Explicando o pronome neutro

Assisti, há dois dias, e ontem, e hoje, pessoas dedicadas ao conhecimento, e à ilustração do homem comum, explicar, usando de uma linguagem clara, direta, de um vocabulário simples e acessível ao comum dos homens, o controverso “pronome neutro”, que muita celeuma e infindáveis controvérsias inférteis tem provocado desde a sua apresentação pública por intelectuais gabaritados, que foram pagos, por gente de mentalidade antiquada, medieval, com incompreensão, deboche e desprezo. Temos de reconhecer, antes de entrar no mérito da questão, que as pessoas que se dedicam a explicar a razão de ser dos pronomes neutros, conquanto tenham usado vocabulário acessível e linguagem apropriada, não o fizeram com propriedade, afinal não foram bem sucedidos em seu propósito. Dito isso, afirmo que me proponho, neste artigo, a expor a importância dos pronomes neutros para a promoção da extinção dos preconceitos de gênero e a aniquilação do machismo, tão nefasto para a existência da civilização humana. Tenho de dizer, também, que estudo o assunto há uma década, sou um especialista em pronomes neutros, reconhecido mundialmente, formado nas melhores faculdades de estudos do tema e um dos seus mais respeitados propugnadores, e estou ciente de minhas responsabilidades e do meu compromisso com o bem-comum e a saúde mental dos cidadãos de todo o mundo.

Os pronomes neutros são propostos para se atingir a mais ambiciosa tarefa intelectual de todos os tempos, a de projetar no ser humano a importância de sua existência no mundo, de modo a fazê-lo entender que apenas eliminando-se os preconceitos de gênero pode-se criar na Terra o paraíso.

O uso dos pronomes, sabemos, promove muitas situações constrangedoras às pessoas que não se identificam por nenhum deles; assim sendo, decidiu-se criar novos pronomes, os neutros, que terminam por atingir o objetivo almejado, mas infelizmente encontram muita resistência nas camadas mais ignorantes e boçais da sociedade.

O uso de “ele” e “ela” já se revelou impróprio e produtor de preconceitos. Assim, propõem os adeptos dos pronomes neutros, o uso do “ile” e da terminação em “e” de substantivos e adjetivos que terminam em “o” e “a” e seus respectivos plurais. Assim sendo, usa-se “menine” e “alune” e “menines” e “alunes” em vez de “menino” e “menina” e “aluno” e “aluna” e seus respectivos plurais, pois o “e”, na terminação de tais substantivos, em substituição ao “a”, “o”, “as” e “os” – sendo que estes, não sendo neutros, definem o gênero, que, se definido, não está indefinido, sendo, portanto, definidor de gênero, e não neutro, como pedem os pronomes neutros -, conserva indefinido o gênero, que indefinido deve se manter.

Pergunta-se o leitor porque estou a falar de substantivos e adjetivos neutros, se me propus a falar de pronomes neutros; respondo que, se se usa pronomes neutros, neutros têm de ser todos os elementos da linguagem humana, daí neutralizar os adjetivos e os substantivos, e também os artigos e os verbos e os advérbios.

Explicado o que se fez necessário explicar para o bom andamento deste artigo, digo que tem de se eliminar da linguagem corrente os pronomes “ele” e “ela” e seus respectivos plurais, que servem unicamente para pluralizar cada qual o seu singular.

O uso dos pronomes neutros encerra, portanto, um louvável escopo, que eu já disse qual é, e não cabe aqui repeti-lo, e é nosso trabalho implementá-lo, democraticamente, de cima para baixo, via juristas e legisladores cuja mentalidade corresponde à nossa.

Além do exposto acima, não devem os homens de bem usar os substantivos “homem” e “mulher”, pois eles definem os gêneros masculino e feminino. Para se entender a dificuldade de se abandonar o vício, que muito nos prejudica, de usar substantivos que não são neutros, eu, que sou uma autoridade em linguagem neutra, me referi aos homens e às mulheres nomeando-os “homens de bem” e, no primeiro parágrafo, “homem comum” e “comum dos homens”. É imperdoável que um estudioso use de tais substantivos para se referir aos humanos. Imperdoável. Penitencio-me. É inadmissível. E eu me apresentei como um estudioso. Estudioso!? Não. Estudiose – assim, neutro.

