Em um futuro não muito distante – parte 3 de 8

O que mais incomodava Mário não era a suposta existência de um clone seu (ou de um homem do qual Mário foi clonado), mas qual teria de ser a sua conduta ao abordar tal assunto com seus pais. Não poderia desrespeitá-los. Teria de tratar com eles a questão, discreta e cautelosamente. Eles eram dotados de inteligência penetrante e o conheciam bem; desconfiariam das suas intenções, se o assunto não fosse devidamente apresentado, caso eles reservassem algum segredo. Sabia Mário que teria de esperar pela ocasião apropriada para falar com eles a respeito; poderia tocar no assunto, durante uma conversa descontraída, assim que alguém se referisse à clonagem humana, tema que não lhes era estranho; teria de fazê-lo de modo espontâneo e natural, ocultando-lhes as suas intenções. Mas não desejava ter de fazer isso. Sabia que seu rosto transpareceria os seus sentimentos e lhes inspiraria perguntas. A profissão de Rodolfo e Valquíria favorecia Mário. Genética é um tema comum nas conversas deles, e eles, não raras vezes, à mesa, durante as refeições, falavam de processos de clonagem humana. As perguntas que lhes apresentava, inspiradas pela curiosidade que o tema lhe despertava, Mário sempre as fazia com naturalidade e espontaneidade. Mas, e agora? Ser-lhe-ia possível manifestar a naturalidade e a espontaneidade de sempre? Que tom de voz teria de empregar? A ansiedade, na hora de formular os seus comentários acompanhados de perguntas, se lhe transpareceria no rosto, atraiçoando-o? Como teria de encarar seus pais? Olhar-lhes-ia nos olhos? Suportaria os olhares deles? Os olhares deles o subjugariam? Um gesto seu indicar-lhes-ia um sentimento oculto? Ele lhes ocultaria os seus intentos? Saberia como fazê-lo? Teria coragem de tratar da questão abertamente? Perguntar-lhes se eles o clonaram, ou se clonaram outro homem, sendo Mário, portanto, um clone, seria como se os esbofeteasse. Preferia viver com a dúvida, vivesse o quanto vivesse, certo de que ela o atormentaria, do que magoar seus pais, que interpretariam a sua atitude como fruto de desconfiança e desamor, e fitá-lo-iam com desagrado, entristecidos, desiludidos. Mário enredava-se num emaranhado inextricável de questões, dúvidas, suposições.

Mário dirigia o carro, lentamente, por ruas movimentadas. A sua lentidão não se devia à atitude, paciente, ao dirigir o carro, naquele trânsito caótico, nem ao respeito às leis que limitavam a velocidade, mas às ruas coalhadas de veículos, o que lhe tornava impossível ir mais rápido do que ia. Estava concentrado na direção e no que acontecia à volta, conquanto o incomodassem pensamentos indesejáveis. O trânsito, caótico, exigia-lhe, quisesse ele ou não, toda a atenção; ainda assim, toda ela era escassa para protegê-lo daquele pandemônio. Os motoristas, parecia, brandiam o volante, em um campo de batalha, e lançavam o veículo uns contra os outros, para decidirem quem chegaria – vivo, se possível – ao destino.

Os transtornos eram enervantes, naquele trânsito movimentado e ruidoso, e intensificar-se-iam ainda mais ao ocorrer um engarrafamento de mais de duzentos quilômetros, engarrafamento que cruzava a cidade quase que de uma extremidade à outra. Atrás do carro em que ia Mário um motorista buzinava sem cessar. Mário cobriu com as mãos as orelhas para abafar os ruídos que lhe feriam os tímpanos. Bombardeou-o uma tempestade torrencial de buzinadas e berros. Exacerbaram-se os ânimos. As pessoas ameaçavam-se umas às outras, insultavam-se. Quanto mais buzinavam e berravam, mais espicaçavam os ânimos umas os das outras; e geravam mais protestos, mais buzinadas, mais insultos. Se ninguém desse um basta, a turbamulta degenerar-se-ia em lutas corporais. Alguns policiais, entre os veículos, pediam calma aos motoristas e aos passageiros, e robôs os informavam das causas do congestionamento e anunciavam-lhes as medidas tomadas para desafogar o trânsito e restituí-lo à normalidade.

