Vacinados e não-vacinados. E esquema vacinal completo.

No parágrafo abaixo deste, entre as aspas, um trecho de uma publicação da Prefeitura do Município de Pindamonhangaba, na página desta no Facebook, publicação na qual se dá notícias concernentes aos casos de infecções e mortes por covid-19, em Pindamonhangaba, no período que se iniciou no dia 21 de Julho e se encerrou no dia 27 do mesmo mês, seguido de comentários meus, que publiquei na caixa de comentários da mesma publicação.
“Vale destacar que 100% dos óbitos ou não foram vacinados ou não completaram esquema vacinal.” Nesta frase, põe-se juntas as pessoas que não se vacinaram e as que, mesmo vacinadas, não o estavam com todas as doses que se convenciou considerar obrigatórias para se respeitar o esquema vacinal completo. Mas quantas doses são exigidas, hoje, para se completar o esquema vacinal? Quatro? E assim que lançaram no mercado a quinta dose, as pessoas vacinadas, então, com quatro doses estarão incluídas no grupo das pessoas que não estão com o esquema vacinal completo? E quando lançarem a sexta dose? Não sei se entendi a questão. Corrijam-me, por gentileza, se eu estiver errado: ao se aglomerar as pessoas não-vacinadas e as que não completaram o esquema vacinal no mesmo grupo, está-se a se considerar as que não completaram o esquema vacinal pessoas não-vacinadas. Seria o correto a prefeitura separar em grupos distintos as pessoas não-vacinadas das pessoas vacinadas com uma dose, e das vacinadas com duas doses, e das vacinadas com três doses.

Covid, o bode expiatório.

Parece piada, mas não é uma piada. Ou é, e de mal gosto?! Penso mal, e imensamente mal, ao concluir, após ler notícias, cujos títulos, em letras garrafais, estamparam, na primeira página de sites de notícias e sob ícones de vídeos de sites de vídeos, que as autoridades de organizações mundiais de saúde contaram, entre si, nos suntuosos salões, uma piada, pra lá de hilária, e caíram na gargalhada, e decidiram dá-la a público, com ar de seriedade, a imprensa, escudada por autoridades médicas e científicas, a disseminá-la como se fosse algo respeitável, prova cabal da responsabilidade de organizações internacionais preocupadas com o bem-estar coletivo? E qual piada elas contaram? A seguinte: todas as mortes causadas por falta de atendimento médico-hospitalar, durante os dois anos de vigência de política sanitária de combate ao vírus, e por depressão, são debitadas na conta do covid. Então, ficamos assim: governadores e prefeitos decretaram: a partir de agora, e enquanto vigir o estado emergencial de saúde pública para enfrentamento ao coronavírus, os atendimentos médico-hospitalares ficarão restritos às pessoas infectadas pelo novo coronavírus – que, até onde se sabia até há poucas semanas, tinha nascido em um laboratório chinês, e agora fala-se que talvez seja sua origem ucraniana, seu berço um laboratório neste país erguido e administrado por entidades americanas. E as pessoas flageladas por outras doenças foram relegadas a segundo plano – as adoecidas pelo covid merecedoras de atendimento preferencial, em detrimento de todos os outros doentes. E não se pode ignorar que muitas pessoas afetadas por algum mal cardíaco, cientes de que necessitavam de tratamento médico, não procuraram, em decorrência do medo-pânico que a campanha midiática, que aterrorizou a todos, e poucos foram os que bravamente lhe resistiram, nos hospitais, pelos médicos, temendo vir a nos hospitais serem infectados pelo covid. E as que morreram de males cardíacos, sejam as que tiveram adiada, indefinidamente, às calendas gregas, a consulta com o cardiologista, ou a cirurgia, ou a operação, sejam as que afugentaram de seus pensamentos uma ida ao médico, temerosas de virem a morrer pelo vírus do qual fugiam como o diabo foge da cruz, agora, segundo os órgãos competentes – competentíssimos, diga-se de passagem, os mesmos que desde o início da tragédia covidiana trocaram os pés pelas mãos -, são dadas como vítimas, não de políticas equivocadas – pode-se dizer criminosas – de governadores e prefeitos, e profissionais da saúde, e burocratas de organizações globais, mas do coronavírus. É o coronavírus o bode expiatório perfeito para inocentar os verdadeiros assassinos, que – para usar uma expressão popular, de nenhuma elegância, de imagem suja – estão a tirar o seu da reta. Dizem, agora, que são os mortos, durante os dois últimos anos, por falta de atendimento médico, vítimas indiretas do covid. Pergunto-me, sem saber a resposta correta: o que consta no atestado de óbito de quem, durante a vigência do estado emergencial, não recebendo atendimento médico, morreu de ataque cardíaco? Ataque cardíaco, ou morte indireta por covid?! Inventaram uma nova doença: a morte indireta por um determinado mal. Os desavisados, ingênuos, facilmente sugestionáveis – e para concordar com sandices basta que estas estejam assinadas por cientistas e médicos renomados, e autoridades eminentes, e chanceladas por organizações mundiais – encontram sentido em tal coisa, que não tem sentido algum, mas se lhe darmos uma explicação jocosa, eliminando da narrativa o tom artificialmente sério a ela emprestada, percebe-se, facilmente, o ridículo que ela ilustra. Um pouco hiperbólico, e caricatural, feito unicamente com o propósito de destacar o ponto principal da farsa, ponto ao qual querem dar um ar de seriedade, eu o faço com um exemplo qualquer: “Jesualdo, diabético, na doçaria, come uma tonelada de doces, e levanta-se da cadeira, para se retirar do estabelecimento. Neste momento, à porta, um bandido anuncia o assalto, e, sem piscar, dispara quatro tiros contra o peito de Jesualdo, que tomba para trás, e jaz morto antes de atingir o chão. No seu atestado de óbito, registra o médico a causa da morte: morte indireta por consumo excessivo de açúcar.” Ridículo!? Sim! Ridículo! O raciocínio, a lógica, que usei neste exemplo ridículo, num tom jocoso, é o que está a se usar para se dizer que é correto imputar ao covid as mortes, durante o estado emergencial, por problemas cardíacos, e depressão, e outros.

Biden. Vacinas. Caminhoneiros. Moro. Príncipe. Carvajal. Notas breves.

