Rússia x Ucrânia. Guerra do século? Notas breves.

Enquanto no Brasil desperdiça-se tempo, e muito tempo, e dinheiro, muito dinheiro, com inúteis querelas, e nas escolas, e nos parlamentos, envolvendo ideologia de gênero e pronome neutro, países ricos investem trilhões de dólares em ciência e tecnologia, boa parte delas para fins militares.

Estamos assistindo à escalada de tensão envolvendo, na Europa, Rússia e Ucrânia, e OTAN, e Estados Unidos, e Alemanha e Finlândia e outros países europeus – e o mundo esqueceu completamente da China e de Taiwan, outro emblema da política moderna, que, prevêem, logo se precipitará num conflito aberto. São inúmeras, incontáveis, as teses a tratar do conflito que tem na Ucrânia seu epicentro, e todas, parece, carecem de fundamento, muitas a excederem em informações históricas e geopolíticas. Mas qual delas retrata os fatos? Impossível saber. Evoca-se uma promessa que a OTAN fez, há décadas, a Mikhail Gorbatchev, de jamais avançar para o leste; e o acordo de Minsk, assinado, dentre outros, por Vladimir Putin, em que este se comprometeu a jamais invadir a Ucrânia; e a entrega, pela Ucrânia, de suas ogivas nucleares, de ogivas nucleares; e a identidade cultural e étnica entre russos e ucranianos; e a política, jusrificável, de reintegração, pela Rússia, de terras que eram suas, terras há décadas dadas à Ucrânica, a do leste, por Lênin, e a da Criméia, por Kruschev; e a posse, pela Rússia, e desde os tempos de Pedro, o Grande, das terras ucranianas; são muitas, enfim, as explicações, algumas favoráveis à Putin, outras a ele desfavoráveis. E não são poucos os que afirmam que uma guerra entre Rússia e OTAN (entenda-se: Estados Unidos da América) é do interesse de Vladimir Putin e de Joe Biden, ambos a enfrentarem sérios problemas internos em seus respectivos países – uma guerra, agora, dar-lhes-ia os elementos de que precisam para silenciarem oponentes e dissidentes, e calar o povo, e impedir a ascensão de adversários e inimigos políticos, e perpetuarem-se no poder.

Li muitos textos, artigos de estudiosos de política internacional, de historiadores, e de comentaristas, de pessoas, enfim, muitas delas, independentemente de sua escolaridade – chancelada por ministérios e secretarias de educação – (e para se inteirar de um assunto, a dedicação ao estudo sério é fundamental, e dispensa diplomas), cientes de suas responsabilidades, debruçam-se sobre calhamaços de História, Geografia e assuntos tributários, e reúnem informações acerca do conflito que ora envolve Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, além de outras nações, e sinto-me um dos cegos da lenda hindu, ou árabe, não sei, e entendo ser todo aquele que trata do assunto um dos outros cegos. Diz a lenda que três cegos, enquanto caminhavam pela floresta, tocaram, acidentalmente, um elefante, o primeiro tocou-lhe a tromba, o segundo a barriga, o terceiro a cauda. E afastou-se deles o elefante. Depois, diante do rei, os três cegos descreveram-lhe o animal que haviam encontrado em suas andanças, cada um deles apresentando, dele, uma descrição, o que fez o rei concluir que eles haviam encontrado três animais, cada um de uma espécie. Não sei dos detalhes de tal história, que eu li, em algum lugar, há um bom tempo; e ela sempre me vêm à mente quando estou a ler, e não de qualquer pessoa, comentários acerca de questões atuais de extrema complexidade, tal qual a conflagração que envolve Putin, Biden, Zelenski, e, de raspão, o Bolsonaro. São, todos, os cegos da lenda, daí a prudência de muitos deles em evitarem postura de donos-da-verdade.

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Se a guerra que ora envolve Putin se ampliará, e envolverá outras nações não se sabe. Há quem diga que Putin abriu a caixa de Pandora, de livre e espontânea vontade; há quem diga que ele foi forçado a abri-la, e por Joe Biden – melhor, por quem dá as cartas na Casa Branca. Eu, um simples mortal, acompanho, de longe, muito longe, o desenrolar dos eventos, certo de que não sei quais informações que me chegam ao conhecimento procedem, quais são em apoio à narrativa de um dos personagens beligerantes. Sei que toda a mídia que acesso dá Putin como o vilão; sei, também, que a mídia que me chega é ocidental, favorável, mais do que ao presidente americano, aos miliardários que o mantêm no poder. Sei que numa guerra a verdade é a primeira vítima. Limito-me, portanto, a ler a respeito, sem tomar partido algum. Em tal história, não é absurdo pensar, não há heróis. Leio e ouço pessoas que me parecem confiáveis; e percebo que elas batem cabeça, dia sim, e outro também. Compreensível; afinal, são meros mortais.

