Declaração de Amor – parte 5 de 5

Encerradas as férias, Marta, no início do ano letivo, retomou as aulas e as suas atividades profissionais, e Dálton redobrou os seus esforços no trabalho e adicionou centenas de reais ao seu salário mensal.

A carreira de Dálton seguia em franca ascensão. Ele arrancava elogios de Durval e olhares hostis de vendedores e desafetos.

Na faculdade, Marta apreendia as lições ministradas pelos professores; no escritório, Floriano e Lucrécia ministravam-lhe lições, práticas estas, que davam suporte àquelas. Com tal auxílio, valioso, indispensável, ela avantajava-se aos seus condiscípulos; e muitos dentre eles a consultavam em busca de esclarecimentos para certas lições que não haviam assimilado na sala de aula.

Numa sexta-feira chuvosa, séries intermináveis de raios rasgavam o céu – e seguiam-se estrondos assustadores. Os ventos fustigavam as árvores, cujos galhos e tronco vergavam-se. Dálton, preocupado, telefonou para Marta, no horário de intervalo entre duas aulas, e disse-lhe que a buscaria na faculdade. Retirou-se do carro, à frente da faculdade, duas horas depois de encerrado o telefonema. Empunhava dois guardas-chuva; com a mão direita, o armado; e com a esquerda o desarmado. Andou, passos firmes e cuidadosos, pelo piso molhado, a cabeça ligeiramente inclinada, até os degraus que davam acesso ao prédio da faculdade. Ao abrigo da laje, girou o cabo do guarda-chuva aberto, de cuja capa, com a força centrífuga, removeu a água, e o desarmou. Deteve-se ao limiar da porta ampla. Não entrou no prédio. Esperaria por Marta, próximo à porta. Olhou ao redor à procura de uma pessoa conhecida. Assistiu à tempestade arrefecer. Cessaram os raios. Amainaram os ventos. Um grupo de universitários – duas mulheres e três homens, dois desleixados e um de postura formal, de terno e gravata, óculos de lentes grossas escanchados no nariz achatado de abas largas. Este era alvo de piadas. Com emprego inapropriado do jargão jurídico, tratavam-no por juiz; e ele, representando o papel que lhe atribuíam, emprestou entonação férrea à voz, e, empunhando um martelo imaginário, sentenciou um ladrão-de-galinhas à prisão perpétua, exortando-o a viver até a data aprazada para a sua soltura. Os outros alunos gargalharam. Um dos que integravam este grupo mambembe, fazendo a vez de réu, súplice, declarou-se inocente e disse que não roubara uma galinha, mas, sim, um galo, um predador sexual. A moça que se fez de advogada de defesa pediu a comutação da pena. O homem que fazia a vez de advogado de acusação declarou que o réu não roubara uma galinha qualquer, mas uma galinha preta, que seria imolada num ritual de magia negra, à luz de uma vela vermelha, numa linha de trem, numa região baldia, sob o viaduto, à meia-noite de uma sexta-feira de lua cheia. E o que interpretava o juiz adicionou mais duzentos anos à sentença de prisão perpétua e enfatizou a exortação: que o réu não morresse antes de cumprir integralmente a pena; se ele morresse, outros duzentos anos seriam adicionados à condenação; e encerrou a peroração com uma série de interjeições recheadas de latim macarrônico e elogios à obra do Mestre Janotus de Bragmardo, êmulo de Cícero, e cuja oratória está bem documentada no livro do ilustríssimo Alcofribas, abstrator de quintessência. Dálton sorriu. Divertiu-se com a caricatura grotesca que os alunos representaram, surpreso com as alusões a casos famosos, popularizados pela imprensa sensacionalista e às obras clássicas da literatura e da filosofia. Os alunos entremeavam os discursos com observações sobre a tempestade, a fúria dos ventos, que retornaram com vigor redobrado, e os raios, que rasgavam o céu escuro. Todos foram ao pátio. No pátio, Dálton estudou os detalhes das estátuas que o adornavam. Um dos alunos, o que representara o papel de advogado de acusação, citou o nome do professor Basílio, e o classificou como um predador sexual, um sedutor de alunas incautas. Uma aluna e um aluno exortaram-no a não dar ouvidos aos boateiros; e ele afirmou não se tratar de boato, e disse que o professor Basílio estava arrastando as asas para uma aluna do segundo ano, e citou o nome: Marta. Dálton, ao ouvi-lo, apurou os ouvidos, e, simulando interesse pelo alto-relevo incrustado na parede, aproximou-se do grupo.

– Que Marta? – perguntou uma das moças.