Provocara o engarrafamento um acidente envolvendo dois caminhões (um dos quais carregava líquido inflamável) – informaram os policiais humanos e os robôs envolvidos na tarefa, indispensável, e urgente, de esclarecer a população. A colisão entre os dois veículos fôra indescritível. O motorista do caminhão com líquido inflamável cochilara ao volante, e o caminhão colidira com a lateral de outro caminhão. E ambos os caminhões tombaram. O motorista do caminhão carregado de líquido inflamável morrera esmagado entre as ferragens. E o líquido inflamável, fluindo por várias frestas abertas na blindagem do tanque, esparramara-se pelo asfalto. A força pública de emergência agira imediatamente, e controlara, em pouco tempo, a situação. Evacuara, de imediato, todos os prédios das proximidades, devido ao risco iminente de uma explosão, que não demoraria a ocorrer. As pessoas e os robôs envolvidos no plano de emergência agiram a tempo de evitar o alastramento das chamas; e nenhum prédio fôra seriamente avariado. Estilhaçaram-se algumas janelas.

Removidos os caminhões envolvidos no acidente, o líquido inflamável e os destroços, conduzido ao hospital o motorista sobrevivente e à sala de autópsias o motorista falecido, o trânsito fluiu normalmente.

Mário, contrariado, permanecera parado durante mais de meia hora. Não podia ir nem para a frente, nem para trás. Desfeito o congestionamento, o trânsito fluindo lentamente, conseguiu, depois de alguns contratempos, retirar-se do lugar. Pouco tempo depois, presenciou um roubo e a prisão do ladrão. Menos de vinte minutos depois, chegou à Academia. Naquele dia teria de desdobrar-se para concluir as suas inúmeras tarefas.

Para ninguém falou das suas experiências da véspera. Apresentou uma desculpa verossímil, que justificava a sua ausência no dia anterior: ficara na sua casa redigindo um texto com observações acerca dos experimentos realizados nos dias anteriores. Era-lhe inadmissível perdê-las. Como todos os colegas de trabalho reputavam-no um homem íntegro (e ele o era, de fato), nenhum deles iria averiguar a veracidade das afirmações que ele deu. A sua história estaria assegurada, desde que não tocassem no assunto, nos próximos dias, diante de Daniele, ou à ela dirigissem algum comentário a respeito – e nem a Rodolfo, e nem à Valquíria.

Sempre que desviava os seus pensamentos das pesquisas e dos estudos, mergulhava na angustiante hipótese de haver um clone seu andando pelas ruas. Um? Ou mais de um? Ou daquele homem contra o qual Mário esbarrara no dia anterior, Mário e outros homens – que talvez existissem – foram clonados? Tais interrogações repetiam-se, incessantemente, no cérebro, já abalado, de Mário, martelando-lho.

À noite, exausto, foi para a sua casa, pensando, durante todo o trajeto, na possibilidade de ou ter sido clonado, ou ser ele um clone de outro homem. Nenhuma das duas hipóteses agradava-o.

Na sua casa, na companhia de Daniele, Marcos Antonio e Aloísio, viveu momentos divertidos. Ajudou Marcos Antonio e Aloísio nas tarefas escolares, esclarecendo-lhes questões que eles não haviam compreendido.

Daniele disse para Mário que o pai dele enviara-lhe o convite para o congresso.

À noite, Daniele não falou para Mário a respeito das observações que fizera do comportamento dele, estranho aos olhos dela. Esperou que ele lhe dissesse o que o incomodava, caso o desejasse, e se algo realmente o incomodava.

Marcos Antonio e Aloísio dormiram no sofá da sala. Marcos Antonio ressonava. O sono de Aloísio era silencioso. Mário carregou Marcos Antonio ao quarto, e Daniele, Aloísio, e os ajeitaram cada um deles em uma cama, e os cobriram com um fino lençol.

Os filhos dormindo, Mário e Daniele foram à biblioteca, que servia, também, de sala de conferências, onde conversaram entre um copo de suco e outro e um biscoito e outro. Daniele deu-lhe uma notícia: sua mãe, Samantha, comunicara-lhe, pelo telefone, que Pâmela fugira de casa, na noite anterior, quando dormiam ela, Samantha, e Alceu, pai de Daniele. Daniele narrou a história que sua mãe lhe narrara, resumindo-a, e suprimindo pormenores que não contribuíam para o seu entendimento. Mário não ouviu todas as palavras; escaparam-lhe alguns trechos da narração porque os seus pensamentos desviavam-se para outras questões, nelas concentrando-se. Daniele notou-lhe os momentos de devaneio; agindo como se nada percebesse, não interrompeu a narrativa. Mário teceu alguns comentários, fez-lhe algumas perguntas, manifestando, aparentemente, interesse pelo episódio.

