Biden. Vacinas. Caminhoneiros. Moro. Príncipe. Carvajal. Notas breves.

Dizem por aí que é o Joe Biden, homem que supostamente senta-se na cadeira presidencial americana, um morto-vivo, mais morto do que vivo, um zumbi, e dos mais lerdos que existem. Se é verdade, não sei; sei apenas que ele não tem paciência com jornalistas que lhe falam de inflação. Ah! se fosse o Trump a responder a um jornalista com a educação do Biden! O mundo viria abaixo. E Trump ficaria com as orelhas vermelhas de tanto que ouviria chamarem-lo fascista, nazista, racista, genocida, e o escambau. Os burros estão num mato sem cachorro, sem saber o que fazer com o Brandon e com a vice dele, a tal de Kamala, que, não sendo morta-viva, parece que viva não está, e nem morta – e ninguém sabe qual é o estado existencial de tal criatura.
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Se pessoas vacinadas com quinhentas doses da substância, que muita gente não sabe para o que serve, tais quais as que não se vacinaram, podem ser infectadas pelo vírus e infectar com ele outras pessoas, por que cargas-d’água se insiste em exigir de todos o tal de passaporte sanitário?
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E seguem os caminhoneiros canadenses a enfrentar Justin Trudeau, que removeu, diante de todos, a máscara de defensor da Democracia, da Liberdade e da Justiça, e revelou-se por inteiro, com a sua verdadeira face. E a ação deles está a inspirar colegas de estradas americanos, australianos, franceses e espanhóis a levantarem-se contra os tiranetes, que se multiplicaram assustadoramente de 2.020 para cá.
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A campanha do Sérgio Moro, indicam as notícias que li, está fazendo água. E está o até há um pouco menos de dois anos herói nacional enredado numa trama diabólica tão sutil e complexa que nem Ariadne consegue desenredá-la. Chama-me a atenção um detalhe: todas as decisões do Sérgio Moro que envolvem o Lula estão sendo anuladas e ele, Sergio Moro, não se pronuncia a respeito, não defende seu valioso e inestimável trabalho.
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O príncipe Andrew, herdeiro do trono inglês, homem quem tem em suas veias o sangue da rainha Elizabeth, assinou um acordo milionário, que lhe livra a cara num caso que envolve, contou-me um passarinho, o nome do falecido Epstein – que morreu em circuntâncias tão misteriosas, que nem Sherlock Holmes e Hercule Poirot e Auguste Dupin, unidos, chegariam ao seu assassino, que talvez tenha sido ele mesmo.
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Desde o ano passado, no mês de Outubro, ou Novembro, ouço falar de Hugo Carvajal, el Polo, que, preso na Espanha, contou aos juízes daquele país histórias escabrosas envolvendo políticos latino-americanos. E não foi da imprensa brasileira que ouvi tal notícia. A imprensa nacional nem sequer lhe menciona o nome, afinal, ele citou o nome de um ilustre personagem brasileiro que ela sonha ver, a partir do dia 1 de Janeiro de 2.023, ostentando a faixa presidencial.

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Cristofobia. Go, Brandon. Biden, o educadíssimo Biden. Trudeau, o herói invernal. Passaporte sanitário, ou passaporte para o sanatório? Caminhoneiros de todo o mundo, uni-vos. Notas breves.