Dizem por aí que é o Joe Biden, homem que supostamente senta-se na cadeira presidencial americana, um morto-vivo, mais morto do que vivo, um zumbi, e dos mais lerdos que existem. Se é verdade, não sei; sei apenas que ele não tem paciência com jornalistas que lhe falam de inflação. Ah! se fosse o Trump a responder a um jornalista com a educação do Biden! O mundo viria abaixo. E Trump ficaria com as orelhas vermelhas de tanto que ouviria chamarem-lo fascista, nazista, racista, genocida, e o escambau. Os burros estão num mato sem cachorro, sem saber o que fazer com o Brandon e com a vice dele, a tal de Kamala, que, não sendo morta-viva, parece que viva não está, e nem morta – e ninguém sabe qual é o estado existencial de tal criatura.
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Se pessoas vacinadas com quinhentas doses da substância, que muita gente não sabe para o que serve, tais quais as que não se vacinaram, podem ser infectadas pelo vírus e infectar com ele outras pessoas, por que cargas-d’água se insiste em exigir de todos o tal de passaporte sanitário?
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E seguem os caminhoneiros canadenses a enfrentar Justin Trudeau, que removeu, diante de todos, a máscara de defensor da Democracia, da Liberdade e da Justiça, e revelou-se por inteiro, com a sua verdadeira face. E a ação deles está a inspirar colegas de estradas americanos, australianos, franceses e espanhóis a levantarem-se contra os tiranetes, que se multiplicaram assustadoramente de 2.020 para cá.
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A campanha do Sérgio Moro, indicam as notícias que li, está fazendo água. E está o até há um pouco menos de dois anos herói nacional enredado numa trama diabólica tão sutil e complexa que nem Ariadne consegue desenredá-la. Chama-me a atenção um detalhe: todas as decisões do Sérgio Moro que envolvem o Lula estão sendo anuladas e ele, Sergio Moro, não se pronuncia a respeito, não defende seu valioso e inestimável trabalho.
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O príncipe Andrew, herdeiro do trono inglês, homem quem tem em suas veias o sangue da rainha Elizabeth, assinou um acordo milionário, que lhe livra a cara num caso que envolve, contou-me um passarinho, o nome do falecido Epstein – que morreu em circuntâncias tão misteriosas, que nem Sherlock Holmes e Hercule Poirot e Auguste Dupin, unidos, chegariam ao seu assassino, que talvez tenha sido ele mesmo.
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Desde o ano passado, no mês de Outubro, ou Novembro, ouço falar de Hugo Carvajal, el Polo, que, preso na Espanha, contou aos juízes daquele país histórias escabrosas envolvendo políticos latino-americanos. E não foi da imprensa brasileira que ouvi tal notícia. A imprensa nacional nem sequer lhe menciona o nome, afinal, ele citou o nome de um ilustre personagem brasileiro que ela sonha ver, a partir do dia 1 de Janeiro de 2.023, ostentando a faixa presidencial.

Nomes proibidos. Profetas modernos. Já se vacinou? Médicos? O Dia do Pico ressurge. Imunidade natural, ou vacina? Carnaval. Notas breves.

Nomes proibidos.

Nestes tempos de Seguidores da Ciência, tempos que correm pelas auto-estradas da internet, há nomes que não podem ser escritos em tipos gráficos, tampouco pronunciados nas altas esferas midiáticas, acadêmicas, e nas instituições oficiais, nacionais e internacionais, e nas ditas científicas, nomes que devem ser mantidos longe dos olhos e ouvidos do homem comum, sob pena de exílio, execração pública, a viver os dias que restam da vida no ostracismo, comendo o pão que o diabo amassou, quem ousar citá-los. Aqui estão os nomes de alguns homens que os poderosos têm na conta de inimigos públicos (na verdade, inimigos deles, e não do público): Dr. Didier Raoult, Dr. William Campbell, Dr. Satoshi Ohmura, Dr. Luc Montagnier, Dr. Geer V. Bossche, Dr. Michael Yeadon, Dr. Robert W. Malone; e Bruno Graf, filho de Arlene Ferrari Graf.

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Palavras dos profetas modernos: “Quinze dias, para achatar a curva, e dar tempo para prefeitos e governadores prepararem os hospitais para acolherem os infectados pelo coronavírus, que seguirá o seu curso natural – e com ele teremos de aprender a conviver, e para sempre – até se atingir a imunidade de rebanho, que se dará assim que sessenta por cento da população estiver infectada. E tão logo se crie, e se produza, a vacina, que ficará à disposição de todos, as pessoas que se vacinarem, imunizadas, poderão retomar a sua vida normal, pois estarão protegidas, livres de perigos.”

Transcorridos dois anos, a curva achatou-se e desachatou-se em diversas ocasiões, e milhões de pessoas vacinadas não podem retomar a vida de antes do prefácio do dramático, de ares trágicos, apocalípticos, volume da história universal identificado com o título Epidemia do Covid-19, e esqueceram-se que existe uma tal de Imunidade Natural, velha amiga dos humanos, que os acompanha desde o tempo das cavernas, imemorial. Proféticos, os infalíveis Seguidores da Ciência.

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“Você já se vacinou contra o covid?” “Não.” “Você vai se vacinar?” “Não.” “Por quê?! Você tem medo de agulhas?” “Não.” “Por que, então?!” “Porque não tenho porquê me vacinar. Minha imunidade natural é de primeira linha, fora de série. Nela eu confio. O vírus aproxima-se de mim, eu o engulo; e cuspo-o embrulhado em catarro, enviando-o para o inferno.”

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Médicos?

No início do que se convencionou chamar de Epidemia do Covid, em 2.020, uma pessoa, a doer-lhe o corpo, sinais de gripe, e sintomas que até então desconhecia, todos a atormentarem-lo, recorre ao médico, que, após diagnosticá-la, suspeita tratar-se o caso de infecção por covid-19, vírus que, sabe o médico, é letal, e pode levar o paciente a partir desta para a melhor, a domir, num leito confortável, sete palmos abaixo da terra, a bater as botas, a abotoar o paletó, enfim, sendo-se curto e grosso, nu e cru, sem tergiversações e circunlóquios, à morte, e pede-lhe que se submeta ao teste, que definirá se ele está, ou não, com o malquisto e assustadoramente letal vírus, e, ao ter em mãos o resultado do teste confirma suas suspeitas, e avia ao paciente receita, que se resume a vinte gotas, se estiver o paciente a ferver de febre e a dobrar-se de dor, de um popular anti-térmico e analgésico. Ora bolas, sabe o discípulo de Hipócrates que é o vírus letal, ceifador de vidas, um arauto da Morte, a anunciar o apocalipse; que pode o paciente infectado por tão mortífero vírus, que irá causar um morticínio sem precedente na história da humanidade, vir à óbito dentro de poucos dias se não tratado imediatamente, e o único remédio que lhe oferece é um anti-térmico e analgésico?! E o homem de jaleco branco, com a sem-cerimônia de um respeitável doutor exorta seu paciente a isolar-se, na própria residência, do mundo, e viver como um anacoreta, e só recorrer ao hospital se lhe estiverem quase que completamente obstruídos os pulmões e em frangalhos o cérebro, às portas da morte, com um pé na cova, a vislumbrar, no horizonte, a aproximar-se de si a passos acelerados, a ceifadora de vidas!? Que belo médico saiu tal homem!

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O Dia do Pico ressurge.

Para a felicidade dos pandeminions, tornou ao mundo dos vivos, repaginado, o Dia do Pico. E é, agora, do Ômicron. É o Dia do Pico 2.0, versão 2.022. Foi o Dia do Pico o dia 15 de Janeiro de 2.022. Dia que já passou. E os especialistas, revendo seus estudos, prorrogaram o Dia do Pico para o dia 31 do corrente mês; e outros, mais prudentes e sofisticados, prorrogam-lo para o dia 15 de Fevereiro.

Vivas ao Dia do Pico!

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Imunidade natural, ou vacina?

A queda de mortes por covid é atribuída às vacinas. Se está correta a associação de causa e efeito entre “vacinas” e “queda de mortes”, não sei; suspeito, apenas que, após quase dois anos do início da história que se convencionou chamar de epidemia do coronavírus a imunidade natural deve ter tido um papel, e relevante, na imunização, e natural, de boa parte da população – ou decretaram a extinção da Imunidade Natural com uma canetada, e não me contaram?! -, atingindo-se o que chamam de imunidade de rebanho. Ora, sabe-se que os casos registrados de infecção pelo coronavírus estão subnotificados. Fala-se que para cada registro oficial há cinco não notificados, afinal os assintomáticos não procuram hospitais, pois não manifestam sintomas – e um passarinho contou-me que estes humanos, privilegiados com um organismo resistente, correspondem à 90% da população. Não sei se erro em afirmar que a imunidade de rebanho foi alcançada há muito tempo. Infelizmente, a Imunidade de Rebanho, coitada! há dois anos tão querida e amada, e nela os humanos depositávamos todas as nossas esperanças para sairmos da situação catastrófica que nos envolveu, está, hoje, tão desacreditada, e pior! tão desdenhada, tão desprezada, e pior! mil vezes pior! é alvo de chacota, de campanha difamatória inédita em toda da história da Terra.

