Em boca fechada não entra mosquito. Partidos de esquerda e direita não são iguais. Esquerda limpa-se em sua sujeira. E outras notas breves.

A pessoa que, desconhecendo um determinado assunto, e dotada de bom-senso, numa discussão pública mantêm-se à parte, na arquibancada, assistindo ao espetáculo que pessoas que, acredita, entendem do riscado oferecem, ciente de que talvez uma delas, ou todas elas, nada entendem do que dizem, afinal, ignorando o assunto, não pode avaliar o teor das dissertações que elas dão a conhecer. Compreende que não pode ponderar acerca do que é tratado, mas pode, se atentar para o que dizem, detectar incoerências, inconsistências, argumentos enviesados, falácias, se tem preservada a boa-vontade em apreender as coisas do mundo, e humildade para reconhecer suas limitações, e revelar-se maduro para não se precipitar e manifestar suas opiniões apenas tendo em mira o objetivo de não se passar aos olhos alheios por um tolo, um ignorante. Diziam os homens de cãs veneráveis, nossos avoengos, que a palavra vale prata, e o silêncio, ouro; em muitos momentos, sim. Não é raro uma pessoa passar por situações que só não são constrangedoras porque ela decidiu pelo silêncio ao ouvir uma tolice saída da boca de uma pessoa que se tem na conta de sábia sem o ser e dotada de conhecimentos superiores.

Todas as palavras anteriores eu as escrevi de intróito ao que direi a partir de agora. Neste ano e quatro meses de pandemia (fraudemia, para os perspicazes) oficial, políticos, chandelados por médicos e cientistas renomados (eleitos pela mídia e por quem a financia) e diretores e presidentes de organizações internacionais, e amparados pelos meios que se dizem de comunicação, autorizados por autoridades dos órgãos jurídicos estatais, decretaram medidas restritivas, ditas sanitárias, que, alegaram, visavam conter o avanço do vírus entre os humanos. Os resultados estão aos olhos de todos: fracasso retumbante e fortalecimento de políticas autoritárias em todo o mundo. No princípio, medidas como quarentena (primeiro, quinze dias; depois, mais quinze dias; e de quinze dias em quinze dias, um ano e quatro meses), isolamento das pessoas, para evitar aglomeração e o uso de máscara. Ora, dizia-se, então, que se enfrentava uma doença nova, que pedia medidas originais para se poder enfrentá-la. Mas não havia, na ocacião, nenhuma experiência que revelava a eficiência de tais medidas, excetuada uma, na China, em Wuhan, que, segundo o governo chinês, comunista, foi um sucesso incontestável. Muitos inocentes acreditam nas narrativas do governo comunista chinês, principalmente as dotadas de senso crítico. E não foi preciso muitos dias após o anúncio da existência de um protocolo médico que indicava para traramento de pessoas infectadas pelo Covid um coquetel de remédicos que contava, dentre outros, com a hydroxicloroquina, para que este remédio, e o tal tratamento, a mídia, a escorá-la médicos e cientistas renomados que ela mesma alçara à condição de heróis, o demonizasse, dando-o como coisa de gente retrógrada, antiquada, anti-científica, da Idade Média, terraplanista, e coisa e tal. E não poucas pessoas, já em estado vísivel de histeria, esposaram a posição midiática e partiram para a ofensa aberta, declarada, aos que carinhosamente alcunharam negacionistas e apresentaram-se como seguidores da ciência. Ao assumirem tal postura, a de pessoas de cérebro petrificado num estado de letargia, incapaz de acionar os neurônios, impelidas pelo medo estimulado pela tortura psicológica à qual inconscientemente se submeteram, fincaram pé numa posição sem que soubessem o que faziam, certos de que faziam o certo, ignorando a real, verdadeira, motivação daqueles que implementavam as políticas ditas sanitárias, numa postura de quem eram profundos conhecedores de ciência, de medicina, e, a presunção das presunções, autoridades morais ungidas por seres celestiais onipresentes e omnissapientes. E nada sabiam então, e nada sabem ainda hoje, de ciência, e tampouco das motivações dos políticos e dos empresários metacapitalistas que financiaram as políticas que, sob pretexto sanitário, estão a destruir empresas pequenas, produzir desemprego, rasgar o tecido social criando atritos e desconfiança entre as pessoas, principalmente entre familiares e parentes, e erguendo uma estrutura estatal tecnocrática totalitária global.

