

Diz, em um vídeo de, aproximadamente, uma hora e meia de duração, o professor e escritor e crítico literário Rodrigo Gurgel, respeitável, e de excelente e admirável cultura literária, que são três os escritores fundamentais da literatura brasileira, e deles ele apresenta breve biografia e acerca das obras deles dá comentários percucientes, com simplicidade, e autoridade: Manuel Antonio de Almeida, Machado de Assis e Graciliano Ramos. Fala, com propriedade, de Memórias de Um Sargento de Milícias, obra do primeiro, e de sua importância na formação literária de Machado de Assis, e do apoio que este recebeu de Manuel Antonio de Almeida, que foi, dir-se-ia, seu patrinho no mundo das letras. Além de outras observações que ele fez dos três mestres da literatura nacional, esta é a que mais me chamou a atenção.
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Uma notícia do balacobaco: Lula, ex-presidente e candidato a presidente – e não presidente como a ele não poucos intelectuais e jornalistas se referem -, apresentou, na Unicamp, à convite de entidades estudantis, e de servidores da universidade, e de associações de alunos e professores, e de sindicatos, uma aula magna; e seus fãs, os universitários, aplaudiram-lo efusivamente, apaixonadamente. O que ele ensinou aos que o ouviram, não sei o que foi, não quero saber, e tenho raiva de quem sabe; sei, apenas, que, em ambientes universitários, políticos e intelectuais e artistas renomados, sendo de esquerda, socialistas, progressistas, politicamente corretos, desarmamentistas, seguidores da ciência, da turma dos antifas e dos vidas negras importam, sempre são bem acolhidos, com amor e carinho incomuns; já aos dissidentes, os que não comungam as mesmas ideologias, os universitários dedicam ódio visceral, e atiram-lhes pedras e facas, impelidas por ofensas impublicáveis, numa exibição, e há quem pense diferente, de tolerância e respeito invejáveis, afinal são justiceiros sociais a lutarem pela ereção de um mundo melhor, sem desigualdade de renda, sem preconceitos. Tal episódio fez-me evocar o tratamento nobre que universitários dedicaram, em uma universidade, se não me falha a memória, de Pernambuco, àqueles que iriam exibir o, e assistir ao, filme O Jardim das Aflições, que fala do pensamento e da obra de Olavo de Carvalho. De fato, são as universidades guardiãs do conhecimento e o paraíso da inteligência, ambientes onde os sábios sentem-se bem.
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É ou não é o mundo dos justiceiros sociais uma coisa de louco?! Parece mentira, mas não é: em algum canto deste imenso Brasil, em um dos estados do Sul, me parece, um distinto personagem, ao vislumbrar um sinal dos deuses, a mente iluminada, pensou uma idéia brilhante, que ele deu um jeito de apresentar com a seriedade que lhe faz a susbtância: em um tiroteiro entre bandido e policial, o bandido, ao manusear a arma-de-fogo, e disparar a esmo, sem mirar o policial, e vir a alvejá-lo e matá-lo, não será tratado, pelos órgãos competentes, cuja competência é proverbial, como um assassino, pois não será o seu ato, que resultou na morte do policial, considerado um homicídio, pois ele, ao não mirá-lo, não tinha o fim de matá-lo; pretende o bandido, em tal caso, apenas resistir à ação do policial, cuja morte é um acidente de percurso, um efeito colateral da ação de resistência do bandido, eterna vítima da sociedade cristã e patriarcal.
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O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, informa que sanções européias ao petróleo russo redundará em prejuízo para a Hungria, que não tem meios de aguentar o impacto que tal medida trará a sociedade húngara. Mas a OTAN parece disposta a insistir em suspender compra de petróleo russo, e a arrastar a Hungria para o conflito. E não é de hoje que a Europa ocidental, corroída pelo anti-cristianismo, bate na Hungria, que estima uma política mais tradicional, voltada para o cristianismo.
E outra notícia importante: a Polônia, a Hungria e a Romênia estão a reivindicar pedaços do leste da Ucrânia, onde entrariam, li, com o escudo de uma força de paz da OTAN. Há quem diga que se isto se der, a coisa degringola de vez.
Se as duas notícias acima são de estarrecer, o que dizer das que dão a conhecer que os serviços de inteligência dos Estados Unidos da América auxiliaram as forças militares ucranianas a caçar, e matar, generais russos, e a atacar, e afundar, o Moskva, navio russo, um símbolo do poderio naval dos bárbaros das estepes?!
E daquelas regiões belicosas e de seus arredores, chega-nos duas notícias: a OTAN pensa em enviar à Ucrânia obuzeiros Panzerhaubitze 2000, de fabricação alemã; e, na Espanha, é preso o blogueiro Anatoly Shariy, crítico de Volodomyr Zelensky, acusado sei lá eu de quê.
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Durante a epidemia do novo coronavírus, houve avalancagem extraordinária das transações comerciais intermediadas por criptomoedas, e de serviços digitais, e de relações de compra-e-venda por meio de aplicativos, assim avançando a economia mundial em um projeto que visa a sua total digitalização, todas as transações realizadas via serviços digitais, com a consequente supressão da moeda em papel, o que atende aos objetivos da ONU 2.030. Para muitos, o mundo que se avizinha é deveras preocupante, assustador: um Estado global totalitário a gozar de poder absoluto jamais imaginado por faraós e reis e imperadores e líderes ditadores do tempo dos nossos tataravós.

Bolsonaro e cultura. Lula. Agronegócio. Ameaças ao Brasil. Guerra das moedas. Russofobia. Mercenários. Mídia. Esportes. Notas breves.

Li, hoje, notícia alvissareira: o presidente Jair Messias Bolsonaro vetou a lei Aldir Blanc, que distribuiria, se sancionada pela caneta presidencial, uma nota preta, não aos artistas populares, que passam maus bocados, e não têm meios de vender o seu peixe, mas aos que, além de nadarem em dinheiro, se arvoram credores dos brasileiros. Há semanas, rejeitou-se a lei – ou um projeto de lei, não sei – intitulada Paulo Gustavo, que tinha fim semelhante e que encontrou o mesmo fim da que o presidente vetou há pouco. E alguns antibolsonaristas declaram, verborrágicos e atrabiliários, que é o presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, hostil à cultura, ele a destruir a cultura brasilera. Pensa tal gente que é cultura a obra artística de artistas famosos, e unicamente a obra deles – e não sei se acerto ao falar “a obra artística de artistas famosos”. A cultura de um povo o povo a faz, e não um grupo de gente privilegiada com bons laços políticos e empresarias e midiáticos.

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E Lula ora diz algo que vai de encontro ao que ele disse há anos e ora ao encontro do que há anos ele disse. Tem multípla personalidade, o homem, ou ele se dobra e se desdobra, em vão, para agradar às múltiplas facções de seus apoiadores, e aliados, e eleitores, e fãs, aqui em terra em que se platando tudo dá e no exterior. É Lula extraordinariamente maleável, flexível, a contorcer-se para adotar a figura de todos os que lhe querem bem, assim criando com todos eles afinidades e identidade.

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Não entendi até hoje, e jamais entenderei, a sem-razão da razão irracional daqueles que agridem o agronegócio brasileiro, e pedem-lhe a extinção – para o bem-estar da floresta amazônica, da biodiversidade, e do planeta Terra, e da Via-Láctea. De onde vêm a carne, e os ovos, e as frutas e legumes, e outros produtos comestíveis que tais pessoas enviam, todo santo dia, para o bucho? Será que elas acreditam que o leite de vaca brota, espontaneamente, dentro das caixinhas e dos pacotes de plástico, e os grãos de arroz e de feijão nascem, assim, num “Faça-se o feijão! Faça-se o arroz!”, dentro de pacotes, nas gôndolas dos supermercados? Presumo que haja (e haja o que hajar – alguém já disse – escrevo o pensamento que me resvala a cabeça) pessoas – e muitas delas pecuaristas e agricultores americanos e franceses – que entendem ameaçador aos seus negócios o robustecimento da indústria agropecuária brasileira, e, por esta razão, e por nenhuma outra, financiam campanhas em desfavor do agronegócio brasileiro. Entendo. Mas aqueles brasileiros que, ensandecidos, descabelam-se, sinceros em suas catilinárias contra quem produz o alimentos que eles comem, não contam com a minha compreensão.

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Não é pouca a gente que, a estudar, com seriedade, as coisas que se sucedem em nosso mundo, atenta para a ameaça que a atual política externa americana, sob o desgoverno do Biden, incomodada com a política do presidente Jair Messias Bolsonaro, representa ao Brasil. Artistas hollywoodianos, secundados por seus congêneres brasileiros, estão a falar as mais rematadas asneiras e asnices acerca do Brasil. E contam tais personalidades com o apoio de organizações internacionais e de organizações não-governamentais, e de políticos e ativistas e cantores e atores brasileiros, todos confessos adoradores de esquerdistas e ditadores, e propugnadores de políticas socialistas, politicamente corretas.

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Veio ao Brasil, dos Estados Unidos da América, nesta semana, a subsecretária de Estado para Assuntos Políticos, Victoria Nuland, que, diz-se por aí, abriu, em 2.014, na Ucrânia, a caixa de Pandora, obtendo a queda do então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, um fontoche, todos sabemos, do Vladimir Putin. E quem substituiu o presidente deposto foi um preposto, assim dizem, dos globalistas ocidentais. E vai a Ucrânia a seguir sua sina rumo ao seu destino, que ninguém lhe inveja. Pressiona a representante americana, informam algumas publicações, o governo brasileiro a assumir postura menos amigável a Moscou, e mais alinhada a Washington. Parece que o presidente Jair Messias Bolsonaro terá muita dor de cabeça pela frente. Quem é que sonha estar na pele de tal homem?!