O aluno descreveu-a, nos pormenores. Dálton reconheceu Marta na descrição, e seu sangue borbulhou. Fungou, furioso, e expeliu, pelas narinas, o seu furor. Cruzou os braços ao tórax, e pôs-se a ouvir, atentamente, os comentários dos alunos, sem deixar de si escapar uma palavra sequer. Mordia os lábios, ora o superior, ora o inferior. Os detalhes que os alunos forneciam eram reveladores. Ninguém conceberia tantos pormenores para uma história inventada. Dálton acolheu como verdadeiros os relatos. A temperatura de seu corpo elevava-se à medida que os alunos adicionavam detalhes à narrativa.

Arrefeceram-se os ventos. Raios cortavam o céu a intervalos maiores. A água despencava, agora, calma e ritmada.

Dispersaram-se os alunos. As duas moças e um dos moços que haviam participado da representação teatral de um julgamento disseram que iriam embora, e retiraram-se; os outros dois alunos rumaram para a biblioteca.

Dálton remoeu os seus pensamentos. Indagou-se da veracidade dos relatos que ouvira. Marta, então, era a aluna predileta do professor Basílio? De Marta Dálton exigiria explicações; não admitiria tergiversações. O seu furor exacerbou-se ao ouvir, atrás de si, o nome de Basílio pronunciado pela voz suave de uma aluna, aluna morena de longos cabelos pretos, sorridente, de olhos radiantes. Dálton deparou-se com um homem de um metro e oitenta, ombros largos, esbelto, cabelos compridos presos num rabo-de-cavalo, barba e bigode rapados. Então, este é o professor Basílio, pensou Dálton, rilhando os dentes, fuzilando-o com os olhos injetados de cólera. A aluna desmanchava-se diante do professor Basílio, que, com um sorriso encantador, covinhas sedutoras nas laterais dos lábios e um olhar irresistível, elogiou-lhe o novo penteado, que lhe realçava a beleza natural. Ela derreteu-se, e disse-lhe que, no escritório em que trabalhava, conhecera uma ex-aluna dele: Luana. Ele puxou pela memória, para se lembrar da figura dela. A moça descreveu-lha: baixa, de cabelos alaranjados, sardenta. Ele exultou de alegria. Recordava-se de Luana, a Laranjinha – à ela se referiu – e a moça confirmou: o apelido dela era Laranjinha; e algumas pessoas chamavam-na de Narizinho devido ao minúsculo e gracioso narizinho arrebitado que ela trazia consigo desde que dera o ar de sua graça ao mundo. Dálton ouvia tais futilidades e abanava a cabeça. O professor Basílio anunciou à aluna a ida para outra sala-de-aula, e estendeu-lhe a mão. E a aluna retirou-se. Neste mesmo instante, Dálton viu Marta, Mariana e um homem indo na direção do professor Basílio, e seus pés enterraram-se no piso, e concentrou em Marta o seu olhar como se projetasse sobre ela um foco de luz, isolando-a do ambiente. O professor Basílio viu-os e saudou-os, sorridente. Dálton viu Marta, que trazia os cadernos e os livros ao busto, abrir um sorriso de orelha a orelha e estender a mão direita para o professor Basílio. Não lhe passaram despercebidos os gestos dela: o de remexer os cabelos e ajeitá-los às costas; o de empinar o corpo; o de ajeitar a camisa. No seu campo de visão, entrou a mão esquerda do professor Basílio, que tocou, suavemente, o ombro direito de Marta, o suficiente para arrancar de Marta suspiros. Sobrepujando as forças que o imobilizavam e enraizavam-lhe os pés no piso, Dálton andou, crispados os músculos, franzido o cenho, pesados os passos e cerrados os punhos, na direção de Marta, que, pressentindo-lhe, dir-se-ia, a aproximação, voltou-se para ele, viu-o, e abriu um largo sorriso. Dálton ampliou o seu campo de visão, para abranger Marta, Mariana, o aluno e o professor Basílio. Estava a um metro deles, quando Marta apresentou-o ao professor Basílio e este a ele. E o professor Basílio estendeu-lhe a mão direita, e disse-lhe:

– A Marta disse-me que tu e ela estão noivos. Parabéns.

Dálton sorriu e se disse um felizardo. Com o braço direito, Marta enlaçou Dálton pela cintura, e encostou-lhe no tórax a cabeça. O professor Basílio exigiu, deles, um convite para o casamento, consultou o relógio, e anunciou, em suas palavras, a sua retirada estratégica, pela esquerda, rumo à sala-de-aula, despediu-se deles, e deles afastou-se, a passos acelerados. Pouco tempo depois, Marta e Dálton despediram-se de Mariana e do outro aluno.