Enquanto divulga-se, com alarmismo, a inexistente islamofobia, na Europa, e nos Estados Unidos, e, em menor escala, no Brasil, a cristofobia encorpa-se, atreve-se a expor-se publicamente, sem recear punição, seja esta em conformidade com as leis, seja moral, pois conta com apoio irrestrito da mídia, de intelectuais, de políticos, e de homens das leis, e até de religiosos, de cristãos (ou supostos cristãos) e de representantes da Igreja. É de triste memória o espetáculo grotesco que anticristãos exibiram, em praça pública, durante a visita do Papa Francisco, há uns oito, dez anos, ao Brasil; foi na Jornada Mundial da Juventude – estou a retirar tais detalhes dos escaninhos da minha memória, e peço ao leitor desculpas se erro – que uns estúpidos seres das trevas promoveram, e diante de olhos inocentes de crianças, suas indecências de constranger Calígula e Marquês de Sade; fizeram, inclusive, uso inusitado de um crucifixo (a decência impede-me de escrever o que se viu então; dispenso-me de escrever, minuciosamente, o ato executado por um sujeito desprovido dos mínimos requisitos da educação, para não conspurcar a folha em que escrevo, à lápis, estas linhas). A simples alusão ao fato ruboriza-me. Não foi este o único ato que os anticristãos promoveram, em público, contra o cristianismo, a Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo e os cristãos. É este apenas um deles; pertence aos milhares que nos quatro cantos do mundo olhos humanos testemunham, e contra tal movimento ainda não se agiu adequadamente. E dias atrás outro ato, supostamente de denúncia ao brutal assassinato, no Brasil, de um congolês, Moïse, políticos e militantes e agregados, numa igreja, em Curitiba, descarregaram, contra a Igreja, seu ódio, acusando-a de racista; não surpreende ninguém o que se viu. Para muitos, foi tal protesto apenas um exercício democrático. Ingênuos. Foi o ato político, orquestrado para dar combustível às massas de militantes estúpidos e grosseiros atacarem a Igreja e aterrorizarem os fiéis; apenas um detalhe, e dos bem pequenos, de um mosaico anti-cristão.

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Contou-me um passarinho a história: Durante uma transmissão, ao vivo, por uma tevê americana, de uma corrida da Nascar, o apresentador, a falar para a câmara, e imagens da corrida ao fundo, assim que se ouviu, em alto e bom som, do público na arquibancada, o grito de guerra “F..k you, Biden.”, saiu-se com a história, em outras palavras “O público grita: “Go, Brandon.”” Ora, naquele momento liderava a corrida Brandon. Foi tal episódio tão grotesco, tão ridículo, que os americanos, a partir de então, passaram a dizer que é o presidente dos Estados Unidos da América o Brandon, e não o Biden, presidente impopular, que, consta, recebeu, dos americanos, em 2.020, mais votos do que Obama em 2.008. E assim nasceu a lenda de Brandon. Foi esta a história que o passarinho me contou.

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Biden, o verdadeiro presidente dos Estados Unidos da América, o mais popular presidente da história americana, herói do universo, à desfaçatez de um jornalista, que lhe ousou perguntar acerca da inflação, replicou, educadamente, nomeando-o filho-de-uma-égua. Não foram estas as palavras que lhe saíram da boca, é claro, afinal, ele falou em inglês, e não em português; e eu faço uso de um eufemismo – que não é elegante, eu sei – para reproduzir, em vernáculo de Camões, o que ele disse no de Shakespeare. É a tradução livre.

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E os caminhoneiros canadenses, após o heróico, apolíneo e hercúleo Justin Trudeau exigir, deles, passaporte sanitário, para que eles, de posse do famigerado papelzinho, possam circular pelas estradas congeladas do Canadá, rumaram, em comboio, aos milhares, ao coração do governo do país de outro Justin, o Bieber. E escafedeu-se o Trudeau, herói que saiu do frio e entrou numa fria. Algum poderoso mago, ou feiticeiro, ou bruxo, ou prestidigitador, fê-lo desaparecer, num piscar de olhos, num estalar de dedos, num passe de mágica. E ninguém conhece-lhe o paradeiro. É mais fácil achar Wally do que Justin Trudeau.

Nota de rodapé: As más línguas dizem que o sangue do Fidel Castro corre pelas terras canadenses.

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Por que estão governos a exigirem das pessoas o passaporte sanitário para que elas possam ter acesso a supermercados, ônibus, farmácias, salas-de-cinema, e outros estabelecimentos, se já é de domínio público que vacinados – uno-vacinados, bi-vacinados, tri-vacinados, tetra-vacinados -, além de serem infectados por aquele bichinho invisivel, desgracioso, o bode expiatório de todos os males que os políticos causam aos homens comuns, podem transmiti-lo para outras pessoas? Quanto mais as pessoas se submetem, servis, às insanidades dos políticos mais se revelam merecedoras do passaporte para o sanatório.