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Li que empresas chinesas compram, da Rússia, carvão e petróleo, e pagam em Yuan, e não mais em Dólares. E que países europeus estão a comprar, via outros países – estes dispostos a apagarem ao Putin em Rublos -, da Rússia, o gas e o petróleo que, por baixo do pano, enviam aos seus clientes, que, não querendo aparecer na foto, mantêm, para o público de todo o mundo, imagem de dignos e aguerridos inimigos do vilanesco Vladimir Putin.

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Na cidade ucraniana de Mukatchevo, demoliram monumento, e arrancaram uma placa memorial, ambos em homenagem a Pushkin, mestre da literatura russa. Qual a justificativa para tal atitude? Sentimento russófobo, que exacerba-se, não apenas na Ucrânia, mas em boas quadras do mundo, insuflado pela mídia ocidental.

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Contou-me um passarinho que na Ucrânia soldados russos capturaram mercenários originários de países da OTAN. É a guerra, pergunta-se, entre Rússia e Ucrânia, ou entre países da OTAN e Rússia?

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Pessoas que há não muito tempo escreveram, em tom de alerta, artigos percucientes acerca da concentração dos meios de comunicação ocidentais num tal de Projeto Sindicato, conglomerado midiático sob controle de uma meia dúzia de nababos ocidentais, estão, agora, a comprar da mídia ocidental, acriticamente, a narrativa da guerra que ora se desenrola na terra dos cossacos.

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O senado do estado americano da Carolina do Norte aprovou um projeto de lei que não concede permissão para pessoas transgêneros – homens que se dizem mulheres – de participar de competições oficiais com mulheres.

Elon Musk. Roe vs Wade. Leonardo di Caprio. Disney. E outras notas breves.

“Elon Musk pagou 44 bi de dólares para comprar o Twitter. Com esta grana ele poderia acabar com a fome no mundo.” “E as pessoas que receberam dele tal fortuna podem com ela acabar com a fome no mundo.”

Nota de rodapé 1: com tal dinheiro mata-se a fome de um bilhão de pessoas – que, segundo organizações mundiais, passam fome -, durante uma semana, se muito. E depois?

Nota de rodapé 2: o diálogo acima não faz sentido algum; não tem né, nem cabeça; a réplica é uma provocação àqueles que estão a exprobrar Elon Musk após ele comprar o Twitter.

Nota de rodapé 3: distribua-se tal fortuna, ou o dobro, ou o quintuplo, ou mais, pelos povos famintos de todo o mundo, que a fome não irá diminuir, pois muitos políticos, ditadores, irão amealhar a grana, e abandonar o povo ao deus-dará, ou irão subjugá-lo retirando-lhe os meios de subsistência – o que, aliás, muitos já fazem. A crítica ao Elon Musk é só perfumaria de gente que se diz preocupada com os destinos da humanidade.

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Nos Estados Unidos, a Suprema Corte revogou a lei Roe vs Wade, que permite o aborto, eufemismo para assassinato de crianças. Agora, a decisão acerca do tema cabe a cada estado americano. E o governo do estado de Oklahoma, Kevin Stitt, decidiu banir tal prática assassina de suas praias. E os abortistas esperneiam, ensandecidos.

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O Leonardo di Caprio quer salvar o Brasil. Que menino bonzinho. Ele é o filhinho bonitinho do papai e da mamãe, mas levou umas palmadas, e bem dadas, do Capitão Bonoro, nosso querido presidente.

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Contou-me um passarinho que russos e ucranianos estão se estranhando na Moldávia, e que o Rublo valorizou-se, e que as sanções à Rússia impostas por alguns países europeus e pelos Estados Unidos estão a prejudicar mais a economia européia do que a russa, e que a União Européia não que pretende mais comprar petróleo russo, uma idéia de jerico rejeitada pelos governos da Hungria, da Eslovaquia, da Bulgária e da Czekia, e que países europeus seguem a comprar gás e petróleo russos por intermédio de outros países, que aos russos pagam em Rublos, e que o lockdown decretado, em Shangai, pelo governo chinês, sob a justificativa de impedir a disseminação do mocorongovírus, visa, na verdade, quebrar a cadeia de suprimentos mundiais, o que, parece, está ocorrendo.

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O governador da Flória, Ron DeSantis revogou as proteções especiais à Disneylândia. Desconheço a história. Li aqui e ali que a Disney gozava de certas autonomias administrativas no governo da vasta área que ocupa, e agora não a possui mais. O DeSantis, aliado de Donald Trump, é uma pedra no sapato de progressistas, esquerdistas, e companhia limitada.

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Leio textos de pessoas, que, independentes e corajosas, ousam expor idéias não contempladas pela grande mídia, pessoas que fazem das coisas do mundo, da política, da cultura, leitura que parece coisa do balacobaco, terraplanista negacionista, e coisa e tal, mas que nada mais é do que uma visão distinta do que a permitida pelos poderosos de plantão. Dentre tais pessoas estão Maurício Alves, Kleber Sernik, Jonas Fagá Jr., Kassandra Marr, Neto Curvina, Maurício Erthal, Naomi Yamaguchi. Não repetem lugares-comuns, narrativas convencionais, platitudes insossas.

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É Lula, nas palavras de um seu fã de carteirinha, a esperança do povo brasileiro. E a esperança do povo brasileiro, Lula, representa a própria democracia. Mas ele, Lula, a esperança de um povo sofrido, não atraiu, no dia 1 de Maio, o povo brasileiro, que nele deposita infinita esperança. Estou surpreso!

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Anti-capitalistas pedem o fim do livre-mercado, a extinção das empresas, pois os empresários, gananciosos, só pensam no lucro e em explorar os trabalhadores, e exigem que o Estado tudo controle, certos de que criarão, na Terra, o paraíso. E quando alguém lembra-os que Fidel e Che, em Cuba, e Chavez e Maduro, na Venezuela, empreenderam a política anti-capitalista, produzindo os mais valiosos produtos socialistas, miséria, fome, desigualdade, opressão, mortes, esgoelam-se e cospem-lhe na cara. E enaltecem as figuras de Fidel e Che, e a de Chavez e Maduro . Quem entende?! 

Venom (2018)

Não é um filme de aventuras; não é um filme de ficção científica; não é um filme de ação; não é um filme de terror. Não é um filme de super-herói. É uma sequência de cenas grotescas dotadas de algumas pinceladas, e muito mal aplicadas, de elementos de inúmeros gêneros e de nenhum gênero. Cada pessoa vê não se sabe o que em tal filme – se de filme se pode chamar tal obra sem valor, um horror em todos os aspectos, de constranger todo aquele que aprecia a Sétima Arte, de enervar os mais exigentes, de fazer os irmãos Lumière se remexerem no túmulo (e que nenhuma alma penada de além-túmulo ouse lhes falar da existência deste… desta… Não sei o quê). É Venom um caça-níquel. Explora a fama de um dos mais populares, entre os jovens, personagens de quadrinhos de super-heróis americanos. E nada mais. Se caçou muitos níqueis, não sei. Abusa de alguns efeitos visuais grosseiros, e grotescos, para contar um capítulo da vida do repórter investigativo Eddie Brock (Tom Hardy), o homem que vive em simbiose com Venom, o alienígena – um simbionte – que, a bordo de uma espaçonave do Instituto Vida, empresa de exploração espacial do multibilionário Carlton Drake (Riz Ahmed), chega, aprisionado num artefato tecnológico, à Terra.
Carlton Drake, inescrupuloso, realiza experiências que redundam na morte de suas cobaias humanas – uma delas, amiga de Eddie Brock – que não tinham organismo compatível com o dos alienígenas.
Não foi o simbionte Venom o único que foi trazido à Terra. Um outro, após parasitar dois corpos de humanos e o de um cachorro, ocupou, enfim, um que lhe era compatível, o de Carlton Drake.
Há no filme cenas violentas que, de tão mal executadas, inspiram riso; de perseguição, Eddie Brock (e Venom) de moto, seguido por agentes sob as ordens de Carlton Drake – e que nenhuma tensão possui; de humor, humor?, que não fazem rir; e, ao final, de luta, grosseira, grotesca, destituída de atrativos, entre os dois simbiontes, o que estava com o corpo de Eddie Brock e o que dominava o de Carlton Drake.
Venom, não se sabe porque razão, ao saber que o outro simbionte queria empreender uma expedição até seu planeta natal e trazer à Terra milhões dos da sua espécie, para colonizá-la, decidiu confrontá-lo. E assim fez, e foi por ele suplantado. Todavia, seu antagonista morre (morre? estamos falando de estória de super-herói), dentro de um foguete, numa explosão – os simbiontes não são invulneráveis ao fogo.
E Eddie Brock e Anne Weying (Michelle William), que só agora é apresentada nesta resenha, vivem felizes para sempre, ao modo deles, ele a seguir sua vida errática, ela, em comum com o doutor Dan Lewis (Reid Scott).
A biografia de Venom – é este adendo um brinde para os meus poucos leitores – é das mais inusitadas: Na série Guerras Secretas, de Jim Shooter, Mike Zeck e John Beatty, é Venom um material alienígena que compõe o uniforme preto do Homem-Aranha; depois, ele assume ares de um agente parasitário que suga seu hospedeiro, o sobrinho da Tia May, moço que, nas horas vagas, é o Amigão da Vizinhança, Peter Parker, que dele se livra ao som de um sino de uma igreja (emblemático: Peter Parker livra-se de seu demônio em uma igreja); em seguida, apossa-se o simbionte de Eddie Brock; enfim, converte-se em um anti-herói (da estirpe de Deadpool) que não hesita em matar humanos, um personagem grotesco, horripilante, repulsivo, asqueroso – hoje em dia, um herói. E orbitando-o criou-se um panteão de personagens tão horripilantes quanto ele; e é seu antagonista Carnificina.

