Declaração de Amor – parte 4 de 5

Dias depois, Marta convidou Dálton para irem à uma festa que alunos da universidade promoveram. Disse-lhe que iria à festa, mesmo que ele não fosse, pois era a última festa do ano, e muitos dos alunos ela os veria apenas no ano seguinte, e pediu-lhe, encarecidamente, que à festa a acompanhasse. Disse-lhe, também, que muitos amigos regressariam à cidade na qual suas respectivas famílias moravam, e alguns dentre eles talvez se transferissem para faculdades situadas em outra cidade. Ele anuiu, a contragosto, ocultando-lhe os seus sentimentos e sonegando-lhe os seus pensamentos. Evocou, em pensamento, cenas que presenciara no clube. Sondou Marta à procura de pensamentos secretos, a mente a corroer-se de suspeitas que, ele queria acreditar, eram infundadas. Na tentativa, frutífera, de detectar-lhe sutis alterações na modulação da voz, verificou que ela estava eufórica. De ouvido atento, ouviu-a. E acolheu-lhe a sugestão de irem no carro de Floriano.

Rumaram para o clube.

Na metade do trajeto, um carro azul, em alta velocidade, em sentido contrário, ultrapassou um carro preto e invadiu a pista contrária. Apavorada, Marta moveu, com brusquidão, o volante, empinou o corpo, arregalou os olhos, escancarou a boca, emitiu um berro surdo, que lhe ficou travado na boca, e desviou-se do carro azul, evitando a colisão. Seu coração palpitou, descompassado. Dálton, igualmente apavorado, recompôs-se antes dela, voltou-se para ela, e passou-lhe a mão esquerda sobre a mão direita; com voz entrecortada, perguntou-lhe como ela se sentia. Lívida, ela nada lhe disse. E ele lhe perguntou se ela queria que ele dirigisse o carro dali em diante; ela inspirou, pelo nariz, em haustos vigorosos, e expirou, pela boca, várias vezes, sob o olhar atento e preocupado dele, e recomposta, deu sequência à viagem até o clube.

Luzes de lâmpadas caleidoscópicas coloriam todos os recantos do salão. E a música preenchia-lhe todo o espaço. Dálton divisou, em meio a um grupo, Wesley e Carlos Roberto, franziu o cenho, e desviou, de imediato, o olhar.

Uma universitária, Larissa, cuja reputação inspirava comentários deselegantes, cuja figura inspirava olhares cobiçosos e pensamentos lúbricos e cuja presença exercia influência em todas as pessoas, de vestido cintilante decotado, cujas fímbrias mal lhe cobriam a metade superior das coxas, e colares e pulseiras radiantes, aproximou-se de Dálton, e saudou-o. Impressionado com a beleza ofuscante – e os cabelos dela, sedosos, emolduravam-lhe o rosto belíssimo, sublimando-lhe a beleza – e a sem-cerimônia dela, ele, visivelmente embasbacado, se voltou para Marta, que o fitava com olhar reprovador, e emudeceu. Larissa passeou as mãos pelos cabelos, olhou para Marta, sorriu, e, desdenhosa, perguntou para Dálton:

– Tu estás acompanhado dela?

E Dálton disse-lhe que Marta era sua namorada. Larissa, cujas palavras, sorriso insinuante e olhar estavam repletos de sugestões, desculpou-se, disse-lhes que foi ao clube para se divertir e estabelecer novas amizades, e afastou-se de Marta e Dálton; poucos passos depois, olhou por sobre o ombro esquerdo, e, com olhar cobiçoso, fitou Dálton, então sob o olhar severo de Marta, que desviou o olhar, dele para Larissa – e os olhares delas encontraram-se no meio do caminho. Ato contínuo, Larissa fitou Dálton, e tornou a fitar Marta, e voltou a sua atenção para a direção para a qual seguia. E Marta e Dálton entreolharam-se. Intimidado, ele desviou o olhar, e fitou, por sobre o ombro dela, o vazio.

O salão encheu-se de gente. Dálton e Marta encontraram, em um canto, um sofá desocupado, e nele sentaram-se. Ela acenou para um casal de amigos, Lauro e Rúbia. Saudaram-se. Entabularam conversa. Marta apresentou Dálton para eles. Rúbia, vinte e dois anos de idade, morena, bonita, musculosa, trajava um vestido branco de alças finas e exibia os seus atributos físicos; seu esposo, Lauro, de cabeça coberta por cabelos esparsos, um pouco mais baixo do que ela, estava na idade de trinta anos. Ambos, elegantes. Lauro conduziu a conversa. Falou, com desembaraço e vocabulário sofisticado, do envolvimento de magistrados em esquemas fraudulentos e do apoio de juristas a políticas nocivas ao estado de direito. Sempre após um dos seus três interlocutores fazer-lhe uma ressalva, apresentava argumentos irreplicáveis, e dizia que, se houvesse vontade política e desejo de justiça – sentimentos dos quais careciam muitas autoridades brasileiras -, poder-se-ia preencher inúmeros buracos do queijo suíço que é o sistema legal brasileiro. Dálton aquilatou-lhe o vigor intelectual, e o de Rúbia, não tão poderoso quanto o de seu marido, mas também incomum. Regozijou-se ao ver que, na faculdade, havia alunos interessados no conhecimento, e não apenas em diversões fúteis. Lauro, apegado às minúcias, estendeu a conversa e por ela conservou o interesse dos seus interlocutores, entremeando os seus comentários com anedotas hilárias – e ele possuía um bom sortimento delas. Extraiu gargalhadas sonoras de Dálton, Marta, e Rúbia, que lhe dava pancadinhas nos braços e nos ombros, inofensivas.