Raios e trovões anunciavam tempestade, que se precipitaria em poucos minutos. Uma série de raios seguidos de trovões persuadiram Dálton e Marta a acelerarem os passos até o carro. Grossos pingos de água os atingiram. Ao abrigo dos guarda-chuvas chegaram ao carro.

Dálton inseriu, na conversa, que principiara com observações de Marta a respeito das provas, o professor Basílio, teceu comentários favoráveis a ele e estudou a reação de Marta, que dele deu muitas informações.

Notou que ela se continha ao elogiar o professor Basílio. Enquanto a ouvia, estreitou os olhos, que quase desapareceram sob as sobrancelhas. Crispou as mãos ao volante, e acelerou o carro. Marta pediu-lhe que reduzisse a velocidade. Ele ignorou-a. Ela se lhe mostrou preocupada. Ele executou manobras arriscadas, contornou um carro, pela direita, atravessou um cruzamento com o semáforo aceso no vermelho, entrou na contramão, por uma rua de mão única, atravessou um cruzamento, sem atentar para o semáforo, e acelerou o carro. O motorista de um carro, que vinha na perpendicular, freou a tempo de evitar a colisão, e, esgoelando-se, disparou uma saraivada de obscenidades. Marta berrava, dava tapas no ombro e no braço de Dálton, e ordenava-lhe que parasse o carro. Seu coração quase foi à boca quando ele executou, em alta velocidade, uma manobra, num cruzamento, numa pista escorregadia, com poças de água estagnada e areia, para a esquerda. O carro subiu na calçada, tangenciou o muro de uma casa e resvalou um poste. Marta desmanchava-se em prantos e berros ensandecidos. Chorava. Seu rosto, deformado pelo medo. Viu a morte diante de si. Inspirava e expirava rapidamente. Arregalava os olhos. Cerrava as pálpebras. As lágrimas escapavam-se-lhe, copiosas, e escorriam-se-lhe pelo rosto deformado pelo terror que a afligia. Dálton ofendeu-a. Ela desfazia-se em prantos, tensa, apreensiva. Ele não parou o carro. Ensandecido, disparou contra Marta uma série de ofensas atordoantes, que dela extraíram o vigor e pulverizaram-lhe o espírito. Encarnava a personalidade de um alter-ego monstruoso. Seus olhos refletiam a fúria que se lhe apossara do espírito. Inclinado sobre o volante, rilhava os dentes a ponto de ferir as gengivas; quando conservava a boca aberta, pronunciava, com rictus animalesco, voz cavernosa, vaticínios lúgubres. Marta perdeu a voz quando ele manobrou, no cruzamento seguinte, para a direita, subiu com o carro na calçada, no lado oposto da rua, tangenciou uma árvore, perdeu o governo do carro – o volante escapando-se-lhe das mãos, moveu-se como se houvesse adquirido vontade própria -, que atravessou a rua, subiu na calçada, e ia colidir com o muro, mas, no último instante, Dálton recuperou-lhe o controle, e, com um brusco movimento do volante para a esquerda, direcionou-o de modo a passar entre o muro e o poste, e desceu da calçada à rua trinta metros depois, rua inclinada num ângulo de quarenta e cinco graus. Dálton acelerou o carro. A velocidade vertiginosa dava a impressão de que o carro caía em um abismo. Marta sentiu o coração subir-lhe à boca. Ao atingir o nível mais baixo da rua, Dálton afundou o pé no freio, e girou o volante. A manobra, de tão arriscada, lançou Marta para a frente, e sacudiu-a, roubando-lhe a respiração. A pressão do cinto de segurança fê-la perder os sentidos. O carro deu solavancos e quase tombou. A cabeça inerte de Marta, pendendo sobre o peito, oscilava de um lado para o outro como se fosse um pêndulo invertido. Dálton esgoelava-se em maldições e protestos, rilhava os dentes, num rictus macabro, como se houvesse coberto o rosto com uma máscara ritualística demoníaca. Berrou perguntas insanas. Não obteve resposta. Deu um tapa em Marta, ao mesmo tempo que a insultava e a ameaçava. Ela recuperou a consciência. Entontecida, alheada, com olhar vazio, indagava-se o que ocorrera e onde se encontrava. Dálton berrava-lhe insultos. Ela não compreendia as palavras, que lhes chegavam, distorcidas, aos ouvidos, como se cada uma delas lhe chegasse numa freqüência, como se uma lha invadisse o cérebro numa velocidade, e outra em outra velocidade, como se a última sílaba de uma palavra lhe chegasse antes da primeira sílaba, que tardava a chegar, ou não lhe chegava, aos ouvidos. Após passar por três cruzamentos, executar outras manobras arriscadas e dobrar duas esquinas, Dálton parou o carro, e deu socos no volante. E cuspiu obscenidades no rosto de Marta, que, com os lábios separados um do outro e a cabeça repousada no encosto do banco, fitava-o, apática, a escaparem-se-lhe dos olhos lágrimas cristalinas. Arrostava-a, esmagava-a sob uma torrente infindável de insultos e acusações; ilustrava a sua narrativa com gestos obscenos. Disse-lhe que ela protagonizava orgias sexuais e submetia-se aos caprichos de Wesley, do professor Basílio, de Lauro, de outros homens, e de Mariana, e de outras mulheres. Disse saber que ela era uma depravada. Marta soluçou, engasgou-se com a saliva. Arfava. As lágrimas não cessavam; avolumavam-se-lhe, e, escorrendo, contornavam-lhe o nariz e a boca, e despencavam-lhe do queixo para o peito. A sua postura irritou Dálton. Moveu Marta a cabeça, lentamente, para o outro lado, olhou através da janela, e cerrou as pálpebras. Uma onda de lágrimas escapou-lhe dos olhos, deslizou-lhe, como um rio em correnteza, pelo rosto, e despencou, do queixo para o peito, como uma cachoeira. Marta rogava aos céus o envio de um anjo. O olhar e as ameaças de Dálton inspiraram-lhe cenas de horror. Visualizou a sua morte nas mãos de Dálton, que a sufocaria até exaurir-lhe a energia vital e o sopro divino se lhe escapar do corpo. Estava à mercê dele. Ele ordenou-a se retirasse do carro e desatou-lhe o cinto de segurança. Ela não se mexeu. E ele berrou-lhe aos ouvidos e espargiu-lhe perdigotos corrosivos. Ela mordeu o lábio inferior, petrificada. Dálton desvencilhou-se do cinto de segurança, curvou-se sobre ela, agarrou-a pelo queixo, voltou-a para si, cravou seus olhos nos olhos dela, e gritou-lhe que saísse do carro. Ela não se mexeu. E ele passou o braço por sobre ela, destravou a porta, abriu-a. E com brutalidade empurrou Marta para fora do carro. Ao cair na calçada, ela esfolou os cotovelos. Dálton arremessou-lhe os livros, os cadernos e a bolsa. Um livro atingiu-lhe o nariz. Dálton fechou, violentamente, a porta do carro, pisou no acelerador, imprimindo, no asfalto, a marca dos pneus, e foi-se embora.