Ao reler as primeiras linhas deste artigo, deparei-me com expressões incorretas. Escrevi “pessoas dedicadas”, “intelectuais gabaritados”, “as pessoas que”, “sou um especialista (…), reconhecido (…), formado (…), um dos seus mais respeitados propugnadores”. Como eu pude usar de tais palavras!? Não são neutras! Devo substituí-las, respectivamente, por “pessoes dedicades”, “intelectuaies gabaritades”, “es pessoes que”, “soie ume especialiste” (…), reconhecide (…), formade (…), ume des sees mais respeitades propugnadories (…)”. Assim, sim, ficam minhas palavras em consonância com a neutralidade de gênero.

O leitor já percebeu que é quase impossível superar a linguagem de nossos avós, que nasceram antes de nós, e entende que temos na nossa cabeça, fincadas bem fundo no cérebro, hábitos de linguagem e usos de palavras que não estão de acordo com o acordo acordado pelos estudiosos mais bem gabaritados de todos os tempos, idos e vindos.

Não podemos deixar de dizer que “elefante”, além de um animal, é uma palavra discriminadora, afinal, tem, aglutinado ao “fante” o pronome “ele”, masculino, que indica, portanto, que é o animal preconceituoso e machista. Deve-se dizer e escrever “ilefante”, e jamais distinguir macho e fêmea, masculino e feminino, isto é, é incorreto dizer e escrever “elefante” e “elafante”. E que se proíba, e para todo o sempre, o uso da palavra machista “telefone”. Ora, enfiaram o pronome masculino “ele” no meio de “tfone”. Bando de vagabundos! Sinto-me ofendido pelos patifes que inventaram tal palavra. E eu desde criança digo “telefone” sem me dar conta de que estou a usar um pronome masculino razoavelmente bem oculto numa palavra. Não me sinto ofendido; sinto-me ofendide. E eu nunca fui criança; fui criance. E não se diz “bando de vagabundos”; diz-se “bande de vagabundes”. E “palavres”, “pronomes masculines”… Pronomes masculines!? Pronomes masculines são masculines. Não se pode falar “masculines”, nem “feminines”; e “neutros” tampouco. É “neutres”. Que se aniquile “masculine” e “feminine” dos dicionários. E lembrei-me de outro absurdo: “eletricista”. Preconceito! Discriminação! Machismo! Um pronome masculino anteposto à palavra “tricista”. Remova-se tal sujeira do vocabulários dos seres humanos! Já! Imediatamente! Se meu corpo… quero dizer, minhe corpe… Ah! “minhe” lembra “minha”, e não “meu”; então uso “mie”. Assim é melhor. Em mie corpe há “ombro”, “olho” e outros substantivos masculinos e “cabeça” e “perna” e outros substantivos femininos… Que sejam “ombre, “olhe”, “cabece” e “perne”, e assim por diante. “Substantives neutres”, e não “substantivos masculinos” e “substantivos femininos”. Transparece… “trans”!? “Trans”!? “Transtornado” é masculino, masculine, adjetivo, adjetive, que indica uma pessoa, ime pessoe, trans, que está… prefixaram trans na palavra “tornado”. É “tornade”. Tornade trans não existe. E nome “Elaine” e “Estela”. Ah! Preconceito de gênero! Pronome feminino, feminine, “ela”, antes da palavra, de palavre, “ine” e pronome masculino, masculine, “este”, antes da palavra, palavre, “la”. Demonstrativo; demonstrative. Preconceite. Pronomie. Ombre. Perne. Boque. Elástico. Ah! Pronome plural feminino, feminine, plurale, pronomie, “elas” acoplado, acoplade, à, ao, ae, aie, “tico”. Tico. E Teco. Teco. Tico. Esquilo. Esquile. Tique. Tique nervoso. Nervose. Meu, mie, mieie, minhe. Homem. Ele. Mulher. Ela. Ele, ela, ile, homeme, mulhere, mulherie, homiem, ile, ole, ule, ale, nile, nilo… Rio Nilo. Não! Rie Nile. Nulo, nula, nala, nolo, nile. Mula, mulo, mule. Isso, isse, isto, iste, esta, iste, aquile. Aquiles. Tróia. Tróie. Heitor. Homero. Homere. Heitor. Ei, Thór! Thór, touro, toure, vaca, vaque, boi, boie, bezerro, bezerre. Odin. Odine. Ódio. Ódie. Carrasco. Carrasque. Casa. Case. Caso. Rosbife. Rosbifo. Rosbifa. Dentista. Dentisto. Dentiste. Inconstitucionalissimamente. Mente. Mento. Menta. Bala. De menta. Bale. De mente. Demente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Polifonia Literária

