Para melhor atendê-lo – parte 6 de 6

Nova Brasília, [data]

Ao

Camarada Cidadão Patriota

O Governo Federal estatizou a economia nacional, eliminou a propriedade privada, e assumiu as responsabilidades inerentes aos afazeres familiares das famílias brasileiras. São justificadas todas essas medidas. Os nossos inimigos burgueses capitalistas ocidentais e os brasileiros por eles cooptados com a promessa de riqueza imediata, fazendo deles, pobres honrados, marajás gananciosos e inescrupulosos, raça que, acreditava-se, estava extinta do Brasil há décadas, intensificaram, nas últimas semanas, os bombardeios ao território nacional, com o objetivo de esfacelá-lo, e o de desvirilizar o heróico, nobre, aguerrido povo brasileiro, que bravamente defende a sua pátria amada, idolatrada, Salve! Salve!, obrigando o Governo Federal a tomar as medidas apropriadas para a conservação da paz e da ordem, e para a manutenção da integridade do Brasil.

O Governo Federal, ao estatizar a economia nacional, nacionalizar as empresas estrangeiras e eliminar a propriedade privada, libera, para o esforço de guerra, as forças do povo brasileiro, que agora não desperdiça nenhum segundo de suas vidas com preocupações mundanas de inspiração burguesa capitalista disseminadas pelos sórdidos estadunidenses. Os brasileiros, antes dessas medidas, preocupavam-se com a manutenção do emprego (em muitos casos, submissos à exploração promovida pela classe empresarial, executavam trabalhos degradantes e eram porcamente remunerados), e os desempregados perdiam muitas horas de suas vidas à procura de empregos, não logravam encontrar uma ocupação que lhes remunerassem, com justeza, as energias aplicadas em tarefas extenuantes, e debilitavam-se, deprimidos com os seus sucessivos fracassos. Além do mais, os trabalhadores, em sua ânsia de acumular fortunas hollywoodianas, faraônicas, cesarianas e elizabetanas, comparavam os salários mensais uns com os dos outros, e os pobremente remunerados, ao notarem as injustiças das quais eram as vítimas eternas, ou caíam na devassidão, ou na criminalidade, sendo, portanto, duplamente injustiçados pela sociedade, que sempre os viu como criminosos, e os agentes policiais (representantes da força opressora dos burgueses capitalistas, financiados com dinheiro público), de atalaia, prontos, sempre, para atacá-los, capturá-los, e trancafiá-los em soturnos cárceres, ou matá-los em processos sumários de justiçamento, os aterrorizavam. Agora, não. O Governo Federal criou a economia do pleno emprego, e equalizou os salários, que estão sob a sua administração. Os funcionários do Governo Federal são preparados para geri-los apropriadamente, livrando, assim, os brasileiros de preocupações concernentes à administração do orçamento familiar. O Governo Federal incumbiu-se destas responsabilidades, livrando os brasileiros de preocupações inerentes à sua vida e à vida de sua família, preocupações estas que lhes corroíam a mente, debilitavam o corpo, e eram fontes de discussões e desentendimentos entre familiares.

O Governo Federal, ao se incumbir da tarefa de educar as crianças e os jovens, o brilhante futuro do Brasil varonil, gigante pela própria natureza, elimina mais uma fonte de preocupações dos brasileiros. O Governo Federal, com a criação do Ministério da Educação Fundamental e Elementar e Avançada para Constante e Ininterrupto Aprimoramento da Consciência Política Nacional, oferece aos brasileiros os instrumentos que lhes permitem viver vida nobre, rica, com o emprego, correto, dos seus talentos e do seu vigor físico e intelectual. Os brasileiros não perderão tempo em busca de conhecimento. O Governo Federal sabe quais conhecimentos são imprescindíveis para a vida saudável, proveitosa e produtiva; e são esses conhecimentos que os brasileiros buscam, mas, despreparados, e sob ação das suas veleidades e idiossincrasias individualistas insufladas pelo capitalismo hediondo e sórdido, não sabem quais são, pois estão desprovidos dos instrumentos intelectuais que lhes propiciem os meios para corretamente avaliarem o que lhes é apresentado, permitindo-os fazer distinções entre coisas diferentes, identificar o que lhes é benéfico e o que lhes é maléfico, e lhes dê sabedoria para decidirem pelo que lhes é benéfico.