Marta precisou de um bom tempo para se restabelecer. Ao emergir do alheamento, arfando, soluçando, chorando convulsivamente, lágrimas se lhe escorrendo pelo rosto deformado pelo medo, olhou ao redor, e só então se deu conta de onde se encontrava: numa rua deserta e mal iluminada. As lâmpadas dos postes piscapiscavam, sinistras. Com as mãos trêmulas, abriu a bolsa, e procurou pelo telefone celular; ao achá-lo, sôfrega, pegou-o, telefonou para seu pai; tensa, num choro convulsivo, aguardou-o atender a chamada. Recolheu os livros, os cadernos e a bolsa. Acocorou-se, com a bolsa a tiracolo, e olhou em torno. A rua não lhe era desconhecida; todavia, não soube dizer para si mesma em qual bairro localizava-se. Andou, cambaleando, a mente entorpecida, até os degraus que davam acesso a um estabelecimento comercial – um bar (leu o letreiro) com as portas cerradas; as letras do letreiro, aos seus olhos imbricadas, ampliavam-se e reduziam-se. Sentou-se no degrau superior, e pousou os pés no degrau logo abaixo, conservando, entre as coxas e a barriga, os livros e os cadernos. Não afastou o telefone celular da orelha direita. Inclinada sobre a coxa, as costas abauladas, enterrou os cotovelos nos joelhos. Roeu as unhas dos dedos da mão esquerda. Ninguém lhe atendia ao telefone. Olhou em redor. Vislumbrou, à sua direita, próximo ao cruzamento, um vulto. Removeu, com a palma e as costas da mão esquerda, as lágrimas que lhe prejudicavam a visão, e focalizou-o. Ora arregalava os olhos, ora os comprimia cobrindo-os quase que completamente com as pálpebras e as sobrancelhas. Franzia os músculos circunvizinhos aos olhos de modo a apurar a visão, para distinguir o vulto, que, parecia-lhe, ou era um corcunda, ou um homem carregando um fardo grande e pesado às costas. Ninguém atendeu ao telefone. Repetiu a ligação. De sobreaviso, fitava o vulto aproximando-se de si. Encolheu-se. Abraçou as pernas com o braço esquerdo, abaixou a cabeça, curvou as costas, de modo a pousar o queixo sobre os joelhos; assim, pensou, sem tomar consciência dos seus pensamentos, reduzia-se aos olhos da pessoa que se aproximava; e deslocou-se um pouco para a direita, quase se encostando ao batente da porta, onde uma sombra se projetava. Um pensamento iluminou-lhe o cérebro: à sombra passaria despercebida aos olhos da pessoa que se aproximava. O vulto, cujos contornos se lhe definiram, era o de um homem, que arrastava os pés, o corpo curvado para a frente, carregando às costas uma sacola de plástico; tinha ele aparência grotesca, cabelos e barbas desgrenhados, e ele trajava calça e camisa amarfanhadas e rasgadas em vários pontos. Ele passou pelo meio da rua, sem tomar conhecimento de Marta, que o comparou a um ogro repulsivo. Floriano, enfim, atendeu ao telefonema. Marta desfez-se, de imediato, em lágrimas, e sussurrou, para não atrair a atenção do homem que passara por ela. Alarmou-se Floriano. Alterou-se. Pediu à sua filha a localização dela e aconselhou-a a acalmar-se. Ela fitava o homem, que se afastava lentamente. Era perceptível a mudança do timbre da voz de Floriano. Marta não disse coisa com coisa, não completou uma frase, abandonou inúmeras reticências, solicitou ajuda, disse que não sabia onde estava, falou de Dálton. Floriano pediu-lhe a localização. Ela não soube dizer-lha, preocupando-o. Ele, depois de alguns minutos, logrou acalmá-la o suficiente para ela lhe dar o nome do estabelecimento à porta do qual se encontrava, e perguntou-lhe se havia outro estabelecimento comercial, nas proximidades; não conhecia aquele, e pediu-lhe que fosse até a esquina, e, na placa afixada, ou na parede, ou no muro, ou sustentada por um poste de metal, ou por um poste, lesse o nome da rua. Marta intensificou o choro. Disse que estava com medo. Floriano disse-lhe que não poderia ajudá-la, se ela não lhe dissesse o nome da rua onde se encontrava. A muito custo, ela se levantou. Enquanto andava até a esquina, falava, sem dar ao seu pai um relato pormenorizado e objetivo do que a ela ocorrera. Repetia-se. Confundia-se na cronologia; aos poucos, recuperava-se – sempre que ela parava de falar, Floriano fazia-lhe uma pergunta qualquer, para que ela falasse qualquer coisa. Na esquina, ela procurou pela placa indicativa do nome da rua; não a encontrou, nem no poste, nem na parede do estabelecimento comercial. Olhou para o outro lado da rua. Viu uma placa metálica afixada no muro. Olhou em torno, e atravessou a rua, cujo nome ela o leu na placa. Floriano disse conhecê-la; iria até lá, e pediu a Marta que ela não desligasse o telefone, e passou o telefone para Lucrécia, foi ao telefone sem fio, telefonou para a delegacia de polícia, e forneceu uma síntese do episódio e o nome da rua na qual Marta estava. A telefonista prometeu providenciar, imediatamente, uma viatura, e desligou o telefone. Marta e Lucrécia conversavam. Lucrécia, de camisola, a respiração suspensa, roendo as unhas, sentada no sofá, ouvindo a narrativa caótica de sua filha, levou a mão ao peito esquerdo, para impedir que o coração abrisse caminho para fora do corpo. Floriano foi ao quarto trocar de roupas. Regressou, logo depois, trajando tênis, bermuda e camisa, e pediu à Lucrécia o telefone, e disse-lhe que fosse ao quarto, substituísse a camisola por uma roupa adequada, para ir até onde Marta estava. Lucrécia passou-lhe o telefone, retirou-se, açodada, para o quarto, do qual regressou em menos de um minuto, com chinelos nos pés, uma calça e uma camisa larga. Neste momento, Floriano já estava, na varanda, dentro do carro. Assim que Lucrécia entrou no carro, passou-lhe o telefone, e retirou da garagem o carro, retirou-se do carro, fechou a porta, e regressou ao carro, enquanto Lucrécia, ao telefone, conversava com Marta. Rumou para a rua em que Marta encontrava-se. Transcorreram-se oito minutos. Marta disse que aproximava-se de si uma viatura policial; e que da viatura retirou-se um policial, que foi até ela. Lucrécia pediu-lhe que passasse o telefone a ele; e disse ao policial que chegariam, ela, Lucrécia, e Floriano, até ele e Marta em dois ou três minutos, e que, depois, iriam à delegacia denunciar Dálton, cujos nome completo e endereço forneceu-lhe. O policial comprometeu-se a providenciar uma viatura para ir à casa de Dálton; Lucrécia agradeceu, e pediu-lhe que passasse o telefone para Marta. Ele lho passou; e ato contínuo comunicou à delegacia o ocorrido, e solicitou uma viatura policial no endereço que Lucrécia lhe fornecera e a condução de Dálton à delegacia. Transcorreram-se cinco minutos. Chegaram Lucrécia e Floriano onde Marta estava. Lucrécia desceu, açodada, do carro, correu até ela, envolveu-a com os braços, protetora. Marta chorava, convulsivamente. Os policiais afastaram-se delas, foram até Floriano, e relataram-lhe o que presenciaram desde o instante em que se depararam com Marta. Em seguida, Floriano foi até ela, e atraiu-a para si e ela aninhou-lhe ao tórax a cabeça. E deu-lhe um beijo, na metade superior da testa. Comovido, a voz trêmula, disse-lhe que se acalmasse, que logo iriam para casa.