Transcorreram-se os dias. Daniele amargurava-se com o progressivo afastamento de Mário. Antes, tinham eles o hábito de, à noite, manter prolongadas conversas durante as quais tratavam de política, religião, notícias transmitidas por agências de informações, conflitos étnicos; agora, as conversas resumiam-se a rápidas trocas de notícias desimportantes e trivialidades envolvendo pessoas conhecidas. Mário, notava Daniele, reduzia, no transcurso dos dias, a sua participação nas conversas, até reduzi-la a comentários ligeiros, desinteressados. Decorridos outros dias, as relações entre eles resumiram-se às saudações frias e secas; e ele a beijava, no rosto, sem o calor e a ardente paixão costumeira. Daniele entristecia-se. Mário, parecia-lhe, havia perdido o afeto e o carinho que por ela nutria. Não a abraçava como o fazia de hábito, não a acariciava, e dela não recebia as carícias com o mesmo prazer de antes. No princípio, notou Daniele, apenas dela ele afastava-se; com o tempo, ela percebeu, ele se distanciava de Marcos Antonio e de Aloísio, com os quais anteriormente, abandonando-se em diversões animadas, viravam a casa de pernas para o ar e punham Daniele de cabelos em pé. Esses dias felizes tornaram-se recordações de um tempo que nunca mais voltaria, pensava Daniele, entristecida. Mário à esposa e aos filhos tornou-se insuportável. Negava abraços aos filhos, que, confusos, fitavam-lo, e entreolhavam-se, e olhos marejados, amargurados, suplicantes, buscavam Daniele, no desejo de ouvir, dela, explicações a respeito da conduta do pai. Daniele doía-se com a frieza de Mário para com ela e os filhos. Chorava, escondida, os olhos avermelhados, fundos. Mário não lhe notava o semblante entristecido, amargurado, angustiado. Ou o notava, mas não desejava envolver-se, nem com a esposa, nem com os filhos. Ele se confinou em suas cismas. Daniele prostrou-se, desanimada. O seu trabalho reduzia-se em qualidade. Suportou Daniele a indiferença de Mário durante dois anos, durante os quais perdeu um pouco do viço e da beleza; não cuidava mais da aparência; vestia-se com desleixo; não sorria; não ia às festas; perdeu o gosto por afazeres e atividades que lhe eram prazerosas. Marcos Antonio progredia na escola; Aloísio, não – não era dotado de inteligência equivalente à de seu irmão, e enfrentava muitas dificuldades no aprendizado. Mário não partilhava com Daniele as preocupações cotidianas; não se interessava pelos estudos dos filhos; vivia consigo e para si, e recusava contato de outras pessoas; insulou-se na sua casa, ilhou-se na Academia.

Havia muitos dias, Mário não se dignava a dirigir a palavra à esposa e aos filhos. Quando Marcos Antonio e Aloísio corriam na sua direção, assim que ele regressava da Academia, para lhe saltarem ao pescoço, e abraçá-lo, ele não se reclinava para recebê-los nos braços; permanecia ereto, sisudo, e dizia, ríspido, que não tinha tempo para abraços, e dirigia-se à biblioteca, onde se trancava, sem dignar-se a olhar para a sua esposa e para seus filhos.