O Governo Federal sabe o que o povo brasileiro precisa saber, e é esse saber que aos brasileiros será transferido nos estabelecimentos educacionais nacionais.

O Governo Federal, justaposto a essa medida, publicará os livros que contém a sabedoria governamental e os livros com os conhecimentos adequados à formação moral e intelectual do povo brasileiro. Ao proibir a publicação de livros que não tragam as idéias que defende e, especialmente, a de livros de autores que contestam a sua infalível sabedoria, elimina a angústia sintomática na qual os brasileiros precipitar-se-iam se imergissem em elucubrações metafísicas de cunho religioso, desgastando-se física e mentalmente, o que redundaria em insegurança e confusão mental, que os impediria de concentrarem os seus esforços nos trabalhos indicados pelo Governo Federal. A angústia decorrente da colisão de idéias contrastantes exauriria a força intelectual, vigorosa, incomparável, única, do povo brasileiro. A angústia é desvirilizante, emasculadora. A leitura de livros cujo teor contraria os mais caros fundamentos da sabedoria intrínseca ao Governo Federal, além de improdutiva e desvisgoradora, exigiria, para o seu exercício, isolamento e desgaste intelectual. O vigor intelectual é recurso de uso imprescindível, pelo Governo Federal, para implementação de políticas que assegurem a conservação da paz e da ordem. O Governo Federal impedirá que o povo brasileiro caia neste poço sem fundo. Os brasileiros que se perderem nesta tarefa angustiante, isolados do mundo, num esforço infrutífero, que será baldado, de encontrarem soluções para os problemas que afligem o Brasil, além de imergirem na depressão crônica, que os arremessará num redemoinho de ilusões, alucinações e fantasmagorias extemporâneas, que lhes assaltarão a mente, lhes assacarão a sanidade mental, serão vistos, pelos brasileiros fiéis e leais ao Governo Federal (cuja sabedoria por eles é reconhecida), como indivíduos presunçosos e soberbos, pois estabelecerão uma distinção entre eles e os brasileiros leais, humildes, que acolhem, em atitude patriótica sincera e invejável, as ordens emitidas pelo Governo Federal, em sua incontestável sabedoria, deles se afastando e cavando entre eles (o povo fiel ao Governo Federal) e os indivíduos individualistas (os leitores de livros não-autorizados pelo Governo Federal) um fosso intransponível, rompendo, portanto, consequentemente, o vínculo moral, cultural, social e intelectual que os unia, provocando, nos brasileiros autênticos, reações hostis, de confronto, que culminarão na morte, indesejada, de autênticos brasileiros patriotas; além disso, os brasileiros que se recusam a acolher as ordens emitidas pelo Governo Federal influenciam brasileiros patriotas incautos, que, seduzidos por argumentos serpenteantes, envolventes, distanciar-se-ão de ações comunitárias, e romperão o vínculo com o Brasil, sua pátria, gigante por natureza, terra em que se plantando tudo dá, e debelarão os esforços do Governo Federal para a conservação da paz e da ordem e da manutenção da integridade da Nação. Dilaceram o coração generoso do Presidente da República todas as notícias de abandono, por um brasileiro, de valores patrióticos elementares decretados pelo Governo Federal. A ausência de sentimentos afins e propósitos comuns entre os brasileiros que não se associam para o trabalho de conservação da paz e da ordem entristece o Presidente da República, que, a curtos intervalos, se vê às voltas com pensamentos depressivos – mas não esmorece; reanima-se, revigora-se, restabelece o seu amor pela vida e pela Pátria, recompõe-se, e realimenta-se, conservando, e acumulando, forças para o exercício das suas tarefas patrióticas, para o contínuo esforço de conservação da paz e da ordem, e para a manutenção da integridade do território nacional.