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Os caminhoneiros canadenses, aliados aos caminhoneiros americanos, principiaram, tudo indica, um movimento global contra governantes que, a pretexto de cuidarem da saúde coletiva, do bem-estar dos povos, estão a oprimi-los, a segregá-los. E o Justin Trudeau, o reizinho mimado, faz pirraça. Solta o berreiro, e os acusa de atos anti-democráticos, e lhes imputa desejos os mais reprováveis. É o povo que, oprimido, sentindo, na carne, o chicote dos opressores, que lhe preparam os grilhões, revolta-se, em defesa da Liberdade. E não se ouve a voz libertária da turminha da esquerda, aguerridos defensores dos povos oprimidos, bravos heróis da liberdade, denodados guerreiros que estão sempre a enaltecer os povos em revolta contra os opressores.

O peido da vaca e o aquecimento global.

Vivemos tempos difíceis, de fundo apocalíptico, previsto, possivelmente, pelo folclórico e notório Nostradamus, irrivalizado personagem de poderes proféticos. E para surpresa de todos – ou de ninguém? – já se descobriu a gênese dos males que nos acossam: o peido da vaca. E quem foi o gênio, intelecto da estirpe de Newton, Leonardo e Einstein, o autor de tal façanha, digna de heróis divinos? O nome dele é um emblema de uma era, cientificista, um símbolo do excelso poder do intelecto tecnocrático, e não o de uma pessoa. A façanha chegou a termo após infinita elucubração científica e filosófica e teológica, e sua execução já chegou ao conhecimento do comum dos homens pela boca de sumidades televisivas, jornalísticas, enfim, entidades da indústria do espetáculo midiático, do entretenimento. O peido da vaca, sabe-se, irá causar – e tal evento está determinado nos livros da natureza – o aquecimento global. Preocupados com a concretização de tal fenômeno, cataclísmico, com potencial para partir a Terra ao meio, os sábios, após queimarem as pestanas, encontraram a solução para o problema que de nós se avizinha: persuadir os humanos a mudarem seus hábitos alimentares, converterem-se, os hereges, ao vegetarianismo, ou ao veganismo, ou, simplemente, abandonarem o consumo de carne de bois e vacas e adotarem o salutar hábito de comerem, além de vegetais, formigas, baratas, escorpiões, minhocas, besouros, lacraias, muriçocas, lombrigas, pernilongos, piolhos-de-cobra e outras criaturazinhas suculentas e crocantes.

Estou, aqui, com os meus botões, que são cinco, o Joãozinho, o Zezinho, o Pedrinho, o Tóninho e o Rubinho, a concatenar a multidão de idéias que a questão que me inspirou a redação desta minha obra-prima intelectual: Penso ser de uma potência equivalente à de mil bombas de Hiroshima somada à de mil bombas de Nagazaki a do peido da vaca. Potência nuclear, apocalíptica. Evocando a mitologia nórdica, muito em voga nos dias que correm pelas fibras ópticas, é iminente o Ragnarok. E não será a serpente de Midgard que irá realizar a profecia, mas a vaca com seu peido apocalítico.

Brincadeiras à parte, entendo que o assunto é sério, e entendo, também, que é uma panacéia a solução que pretendem dar ao problema que paira sobre nossas cabeças: mudar os hábitos alimentares dos humanos, assim, do dia para a noite, ou da noite para o dia, sem mais nem menos; sem mais nem menos não é, afinal está-se falando da destruição da Terra. Suspeito que a solução apresentada pelos gênios da raça, e apóiam-me em tal desconfiança meus cinco botões, parte, não do alegado desejo de salvar a Terra e, por consequência indesejada, a humanidade, mas de um interesse inconfessado de seus propugnadores: controle social, acúmulo de poder. Não confio em tal gente, nem aqui, tampouco no céu, menos ainda no inferno. Penso que com tal medida deseja-se, unicamente, oprimir o povo, já tão sofrido, que come o pão que o diabo amassou, enquanto os poderosos de plantão vivem no bem-bom, como se diz. E há quem proponha lockdowns climáticos e outras sandices equivalentes para se interromper o fenômeno devastador que nos perturba o sono inspirando-nos pesadelos assustadoramente amedrontadores.