II

Nos dois anos que se seguiram àquele dia singular, Mário vislumbrou, em quatro ocasiões, no meio da multidão, quando andava pelas calçadas, o homem idêntico a ele. Duas vezes, na mesma cidade, próximo do local em que o vira pela primeira vez; uma vez, na cidade de B… na mesma megalópole, e uma vez, na cidade de D…, na megalópole de K…, a primeira megalópole ao norte da megalópole de A… Todas as questões que Mário se fazia ele as refez, e, a cada vez que as refazia o fazia com mais obsessão. As suas meditações mergulhavam-no em fossas abismais. À visão de “ele” (o suposto clone de Mário, ou o original de quem Mário fôra, talvez, clonado) exacerbava-se os sentidos de Mário, que se afundava nas cismas que o atormentavam, obcecado por respostas às interrogações que se fazia e para as quais não tinha resposta. Agia como um espectro, exibia aspecto fantasmagórico, parecia um autômato. Desumanizou-se. Corria, esquecendo das suas obrigações e do seu trabalho, ao divisar o homem idêntico a si, em perseguição a ele  e ele sempre fugia-lhe. Para Mário, a vida era um pesadelo. Para ele, um ente superior dele zombava. Mário sentia-se um boneco nas mãos de um espírito superior, que detinha o poder de controlar-lhe a vida, dirigi-la como o desejava, sem que ele, Mário, o soubesse. Mário conversava consigo mesmo, em voz alta, atraindo a atenção das pessoas pelas quais passava; resmungava pelas ruas; perdia o controle das suas ações; andava, sem rumo, pela cidade, em busca de “ele”, seu clone. Ou Mário era o clone de “ele”? Tal suspeita atormentava-o, e ele a moía e a remoía, e descabelava-se de tanto pensar a respeito. Era Mário um andarilho desocupado, que andava sem rumo, a zanzar como um vadio. Reduziu o tempo que permanecia na Academia. Dissipou tempo precioso à procura de um espectro, de um fantasma; e enterrava-se, cada vez mais, em suas cismas. Melindrava-se com facilidade, e após nove anos de vida comum com Daniele, pela primeira vez tratou-a com rispidez, frieza, e também aos filhos, berrando-lhes censuras, ameaçador, por razões absurdas. Da rispidez no trato com Daniele, passou à implicância; criticava-a por tudo o que ela fazia e desprezava o que ela apreciava e prezava. Se ela passava batom nos lábios, ele a reprovava, e, com brutalidade, removia-lho dos lábios, e declarava que a vaidade era uma peçonha que penetrava no espírito de mulheres volúveis. Se Daniele usava uma saia com as fímbrias um pouco acima dos joelhos, ou uma camisa discretamente decotada, ele, enfurecido, ordenava-lhe substituísse as roupas “indecentes, de rameiras” por roupas de “mulher decente, mãe e esposa respeitáveis”. E Mário vituperava. E berrava indecências. E clamava que o demônio havia lhe invadido a casa e se apoderado do espírito de Daniele, o que explicava, para Mário, o “comportamento desregrado” dela. Certo dia, Mário, ao ver Daniele trajada com um vestido florido, em fundo azul, cuja orla inferior descia até um pouco acima dos joelhos e cuja parte superior era decotada, mirando-se ao espelho, inspecionando o vestido, à procura de alguma dobra indesejada, de algum vinco, berrou, chamando-a de nomes que um marido jamais diz para a esposa, dela aproximou-se, rilhando os dentes, rosnando, alvejando-a com olhares penetrantes, segurou-a pelos ombros, apertando-lhos e sacudiu-a, e insultou-a, e perguntou-lhe aonde ela iria com aquele vestido indecente, e empurrou-a sobre a cama, e rasgou-lhe o vestido, arrebatando-lho com brutalidade. O vestido ficou em tiras nas garras de Mário, que vociferava e, com os dentes, rasgava, fora de si, as tiras, reduzindo-as a fiapos. Mário deixou Daniele com as peças íntimas, unicamente. Daniele tremia, as mãos ao peito, assustada, os olhos arregalados. E Mário, num acesso de loucura, a blasfemar, amaldiçoou-a, abriu o guarda-roupas, e retalhou todas as roupas dela que ele considerava indecentes. Camisas, saias, vestidos, maiôs, biquínis e peças íntimas, sedutoramente provocantes, na opinião de Mário, confeccionadas para perturbar os sentidos dos homens, para a perdição e a queda de Mário, que, desvairado, declarou que evitaria que isso ocorresse. Daniele conservou-se, na cama, sentada, acompanhando, os olhos arregalados, a ação desvairada do seu marido, perguntando-se se ele não havia perdido o juízo. Mário, atassalhado pela angústia, perdido o amor pela vida, o apreço pelas diversões e pelos prazeres que a vida oferece, não tolerava a alegria e os prazeres alheios. Desgostoso da vida, repugnavam-no os prazeres, que para ele se converteram em depravações. Tudo lhe era proibido; nada lhe era negado; ele se negava a deliciar-se com os prazeres da vida. Corroia-o a infelicidade; e ele não admitia a felicidade alheia, que o agredia, ferindo-o. Para ele, a exibição, por Daniele, de cordialidade, afeto, carinho e amor, era atitude de mulher vulgar e desprezível. Quando ela, discreta, manifestava desejo amoroso, Mário a repudiava, e tinha ela de ouvir recriminações de um moralista insano, que concebia quimeras acerca da conduta alheia, dotado de percepção distorcida da realidade. A partir de então, Daniele vestiu-se apenas com roupas comuns, que a cobriam das pontas dos dedos dos pés até o pescoço, num colarinho apertado; e as mangas das camisas terminavam nos pulsos. Tinha de se trajar assim inclusive nos dias tórridos de verão. Daniele perdeu o amor, não totalmente, pelos pequenos prazeres da vida. Não sucumbiu, apesar das suas amarguras, embora testemunhasse a gradual e ininterrupta decadência moral do seu marido, aos tormentos que a afligiam. Não permitiu que Mário, na sua insanidade (que Daniele desejava fosse passageira), a espoliasse do amor que ela nutria pelos filhos e por ele, Mário. Se não fosse uma mulher de fibra, confinar-se-ia na sua casa, distanciar-se-ia de todos e desprezaria as pequenas coisas da vida.

Daniele suportou o flagelo o quanto pôde, e nunca se curvou, submissa e resignada, à indiferença e ao desprezo que Mário lhe dedicava. A sua família dependia dela, naqueles dias tristes, para não se desfazer.

Os pratos saborosos que ela preparava Mário os reputava supérfluos, para o gosto de sensualistas, de hedonistas, e não para o paladar de gente sensata, decente e honesta.