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Ouvi, certa vez, de alguém que se acredita profundo conhecedor de política, que Direita e Esquerda, sendo opostas uma à outra, são iguais. Falava, então, de PSDB e PT. Em seu argumento, inscrevia o PSDB na direita do espectro político; e o PT na Esquerda. Toda pessoa que leu algum texto de estudioso honesto de política sabe que é o partido dos tucanos de Esquerda, e não de Direita. Mas não é este o ponto desta minha nota breve. O que me chamou a atenção na ocasião foi a ausência de sentido do argumento do suposto conhecedor de política, ele a disparar disparates a esmo e deles não se dar conta. Para ele, as idéias da Direita e as da Esquerda são iguais, mas as políticas delas são opostas, às desta às daquela; e o PSDB é de Direita e o PT de Esquerda, este sendo o oposto daquele, e o ideal daquele é igual ao deste; e ele se decidia pelo PSDB porque o PT tem política diferente, embora seja a mesma. Eu só posso concluir que tal pessoa, presunçosa, usava as palavras Direita e Esquerda apenas por hábito, sem conhecer nem um mísero fato histórico, que remonta à Revolução Francesa, que lança luz, e escuridão, acerca da questão. E ela revelou, também, desconhecer as políticas dos dois partidos políticos brasileiros em análise, objetos de seu comentário disparatado. Teria ela de incluir PT e PSDB na Direita, ou na Esquerda, jamais um em cada um destes dois grupos, afinal a taxonomia política não permite que se inclua em grupos distintos partidos políticos de idéias idênticas.

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Há não muito tempo, o PSDB lançou um movimento intitulado “Esquerda Pra Valer”. Há quem não tenha entendido tal postura, afinal, desde que o mundo é mundo, o PSDB se deu aos brasileiros como partido de Direita. Se é assim, por que vinha ele, agora, se declarar de Esquerda? Estudiosos perspicazes entenderam a artimanha: Dando-se como de Esquerda, pretendia o PSDB apresentar o PT como uma falsa esquerda, uma esquerda que traiu os ideais esquerdistas, assim limpando o PSDB o nome da Esquerda, até então associado ao Mensalão, aos governos de Lula e Dilma, de triste memória. Já era, então, de domínio público, os demandos dos petistas e seus tentáculos.

Geraldo Alckmin, certa ocasião, muma entrevista à Jovem Pan, na companhia, dentre outros, de um dos mais proféticos e certeiros comentaristas de política nacional e internacional, afirmou que Lula é de Extrema-direita, e disse tal com todas as letras, e sem gaguejar. É o mesmo artifício que estão os esquerdistas a usar nestes dias, que correm, quando se revelam ao mundo as imundícies dos governos esquerdistas da Venezuela e de Cuba. Jogam a batata quente nas mãos da Direita, dos militares e dos capitalistas. Tal narrativa ecoa nos ouvidos de muita gente desavisada.

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Há poucas semanas, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva deixaram suas diferenças de lado e, pelo bem do Brasil, aliaram-se contra o presidente Jair Messias Bolsonaro. Há quem acredite que eram FHC e Lula adversários e que a aliança foi coisa séria. Mas parece que a idéia não agradou nem os gregos e nem os troianos, e foi abandonada. Presumo que ninguém quis assumir a paternidade dela.

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Intelectuais são gente como a gente, e não seres superiores como acreditam alguns. E muitos deles amam de paixão ditadores e genocidas. Heidegger flertava com Hitler, Sartre com Stálin, Gabriel García Márquez e Saramago com Fidel. Para citar apenas quatro deles.

E duas informações: Fidel Castro estudou Direito, e Che Guevara, medicina. E há quem pense que formação universitária forma o caráter.

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