Há, todavia, uma outra solução para o caso, solução, esta, que eu, com a inestimável ajuda dos meus cinco botões, engendrei com o meu formidável cérebro: Gasodutos transportam gases por longas distâncias, e com segurança; sendo assim, conecte-se ao fiofó das vacas – e ao dos bois também – tubos flexíveis e inquebráveis conectados, na outra ponta, a um tambor de gás daqueles bem grandes, imenso, que de tão grande a visão do homem não pode abarcar; toda vez que a vaca – ou o boi – soltar um pum, sonoro ou insonoro, o pacote de gás fluirá, da vaca – ou do boi -, pelo tubo, para o tambor; assim, países – principalmente o Brasil, de todo o mundo conhecido o maior proprietário de vacas e bois peidorrentos – armazenarão tal recurso, que terá o selo de estratêgico, que poderá ser usado em momentos em que se fizer imprescindível. São óbvias as vantagens desta minha proposta: não prejudica quem tira sua renda da criação de gado bovino, as pessoas seguem com sua dieta rica em proteínas, os governos não interferem na vida de ninguém com seus lockdowns climáticos e outras basbaquices, e os gases, usados em tempos de inverno rigoroso, aquecem residências, e os encurtam; e o ganho em divisas internacionais – principalmente para o Brasil: imagine-se quantos bilhões – e bilhões de dólares! – o Brasil ganhará vendendo peido de vaca para outras nações! Há, presumo, outras vantagens, que a minha imaginação, neste momento, não vê.

Aqui estão, em poucas palavras, os meus comentários acerca de assunto que exige de quem dele trata seriedade e compromisso com o bem comum.

Que este meu artigo fique registrado para a posteridade.

Quando eu terei a minha vida de volta? – Uma fábula do tempo do coronavírus.

Capítulo 1

– Fique duas semanas na sua casa, protegido. Nela, o coronavírus nenhum mal poderá fazer a você. Não saia da sua casa. O coronavírus está la fora, na rua. Proteja-se. Fique na sua casa durante duas semanas. É a orientação de médicos e cientistas renomados. Para a sua proteção. Assim que passarem as duas semanas, você terá de volta a sua vida. Fique em casa.

– Sim, senhor.

Capítulo 2

– Senhor, já se passaram as duas semanas. Posso ter a minha vida de volta?

– Não. Não pode. Evite aglomerações e use máscara em locais públicos e nos estabelecimentos comerciais, nas igrejas, nos consultórios médicos, nos escritórios de advocacia; enfim, em todo lugar.

– Mas, senhor… Por quê?

– Médicos e cientistas renomados, após novos estudos, descobriram que evitar aglomerações e usar de máscara são essenciais para o combate ao coronavírus.

– Mas, senhor, durante quanto tempo deverei usar máscara e evitar aglomerações?

– Seis meses.

– E depois de seis meses terei a minha vida de volta?

– Sim. Evite aglomerações e use máscara. E em seis meses você terá de volta a sua vida. Use máscara. Evite aglomerações.

– Sim, senhor.

Capítulo 3

– Senhor, passaram-se os seis meses. Posso ter a minha vida de volta?

– Não.

– Não!?

– Não. Você terá de se vacinar.

– Vacinar-me!? Mas o senhor me disse que…

– Cientistas e médicos renomados, após novos estudos, descobriram que o coronavírus é mutante e provoca ondas epidêmicas, uma, duas, várias, e que o único meio de vencê-lo é vacinando-se, para se adquirir imunidade.

– Entendi, senhor. E a máscara!? Posso descartá-la!?

– Não. Use-a. Para a sua proteção. Durante os novos estudos, médicos e cientistas renomados descobriram que o uso contínuo e ininterrupto de máscara reforça a proteção e a imunidade. Continue a usá-la.

– E aglomerações…

– Evite-as. Evite-as.

– Senhor, eu poderei, após vacinar-me, dispensar a máscara?

– Sim. Vacine-se.

– Sim, senhor.

Capítulo 4

– Senhor, eu me vacinei. O senhor me dá a minha vida de volta?

– Não posso. Cientistas e médicos renomados, após novos estudos, descobriram que o coronavírus ainda não foi embora.

– Não foi!?

– Não.

– Mas… Senhor, eu quero comemorar o aniversário de meu filho mais novo. Ele faz seis anos, na próxima semana. Minha esposa e eu queremos lhe dar uma festinha… convidar os amigos…

– Não pode. Aglomeração de pessoas favorece o coronavírus, que se transmite, rapidamente, entre as crianças.

– Entendo, senhor, entendo.

– Ótimo.

– Mas… Mas, senhor, agora que estou vacinado, e imunizado contra o coronavírus, não preciso usar máscara…

– Precisa, sim. Precisa.