Mário fez a sua esposa chorar quase que diariamente. Ela, altiva, diante dele, controlava-se; uma vez ou outra, os lábios trêmulos, quase a chorar, dizia-lhe qualquer coisa; certa vez, chorou diante dele, e dele ouviu palavras e risos de desprezo e indiferença.

Daniele vivia com os nervos à flor da pele. Não sabia mais em que pensar, e dissipava-se o seu amor pelo marido. Resguardou-se, porém. Não queria sucumbir àqueles que a cobiçavam, e a requestavam, que não eram poucos; carente de carinho e afeto, debilitado o seu ânimo, poderia vir a envolver-se em uma relação ilícita, que atassalhar-lhe-ia a alma. Daniele amava Mário. Aturou-o. Suportou-lhe as manias estapafúrdias, as grosserias, a indiferença, a rispidez no trato.

Certo dia, ao chegar na sua casa, após as vinte e uma horas, Mário nela entrou, calado, emburrado; não saudou sua esposa, e nem seus filhos. Estes, vendo-o transpor a porta, fitaram-no, desejando correr-lhe ao encontro, pular-lhe ao pescoço, enlaçá-lo com abraço afetuoso; não se moveram, no entanto. Mário virou-se para eles, e eles abriram sorriso de contentamento e prepararam-se para irem-se-lhe ao encontro, e fez-lhes um gesto brusco e, num tom ríspido, ordenou-lhes que não se lhe aproximassem. Fitaram-lo os meninos, confusos, num misto de medo e respeito. Desejavam abraçar o pai; o tom de voz dele, no entanto, petrificou-os. Os olhos de ambos os meninos refletiam-lhes a confusão que lhes ia no espírito e deles revelava a energia produzida pelo atrito entre a vontade de atirarem-se aos braços do pai e a de conterem-se e não irem ao encontro dele. Daniele, no sofá, sentada, folheando uma revista, deteve-se, a revista ao colo, e, apreensiva, assistiu à cena. Mário, passos firmes, com um empurrão repentino, arremessou Marcos Antonio para longe de si. Marcos Antonio escorregou por mais de um metro, e quase veio a bater com a cabeça na parede. Mário, sem tomar consciência do seu ato, não se deteve. Marcos Antonio, no chão, caído, assustado, chorou. Daniele correu a consolá-lo, estupefata; reclinou-se diante dele, e pegou-o ao colo, ele a chorar ruidosa e convulsivamente. Aloísio, confuso, vendo-o chorar, chorou também. Daniele embalou Marcos Antonio e, com voz musical, como se declamasse um acalanto, procurou sossegá-lo. Ele e Aloísio não ouviram as razões que ela lhes apresentou. Daniele sentou-se no sofá, enlaçando o primogênito, que, chorando e soluçando convulsivamente, trazia a cabeça enterrada no colo dela. E atraiu Aloísio, que chorava, para si, e ele se lhe sentou sobre a perna esquerda, o queixo encostado ao peito, encolhido. Terna, acolhedora, abraçada aos seus filhos, um fino filete de lágrimas a fluir-lhe de cada olho e a deslizar-lhe pelo rosto martirizado, balbuciava, lábios trêmulos, uma oração.

Marcos Antonio e Aloísio choraram durante um bom tempo. A voz de Daniele, de timbre suave, modulação adocicada, fê-los adormecerem ao colo dela. A fisionomia deles irradiava, na dor profunda da desilusão, uma pureza casta. Daniele aninhou-os, no sofá, e, rilhando os dentes, dirigiu-se, passos firmes, resoluta, à biblioteca, para onde Mário se dirigira. Exigir-lhe-ia explicações para a conduta atípica dele, estúpida e bruta. Reconstituía, em pensamento, a cena: Mário entrando na sala, e Marcos Antonio e Aloísio em pé, na esperança de receberem ternos e calorosos abraços e beijos paternais, mas receando do pai receberem, como se dava diariamente, sempre que ele regressava da Academia, olhares frios e palavras ríspidas; e o empurrão injustificado. Com o empurrão, Mário lançou longe Marcos Antonio. Se hoje Mário empurrou Marcos Antonio, o que ele faria, nos dias seguintes? – perguntou-se Daniele. E depois? Mário surraria Marcos Antonio? Quando Mário se libertaria da loucura que dele se havia apossado? Para Daniele, o empurrão que Mário deu em Marcos Antonio era o prenúncio de uma tragédia.

