Carne de Vaca e Carne de Porco – Um Debate Epistemológico. Com a Participação dos Filósofos João Osso de Boi e Paulo Espinha de Peixe – transcrito por Zeca Quinha, e publicado no Zeca Quinha Nius.

O Zeca Quinha Nius, o maior e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre e de todos os outros orbes deste e de outros universos, tem a honra de apresentar aos seus leitores, que habitam os quatro cantos do orbe terrestre, em transcrição, a íntegra do debate, de cunho filosófico, antropológico, histórico, geográfico, psicológico, sociológico, teológico, parapsicológico, químico, físico, alquímico, metafísico, astrológico, astronômico, geológico, bovino, suíno, galinácio e ictiológico, do qual participaram dois nobres intelectuais brasileiros, os senhores João Osso de Boi e Paulo Espinha de Peixe. Antes de dar aos leitores do Zeca Quinha Nius, o maior e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre, o teor do debate, cuja substância são as palavras que os debatedores pronunciaram durante o debate, e não outras, que não foram ditas por eles, apresentamos breve, muito breve, brevíssima biografia deles, uma de cada um, pois cada um deles tem uma, e apenas uma, biografia, embora ninguém até o momento desta publicação tenha escrito, e tampouco publicado, a biografia deles, biografia que trata da vida deles, e não da de outras pessoas, que também podem ter uma biografia, ou mais de uma, a depender de quantas existam.

O senhor João Osso de Boi, dos dois debatedores o primeiro de quem falamos, e não o mais importante, é graduado e pós-graduado, gradualmente, em Linguística Alimentar, pela Faculdade dos Nomes Próprios Impróprios, Apropriados e Desapropriados, da Universidade Federal do Município de Pindamonhangaba do Norte-Nordeste. Escreveu sete obras grandiosas, cada uma delas com mais de dois milhões de palavras, e elaborou, com a sua inteligência invejável, a Teoria das Palavras Ditas e Não-Ditas Que Dizem as Ditas o Que Não Querem Dizer e Não Dizem as Não-Ditas o Que Querem Dizer Independentemente de Quem as Diz e as Não Diz, teoria que está exposta em um livro de mais de cinco milhões de palavras, uma obra monumental. E o senhor Paulo Espinha de Peixe, dos dois o segundo de quem falamos, e não o menos importante, é graduado, pós-graduado, doutorado e mestrado em Psicologia Parapsicológica do Pensamento Linguístico Humano Com e Sem Palavras, pela Faculdade de Antropologia Labial das Línguas Idiomáticas das Pessoas Falantes e Tagarelas, da Universidade Estadual do Município de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, e doutor honoris causa da Universidade Universal Terrestre e Terráquea da Cidade Indiana Pindamonhangabakrishnan. É autor de um livro em cuja capa há uma ilustração com um elefante, um sagui, uma ostra, uma estrela-do-mar, um pinguim, todos eles comendo batatas fritas, à mesa redonda, a participarem de uma confabulação linguística poliglota.

Agora que os leitores já leram, caso as tenham lido, as biografias, em resumo bem resumido, das duas ínsignes autoridades intelectuais, damos, nas linhas que seguem este parágrafo, a transcrição do histórico debate entre elas, que são eles, dois homens. Pedimos aos leitores que não se apressem na leitura, pois ainda não digitamos a transcrição; e que a leia na medida em que a digitarmos.

– A carne – disse João Osso de Boi, após as apresentações da lista de títulos, e muitos tíitulos, dos dois debatedores. – O que é a carne, e o que se diz da carne, e o que a carne é e não é é a questão que nos interessa, a mais importante em nossa civilização, a sociedade moderna, laica, cientificista, industrial e tecnológica em que vivemos. É a carne carne. É da essência da carne a sua substância carnuda. E é da carne que se origina a carnificina, a carnagem, a carnefilia, a carnefobia, o carnívoro e a carnívora, o carniceiro, a encarnação e a reencarnação, e o desencarnado, e a dona Maria da Encarnação. A carne em si, metafisicamente falando e dizendo ontológicamente, é laica; precede a existência da definição e do conceito de carne e as substâncias substanciosas que dela procedem. Não existisse a carne, não existiria o conceito de carne, e nem a definição dela, e tampouco a definição do seu conceito e o conceito da sua definição, tanto do que a carne é quanto do que são o conceito e a definição da carne. A existência da carne obrigou os humanos a pensar acerca da sua substância e das origens da linguagem cujo eixo de pensamento é a carne.