Outras pessoas os saudaram e com eles estabeleceram conversa. Uma delas, Paulo Tarcísio, movia os braços ao falar, incessantemente. E mordia o lábio inferior e movia as mãos, involuntária, e ininterruptamente, e segurava o queixo, e olhava, fixo, para quem lhe falava, numa visível demonstração de impaciência, sempre que tinha de ouvir um relato extenso.

Encerrada a música, Washington, no palco, atraiu a atenção de todos para si. Era Washington um moço bem apessoado. De terno e gravata impecáveis, barba e bigode rapados, cabelos curtos penteados para trás, ele proclamou a nova era, jocoso. Declarou que, naquele recinto, encontravam-se os futuros benfeitores da humanidade. Ovacionaram-lo. A sua oratória, sedutora. Imodesto, declarou que hauriu, nos clássicos gregos, romanos, britânicos, portugueses e brasileiros, a quintessência da arte oratória. O seu discurso foi pontuado por aplausos ensurdecedores. Citou expoentes das ciências jurídicas. Interromperam-no eclosão de rajadas de assobios e aplausos estrondejantes. Cessados os assobios e os aplausos, desejou aos alunos festas animadas, felicidade e muito dinheiro no bolso. Ovacionaram-lo.

Washington afastou-se do microfone, ao qual regressou, minutos depois, com passos apressados, e anunciou o professor Josué. Seguiram-se aplausos estrondejantes, vivas estrepitosos, assobios estridentes. O professor Josué, mirrado, acenou para os alunos, com as duas mãos dançando acima de sua cabeça, e saudou Washington, que sorriu e retirou-se do palco. Seguindo à risca o figurino que concebeu para si, com acenos, pediu silêncio. Atenderam-no prontamente. Após desobstruir o esôfago, pronunciou o seu discurso, cujo teor inspirou risos de galhofa em certos alunos, que repudiaram o professor, que, para eles, era pernóstico, enfadonho, desprezível, moralista presunçoso, defensor de idéias antiquadas.

Mauro, aluno da faculdade, baixo, de rosto descarnado, cabelos encarapinhados, aproximou-se de Marta, Dálton, Rúbia e Lauro, e atormentou-os com comentários depreciativos, e esgares, arremedando, de modo caricatural, o professor Josué:

– Professorzinho ridículo. De tagarelice proverbial e idealismo irrealista. É um embusteiro, o sentinela da justiça, o guardião do cálice sagrado, o protetor dos fracos e oprimidos. Professorzinho patético! Até hoje ninguém lhe disse que o mundo pertence aos espíritos fortes. Não quero exercer a advocacia para viver na miséria. Quero viver na abastança, no luxo. Quero riqueza! Quero poder! Terei um emprego rendoso. Não rezo pela cartilha do professorzinho de araque, sujeitinho burlesco, ermitão misantropo, misógino, que enfia a mão na cornucópia de frases feitas edificantes e de lá extrai idéias irrealistas para com elas edificar uma sociedade utópica, perfeita, isto é, habitada, única e exclusivamente, por covardes samaritanos. Quero riqueza! Quero poder! O professorzinho de meia-tigela arrefece, com as suas aulas moralistas antiquadas, o ânimo dos espíritos fortes. O professorzinho bestalhão, ermitão antiquado, coroou o seu discurso com exortações à justiça, que, segundo ele, está impregnada de sabedoria eterna. Não sei quanto a vocês, mas eu quero, com a advocacia, arranjar a minha vida. Não viverei a vida de misérias de um advogadozinho debruçado sobre calhamaços, perdendo noites de sono e os prazeres que a vida proporciona. Quero riqueza! Quero poder! Viverei rodeado de mulheres estonteantes. Lograrei sucesso, poder, riqueza. Lograrei os tolos e os ignorantes. Calcarei aos pés o espírito dos pobres e beneficiarei os pobres de espírito. Jamais defenderei idéias contrárias aos meus interesses. Quero riqueza! Quero poder! Defenderei os meus interesses, egoístas, sim, mas os únicos que me interessam. Aniquilarei os justos. Que os apedeutas espumem, nas Gulags, pelos cantos da boca! Digo, sem papas na língua: me unirei aos de alto calibre. Não viverei na miséria. Bem aquinhoado, viverei a vida que desejo. Os fins justificam os meios. E as vítimas de crimes? Não me preocuparei com elas. Cada pessoa que cuide de si. Que os pobres comam o pão que o diabo amassou. Que eles se danem! Quero riqueza! Quero poder! Viverei rodeado de mulheres irresistíveis! Toda manhã, acordarei, e ao meu lado, na cama, terei uma mulher farta de atrativos. A riqueza e o poder são os pré-requisitos para uma vida feliz. Trajarei roupas de seda! Comerei caviar e filé mignon, todos os dias. Filé mignon! Caviar! Scargot! Carros luxuosos! Mansão! Mulheres belíssimas! Ilhas paradisíacas! Quero riqueza! Quero poder!

