A incrível história do homem que se dissipou

Antenor morreu. Morreu. Sem eufemismo. Eu não disse, e não direi, que ele bateu as botas, abotoou o paletó, partiu desta para a melhor, dorme sete palmas abaixo da terra, conquistou o seu lote no céu, está junto de Deus, não vive mais entre nós. Antenor não vive mais entre nós, é verdade. Mas viveu entre nós. Ele viveu entre nós? Ele viveu? Quem disse que ele viveu? Eu o conheci… Eu o conheci? Quem disse que eu o conheci? Mal me conheço! Desde o tempo de Pitágoras os homens ouvem o conselho: “Conheça-te a ti mesmo.” É a exortação que os sábios mais repetem, e a que, presumo, ninguém, até hoje, conseguiu respeitar. Quem conhece a si mesmo? E exultantes, declaramos que conhecemos outras pessoas. Se uma pessoa mal se conhece, o que dirá de conhecer outra pessoa? Sou presunçoso ao declarar que conheci o Antenor. Mal me conheço! Muitas vezes vejo-me em apuros porque eu disse algo que não devia ter dito e faço coisas das quais arrependo-me. Há alguém que, nesse quesito, distingue-se de mim? Não sou igual a ninguém. Há certos fenômenos que fazem de todas as pessoas uma só. Na morte, todas as pessoas fundem-se umas às outras, principalmente as que se encontram enterradas bem próximas. Para escapar, após a morte, à influência deletéria de outros cadáveres há quem, no testamento, estabelece o material do seu caixão, no qual não entra nem sai um virus, uma bactéria. Os miliardários constróem templos tumulares; e os seus familiares, herdeiros e amigos os cultuam. Isolados dos outros cadáveres, acreditam, os átomos que compõem seus corpos com os deles não se misturarão. Há mais sob o céu e a Terra do que sonha a sua filosofia, que não é vã – há quem diga que é -, escreveu um homem sábio, homem que, muita gente acredita, nunca existiu e é a personificação amalgamada de vários homens, ou a de um filósofo renomado, mais inteligente, até, do que a personagem (Macbeth ou Hamlet? Sempre os confundo) que disse a famosa frase, frase que muita gente diz não ser dele, mas de outra pessoa, pessoa que ninguém conhece. Neste curto trecho citei Pitágoras, Hamlet e Macbeth. Este texto não é um tratado acadêmico repleto de citações e alusões. É um relato dos últimos dias da vida de Antenor, o homem que se dissipou. Incrível é a história dele. Eu quase escrevi que Antenor era incrível. Ele não o era. Incrível foi a história dos seus últimos dias de vida. “Que absurdo é esse?”, “Que homem se dissipou?”, perguntem-me. Ora, acabei de dizer: o Antenor. Testemunhei a sua degeneração. Presenciei a sua dissipação. E é da sua degeneração que trato neste texto em cujo final apresentarei a sua morte. Morte? Ele morreu? Ele viveu? A respeito do Antenor não escreverei um livro de mil páginas, tampouco um de quarenta páginas. Escrevo estas palavras porque desejo expulsar de mim as imagens que me atormentam o espírito. Acredito que ao registrar o que me ocupa a mente, as imagens de tão estranho fenômeno não mais me atormentarão. Como pode um tipo tão insignificante dar título a uma história tão incrível? Não tenho a resposta. Não a desejo. É salutar para mim e para todos os humanos existentes no universo que ninguém a possua. Por que eu a desejaria? Por que alguém a desejaria? A resposta a ninguém traria benefício. Chega de conversa fiada. Vamos à incrível história do Antenor, um homem que não conheci; acredito que ninguém o conheceu, nem mesmo ele, apesar de Pitágoras. O Antenor conhecia a filosofia do Pitágoras, a do Sócrates e a de Shakespeare? Neste país abençoado por Deus, Antenor foi um dos poucos brasileiros que leram alguma coisa deles. Os