O Governo Federal, ao se incumbir dos afazeres das famílias brasileiras, libertou os brasileiros patriotas das atribuições onerosas criadas, artificialmente, pelos burgueses capitalistas ocidentais herdeiros da cultura judeu israelita.

Os brasileiros patriotas se concentrarão no inadiável e imprescindível trabalho de manutenção da integridade do Brasil e na construção dos alicerces do Brasil do futuro, gigante pela própria natureza.

De

Camarada Cidadão Patriota Missivista Oficial do Sistema Financeiro Nacional.

*

Nova Brasília, [data]

Ao

Camarada Cidadão Patriota.

O Governo Federal decreta a proibição de cultos religiosos, a disseminação das religiões, fontes de lendas anticientíficas, mitos inverossímeis, superstições ridículas, e o ensino e a disseminação da cultura dos silvícolas nativos, que, reconhece o Governo Federal, é o canto das sereias recitado pelos inimigos estrangeiros para seduzir os brasileiros para as causas defendidas pelas Pequenas Tabas e pela Grande Taba, que gozam do apoio incondicional de organizações globais. Está expressamente proibido o uso de vocábulos silvícolas nativos; os nomes das localidades para cuja inspiração se serviu da cultura e do idioma dos silvícolas nativos serão substituídos por nomes dos heróis patriotas que sacrificaram a vida para a conservação da paz e da ordem no território nacional. O Governo Federal eliminou todos os centros de resistência antipatriótica em território nacional, e encarcerou os descendentes dos burgueses capitalistas europeus ocidentais, os dos sórdidos estadunidenses imperialistas e colonizadores e os dos europeus miscigenados nos quais predominou o sangue corrompido dos europeus, fazendo, deles, trânsfugas sórdidos e traiçoeiros. Centenas de milhares de burgueses capitalistas ocidentais escaparam, clandestinamente, do território nacional. Felizmente, o Governo Federal avistou-os nas balsas precárias, com as quais eles – estúpidos antipatriotas – pretendiam empreender a travessia do oceano Atlântico, e aportarem nas terras macabras dos sórdidos estadunidenses colonizadores e imperialistas, e alvejou-os. As balsas emborcaram. Os tripulantes, estúpidos, não sabiam que embarcações tão rústicas não superam nem mesmo marolinhas inofensivas. O Governo Federal, ao eliminá-los, para melhor atender aos brasileiros e conservar a paz e a ordem, impediu-os de disseminar, no exterior, mentiras difamatórias sobre o Governo Federal, o Brasil e o seu humilde e nobre povo, e atrair a atenção da mídia internacional, que está nas mãos de burgueses capitalistas ocidentais, israelitas judeus genocidas e sórdidos estadunidenses imperialistas e colonizadores, oferecendo-lhes pretexto para defenderem, nas organizações globais, políticas hostis ao Brasil e capitalizarem campanhas bélicas contra o território nacional.

As Pequenas Tabas e a Grande Taba intensificaram os ataques ao território nacional. Devastaram cidades inteiras. Espalharam o pânico e o terror. Ceifaram a vida de um milhão de brasileiros patriotas que lutaram bravamente pela integridade do território nacional, e os seus nomes ficam gravados nos livros de História do Brasil. Para desgosto do Governo Federal, com apoio irrestrito do governo russo, do governo chinês, do governo iraniano, do governo libio e do governo egípcio, outrora nossos aliados incondicionais, e de governos de inúmeras nações africanas, os revoltosos antipatriotas, traiçoeiros, voltam-se contra os seus descendentes que vivem neste lado do oceano Atlântico, e agridem o Brasil, com o desejo de suprimi-lo do mapa. A ingratidão das Pequenas Tabas e da Grande Taba não deixa de nos surpreender, e de nos boquiabrir, e de derrubar os nossos queixos de incredulidade. Vivemos tempos apocalípticos. Milhões de cidadãos brasileiros morreram, sob ininterruptos bombardeios desfechados pelos burgueses capitalistas ocidentais e fundamentalistas cristãos. Revidamos, energicamente, aos ataques. Logramos vitórias importantíssimas. Todavia, não ganhamos a guerra, que se estenderá, prevê o visionário Governo Federal, por décadas, talvez séculos, talvez milênios, e repetirá, aqui, neste continente, mas com os papéis invertidos, o conflito entre israelenses e palestinos, que se perpetuará até o fim dos tempos.

