Admirável mundo novo. Rússia x OTAN. E outras notas breves.

Durante os anos de epidemia, além de crescerem exponencialmente as transações financeiras e comerciais via meios digitais, o que para muitos é contraproducente, elevaram-se as vozes favoráveis ao famigerado passaporte vacinal, o que se configura para não poucas pessoas um instrumento de vigilância, de controle populacional, um exercício, em estágio embrionário, de monitoramento de pessoas, exercício que irá integrar as estruturas constritoras de um estado global autoritário, o que, é questão de tempo, será erguido, doa a quem doer. E a facilidade com que centenas de milhões de pessoas, flageladas pelo terror midiático, que promoveu histeria coletiva, submeteram-se aos mandos e desmandos de políticos secundados por renomados médicos e cientistas alçados, da noite para o dia, à condição de heróis, é, inequivocamente, um sinal agourento para os autênticos defensores da liberdade, e alvissareiro para os propugnadores do estado autoritário tecnocrata transhumanista, sob cujo jugo todo indivíduo despersonalizado, roubada de si a consciência individual, viverá, pusilanimemente, respondendo a estímulos pavlovianos. É esta uma visão fatalista, determinista, da história da espécie humana. Está o ser humano fadado a perder a sua essência humana, os dons que o fazem humano, ou é tal futurismo abstração fantasiosa, quimérica, que vai às raias do absurdo, do surrealista, fruto de cérebros imaginosos?

As transações financeiras por meios digitais acenderam o sinal de alerta na cabeça de muita gente, que prevê, e para um tempo não muito distante, a extinção do dinheiro em papel, o que será uma catástrofe, pois todas as informações referentes às finanças de todos os cidadãos da aldeia global estarão armazenadas em supercomputadores dotados de inteligência artificial, propriedades de gente extraordinariamente ricas, que, na comparação com o Tio Patinhas, o muquirana mais amado da história, dono de quaquilhões que transbordam de sua caixa forte, alvo preferencial dos Irmãos Metralha, são faraós, e tão podres de ricos, que governam, por meio de chefes-de-estado, seus testas-de-ferro, o destino de nações e povos. E se um cidadão cair em desgraça ao contrariar os interesses de algum potentado, o dinheiro, em meios virtuais, desaparece, como se nunca tivesse existido, num estalar de dedos, num piscar de olhos, num passe de mágica. Seria o fim da liberdade. Todo o cidadão estaria à mercê de tiranos. E qual é a outra alternativa? Virar as costas para o futuro que se esboça, hoje? Ou dar-se um jeito de se adaptar ao meio que está a se criar, sem por ele se deixar subjugar, oprimir, massacrar? Ou erigir outra civilização que dispensa os recursos tecnológicos do admirável mundo novo no qual muita gente sonha viver. Quem nunca sonhou com as comodidades que a civilização da era dos Jetsons oferece? E quantos são os que preferem viver na era dos Flinstones?

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Aumenta a Gazprom, empresa petrolífera russa, consideravelmente, desde o início da conflagração que varre o território ucraniano, a venda de gás à China, que está a substituir os europeus na condição de clientes dos russos, o que, para muitos, irá pôr a Rússia na dependência da China, desta vindo a se tornar um mero satélite. E há uns meses, e antes do início do conflito russo-ucraniano, alguns estudiosos ocidentais alertaram para a política temerária do ocidente, a de ameaçar a onça com vara curta, e encurralá-la, melhor, ameaçar o urso russo, pois o obrigaria a jogar-se no colo dos chineses, ou, o que era mais provável, Moscou estreitar laços estratégicos com Pequim, constituindo um bloco anti-ocidental poderoso – e parece que é este o cenário que está se desenhando.