Chegaram na delegacia vinte minutos depois.

Marta não deu um relato objetivo dos eventos, desde o início, logo após retirarem-se ela e Dálton da faculdade. Falou, como pôde – e mal pôde falar – das perguntas que Dálton lhe fizera, da postura dele, e de como ele se transtornara, e acelerara o carro, e atravessara cruzamentos, desrespeitando semáforos, e quase colidira com um carro, com postes, com o muro de uma casa; falou das manobras arriscadas, do tapa que ele lhe dera, e do empurrão, jogando-a para fora do carro. A policial que colheu o depoimento de Marta, para dar-lhe coerência a certos trechos e estabelecer uma cronologia, instou-lhe que recontasse a história uma dezena de vezes, até eliminar as incongruências. Marta soluçava; debulhava-se em prantos. Seu pai evocou o evento sucedido dias antes, em frente à sua casa, numa certa noite: ouvira Dálton ofender Marta; observara-os, e anunciara-se; Dálton, então, afastara-se, e fôra-se embora e dias depois pedira-lhe desculpas, num tom tão cândido, tão compungido, tão sincero, que, não lhe duvidando da sinceridade, dera-lhe acesso à casa. Em seguida, declarou que gostava de Dálton, que é trabalhador e estudioso, e preocupava-se com o estado dele. Marta e Lucrécia subscreveram-lhe as palavras e adicionaram argumentos favoráveis a Dálton. Floriano disse que o ciúme possessivo de Dálton vinha num crescendo desde o ano anterior. Marta falou do que se sucedera num clube e de outros episódios, corriqueiros, disse, mas que, agora, avaliados em retrospectiva, assumiam outra dimensão. Salientou Floriano: se os policiais colherem informações, na loja na qual Dálton trabalhava, a respeito dele, saberão que a reputação dele é a de um homem dedicado ao trabalho e dotado de rara inteligência. E disse que era seu desejo vê-lo bem, mas temia pela vida de Marta. Dálton apertara o pulso de Marta, imprimindo-lhe marcas, na discussão anterior. E agora poderia tê-la matado. Não o detestava, disse; afastava, no entanto, de si, os sentimentos de carinho que nutria por ele; iria, todavia, conservá-lo a uma distância da qual poderia, ao estender-lhe os braços, acolhê-lo, num abraço fraternal, e atraí-lo para o seio de sua família. Sentimentos incompatíveis colidiam-se na alma de Floriano, e repeliam-se.

Havia mais de uma hora que estavam na delegacia quando se retiraram. No corredor do térreo, cruzaram o caminho de Dálton, Ulisses e Vilma Helena. Nuvens soturnas desceram sobre todos eles. Dálton, com o olhar, fuzilou Marta, que virou o rosto e cruzou os braços ao peito. Lucrécia enlaçou-a pelos ombros, estreitando-a a si. Entreolharam-se Ulisses, Vilma Helena, Floriano e Lucrécia. Eles não articularam nenhuma palavra, e nenhum gesto esboçaram.

Marta, Floriano e Lucrécia retiraram-se da delegacia, e rumaram para casa.

Marta caiu em sono profundo assim que sua mãe cobriu-a com o lençol, e antes de ela lhe dar um beijo, na testa, e desejar-lhe boa noite.

