Entrevista com o senhor Zero à Esquerda, candidato a prefeito – parte 1 de 5 – publicada no Zeca Quinha Nius

 O Zeca Quinha Nius, o maior e melhor hebdomadário digital do orbe terrestre e de todos os outros orbes, tem o prazer de, hoje, especialmente hoje, publicar a entrevista que o senhor Zero à Esquerda, candidato a prefeito pelo P.O.D.R.E. (Partido Organizado da Democracia Revolucionária Estudantil), concedeu-nos, recentemente, em algum dia do passado. Publicaremos a entrevista, na íntegra, neste nosso hebdomadário digital, o maior e melhor do orbe terrestre, em não sabemos quantas partes, pois ainda não transcrevemo-la por inteiro, mas sabemos que o seu todo, independentemente da extensão que venha a adquirir, e de quantas partes o completem, será, a depender da transcrição dos trechos que ainda está por se fazer, menor, maior ou igual à soma das suas partes. Nas últimas palavras deste parágrafo (que é o primeiro deste artigo) de apresentação aos leitores deste renomado e respeitável hebdomadário digital, o maior e melhor do orbe terrestre, da entrevista, em sua versão transcrita, que nos concedeu o senhor Zero à Esquerda, candidato a prefeito de nossa querida cidade, parágrafo que, além de ser deste artigo o primeiro, é dele o único que lhe serve de abertura à entrevista nele anunciada, declaramos que o senhor Zero à Esquerda, candidato a prefeito, entregando-se de corpo e alma ao entrevistador, expôs, com clareza e objetividade e franqueza incomuns as suas propostas, que não são poucas, de governo, esclarecendo-nos, e de muito boa vontade, os seus pontos obscuros, e explicando-nos os seus pontos controversos, com a seriedade e a honestidade que o identificam. Encerramos, aqui, para não entediarmos os nossos leitores, que desejam ler a entrevista, em sua versão transcrita, que o senhor Zero à Esquerda concedeu ao Zeca Quinha Nius, o maior e melhor e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre, e não um extenso e entediante parágrafo de apresentação. À leitura, então, da entrevista.

ENTREVISTADOR: Senhor Zero à Esquerda, que fim levou o senhor a se candidatar a prefeito?

ZERO À ESQUERDA: Não cheguei ao fim da candidatura; estou no começo de uma história vitoriosa da minha vida.

ENTREVISTADOR: Reformulo a pergunta, senhor candidato: O que motivou o senhor a lançar a sua candidatura a prefeito?

ZERO À ESQUERDA: O meu amor pelos cidadãos desta cidade, que, infelizmente, foi mal, muito mal administrada, por todos os vermes que ousaram se sentar na cadeira do prefeito, cadeira que a mim está reservada desde tempos imemoriais. Estou predestinado a ocupá-la a partir do primeiro dia do ano que se sucede ao corrente ano até o fim dos meus dias. Sei, e quando digo que sei eu quero dizer que sei, mesmo, que não há ninguém melhor do que eu para, sentado na cadeira do prefeito, iluminar a inteligência dos cidadãos, para conduzi-los ao bem comum, que só eu conheço. Os cidadãos não têm conhecimento, e tampouco formação intelectual, para saber o que lhes é benéfico e o que lhe é maléfico; só eu tenho. Estão os cidadãos desorientados. E quem poderá orientá-los? Eu, o único ser neste mundo capaz de exercer à perfeição o papel de governante municipal. 

ENTREVISTADOR: O que faz o senhor, senhor candidato, pensar que os cidadãos estão desorientados e que precisam de um guia?

ZERO À ESQUERDA: A experiência me ensinou…

ENTREVISTADOR: A experiência de quem?

ZERO À ESQUERDA: Minha. A experiência me ensinou que apenas homens superiores conhecem as coisas do mundo e sabem o que é bom para todo mundo. E eu sou um dos raros homens superiores que, humildes, se dispõem, por amor à humanidade, a descer do suntuoso edifício que por direito divino ocupam ao chão dos homens comuns, que são tolos, estúpidos, imbecis e idiotas a ponto de não saberem o que lhes é bom e lhes faz bem, e se dignarem a lhe dedicar momentos preciosos de sua existência. Sacrificamos os homens superiores horas, dias, meses, anos, de nossa vida para administrarmos as coisas que os homens comuns produzem; fossem estes guarnecidos de bom-senso e inteligência aqueles seriam dispensáveis; e eu estou incluído no grupo daqueles, daí ser eu imprescindível ao governo desta cidade, à administração de seus recursos, que, nas mãos de outro homem, seriam mal empregados, e à condução do povo ao que é bom e correto. E os cidadãos, de tão estúpidos, não merecem a minha atenção; eu, todavia, bondoso, generoso, homem de espírito superior (um ser que, não sendo prepotente e presunçoso, revela pendores, que me são inatos, caridosos e generosos), disponho-me, sob as ordens de minha consciência benigna, a sacrificar, para atender àqueles que não merecem a minha atenção, os cidadãos desta cidade, muitos dias da minha vida.

ENTREVISTADOR: Fale-nos, senhor candidato, de algumas das suas propostas de governo.

Aqui encerramos a primeira parte da entrevista. Estamos, nós do hebdomadário digital Zeca Quinha Nius, o maior e melhor de todo o orbe terrestre, tão atarefados, que, além de nos dedicar à transcrição da entrevista que o senhor Zero à Esquerda, candidato a prefeito, concedeu-nos, temos de nos ocupar com a nossa maquiagem, o corte de nossos cabelos e unhas, a leitura do horóscopo (tarefa inescapável, pois todos os jornalistas do Zeca Quinha Nius, o maior e melhor hebdomadário digital do orbe terrestre, têm um, no mínimo um, signo), o nosso descanso, as nossas horas de lazer e as nossas refeições. Os leitores, que se contam na casa das centenas de bilhões, do nosso hebdomadário digital entendem, sabemos, os percalços com os quais nos deparamos neste ano de pandemia epidêmica, que provocou um pandemônio infernal e escatológico inédito e jamais sucedido, durante todos os anos que se seguiram ao Big Bang, no orbe terrestre. Certos da compreensão dos leitores, prepararemos a segunda parte da transcrição da entrevista que o senhor Zero à Esquerda concedeu-nos e em breve a publicaremos, aqui, mesmo, no Zeca Quinha Nius, o maior e melhor hebdomadário digital do orbe terrestre e de todos os outros orbes.

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