Projeto Gemini (Gemini Man – 2019) – Direção: Ang Lee. Com Will Smith.

Não há muito o que dizer deste filme, que assisti atraído pelos nomes de Ang Lee e Will Smith, duas personalidades populares, ambas respeitadas pelos amantes da Sétima Arte.
Henry Brogan (Will Smith), assasino de elite, o melhor de todos, profissional irrivalizado, é traído por Del Patterson (Ralph Brown) e tem a sua cabeça dada a prêmio pelos inescrupulosos Clay Varris (Clive Owen) e Lassiter (Linda Ermond), superiores da agência de espionagem para a qual Henry Brogan trabalha. Não pôde gozar de sua merecida aposentadoria Henry Brogan, que, com a ajuda de Baron (Benedict Wong) e Danny (Mary Elizabeth Winstead), enfrenta os assassinos enviados para matá-lo. Mas apenas um assassino poderia matar Henry Brogan: Henry Brogan. Mas ele não podia ir no encalço de si mesmo. Não podia; e foi. Não o Henry Brogan original, primeiro e único, mas seu clone, mais jovem, dotado do talento de Henry Brogan para operações de assassinato. E não apenas um clone seu Henry Brogan encarou; enfrentou dois deles, o segundo, mais jovem do que o primeiro, e mais poderoso do que ele, um garoto, quase uma criança, era um ser humano aperfeiçoado, máquina de matar, sem espírito humano, criado para substituir soldados humanos nos campos de batalhas – questão, esta, explícita nas palavras de Clay Varris.
Ótimas, as cenas de ação do filme. O roteiro, simples. Estranhou-me o rosto de Will Smith, rejuvenescido por computadores, nas figuras dos clones dele. Por mais sofisticada que seja a tecnologia de efeitos especiais, ela ainda não pode emprestar ao rosto humano a sua natureza – irreproduzível por máquinas?Está na ordem do dia o transhumanismo, que, para os seus proponentes, é o aperfeiçoamento, o melhoramento do ser humano, a conversão dele num ser superior, que se obtêm suprimindo-lhe a essência transcendental; o filme, removido o seu teor fictício, faz de tal questão o seu estribilho. A controvérsia existe, conquanto muita gente a evite, dela se esquive, e a maioria a ignore: É possível melhorar o ser do ser humano? O clone de Henry Brogan, o primeiro deles, após o encerramento de sua aventura, segue uma vida de um ser humano. O clone, pergunta-se, tem alma? E muitas perguntas se seguem: Se não tem, é humano? Se tem, então, o que a alma é, se o clone é um produto da ciência humana? O clone é criação dos humanos, e estes são criaturas de Deus, então o que os humanos criam está contemplado nos desígnios divinos? A alma existe, ou é uma abstração filosófica e teológica? Que ninguém queira encontrar tal discussão em Projeto Gemini, que é única e exclusivamente uma obra de entretenimento. Ou não?

O sistema de saúde colapsou.

O sistema de saúde colapsou. Ora, mas é claro que o sistema de saúde colapsou. O carinha abre, no dedo, com uma faca de cortar pão, um corte pequeno, de não mais de meio centímetro de extensão, superficial, do qual escapa meia gota de sangue, que logo se enrijece, e não uma cachoeira rubra, e, em vez de ou simplesmente ignorar o ferimento, de tão insignificante, ou chupar o dedo machucado até cessar de sair fora o sangue, ou, então, cobri-lo com um curativo apropriado, ou no dedo enrolar uma tira de pano, corre, célere, aos berros, ao pronto-socorro, a suplicar, esgoelando-se, por um atendimento urgente. E a carinha cutuca o dedo com uma agulha, sente a picada, vê o ponto, minúsculo, quase invisível aos olhos humanos, onde enfiara, inadvertidamente, a ponta da agulha, avermelhado-se, solta um berro de abalar os alicerces da Pirâmide de Quéops, e dispara a correr, aos gritos, ao pronto-socorro, o dedo atingido pela agulha destacado dos outros dedos, e lá chegando exige atendimento imediato. Tendo de atender tais carinhas, não há sistema de saúde que aguente.

Há quem, com a garganta arranhada, faz uso, para eliminar os arranhões da garganta, de um pouco de leite quente com sal, ou com açúcar; e há quem, gripado, resfriado, bebe, todo santo dia, café com limão, e engole uma colherada de mel; e há quem, flagelado por pedras que lhe pesam nos rins, bebe chá de quebra-pedra, ou de caninha-do-brejo, e elimina-as, aos jatos – com certa dor, é verdade, mas as expulsa de si; e há quem faz uso de chá de erva-cidreira para aumentar a pressão; e de chá de folha de goiabeira, e de chá de boldo, e de ora-pro-nobis, e de folhas de loro, cada qual para atender a um chamado do corpo afetado por algum mal. Claro que não se aconselha a sair a consumir qualquer coisa, de qualquer modo, em qualquer quantidade quando adoentado, mas há certos males que se pode remediar com um chazinho da vovó, um chá qualquer, que a vovó tão bem conhece e do qual já fez uso trilhões de vezes e com bons resultados, e com o uso de plantas, e com produtos provenientes de animais, picumã, por exemplo, para cicatrização de machucados.
Recorrer ao pronto-socorro por causa de qualquer machucado, ou dor, muitas destas passageiras, que nascem de um tropicão, é demais! Deve-se recorrer ao pronto-socorro apenas em último caso, quando se tem o pescoço cortado de fora a fora, ou a cabeça rachada ao meio, por um machado, um machado bem afiado.

Dor de dente

Faz, já, algum tempo, que eu, dor de dente a atormentar-me, fui consultar uma dentista. Falei-lhe do meu caso, do dente, da dor, e, sentado na cadeira de tortura, à solicitação da dentista, abri a boca para ela examinar os dentes que ainda me restam, principalmente o que me doía. E deu a dentista o prognóstico, seguido das seguintes palavras: “Vamos extraí-lo.” E ela mo extraiu, com todo o carinho do mundo. Sai do consultório, a cara inchada. Eu retornaria àquele consultório, para nova consulta, uma semana depois. E assim foi. No dia aprazado lá estava eu, sentado na cadeira de tortura, ajeitando-me quando a dentista pergunta-me: “E o dente? Está doendo?”, referindo-se ao dente que me extraíra sete dias antes. Tão logo me fez a pergunta, comentou, rindo: “Como sentir dor no dente que eu arranquei semana passada?!”. Eu sorri, divertido.

Pensamento Nacional-Socialista de [Opressão] Direitos [Desumanos] Humanos. Escritores geniais

Nota: Os trechos entre colchetes estão rasurados no manuscrito.
Os nossos literatos, produzidos pela nossa ideologia, encantam multidões em todo o mundo. Representam a [fraqueza] [debilidade] força do nosso pensamento: Gabriel Garcia Marques e José Saramago são, respectivamente, o maior escritor das Américas e o maior escritor da península ibérica. José Saramago, Nobel de Literatura (o maior erro da sua vida foi aceitar a premiação concedida pela burguesa Academia Sueca; fiel ao ideal comunista foi Sartre, que a rejeitou) escreveu livros de altíssima qualidade, muito bem acolhidos, inclusive, pelos burgueses capitalistas europeus. Perdoamos-lhe o deslize: o de aceitar o dinheiro oferecido pela Academia Sueca, [excelente], que [promove] embora favoreça literatura [de elevado valor] burguesa, obrigou-se a reconhecer o talento ímpar do escritor lusitano que melhor traduziu a [horrenda] [nobreza] superioridade moral da ideologia socialista [malsã] promotora de [injustiças e miséria e morticínio] justiça social. Perspicaz, ele demoliu a pontuação, invenção burguesa, e criou um novo estilo literário irrivalizado. Outro deslize que ele cometeu: o qual também lhe perdoamos, foi o do anúncio de criticas ao [ditador] comandante Fidel, que [havia mandado matar três jornalistas], em defesa do ideal social-comunista, e para impedir uma contra-revolução tardia, na manutenção [do sistema totalitário que ele, secundado por Che Guevara, um covarde e traidor, que mereceu morrer nas selvas bolivianas, instituiu, em Cuba, oprimindo três gerações de cubanos] da integridade de Cuba, foi forçado a desfechar um golpe certeiro em profissionais da mídia burguesa, que almejavam a sua queda e a implantação do capitalismo na mais importante ilha caribenha. Entendemos que, Saramago, provecto – infelizmente, ele não é dotado de fibra equivalente à do [inescrupuloso] comandante Fidel -, fraquejou, como se sucede com os valetudinários, ao perder, momentaneamente, a têmpora e a sanidade. Insanidade passageira superada, recuperada a lucidez, ele escreveu Caim, um produto legítimo da [idiotice intelectualóide de escritores engajados] ideologia revolucionária.

Avante, camaradas!

De Leninevitch Stalininski

Pudim de Caramelo

João e José Carlos, seu filho, foram à doçaria. O filho pediu ao seu pai que comprasse um pudim de caramelo. E ele lhe atendeu ao pedido. O pudim às suas mãos, José Carlos virou-se para seu pai, e disse-lhe: “Pai, lá em casa o senhor corta o pudim pela metade e dá o pedaço maior pra mim.”