Ulisses e Vilma Helena, e Floriano e Lucrécia conversaram, em duas ocasiões, a respeito de Dálton. Na primeira, Ulisses e Vilma Helena pediram desculpas, constrangidos, a Floriano e Lucrécia, e disseram-lhe, compungidos, que não sabiam porque Dálton agia com tão brutal violência, e que haviam contratado um psicólogo para estudar o caso dele; na segunda, renovaram os pedidos de desculpas, e disseram que Dálton havia se consultado três vezes com o psicólogo e mostrava-se arrependido do que fizera, mas era prematuro conceder-lhe permissão para encontrar-se com Marta.

Cabisbaixo, desanimado, Dálton agia com indiferença e desinteresse ao que lhe sucedia ao redor, na sua casa e na loja; na loja, o seu desempenho diminuíra, e muitas pessoas com quem trabalhava notaram-lhe a mudança de comportamento, e muitas dentre elas, ao tomarem conhecimento do que se dera entre ele e Marta, afastaram-se dele; evitavam-no, e, desconfiados, observavam-no com o canto dos olhos.

Floriano e Lucrécia consultaram Marta, dias depois, a respeito do seu noivado com Dálton. Ela lhes disse que não se casaria com ele. E tal notícia foi dada a Ulisses e Vilma Helena, que a passaram para Dálton, que a ouviu, em silêncio, inexpressivo, resignado.

Um dia, à noite, Dálton foi à faculdade, e abordou Marta, que se pôs a tremer. Mariana e dois amigos não se afastaram dela quando Dálton lhes pedira uma conversa a sós com Marta, que, com o olhar, suplicava-lhes ajuda. Constrangido, com voz aveludada, ele lhe disse que estava arrependido, e que a amava, e que lhe escreveria um soneto de amor, e lho recitaria. Ela se conservou calada, fitando o vazio, o olhar alheado. Cabisbaixo, ele se despediu, e retirou-se da faculdade.

Assim que chegou à sua casa, Marta narrou o episódio para seus pais. Floriano telefonou para Ulisses e comunicou-lhe o ocorrido.

Dias depois, na praça Santo Antonio, Dálton abordou Marta, e disse-lhe que lhe escrevera um soneto de amor, e que lho declamaria, na casa dela, se ela quisesse. Ela pediu-lhe que se afastasse. Ele renovou, numa voz pungente, os seus pedidos de desculpas, disse-lhe que estava arrependido, e que a amava, e que ela foi a única mulher que ele amou, e suplicou-lhe que reconsiderasse a decisão de romper o noivado e cancelar o casamento, e que o perdoasse; com as mãos justapostas, genuflexionou os joelhos perante ela, na frente de curiosos. Marta deteve-se, constrangida, irritada, nervosa, apreensiva; ameaçou chamar a polícia, e apontou, para a outra extremidade da praça, para uma viatura policial e dois policiais. Dálton calou-se, e enraizou os pés no chão. Marta afastou-se dele.

Floriano e Lucrécia, e Ulisses e Vilma Helena reuniram-se, num restaurante, no dia seguinte. Expuseram as suas preocupações. Em certo momento, Vilma Helena, compungida, voz sussurrante, levou as mãos aos olhos, que se marejaram de lágrimas, e falou das suas preocupações, temerosa do que Dálton poderia fazer e do bem-estar e da saúde mental dele. Aquele Dálton de quem falavam não era o Dálton que ela conhecia, seu filho, que ela amamentou, embalou, aninhou ao colo; não era o Dálton, criança traquinas, que lhe deu muitas preocupações e que não ficava um dia sem se envolver em algum ato reprovável; não era o Dálton, jovem que, como muitos jovens, contestou a autoridade paterna, transgrediu regras de convivência social e envolveu-se em atos de vandalismo e em brigas; não era o Dálton, que, apesar de todos os seus defeitos, tinha os seus pendores intelectuais, os quais ele os exibiu na escola, em casa, na loja; não era o Dálton que, apaixonado por Marta, havia se tornado um homem gentil, trabalhador, generoso, abnegado, suscetível às influências benévolas, a felicidade encarnada, construtor de castelos no ar, e que, nos paroxismos da euforia, compartilhava sua felicidade com todas as pessoas. Aquele homem de quem falavam, homem que vivia recolhido em si, tristonho, ensimesmado, andando de um lado para o outro, indiferente ao que ocorria ao redor, desinteressado da família, dos amigos, e do trabalho, e dos estudos, não era o Dálton, seu filho. Vilma Helena desejava o seu filho, Dálton, aquele moço que lhe inspirou muitos cuidados, muitas preocupações, e muita alegria, e não aquele que via, há dias, calado, taciturno, de olhar lúgubre.

