O peido da vaca e o aquecimento global.

Vivemos tempos difíceis, de fundo apocalíptico, previsto, possivelmente, pelo folclórico e notório Nostradamus, irrivalizado personagem de poderes proféticos. E para surpresa de todos – ou de ninguém? – já se descobriu a gênese dos males que nos acossam: o peido da vaca. E quem foi o gênio, intelecto da estirpe de Newton, Leonardo e Einstein, o autor de tal façanha, digna de heróis divinos? O nome dele é um emblema de uma era, cientificista, um símbolo do excelso poder do intelecto tecnocrático, e não o de uma pessoa. A façanha chegou a termo após infinita elucubração científica e filosófica e teológica, e sua execução já chegou ao conhecimento do comum dos homens pela boca de sumidades televisivas, jornalísticas, enfim, entidades da indústria do espetáculo midiático, do entretenimento. O peido da vaca, sabe-se, irá causar – e tal evento está determinado nos livros da natureza – o aquecimento global. Preocupados com a concretização de tal fenômeno, cataclísmico, com potencial para partir a Terra ao meio, os sábios, após queimarem as pestanas, encontraram a solução para o problema que de nós se avizinha: persuadir os humanos a mudarem seus hábitos alimentares, converterem-se, os hereges, ao vegetarianismo, ou ao veganismo, ou, simplemente, abandonarem o consumo de carne de bois e vacas e adotarem o salutar hábito de comerem, além de vegetais, formigas, baratas, escorpiões, minhocas, besouros, lacraias, muriçocas, lombrigas, pernilongos, piolhos-de-cobra e outras criaturazinhas suculentas e crocantes.

Estou, aqui, com os meus botões, que são cinco, o Joãozinho, o Zezinho, o Pedrinho, o Tóninho e o Rubinho, a concatenar a multidão de idéias que a questão que me inspirou a redação desta minha obra-prima intelectual: Penso ser de uma potência equivalente à de mil bombas de Hiroshima somada à de mil bombas de Nagazaki a do peido da vaca. Potência nuclear, apocalíptica. Evocando a mitologia nórdica, muito em voga nos dias que correm pelas fibras ópticas, é iminente o Ragnarok. E não será a serpente de Midgard que irá realizar a profecia, mas a vaca com seu peido apocalítico.

Brincadeiras à parte, entendo que o assunto é sério, e entendo, também, que é uma panacéia a solução que pretendem dar ao problema que paira sobre nossas cabeças: mudar os hábitos alimentares dos humanos, assim, do dia para a noite, ou da noite para o dia, sem mais nem menos; sem mais nem menos não é, afinal está-se falando da destruição da Terra. Suspeito que a solução apresentada pelos gênios da raça, e apóiam-me em tal desconfiança meus cinco botões, parte, não do alegado desejo de salvar a Terra e, por consequência indesejada, a humanidade, mas de um interesse inconfessado de seus propugnadores: controle social, acúmulo de poder. Não confio em tal gente, nem aqui, tampouco no céu, menos ainda no inferno. Penso que com tal medida deseja-se, unicamente, oprimir o povo, já tão sofrido, que come o pão que o diabo amassou, enquanto os poderosos de plantão vivem no bem-bom, como se diz. E há quem proponha lockdowns climáticos e outras sandices equivalentes para se interromper o fenômeno devastador que nos perturba o sono inspirando-nos pesadelos assustadoramente amedrontadores.

Há, todavia, uma outra solução para o caso, solução, esta, que eu, com a inestimável ajuda dos meus cinco botões, engendrei com o meu formidável cérebro: Gasodutos transportam gases por longas distâncias, e com segurança; sendo assim, conecte-se ao fiofó das vacas – e ao dos bois também – tubos flexíveis e inquebráveis conectados, na outra ponta, a um tambor de gás daqueles bem grandes, imenso, que de tão grande a visão do homem não pode abarcar; toda vez que a vaca – ou o boi – soltar um pum, sonoro ou insonoro, o pacote de gás fluirá, da vaca – ou do boi -, pelo tubo, para o tambor; assim, países – principalmente o Brasil, de todo o mundo conhecido o maior proprietário de vacas e bois peidorrentos – armazenarão tal recurso, que terá o selo de estratêgico, que poderá ser usado em momentos em que se fizer imprescindível. São óbvias as vantagens desta minha proposta: não prejudica quem tira sua renda da criação de gado bovino, as pessoas seguem com sua dieta rica em proteínas, os governos não interferem na vida de ninguém com seus lockdowns climáticos e outras basbaquices, e os gases, usados em tempos de inverno rigoroso, aquecem residências, e os encurtam; e o ganho em divisas internacionais – principalmente para o Brasil: imagine-se quantos bilhões – e bilhões de dólares! – o Brasil ganhará vendendo peido de vaca para outras nações! Há, presumo, outras vantagens, que a minha imaginação, neste momento, não vê.

Aqui estão, em poucas palavras, os meus comentários acerca de assunto que exige de quem dele trata seriedade e compromisso com o bem comum.

Que este meu artigo fique registrado para a posteridade.

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