Um espaço voltado para o desenvolvimento criativo de textos literários.

divinoleitao.in

Rede pessoal de Divino Leitão.

Reflexões para os dias finais

Pensamentos, reflexões, observações sobre o mundo e o tempo.

PERSPECTIVA ONLINE

"LA PERSPECTIVA, SI ES REAL, EXIGE LA MULTIPLICIDAD" (JULIÁN MARÍAS)

Pensei e escrevi aqui

— Porque nós somos aleatórias —

On fairy-stories

Fantasia, Faërie e J.R.R. Tolkien

DIÁRIO DE UM LINGUISTA

Um blog sobre língua e outros assuntos

Brasil de Longe

O Brasil visto do exterior

Cultus Deorum Brasil

Tudo sobre o Cultus Deorum Romanorum, a Antiga Religião Tradicional Romana.

Carlos Eduardo Novaes

Crônicas e outras literatices

Coquetel Kuleshov

um site sobre cinema, cinema e, talvez, tv

Leituras do Ano

E o que elas me fazem pensar.

Leonardo Faccioni | Libertas virorum fortium pectora acuit

Arca de considerações epistemológicas e ponderações quotidianas sob o prisma das liberdades tradicionais, em busca de ordem, verdade e justiça.

Admirável Leitura

Ler torna a vida bela

LER É UM VÍCIO

PARA QUEM É VICIADO EM LEITURA

Velho General

História Militar, Geopolítica, Defesa e Segurança

Espiritualidade Ortodoxa

Espiritualidade Ortodoxa

Entre Dois Mundos

Página dedicada ao livro Entre Dois Mundos.

Olhares do Mundo

Este blog publica reportagens produzidas por alunos de Jornalismo da Universidade Mackenzie para a disciplina "Jornalismo e a Política Internacional".

Bios Theoretikos

Rascunho de uma vida intelectual

O Recanto de Richard Foxe

Ciência, esoterismo, religião e história sem dogmas e sem censuras.

.

.

Prosas e Cafés

(...) tudo bem acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar - Caio Fernando Abreu

OLAVO PASCUCCI

O pensamento vivo e pulsante de Olavo Pascucci

Clássicos Traduzidos

Em busca das melhores traduções dos clássicos da literatura

Ensaios e Notas

artes, humanidades e ciências sociais

Minhas traduções poéticas

Site de tradução de poesias e de letras de música

Além do Roteiro

Confira o podcast Além do Roteiro no Spotify!

Farofa Filosófica

Ciências Humanas em debate: conteúdo para descascar abacaxis...

Humanidade em Cena

Reflexões sobre a vida a partir do cinema e do entretenimento em geral

resistenciaantisocialismo

Na luta contra o câncer da civilização!

História e crítica cultural

"Cada momento, vivido à vista de Deus, pode trazer uma decisão inesperada" (Dietrich Bonhoeffer)

Devaneios Irrelevantes

Reflexões desimportantes de mais um na multidão com tempo livre e sensações estranhas

Enlaces Literários

Onde um conto sempre puxa o outro!

Ventilador de Verdades

O ventilador sopra as verdades que você tem medo de sentir.

Dragão Metafísico

Depósito de palavras, pensamentos e poesias.

%d blogueiros gostam disto: