Poder Global e Religião Universal – de Juan Claudio Sanahuja – Ecclesiae – 1ª edição – Maio de 2.012

É esquiva a linguagem que os Senhores do Universo, que ambicionam o poder absoluto, usam com o fim de ocultar, dos povos de todo o mundo, seus verdadeiros objetivos, criminosos, assassinos, que eles escondem atrás do véu das, assim dizem, boas intenções, políticas humanitárias. Tais potentados jamais são explícitos em seus propósitos, pois, se o fossem, os revelariam ao mundo, e sofreriam a rejeição imediata, contrária, hostil daqueles que eles almejam submeter aos seus desejos recrimináveis; daí empregarem artifícios semânticos para de suas vítimas escondê-los, coonestando-os, e assim persuadindo-as a abandonarem suas crenças milenares, seus valores mais estimados, seu amor pela família, sua paixão pelo chão que pisa, do qual retira o alimento que as sustenta, cooptando-as a ingressarem, sem que o percebam, no exército que irá roubar-lhes tudo o que elas têm de mais precioso, destruí-las, matá-las.

Ao ouvirem o canto das sereias politicamente corretas de indivíduos que se proclamaram Senhores do Universo, muitas pessoas, ingênuas, sugestionáveis, pelo canto politicamente correto seduzidas, entregam-lhes a própria vida. E tal canto vem protocolado por organizações globais que gozam de autoridade moral, conquistada por meio de sórdida campanha midiática mundial, que delas vendem ao mundo, que o compra sem barganhar, uma imagem falsa, mentirosa. E povos de todo o mundo, crentes que terão o paraíso que tanto desejam, viverão no inferno que os Senhores do Universo lhes reserva.

Juan Claudio Sanahuja, neste pequeno livro de duzentas páginas, bosqueja a estrutura do poder global totalitário, numa apresentação recheada de informações, indispensáveis para, se não o total entendimento da ação em curso de uma política desumana, assassina, um vislumbre de compreensão dos meios sutis que os trilionários universais, que, se achando acima do comum dos mortais, pretendem concentrar em suas mãos o poder de vida e morte sobre todas as pessoas e reservar pra eles unicamente todos os bens da Terra, empregam com destreza exemplar, obtendo resultados que lhes são favoráveis, e um dos recursos que eles, desinibidos, empregam é o da corrupção semântica; higienizam o vocabulário, adornam-lo com um requinte falso, com uma sofisticação inexistente não para esclarecer um assunto, expor a essência de suas políticas, nefastas, assassinas, mas para subverter valores, confundir as pessoas, induzi-las a irem contra os próprios princípios ao adotarem a linguagem corrompida, deturpada, como se fosse a reprodução fiel das ações promovidas pelos Senhores do Universo – e as pessoas, viciadas por um vocabulário espúrio, por uma linguagem que perdeu o seu sentido real, verdadeiro, sem perceberem a ruptura aberta entre o significado das palavras e o das ações que elas supostamente designam, compram políticas assassinas certas de que estão, na inocência de seus corações, promovendo o bem.

O autor não economiza, considerando-se as pequenas dimensões do seu livro, informações acerca do vocabulário que organizações mundiais empregam, na promoção de suas políticas desumanas, para a concretização de um projeto de poder global, que visa a imposição de um discurso único, de raiz anti-cristã, com o objetivo de submeter as pessoas a um credo universal, a uma religião biônica, mistura exótica de inúmeras religiões milenares, retiradas, delas, a essência, e delas conservadas apenas aspectos insignificantes, e incontáveis práticas místicas esotéricas. Querem estabelecer os Senhores do Universo um mundo onde estão excluídos os valores transcendentes, o amor pela família, o apego à pátria, e destruídas as soberanias nacionais, e convertidos os Estados nacionais em títeres deles, representantes, não do povo sob sua guarda, mas dos homens, os donos do mundo, que de fato governam as instituições globais; os presidentes, os primeiro-ministros, os deputados, os senadores, os governadores, criaturas sem liberdade de ação, são, neste cenário, mantidas nos altos escalões da burocracia estatal nacional com um único objetivo: o de chancelar as políticas elaboradas pelos não-eleitos da organização global, centrada na ONU; os presidentes locais, neste cenário, já real, estão convertidos apenas em carimbadores de documentos redigidos, no exterior, por homens cujos nomes são desconhecidos de todos e cujas figuras ninguém imagina quais sejam; e os povos de todo o mundo, à revelia de todo processo político, acreditam, ingênuos, que os políticos que elegeram com o voto são seus representantes, legítimos defensores de seus valores, de seus princípios, de seus desejos.

As palavras sofrem tal mutação, que seus significados originais desaparecem, e elas adquirem significados espúrios que servem de instrumentos de sustentação, em nome do bem-estar dos povos, de uma política desumana, assassina; e assim altera-se o consenso social, para tornar as pessoas refratárias aos bens espirituais, aos valores e sentimentos que as beneficiam, e dóceis aos que as prejudicam; e estão criados novos consensos, fabricados, por engenheiros sociais, em laboratórios nos quais os ratos-de-laboratório são os seres humanos. Os engenheiros sociais falam de “autonomia reprodutiva”, “direitos sexuais”, saúde psíquica da mãe”, “saúde sexual”, “livre orientação sexual”, “paternidade responsável”, “saúde sexual e reprodutiva”, para vender, como ato meritório, um direito inalienável, o do assassinato de seres humanos que, ainda no interior do ventre de suas mães, indefesos, em seu estágio embrionário uns, outros já formados, não são, na ótica dos defensores de tal política, seres humanos; são, unicamente, coisas, pedaços do corpo das mulheres que os carregam dentro de si, fetos, um amontoado de células, e não seres que, dependentes de um corpo adulto feminino, são únicos, outros corpos, de outros seres humanos. E dá-se, numa linguagem profilática, cientificista, o nome de feto ao ser humano em formação, e o de aborto à prática assassina, que o rouba à vida antes de ele vir à luz – e tal política não atende ao bem comum, como salientam os seus defensores, os seus promotores, os seus financiadores, mas aos interesses de quem almeja o controle absoluto de todos os bens que a Terra pode ofertar. A política de controle populacional, de “desenvolvimento sustentável do planeta”, no jargão politicamente correto, é um artefato bélico de destruição em massa apontado contra o homem comum. E para os donos do mundo, e seus empregados bem-remunerados, a eutanásia é “morte digna”. E as religiões milenares, “religiões dogmáticas”, “fundamentalistas” – daí proporem, sabe-se lá no uso de quais mecanismos, um sincretismo religioso, que irá criar, com a mistura de práticas da New Age (Nova Era), a maçonaria, profecias de Zoroastro, o Alcorão, Confúcio, budismo, taoísmo, xintoísmo, Bhagavad-Gita, uma “ética cósmica”, e estará criada, neste mundo de paz entre as religiões, uma “sociedade tolerante” centrada na religião universal, e deste mundo estará excluída a transcendência das religiões milenares.

Outro dado interessante, que o livro de Juan Claudio Sanahuja apresenta aos seus leitores, diz respeito às políticas ambientalistas, que, em nome da salvação do planeta, promovem o assassínio, por meio de políticas de “controle de natalidade”, “saúde reprodutiva da mulher”, de pessoas ainda no ventre de suas mães, e o estímulo ao sexo desenfreado, descompromissado, irresponsável, e a ereção de novos tipos de família. A Carta da Terra, aponta o autor, ataca, frontalmente, a religião cristã; vende uma religiosidade sem transcendência, panteísta, uma “ética universal da vida sustentável” para o “desenvolvimento sustentável”, a “sustentabilidade”; é o ecologismo, cujos agentes, partindo de uma preocupação legítima, que alerta para a saturação dos recursos naturais, propõem uma reformulação das religiões, das leis, das culturas, num movimento forçado, destruindo os humanos no processo, para a formação de um sincretismo religioso de laboratório, de uma mentalidade relativista disruptiva, com a consequente aniquilação das religiões milenares.