Em decorrência da elevação das mortes imprevistas e inevitáveis, o Governo Federal, para impedir o escoamento de vida de soldados e a redução das forças militares federais, estabelece, para todo o povo brasileiro, os ‘modos de morrer’ e as ‘janelas de morte’.

A você fica proibido morrer nos campos de batalhas.

A você ficam reservados três modos de morrer:

1, Esfaqueamento pela cônjuge, que, num ímpeto de fúria ciumenta, atinge seu coração, transpassando-o (ela não poderá esfaquear você por outro motivo; se transgredir essa lei, o Governo Federal a enviará a um campo de concentração, e a submeterá, durante dez anos, a trabalhos pesados e a outros afazeres patrióticos);

2, Acidente de carro, na Via Dutra, no período da manhã, na pista sentido Rio de Janeiro-São-Paulo, numa colisão frontal com um ônibus no qual terá de, além do motorista, haver, no seu interior, trinta e cinco pessoas, sendo dezesseis mulheres e dezenove homens. Dentre as mulheres, duas terão de ser crianças recém-nascidas, uma de idade de sete anos, e três jovens com idade entre quatorze e dezessete anos; dentre os homens, quatro terão de ser brancos, loiros e de olhos azuis de qualquer idade. Na colisão, além de você, terão de morrer os quatro homens brancos, loiros e de olhos azuis. Não se admitirá a morte de nenhum outro passageiro, tampouco a do motorista – do ônibus eles terão de se retirar incólumes, lúcidos e sem arranhões; e,

3, Enforcamento involuntário, ao caminhar por uma favela paulista (permite-se a opção de este evento trágico ocorrer numa comunidade carioca fluminense), nos ‘gatos’, que se proliferaram, nos doze meses anteriores à esta data, à revelia do Governo Federal.

As ‘janelas de morte’ selecionadas para você são:

1, do dia 7 ao dia 14 de janeiro, das 9:00 às 12:00;

2, do dia 16 de fevereiro ao dia 4 de março, das 12:30 às 14:15;

3, do dia 15 ao dia 19 de julho, das 7:00 às 7:30;

4, do dia 30 de outubro ao dia 2 de novembro, das 23:00 às 23:30; e,

5, do dia 6 ao dia 10 de dezembro, das 16:00 às 18:00.

Fica a seu critério a escolha da opção que melhor for conveniente a você e atender aos seus desejos.

Antes de encerrar, o Banco informa: caso você não respeite as ‘janelas de morte’ e os ‘modos de morrer’, e morra em dias e horários e de modo não contemplados na política de salvaguarda à vida, que visa o impedimento da redução drástica da população nacional – o Governo Federal não pode produzir patriotas na medida em que eles são necessários, embora o deseje, para fazer frente aos seus numerosos inimigos -, os seus familiares, nas próximas quatro gerações, ficarão impedidas de possuírem nomes próprios.

O Banco informa, também: o Governo Federal, para a implementação das ‘janelas de morte’ e dos ‘modos de morrer’, medidas que revelam a sua prudência visionária e a sua sensatez heróica, recebeu a chancela de Organizações Globais, que acolhem, em seu generoso e nutriz seio, as nações que, em equivalentes situações nas quais o Brasil se encontra, atuam em benefício de seus povos, nobres e aguerridos, vinculados aos interesses universais de conservação da paz e da ordem.

