Empresários: capitalistas, ou socialistas? Fraudemia: para o povo dinheiro, muito dinheiro. – duas notas breves.

Empresários: capitalistas, ou socialistas?

Os empresários são capitalistas, ou socialistas? São de direita, ou de esquerda? São favoráveis ao livre-comércio, ou ao mercado sob controle estatal? Ora, muitos empresários, em especial os maiores, capitalistas em sua maioria, pois detentores do capital, adoram o Estado, a ele se associam para que ele estabeleça regras comerciais, trabalhistas, ambientais, e de outros gêneros, que prejudicam os empresários, capitalistas muitos e adeptos ferrenhos do livre-mercado, que não se associam ao Estado. Não são poucos os empresários que apóiam e patrocinam a agenda socialista, as pautas progressistas, politicamente corretas, dentre elas a ideologia de gênero e a do pronome neutro, e a política identitária, que remete à luta de classes, agora substituídos os empregadores (capitalistas) e os empregados (proletariados) respectivamente por homens e mulheres, e pelos homens brancos e homens negros, e pelos heterossexuais e homossexuais, e, de dois anos para cá, pelos negacionistas e seguidores da ciência, e mais recentemente, pelos não-vacinados e vacinados, e etecétecera, e tal. E deve-se perguntar se tais empresários apóiam e patrocinam as pautas socialistas, ou se as elaboram, e, usando de artifícios sutis, persuadem os socialistas de que, estes, defendendo-as, e sem o saber em favor daqueles que pensam combater, estão em renhida luta, heróica, contra o Grande Capital? Ah! Esquecia-me: neste cenário, é não é sensato afirmar: os empresários são de direita – ou de esquerda – tomando-o como um bloco coeso.

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Fraudemia: para o povo dinheiro, muito dinheiro.

O fã-clube do coronavírus reconhecia-o um infatigável, incansável, matador de bípedes implumes, dotado do poder, incomparável, de dizimar, em poucas semanas, melhor, dias, melhor ainda, horas, a espécie humana, suprimi-la, num estalar de dedos, da face da Terra. E para derrotar tão ragnagórica criaturazinha, fazia-se, além de outras medidas, necessário trancafiar todo filho-de-Deus cada qual em sua humilde casa pelo período que se fizesse de bom alvitre, dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos, milênios, enfim. Aqueles seres, que hoje vivem à margem da sociedade instituída pelo Novo Normal, desde os primórdios da malfadada – todavia cantada em prosa e verso pelos Seguidores da Ciência – política do ‘Fique Em Casa; a Economia a Gente Vê Depois’, os alcunhados negacionistas, diante da decretação da proibição das atividades ditas não-essenciais, e, com mais firmeza, após as constantes prorrogações dos ‘quinze dias para achatar a curva’, perguntaram-se de onde sairia o dinheiro para se distribuir para os milhões de cidadãos que, proibidos de exercer as suas atividades profissionais das quais tiravam o ganha-pão, afinal, dinheiro não dá em árvore, não brota do chão, não cai do céu. Tal pergunta chegou aos ouvidos dos Fique Em Casa, que fizeram-se de surdo, e deram uma de joão-sem-braço, e torceram o nariz, e puseram beiço, e cuspiram a língua aos que ousaram apresentar-lhas. Que desaforo! A solução para o problema está na ponta da língua de especialistas, que, em respeito ao que as pesquisas indicam, decretam: imprima-se dinheiro, e muito, muito dinheiro. Sim. Imprima-se dinheiro, e muito, muito dinheiro. Tal política, de excelsa perspicácia econômica, já saia das sapienciais bocas de personalidades públicas dotadas de sabedoria proverbial – e, consta, está a ser implementada, na Argentina, pelo ocupante da Casa Rosada. Ora, hoje em dia não se faz indispensável imprimir dinheiro em papel; evita-se desperdicio de papel, e evita-se derrubada de árvores, imprimindo-o em seu formato digital; para tanto, basta adicionar um zero, ou dois, ou três, à direita do valor do montante do dinheiro ofertado ao mercado. E assunto resolvido. Sem custo, sem desperdício, sem sujeira. Quem há de se opôr à medida tão humanitária, de envergadura intelectual tão grandiosa? Em sã consciência, ninguém; há, no entanto, entretanto, porém, e todavia, muita gente chata, desmancha-prazeres, e elitista, e egoísta, gente que não quer que os pobres deixem de ser pobres, gente que vê em tal política a origem de crise econômica, de desastre econômico e social. Imprima-se, pois, e sem receios, dinheiro, muito dinheiro, e distribua-o ao povo; assim o povo poderá ficar em casa por todo o sempre, e além. 

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