Covid, o bode expiatório.

Parece piada, mas não é uma piada. Ou é, e de mal gosto?! Penso mal, e imensamente mal, ao concluir, após ler notícias, cujos títulos, em letras garrafais, estamparam, na primeira página de sites de notícias e sob ícones de vídeos de sites de vídeos, que as autoridades de organizações mundiais de saúde contaram, entre si, nos suntuosos salões, uma piada, pra lá de hilária, e caíram na gargalhada, e decidiram dá-la a público, com ar de seriedade, a imprensa, escudada por autoridades médicas e científicas, a disseminá-la como se fosse algo respeitável, prova cabal da responsabilidade de organizações internacionais preocupadas com o bem-estar coletivo? E qual piada elas contaram? A seguinte: todas as mortes causadas por falta de atendimento médico-hospitalar, durante os dois anos de vigência de política sanitária de combate ao vírus, e por depressão, são debitadas na conta do covid. Então, ficamos assim: governadores e prefeitos decretaram: a partir de agora, e enquanto vigir o estado emergencial de saúde pública para enfrentamento ao coronavírus, os atendimentos médico-hospitalares ficarão restritos às pessoas infectadas pelo novo coronavírus – que, até onde se sabia até há poucas semanas, tinha nascido em um laboratório chinês, e agora fala-se que talvez seja sua origem ucraniana, seu berço um laboratório neste país erguido e administrado por entidades americanas. E as pessoas flageladas por outras doenças foram relegadas a segundo plano – as adoecidas pelo covid merecedoras de atendimento preferencial, em detrimento de todos os outros doentes. E não se pode ignorar que muitas pessoas afetadas por algum mal cardíaco, cientes de que necessitavam de tratamento médico, não procuraram, em decorrência do medo-pânico que a campanha midiática, que aterrorizou a todos, e poucos foram os que bravamente lhe resistiram, nos hospitais, pelos médicos, temendo vir a nos hospitais serem infectados pelo covid. E as que morreram de males cardíacos, sejam as que tiveram adiada, indefinidamente, às calendas gregas, a consulta com o cardiologista, ou a cirurgia, ou a operação, sejam as que afugentaram de seus pensamentos uma ida ao médico, temerosas de virem a morrer pelo vírus do qual fugiam como o diabo foge da cruz, agora, segundo os órgãos competentes – competentíssimos, diga-se de passagem, os mesmos que desde o início da tragédia covidiana trocaram os pés pelas mãos -, são dadas como vítimas, não de políticas equivocadas – pode-se dizer criminosas – de governadores e prefeitos, e profissionais da saúde, e burocratas de organizações globais, mas do coronavírus. É o coronavírus o bode expiatório perfeito para inocentar os verdadeiros assassinos, que – para usar uma expressão popular, de nenhuma elegância, de imagem suja – estão a tirar o seu da reta. Dizem, agora, que são os mortos, durante os dois últimos anos, por falta de atendimento médico, vítimas indiretas do covid. Pergunto-me, sem saber a resposta correta: o que consta no atestado de óbito de quem, durante a vigência do estado emergencial, não recebendo atendimento médico, morreu de ataque cardíaco? Ataque cardíaco, ou morte indireta por covid?! Inventaram uma nova doença: a morte indireta por um determinado mal. Os desavisados, ingênuos, facilmente sugestionáveis – e para concordar com sandices basta que estas estejam assinadas por cientistas e médicos renomados, e autoridades eminentes, e chanceladas por organizações mundiais – encontram sentido em tal coisa, que não tem sentido algum, mas se lhe darmos uma explicação jocosa, eliminando da narrativa o tom artificialmente sério a ela emprestada, percebe-se, facilmente, o ridículo que ela ilustra. Um pouco hiperbólico, e caricatural, feito unicamente com o propósito de destacar o ponto principal da farsa, ponto ao qual querem dar um ar de seriedade, eu o faço com um exemplo qualquer: “Jesualdo, diabético, na doçaria, come uma tonelada de doces, e levanta-se da cadeira, para se retirar do estabelecimento. Neste momento, à porta, um bandido anuncia o assalto, e, sem piscar, dispara quatro tiros contra o peito de Jesualdo, que tomba para trás, e jaz morto antes de atingir o chão. No seu atestado de óbito, registra o médico a causa da morte: morte indireta por consumo excessivo de açúcar.” Ridículo!? Sim! Ridículo! O raciocínio, a lógica, que usei neste exemplo ridículo, num tom jocoso, é o que está a se usar para se dizer que é correto imputar ao covid as mortes, durante o estado emergencial, por problemas cardíacos, e depressão, e outros.

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