A sofisticação do verbo “ouvir”.

De todos os verbos da Nossa Língua Portuguesa, “ouvir” é o mais sofisticado. Permite duas conjugações no presente do indicativo da primeira pessoa do singular: “osso” e “ovo”. Exemplos: “Eu osso músicas do Pixinguinha.” e “Eu ovo músicas do Sílvio Caldas.”

Meu filho está bem, obrigado por perguntar

– Eu soube, Biel, que seu filho envolveu-se num acidente de carro.

– Não se preocupe, Beto. Ele está bem. Quebrou as duas pernas, um braço e só quatro costelas.

– E você diz que ele está bem!?

– E não ‘tá, não?! Um braço dele ‘tá inteiro. E vinte e nove costelas dele não sofreram nenhum arranhão.

Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais (Law & Order: Special Victims Unit – Temporada 18; episódios 20, Sonho Americano (American Dream), e 21, Santuário (Sanctuary)

Na trama, desenrolada em dois episódios, 20 e 21, respectivamente, Sonho Americano (American Dream) e Santuário (Sanctuary), da temporada 18, a equipe da SVU, Unidade de Vítimas Especiais (Special Victims Unit), de Nova Iorque, liderada pela tenente Olívia Benson (Mariska Hargetay) e que tem entre seus membros os detetives Odafin Tutuola (Ice-T), Amanda Robbins (Kelli Giddish) e Dominick “Sonny” Carisi Jr. (Peter Scanavino), empreende uma caçada aos estupradores de duas mulheres, ambas imigrantes, árabes, muçulmanas, e ao assassinato de uma delas. De início, as suspeitas recaem sobre um parente delas, que, além de muçulmano, é homossexual e imigrante ilegal, e, simultaneamente, e sucessivamente, sobre um porto-riquenho, também imigrante ilegal, marido e pai de duas filhas. O árabe muçulmano e homossexual temia sua deportação para o seu país, pois, sabia, ao pôr, nele, os pés, comeria o pão que o diabo amassou; e os porto-riquenhos temiam serem deportados, pois a familia se desfaria, afinal os pais seriam deportados, e as filhas, nascidas na terra do Tio Sam, ficariam em solo americano. Enfim, os investigadores, escudados pelo promotor-assistente de Nova Iorque, Rafael Barba (Raúl Esparza), encontram os autores dos horrendos crimes originalmente imputados aos imigrantes ilegais, o árabe homossexual e ao porto-riquenho casado e pai de duas filhas: dois norte-americanos, ambos brancos.

Chamaram-me a atenção, sem que houvessem me surpreendido, a caracterização dos suspeitos e a dos crimininosos: os suspeitos, imigrantes ilegais, vítimas, nos Estados Unidos, de uma política imigratória (os episódios são de 2017, não me escapou tal informação – e Donald Trump já era o presidente dos Estados Unidos) alcunhada xenófoba, e tida como sórdida, cruel, desumana, são bons, pacatos; e os criminosos, ambos, repito, americanos e brancos, destilam ódio aos imigrantes e exibem, abertamente, seus sentimentos supremacistas.

O filme vende idéias prejudiciais à imagem, não apenas do presidente americano, objeto de ódio de onze em cada dez esquerdistas, dos Estados Unidos enquanto nação e dos americanos enquanto povo. O emblema do mal está colado na testa dos homens brancos.

O árabe muçulmano temia a deportação, pois, sabia, assim que pisasse em solo de seu país de origem, seria escorraçado; aqui, nesta questão, pedia-se uma condenação dos produtores do filme aos muçulmanos, que maltratam, segundo o que se apreende do roteiro, os homossexuais, mas o que se vê é condenação ao governo americano, que, indiferente ao destino dele, deporta-o. Fica-se com a sensação de que são os vilões da história os Estados Unidos, reduzidos à pessoa do presidente Donald Trump, os americanos, povo crudelíssimo, e os homens brancos, seres iníquos por natureza.

É tal estória uma panfleto ideológico anti-americano; para olhos atentos, é uma descarada, desabusada propaganda anti-americana que induz muitos americanos a se envergonharem de sua pátria e os outros povos a verem, nos americanos, homens desprovidos dos mais nobres sentimentos humanos.

Carne de Vaca e Carne de Porco – Um Debate Epistemológico. Com a Participação dos Filósofos João Osso de Boi e Paulo Espinha de Peixe – transcrito por Zeca Quinha, e publicado no Zeca Quinha Nius.

O Zeca Quinha Nius, o maior e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre e de todos os outros orbes deste e de outros universos, tem a honra de apresentar aos seus leitores, que habitam os quatro cantos do orbe terrestre, em transcrição, a íntegra do debate, de cunho filosófico, antropológico, histórico, geográfico, psicológico, sociológico, teológico, parapsicológico, químico, físico, alquímico, metafísico, astrológico, astronômico, geológico, bovino, suíno, galinácio e ictiológico, do qual participaram dois nobres intelectuais brasileiros, os senhores João Osso de Boi e Paulo Espinha de Peixe. Antes de dar aos leitores do Zeca Quinha Nius, o maior e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre, o teor do debate, cuja substância são as palavras que os debatedores pronunciaram durante o debate, e não outras, que não foram ditas por eles, apresentamos breve, muito breve, brevíssima biografia deles, uma de cada um, pois cada um deles tem uma, e apenas uma, biografia, embora ninguém até o momento desta publicação tenha escrito, e tampouco publicado, a biografia deles, biografia que trata da vida deles, e não da de outras pessoas, que também podem ter uma biografia, ou mais de uma, a depender de quantas existam.

O senhor João Osso de Boi, dos dois debatedores o primeiro de quem falamos, e não o mais importante, é graduado e pós-graduado, gradualmente, em Linguística Alimentar, pela Faculdade dos Nomes Próprios Impróprios, Apropriados e Desapropriados, da Universidade Federal do Município de Pindamonhangaba do Norte-Nordeste. Escreveu sete obras grandiosas, cada uma delas com mais de dois milhões de palavras, e elaborou, com a sua inteligência invejável, a Teoria das Palavras Ditas e Não-Ditas Que Dizem as Ditas o Que Não Querem Dizer e Não Dizem as Não-Ditas o Que Querem Dizer Independentemente de Quem as Diz e as Não Diz, teoria que está exposta em um livro de mais de cinco milhões de palavras, uma obra monumental. E o senhor Paulo Espinha de Peixe, dos dois o segundo de quem falamos, e não o menos importante, é graduado, pós-graduado, doutorado e mestrado em Psicologia Parapsicológica do Pensamento Linguístico Humano Com e Sem Palavras, pela Faculdade de Antropologia Labial das Línguas Idiomáticas das Pessoas Falantes e Tagarelas, da Universidade Estadual do Município de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, e doutor honoris causa da Universidade Universal Terrestre e Terráquea da Cidade Indiana Pindamonhangabakrishnan. É autor de um livro em cuja capa há uma ilustração com um elefante, um sagui, uma ostra, uma estrela-do-mar, um pinguim, todos eles comendo batatas fritas, à mesa redonda, a participarem de uma confabulação linguística poliglota.

Agora que os leitores já leram, caso as tenham lido, as biografias, em resumo bem resumido, das duas ínsignes autoridades intelectuais, damos, nas linhas que seguem este parágrafo, a transcrição do histórico debate entre elas, que são eles, dois homens. Pedimos aos leitores que não se apressem na leitura, pois ainda não digitamos a transcrição; e que a leia na medida em que a digitarmos.

– A carne – disse João Osso de Boi, após as apresentações da lista de títulos, e muitos tíitulos, dos dois debatedores. – O que é a carne, e o que se diz da carne, e o que a carne é e não é é a questão que nos interessa, a mais importante em nossa civilização, a sociedade moderna, laica, cientificista, industrial e tecnológica em que vivemos. É a carne carne. É da essência da carne a sua substância carnuda. E é da carne que se origina a carnificina, a carnagem, a carnefilia, a carnefobia, o carnívoro e a carnívora, o carniceiro, a encarnação e a reencarnação, e o desencarnado, e a dona Maria da Encarnação. A carne em si, metafisicamente falando e dizendo ontológicamente, é laica; precede a existência da definição e do conceito de carne e as substâncias substanciosas que dela procedem. Não existisse a carne, não existiria o conceito de carne, e nem a definição dela, e tampouco a definição do seu conceito e o conceito da sua definição, tanto do que a carne é quanto do que são o conceito e a definição da carne. A existência da carne obrigou os humanos a pensar acerca da sua substância e das origens da linguagem cujo eixo de pensamento é a carne.

– Penso, meu amigo – disse Paulo Espinha de Peixe -, que, inexistindo a carne a existência da definição e do conceito de carne existiria, ou não, a depender dos estímulos intelectuais que os humanos porventura sofreriam no mundo em que a carne inexistisse. O intelecto humano é tão complexo e maleável que, mesmo desconhecendo a inexistência do inexistente e conhecendo a existência do existente, pensa na existência inexistente e na inexistência existente a ponto de conceber a entidade, em abstração, que associa a coisa ao objeto, independentemente se é o objeto uma coisa e a coisa um objeto; portanto, é o escólio, inexistindo, em concreto, a coisa, o objeto, em abstrato, inexiste, porque é a sociedade laica.