brasileiros da gema conhecemo-los de ouvido, o que não é a mesma coisa, embora muita gente diga que é. O nosso jeitinho, tão decantado nas músicas populares, que tecem loas aos marginais… Não estou escrevendo um tratado antropológico, pois nada sei de antropologia, tampouco da cultura brasileira. Sou um brasileiro, mas não me identifico com a maioria dos aspectos da cultura pátria, os quais, dizem os intelectuais, compõem a identidade do brasileiro legítimo. Chega de embromação. Vamos ao Antenor. Escreverei, em poucas linhas, a incrível história do Antenor, o homem que se dissipou. Ele se dissipou há duas horas. A morte do Antenor… Um cientista poderia explicar, com palavras exatas, o processo de dissipação do Antenor. Não irei, nem tentarei, desenvolver, aqui, uma explicação de tal processo, que se precipitou na morte do Antenor. Deixarei essa história pra lá. Irei falar do Antenor, do que aconteceu com ele, de como ele era; melhor, de como eu acho que ele era. Direi aquilo que dele acredito ter conhecido durante o nosso curto relacionamento. Não trocamos muitas palavras. Ele falava pouco, quando falava. Era lacônico, e enervava-me. Os loquazes também não se dão a conhecer. A tagarelice deles, penumbra que os envolve, e visualizamos deles unicamente imagens difusas. Antenor não se abria com ninguém e nunca falava da própria vida. Se ele tivesse se aberto comigo, eu o conheceria? Todos que com ele travamos relações, conhecê-lo-íamos se ele falasse mais de si mesmo? Não escreverei o que dele outras pessoas disseram-me – se elas não se conhecem, quanto mais conhecer o Antenor. Se Antenor não se conhecia, e pouco dele conheci… Melhor, dele nada conheci. Não me conheço. Não considero, aqui, o que ouvi a respeito do Antenor; dele trato apenas do que conheci; melhor, do que acredito haver conhecido. Preencherei algumas linhas, que atrairão a atenção de alguém… Esta história é tão estranha, tão incrível, tão absurda… É real… Este relato não é uma história de Poe, nem de Stoker, nem de Shelley, nem de Stevenson. Ela não é minha! É do Antenor. Este relato, para meu desgosto, acumula digressões, e não sai do lugar. Como posso concentrar-me no que escrevo, com tantas imagens desconexas na cabeça? A minha mente está um caco. Tenho de concentrar-me, e tratar do Antenor, e dele apenas, sem citar Pitágoras, Poe, Shakespeare, Stoker, criaturas que não têm relação com a história dele. Por que as evoco? Meu Deus! E o Antenor? Ah! Sim. O Antenor. Antenor… Evoco-o. Invoco-o. Quero expurgar todas estas imagens que me atormentam. Antenor… Conheci o Antenor… Quem disse que eu o conheci? Não o conheci. Ninguém o conheceu. Ele não se conheceu. Como uma pessoa como o Antenor pode se conhecer? Quem se conhece e quem conhece outra pessoa? Não desejo resposta para esta pergunta. Por que eu a quereria? Ela de nada me serviria. Por que temos sede de saber, se do que sabemos fazemos mal uso? Destruímos o nosso mundo; dizem que ele é de Deus. Por que neste mundo ocorrem tragédias? Este mundo está um caos! Um caco! Deus, se Ele realmente existe, não estima Suas criações. Guerras. Terrorismo. Dengue. Febre amarela. Malária. Aids. Quantos flagelos nos infligem sofrimentos sem fim? Vulcões. Enchentes. Avalanches. Genocídios. Epidemias. Quantos flagelos? Rejeito as teorias místicas. Afinal, do que trato aqui? E o Antenor? Ah! O Antenor morreu. Não é da sua morte que desejo escrever; desejo escrever de um processo que se estendeu desde quando não sei e culminou na morte dele – e isso é incontestável. O Antenor morreu. Ele não vive mais entre nós. Suspeito que ele nunca viveu entre