Em um Reino Encantado, o desencanto.

Era uma vez, em um reino maravilhoso, de jóias mil, e povo gentil, um herói portentoso que, vindo à luz, espargiu-lhe o deus dos deuses, no belo e formoso corpo infantil, de textura sedosa, o elixir da sabedoria e o dom da santidade, que lhe ficariam marcados, e para todo o sempre, até ele exalar o derradeiro suspiro de sua heróica e imaculada existência, na ausência, em uma de suas mãos, do dedo mindinho. Era este o emblema, o símbolo inconfundível, de tão poderoso ser, que era um amálgama de santo e herói, uma entidade semi-divina, a alma sem pecados, cujo avatar, a idéia, a idéia por si mesma, de maravilhar todo homem e toda mulher, fez de uma cativante mulher uma sílfide com o poder de armazenar e controlar os ventos sempre que saudava, alegre, e religiosamente, a mandioca, em rituais mágicos que a conectavam com os espíritos da natureza. Foi neste Reino Encantado, que o mais heróico e divino dos seres governou durante uma era grandiosa, que o povo, mesmo com o encanto que lhe inspiravam o divino herói de nove dedos e a divina mulher que tinha o poder de pôr sob seu comando os ventos, suspeitou que as maravilhas que presenciava eram obras de um inigualável prestidigitador, de um ilusionista sem rival, de um feiticeiro poderosíssimo, que, com seu tangolomango escalafobético, mesmerizava-o, ludibriava-o. Vozes dentre os homens do povo elevaram-se acima do vulgo, e fizeram-se ouvir por todos. E os heróis divinos e seus devotos crentes, não podendo ignorar as vozes que se elevavam poderosas, e tampouco o povo, que, as ouvindo, e a concordar com a essência delas, as ecoavam, e fitavam, cada vez com mais firmeza e segurança, desconfiados e desiludidos, o homem que era a mais imaculada das almas, e sua criatura, que fazia saudações à mandioca, e todos os seus mais fiéis seguidores, decidiram, em vão, aterrorizá-lo com todas as armas que tinham à disposição. Estava desfeita a ilusão. Sabia, agora, o povo, que eram as lendas histórias do arco-da-velha. Aos olhos do povo, a verdadeira silhueta daqueles seres aos quais dedicava ele sincera admiração. Desfeita a ilusão, no Reino Encantado admirou-se o povo, que, a movê-lo vontade férrea, avançou, corajoso, contra as criaturas que, enganando-o, o seviciavam, e as despojou de suas vestes esplendorosas, delas revelando-se a nudeza repugnante.
Decidido a jamais se deixar maltratar por tipos tão reles, tão sórdidos, o povo principiou um novo capítulo de sua história, alvissareiro.

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