– O que me faz pensar, meu amigo, evocando, metafisicamente e ontologicamente e noologicamente e antropologicamente e etnologicamente e linguisticamente, os artigos e substantivos que se usa para designar, existencialmente e fenomenologicamente, a carne em suas inúmeras acepções, eles dela transcendem a materialidade; a carne seria carne mesmo se não existisse. Vejamos um exemplo: diz-se carne de vaca e diz-se carne de porco, sem se considerar a laicidade da carne e a sexualidade do açougueiro.

– Há açougueiros que, corroídos pela masculinidade tóxica, não compreendem, e não querem compreender, que a flatulência das vacas e dos bois interferem negativamente no clima terrestre, elevando a temperatura global, e ocasionando, consequentemente, maremotos e terremotos, interferindo, assim, automaticamente, nos ecossistemas do universo, com ressonâncias antropológicas e paleológicas que ecoam nos sistemas ecológicos dos outros sistemas estelares da Via-Láctea.

– Você tocou em um ponto sensível, que pode ser desdobrado em inúmeros pontos e estendidos em várias linhas, linhas retas e linhas curvas, pontuadas de pontos pontudos apontados em pontos curvos e pontos retos. Quero chamar a atenção para outro ponto, que também pode ser desdobrado, e esticado, e curvado e recurvado, aleatória e randomicamente, seguindo trilhas a esmo, em conformidade com a Teoria das Supercordas e em consonância com os postulados da Teoria da Relatividade Geral conectada às regras elementares da culinária japonesa. É o da designação das carnes. É a carne de vaca, entendem os dotados de preconceito linguístico da sociedade patriarcal, medievalista, feudal, de vaca, e a de porco, de porco. A carne de vaca não é necessariamente de vaca, pode ser de boi, e a de porco, de porca, e não obrigatoriamente de porco. A carne, considerando o ambiente laico da sociedade moderna, sendo carne, tem propriedades de carne, e são seus componentes carne, e de carne são as suas essências material e metafísica, e o nome “carne” transcende a carne, pois não compartilha com ela suas materialidade e concretude, pois a carne, para existir, independe do nome que a denomina e a identifica. A carne, portanto, em suas partes constituintes e em seu todo, sendo de vaca, é de boi, e sendo de boi é de vaca, e sendo de porco é de porca, e sendo de porca é de porco, e, por conseguintemente falando, e linguisticamente observando, não a carne, mas os nomes que a nomeiam, conclui-se que a sociedade não abandonou de todo os preconceitos linguísticos, herança de uma cultura bárbara, supersticiosa, de uma era que antecede a sociedade laica moderna, industrial e tecnológica, que tem na carne carne independentemente das suas existência e inexistência. É a carne um fenômeno extra-sensorial, um epifenômeno existencialista e parapsicológico devido à inconsistência da sua estrutura fenomenológica. E astrologicamente está a carne sob o reino de Plutão, e coroado por Júpiter, e amparado por Vênus, e justaposto a Urano, e alinhado a Mercúrio e Marte.

– O que se destaca nos nomes das carnes é a subjacente mentalidade discriminatória do povo conservador que, identificando na carne substância digerível, não atenta para a linguagem binária, o uso dos pronomes masculino e feminino, objetos culturais de sociedades corroídas pelo preconceito linguístico binário, e mal percebe a substância cosmológica de subsistência da civilização que existe sob a égide do capitalismo anárquico neoliberal e patriarcal, sob estrutura mercadológica cujo único fim é a exploração dos explorados em benefício dos exploradores, que têm na carne o símbolo etéreo e fluídico do domínio do lucro das empresas lucrativas, cujos proprietários se arvoram em árvores vetustas e milenares dotadas de vínculo umbilical com a natureza, e, portanto, revestidos com a sabedoria da Mãe Gaia, entidade celestial, suprema, divina, cuja divindade prescinde de transcendência teológica e metafísica. É impressionante o prejuízo que o senso comum do homem comum cuja essência está apodrecida por causa da masculinidade tóxica, que lhe fere o ser do seu ser, ser metamórfico, polimorfo, multifacetário. Enquanto não se derem conta da estupidez humana que faz da carne objeto de culto culinário e da nomeação binária, a sociedade não irá progredir.

– Se astrologicamente está a carne sob o signo dos astros, zodiacalmente ela está na substância concreta dos símbolos dos signos. No horóscopo há bichos, animais, todos de carne, e a libra, cujas balanças podem ser usadas para medir a extensão do peso das carnes, em equilíbrio, ou em desequilíbrio, e o aquário, que pode conter animais aquáticos, os peixes, ou outros animais, também compostos de carne, sendo, portanto, tanto o aquário, quanto a libra, objetos empregados para atuar em atividades humanas que têm na carne um fim em si mesmo. E na simbologia dos signos do horóscopo detecta-se a prevalência da ordem da desordem ordenada segundo a desordem cósmica da ordem cosmológica dos padrões parapsicológicos do magnetismo animal dos animais simbolizados pelos signos, cujas imanências conduzem e reconduzem os homens às eras terciária e quaternária das primícias dos prolegômenos inscritos no frontispício dos tratados noéticos, cujo patrono é Noé, escravocrata, o primeiro bípede implume a explorar o trabalho braçal dos animais da era paleozóica, o ser humano ainda a engatinhar em suas andanças pela Terra.

– Em se tratando de magnetismo animal, os animais o possuem em larga escala, em especial, e principalmente, os animais animalescos, cuja carne desencarna e reencarna segundo os estágios dimensionais da metempsicose ariana e marciana; sabe-se, também, que a carne dos animais, além de intimamente dotada, em sua quintessência, de magnetismo animal, tem alta dose de eletromagnéticas voltagem e amperagem no seu microscópico sistema elétrico, hidrelétrico e fotoelétrico, independentemente da consistência dos pólos da Terra, situados, um, em seu norte, um, no seu sul, um no seu leste, um, no seu oeste. E os vegetais e os minerais não são dotados de magnetismo animal, e nem os planetas.

– O tema, amigo, é um dos mais complexos sobre os quais os humanos nos debruçamos, dedicados a desentranhar-lhes os mistérios, que remontam às mais antigas sociedades obscurantistas e esotéricas do misticismo egípcio e das sociedades iniciáticas teosóficas e que estão inscritos nos tratados de magia negra concebidos por alquimistas e quiromantes e prestidigitadores, todos a corroerem a alma humana com seus exóticos e escalafobéticos tanglomanglos. É “carne” acrônimo de Consciência dos Animais Racionais Nativos do Exterior; em outras palavras, é a carne substância alienígena proveniente dos reptilianos que vivem, no centro da Terra Oca, além da Abóbada Celeste.

O Homem que Inventava

Poucas pessoas compreendiam as idéias de outro mundo de Charles Albert Newton.

A história começou com Gustavo da Silva, um homem simples e sábio. Ainda criança, ele aprendeu a ler e a escrever. Leu muitos livros. Os livros que contavam a vida dos maiores cientistas do mundo eram os que ele mais gostava de ler. Cresceu. Comprou uma casa. E dentro dela construiu uma biblioteca com um acervo de mais de mil livros, em sua maioria de histórias da vida e das idéias dos mais importantes cientistas de todos os tempos. Casou-se com Rebeca. Para o seu primeiro filho, Gustavo escolheu o nome Charles Albert Newton. E por que Gustavo batizou de Charles Albert Newton? Por que não o chamou ou de José, ou de Paulo, ou de Pedro, ou de João? Porque ao batizá-lo com o nome de Charles Albert Newton, homenageou os três cientistas que mais admirava: Charles Darwin, Albert Einstein e Isaac Newton. Agora que todos já sabem porque Charles Albert Newton chamava-se Charles Albert Newton, podemos continuar a nossa história.

Charles Albert Newton era o orgulho de Gustavo e Rebeca. Crescia, vigoroso – jogava futebol e praticava natação – e muito inteligente. Lia bons livros. Antes dos vinte anos, já fazia experiências e inventava máquinas que melhoravam a vida das pessoas. Era a pessoa mais famosa da cidade em que morava. Todas as pessoas o admiravam e o achavam um pouco estranho – mas não o achavam muito estranho, pois ele gostava de dançar, assistir a jogos de futebol, e de carnaval. Mas quando ele punha-se a falar de suas idéias, de como funcionavam as suas invenções, as pessoas ficavam com cara de bobas – ninguém entendia o que ele dizia. Charles Albert Newton não era um cientista maluco – ele era muito esperto e sabia o que queria: queria que todas as pessoas vivessem bem; que ninguém passasse nem fome, nem sede; queria que todas as pessoas tivessem boas casas e boas roupas; e boa comida todos os dias, para que tivessem saúde de aço.

Era um homem dedicado às ciências, às invenções; às pessoas, que o chamavam de O Homem Que Inventava. E ele apareceu até em capa de revista! E ficou famoso! E com as suas invenções ajudava as pessoas.

Um dia, ele se recolheu à sua casa, e nada mais inventou. As pessoas estranharam.

– Por que o Charles não inventa mais coisas interessantes? – perguntou um morador da cidade.

– Levei para o Albert uma defeituosa máquina – disse outro morador -, e ele não soube consertá-la.

– Pedi ao Newton uma solução para o problema das enchentes que têm nos maltratado. Sabem o que ele me disse? Que não tem idéia para resolver o problema – disse o prefeito, entristecido e preocupado.

– Esgotaram-se as idéias do Charles? – perguntou uma senhora respeitável.

– Para mim, o Albert perdeu um parafuso – comentou, rindo, um homem brincalhão.

– Não diga bobagens – disse um homem que não gostava de brincadeiras bobas. – O Newton só está precisando de alguns dias de descanso.

Sem as brilhantes invenções e as idéias amalucadas de Charles Albert Newton, empobrecia-se a cidade.