nós. Desconfio que ele nunca viveu. Como o Antenor dissipou-se? Tenho de tratar do Antenor? Tenho. Não posso me furtar a fazê-lo. Narrarei a história desde o início. Apresentarei, no relato, o dia em que o conheci; melhor, o dia em que nele esbarrei-me, em algum lugar, nesta cidade, não faz muito tempo. Não me recordo, mesmo que eu puxe pela memória, onde nele esbarrei, e quando. Nele esbarrei, em algum lugar, não sei onde. Sabendo isso, já se sabe muita coisa. O Antenor morreu de modo tão… Como direi? Singular. O que pretendo dizer com isso? Quero eliminar de mim as imagens que me atormentam. Acredito que, se eu as registrar, as esquecerei. Não quero me lembrar mais delas. Nunca mais. Como eu escrevia, esbarrei no Antenor. Esbarrei nele, e de leve. O contato, frio. O que quero dizer com isso? Provavelmente, nada. Estou apenas eliminando de mim o que me incomoda. Pois, não é que esbarrei no Antenor! Ainda não saí disso! Esbarrei no Antenor. Trocamos olhares o Antenor e eu; falamos de qualquer coisa. Do quê? Ora, como saberei? Já se passaram mais de dois anos. Ou mais de três anos? O Antenor pediu-me desculpas. Desculpas pelo quê? Antenor era, assim o interpretei: um sujeito tímido, acanhado, ensimesmado. Essas as impressões que ele me deixou logo de início. Curvado diante das pessoas, sempre a lamentar-se, a recolher-se em si mesmo. Antenor era assim, ou assim pensei que ele fosse. Antenor e eu tomamos conhecimento um do outro. Tomamos conhecimento um do outro? Quem disse tal sandice? Eu? Retiro o que eu disse. Não! Não retiro o que eu disse. Conservo o que eu disse. E o Antenor? Ah! Antenor. O Antenor era único e não era único. Era autêntico e não era autêntico. Confundia-se o tempo todo a respeito de si mesmo e não sabia quem era e ninguém o ajudou a se conhecer. As pessoas não se conhecem cada qual a si mesma. Se elas não se conhecem cada qual a si mesma, como ajudariam Antenor a se conhecer a si mesmo? Elas o impediram de se conhecer. O Antenor não se entendia com seu irmão, um sujeito que sempre ia de encontro a ele. O irmão do Antenor nunca ia ao encontro do Antenor – ia, sempre, de encontro a ele. Eles não se entendiam. Antenor não se entendia com seu pai, sua irmã, sua mãe e seu irmão. Eles o sufocavam. Eles o desprezavam. Antenor sempre recolhia-se, nunca protestava. Assim ele vivia a sua vida. Incomodava as pessoas; as pessoas o incomodavam. Eu fui uma das pessoas incômodas que ele incomodou. Vi como o irmão dele o tratava. “Maricas”, gritava-lhe, em público, e Antenor recolhia-se. Por que Antenor não revidava? Por que ele não protestava? Por que ele se resignava? Antenor era alvo de chacotas, na sua casa, na escola, nas ruas, aqui no escritório. Faziam dele gato sapato. Era um fracassado, na vida, no trabalho, no amor. Todos o desprezavam. Antenor sempre evitava o confronto. Conquanto ciente de que as pessoas tinham a intenção de derrubá-lo, ele não se protegia; deixava-se jogar quando não conseguia esquivar-se a tempo de evitar a colisão. “Ele não fez por mal. Ele não fez por mal”, dizia Antenor, acovardado. Ele recuava, sempre. Nunca protestava. A cada colisão, ia para o chão. E assim ele viveu a sua vida. Ele sempre caía. Aqueles que o jogavam para o chão e nele pisavam eram mais fortes do que ele. “Ele não fez por mal”, desculpava-se Antenor. “Ele não fez por mal”. Encolhia-se. Evitava o confronto. Quando as pessoas que o hostilizavam e por ele nutriam repulsa visceral – e a acídia de Antenor lhas insuflava – fitavam-no com olhos injetados de ódio, Antenor desculpava-se por ter-se deixado agredir. “Não foi de propósito”, defendia-se. Havia