De

Camarada Cidadão Patriota Missivista Oficial do Sistema Financeiro Nacional.

*

Novíssima Brasília, [data]

Ao

Camarada Cidadão Global.

O Governo Federal, eterno mantenedor da paz e da ordem, generoso protetor e benfeitor do povo brasileiro e o seu legítimo representante, no desejo, sincero, de eliminar as injustiças e as desigualdades sociais, e distribuir para os cidadãos brasileiros a inexaurível riqueza produzida pelos brasileiros, une-se, no seu esforço de manter a paz e a ordem e responder por todas as suas atribuições constitucionais às quais assumiu como legítimo representante do povo brasileiro, à outras nações, e delega, para benefício e bem-estar do povo brasileiro, o governo do Brasil à Organização Global das Nações, única detentora do poderio político, tecnológico e militar capaz de enfrentar os inimigos do Brasil, que são, sabemos, e ninguém o ignora, os burgueses capitalistas ocidentais, que imergiram os Estados Unidos e Israel em hostis políticas isolacionistas e de confronto com as nações que, no desejo de concretizar o sonho universal de paz mundial, conceberam e idealizaram a arquitetura política global.

A Organização Global das Nações, para a conservação da paz e da ordem mundiais, concentrará todas as forças mundiais, eliminando as divergências e peculiaridades nacionais, fontes de conflitos, sofrimento e dor.

As nações mundiais transferirão os seus poderes legislativo, executivo e judiciário para a Organização Global das Nações, e adotarão a Constituição Global, aplicando, assim, as suas forças no exercício de políticas das leis globais que todos os cidadãos do globo respeitarão. E a paz mundial será alcançada. O Brasil, nesta nova era que se inicia, dedicará toda a sua energia, sob os auspícios da Organização Global das Nações, na política de solidificação do edifício global, com a peculiar gentileza e cordialidade do povo brasileiro.

A Organização Global das Nações, no uso das suas prerrogativas, representante legítimo dos cidadãos globais, criteriosa avaliadora da cultura global, estabelece, para benefício da humanidade, um padrão de cultura, em todo o globo, moderno, objetivo, realista, ao eliminar as peculiaridades culturais dos povos, as quais, desde o surgimento das civilizações embrionárias há milhares de anos antes do advento da Organização Global das Nações, produziram miséria, injustiças e desentendimentos entre os povos, que, aferrados, cada um, à sua cultura, ao seu idioma, às suas religiões, hostilizavam a cultura alheia e queriam impor aos outros povos a sua cultura – e foram as culturas tradicionais que submeteram os povos a certos parâmetros de comportamento que, ao colidirem com os de outros povos, também ciumentamente aferrados aos seus valores, produziram guerras, mortandades, genocídios, a aniquilação de povos inteiros e de civilizações. Agora, eliminadas as identidades locais, elimina-se todas as motivações que levaram as nações às guerras, a despeito da recusa dos burgueses capitalistas estadunidenses e dos israelitas judeus sionistas de integrarem a Organização Global das Nações, que, mesmo com os ataques ininterruptos dos Estados Unidos e de Israel – estas duas nações burguesas capitalistas ocidentais materialistas que de todos os expedientes criminosos lançam mão para enfraquecê-la -, fortaleceu-se, robusteceu-se, encorpou-se. Essas duas nações prestaram serviços inestimáveis à humanidade ao não se integrarem à Organização Global das Nações. Estados Unidos e Israel, orgulhosos de sua cultura materialista destituída dos mais caros valores humanos e de respeito à natureza, intoxicados pelo materialismo ocidental e pelo capitalismo burguês, isolados, não cooptarão as nações mais frágeis. Se integrassem a Organização Global das Nações, Estados Unidos e Israel ensinariam aos representantes das nações mais fracas os corrosivos valores estadunidenses e israelitas judeus sionistas, e comprar-lhes-iam a consciência com dólares imundos e promessas fantasiosas inconcretizáveis, e corromperiam os representantes legítimos das nações que acolheram as exortações da Organização Global das Nações, e transferiram-lhe a direção de seus povos, para benefício deles, concentrando, na Organização Global das Nações, os mais bem formados intelectuais do mundo, estudiosos natos e humanistas dedicados à paz mundial, no trabalho de implementação das políticas concebidas pela Organização Global das Nações e na ereção da civilização sonhada pelos humanos há milhares de anos, sonho que os cristãos e os judeus burgueses capitalistas ocidentais impediram de se concretizar. Os camaradas cidadãos globais dedicam-se à ereção deste novo mundo, pacífico, amistoso e harmonioso. Sacrificam os seus lazeres para a realização de um sonho universal.