Enquanto perdia-se na sua euforia, Mauro, sem dar ouvidos aos apartes e sem atentar para o desconforto dos que o ouviam, além de constrangê-los com a defesa, sincera, de idéias que eles repudiavam, irritou-os com o estribilho, proferido num tom de voz mais elevado do que o tom de voz alterado que usava. Não passou despercebido de todos que o ouviram que ele, ao discorrer com tanta eloqüência, estava sóbrio, de posse, presumiam, de todas as suas faculdades mentais. Constataram a sua personalidade leviana, o seu temperamento hedonista, a sua devassidão moral, e abismaram-se com tanta desfaçatez, tão aberta, e tão abjeta, que os constrangeu. Boquiabriram-se, incrédulos, diante de tal ostentação de depravação moral. Aqueles que o conheciam, e dele haviam ouvido tais demonstrações de descaso à justiça, não se admiraram, tampouco se surpreenderam. Dálton, Marta, Lauro e Rúbia afastaram-se dele, mas ele, querendo por eles se fazer ouvir, não os abandonou; palrador, como de hábito, discorreu, abertamente, sobre as suas idéias. Contradisseram-no Lauro e Marta; Lauro, com vigor redobrado, quando, estupefato, ouviu-o defender, sem papas na língua, as atrocidades perpetradas por nazistas e comunistas e declarar que os nazistas são piores do que os comunistas, pois estes matam os escritores críticos do seu sistema de governo após os interrogarem, e aqueles os matam sem ler-lhes os livros.

Os alunos dispersaram-se em meio à multidão, que enchia todos os espaços do salão; muitos dentre eles exibiram, desajeitados, as suas evoluções de dança; raros, os exímios dançarinos. O professor Josué, a professora Cátia, a professora Susana, o professor Gustavo e o professor Daniel foram, pelos alunos, solicitados a dançar.

Marta dançou com o professor Daniel, com o professor Josué e com o professor Gustavo.

Mariana puxou Dálton para dançar, sob os olhares de Walter, namorado dela, e de Marta, que lhes disse, sorrindo, que se comportassem. E Marta dançou com Lauro. Dálton conservou-os sob olhares perscrutadores e cenho franzido. Não passou despercebido de Mariana o olhar dele e os traços firmes de seu rosto. Para desanuviar-lhe a mente, teceu comentários jocosos sobre a atitude de Mauro, protótipo de ditador-de-araque. Dálton sorriu, fitou-a, disse-lhe qualquer coisa, conservando, o tempo todo, Marta e Lauro sob o seu olhar vigilante.

Ao entrever Rúbia, livre, andando na direção de Lauro, Dálton soltou Mariana, ofereceu-a para Walter, afastou-se, foi até Rúbia, abordou-a, e pediu-lhe a dança. Ela o aceitou; ele pousou-lhe as mãos na cintura, e conduziu-a até Lauro, e Marta, que olhou para ele e Rúbia de modo significativo. Pouco tempo depois, Dálton entregou Rúbia para Lauro, e pediu a este, encarecidamente, uma dança com Marta, e assim que a acolheu em suas mãos, enlaçou-a pela cintura, e colou seus lábios aos dela.

A festa prosseguia animada. Dálton e Marta, enfim, encerraram a dança. Ela puxava-o, segurando-o pela mão, quando Larissa abordou-o, ignorando-a, como se ela não estivesse lá, e pediu-lhe uma dança. Dálton estacou, emudecido. Recompôs-se, rapidamente. Disse-lhe que iria descansar um pouco. Larissa insistiu, com voz açucarada e olhar meigo. Não havia como Dálton negar-lhe a dança pedida. E ele voltou-se para Marta, solicitando-lhe auxílio, ou para afastá-lo de Larissa, ou para dar-lhe permissão para dançar com ela. A contragosto, ela soltou-lhe a mão, sorriu, e disse-lhe, com voz inaudível, e sorriso amigável, que dançasse com Larissa. Dálton e Larissa afastaram-se de Marta, que andou até os bancos à parede, voltou-se e viu Dálton e Larissa, na pista de dança, ela a enlaçá-lo pelo pescoço, a tocar-lhe, com a ponta do dedo indicador esquerdo, a ponta do nariz, e a sorrir, encantada. Marta ia sentar-se, mas conservou-se de pé, e o seu olhar encontrou-se com o de Larissa.