pessoas que o hostilizavam. Havia pessoas que, embora estranhando-o, buscavam entendê-lo. E uma dessas pessoas fui eu. Desde que o conheci – melhor: desde que penso tê-lo conhecido -, senti-me atraído pelo seu tipo calado, ensimesmado. Presumo que ele era inteligente, pois a sua aparência era a de uma pessoa inteligente. Ele era dotado de sensibilidade artística incomum – falava de literatura, em especial da italiana, com conhecimento. Ele não ostentava erudição que não possuía. Ele gostava de falar, além de literatura italiana, da pintura renascentista. Seus ídolos: Leonardo da Vinci e Miguelângelo. E que não se falasse dos modernistas para ele. “Os modernistas são vigaristas”, dizia ele. E tampouco dos cubistas. “Os cubistas são embusteiros”, dizia ele. Antenor era lacônico. E sensato, presumo. Não sei se ele ostentava sensatez. Possuía as suas palavras de efeito e as suas frases penetrantes. Gravei algumas delas fundo na memória: “Apenas os estúpidos ostentam sabedoria”, “Apenas os ignorantes ostentam erudição”. Pergunto-me se, ao dizê-las, ele não ostentava sabedoria. Muitas dentre as frases de sábios célebres não foram proferidas por sábios, mas, em algum lugar, por ilustres desconhecidos. Quantas frases ‘de sabedoria profunda’ foram ditas por ignorantes e estúpidos? Muitas frases correntes ditas por estúpidos e insensatos são atribuídas aos sábios; aliás, às pessoas às quais se atribui sabedoria. Não sei porque incluí estes pensamentos aqui. Não é de sabedoria que trato aqui. Aqui trato do Antenor. Antenor era um tipo inteligente e criativo – presumo -, recolhido em si, e dele ninguém se aproximava. Silencioso, persuadia-nos a não nos atrever a puxar conversa com ele, pois, se o fizéssemos, atrapalhá-lo-íamos em suas meditações. Antenor, na maior parte do tempo – presumo – apenas devaneava a respeito de qualquer coisa. Mas aquele olhar! Acreditávamos que ele pensava questões imprescindíveis ao entendimento das coisas deste mundo. Ele meditava? Ele devaneava? É impossível falar de Antenor sem presumir muitas coisas a respeito dele. Ele era dotado de sensibilidade literária e artística, mas não persistiu nos estudos de literatura e de arte (estudou literatura na Universidade *, por um ano, e artes, na Universidade Y, durante três meses). Ele nunca me disse o que o levou a abandonar os estudos. Ele vivia concentrado nos seus pensamentos. Ninguém desejava atrapalhá-lo. Mas ele realmente pensava a respeito de qualquer assunto, ou apenas devaneava? Não sei. Atiçados pela curiosidade, perguntávamo-nos os que acreditávamos conhecer o Antenor no que ele pensava. No escritório, alguns dentre nós o hostilizavam abertamente, e o humilhavam, e nele pisavam, sem pena nem dó. E Antenor não reagia. Ouvi pessoas a exortá-lo a mudar de comportamento. “O que você ganhará com os livros e com a arte?”, interrogavam-no reprovando-o. “O mundo pertence às pessoas de ação. Abandone os livros. Esqueça a Monalisa. Arte e literatura são ocupações de maricas”, e casquinavam. Antenor disse-me, certa vez, que todas as pessoas o desprezavam e que se sentia deslocado em nosso meio. Antenor gostava de pintura e de literatura. Era desastrado para as coisas práticas. Ninguém o respeitava. Quando ele expunha os seus gostos e as suas preferências o fazia sem energia e não as defendia das críticas acerbas que infalivelmente ouvia. Negava-se a apresentar argumentos favoráveis às suas idéias e às suas preferências artísticas; ia ao cúmulo de negar-se a si mesmo, rejeitar as próprias idéias e, para evitar atrito, a concordar com o que lhe diziam. Arrumava muitos pretextos para