O homem que não namorava

Claudemir, tipo bem apessoado, vaidoso, de boa aparência, simpático e espirituoso, sabia entreter os seus interlocutores, em uma conversa agradável e descontraída, com observações sarcásticas e irônicas. Admiravam-lhe a prontidão na resposta e a postura agressiva, que intimidava os interlocutores, principalmente os seus desafetos. Não era bonito, mas considerava-se o mais belo dos homens. O espelho era o seu melhor interlocutor. Os seus solilóquios envaideciam-no; o espelho reconhecia-o como o mais belo espécime do gênero masculino humano, o mais inteligente, o mais charmoso, o mais elegante, o melhor de todos os amantes.

De uma família pobre, na infância e na juventude foi privado dos brinquedos que mais desejava. Para ajudar seu pai e sua mãe, trabalhou, de engraxate, aos doze anos. Meses depois, de balconista, em um bar. E foi auxiliar de pedreiro, carregador de sacolas, em uma loja, faxineiro, na rodoviária e em um restaurante; garçom, aos dezessete anos; cozinheiro, aos dezenove; taxista, balconista de lanchonete e motorista, aos vinte. Atribuía-se versatilidade intelectual e elevado talento para aprender novas profissões. A sua desenvoltura, irrivalizada, corroborava a apreciação que fazia de si mesmo. Era dotado de inteligência prática vigorosa, e era extraordinariamente persuasivo. Extrovertido, rodeado de amigos, que o ouviam, com interesse e atenção, sempre que ele se pronunciava, e ele se pronunciava sempre, nunca recusava os convites que lhe faziam; foi convidado, certa vez, pela irmã da viúva de Gustavo Guimarães, para animar velório: “Claudemir, por favor, vá ao velório do meu cunhado. O velório está com cara de… velório”. Eram seis horas da manhã de um dia frio de inverno. Claudemir não titubeou: aceitou o convite.

Visceralmente avesso aos livros, não compreendia a paixão de Milene, sua irmã, pelos romances encorpados de Tolstoi, Dostoievski, Thomas Mann, Proust, Dickens e Victor Hugo. Quando Milene resumia-lhe o enredo de um romance russo, ele lhe perguntava porque ela perdia tempo com estórias tão patéticas, boquiabrindo-a com comentários depreciativos.

Certo dia, Milene, no seu quarto, lia À sombra das raparigas em flor. Claudemir interrompeu-lhe a leitura, e, zombeteiro, perguntou-lhe com qual melodrama novelesco patético ela perdia tempo. Milene retrucou, disse-lhe que lia um dos melhores livros de todos os tempos o qual Claudemir jamais apreciaria devido à sua insensibilidade literária. Claudemir ridicularizou-lhe o apreço pelos romances. Durante a conversa, que se assemelhava a uma discussão fraternal entre dois jovens implicantes, Milene, além de dizer-lhe que os comentários dele eram frutos da ignorância, disse-lhe que À sombra das raparigas em flor é um dos sete livros que compõem a obra magistral, de mais de duas mil páginas, de Marcel Proust, escritor de quem ele nunca ouvira falar, e cuja obra jamais irá ler, o que é demérito dele, Claudemir. Claudemir aconselhou-a, zombeteiro, a largar o livro, e ir às discotecas, aos bailes, aos shows de forró, pagode, country, e caçar um namorado, casar com ele, e com ele ter sete filhos, que lhe exigiriam todo o tempo disponível; assim, ela não desperdiçaria mais nenhum segundo com leituras de livros insignificantes, que afastam as pessoas das atividades produtivas, para imergi-las em fantasias estapafúrdias. Milene, ofendida, retrucou:

– Não fingirei que não ouvi os seus comentários, ignorante. Você está me aconselhando a… Entendi o que você me disse? Você me disse para eu caçar um homem, e me casar com ele? O que você pensa que sou? Que história é essa de casar e ter sete filhos? Por que sete filhos? Para não me sobrar tempo para ler romances de Proust, Tolstoi, Gogol, Machado de Assis, Balzac, Dostoiévski, Wassermann e Austen? Você despreza tanto os livros, que deseja me ver ocupada com sete sobrinhos seus a me ver com um livro aberto, a lê-lo. Só sete? Que tal onze? Daria um time de futebol. Por que você não segue o conselho que me deu? Olhe-se no espelho, Claudemir. Perco o meu tempo lendo livros? Não. Não perco o meu tempo. Eu o ocupo como desejo ocupá-lo: lendo livros. Saiba que, assim que eu concluir a leitura de Em busca do tempo perdido, vou reler Ana Kariênina, Almas Mortas, Tom Jones, Os demônios, Os noivos, O processo Maurizius, e, depois, irei ler Meu nome é vermelho, Noites antigas, Emma, e As minas de prata. Não queira me convencer a namorar, casar e ter sete filhos. E você, Claudemir? Você perde o seu tempo mirando-se ao espelho durante trinta horas por dia, dez dias por semana, seis semanas por mês e quinze meses por ano. Você é um pavão. Narciso. Não tenho namorado? É verdade. Rompi o namoro com o Murilo, e por bons motivos. E casamento, no momento, não me passa pela cabeça. Sete filhos! Nunca. Terei dois filhos. No máximo, três. Mas, e você, narciso? Você, que me aconselha a caçar um homem, namorar com ele, e com ele me casar, nunca namorou, e não pensa em casamento. Você, aventureiro, foge dos compromissos como o diabo foge da cruz. Você só teve aventuras de uma noite; no máximo, de um final de semana. Você dá início aos seus namoros, no sábado, à noite, e os dá por encerrados, na segunda-feira, de manhã. Eu, no entanto, no que me diz respeito, tive quatro namorados, você sabe. Namorei o Carlos, o Marcos, o Hércules e o Murilo. O Carlos, durante seis meses; o Marcos, um ano; o Hércules, um ano e meio; e o Murilo, oito meses. E você?

– Não namorei nenhum deles – comentou Claudemir, sorrindo. – Jogo em outro time, Milene.

– Bobo. Eu sei. Você não é como o Hugo. Ele é bonzinho, gosto dele… Gosto dele, mas…

– Você tem uma quedinha por ele, Milene…

– Tive, é verdade.

– Você ainda gosta dele.

– Ele é fofo, simpático, um amigo sincero. Aquela paixão que eu sentia por ele, paixão que… Não a sinto mais. Ele foi viver a vida dele… Infelizmente, as coisas não se deram como eu queria…

– Você ainda gosta dele… É só alguém falar dele, que você muda o tom da voz.

– Gostar dele, gosto. Na vida há surpresas…

– Que chato, né? Ele preferiu o Elói a você. O Elói… Até hoje zombam dele… O Hugo, indiscreto, o constrangeu… Lembro, como se fosse ontem… Nossa! O que se passou pela cabeça do Hugo? Declarar-se, assim, tão… Ele deu um tiro no próprio pé.

– Você se lembra? Nossa! O Elói, constrangido, imóvel… Ele… Ao lado dele, a Ludmila, com quem ele namorava… Nossa! Que vergonha! O Hugo foi muito… Muito… Insensato… O Elói… O Elói, agora, namora a Tereza.

– O Hugo ficou arrasado… Você não o conquistou; ele não conquistou o Elói… O mundo nos surpreende…

– Remova esse sorrisinho ridículo, descarado, da cara, bobo.

– Bobo. Este é o único palavrão que você conhece? Chamando-me de bobo, você me ofende? Nos romances que você já leu não há palavrões? Não? Então, por que você os lê?

– Você é bobo, Claudemir.

– Vamos deixar pra lá esta questão. Quero falar de outro assunto: Adriana. Convenhamos, Milene, ela tem bom gosto.

– Você é bobo. Não conheço ninguém mais bobo do que você.

– Você concorda comigo, não concorda? A Adriana tem bom gosto, não têm? Ela, no ano passado, namorou a Daniela, um peixão, e, no começo deste ano, a Fabíola, um violão. Duas gatas. Duas sereias. Duas maravilhas da natureza. Duas divindades celestiais. Gatíssimas.

– As duas são bonitas, mas não exagere… A Fabíola namora o Renato. A Daniela… Ela se mudou para o Maranhão. Não tenho notícias dela há mais de seis meses. Mas chega de rodeios, Claudemir. Não queira mudar de assunto. Por que você nunca namorou as suas pretendentes? Estou falando de namoro, Claudemir. Namoro, entendeu? Relacionamento sério, de seis meses, um ano, dois anos. Não estou me referindo às suas aventuras de um final de semana, e tampouco às de uma noite, isto é, de seis horas. Por que você nunca namorou as suas pretendentes? Você é bonito, Claudemir. As mulheres gostam de você. Pretendentes você tem. Por que você não namorou a Lúcia, nem a Veruska, nem a Olívia, nem a Poliana, nem a Rafaela, nem a Sandra, nem a Graziela? Todas elas quiseram namorar você, mas você deu um chega pra lá em todas elas. Por quê? Pode me dizer, Claudemir?