Com a implementação das políticas globais, serão eliminadas todas as forças que impedem a paz mundial e a harmonia entre os povos. Todos os humanos falarão o mesmo idioma, e não se perderão em cultos supersticiosos a entes imateriais, que são as causas de todas as guerras que já assolaram a humanidade. As crenças religiosas serão apagadas da memória humana. Os humanos pensarão, com o uso da razão, as coisas do mundo. E estarão eliminadas todas as causas de conflitos entre os povos, todos, agora, irmanados num único propósito: A conservação da paz e da ordem mundiais.

De

Camarada Cidadão Missivista Oficial do Sistema Financeiro Global.

*

Novíssima Brasília, [data]

Ao

Camarada Cidadão Global.

O Banco comunicou a você, camarada cidadão global, na carta de [data], as ‘janelas de morte’ e ‘os modos de morrer’.

Você não correspondeu ao que de você, que o Banco acreditava tratar-se de um camarada cidadão global confiável, o Banco esperava. Informaram ao Banco que você, ontem, transgrediu as leis globais de governança implementadas pelo Governo Federal. Você, enquanto pilotava uma moto, atingiu, com o pescoço, uma linha revestida de cerol que um garoto imberbe de quatorze anos empunhava enquanto empinava uma pipa quadriculada verde e azul; você, em sua imprudência insana, não se deteve, a linha distendeu-se e, pressionada contra seu pescoço – enquanto você avançava, em fuga doentia e injustificada, para distanciar-se dos agentes de segurança da Organização Global das Nações que iam no seu encalço -, cortou-lho, separou sua cabeça de seu corpo, e a cabeça, envolta pelo capacete, que a protegia, quicou, pelo asfalto da avenida, por mais de vinte metros, e seu corpo, sem a cabeça, sobre a moto, prosseguiu em sua insana fuga por cento e quarenta metros, atravessou o semáforo vermelho, e colidiu com um veículo oficial da Organização Global das Nações, que, na perpendicular, executava manobra para virar à direita, e seu corpo, assim que a moto perdeu o equilíbrio, em decorrência da colisão com o veículo oficial, caiu, e arrastou-se por quinze metros, manchando o asfalto de sangue.

O Banco informa: de você será subtraída, como punição, a sua Carteira de Habilitação de Motorista; e seus descendentes pagarão todas as despesas referentes à perseguição, limpeza do asfalto e conserto do carro oficial, e a Organização Global das Nações os processará, criminal e penalmente, devido ao seu ato inconsequente, que induziu um inocente jovem imberbe de quatorze anos a perpetrar, involuntariamente, um homicídio. A Organização Global das Nações pretendia punir o jovem, mas, como ele impediu a fuga de um transgressor, que conserva, clandestinamente, a propriedade ilegal de um veículo automotor movido por combustível de origem fóssil antediluviano, não o punirá; o condecorará com a Ordem do Mérito da Cidadania Global.

Esta é a derradeira missiva que o Banco envia para você.

De

Camarada Cidadão Missivista Oficial do Sistema Financeiro Global

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