Patrulheiros em Alerta (The Midnight Patrol – 1933) – com O Gordo e o Magro

A piada está no título. Alertas os dois patrulheiros mais bobos, tolos, patetas de que se tem notícia? Está aí a piada. E ao saber do título, esboça-se um sorriso no rosto de quem o lê, e já se anteve a sucessão de disparates que Stan Laurel e Oliver Hardy irão empreender com as suas proverbiais sabedoria e perspicácia, tão admiráveis, e invejáveis, que causam em todos espanto.
Estão os dois patrulheiros no interior de uma viatura policial, quando ouvem um comunicado, via telefone, da polícia: ladrões roubam o estepe da viatura policial. Ao ouvir tais palavras, quem assiste ao filme recusa-se a acreditar que os dois patrulheiros não haviam presenciado a ação dos criminosos. Resolvida – e do modo que o foi – o caso, recebem os patrulheiros outro comunicado da delegacia de polícia: em andamento uma invasão à certa residência. Conquanto atilados patrulheiros, Stan e Laurel esquecem-se do endereço em que um criminoso estava a cometer o crime. E Stan dirige-se a uma loja onde se depara com um arrombador de cofres, e com ele dedica alguns minutos de sua suspicaz atenção, mantêm com ele um diálogo, apropriado, pode-se dizer, considerando-se as circunstâncias, e, um telefone à mão, disca para a delegacia de polícia, e solicita ao seu interlocutor do outro lado da linha o endereço em que um criminoso perpetrava um crime. E anota os dados que ele lhe dá em uma folha de papel. E ele surpreendentemente atrapalha-se e perde as informações anotadas. E Oliver tem de realizar ligação telefônica à delegacia. E agora, de posse do endereço da residência que um criminoso escolhera para roubar, rumam os dois patrulheiros, de viatura policial, ao local do crime. Lá chegando, deparam-se com o criminoso com a mão na massa. As cenas que se seguem no interior da residência, até a captura do meliante e a condução dele à delegacia de polícia revelam a vocação de ambos os patruleiros para o correto exercício de homens da lei.

Dois Birutas na Legião Estrangeira (Beau Hunks – 1931) – com O Gordo e o Magro

Dizem os saudosistas que hoje em dia não se faz comédias como antigamente. E eles estão corretos; não há o que se lhes refutar: as comédias modernas, inclusive as animadas por atores engraçados, são apelativas; constrangem familiares tímidos, acanhados, se a família, avós, pais, filhos e netos, assistem ao filme, em casa, na sala, reunidos, num dia de confraternização. O mesmo não se pode dizer dos filmes de O Gordo e o Magro, personagens interpretados, respectivamente, por Oliver Harvey e Stan Laurel, a dupla mais atrapalhada, divertida e engraçada da história do cinema, ícones da sétima arte, figuras que só encontram rivais nos comediantes seus contemporâneos: Charles Chaplin, Harold Lloyd, Buster Keaton, e os Três Patetas, Moe, Curly e Larry.

Neste Dois Birutas na Legião Estrangeira, Ollie e Stan, sob a direção de James W. Horne, seguindo roteiro de H. M. Walker, por vias não muito nobres, vão ter a um posto da Legião Estrangeira. Moveu-os ao alistamento uma desilusão amorosa de Ollie, cuja amada, Jeannie-Weenie (Jean Harlow), mulher que viajou pelo mundo inteiro e era amada por todos, via telegrama, informou-o o rompimento do noivado. Ollie, desgostoso, desiludido, decidido a afagar as suas mágoas, a dedicar-se a tarefas que lhe ocupem os pensamentos, desviando-os da mulher que lhe destroçara o coração, arrasta consigo Stan ao posto da Legião Estrangeira, e alistam-se. E não tardam as atrapalhadas da dupla mais divertida do cinema. E tão logo veio a descobrir, no alojamento dos legionários, que a sua querida Jeannie-Weenie não era a santa, meiga e correta, imaculada mulher que ele, em sua ilusão de homem doentiamente apaixonado, acreditava ser, ciente, agora, de que ela era amada por todos, sofre Ollie segunda desilusão; e na companhia de seu companheiro de todas as horas, dirige-se à sala do comandante e pede-lhe o desligamento, dele, Ollie, e de Stan, da Legião Estrangeira. E do comandante os dois atrapalhados legionários ouvem uma resposta que não os agradou, que os descontentou: Ollie e Stan seguiriam alistados na Legião Estrangeira. E na sala do comandante viram Ollie e Stan, à parede, uma foto de Jeannie-Weenie, igual à que ela enviara a Ollie. E seguem-se cenas hilárias, encantadoramente engraçadas, de fazer dobrar-se de rir a estátua de Moisés esculpida por Michelângelo.

Anunciado o cerco, por muçulmanos, do Forte Árido, ruma os legionários, pelo deserto, chamados a cumprir o dever de irem em socorro a outros legionários, e no deserto Ollie e Stan exibem toda a sua extraordinária falta de destreza no manejo de equipamentos úteis ao avanço dos legionários pelo deserto violento, rigoroso. Durante uma tempestade de areia, enceguecidos, perdem Ollie e Stan a trilha, desgarram-se da companhia de legionários, e andam em círculos; mesmo assim, saem do lugar, sabe-se lá por quais meios, e alcançam o Forte Árido, um feito inusitado, inédito, inexplicável, fantástico, fabuloso, extraordinariamente absurdo. E no Forte Árido sucedem-se as atrapalhadas dos dois novos recrutas. E invadem os muçulmanos o Forte Árido. E dá-se o conflito entre os legionários e os invasores. E o desenlace da picaresca aventura é surpreendentemente cômico, graciosamente engraçado, irresistivelmente divertido.

Neste filme de um pouco menos de quarenta minutos, Oliver Hardy e Stan Laurel oferecem momentos de humor irresistível, cenas impagáveis de tão disparatadas.

E pensar que a divertida aventura começou com uma desilusão amorosa!

Don’t be foolish – (1922) – de Billy West

As comédias antigas, do tempo do cinema em preto e branco, e mudo, têm um toque de humor – humor pastelão – irrivalizado. São simples, ingênuas, tragicômicas. Contêm sucessão de cenas hilárias gostosamente absurdas. De um nonsense disparatado. E este Don’t be Foolish, de Billy West, um filme de quase um século de vida, é um belo exemplar de uma época em que os cineastas que se dedicavam a contar estórias engraçadas revelavam talento e amor à vida (amor à vida, sim, pois o humor que faz rir, gargalhar livremente, nasce do prazer de viver e de fazer viver), que os intitulados comediantes de hoje em dia não herdaram.

A aventura do protagonista tem seu início, numa praça, ele sentado num banco, a descascar bananas e a arremessar as cascas – sem o saber – na cara de policiais. Chamado por eles à razão, ele corre, e eles o perseguem. E ele os despista; todavia, pouco depois, encontra-se com eles, e a perseguição prossegue. E depara-se com uma mulher cujo rosto foi esculpido por um amante do grotesco, do horripilante. E escapa-lhe das garras. E os policiais o perseguem, e o capturam, e ele lhes escapa. E o capturam uma vez mais, e ele lhes escapa segunda vez. E prossegue a perseguição. E ele chega, por vias acidentais, ao apartamento da mulher de cujas garras escapara, e dela foge à abordagem. E sucedem-se cenas divertidíssimas, até que, enfim, o caso se resolve.

Sei que esta resenha nada conta do filme. Mas dele nada há para se contar além do que contei. E tenho de escrever, para encerrar: Só quem está de mal com a vida não se diverte ao assistir Don’t be Foolish.

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