Larissa, sorrindo, disse para Dálton que Marta mordia-se de ciúmes. Ele nada disse. Ela perguntou-lhe há quanto tempo eles namoravam, e se ele gostava dela. Ele respondeu-lhe às perguntas, e adicionou a informação de que ele e Marta se casariam em julho do ano seguinte. Larissa não se mostrou animada com a notícia; ao contrário, exibiu-lhe a sua frustração, e disse, sem meias palavras, que os frutos proibidos são os mais saborosos.

Larissa e Dálton sincronizaram os movimentos. Marta olhou os circunstantes, para verificar se alguém a fitava, e, intrigado, indagava-se porque ela permitia que Dálton dançasse com Larissa. Sentiu-se objeto da curiosidade de todos os presentes, certa de que todos eles a observavam, intrigados. Tinha a sensação de que farpas penetravam-lhe em todos os poros do corpo. Os seus pensamentos cabriolaram ao ver Larissa falar ao ouvido de Dálton, e sorrir. Pensou em ir até ela, puxá-la, dar-lhe um tapa, esganá-la, e expô-la ao ridículo. Queria humilhá-la. Conteve-se, no entanto. Roeu as unhas e rilhou os dentes, Dálton e Larissa sob o seu olhar perscrutador.

Dálton visualizou Marta, um espectro que lhe ocupou a mente, e comparou a figura dela com a de Larissa, cujos atrativos salientaram-se-lhe à mente. Larissa era mais bonita e mais atraente do que Marta. Aquele sorriso… Marta era incapaz de exibir um sorriso tão belo. Dálton pensou qual havia sido a sua intenção ao solicitar à Marta permissão para dançar com Larissa. Não queria descontentar Marta; também não desejava descontentar Larissa. Confessou, para si mesmo, que, com desinteresse, e sem esforço, apresentou resistência débil ao pedido de Larissa, porém, assim que ela lhe segurou as mãos, e suplicou-lhe, com voz veludosa e olhar suplicante, uma dança, aquele corpo mesmerizador sugando-lhe todas as faculdades intelectuais, drenando-lhe a alma, e rebaixando-o, ao extrair-lhe o espírito divino, à condição animalesca, decidiu que dançaria com ela mesmo que Marta tal não aprovasse. Autômato de cérebro positrônico, revogou as três leis da robótica, e, em prejuízo do seu relacionamento com Marta, deixou-se conduzir pelo seu desejo de conservar consigo o belo corpo de Larissa.

Dálton e Larissa falavam futilidades, provocavam-se, alheios ao que se dava ao redor. De repente, ele, ao olhar, involuntariamente, por sobre o ombro direito dela, viu Marta e Wesley conversando, e suprimiu, de imediato, o sorriso do rosto. Larissa notou-lhe a brusca alteração dos traços do rosto e os dedos crisparem-se-lhe, voltou-se, viu Marta e Wesley, e, compreendendo a razão da alteração do humor de Dálton, procurou, em vão, atrair-lhe a atenção. Pousou-lhe as mãos no rosto, e voltou-o para si. Intimidou-a o olhar dele. Larissa procurou infundir-lhe serenidade. Ele ignorou-a. Para acalmá-lo, ela disse-lhe que não queria ver derramamento de sangue, naquela festa, e que ele postergasse a decisão de triturar Wesley. Ele não a ouviu. Com os olhos, ele tentou decodificar os movimentos dos lábios e as expressões faciais de Marta e Wesley. Não detectou, no rosto dela, nenhuma evidência de sentimento de repulsa por Wesley. Viu Wesley olhando-o de relance e interpondo-se entre ele e Marta, de costas para ele. No paroxismo da fúria, abandonou Larissa, que, contendo-o, temendo que ele perdesse o controle de si, pediu-lhe serenidade e fê-lo olhar para ela. Aos poucos, ele recobrou a presença de espírito, mas parecia às tontas. Larissa notou-lhe a respiração ofegante. Dálton disse que Wesley era canalha e a ele se referiu com expressões rasteiras. Larissa concordou, sem ressalvas. Ele declarou que Wesley suscitava-lhe repulsa, e aludiu ao que ocorrera, no clube, não muitos meses antes. Ela disse que ouvira falar de tal episódio, e sabia que Wesley era um cafajeste, e que tinham de amordaçá-lo, e arremessá-lo numa masmorra fétida, e encarcerá-lo por todos os dias que lhe restavam de vida. Dálton aspirava em fortes haustos. Enchia os pulmões, inflava o tórax, e esvaziava-os, num ritmo acelerado. Cerrou as pálpebras. Enfim, levou os dedos indicador e polegar direitos aos olhos, massageou-os, abaixou a cabeça, afrouxou os músculos, exibiu um sorriso misto de irritação e ódio, meneou a cabeça, e articulou, sussurrando, no início, sílabas desconexas, depois, num timbre metálico, ameaças veladas a Wesley.