Passaram-se os dias.Charles Albert Newton não inventou nenhuma extraordinária máquina e não pensou nenhuma idéia meio doida que ninguém entendia muito bem, mas que todo mundo adorava.

E passaram-se outros dias. E outros dias. E outros dias. E outros dias. E Charles Albert Newton não apresentou nenhuma boa idéia e nenhuma invenção brilhante.

Um dia, caminhando, a cabeça abaixada, Charles Albert Newton viu uma linda menina chorando, foi até ela, e perguntou-lhe:

– O que aconteceu, menina?

– A minha boneca… naquele buraco – disse a menina, aos soluços, gaguejando. Charles Albert Newton foi até o buraco, que era fundo.

E a menina chorava.

– Qual é seu nome? – perguntou-lhe Charles Albert Newton.

– Lúcia – respondeu a menina.

– Lúcia, vou pegar a sua boneca, está bem? – prometeu Charles Albert Newton, que logo pensou num meio de tirar a boneca de dentro do buraco, que era fundo. Olhou ao redor, e encontrou a solução.

Um homem passeava; trazia consigo um guarda-chuva. Charles Albert Newton pediu-lhe o guarda-chuva emprestado, e ele, gentil, lho emprestou. E quebrou Charles Albert Newton, de uma árvore, dois galhos compridos, e pediu para a Lúcia, que o observava sem entender o que ele fazia, as maria-chiquinhas com as quais ela prendia os cabelos; ela lhas deu. E Charles Albert Newton prendeu, com uma das duas maria-chiquinhas, uma das pontas de um galho à uma das pontas do outro galho, e, com a outra maria-chiquinha, a outra ponta deste galho à ponta do guarda-chuva. E segurando o galho que não estava preso, com uma das maria-chiquinhas, ao guarda-chuva, desceu o guarda-chuva até o fundo do buraco. Com todo o cuidado do mundo, enganchou, na alça do vestido da boneca, o cabo curvo do guarda-chuva. E puxou o galho; junto com o galho veio o outro galho e uma maria-chiquinha, e, pouco depois, a outra maria-chiquinha e o guarda-chuva, e, no cabo curvo do guarda-chuva, a boneca da Lúcia.

Lúcia deu muitos pulos de alegria, e abraçou e beijou a boneca. E abraçou e beijou o gentil homem que emprestara o guarda-chuva para Charles Albert Newton. E abraçou e beijou Charles Albert Newton.

– Charles Albert Newton, você é o meu herói – disse Lúcia, imensamente feliz.

Charles Albert Newton restituiu o guarda-chuva ao gentil homem que lho emprestara e correu para a sua casa, a cabeça cheia de idéias maravilhosas e invenções de outro mundo.

Não entendi o que o chinês me disse

 Abordou-me, hoje, à Praça Monsenhor Marcondes, um chinês, que me falou, e me falou, e me falou, e me falou… E eu nada entendi do que ele me disse, pois, para mim, chinês é grego.

Limites da liberdade. Populismo. O mundo piorou. Notas breves.

Quais são os limites da liberdade? Há limites para o exercício da liberdade, de ação, de expressão? Se há, quem tem autoridade para determinar quais são? Tal questão atormenta os homens desde que o mundo é mundo. Se não há limites para a ação humana, se toda ação é admitida, um ato apenas, nem moral, nem imoral, tampouco amoral, e assim sendo deve ser aceito porque um homem o executa no seu exercício da liberdade, então assassinatos, estupros e roubos devem ser admitidos, e quem os comete dispensado de punições. Não há, no entanto, viva alma, se saudável, se lúcida, que admita correta tal idéia, e não pessa por limites à liberdade à ação humana – tal gente entende que assassinatos, roubos e estupros são crimes, e quem as comete deve ser punida com rigor. No entanto, há não poucas pessoas que, relativizando o valor de tais atos, coonesta-os, e emprestam-lhes ingredientes que retiraram de mentalidade política subversiva: o roubo pode não ser roubo, mas desapropriação de propriedade particular obtida por meios injustos, capitalistas, seu detentor a usufruir de privilégios fora do alcance de muitas pessoas, as que a sociedade oprime, e o assassinato, que, a depender do contexto, é dado como um ato aceitável por este ou aquele povo cuja cultura é milenar, de povos nativos, deve ser aceito como prática cultural respeitável e o assassino merecer respeito e compreensão – um bom exemplo é o assassinato, por algumas tribos indígenas, de crianças.
As ofensas que grupos revolucionários, que, supostamente, existem para acabar com preconceitos e defender minorias, grupos que lutam contra a Igreja, opressora, a família, opressora, o homem (principalmente se branco e heterossexual), opressor, o grande capital, enfim, grupos que lutam contra todos os opressores reais e imaginários, disparam contra a Igreja Católica, e os atos de violência, tais como invasão a igrejas e gestos obscenos na presença de crianças, e na do Papa, são, segundo os que os executam e seus apoiadores, atos de liberdade, liberdade de expressão, que, entendem, não possui limites; todavia, basta que aqueles que os esquerdistas têm na conta de inimigos expressem suas opiniões críticas aos ídolos esquerdistas e às políticas que estes defendem que os esquerdistas agitam a bandeira da liberdade e os acusam de propagadores de discurso de ódio e de disseminadores de fake news e sobre eles, esgoelando-se insanamente, descarregam impropérios impublicáveis e pedem aos poderes legais que os punam, se não com a prisão, e tampouco com a morte (o que desejam), com a proibição de se expressarem livremente, alegando que eles não sabem respeitar a democracia, a liberdade, a justiça, sendo imprescindível, portanto, que alguém, com o rigor da lei, lhes ensine bons modos.
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O tema de um texto, curto, de Fabio Blanco, é o populismo. Conta o autor, como que numa página de um seu diário, a sua ida, depois de meses, à feira livre de sua cidade, e relata ele seu encanto com a turbamulta reinante, para, depois, tecer reflexões acerca da romantização que ele faz da algaravia dos feirantes e do público. Ora, ele não vive de trabalhos na feira, não é dela que ele tira seu sustento financeiro; suas atividades são outras, de professor; ao ver a agitação das pessoas ele a interpreta sob a ótica de um intelectual, e acaba por emprestar ao ambiente, dir-se-ia caótico, de uma feira livre aspectos que ela não possui, embelezando-a. E é esse o pensamento, diz, que muitos intelectuais fazem da pobreza, dos pobres: romantiza-os. Dizem muitos amar os pobres e ver beleza na pobreza, mas eles na pobreza não vivem e não pretendem viver nas mesmas condições que os pobres vivem. É o populismo elitista, de gente que vê, ou finge ver, paz e beleza, maravilhas de um mundo perfeito, idílico, onde elas inexistem. E quantos são os políticos que se apresentam dedicados aos pobres e trabalham, não para extinguir a pobreza, mas para perpetuá-la? São muitos os demagogos; e é a pobreza o capital político deles.
*
Lembro-me que há um bom tempo, em tempos não muito distante, afirmaram jornalistas anti-bolsonaristas que a economia brasileira, no governo Jair Messias Bolsonaro, despiorou. Ora, os sinais, claros, da recuperação econômica do Brasil, não podiam ser eclipsados por notícias apocalípticas, comuns hoje em dia; a economia brasileira ia bem, obrigado!, e não podendo negar o sucesso – mesmo que relativo – em tal departamento, jornalistas esforçaram-se para dar a entender que a coisa não é bem assim, que a recuperação econômica brasileira não ia bem, como se pensa, e que temos de nos preocupar, e decidiram que não diriam que a economia brasileira melhorou – como diria qualquer pessoa, menos os jornalistas anti-bolsonaristas – mas, sim, que ela despiorou. E numa era posterior, o Real valorizando-se frente ao Dólar, o que, para muitos, representa confiança do investidor nacional e internacional no Brasil, que se torna um porto seguro para investimentos, dizem jornalistas que, insinuando que vai mal a economia brasileira, o Dólar, no Brasil mais do que em qualquer outro país, se desvalorizou, e consideravelmente. Ora, até um dia antes de tal fenômeno econômico – o da valorização do Real -, o Real a desvalorizar-se frente ao Dólar, a olhos vistos, dizia-se que a desvalorização do Real era um sintoma da economia brasileira fragilizada, a ir de mal a pior, concluindo-se, então, que melhor para o Brasil seria a valorização da moeda nacional; e agora que esta valoriza-se, indica manchetes de alguns jornais que é o Dólar que se desvaloriza, o que vem em prejuízo à economia brasileira, conclui-se. E há poucos dias, sinais alvissareiros da economia brasileira a animar o espíritos de todos, jornais ensinam que a economia brasileira não melhorou, mas, sim, a economia mundial piorou, concluindo-se, portanto, que não temos os brasileiros o que comemorar, o governo Jair Messias Bolsonaro do que se vangloriar, afinal vai o Brasil de mal a pior. Ora, mesmo que se dê mãos à palmatória, e aceite-se que a economia brasileira não melhorou, e, sim, que ela, na comparação com a economia mundial, que piorou, sai-se bem, conclui toda pessoa decente que merece o governo Jair Messias Bolsonaro elogios, afinal ele impediu que a economia brasileira piorasse tanto quanto as economias das outras nações.

Pensamento Nacional-Socialista de [Opressão] Direitos [Desumanos] Humanos. [Deseducação] Educação

Nota: Os trechos entre colchetes estão rasurados no manuscrito. 
A educação é imprescindível ao sucesso do estabelecimento [do governo autoritário] da libertação do povo. Os pensamentos de todas as pessoas têm de convergir para o bem comum [que será alcançado com a tomada de poder pelos comunistas do mundo unidos], desejo de todas as pessoas que desejam a paz universal.A união faz a força, e a força, o poder, e o poder, o poder.

