O Tigre de Bengala (Der Tiger von Eschnapur – 1959) – de Fritz Lang

Ambientada na Índia, a aventura que Harald Berger (Paul Hubschmid), alemão, engenheiro, protagoniza, é uma trama que, além de envolvê-lo, conta com a participação da mulher pela qual ele se apaixona, a dançarina Seetha (Debra Paget), do marajá de Bengala, Chandra (Walter Reyer), do irmão mais velho deste, Ramigani (René Deltgen), do príncipe Padhu (Jochen Brockmann), e de coadjuvantes, que não estão no núcleo do enredo, mas têm papel importante no desenrolar dos eventos.

Numa certa cidade da Índia, cidade cujo povo é aterrorizado por um tigre que já havia ceifado a vida de alguns de seus habitantes, vivem Harald Berger, Seetha e a serva desta, Baharani (Luciana Paluzzi). Estes três personagens seguem em comitiva para Bengala; ataca-a, no caminho, o tigre tão temido, que vem a ter próximo de suas garras e dentes Seetha; Harald Berger, sem titubear, a manusear uma tocha, de posse de inata valentia, vai em socorro da bela dançarina, e salva-a, ao afugentar o terrível felino. Recompostos do susto, retomam viagem rumo a Bengala.

Acolhida pelo marajá de Bengala, viúvo, que por ela se apaixona ao admirá-la durante evoluções numa dança, Seetha, na companhia de Harald Berger, que foi visitá-la, sentada à margem de uma fonte, evoca uma canção, de cuja letra não se lembrava, e Harald Berger diz ser a canção irlandesa e canta-a, e dela a dançarina recorda-se. Suspeita Harald Berger, então, que é o pai de Seetha irlandês; e o violão, instrumento musical ocidental, que Seetha tem consigo, uma herança deixada pelo pai dela, reforça-lhe as suspeitas. Inspira os sentimentos de Seetha a nostalgia de um tempo, sua infância, do qual ela, além da canção que, agora ela sabe, é de origem irlandesa, nada guarda nos escaninhos de sua memória.

Segue paralela à aventura de amor entre Harald Berger e Seetha e do marajá Chandra pela dançarina, a de Ramigani, que planeja a perdição de seu irmão; almeja Ramigani o trono que ora seu irmão ocupa, mas tem seus planos atrapalhados pelo príncipe Padhu, irmão de Marani, falecida, anterior esposa de Chandra. O príncipe Padhu não tem a pretensão de pôr-se entre Ramigani e seu objetivo, mas incomoda-o, e pode pôr-lhe a perder o que ele ambiciona, ao ir em prejuízo do relacionamento entre Chandra e Seetha, pois não admitia que o marajá substituísse Marani por uma dançarina, enquanto Ramigani queria que se consumasse o casamento entre eles, para poder desmoralizar Chandra e alijá-lo do trono.

São muitos os episódios da aventura em terras indianas: o sequestro de Seetha; a morte de Baharani; a luta entre Harald Berger e um tigre; e outros.

E todos vivem felizes para… Não. Não vivem. Conta O Tigre de Bengala a primeira metade da aventura de Harald Berger e Seetha, e do Tigre de Bengala, Chandra, aventura que se encerra em O Sepulcro Indiano.

Para encerrar esta resenha, duas observações: o estranhamento entre a cultura indiana e a ocidental; e a arquitetura da obra de Harald Berger, apresentada, em maquete, arquitetura moderna, desprovida de beleza, inferior à indiana, exuberante, esplendorosa, magnífica.

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