Ouviram-na, respeitosos. Enquanto ela falava, Ulisses, carinhoso, passeava-lhe as mãos pelos cabelos.

Nos dias seguintes, Dálton abordou Marta à porta e nas proximidades do escritório de advocacia, e falou-lhe do seu amor por ela. Sem olhar para ele, ela acelerava os passos, até o estacionamento, entrava no carro, e abandonava Dálton em seu solilóquio angustiante.

Certo dia, ao anoitecer, Dálton abordou Marta quando ela entrava no banco para fazer um saque de trezentos reais e pagar a mensalidade da faculdade, e falou-lhe, num tom meigo, que lhe inspirou compaixão. Ela, todavia, não o fitou; limitou-se a ouvi-lo. Quando ele a tocou no ombro, recolheu-se, em sinal de repulsa. Ele lhe pediu desculpas, impressionado com os esgares que ela imprimira no rosto tão logo ele a tocara, renovou o pedido de desculpas, disse-lhe que não a incomodaria, e solicitou-lhe uma conversa; queria recitar-lhe um soneto escrito em homenagem a ela. Marta nada lhe disse. Sem obter uma resposta, ele anunciou a sua retirada, despediu-se, e foi-se embora. Marta, então, respirou, aliviada, e executou as operações bancárias.

Dálton ia ao consultório do psicólogo duas vezes por semana. Recuperava o seu gosto pelo trabalho, pelos estudos, pelas relações familiares, pelos eventos festivos e pelos amigos. Sempre que encontrava Marta, saudava-a, sem constrangê-la, e ela, que por esta época estreitava os seus laços com Tucídides, que a conhecera na faculdade, ficou insegura, indecisa. Queria namorar Tucídides, moço educado, charmoso, inteligente, de sorriso encantador, mas a figura de Dálton invadia-lhe os pensamentos, dividia-lhe a atenção e interpunha-se entre ela e Tucídides.

Um dia, Marta e Tucídides, na praça Dom Pedro II, conversavam, animadamente. De repente, Marta emudeceu, empalideceu e suspendeu a respiração ao ver Dálton indo em sua direção. Ele abriu um largo sorriso, saudou-a, e estendeu a mão direita para Tucídides, que o saudou, cauteloso, constrangido. Apertaram-se as mãos Dálton e Tucídides. Dálton apresentou-se-lhe. Entabulou conversa com ele. Confessou-lhe a felicidade, entusiasmado, com sua transferência para São Paulo. Fôra promovido a sub-gerente de vendas. Falou-lhe de seu plano de passar as férias, no mês seguinte, nos Estados Unidos, em visita à Flórida, ao Texas e à Califórnia. O seu entusiasmo, contagioso. Arrancou sorrisos de Tucídides, e de Marta, que, no início da conversa, conservara-se acanhada e acuada, mas, assim que afugentara de si os pensamentos negativos que a incomodavam, abriu-se, espontânea. Dálton, enfim, despediu-se de Marta e Tucídides, e seguiu rumo contrário ao que eles seguiram. Após andar uns dez metros, Marta olhou por sobre o ombro, e viu, já distante de si uns trinta metros, Dálton, a passos apressados e firmes, galgando as escadarias de acesso à prefeitura municipal, e sorriu.

Dias depois, Marta chegou, apressada, à sua casa, às dezenove e vinte. Açodada, ia enfiar a chave na fechadura, para entrar na casa, pegar dos livros e do caderno, e, de carro, rumar para a faculdade, quando ouviu seu nome. Era Dálton que a chamava. Ela sorriu. Saudou-o. Ele lhe falou do soneto que lhe escrevera: perfeitamente metrificado, como aprendeu a compor ao ler os de Camões. Marta sorriu, encantada.

– Quer ouvir-me recitá-lo? – perguntou-lhe Dálton. Marta sorriu, acanhada, ruborizada. Assentiu. Dálton, o rosto a reluzir alegria indizível, enfiou a mão direita sob a fímbria da camisa, e retirou um revólver de sob o cós da calça. Marta arregalou os olhos e escancarou a boca; e Dálton, inexpressivo, apontou-lhe o cano do revólver para o peito esquerdo, e apertou o gatilho. Marta caiu, sob soluços agonizantes, nos braços de Dálton, que apontou o cano do revólver para si mesmo, colou seus lábios aos de Marta, e declamou, para dentro dela, o soneto dedicado ao amor eterno, e apertou o gatilho.

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