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Em 2.020, os foliões pularam carnaval; em 2.021, não. Nos meses de Março, Abril e Maio de 2.021 morreram, de covid, mais pessoas do que nos meses correspondentes de 2.020.

Crise econômica. Genocídio. Cultura brasileira. Mengele. Picolé. Fim da epidemia. Notas breves.

Quem é o culpado pela crise econômica?
Quem é o culpado pela crise econômica na Argentina? O Alberto Férnandez? Não. O coronavírus.
Quem é o culpado pela crise econômica no Canadá? O Justin Trudeau? Não. O coronavírus.
Quem é o culpado pela crise econômica na França? O Emmanuel Macron? Não. O coronavírus.
Quem é o culpado pela crise econômica na Alemanha? A Ângela Merkel? Não. O coronavírus.
Quem é o culpado pela crise econômica nos Estados Unidos? Em 2.020, o Donald Trump; em 2.021, o coronavírus.
Quem é o culpado pela crise econômica no Brasil? O coronavírus? Não. O Bozonaro.
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Quem é genocida?
Na Alemanha, muita gente morreu de covid.
No Canadá, muita gente morreu de covid.
Na Argentina, muita gente morreu de covid.
Na França, muita gente morreu de covid.
Nos Estados Unidos, em 2.020, Donald Trump, o genocida, matou muita gente, e, em 2.021, muita gente morreu de covid.
No Brasil, o Bozonaro, o genocida, matou muita gente.
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Bolsonaro destrói brasileiríssimas educação e cultura.
Dizem por aí que o presidente Jair Messias Bolsonaro está destruindo a educação e a cultura brasileiras. Qual cultura está o presidente a destruir? A do Golden Shower?! A do Macaquinhos?! E ele está a destruir qual educação? A dos 50%, ou mais, dos alunos que, aos dezoito anos, de posse de diploma escolar do segundo grau, revelam-se incapazes de entender uma simples frase e de somar dois e dois?
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Eleitores do Alckmin, vergonha.
Constrangedores os malabarismos retóricos dos eleitores do Geraldo Alckmin em favor do Lula e da aliança do ex-tucano com o líder máximo do PT. Os alckministas repreendem, com a elegância dos ostrogodos, os bolsonaristas, que apóiam o Mito, aliado do Centrão, e não se vexam de ver seu herói na companhia daquele que até ontem tinham na conta de ser abjeto, desprezível, iníquo, um crápula legítimo.
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Josef Mengele ressurge.
Josef Mengele, seguidor da ciência, médico renomado, que segue o que as pesquisas indicam, atende, de segunda à sexta, das 7,00 às 11,00 e das 13,00 às 16,00, no seu consultório, situado, na rua Experimento Científico, número 666, décimo terceiro andar, sala número 171.
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Um cientista sabe como dar fim à epidemia.
Declara o especialista, em conformidade com o que as pesquisas indicam: Para dar fim ao coronavírus, faz-se urgente cortar as asas de todos os tatus, animais mastodônticos, dotados, na extremidade anterior de seu corpanzil, de um nariz amangueirado, flexível, grosso, cheio de dobras, de uma cauda, pequena, na extremidade posterior do imenso corpo, de dois grandiosos dentes, e de duas asas, proeminências maleáveis encontradas, uma, à lateral direita da cabeça, outra, à lateral esquerda.

Bozonaro, o malvadão. O vírus tem inteligência artificial. Notas breves.