– Penso, meu amigo – disse Paulo Espinha de Peixe -, que, inexistindo a carne a existência da definição e do conceito de carne existiria, ou não, a depender dos estímulos intelectuais que os humanos porventura sofreriam no mundo em que a carne inexistisse. O intelecto humano é tão complexo e maleável que, mesmo desconhecendo a inexistência do inexistente e conhecendo a existência do existente, pensa na existência inexistente e na inexistência existente a ponto de conceber a entidade, em abstração, que associa a coisa ao objeto, independentemente se é o objeto uma coisa e a coisa um objeto; portanto, é o escólio, inexistindo, em concreto, a coisa, o objeto, em abstrato, inexiste, porque é a sociedade laica.

– O que me faz pensar, meu amigo, evocando, metafisicamente e ontologicamente e noologicamente e antropologicamente e etnologicamente e linguisticamente, os artigos e substantivos que se usa para designar, existencialmente e fenomenologicamente, a carne em suas inúmeras acepções, eles dela transcendem a materialidade; a carne seria carne mesmo se não existisse. Vejamos um exemplo: diz-se carne de vaca e diz-se carne de porco, sem se considerar a laicidade da carne e a sexualidade do açougueiro.

– Há açougueiros que, corroídos pela masculinidade tóxica, não compreendem, e não querem compreender, que a flatulência das vacas e dos bois interferem negativamente no clima terrestre, elevando a temperatura global, e ocasionando, consequentemente, maremotos e terremotos, interferindo, assim, automaticamente, nos ecossistemas do universo, com ressonâncias antropológicas e paleológicas que ecoam nos sistemas ecológicos dos outros sistemas estelares da Via-Láctea.

– Você tocou em um ponto sensível, que pode ser desdobrado em inúmeros pontos e estendidos em várias linhas, linhas retas e linhas curvas, pontuadas de pontos pontudos apontados em pontos curvos e pontos retos. Quero chamar a atenção para outro ponto, que também pode ser desdobrado, e esticado, e curvado e recurvado, aleatória e randomicamente, seguindo trilhas a esmo, em conformidade com a Teoria das Supercordas e em consonância com os postulados da Teoria da Relatividade Geral conectada às regras elementares da culinária japonesa. É o da designação das carnes. É a carne de vaca, entendem os dotados de preconceito linguístico da sociedade patriarcal, medievalista, feudal, de vaca, e a de porco, de porco. A carne de vaca não é necessariamente de vaca, pode ser de boi, e a de porco, de porca, e não obrigatoriamente de porco. A carne, considerando o ambiente laico da sociedade moderna, sendo carne, tem propriedades de carne, e são seus componentes carne, e de carne são as suas essências material e metafísica, e o nome “carne” transcende a carne, pois não compartilha com ela suas materialidade e concretude, pois a carne, para existir, independe do nome que a denomina e a identifica. A carne, portanto, em suas partes constituintes e em seu todo, sendo de vaca, é de boi, e sendo de boi é de vaca, e sendo de porco é de porca, e sendo de porca é de porco, e, por conseguintemente falando, e linguisticamente observando, não a carne, mas os nomes que a nomeiam, conclui-se que a sociedade não abandonou de todo os preconceitos linguísticos, herança de uma cultura bárbara, supersticiosa, de uma era que antecede a sociedade laica moderna, industrial e tecnológica, que tem na carne carne independentemente das suas existência e inexistência. É a carne um fenômeno extra-sensorial, um epifenômeno existencialista e parapsicológico devido à inconsistência da sua estrutura fenomenológica. E astrologicamente está a carne sob o reino de Plutão, e coroado por Júpiter, e amparado por Vênus, e justaposto a Urano, e alinhado a Mercúrio e Marte.