– Preciso!? Mas… Senhor…

– Médicos e cientistas renomados descobriram, após novos estudos, que o uso de máscara é indispensável. O coronavírus está mais forte do que nunca. Use máscara.

– Durante quantos dias?

– Dias, não. Meses. Durante seis meses. Use máscara.

– Sim, senhor.

Capítulo 5

– Senhor, passaram-se os seis meses. Posso ter a minha vida de volta?

– Ainda não.

– Não!? Por quê!?

– Cientistas e médicos renomados descobriram, após novos estudos, que o coronavírus voltou com força total. Irá matar milhões de pessoas, se nos descuidarmos, se afrouxarmos as medidas de segurança.

– E o que tenho de fazer, senhor?

– Vacinar-se.

– Vacinar-me!? Mas, senhor, eu já me vacinei.

– Você precisa de mais uma dose. A segunda.

– Mais uma dose!?

– Sim. Médicos e cientistas renomados dizem que é necessário fortalecer o sistema imunológico. O coronavírus sofreu mutação, e está muito forte. Vacine-se. Vacine-se com uma outra dose, a segunda.

– Sim, senhor.

Capítulo 6

– Senhor, eu me vacinei duas vezes. Duas doses. Posso ter a minha vida de volta?

– Não.

– Não!?

– Não. Cientistas e médicos renomados descobriram, após novas pesquisas, que o coronavírus é resiliente, muito resiliente. Não morreu.

– E o que eu tenho de fazer, senhor?

– Ficar em casa, evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social, e usar máscara. E vacinar-se.

– Vacinar-me!?

– Sim. É preciso vacinar-se. Você tem de tomar a terceira dose da vacina, para reforçar o seu sistema imunológico.

– Mas, ficar em casa…

– Fique em casa, para evitar aglomerações.

– E a máscara…

– Use máscara.

– Mas, e a minha vida!?

– Você a terá de volta se ficar em casa, usar máscara, evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social, e vacinar-se.

– E em quanto tempo terei a minha vida de volta?

– Seis meses. Fique em casa, evite aglomerações, mantenha o distanciamento social, use máscara, e vacine-se.

– Sim, senhor.

Capítulo 7

– Senhor, passaram-se os seis meses. O senhor me devolve a minha vida?!

– Não posso.

– Não pode!? Não!? Mas o senhor…

– Não podemos relaxar as medidas de combate ao coronavírus.

– Mas já se passaram os seis meses.

– Eu sei. Mas cientistas e médicos renomados descobriram, após novas pesquisas, que o coronavírus se fortaleceu. Agora, ele consegue entrar nas casas das pessoas.

– Mas, então… Então, senhor… Então, de que adianta eu me trancar em minha casa, se o coronavírus está lá dentro?!

– O coronavírus que está fora da sua casa é mais forte.

– Mas…

– Não seja um negacionista. Respeite a ciência.

– Mas…

– Agora terei de instalar câmaras dentro da sua casa.

– Câmaras dentro da minha casa!? Mas…

– O que você teme?

– Eu!?

– Sim. Você. O que você teme? Você maltrata seus filhos?

– Não.

– Você espanca sua esposa?

– Não.

– Você pratica, dentro da sua casa, alguma atividade criminosa?

– Não.

– Quem não deve, não teme.

– Mas, senhor minha esposa, meus filhos e eu temos a liberdade…

– Vocês não têm o direito de serem individualistas egoístas num momento em que toda a sociedade sofre por causa de um vírus mortal, para cujo combate se fazem necessárias políticas de interesse coletivo, que se sobrepõem aos, e anulam os, desejos egoístas dos indivíduos. Entendeu?

– Sim, senhor. Entendi.

– Todos, para o bem-comum, temos de fazer a nossa parte; todos temos de sacrificar um pouco da nossa liberdade, para o bem de todos.

– Entendi.

– Instalarei câmaras de vigilância em todos os cômodos da sua casa, onde você, sua esposa e seus filhos terão de respeitar o isolamento social e evitar aglomerações. Dois de vocês não poderão se conservar, ao mesmo tempo, no mesmo cômodo. Terão de estabelecer regras de conduta, para não se cruzarem nos corredores de sua casa. Entendeu?

– Sim, senhor. Entendi, sim, senhor. Mas, senhor, as câmaras não ficarão na minha casa para sempre, ficarão?