Larissa reteve Dálton consigo o quanto pôde. Ele, aparentemente sereno, disse-lhe que iria até Marta. Prometeu-lhe que não daria escândalo, e, sob o olhar preocupado dela, andou na direção de Marta e Wesley; deteve-se à direita dele, de frente para ela. Wesley saudou-o. O olhar de Dálton não era ambíguo. Expressava o que ele sentia. Uma onda de calafrio percorreu a espinha de Marta, que empalideceu. Wesley não cessou a fingida bajulação. Marta interpôs-se entre eles. De frente para Dálton, disse-lhe que queria dançar com ele. Ele conservou Wesley sob o seu olhar ameaçador. Wesley encarou-o, exibiu sorriso de deboche e, movendo os lábios, sem emitir nenhum som, quando Marta não olhava para ele, pronunciou ofensa que Dálton pensou ouvir. Wesley alcunhava-o corno. Dálton livrou-se das mãos de Marta, e antes que ela percebesse o que se passava, foi, com passos firmes e pesados, na direção de Wesley, e empurrou-o. Àquela altura, os circundantes não ignoravam o que se sucedia. Dálton encarava Wesley e tocava-lhe o peito com o dedo indicador direito. Wesley recuava, com ar de vítima injustiçada. Marta segurou Dálton pelo antebraço e suplicou-lhe paciência. As suas palavras o chamaram à razão. Ele olhou para ela, que o puxou para si e, segurando-o pelo pulso, com força incomum, afastou-o de Wesley, para quem ele olhava, ameaçador. Pouco tempo depois, Marta e Dálton trocaram palavras ferinas. E ele virou-lhe as costas, dela afastou-se, e retirou-se do salão. Ela seguiu-o. Reunidos no estacionamento, discutiram. Ele prometeu regressar ao salão e escorraçar Wesley a socos e pontapés. No decurso de meia hora, ela aplacou-lhe a raiva. A fraca claridade permitia-lhe notar as modificações do semblante de Dálton, o desanuviar-lhe dos pensamentos e a transfiguração da figura dele, então sentimentos negativos a deformá-lo, para a de um homem sereno. Ao voltar-se para trás ao ouvir passos, viu Wesley, o seu sorriso debochado, e ouviu os insultos que ele cuspiu contra Dálton. Não obstante o seu esforço para manter Wesley e Dálton distantes um do outro, eles se atracaram. Com um golpe traiçoeiro, Carlos Roberto, até então oculto aos olhos de Marta e Dálton, correu na direção de Dálton, e com um salto, as pernas e os pés justapostos, encaixou-lhe, sem lhe dar tempo para reagir, uma pancada no tórax, e caiu no chão no mesmo instante em que ele caiu sobre o capô de um carro. Wesley e Carlos Roberto, movimentos sincronizados, acercaram-se de Dálton, que, perdido, via-se defrontando-se com dois oponentes, que, unidos, o superavam em força. Estava Dálton acuado. Wesley disparou-lhe um soco; ele se esquivou, travou-lhe do braço esquerdo, arremessou-o contra uma árvore, e, ato contínuo, desajeitado e desequilibrado, disparou um soco contra Carlos Roberto, que o aparou e deu-lhe um pontapé nas costas. Recomposto, Dálton preparou um soco contra Wesley, que o neutralizou ao mesmo tempo que lhe encaixou um soco no nariz. Wesley e Carlos Roberto desancariam Dálton, se ninguém interviesse. Os gritos de Marta, histéricos, atraíram a atenção de várias pessoas. Do nariz de Dálton escorria um fio de sangue. Vários rapazes intervieram na luta e enxotaram Wesley e Carlos Roberto, que, numa saraivada de insultos, os maldisseram, difamaram Marta, insultaram Dálton, e prometeram quebrá-lo ao meio na próxima vez que o encontrassem.

Dálton disparou saraivadas de olhares penetrantes contra Wesley e desafiou-o para uma luta. Wesley exibiu-lhe gestos obscenos. Marta e outras pessoas contiveram Dálton, que delas tentou desvencilhar-se. Afastaram-se de todos Wesley e Carlos Roberto. Mariana, informada, por uma amiga, do sucedido, rumou ao estacionamento; à porta do salão, viu a pequena multidão, e a passos largos, apressados, foi até ela. Marta afastou-se de Dálton, mas conservou-o sob o seu olhar. Continham-no três rapazes e duas moças. Mariana não se surpreendeu quando lhe disseram que Wesley e Carlos Roberto brigaram com Dálton. Recomposto, aparentemente sereno, Dálton recusou o pedido de Marta para regressarem ao salão. Afastaram-se de Marta e Dálton as outras pessoas. Mariana foi a última pessoa a deixá-los a sós, e com relutância, a pedido de Marta. Voltava-se para trás, olhava para eles, detinha-se a curtos intervalos, e observava-os. Ao se convencer de que eles se entenderiam, foi até o salão à porta do qual deteve-se, voltou-se, viu-os de mãos dadas, sorriu, e entrou no salão.

