Tatu Bola e Taco de Baseball enfrentam Massa Bruta – parte 3 de 8

Capítulo 3

A cidade de São Paulo sob ataque

O garoto da bicicleta, ao olhar para trás, após dobrar a esquina, e entrar pela rua O*, e não ver Massa Bruta atrás de si, perguntou-se, confuso e intrigado, ao mesmo tempo que aliviado, onde ele estava, e olhou para todos os lados. Não queria acreditar que Massa Bruta não lhe ia no encalço. Desacelerou a velocidade das pedaladas, e, à procura do seu perseguidor, olhava, a curtos intervalos, para trás, até que, enfim, cessou de pedalar, deteve-se, pôs o pé direito no chão, olhou para trás à procura de Massa Bruta, e não o encontrando, deu de ombros, e seguiu o seu caminho, agora lentamente, tranquilo, o coração a bater no seu ritmo normal.

Nesse meio tempo, Massa Bruta destroçou quatro veículos e arrancou da calçada um poste, arrebentando os fios, e ouviram-se os estouros a vários metros de distância. Arremessou o poste contra um helicóptero, que voava a duzentos metros de altura. O poste, arremessado com força indescritível, percorreu a distância que separava o helicóptero de Massa Bruta em um centésimo do tempo que Usain Bolt precisa para percorrer cem metros. O piloto do helicóptero, com destreza incomum, ao ver Massa Bruta soltar o poste, manobrou o helicóptero, rapidamente, evitando o choque, e tratou, ato contínuo, de afastar-se de Massa Bruta. O câmeraman que o acompanhava naquele trabalho insano pediu-lhe que se aproximasse de Massa Bruta, e dele ouviu obscenidades impublicáveis e insultos, e teve de se resignar à decisão dele, que, sem titubear, afastou-se de Massa Bruta, que, por sua vez, vendo o helicóptero afastar-se de si, voltou a sua atenção para as pessoas e os veículos nos seus arredores, e andou na direção de uma fileira de carros; ao passar por eles, agarrava-os cada um deles com uma das mãos, e os arremessava, para o alto, para qualquer direção; e os carros cobriam – os que não se chocavam contra os prédios próximos – mais de cinco quilômetros tamanha a força dispensada por Massa Bruta, que não se esforçava para arremessá-los tão longe.

Pessoas horrorizadas corriam, apavoradas, para se afastarem de Massa Bruta.

Um policial, empunhando um revólver, aproximou-se de Massa Bruta, pela frente dele, apontou-lhe o revólver, e sentenciou:

– Pare, ou atiro!

Massa Bruta fitou-o; seu olhar, de desdém e desprezo, um sorriso diabólico, malévolo, a estampar-lhe o rosto. Retesou todos os seus músculos. Andou, passos pesados, que provocaram tremores no asfalto, na direção do policial, que, vendo-o ir na sua, dele, policial, direção, recuou alguns passos, e, reconhecendo que fora imprevidente, e dando tratos à bola, girou sobre os calcanhares, pôs sebo nas canelas, tratou de correr como nunca havia corrido na sua vida, e dobrou a esquina pouco tempo depois.

Massa Bruta não se preocupou com o policial. Exibiu um ar de riso desdenhoso, arrancou, sem esforço, uma árvore do chão, e arremessou-a contra um prédio, dele estilhaçando várias janelas – e a árvore foi pulverizada com a força do impacto. Na sequência, arremessou um ônibus para o alto, deu socos no asfalto, rachando-o, e disparou pedaços de asfalto em todas as direções.

*

Carla, Larissa e Rodolfo, decididos a registrar os acontecimentos que se sucediam no centro da cidade de São Paulo, retiraram-se, açodados, descendo os degraus de três em três lances, do prédio da emissora de televisão C*. Na garagem, entraram num carro, e rumaram, Rodolfo ao volante, indo Larissa no banco anterior direito e Carla no banco de trás, conversando durante todo o trajeto de um pouco mais de oito quilômetros, ao ponto em que se encontrava Massa Bruta. E aventaram muitas perguntas. Eis algumas delas, as quais eles registraram não poucas vezes e para as quais não deram respostas:

– Massa Bruta é terrestre?