– Não. Ficarão, lá, apenas durante seis meses, até o coronavírus se enfraquecer; para ele se enfraquecer, basta vocês respeitarem o isolamento social dentro da sua casa e evitar aglomerações. Respeite tais medidas, que em seis meses você terá a sua vida de volta.

– Sim, senhor.

Capítulo 8

– Senhor, passaram-se os seis meses. O senhor me devolve a minha vida?

– Não posso.

– Por quê, senhor!? Por quê!?

– Cientistas e médicos renomados descobriram, após novos estudos, que o coronavírus se fortalece, dia após dia, porque há muitos seres humanos no planeta Terra, cujos recursos naturais estáo saturados, e que se enfraquece, debilita-se. E os humanos consomem muitos produtos naturais.

– Mas os recursos naturais não se renovam, senhor?!

– Não seja um negacionista fanático, intolerante, radical!

– Mas, senhor, o que tiramos da terra à terra restituímos.

– Você é um negacionista intransigente. Terá de ser reeducado. Você, e sua esposa e seus filhos. Vocês terão de assistir aos programas e documentários educativos oficiais cujo teor considera as descobertas científicas de médicos e cientistas renomados, e não de charlatães obscurantistas, religiosos medievalistas fanáticos, inquisitoriais. E tiraremos de você, de sua esposa e de seus filhos acesso a meios de comunicação e livros que não reproduzem a política oficial elaborada, nas organizações internacionais, por médicos e cientistas renomados. Você, sua esposa e seus filhos permanecerão recolhidos à sua casa durante seis meses. E as câmaras serão de imprescindível utilidade para educar vocês, impedir que vocês incorram em algum desatino, que possa jogar por terra todo o nosso esforço e recursos que empregamos no combate ao coronavírus. Você entende a importância de persistirmos em nossa política de contenção do coronavírus?

– Sim, senhor. Entendo…

Capítulo 9

– Senhor, já se passaram os seis meses. O senhor me devolve…

– Não posso.

– Não!?

– Não. O coronavírus é resiliente. E resistente. E mais resistente do que se pensava. Cientistas e médicos renomados descobriram que, agora, devido o adoecimento da Terra, causado pelos seres humanos, que são numerosos, o coronavírus fortaleceu-se. Compreenda: Enfraquece-se a Terra; fortalece-se o coronavírus. Há uma relação direta entre o fortalecimento do coronavírus e o enfraquecimento da Terra. Não podemos descuidar. E os cientistas e médicos renomados propõem a redução da população humana; assim, havendo menos seres humanos, a Terra recupera sua energia, e fortalece-se, e o coronavírus enfraquece-se, consequentemente. Todos temos de fazer a sua parte de sacrifício, participar do esforço de eliminar o coronavírus, e para tanto é indispensável que a Terra se fortaleça.

– E o que devo fazer, senhor?

– Após seis meses educado pelos nossos programas educativos, você está apto a, compreendendo a periclitante situação atual, praticar atos que condizem com a de homens abnegados, responsáveis, que têm compromisso com o bem-comum, homens que, honrados, põem a saúde da coletividade acima de seus interesses mesquinhos. Você terá de suprimir à vida sua esposa e seus filhos, para libertá-los do terror em que o mundo se converterá caso a Terra se enfraqueça, e, consequentemente, o coronavírus se fortaleça. O governo mundial oferecerá a vocês todos os instrumentos mecânicos, e legais e morais para você executar a inadiável tarefa. Você entende a importância de seu gesto, não entende?

– Sim, senhor, entendo.

– Então, não permita que sua esposa e seus filhos vivam num mundo assustadoramente devastado pelo coronavírus. Dê a eles uma digna morte.

– Sim, senhor.

Capítulo 10

– Senhor, minha esposa e meus filhos estão num outro estado existencial. Libertei-lhes os espíritos da prisão carnal. Salvei-os. O senhor me dá minha vida de volta??

– Não posso. Cientistas e médicos renomados descobriram que a Terra ainda está fraca, e o coronavírus, forte. Não podemos afrouxar as medidas de contenção do coronavírus.

– E o que devo fazer, senhor? Diga-me. O que devo fazer para ter a minha vida de volta?

– Mate-se.

– Sim, senhor.

… e todos viveram felizes para sempre.

Fim.

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