Larissa fitava Dálton, de distância respeitosa. Cobiçava-o, mas não se atreveu a se aproximar dele. Aplacou os seus desejos dizendo para si mesma que não queria provocá-lo, e tampouco provocar Marta – ambos muito suscetíveis, naquele momento. Marta viu-a à porta do salão. Num monólogo silencioso, disse para si mesma que lhe daria uma lição inesquecível, se ela ousasse aproximar-se de Dálton.

Encerrou-se a festa às quatro horas da madrugada. Algumas pessoas declararam que iriam a outro clube, em busca de diversão, e lá permaneceriam até o raiar do dia. Marta deu carona para Mariana e um casal de amigos. Deixou, primeiro, os amigos na casa deles, depois, Mariana na casa dos pais dela, e rumou para a sua casa. Dálton conservou-se calado durante toda a viagem de regresso.

O carro disposto sobre a calçada, o portão fechado, Marta pediu para Dálton que ele abrisse o portão. Ele se recusou a fazê-lo e, fisionomia carregada, disse-lhe para ela abri-lo. Ela cruzou os braços à frente do peito, e, calada, ficou a olhar para a frente. Ele crispou os músculos. Com os dentes rangendo, num tom cavernoso, aludiu-lhe à conversa dela com Wesley, no salão. Ela, conservando o olhar fixo no vazio à sua frente, com voz balbuciante, disse que Wesley a convidara para dançar, e ela recusara o convite e pedira-lhe que não insistisse, mas ele persistira. Intimidaram-na o olhar sombrio e o rosto convulsionado de Dálton. Dálton, sorrindo, desdenhoso, fez-lhe implacáveis referências ao que testemunhara e às suspeitas que alimentava desde a festa, no clube, ao ouvir Wesley insinuar que ela era mais interessante quando ele, Dálton, não estava por perto, e perguntou-lhe em que pessoa ela se transformou durante um ano de convívio com aqueles universitários depravados, e evocou as cenas da festa, no clube, a tia Luiza e seus comentários a respeito da devassidão dos universitários. Gaguejando, Marta repudiou os comentários e as alusões difamatórias. Zombeteiro, Dálton afinou a voz, arremedou Marta, e fez, com esgares caricaturais, um discurso, para ele hilariante, de um advogado de defesa, espargindo respingos de saliva sobre Marta, que os removeu, enojada. Marta disse-lhe que ele, movido pelo ciúme e por desejos mórbidos, tecia, num tom agressivo, comentários maldosos que ela não merecia ouvir, e que pensamentos de desconfiança tangeram a sua mente ao vê-lo dançando com Larissa, a quem ela se referiu como sirigaita e depravada. De imediato, os olhos de Dálton dançaram nas órbitas. Marta sentiu-se recompensada ao vê-lo na defensiva, justificando-se, alegando inocência, Ele repetiu as perguntas a respeito dela e de Wesley e disse que queria saber o que eles conversavam. Ela sorriu, perguntou-lhe se estavam num tribunal, participando de um interrogatório, e se ela estava sentada no banco dos réus. Ele escrutinou-lhe a fisionomia, sondou-lhe a mente; enquanto ela falava, estudava-a, desconfiado, como se lhe auscultasse o cérebro. E ela, uma vez mais, tratando da conversa dele com Larissa, perguntou-lhe se ele apreciara o contato de seu corpo com o formoso, estonteante, luxurioso corpo dela. Dálton pôs-lhe o dedo indicador esquerdo em riste, ergueu o tom de voz, e elencou os supostos sinais de traição de Marta, que, com voz esganiçada, esgoelando-se, açoitou-o com insultos impublicáveis a tal ponto que, nervosa, tensa, soluçou e gaguejou. O seu descontrole e a sua fraqueza inspiraram-lhe comentários zombeteiros; e ele arrostou-a com insinuações maledicentes e acusações maldosas. Perdendo o controle de si, Marta retirou-se do carro, andou, passos acelerados, aos tropeções, pela calçada esburacada repleta de raízes expostas. Logo em seguida, Dálton retirou-se do carro, foi até ela, alcançou-a, e apertou-lhe o braço. Ela fez um gesto de repulsa ao sentir em seu punho a pressão da mão dele, e um arrepio passou-lhe por toda a extensão da espinha, e lágrimas orvalharam-lhe o rosto; e balbuciou, com voz trêmula, qualquer coisa ininteligível. Dálton compreendeu-lhe algumas palavras, mas não apreendeu o significado do que ela dizia. Perturbado pelo tumulto de emoções que se entrechocavam no seu espírito, foi indiferente às emoções que as suas acusações suscitaram em Marta, que, insistindo nas suas débeis tentativas de se livrar da mão dele, desferiu-lhe um tapa na cara, e ele, fuzilando-a com o olhar, preparou-se para disparar-lhe um arsenal de insultos, mas não o fez, pois ela moveu o braço para acertar-lhe outro tapa; antecipando-se-lhe, ele segurou-lhe o pulso, premiu-o, sem tomar conhecimento da força que aplicava, infligindo-lhe dores. Ela rogou-lhe que a soltasse. Sem lhe dar ouvidos, ele lhe disparou, num tom elevado, uma saraivada de insultos. A muito custo, ela logrou convencê-lo a soltar-lhe o punho. E foi nesse momento que Floriano, anunciando-se, disse que ouvira gritos e retirara-se de casa a saber o que ocorria, e perguntou para Dálton e Marta porque o carro estava sobre a calçada. Marta fitou seu pai e Dálton virou-se para o lado oposto. Não passou despercebido de Floriano o constrangimento de Marta e Dálton e os gestos dela massageando o pulso. Fitou-a, com olhar interrogativo. Dos olhos dela escorreram lágrimas – ela estava na iminência de desabar aos prantos. Um raio de compreensão atingiu o cérebro de Floriano, que disse para Marta, e para Dálton, para ela num timbre suave, carinhoso, para ele, num timbre metálico, que entrassem na casa. Dálton, num tom seco, desejou-lhe boa noite, e afastou-se, a passos pesados, sob o olhar dele. Assim que Dálton saiu do seu campo de visão, Floriano voltou-se para Marta, que, à porta, observara Dálton a afastar-se, e pediu-lhe a chave do carro. Ela disse que a chave estava no contato. Ele abriu a porta da varanda, disse a Marta que entrasse na casa, e foi ao carro. Lucrécia apareceu, de camisola, ao pé da porta que dá acesso à sala de visitas. Ao vê-la, Marta caiu aos prantos, e aninhou-se-lhe ao peito. Lucrécia envolveu-a com o corpo. Entraram mãe e filha na casa. Durante a conversa com sua filha, Lucrécia, falando-lhe numa voz melodiosa e passeando-lhe as mãos pelos cabelos e deslizando-lhas pelo rosto, tranqüilizou-a. E Marta logo conciliou o sono. Enquanto desenrolava-se a conversa entre mãe e filha, na sala Floriano andava, tenso, de um lado para o outro, prometendo para si mesmo que iria, no dia seguinte, de Dálton exigir explicações.

Na manhã de domingo, estremunhada, Marta sentou-se na cama, ajeitou a camisola, e retirou-se do quarto. Ao ouvir vozes, deteve-se ao enquadramento da porta, com a mão esquerda na maçaneta, e apurou os ouvidos. E bocejou. Pensou ouvir vozes de três pessoas: a de sua mãe e a de duas outras mulheres. Assim que as substâncias anestésicas do sono abandonaram-lhe o corpo, reconheceu as vozes que ouvia: eram de uma pessoa: a de sua mãe, que conversava, ao telefone, com uma pessoa cuja identidade desconhecia. Enfiou-se pelo corredor, e, a passos lentos, foi à sala. Lucrécia pressentiu-lhe a presença, olhou por sobre o ombro, deparou-se com uma figura semi-desperta de rosto inchado de sono e cabelos desgrenhados, interrompeu a sua preleção ao telefone, e pediu à pessoa, que atendia pelo nome de Marisa, desculpas por ter de encerrar a conversa, prometeu-lhe dar sequência às explicações, ao entardecer, ou em outro momento, despediu-se dela, pôs o fone no gancho, levantou-se, foi até Marta, e saudou-a. Marta abriu um sorriso acanhado. Lucrécia beijou-a na testa, sustentando-lhe o rosto com as mãos, e assim que ela descruzou os braços, passeou-lhe as mãos pelo rosto, e removeu-lhe, com os dedos indicadores, a remela dos olhos, massageou-lhe os pulsos, falou-lhe dos hematomas, e perguntou-lhe se ela desejava falar a respeito, e pediu-lhe que se sentasse. Marta sentou-se, e sua mãe sentou-se-lhe ao lado. E narrou-lhe os eventos da véspera – tintim por tintim, como Lucrécia, a sua confidente, exigira-lhe. Lucrécia expressou a sua indignação e preconizou uma tragédia, se Marta persistisse no namoro com Dálton. Evocou, para ilustrar as suas declarações e sustentar o seu ponto de vista e inibir toda e qualquer contestação que Marta pudesse vir a apresentar-lhe, casos, que se popularizaram, de maridos e namorados enciumados que ou espancaram suas esposas e namoradas, ou as mataram. Marta fitou-a, horrorizada. Pensou em defender Dálton, dizer que ele agira sob efeitos de sentimentos passageiros e que se encontrava fora de si, no paroxismo de raiva suscitada pelo ciúme que lhe fôra inspirado por Wesley, por quem ele alimenta ódio visceral, e que ela, Marta, ao invés de acalmá-lo, lhe exacerbara os sentimentos ao confrontá-lo e atirar-lhe na cara insinuações e acusações, mas optou pelo silêncio, pois, sabia, sua mãe lhe diria, e seu pai a secundaria, que, se todas as vezes que agisse por impulso, açulado por ciúme, a ponto de machucá-la, e Marta, nervosa, ao não refletir nas palavras, o confrontasse, Dálton perdesse o governo de si e a agredisse, então ele era uma ameaça para ela e dele ela teria de se afastar antes que ocorresse uma tragédia.

À tarde, Dálton telefonou para Marta. E eles conversaram durante uma hora. Duas horas depois, ele premiu a campainha da casa dela. Ouviu-a retinir. Ninguém atendeu à porta. Premiu a campainha segunda vez. Viu Floriano, na varanda, andando em sua direção. Floriano deteve-se à porta que dá acesso à rua, fitou-o, e disse-lhe, num timbre de voz metálico, que ele machucara Marta. Dálton, constrangido, pediu-lhe desculpas, olhou para os lados, e renovou, com voz contida, arrependido, visivelmente constrangido, os pedidos de desculpas. Floriano interrogou-o, repreendeu-o, e dele nenhuma palavra ouviu. No momento de maior excitação, elevou o tom de voz e torpedeou-o com um arsenal de interrogações fulminantes, Dálton, então, de cabeça abaixada, a escarvar o chão, a passear as mãos pelos cabelos, a massagear o nariz. Dálton declarou-se sinceramente arrependido. Assim que Floriano perguntou-lhe se ele possuía dupla personalidade, sorriu, acreditando tratar-se de um chiste, mas, o seu olhar encontrando-se com o dele, suprimiu, automaticamente, do rosto o sorriso, olhou para a direita, para o vazio, e coçou o nariz. Após alguns minutos de completo silêncio, Floriano, num tom paternal, confessou-lhe o amor pela filha, e o respeito e o carinho que cultivava e nutria por ele, e perguntou-lhe se ele merecia uma segunda chance. Ele respondeu com silêncio, olhar de súplica, e lábios trêmulos, que o impediam de articular qualquer palavra. Floriano, enfim, abriu a porta, e deu-lhe acesso à casa. Dálton pediu licença, e ele concedeu-lha. Cabisbaixo, entrou, deu quatro passos, e deteve-se, o olhar perdido. Floriano pediu-lhe que entrasse na casa. Fechou a porta atrás de si, convidou-o a sentar-se, e disse-lhe que iria conversar com Marta. Dálton notou-lhe o tom de voz, simultaneamente distante e carinhoso, e disse-lhe, com voz mal articulada, que, em pé, esperaria por ela. Floriano retirou-se da sala. Dálton olhou para as fotos, todas emolduradas. Não muito tempo depois, Marta entrou na sala e saudou-o com um sussurro. Ele voltou-se para ela. E fitaram-se, ambos constrangidos. Ele massageou o nariz, empinou a cabeça e fitou o teto. Ela cruzou os braços ao peito. E ele abaixou a cabeça, levou a mão esquerda aos olhos, e com o polegar e o médio massageou-os, como se quisesse afugentar de si os pensamentos que o impediam de articular as palavras que pretendia dizer para Marta, que, tensa e ansiosa, conteve a respiração, fitou-o, desviou o olhar, e concentrou-o em algum objeto.

Dálton, enfim, foi até Marta, e ela virou-lhe o rosto. Pegou-lhe as mãos, e massageou-lhe os pulsos. Notou-lhe o tremular dos lábios e do queixo. Ela puxou as mãos para si – sem esforço, pois ele não as prendia em sua mãos – e cruzou ao peito os braços; ele interpretou tal gesto como um sinal da repulsa que ela sentia por ele. Carinhosamente, ele levou a mão direita à nuca de Marta, e atraiu a cabeça dela para si – ela deixou-se atrair e aninhou-lhe a cabeça ao peito – e abrigou-a sob os braços. Na sequência, sentaram-se no sofá. Conversaram, retraídos, trocaram gestos de carinho, e provocaram-se. Marta beliscou-o e deu-lhe tapas inofensivos. Parecia que ambos abandonavam as desconfianças; persistia, no entanto, na cabeça de Marta, resquícios de medo, e, na de Dálton, o receio de vir a perdê-la se lhe ferisse suscetibilidades. Retiraram-se da casa às vinte e uma horas, e rumaram, de mãos dadas, sorrisos apaixonados nos rostos corados, a uma pizzaria, da qual se retiraram quinze minutos antes da meia-noite. E na varanda da casa de Marta, renovaram os votos de amor. Beijaram-se, apaixonadamente, enlaçados num abraço estreito. E despediram-se vinte minutos depois da meia-noite.

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