Daniele encontrou Mário sentado, ligeiramente inclinado, a pender para a esquerda, numa cadeira em cujo braço esquerdo tinha ele enterrado o cotovelo esquerdo. Trazia imóvel a cabeça, vazio o olhar, espectral a fisionomia, a aparência de um morto-vivo que emergira das profundezas do mundo dos mortos para atormentar a todos no mundo dos vivos. Palidez fantasmagórica cobria-lhe o semblante. Era insuportável para Daniele a visão do rosto do seu marido. Daniele deteve-se, e pensou em recuar. Decidida a conversar com Mário, puxou uma cadeira para si, dele aproximou-a, e a pôs na frente dele; nela sentou-se, inclinou-se para a frente. E fitou Mário, cujos olhos viam apenas o vazio diante de si. Dirigiu-lhe a palavra; ditou-lhe algumas censuras. Mário, abstraído da realidade, não ouvia o que ela lhe dizia. Se a ouvia, disso ele não deu provas. Daniele sentia as emoções a se lhe exacerbarem. Irritava-se. Começava a perder o domínio de si, domínio que já lhe era precário. Pôs-se a expressar-se em tom de voz elevado. Acelerou o ritmo das frases. Engasgou-se; gaguejou. Comeu sílabas. A voz saiu-lhe embargada. Tremiam-lhe os lábios. Os olhos arregalados, mirava o seu marido, então alheado do que se dava diante de si. Entrelaçou os dedos das mãos ao peito, súplice, pedindo a Mário explicações, esperançosa de ouvir-lhe a voz. Ouviu, no entanto, apenas silêncio fúnebre. Mário nenhum movimento esboçou. Olhava o vazio. De repente, levantou-se. Daniele dirigiu-lhe a palavra; ao receber o silêncio como resposta, acertou-lhe, com a mão direita, no rosto esquerdo, um tapa. E foi a reação de Mário, imediata, precedida de um olhar furioso: avançou sobre Daniele, os braços estendidos, as mãos abertas, para agarrá-la, pelo pescoço, e cravar-lhe, na jugular, as unhas. Agarrou-a, e ela se lhe desprendeu – não escapou ilesa, entretanto: um corte pequeno ficou-lhe no pescoço. Pareceu a Daniele que uma agulha lhe penetrara na carne. Mário, frustrado, avançou, em sua fúria animalesca e doentia, na direção de sua esposa, que recuava lentamente. Ela sentiu as mãos dele agarrando-lhe o vestido. Mário, segurando-a pelo vestido, e esticando-o, puxou-a. Daniele emudeceu. Queria gritar, mas suas cordas vocais desobedeceram-na; as palavras ficaram presas em sua garganta, um obstáculo irremovível a atravancar-lhes a passagem. Mário puxou-lhe o vestido, que se esgarçou. O vestido retalhado, ele o abandonou no assoalho. Nua da cintura para cima, Daniele nunca havia se sentido tão desprotegida, tão impotente. Resfolegava, o coração convulsivo. Bateu com o ombro direito contra uma das prateleiras, e tropeçou num banquinho, vindo a cair, de barriga para baixo, no chão, o joelho esquerdo batendo no assoalho. Mário saltou-lhe em cima, e segurou-a, com as duas mãos, pelo pé esquerdo. Ela escoiceava, as mãos no chão; com o pé direito livre, acertava pontapés em Mário, que sentia os golpes, ora nos braços, ora nas pernas, ora no ventre; uma vez, ao agachar-se para segurá-la pela cintura, ela atingiu-o, com o pé, o nariz, e ele soltou-a e ao nariz levou as mãos. Daniele correu, retirou-se da biblioteca, foi pelo corredor, passou pela sala, onde seus filhos dormiam profundamente, e rumou ao quarto, Mário no seu encalço. Subia as escadas, quando ele se lhe aproximou e, alcançando-a, no patamar superior, enlaçou-a pela cintura, e ergueu-a do chão. Em seu desespero, ela não conseguiu gritar. Debateu-se. Mário estreitou-a, e ela, agitada, moveu, involuntariamente, a cabeça para trás, no momento em que ele abaixava a cabeça, atingindo-lhe o nariz, e livrou-se dele. Mário urrou de dor, e levou as mãos ao nariz; ao afastá-las, fitou-as, e viu-as ensangüentadas; desvairado, avançou contra Daniele, que escorregou, e caiu deitada de barriga para baixo. Avançou sobre ela, e ela, virando-se, deitada de costas no chão, acertou-lhe, com o pé direito, a coxa. Mário contraiu de dor os músculos do rosto. Daniele levantou-se, e foi para o quarto, correndo, arfando; ao passar pelo enquadramento da porta, segurou a borda da porta, e puxou-a para fechá-la atrás de si, mas não o conseguiu, pois Mário colocara-se, uma fração de segundo antes, entre a porta e o batente. Mário comprimiu os músculos do rosto, que se deformou no esforço de abrir a porta. Daniele, por sua vez, parecia esmorecer. Mário, enfim, abriu a porta ao empurrá-la, bruscamente, arremessando, para trás, Daniele, que caiu no chão atapetado. Resfolegando, desesperada, os cabelos despenteados, ela se levantou, deu vários passos para trás, e encostou-se à parede, a tremer da cabeça aos pés. Mário saltou-lhe, ameaçadoramente, em cima, os dentes a rilharem, os olhos a exprimirem a sua animalidade. Com seu corpo, envolveu Daniele, estreitando-a com um forte abraço. Ela puxou-o pelos cabelos, e ele contraiu os músculos do rosto. Debateu-se, violentamente, para livrar-se dos braços que havia muitos dias não a estreitava em amplexos amorosos, com os quais ela tanto sonhava. O abraço com que Mário envolveu-a prenunciava agressões mais violentas. Daniele reconhecia, desgostosa, desconsolada, que o seu marido havia perdido a sua humanidade, daí ele agredi-la, caluniá-la, humilhá-la, atormentá-la, e também aos filhos. Necrozava-se a carne de Daniele ao contato do seu corpo com o de Mário. Daniele sentia-se desfalecer como se Mário exalasse um hálito entorpecedor, o qual ela inalou, e lhe inoculado peçonha mortífera. Entontecida, sentia os dedos dele apertando-lhe o pescoço. Caiu sobre a cama. Mário, que ofegava e gania como um cão sedento, pôs-se em cima de Daniele, então com a consciência dissipando-se e aflorando-lhe à mente pensamentos sombrios.

Daniele não soube como e de onde tirou força para reagir à agressão. Mário, ensandecido, acreditava que a havia subjugado. Ela conseguiu, empurrando-o com os pés, desvencilhar-se dele, e, livre, levar as mãos ao pescoço; tossia, engasgada, cerradas as pálpebras. No seu pescoço viam-se, impressas, as marcas dos dedos de Mário. Este, ao lado da cama, cambaleando, o rosto inflamado de cólera, levantou-se, voltou-se para Daniele, caiu, e bateu a nuca no chão atapetado, que amorteceu o choque, e levantou-se, desajeitadamente.

Daniele descerrou as pálpebras. Aos seus olhos exibiu-se a figura do marido, decomposta, então de cabelos desgrenhados e rosto coberto de arranhões, cabelos e arranhões que lhe emprestavam aparência sinistra, sangue a escorrer-lhe das narinas, e rasgada a camisa no ombro e no peito. Deitada de costas, na cama, Mário à sua frente, Daniele encolheu as pernas, aproximou os joelhos do peito, e, no instante em que ele lhe pulara em cima, encaixou-lhe os pés no ventre, e, com um esforço tremendo, esticou as pernas, empurrando-o. Mário caiu. Daniele precipitou-se para o corredor. Recuperado, Mário correu-lhe no encalço. Ela foi à biblioteca, onde ele a agarrou, e ela puxou-o pelos cabelos, arranhou-lhe o peito, e, livre do abraço mortífero, empurrou-o, e ele, escorregando, caiu sobre uma pequena prateleira repleta de livros, da qual duas tábuas horizontais soltaram-se; e os livros caíram-lhe em cima. Ele se debateu, para retirar-se de sob os livros, resmungou e praguejou; e perdeu a consciência. Viam-se apenas suas mãos, seus pés e sua cabeça descobertas; de sua testa, próximo à sobrancelha direita, fluía, de um profundo corte aberto por uma tábua da prateleira, sangue, que lhe escorria à cavidade do olho direito.

Esbaforida, tremendo dos pés à cabeça, respirando fundo, Daniele apoiou-se nos cotovelos fincados no estofado. Sentou-se em uma cadeira, abraçou-se, e fitou Mário, então sob os livros. Confusa, sentia-se aliviada. Sua mente, um turbilhão de pensamentos desconexos. Cerrou as pálpebras, empinou o corpo, inflou o peito, encheu os pulmões de ar, e expirou longamente, expulsando de si os maus pensamentos, recuperando uma parcela minúscula das forças desbaratadas durante a contenda com seu marido. Conseguiu, enfim, controlar a respiração. Restabelecida, descerrou as pálpebras, e fitou Mário. E perguntou-se se não se havia saído de um pesadelo. Aquele homem à sua frente, o seu marido, pai de seus filhos, não era o homem que, há meses, humilhava-a, desprezava-a, destratava-a. Não queria acreditar que ele, o seu marido, quisera agredi-la. Ele era uma pessoa gentil, afetuosa, carinhosa. Que mal havia dele se apoderado? Sentada na cadeira, não reparou Daniele no seu próprio estado, absorvida no estudo da figura de Mário. Daniele queria se aproximar dele. Entrechocavam-se, em sua mente o medo, a desconfiança e o amor que nutria por ele, a vontade de restabelecer com ele a convivência harmoniosa de antes do dia, dois anos antes, em que o havia notado diferente, como se do espírito dele apossasse o espírito de outra pessoa. Daniele amava-o. Sabia que ele só se recuperaria se ela o ajudasse. Não poderia abandoná-lo. Ele era o seu marido, o pai de seus filhos. Ela, a esposa dele, mãe dos filhos dele. Ele sempre a tratara como a uma rainha. O homem com quem Daniele conviveu nos dois anos anteriores até aquela data não era o seu marido. O homem que ela conhecia antes daquele dia fatídico, dois anos antes, sim, era Mário, o seu marido, pai de Marcos Antonio e de Aloísio, o único homem que ela amou. O homem que estava, desacordado, diante dela, sob uma montanha de livros, era-lhe desconhecido, era uma caricatura bizarra do seu marido que lhe havia invadido a vida, corroendo-a, desviscerando-a, retalhando-a, destruindo-a, fazendo de Daniele uma mulher desditosa e dos filhos bonecos inanimados. Mário, pensou Daniele, esperançosa, renasceria daquela carcaça desacordada.

Daniele alisou o rosto. Calma, reapossou-se, plenamente, de si. Ao mirar-se, viu, em seu corpo, cortes rasos no ventre, nos braços, nos antebraços, nos ombros, nas costas, nas nádegas, nas coxas e nos peitos. Inspecionou-se, cuidadosa, e minuciosamente, ao espelho. Pontilhavam-na pequenos cortes e marcas de pressão de dedos circundadas por vermelhidão. Seus cabelos estavam despenteados; o rosto, ossudo, cadavérico; os olhos, opacos; a pele, marcada, recortada, repleta de vincos; o lábio inferior, sangrando um pouco, no lado direito, próximo à comissura; as pestanas, sem brilho; as sobrancelhas, deslocadas. Sentia dores em várias partes do corpo, cujo aspecto enfeado desagradou-a. Era uma mulher reduzida a um trapo.

Voltou a sua atenção para Mário. O que faria? Deixá-lo-ia lá? Achegou-se a ele. Ajoelhou-se. Acocorada, estudou-lhe a respiração, atentamente. Tirou de cima dele os livros, e com extrema dificuldade o pôs sentado. Aquele corpo inanimado parecia-lhe pesar uma tonelada. Daniele respirava com dificuldade. Incomodavam-na as dores. Decidiu arrastar Mário até o sofá. Inclinada para a frente, em pé, atrás de Mário, passou-lhe o braço esquerdo pela axila esquerda e o braço direito pela axila direita, e entrelaçou-lhe os dedos das mãos ao peito, e puxou-o; e deteve-se após deslocá-lo vinte centímetros, para tomar fôlego.

Distavam cinquenta centímetros do sofá. Daniele afrouxou as mãos, descruzou os dedos, acocorou-se, e, num torpor profundo, entibiada, sentada sobre os calcanhares, encostou seu queixo à cabeça de Mário, que lhe despencava ao busto, e chorou copiosamente. Inundaram-lhe os olhos as lágrimas, que escorreram, e contornaram-lhe o nariz e os lábios. Ao recompor-se, enlaçou Mário, como anteriormente, e puxou-o, arrastando-o, até o sofá. Sentou-se, e afrouxou o abraço. Respirou fundo, tomou fôlego, empinou o corpo, puxou Mário, e o pôs encostado ao sofá, e deslocou-se para o lado.

Conseguiu, o corpo a latejar, pôr o seu marido inanimado sobre o sofá, e sentou-se, no assoalho, a cabeça pendendo para trás. Expirava e aspirava com força, soltando, ruidosamente, o ar dos pulmões. Seus braços penderam, abertas as mãos, as palmas para cima. Estendeu as pernas. Cerrou as pálpebras. Tomou fôlego. Apoiou-se no assoalho e no sofá, para se levantar. De pé, sentiu vertigens. Amparou-se no sofá, em cuja beirada sentou-se, e levou as mãos à cabeça. Pouco tempo depois, levantou-se, e andou, com dificuldade, até o quarto. Tirou do guarda-roupa um lençol e um travesseiro, regressou à biblioteca, e aninhou Mário, ajeitando-lhe a cabeça sobre o travesseiro, cobriu-o com o lençol, e retirou-se. De regresso ao quarto, sentou-se na cama, exausta. Poucos minutos depois, tirou do guarda-roupa uma camisola, e de gavetas do criado-mudo medicamentos para os machucados, e deixou-os sobre a cama. E foi ao banheiro. Nua, examinou-se. Abriu o chuveiro. Os primeiros pingos atingiram-lhe os arranhões e os machucados. A dor fê-la desistir de banhar-se. Fechou o chuveiro, e enxugou-se. Regressou ao quarto, e mirou-se ao espelho. Era-lhe aterradora a visão de seu corpo. E nos ferimentos passou medicamentos, lenta e cuidadosamente.

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