Nossa doutrina educativa pedagógica freiriana dos [chorões reivindicadores espasmodicamente convulsionados] oprimidos enervam os burgueses capitalistas das democracias liberais ocidentais. Elevará as crianças [vocábulo que temos de, obrigatoriamente, eliminar dos dicionários, pois remete às eras tétricas antediluvianas (antemarxinianas, antestalinianas e antimaoeanas)], que, hoje, nos países burgueses capitalistas ocidentais, espojam-se no monturo [moral] ideológico judaico-cristão, greco-romano, a mente entorpecida com ópio popular oferecido nos templos católicos (católicos bons são os insignes Frei Beto e Leonardo Boff, e os integrantes da CNBB), [à condição de insensíveis e desumanas máquinas de matar] ao paraíso socialista [comunista liberticida] libertário humanista (eis um pleonasmo, patente, o qual eu poderia evitar; no entanto, decidi salientar, no meu amor pelo socialismo democrático – pleonasmo que eu também poderia evitar, mas não o evitei para salientar o meu amor pelo marxismo) e as conscientizará do férreo poder da esquerda mundial e da capacidade singular de os vermelhos fazerem deste mundo [um inferno] um lugar [pior] melhor para se viver. Outro mundo é possível, sabem todos os comunistas genuínos [e neste outro mundo os comunistas exterminaremos todas as pessoas que não são obedientes ao Partido]. Nos países comunistas há democracia até demais, sabem os comunistas autênticos. Camaradas do mundo, nunca antes na história do mundo, houve um [Apedeuta] Grande Líder tão maravilhoso, ciente do [mal] bom anúncio de seu nascimento. Três [profetas] revolucionários, Stalin, Lênin e Trotski, testemunharam o seu nascimento, alvissareiro. Ele, [o Apedeuta], o Grande Líder, o Ungido, prestidigitador justo, de porte [hercúleo] marxista, dotado, o demiurgo do sertão, de talentos comunistas irrivalizados, erigirá, na Terra [o inferno dos Gulag, o paraíso], a civilização socialista [humanicida] humanitária. No transcurso de dez anos, avançamos em nosso [avanço] projeto para o estabelecimento do [nosso projeto democrático] governo mundial, com o apoio da F.A.R.C. [e do P.C.C.], sob a égide da O.N.U. e das O.N.G.S., às expensas do erário público, do tesouro nacional, e da capitação de recursos por meio da [extorsão] cobrança do Imposto de Renda, manancial da qual extraímos recursos [extorquidos dos] oferecidos por [cambada de otários] benévolos e gentis cidadãos das [repúblicas democráticas] nações socialistas e comunistas cientes de que, para a ereção do outro mundo possível é imprescindível a convergência à causa comum, a instalação do Governo Comunista Mundial, da energia de todos os [otários e imbecis] cidadãos exemplares e da dedicação à causa [totalitária] democrática socialista e a conjugação dos verbos aprender e ensinar (gramática, atividade dos burgueses desocupados insensíveis, é [imprescindível à educação], prescindível [para a idiotização] à ereção de uma sociedade [injusta e desigual] justa e igualitária).Neste artigo, e nos que se seguirão a este, apresento as minhas contribuições para a [miséria e o sofrimento] felicidade dos humanos de todo o mundo, que se dará com a indispensável contribuição dos [bichotários, ambientários, ecologistários] ecologistas [humanicidas] humanitários do G.R.E.E.N.P.E.A.C.E.. A minha [valiosa] humilde contribuição é apenas uma pá de areia para a construção do edifício do Comunismo Mundial.

Não posso sonegar a informação: Contribuíram para o meu trabalho as teses concebidas pelo vigoroso intelecto de Marilena Chauí, intelectual da intelligentsia [tupinambá] tupiniquim, mulher [feminina] feminista, dotada de simpatia natural e [feiúra repulsiva] encantos inúmeros, e Emir Sáder, autor da melhor biografia jamais escrita do Getulho, dentre outros renomados [intelequituais] intelectuais da intelligentisia [da pátria] do comunismo [brazileiro] brasileiro. Essas [cabecinhas de ostra] cabeças pensantes representam o que há de [pior] melhor na [baixíssima] elevadíssima cultura comunista [mundial] do globo terrestre, cuja configuração esférica impediu que a [fantasmagórica] crise econômica burguesa e capitalista originada nos Estados Unidos da América do Norte atravessasse o oceano Atlântico e desembocasse na Pátria [Odiada] Amada, como tsunamis. Era apenas marolinha, a crise econômica. Os estadunidenses brancos, loiros e de olhos azuis, sórdidos capitalistas inescrupulosos [enriqueceram] devastaram dezenas de países para acumularem a fortuna do universo, quiçá a da galáxia, a de Cuba, a da Coréia do Norte e a do Irã. Estadunidenses invejosos! Não pretendo me estender em demasia neste artigo. Não discorrerei com argumentos minuciosos. Serei sucinto, pois nós comunistas [, que desprezamos a cultura ocidental] não temos tempo a perder com a leitura de textos extensos, que nos provocam azia. Deixemos os intransigentes burgueses capitalistas ocidentais da ultradireita, moralistas folclóricos, com os livros, recheados de inutilidades, escritos por pessoas que fracassaram na vida e refugiaram-se na leitura das obras de escritores e políticos desocupados, burgueses insensíveis, sujeitos insignificantes de mente carcomida. Que se extraviem, os malditos burgueses capitalistas da ultradireita extrema.

Vamos ao tema que me pôs a caneta entre os indicador e o polegar da mão direita: Inculcar nas crianças a hostilidade às práticas capitalistas burguesas de [de construção de nações ricas e prósperas, que oferecem ao povo bens que os países socialistas não podem ofertar-lhe] devastação do meio ambiente e do avanço da humanidade insensível à Mãe Gaia. [Ave, James Lovelock!] James Lovelock! Traidor! Herege! Ao evocar tal nome, sinto borborigmos no estômago. Vide o Japão. Insensível ao curso da natureza, estorvou – ecologicamente criminoso – o avanço das águas do oceano sobre as ilhas japonesas, obliterando, assim, as mudanças da evolução da Mãe Gaia. Com as tecnologias de que dispõe, a Nação do Sol Nascente (e do Sol Poente), impede a Mãe Gaia de empreender, no seu [santificado] natural corpo celeste, a salvação da vida. Para o [inferno] Gulag os japoneses, criaturas ignóbeis, reincidentes na agressão à Mãe Gaia. Louvemos os haitianos e os filipinos, que jamais impuseram empecilhos à ação [divina] natural, revolucionária, da Mãe Gaia rumo à perfeição.

Avante, camaradas!

De Leninevitch Stalininski

Palavras de fina sabedoria do Zeca Quinha

Se fossem formigas, os elefantes não seriam serpentes.
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Abacateiros dão abacates porque os crocodilos não são legumes.
*
Era uma vez um peixe…
Esqueci o resto da história.
*
Se na Terra existisse uma substância que derretesse, em um segundo, um bloco de ouro de uma tonelada, ela existiria.
*
No deserto do Saara há trilhões e trilhões e trilhões de partículas de areia, e nenhuma delas é maior do que a Terra.
*
Um mais dois são três e dois mais um são três porque três é um algarismo.

Barnabé e Juvenal. Ou: Dois Nomes e Seus Donos.

Sempre que penso no nome Barnabé, imagino um caipira. E sempre que penso num caipira, imagino-o com o nome de Barnabé. Para mim, não há caipira que não se chame Barnabé e nem Barnabé que não seja um caipira. E o único Barnabé que eu conheço é médico e mora em São Paulo, cidade, e de caipira não tem sequer um arranhão.
Sempre que penso no nome Juvenal, imagino um homem amalucado. E sempre que penso num homem amalucado, imagino-o com o nome de Juvenal. Para mim, não há homem amalucado que não se chame Juvenal e nem Juvenal que não seja um homem amalucado. E o único Juvenal que eu conheço é, sem tirar nem pôr, um homem amalucado.

Enganou-me o vendedor de livros.