não se defender e para justificar as violências que sofria. Sempre que eu lhe dizia que ele tinha de se manifestar em sua defesa, erguer o tom de voz, ele desconversava, e justificava a sua prostração. Tenho de reconhecer: Antenor era muito persuasivo ao justificar a sua covardia. Ele recuava, sempre que o agrediam. Escondia-se dentro de si, numa concha impenetrável, e lá ficava, longe do mundo, caricatura patética de O Pensador. Mas ele pensava, ou devaneava? Como as aparências enganam! E eu tinha a impressão de que alguma coisa, nele, ia, com o passar do tempo, desaparecendo. De início, não atentei para o fenômeno, que não me chamou a atenção. Com o passar dos dias, passei a notar o que acontecia. Fiquei horrorizado ao ver Antenor, certo dia. A sua aparência, repulsiva. Ele foi um mistério para todas as pessoas. Antenor era um mistério para Antenor. E ele ficava diferente à medida que transcorriam os dias, as semanas, os meses. “O que está acontecendo com você, Antenor?”, perguntei-lhe, em algumas ocasiões. Ele não sabia ao que eu me referia. E era sincero; não se fazia de desentendido. Se ele não sabia o que lhe acontecia, o que eu poderia saber? Eu ignorava o que acontecia com ele, do mesmo modo que ele ignorava o que acontecia consigo. Transcorreram-se os dias. Transcorreram-se as semanas. Transcorreram-se os meses. Um dia, fitei Antenor, e notei que ele estava menor e faltava-lhe um pedaço do nariz e das orelhas, e os cabelos dele estavam mais curtos. Quanto aos cabelos, ele poderia tê-los cortado. E quanto às orelhas e ao nariz? Cortara-os também? Pareceu-me que ele estava uns dois centímetros mais baixo e uns dez quilos mais leve. E ele exalava um odor indefinível, que nos incomodou a todos nós. O que estava acontecendo com Antenor? Entreolhávamo-nos. Um dia, criei coragem e disse-lhe: “Antenor, o que se passa com você? Ultimamente de você está escapando um odor que nos dá engulhos”. “Explique-me o que você quer dizer”, pediu-me ele. Calei-me. O que eu lhe diria? Tentei desconversar, mas não pude. Ele me olhava com aquele olhar ao mesmo tempo penetrante e vago. Tive de me explicar para ele. Eu não desejava desentender-me com ele. Ele era meu amigo – assim eu o considerava. Não sei se ele me tinha na conta de seu amigo. É verdade: nós mal nos conhecíamos. Mas, e daí? Ele era meu amigo. O que ele pensava de mim eu nunca soube – ele nunca me disse o que pensava de mim, nem de si, nem de ninguém. Ele me ouviu, calado. Acabei com as dúvidas, presumo, que ele tinha a respeito do que eu pensava dele. Não sei se a minha peroração foi elucidativa. Acredito que o tenha sido. Antenor nada me disse depois que a encerrei. O que lhe sucedia? Antenor não sabia o que se passava com ele. Deduzi que ele iria verificar o que eu lhe dissera. Acredito que ele nunca notara o que se passava com ele. As pessoas à volta dele notávamos que ele modificava-se. E hoje ele chegou ao escritório quase sem cabelo! E ele notara a calvície; tentara disfarçá-la. De repente, ele começou a transformar-se à nossa frente. Partículas escapavam-lhe do corpo. Ele berrava. Debatia-se. Nós – quem eram as outras pessoas presentes? – testemunhamos o fenômeno. Antenor dissipava-se. Desfazia-se em partículas. Todos ficamos horrorizados. Foi horrível! Horrível! Que horror! Um homem a dissipar-se! Enfim, ele se dissipou. No chão, os vestígios de Antenor: a cueca, a calça, as meias, a camisa, os sapatos. E nada mais. Permaneci petrificado durante não sei quanto tempo. Até que me vi, aqui, a escrever este relato. E dou-o por encerrado.

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