O livro dá preciosas informações a respeito do papel da ONU, de ongs, e de fóruns de debates e congressos financiados pelos Rockfeller, nas políticas de uma “ética universal”, uma religião universal, que cria seres dóceis, sugestionáveis, manipuláveis.

E Juan Claudio Sanahuja fala do “Report of the Comitte of Inquiry into Human Fertilization and Embriology”; do comitê de monitoramento de “Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (CEDAW, 1979); do comitê de monitoramento do “Tratado Internacional contra a Tortura”; e do “Diálogo das Civilizações”; e da Anistia Internacional; e do Clube de Roma; e do Human Rights Watch; e do World Wide Fund for Nature (WWF); e da UNESCO; e da “Cúpula Mundial de Líderes Espirituais e Religiosos para a Paz”; e da “United Religions Initiative (Iniciativa das Religiões Universais – URI); e da participação, no esforço de ereção da sociedade global, de Kofi Annan, Desmond Tutu, Fernando Henrique Cardoso, Jimmy Carter, Nelson Mandela, George Soros, Noam Chomsky, José Saramago, Gabriel Garcia Márquez, Ted Turner, Leonardo Boff, Isabel Allend, Barack Obama, Tony Blair, e outras personalidade de fama mundial.

E presenteia os seus leitores com a reprodução, em dois anexos, de textos de outros autores, o primeiro, “Obama e Blair. O messianismo reinterpretado”, conferência de Michel Schooyans, proferida, em 2.009, no dia 1 de março, na Cidade do Vaticano; e o segundo, “A Terra e seu caráter Sagrado”, da Irmã Donna Geernart, SC, conferência realizada, em 2.007, no mês de Maio, em Roma, no Plenário da União Internacional de Superioras Gerais, acompanhada de comentários.

Poder Global e Religião Universal, de Juan Claudio Sanahuja, traz inestimáveis informações acerca do movimento anti-cristão que move o mundo, faz a cabeça dos poderosos dotados de insaciável sede de poder, inimigos figadais dos seres humanos.

Conclui-se da leitura do livro que nos altos escalões das organizações globais estão seres humanos que se têm na conta de deuses, dotados de poder de vida e morte sobre todas as pessoas – eles excluem Deus da história, do universo, para se fazerem de deuses, e entre estes deuses de carne e osso persiste uma auto-imagem favorável, falsa, que muito os envaidece, a de seres superiores, inestimáveis, imprescindíveis para a ereção, na Terra, de um mundo perfeito, o “outro mundo é possível” dos discursos politicamente corretos, e o que eles criam é apenas caos, miséria, sofrimento e mortes.

Nas primeiras linhas desta resenha, falei da linguagem esquiva dos donos do poder, os Senhores do Universo; e é só alterando o significado das palavras, vendendo aos povos uma nova linguagem, um novo vocabulário, novas expressões, palavras antigas com significados deturpados, que eles conseguem subverter valores, e, com a subversão dos valores, produzir pessoas dóceis, sugestionáveis, obtendo, destas, a lealdade, e expulsar do convívio social os indomados, e indomáveis, que, firmes na defesa dos valores que herdaram de seus ancestrais, resistem à agressão psicológica, à manipulação semântica.

A linguagem é o campo de batalha dos Senhores do Universo. Deturpando-a, e impondo a linguagem deturpada aos povos de todo o mundo, eles podem coonestar suas politicas desumanas, assassinas, criminosas, e explorar os humildes, que não lhes impõem resistência, pois deles foram arrancados, por aqueles que se dizem seus libertadores, os instrumentos que lhes dariam meios de ponderar a respeito das coisas do mundo dos homens.

É Poder Global e Religião Universal, de Juan Claudio Sanahuja, um livro de valor inestimável.

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