– Sérgio, comprei gato por lebre. Acreditei no Djalma, do sebo Maravilhas Em Papel, e danei-me. Cinco tijolos de ouropel, e não de ouro. Pagar-me-á caro, muito caro, aquele carequinha vendedor de livros. Deixe estar, jacaré; a lagoa há de secar. Um dia é da caça; o outro, do caçador. O mundo não para; dá voltas. Aquele pouca sombra vai ver o que é bom para a tosse e com quantos paus se fazem uma canoa. A vingança é um prato que se come frio. Peguei a mania dos anexis. Agora, cheio de suspeitas, irei à delegacia de polícia, e solicitarei ao delegado me mostre a capivara daquele aeroporto de mosquito e pintor de rodapé. O filho-da-mãe, que sabe que sou traça-de-livros e rato-de-biblioteca, telefonou-me, hoje, de manhã, um pouco antes das dez, e disse-me: “Senhor Gilberto, tenho em mãos cinco volumes de um dicionário do Laudelino Freire, novíssimos. Sei que é o autor do teu agrado. Estás interessado em adquiri-lo?” “Do Laudelino Freire!?”, perguntei-lhe, admirado, espantado com tão agradável surpresa. “Sim, senhor Gilberto. Do Laudelino, o mestre Laudelino.” “Dicionário novo, Djalma?!” “Novo, não, senhor Gilberto. Novíssimo!” “Mande-mos, imediatamente. Quero recebê-los ontem. Se é do Laudelino, é meu. Cinco volumes?” “Sim. Cinco volumes.” “São meus os cinco. O Laudelino fará companhia aos mestres Silveira Bueno e Caldas Aulete.” “Negociemos o preço.” “Diga para o boy trazer o Laudelino, Djalma. Enquanto ele vem, negociaremos o preço de tal preciosidade. Negociaremos o preço, que o valor é inestimável. Agraciaram-me os deuses, que hoje estão de boa veneta, com a fortuna! E assim que o boy chegar, pago-te no cartão.” “Sim, senhor Gilberto. Ordem dada, ordem executada. O boy já saiu daqui. Chegará na tua casa num pulo.” E assim foi, Sérgio. Assim foi. Nem bem eu e o Djalma havíamos acordado o preço do dicionário, toca-me a campainha. Era o boy com o pacote. Paguei-lhe o preço combinado com o Djalma, e entregou-me o boy o pacote, que pesava, mensurei-lhe a tonelagem assim que o tive em minhas mãos, dois mil quilos. Despedi-me do boy, fechei-lhe, com certa má educação, reconheço, a porta, antes, mesmo, de ele me haver dito ‘Tenha um bom dia, seu Gilberto”, e corri, desajeitadamente, pois era demasiado o peso dos livros, à sala-de-estar, onde, exausto, cheguei, cachoeiras de suor a escorrerem-me das têmporas, e com a língua para fora da boca, e célere pus-me a abrir o pacote. E aos meus olhos reluziram cinco livros, grossos, grandes, imensos, monumentais, grandiosos, de capa dura, marrons. Admirei-os. Temi tocá-los. Acreditei que se os tocasse, eles desapareceriam como num passe de mágica. Eu sonhava! Sonhava, maravilhado, no sétimo céu, num estado espiritual de alumbramento indescritível. Peguei o Laudelino. Acalentei-o. Embalei-o. Na lombada do volume um, eu li: Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, e o venerável nome do autor de tão prestigiada obra, Laudelino Freire. E com suavidade movi-lhe a capa; e li a edição: era a segunda; e a editora: Livraria José Olympio Editora; e… e… Sérgio, você não me acreditará o que li ao pé da página. Jamais. O ano da publicação do dicionário: 1954. Novíssimo! Novíssimo, disse-me o Djalma, aquele pé-de-soldadinho-de-chumbo! Tem o dicionário sessenta e oito anos de vida! Sessenta e oito! É quase um ancião! Novíssimo, disse-me o Djalma, aquele tratante! Pagar-me-á muito caro, com a vida, aquele anão-de-jardim! De 1954! Novíssimo!? 1954!

Poirot – série de televisão – episódio 5, temporada 3 – A Tragédia na Mansão Marsdon (Agatha Christie’s Poirot – The Tragedy at Marsdon Manor – 1991).

Chamado à vila de Marsden por um dono de um hotel, Samuel Naughton (Desmond Barret), que lhe solicita ajuda na investigação de um caso policial, caso inusitado e intrigante, Hercule Poirot (David Suchet) – a acompanhá-lo o capitão Arthur Hastings (Hugh Fraser) -, ao receber das mãos dele papéis com o relato do caso, com todas as minúcias, e inteirado de sua natureza, contrariado, e visivelmente irritado, rejeita a proposta, mas, instado por Samuel Naughton, dedica-se a investigá-lo, e em pouco tempo, com pouca, ou nenhuma, dificuldade, resolve-o. E fala de sua descoberta a Samuel Naughton. E diz-lhe quem é o autor do crime. E chega aos ouvidos do êmulo de Sherlock Holmes notícia da morte de Jonathan Maltravers (Ian McCulloch). E dedica-se o investigador a estudá-la. Visitara, pouco antes, uma casa de bonecos de cera, onde, ao encerramento do filme, já concluída a investigação, dá-se uma cena de humor divertidíssima, que só não é mais divertida do que a história – esta, impagável – que Samuel Naughton protagoniza. No princípio da investigação do caso da morte de Jonathan Maltravers, contam-lhe a triste história da morte trágica de uma mulher, que havia saltado, para a morte, do alto de uma árvore, e cujo fantasma aterrorizava Miss Robinson (Anita Carey). Movido por sua inigualável perspicácia, não acolhe de imediato a conclusão dada ao caso. Intrigado, e a secundá-lo o capitão Arthur Hastings e o inspetor-chefe Japp (Philip Jackson), investiga-o até chegar à resposta certa. E a verdadeira causa da morte de Jonathan Maltravers vem à tona.
A trama é simples; mais do que ela, e a recriação do ambiente da época em que se dá a história, o que mais me agradou foi o cômico Samuel Naughton, personagem divertidíssimo.

Meu pai está bem, obrigado por perguntar

– Bom dia, Zé.

– Bom dia, Tião.

– E seu pai, melhorou?

– Ele está bem. Quebrou só duas pernas.

– E ele tem quatro pernas!?

– Ele dá coice em muita gente, até nos filhos e na esposa. Se dá coice, ele é um cavalo; se é cavalo, é quadrúpede; se é quadrúpede, tem quatro pernas.

– Estimo melhoras para seu pai.

O neto petulante e o avô espirituoso

Petulante, o garoto abordou seu avô, que, entendia ele, era um velho gagá, e, prelibando do constrangimento que, acreditava, lhe iria impor, perguntou-lhe:

– Vovô, o senhor tem juízo?
E respondeu-lhe o avô:

-Não. Eu já transferi todos os meus bens ao seu pai, que os perdeu antes de você nascer.

Igualdade entre os homens

– Eu sou a favor da igualdade entre os homens – diz o carinha que não quer que os nerds tenham um Colt.45.

Tolerância e intolerância

Tolero quem desmata a Amazônia. Tolero quem é a favor da quarentena. Tolero quem diz que o Maradona é melhor do que o Pelé. Tolero quem vota em políticos do PT. Tolero quem acredita que a Terra é plana. Tolero vegetarianos e veganos. Tolero testemunhas de Jeová. Mas não tolero quem não gosta de fubá.

Wu Kong – Contra a Ira dos Deuses (2017) – direção: Chi-Kin Kwok

Sun Wu Kong (Eddie Peng), o Rei Macaco, confronta os celestiais, que muito tempo antes destruíram o monte Huaguo, seu lar. No reino celestial, conhece os imortais Ah Zi (Ni Ni), linda, meiga e simpática – no início da aventura, estranham-se os dois, mas, obrigados ao convívio comum, eles se apaixonam -, Tian Peng (Hao Ou), habilidoso no uso de armas afiadas, Juan Lian (Qiao Shan), inventor de parafernálias, que nem sempre funcionam a contento, e que durante a batalha com um demônio, revela-se dotado de talento inventivo inigualável, Hua Ji (Yu Feihong), a imortal suprema, e o mestiço Erlang Shen (Shawn Yue), filho de imortal e humano.
Bate-se, no Reino Celestial, Sun Wu Kong com Tian Peng e Erlang Shen. É aprisionado num calabouço. Em segundo embate com os imortais, vem a cair, juntamente com Tian Peng, Erlang Shen, Ah Zi e Juan Lian, na Terra, num vilarejo, onde – agora todos eles sem os poderes de que eram dotados quando habitavam o Reino Celestial – unem-se para salvar os habitantes do vilarejo, atacado por um demônio, e contra este lutam bravamente. E Tian Peng encontra Ah Yue (Zheng Shuang), mulher que ele amava e da qual havia sido afastado muitos anos antes.
É o filme uma aventura chinesa mística, mítica, épica. Tem ótimas cenas de luta, ao estilo chinês, que nos causa certo estranhamento; e humor, em boa dose, simples, inocente – dir-se-ia bobo -, nas cenas que de Juan Lian protagoniza, principalmente. Chamou-me a atenção a beleza das mulheres, o esmero das vestimentas dos protagonistas, e os bem cuidados cenários – o do vilarejo, em especial, simples, de pessoas pobres, não peca pela feiúra, tampouco pela sujeira.
Prendeu-me a atenção a batalha final entre Sun Wu Kong e os imortais.
A aventura do Rei Macaco diverte, anima, entretêm.

 … e o homem se transformou em um animal.

Canta-me, ó, musa, o trágico destino de Ésquilo, o maior dos dramaturgos helênicos.

Foi na era de ouro dos deuses do Olimpo. Ao saber que Ésquilo escrevera Prometeu Acorrentado, obra que faria seu autor tão respeitado quanto os deuses, Zeus, enciumado, decidiu fazê-lo sofrer pelos dias que lhe restavam de vida. Chamou o deus dos deuses Baco, e deu-lhe a ordem: “Deus do vinho, desça ao mundo dos mortais. Vá à residência do petulante, presunçoso Ésquilo, e tire-lhe o assento. E diga-lhe que se ele se sentar em qualquer outro assento, eu o enviarei ao reino de Hades. Vá!”

Baco, tão veloz quanto Mercúrio, desceu à terra dos homens; mas antes de rumar à residência de Ésquilo, foi a uma taberna, da qual se retirou, pra lá de Bagdá, soluçando, zonzo, a trançar as pernas, após sorver o conteúdo de quatro tonéis de vinho. E foi cumprir a ordem que recebera do deus supremo do Olimpo. Chegou à residência do êmulo de Sófocles, e sem se anunciar nela entrou, aproximou-se dele, e removeu-lhe o acento.

… e assim Ésquilo se transformou em um esquilo.

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