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Emmanuel Macron (protótipo de Napoleão Bonaparte), o homenzinho que desgoverna a França, reiteradas vezes declarou que a Amazônia não pertence ao Brasil, e o fez para quem quisesse ouvi-lo. Políticos americanos também já explicitaram tal pensamento. E representantes de organizações internacionais igualmente o fizeram. Ninguém ignora que as riquezas amazônicas as cobiçam capitalistas e socialistas de todo o mundo. E é do conhecimento público que organizações não-governamentais apóiam a criação, no norte do Brasil, na sua fronteira com Venezuela e Colômbia, de nações indígenas. Ora, se o líder de uma de tais nações declarar independência e recorrer às organizações globais para obter reconhecimento de sua independência, é certo o apoio delas a ele, o reconhecimento internacional será imediato, e imediato também será o envio de forças de paz, pelos órgãos internacionais, para proteger o novo recém-criado estado soberano contra toda e qualquer aventura bélica que o Brasil pretenda desfechar-lhe para assegurar sua, do Brasil, integridade territorial. E assim se arrancará do Brasil, que não terá sequer o direito de dar um pio a respeito, um bom pedaço. E há quem pensa que é uma teoria da conspiração o Triplo A (Atlântico, Amazônia e Andes).

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É o Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, o herói da história, e Vladimir Putin o seu vilão? Ou nesta história que ora se desenrola diante de nossos olhos não há heróis, apenas vilões? Li que é Volodymyr Zelensky um fantoche de oligarcas americanos e europeus; que ele está a serviço de metacapitalistas globalistas; enfim, que ele é um comediante, que caiu de paraquedas em Kiev, e está tal qual uma barata tonta, de um lado para o outro, imensamente perdido. Mas a mídia já o alçou à condição de um herói, um herói universal. Li, também, que é a Ucrânia o quartel general da família Biden e seus amigos, que o usam para ações corruptas, lavagem de dinheiro e garimpagem de criptomoedas.

Em 2.013 era presidente da Ucrânia Viktor Yanukovych, aliado de Vladimir Putin, e leal a ele. Um levante popular, patrocinado pelo governo americano e especuladores financeiros internacionais, removeu-o do poder, o que acendeu o alarme na cabeça de Vladimir Putin. E o tempo seguiu sem curso. E Volodymyr Zelensky – herói biônico ora incensado pela imprensa mundial – para desagrado do tzar russo foi eleito presidente da Ucrânia. E a sequência da história estamos a acompanhar.

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Na guerra, a primeira vítima é a verdade. Tendo este truísmo em mente, toda e qualquer pessoa que se põe a tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia o faz com cautela, com prudência, considerando e reconsiderando o que pensa a respeito, e não afugenta a pulga que atrás da orelha, a atormenta. Vi comentadores a darem como certas estas e aquelas informações, que eles tiraram da mídia, mídia, esta, que, dizem eles, não é confiável. Não entendo, confesso que não entendo, a postura de muitos comentadores que vivem de denunciar as inverdades que a mídia conta, a desfaçatez da mídia que eles tanto deploram, mas sempre que um evento grandioso – ou não tão grandioso – ocorre, e para cuja explicação querem informações, a ela recorrem para obtê-las. O que explica tal comportamento? O comodismo, talvez, afinal, tal mídia está à mão, e procurar outras explicações para os eventos, além de tempo, exige coragem, principalmente para expor uma leitura que não é a que prevalece – é preferível, se errar, estar na companhia de milhares de pessoas, e justificar o erro informando que os dados da equação eram incógnitas que ninguém conhecia, e que só com o passar do tempo se poderia conhecê-los, do que errar sozinho. Movem-se por inércia; replicam notícias que contêm informações, que logo se revelam, umas, incorretas, outras, mentiras deslavadas.

Algumas informações já se revelaram mentiras (de três vídeos e as de três fotos). São os vídeos: um, a exibir uma bola-de-fogo amarela, vermelha e alaranjada (causada pela explosão de uma bomba termobárica) a expandir-se, assustadoramente, à escuridão da noite, na Ucrânia, mas o fato deu-se, na China, há uns quatro anos, e não foi a bola-de-fogo apocalíptica resultado da detonação de um artefato bélico, mas de uma explosão numa fábrica; dois, um intenso bombardeio russo contra cidade ucraniana, mas tais cenas são de um videogame; e, três, um tanque-de-guerra a passar por sobre um carro, e esmagá-lo, com a informação de que é o tanque russo, mas é ele ucraniano e seu piloto perdera-lhe a direção. E as fotos: uma, a exibir prédios em ruínas, com a informação de ser a cidade destruída ucraniana, mas a foto, tirada há um bom tempo, é de uma cidade Síria; duas, uma mulher ensanguentada e com a cabeça enfaixada é de há alguns anos, e não deste, tampouco desta guerra, e de uma atriz, e não de uma vítima de alguma violência; três, duas crianças a observarem um tanque-de-guerra a se deslocar por uma estrada não tem relação com a atual guerra que envolve Rússia e Ucrânia.

Maurício Alves, a distinguir-se dos outros que ao tratarem da guerra limitam-se a ecoar a narrativa midiática, entende que está a mídia a exagerar no tom apocalíptico, e exibe as mentiras que ela conta, e afirma que estão os promotores da narrativa oficial a desviar para a guerra a atenção do público mundial de assuntos que podem vir a complicar a vida de democratas americanos, Hillary Clinton em particular, e de Justin Trudeau, e das farmacêuticas (Big Pharma) das empresas de internet (Big Tech) envolvidas, estas e aquelas, em histórias do balacobaco. Procede o que ele diz, afinal não se vê na mídia notícias sobre os caminhoneiros canadenses e americanos, a acusação contra a Hillary Clinton (que estaria envolvida em espionagem contra Donald Trump), a rede social Truth, a queda, nas bolsas de valores, das ações das Big Pharma e Big Tech.

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