Claudemir, para surpresa de Milene, retirou-se do quarto, em silêncio, inexpressivo.

Milene prometeu, para si mesma, que arrancaria de Claudemir uma resposta para a pergunta que lhe fez.

*

Três dias depois, ao encontrar-se com Claudemir, Milene perguntou-lhe porque ele não namorou a Poliana. Claudemir fez de tudo, e mais um pouco, para se esquivar da pergunta; desconversou, afastou-se de Milene, mas ela, insistente, seguiu-o, e disse-lhe que não o deixaria em paz enquanto ele não lhe respondesse à pergunta. Claudemir, para se ver livre dela, capitulou:

– Milene, você é pior do que carrapato.

– Responda-me: Por que você não namorou a Poliana? Você quer se ver livre de mim? Então satisfaça a minha curiosidade.

– É o que farei! Não há outro meio de me livrar de você, há? Tenho um compromisso daqui meia hora. Você quer saber porque não namorei a Poliana? Tive as minhas razões. Como você é chata, Milene! Sarna! Carrapato! Desgrude de mim! Largue de meu pé. Direi para você quais razões tive para não namorar a Poliana. Foram boas as razões que eu tive. Você há de concordar comigo, maninha. Conheci, e bem, muito bem, a Poliana. Ela não é o tipo de mulher que desejo para um relacionamento sério e duradouro. Aliás, nem sei que tipo de mulher desejo para um relacionamento sério e duradouro. A mulher tem de ser decente, bonita, honesta, trabalhadora, séria… Séria? Não. Não tem de ser séria. Tem de ser brincalhona, alegre… Sabe, Milene, que nunca pensei nisso, nunca me detive para pensar numa resposta para a pergunta: “Qual tipo de mulher desejo para um relacionamento sério e duradouro?” Bem, não precisaria ser duradouro, nem sério, né? Não precisaríamos assumir um compromisso. Poderíamos namorar durante um tempo; depois, cada um que seguisse o seu rumo, mas preferi não tentar… A mulher ideal, aquela mulher ideal que muitos homens idealizam, aquela mulher ideal que as mulheres idealizam, não me parece a mulher ideal. Para mim, segundo os meus superiores critérios de avaliação, a mulher ideal que homens e mulheres paladinos da moral idealizam é intragável, insuportável, indesejável, repulsiva. Acredito que…

– Cale a boca, Claudemir. Perguntei para você: “Por que você não namorou a Poliana?” Quero ouvir uma resposta para esta pergunta. Você está desconversando, você está, mais uma vez, querendo evitar a questão. Você não se livrará de mim. Conheço os seus métodos de esquivanças. Você, com as suas tergiversações, não se desvencilhará de mim. Você tem três opções: Primeira, responder-me à pergunta: “Por que você não namorou a Poliana?” Segunda: Responder à pergunta: “Por que você não namorou a Poliana?”