– O que se destaca nos nomes das carnes é a subjacente mentalidade discriminatória do povo conservador que, identificando na carne substância digerível, não atenta para a linguagem binária, o uso dos pronomes masculino e feminino, objetos culturais de sociedades corroídas pelo preconceito linguístico binário, e mal percebe a substância cosmológica de subsistência da civilização que existe sob a égide do capitalismo anárquico neoliberal e patriarcal, sob estrutura mercadológica cujo único fim é a exploração dos explorados em benefício dos exploradores, que têm na carne o símbolo etéreo e fluídico do domínio do lucro das empresas lucrativas, cujos proprietários se arvoram em árvores vetustas e milenares dotadas de vínculo umbilical com a natureza, e, portanto, revestidos com a sabedoria da Mãe Gaia, entidade celestial, suprema, divina, cuja divindade prescinde de transcendência teológica e metafísica. É impressionante o prejuízo que o senso comum do homem comum cuja essência está apodrecida por causa da masculinidade tóxica, que lhe fere o ser do seu ser, ser metamórfico, polimorfo, multifacetário. Enquanto não se derem conta da estupidez humana que faz da carne objeto de culto culinário e da nomeação binária, a sociedade não irá progredir.

– Se astrologicamente está a carne sob o signo dos astros, zodiacalmente ela está na substância concreta dos símbolos dos signos. No horóscopo há bichos, animais, todos de carne, e a libra, cujas balanças podem ser usadas para medir a extensão do peso das carnes, em equilíbrio, ou em desequilíbrio, e o aquário, que pode conter animais aquáticos, os peixes, ou outros animais, também compostos de carne, sendo, portanto, tanto o aquário, quanto a libra, objetos empregados para atuar em atividades humanas que têm na carne um fim em si mesmo. E na simbologia dos signos do horóscopo detecta-se a prevalência da ordem da desordem ordenada segundo a desordem cósmica da ordem cosmológica dos padrões parapsicológicos do magnetismo animal dos animais simbolizados pelos signos, cujas imanências conduzem e reconduzem os homens às eras terciária e quaternária das primícias dos prolegômenos inscritos no frontispício dos tratados noéticos, cujo patrono é Noé, escravocrata, o primeiro bípede implume a explorar o trabalho braçal dos animais da era paleozóica, o ser humano ainda a engatinhar em suas andanças pela Terra.

– Em se tratando de magnetismo animal, os animais o possuem em larga escala, em especial, e principalmente, os animais animalescos, cuja carne desencarna e reencarna segundo os estágios dimensionais da metempsicose ariana e marciana; sabe-se, também, que a carne dos animais, além de intimamente dotada, em sua quintessência, de magnetismo animal, tem alta dose de eletromagnéticas voltagem e amperagem no seu microscópico sistema elétrico, hidrelétrico e fotoelétrico, independentemente da consistência dos pólos da Terra, situados, um, em seu norte, um, no seu sul, um no seu leste, um, no seu oeste. E os vegetais e os minerais não são dotados de magnetismo animal, e nem os planetas.

– O tema, amigo, é um dos mais complexos sobre os quais os humanos nos debruçamos, dedicados a desentranhar-lhes os mistérios, que remontam às mais antigas sociedades obscurantistas e esotéricas do misticismo egípcio e das sociedades iniciáticas teosóficas e que estão inscritos nos tratados de magia negra concebidos por alquimistas e quiromantes e prestidigitadores, todos a corroerem a alma humana com seus exóticos e escalafobéticos tanglomanglos. É “carne” acrônimo de Consciência dos Animais Racionais Nativos do Exterior; em outras palavras, é a carne substância alienígena proveniente dos reptilianos que vivem, no centro da Terra Oca, além da Abóbada Celeste.

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