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O governo da Bulgária, e o da Hungria, e o da Eslováquia, e o da República Tcheca – quatro países que, além de dependerem do gás russo, estão no caminho pelo qual o gás russo é transportado, da Rússia, para a Europa ocidental, estão em uma posição desconfortável. São tais países a chave para expôr a maracutaia européia, inconfessada, que a mídia esforça-se por ocultar. Noticia-se que a Europa não abre mão da política de sanções contra o gás e o petróleo russos e que os governos dos quatro países citados acima são refratários, os desavergonhados, à política de sanções, porque tais países dependem do gás russo. Mas a verdade, a verdade verdadeira, ensina que tal narrativa é jogo-de-cena, e que a Europa dispensou da aplicação de sanções ao gás russo os governos da Bulgária, da Hungria, da Eslováquia e da República Tcheca, para que ela possa destes países comprá-lo – para todos os efeitos, compra a Europa dos quatro países, não o gás russo, mas, respectivamente, o gás búlgaro, o gás húngaro, o gás eslovaco e o gás tcheko. Meninos espertinhos os europeus ocidentais, ninguém há de negar. Conquistar a fama de heróis a lutarem contra o poderoso urso russo, ao mesmo tempo que se conservam aquecidos com o gás russo. Há um porém, todavia: agora, pagam os europeus uma nota preta pelo gás que antes compravam por uma pechincha. Não são tão espertinhos os espertalhões.

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Grupos pró-Rússia, que têm, na mãe Rússia, a salvação da civilização humana, e no Ocidente, resumindo-o aos Estados Unidos da América, o demônio a ser vencido, e em Israel uma terra amaldiçoada, e seu governo maldito, e seu povo desprezível, estão a ver com bons olhos o estreitamento dos laços diplomáticos e estratégicos do governo da Rússia com os da Síria e do Irã, e o apoio dos russos ao Hezbollah e à resistência palestina, sabidamente governos e grupos que almejam concretizar o sonho, há muito acalentado, de varrer Israel do mapa. E elogiaram tais russófilos a ida de uma delegação do Hamas a Moscou e a recepção amigável, para uns calorosas, que o representante especial do presidente russo para o Oriente Médio e África, Mikhail Bogdanov, dipensou-lhe. E justificaram a ação do governo russo: o governo israelense oferece apoio militar a grupos ucranianos nazistas que se batem com a Rússia, então, não há razão para se reprovar o governo russo, que acolhe em seu seio os inimigos de Israel. E há poucos dias causou desconforto em autoridades israelenses uma declaração de Sergey Lavrov, a de que era Adolf Hitler judeu.

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Denunciam grupos pró-russos atrocidades cometidas pelo exército ucraniano, na aldeia de Terny, no distrito de Limansky, em Donetsk. Procedem as denúncias? Sabe quem lá está.

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Estão a bombardear, com drones, território da Transnístria. Dizem, uns, que são os russos que o bombardeiam; outros, os ucranianos. Quem diz a verdade? O que deseja quem ataca o território oeste da Ucrânia, na fronteira com a Moldávia (ou é território leste da Moldávia a Transnístria, na fronteira com a Ucrânia? Tão confusas estão as coisas por aquelas bandas que já não se sabe qual território pertence a qual país). A quem interessa a escalada do conflito? Aos russos, aos ucranianos, aos alemães, aos ingleses, aos americanos, aos gregos, aos troianos?

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Ataca um vilarejo armênio o exército do Azerbaijão.

Há ouro no subsolo da região fronteiriça entre Azerbaijão e Armênia – ouro em boa quantidade, presumo, quantidade imensurável de ouro, toneladas e mais toneladas, o que valeria uma guerra entre as duas nações que querem assumir total controle sobre a região. Entre as duas nações, ou entre as pessoas que pretendem retirar de sob a terra o diamante dourado, um russo, que tem o direito de explorar a região do lado armênio da fronteira, e um iraniano, que da fronteira explora o lado azerbaijão – e os governos dos dois países limitam-se a satisfazer-lhes os desejos.

As guerras acompanham os humanos desde Caim e Abel, e suas causas são as mais variadas, e vão desde a inveja entre irmãos até as ambição e ganância desmedidas de homens e mulheres de todas as raças, credos e ideologias. O ouro é só um dos objetos que faz com que os homens, de tanto cobiçá-lo, matem-se.

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A Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Ibama executaram, no estado do Pará, a bem-sucedida Operação Madeira do Norte II, contra desmatamento ilegal, e prenderam, em flagrante, uma pessoa envolvida no esquema, e apreenderam boa quantidade de madeira da floresta extraída ilegalmente.

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