– Ele é de outro planeta?

– Ele veio de outra galáxia?

– Ele é oriundo de outra dimensão?

– Ele é produto de uma experiência científica?

– Ele é uma anomalia de Chernobil?

– Ele é um experimento do doutor Moreau?

– O que ele deseja?

– Ele é casado?

– Qual é o signo dele?

– Por que ele está em São Paulo?

– Por que ele não está em Nova York?

– Por que ele não está em Tóquio?

– Por que ele veio para São Paulo em vez de ir para Brasília?

– Por que ele não foi para a Argentina?

– Quem é o pai dele?

– Quem é a mãe dele?

– Ele é do futuro?

– Ele é do passado da Terra de um universo paralelo?

– Ele é uma criatura derivada de elefante, rinoceronte e hipopótamo geneticamente modificados?

– Ele é um supersoldado latino-americano?

– Ele comeu muita comida integral quando era criança?

Enquanto rumavam para o local em que se encontrava Massa Bruta, viram vários veículos cruzarem, em alta velocidade, o céu da cidade de São Paulo, e um ônibus colidir contra um avião, e uma bola de fogo formando-se no céu não muito distante deles, sentiram solavancos no carro, ouviram muitas explosões, e viram dezenas de línguas de fogo elevando-se no céu. O cenário, à medida que se aproximavam de Massa Bruta, tornava-se mais caótico, e multiplicavam-se as pessoas apavoradas, que, aos berros, alertavam todos da ameaça representada pelo gigante disforme humanóide.

De repente, da esquerda para a direita de Rodolfo, Carla e Larissa, a mais de cem metros de altura, a um quilômetro de distância, passou Massa Bruta, que, com a força prodigiosa dos músculos de suas pernas, lançara-se para o céu, com um salto espetacular, e pousou a quarenta quilômetros do ponto do qual saltara.

E Rodolfo mudou a direção que seguia.

*

Espalharam-se por todo o mundo imagens, captadas por telefones celulares e câmeras, da destruição da cidade de São Paulo no entroncamento das avenidas X* e A* e dos arredores e imagens de Massa Bruta em seus atos de destruição. Pessoas em todo o mundo tomavam conhecimento da criatura monstruosa que assolava a cidade de São Paulo, e apavoravam-se.

*

Na praça D*, Massa Bruta, ao pousar, quebrou várias árvores, e não cessou a sua ação devastadora. Esmurrava o chão, provocando tremores e no chão abrindo rachaduras, que se estendiam por quilômetros, e rompendo-se encanamentos, água jorrava-se de dezenas de pontos da cidade, atingindo sete, oito, dez metros de altura.

Com força extraordinária dos músculos das pernas, Massa Bruta deu um salto, calculado, de quatro mil metros de altura, e aterrissou no topo de um prédio, perfurou-o e todos os pisos inferiores, até o térreo, onde pôs-se a esmurrar os alicerces do prédio até derrubá-lo. E urrou, vitorioso, bem-sucedido no seu avanço sem obstáculos.

De repente, uma esfera acobreada atingiu as costas de Massa Bruta com força suficiente para fazê-lo pender, ligeiramente, para a frente. Surpreso, Massa Bruta olhou, de imediato, para trás, e viu, no céu, realizando um arco, uma esfera acobreada – a que o atingira -, que dele caiu a menos de trinta metros de distância. Massa Bruta fitou-a, intrigado. E surpreendendo-o, desfez-se a esfera acobreada, que assumiu uma figura exótica, misto de humano e tatu, de aproximadamente dois metros de altura. A criatura, em pé, de frente para Massa Bruta, conservou-se firme e imóvel, a fitá-lo, inexpressivo, impassível, com seus olhos minúsculos. E para maior surpresa de Massa Bruta, do céu desceu, um homem sobre um planador, o homem embrulhado com uma armadura azul prateada, empunhando um taco de baseball dourado. E o homem de armadura deteve-se, a planar, à esquerda da exótica criatura amalgamada de homem e tatu.

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