– Não me diga qual é a terceira opção. Milene, de qual livro você tirou ‘tegiver’, ‘tergisação’, alguma coisa assim?, e ‘desvencilhar’? Foi isso o que você disse? Pelo amor de Deus! Essas palavras não existem. O Aurélio não as conhece. Vamos deixar pra lá esta questão, que não é do meu interesse. Vamos tratar de um assunto, que não é do meu interesse, mas é do da minha querida irmã, lindinha e fofinha e charmosinha e engraçadinha, que, ao morrer, irá para o céu, e Deus irá para o inferno, e o Diabo irá para o céu, e… Quero dizer, queridíssima irmã, que você, ao morrer, irá para o céu, e Deus enviará você para o inferno, e o Diabo enviará você para o céu, e ambos, Deus e o Diabo, viverão, eternamente, numa queda de braços, e ignorarão o que se sucederá na Terra, como já vem fazendo desde que o mundo é mundo. Se o fazem ou para o bem ou para o mal da humanidade, não sei, e não quero saber, e tenho raiva de quem sabe. Milene, para a sua felicidade e para a felicidade geral da nação, digo: Tive as minhas razões para não namorar a Poliana. Boas razões, você concordará comigo, ao ouvi-las. Quais razões foram essas? Ora, Milene, queridíssima irmã, sarnentinha e carrapatenta, você conhece a Poliana. Suspeito que você sabe o que direi, mas, como você não se satisfaz com o que já sabe, e faz questão de me ouvir, digo que a Poliana é bonita; não é a mulher mais bonita que conheço, mas é bonita. Tem um… Sei lá. Ela é bonita. Ela me agradava. Aliás, ela me agrada. Eu gostava dela, Milene. Então, você me pergunta: “Por que você, Claudemir, não a namorou?”, embora saiba qual é a resposta. A Poliana, Milene, eu já disse, e você sabe, é bonita, além de bonita, sedutora, atraente, e, você já sabe, é assanhada, indiscreta, e, você também já sabe, não confio nela. Ela não é, como direi?, confiável. Não quero ser deselegante, afinal sou um cavaleiro. Ou sou um cavalheiro? Se eu a namorasse, Milene, ela me seria fiel? Não. Ela não me seria fiel, eu sei. Você também sabe. A Poliana atira-se aos braços dos homens. Aliás… Não… Ela não se atira aos braços dos homens. Ela se insinua aos homens, e espera que eles se atirem aos braços dela. Como você diria, Milene, a Poliana é volúvel. Não sei se o Aurélio conhece essa palavra. Vamos deixar esta questão para outro dia. Antes que você pense que estou embrulhando você, e, para censurar-me, venha-me com outras palavras que o Aurélio desconhece, digo que muitos homens desejam a Poliana, a abordam, e a convidam para um jantar romântico à luz de velas, para um passeio no litoral, por um final de semana, e para outros programas. Como você sabe, Milene, ela jamais recusa um convite. Quando eu e ela íamos a Ubatuba, a Campos do Jordão, ao sul de Minas, ao Guarujá, ao Rio de Janeiro, ela nunca me deu a entender que desejava um relacionamento sério e duradouro comigo. Ela nunca jurou fidelidade. Nunca, Milene. Nunca. Ela é volúvel e leviana, você diria. E eu o digo, com todas as letras e os acentos indispensáveis. Eu sabia, quando eu e a Poliana nos entendíamos, e bem, muito bem, que ela se entendia bem, e muito bem, com outros homens. Qual seria a minha fama, hoje, se eu namorasse a Poliana? Você sabe. O seu sorrisinho malicioso revela os seus pensamentos, queridíssima irmã, lindérrima, lindíssima. Aí está, Milene, para a sua satisfação, a razão que tive para não namorar a Poliana. Queria saber por que não namorei a Poliana? Agora você sabe. Aliás, você já sabia, mas queria ouvir de mim a razão, não é mesmo, queridíssima irmã, bonitíssima, charmosíssima. Satisfeita?

– Mas, Claudemir, e a …

– Chega, Milene. Chega. Tenho de ir, ou chegarei atrasado.

Claudemir deu-lhe as costas.

Durante a semana, atarefados, Claudemir e Milene não entabularam uma conversa sequer. Desencontravam-se. Os horários não coincidiam. Quando um deles chegava em casa, para o almoço, o outro retirava-se. Quando Milene ia à cozinha, para o café-da-manhã, Claudemir retirava-se, para ir à empresa, trabalhar. Saudavam-se, e despediam-se. Os diálogos que mantiveram eram compostos de frases curtas, e referiam-se à questões relacionadas à casa, contas a pagar, bens a comprar, e à notícias de familiares e amigos. Milene, no entanto, não esqueceu a promessa que fizera para si mesma: a de extrair de Claudemir as razões que ele teve para não namorar nenhuma das suas pretendentes. Claudemir, por sua vez, esquecera-se disso; tão atarefado estava com as suas incumbências, que mal tinha tempo sequer para respirar.

Assim que, num dia de folga, viu Claudemir, descansando, na sala, assistindo à televisão, mas desinteressado do que via, Milene saudou-o, sentou-se à sua direita, e o fitou. Claudemir olhou para ela, e perguntou-lhe porque ela o fitava com aquele olhar de idiota.

– Estou esperando você me contar – respondeu Milene.

– Contar o quê?

– Contar-me por que você não namorou a Veruska.

– Você não esqueceu essa história?

– Não.

– Não me diga que você pensou nisso durante a semana…

– Digo: Pensei nisso durante a semana.

– Pedi para não me dizer… Agora você entende porque não leio romances.

– Nenhuma relação há entre os romances que leio e o meu interesse pela sua atitude.

– A sua curiosidade é uma fênix, que, morta, renasce das cinzas, e metamorfoseia-se num pássaro trovejante.

– Se você fosse um poeta… Pelo amor de Deus! Dante, Shakespeare, Camões e Milton estão se remexendo no túmulo. A sua analogia é patética, é absurda, é ridícula.

– Você é indecente. Eu, para dar um toque de requinte ao que digo, uso figura de linguagem sofisticada, e você me vem com obscenidades.

– Obscenidades!? Figura de linguagem sofisticada!? Toque de requinte!? Nossa Senhora! Do que você está falando? Não responda. Por favor, não responda. Quero saber por que você não namorou a Veruska. Não queira mudar de assunto. Responda: Por que você não namorou a Veruska?

– Pombas, Milene! Tenho escapatória? Você não se cansa? Você não pode me ver sossegado, no meu canto, quieto! Sarna! Carrapato! Você quer saber por que não namorei a Veruska? Por que você quer saber porque não namorei a Veruska? Você não gostaria de saber o placar do jogo São Paulo versus Corinthians, de ontem? Você não quer saber quais jogadores marcaram o gol do São Paulo e quais marcaram os gols do Corinthians? Ou você prefere saber notícias do jogo do Santos versus Palmeiras? Não? O que você deseja saber da corrida de motos? Nada? Se não perdesse tempo lendo romances água com açúcar escritos por franceses, russos e ingleses que tanto admira, você teria mais tempo para se ocupar com coisas mais interessantes, e, do ponto de vista cultural, mais importantes. O futebol, por exemplo; e, também, não posso me esquecer, os vídeos mais engraçados da internet e os escândalos das celebridades. Mas, não! Você se dedica à leitura de tijolos de cinco quilos…

– Não queira embrulhar-me com a sua tagarelice, Claudemir. Mamãe disse-me que você irá para São Paulo. Bobo, você acha que pode me ludibriar com a…

– O quê? ‘Ludi’ o quê? Milene, quando você aprenderá a linguagem humana?

– Ignorante. Não desconverse. Responda-me: Por que você não namorou a Veruska?

– O que não tem remédio, remediado está, diria o vovô. Ele, que conhece muitas frases populares, tem uma para cada ocasião, o velho sábio. O vovô, com aqueles cabelos brancos, aquela pele enrugada e aquela dentadura postiça, até que é lúcido, não é?

– Claudemir…

– Está bem, Milene, está bem. Você quer saber porque não namorei a Veruska? É isso o que você deseja saber? Se eu disser que não irei falar… Melhor contar, logo, de uma vez… e você me deixará em paz; pelo menos, por hoje. Saiba, Milene, que não namorei a Veruska porque ela queria se casar comigo. É verdade. Não ria, besta. Casar-me com a Veruska! Onde ela estava com a cabeça quando me falou de casamento? Melhor: Onde estava a cabeça dela quando ela me falou de casamento? A cabeça dela, estou certo, não estava sobre o pescoço. Pombas! Para a Veruska o namoro é um degrau para o altar. Eu mal a conhecia, Milene. Eu e ela divertíamos… Gosto dela. Ela é bonita. Ela é atraente. Mas… Ela precisava vir com a história do casamento? Ela se insinuou… Falou de enlace matrimonial. Disse-me que a Cláudia se casou com o Marcos, e a Renata com o Luis. Disse-me que as festas foram espetáculos grandiosos, e que a Cláudia, a Renata, o Marcos e o Luis estão felicíssimos, e a Renata e a Cláudia usam aliança… “Xi!”, pensei com os meus botões: “A Veruska quer me enforcar.” Não pensei duas vezes: Chutei-a para escanteio. A Veruska é bonita e atraente, mas casamento é para as feias. A Veruska tem vinte e oito anos, e está louca pra se casar. As amigas dela se casaram, não umas com as outras, mas cada uma delas com o seu respectivo marido. A Renata, a Cláudia, a Vanessa, a Luana, a Natália, a Tereza, a Denise, a Gabriela, a Andressa, a Jéssica, a Fabiana e a Íris, todas elas estão casadas. A Veruska mira-se ao espelho e pergunta-se para si, melhor, pergunta para o espelho: “Espelho, espelho meu, ficarei pra titia?”, e o espelho responde-lhe: “Você é filha única, besta quadrada!”. Resposta enigmática. A Veruska quebra o espelho, e cai aos prantos. Mas a infeliz não se curva ao destino que Deus lhe reservou, e procura por um marido. Então, o que ela faz? Lança-se ao homem que está mais à mão. E que homem é o escolhido? Eu. O bonitão aqui. Personificação do macho gostoso. Suprassumo da masculinidade. Eu, o mais acessível, o mais fácil, fui escolhido, pela Veruska, para subir com ela ao altar, e para viver com ela, feliz para sempre, num castelo encantado, com quatro criancinhas ranhentas e birrentas a tiracolo. Ora, só me restou, para me salvar da peste bubônica, a decisão sensata: dar-lhe a entender que não quero me casar. Ela fingiu que não entendeu as indiretas, que foram diretas, que eu lhe disse, e perguntou-me: “Você já pensou em casamento, Claudemir?”, e eu lhe respondi: “Já! Já pensei no casamento dos meus amigos; no meu, nunca!” Pombas! Milene, por que o Aurélio inventou a palavra casamento? Casamento… Não daria certo, Milene. Sou jovem demais para casar. Serei eternamente jovem. Imagino: Eu e a Veruska, sob o mesmo teto… Filhos… Não. Nem em sonhos… Quem sabe em um pesadelo. A Veruska desejava casar-se comigo. Que piada de mal gosto. Não é piada de gosto duvidoso, não. É piada de mal gosto. Satisfeita, Milene? Agora você sabe porque não namorei a Veruska. Satisfeita a sua curiosidade, você me deixará em paz, não é?

– Não. Você me contou porque não namorou a Veruska, mas não me contou porque não namorou a Lúcia. Quero saber…

– Senhor, Meu Deus, por que me abandonais? Pombas, Milene! Você quer saber por que não namorei a Lúcia? Você sabe que terei de, daqui dez minutos, pegar o ônibus pra São Paulo. Daqui até a rodoviária, andando, a pé, a passos acelerados, demoro, se muito, uns cinco minutos; então, tenho uns dois minutos disponíveis… Serei sucinto, Milene. Não me interrompa. Contarei, logo, para me ver livre de você: Não namorei a Lúcia por causa do pai e da mãe dela. Sabe o que eles me disseram quando a Lúcia apresentou-me para eles e eles para mim? Disseram-me que eu e a Lúcia teríamos de nos casar dentro de um mês. Eu lhes disse que eu não namorava a Lúcia. Eles não quiseram me ouvir. Disseram-me, irritados, que eu era o homem que a Lúcia desejava… Olhei para a Lúcia. Ela me olhou… Ela me olhou de um jeito… De um jeito… De que jeito? Não sei dizer. Sei que me senti completamente esquisito. Levantei-me. Pedi licença. Despedi-me de todos eles. E fui-me embora. Nunca mais vi, nem a Lúcia, nem o pai dela, nem a mãe dela. E não desejo vê-los novamente. Eles saíram da minha vida, e para sempre. Agora, Milene, dê-me licença. Tchau. Estou atrasado. Diacho! Tenho que correr. Não posso perder o ônibus.

Quatro dias depois, Claudemir regressou de São Paulo. Almoçou com seu pai, sua mãe e Milene. Narrou-lhes, nos pormenores, o que fez em São Paulo (ocultando deles, obviamente, o que não lhes era do interesse), e, alegre, comemorou o sucesso na negociação com empresários paulistanos. Após o almoço, que se prolongou por três horas, na sala, Claudemir entregou para Milene presentes, doces e os chocolates que ela tanto apreciava.

– Agora – disse-lhe Milene -, enquanto degusto este delicioso chocolate com recheio de cereja que você me trouxe, diga-me, Claudemir, porque você não namorou a Olívia.

– Estava demorando…

– Ela gostava tanto de você…

– Ela gostava de mim? É verdade, Milene, ela gostava de mim. Eu não queria enfrentar o Popeye… Vou fazer uma revelação que vai desejar… vai deixar você de queixo caído, Milene: A Olívia, quando saía comigo, namorava o Popeye, atual marido dela. Eu o conhecia. Os dois já haviam marcado a data do casamento. Pode me chamar de covarde, Milene, se quiser, mas eu nunca encararia o Popeye, aquele brutamontes. Imagine o que seria de mim, se eu o encarasse. Pra imaginar o que aconteceria comigo, você precisa saber que o Popeye é lutador de karatê, muay-tai, boxe, e tem um metro e noventa de altura, e bíceps maiores do que os de Schwarzenegger. Vai encarar? Está rindo, né?

– E a Graziela? Por que você não namorou a Graziela?

– Ah! Não! Milene. Poupe-me.

– Diga-me porque você…

– Está bem… Se eu falar porque não namorei a Graziela, você me deixará ir tomar um banho, e dormir?

– Juro pela alma da vovó.

– Estou com sono, Milene. Contarei porque não namorei a Graziela. Depois, irei dormir. E você me deixará em paz, pelas próximas doze horas. Graziela, a santarrona! Pelo amor de Deus! Ela… Penso nela, e caio na gargalhada. A Graziela, Milene, é uma santarrona. Carola até dizer chega! Beata dos infernos. Ela é pior do que os monges que se enclausuram nos castelos medievais da Europa. A Graziela… Pelo amor de Deus! Que santarrona! Ela vai à igreja, todos os dias. Fazer o que, não sei. Ela submete-se à lavagem cerebral, e voluntariamente. Em todas as conversas, Milene, não importa qual seja o assunto, a Graziela fala de Igreja, Jesus Cristo, Nossa Senhora, Papa e Apóstolos. Eu lhe levava notícia a respeito de um programa de auditório, e a Graziela falava-me de Jesus Cristo e da decadência da civilização ocidental. Eu lhe falava de um computador que comprei, e ela me vinha com Jesus Cristo, Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora de Guadalupe, Sagrado Coração de Jesus, Santo António, Santo Agostinho, e outros diabos, e tecia argumentos minuciosos a respeito da insensibilidade dos homens modernos, que só se interessam por tecnologia, e desconhecem a espiritualidade de Jesus Cristo e a doutrina da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Eu lhe falava da crise financeira mundial, e a Graziela, a santarrona, me vinha com Jesus Cristo e os vendilhões do templo, sermões do Padre Fulano de Tal, epístolas de apóstolos, Novo Testamento, Velho Testamento, testamentos inexistentes, testamentos que nunca foram escritos, testamentos que foram queimados na biblioteca de Alexandria, e o testamento que o avô dela assinou antes de morrer porque, depois de morto, nenhum testamento ele pôde assinar. Não deixaram… Milene, a Graziela, a respeito de qualquer assunto, principia os seus argumentos assim: “O padre disse…”, ou, então: “Na Bíblia está escrito…”, e quando eu lhe pedia o livro, o capítulo e o versículo, ela desconversava. “Jesus Cristo ensinou…”, ou, então, “O Papa disse…”. Poupei-me a tortura eterna ao me afastar da Graziela. Eu não a suportava. Pensei namorá-la… Namorar a Graziela! Onde eu estava com a cabeça? Melhor: Onde estava a minha cabeça? Ela não estava em cima de meu pescoço. Por sorte, encontrei-a, embora eu não soubesse onde ela estava, e recoloquei-a no seu lugar de origem, e não cometi a maior burrada da minha vida. Agora, maninha querida, irei dormir com os anjos. Estou com muito sono. Boa noite.

Na manhã seguinte, Claudemir banhou-se, e, na cozinha, saudou Milene, que, sentada à mesa, degustava uma torradinha com geléia de framboesa.

Sobre a mesa havia uma garrafa térmica preta, canecas sobre pires, copos de vidro transparente, um pote de manteiga, biscoitos-de-vento, bisnaguinhas, cookies, broas, potes de geléia, sendo uma de framboesa, uma de morango, uma de laranja, e pães e bolachas waffes, e uma caneca com leite. Claudemir sentou-se numa cadeira, e serviu-se de café-com-leite e bolachas waffes de laranja. Enquanto servia-se, disse:

– Antes que você me pergunte, Milene, direi porque não namorei a Sandra. Você quer saber porque não namorei a Sandra? Não precisa me fazer esta pergunta. Sei qual é a resposta. Já falei da Poliana, da Graziela, da Veruska… E de quem mais? Da Lúcia e da Olívia. Resta-me falar da Sandra. A Sandra! Pelo amor de Deus! Você a conhece melhor do que eu a conheço. Por que você quer me ouvir dizer porque não a namorei, se você conhece a resposta? Você não me perguntou porque não namorei a Sandra. Eu tomei a iniciativa de falar a respeito com você. Mas você iria me perguntar, não iria? É claro que iria! E me atormentaria, até o dia do Juízo Final, para obter a resposta. Conheço a minha queridíssima irmã. A Sandra, você sabe, é a mulher mais mentirosa, fingida e trambiqueira que conheço. Ela dá dó… Ela dá nó até em pingo d’água. O que seria de mim, se eu a namorasse? Você se lembra do que ela fez com o Nilson? Fê-lo desentender-se, a víbora peçonhenta, com o pai dele, com o irmão, comigo, com a Paula, resumindo, com todas as pessoas que moram nesta cidade, e com a metade da população do Brasil, e com um terço da torcida do Corinthians, e com dois quintos do exército brasileiro. Fê-lo perder a metade do que possuía e o emprego. E ela queria me namorar. Eu, namorar a Sandra! Nem morto! A vampira sugar-me-ia todo o sangue do corpo. Você conhece alguém mais mentirosa, falsa, fingida e mascarada do que ela?

– Claudemir, sei que você teve razões de sobra para não namorar nem a Sandra, nem a Lúcia, nem a Veruska, nem a Graziela, nem a Olívia, nem a Poliana, e tampouco manter um relacionamento duradouro e estável com elas. Principalmente, com a Sandra. De todas, ela é a pior. Conheço a história dela com o Nilson. Conheço o roteiro do início ao fim. Sei que a Sandra está namorando… Coitado do atual namorado dela… Não o conheço, mas sinto muita pena dele… Isso não nos interessa. Agora, Claudemir, quero saber porque você não namorou a Rafaela. Ela é tão boazinha. Você não teve uma boa razão pra não a namorar. Ela estava interessada em você. Ela gostava muito de você; ainda gosta; não tanto como há alguns meses. Ela está namorando o Gustavo. Você, Claudemir, perdeu a Rafaela. Ela seria uma ótima mulher para você. É bonita, honesta, inteligente e trabalhadora. Não sei porque você a descartou. Por que você a ignorou? Ontem, encontrei-me com ela. Ela me fez perguntas a seu respeito, Claudemir. Ela, com aquele olhar, sabe? Ela não esqueceu você. Ela namora o Gustavo. Disse-me que está bem com ele, e muito feliz. O que quero saber, Claudemir… Não entendo porque você não namorou a Rafaela. Você tem razão em não ter namorado nem a Lúcia, nem a Sandra, nem a Poliana, nem a Graziela, nem a Olívia, nem a Veruska. Mas, a Rafaela, Claudemir! Não acredito que houve um bom motivo para você a rejeitar. Se você tivesse namorado a Sandra, eu faria de tudo pra estragar o namoro de vocês. E nunca me simpatizei nem com a Poliana, nem com a Graziela, nem com a Olívia, nem com a Veruska, nem com a Lúcia. A Poliana é volúvel, assanhada, indiscreta; e não merece confiança. A Rafaela é exatamente o oposto. É discreta, e merece confiança; ela faz jus à reputação que tem. Ela também não é como a Lúcia. Não tem pai e mãe adeptos de doutrinas absurdas. A Rafaela também não está louca para se casar e não se atira ao primeiro homem que lhe aparece na frente, como a Veruska. Tampouco é bitolada como a Graziela, que vive enfiada na Igreja. A Rafaela não é como a Olívia, que, na véspera do casamento, flerta com outros homens. Não podemos pôr a Rafaela no mesmo saco no qual se encontra a Sandra. As duas não são farinha do mesmo saco. A Sandra é desprezível. A Rafaela é uma pessoa extraordinária. Você não teve motivos para não a namorar. Não encontro, por mais que eu procure, um motivo para você não namorar a Rafaela. A Rafaela é doce, meiga, discreta, honesta, leal, trabalhadora, estudiosa, inteligente, bonita, espirituosa, amigável, prestativa… Quais outros predicados eu poderia incluir na lista? A Rafaela não é carola, não é carniceira, não é maria-gasolina, não é vampira, não é maria-vai-com-as-outras… Não entendo porque você não a namorou. Sinceramente, não entendo. A Rafaela… Não acredito que você… Penso com os meus botões, e a nenhuma conclusão eu chego: Por que você rejeitou a Rafaela? Por favor, diga-me: Por que você não quis namorar a Rafaela? Ela gostava tanto de você… Você a rejeitou, Claudemir. Diga-me: Por que você não namorou a Rafaela?

– A Rafaela tem celulite – respondeu Claudemir, inexpressivo.

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