Em 2020 e 2021 um vírus super-mega-hiper mortal ataca a Terra, e mata milhões de pessoas, em todos os países, menos no Brasil, onde as mortes atribuídas ao vírus foram causadas pelo presidente Bozonaro. E não contente com a mortandade, destruiu o vírus a economia de todos os países, menos a do Brasil, que foi destruída pelo Bozonaro.
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O vírus, que defende agenda política de esquerda, livrou a cara dos heróis dos esquerdistas, Macron, Fernandez, Trudeau e Merkel. Na França, na Argentina, no Canadá e na Alemanha, ele faz e acontece, e assume as responsabilidades pelos seus atos inconsequentes; já no Brasil – e nos Estados Unidos durante o governo Trump -, ele se faz de joão-sem-braço.
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O vírus hiper mortal está nas ruas, matando muita gente. Para impedi-lo de matar gente à beça devem as pessoas que executam atividades ditas não-essenciais viverem – se puderem – trancadas em suas casas até a chegada da vacina, poção mágica que dará fim ao vírus. Enquanto isso, as pessoas que executam atividades ditas essenciais podem executá-las livremente, respeitando, obviamente, protocolos sanitários. Ora, se o vírus está nas ruas, então as pessoas que executam atividades ditas essenciais, saídas à rua, foram irresponsáveis, pois, expondo-se ao vírus, arriscaram-se a serem por ele infectadas, e muitas o foram, de fato, e muitas das infectadas, assintomáticas, não vindo a saber que carregavam consigo o vírus, o transmitiram (caso proceda o discurso que ensina que as pessoas assintomáticas transmitem o vírus) para outras pessoas. Podem tais pessoas alegarem que seguiram protocolos sanitários; ora, se seguindo os protocolos sanitários, puderam exercer atividades fora de suas casas, por que as pessoas que exercem as ditas atividades não-essenciais não puderam exercer as suas, desde que também respeitassem os protocolos sanitários, os mesmos que as pessoas que executam as ditas atividades essenciais respeitaram? Será que o vírus só ataca pessoas que executam atividades ditas não-essenciais?
Eu ouvi muita gente – não poucas profissionais das áreas ditas essenciais – condenar as pessoas que, de áreas profissionais ditas não-essenciais foram irresponsáveis ao se recusarem a respeitar a quarentena, retirarem-se de suas casas e irem às ruas. Ora, o vírus ataca as pessoas que, consideradas de profissões ditas não-essenciais, saem às ruas, mas não as que saíram à rua para o exercício de suas atividades ditas essenciais? O vírus sabe distinguir as duas categorias de pessoas, as profissionais de atividades ditas essenciais das profissionais de atividades ditas não-essenciais? Tem o vírus inteligência artificial, com certeza.

Café, sim; Coca-Cola, não. Foi-se o Aquecimento Global. Pelé. Dinossauros e pernilongos. E outras notas breves.

Café, sim; Coca-Cola, não.

Um historiador brasileiro de primeira grandeza chama-nos a atenção para uma atitude, inusitada de tão grosseira e estúpida, do presidente do Brasil, o senhor Jair Messias Bolsonaro: o distinto chefe-de-estado nacional recusou a oferta que lhe fizeram de beber algumas doses de café, produto genuinamente nacional, e optou por beber um refrigerante genuinamente estadunidense, a Coca-Cola. Lastimável, a conduta desdenhosa do presidente da maior nação da América do Sul. Lastimável! É mais um exemplo da mentalidade nazista, fascista, genocida, machista, racista, supremacista branco do presidente Jair Messias Bolsonaro, um homem deplorável. Impítima! Que ele seja julgado, e condenado, por crimes contra a humanidade e a Terra, no Tribunal de Haia!

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Foi-se o aquecimento global. O monstro, agora, é outro.

Exterminaram os ambientalistas o Aquecimento Global. Ameaça-nos, agora, a Mudanças Climáticas; e para dar-lhe fim os ambientalistas querem reduzir a emissão do CO2, que lhe serve de alimento e fortalece, obrigatoriamente, o extino Aquecimento Global. Não entendi patavinas, nem bulhufas, do imbróglio. Afinal, exterminaram, ou não, o Aquecimento Global, anunciador do apocalipse?! Ou é a Mudanças Climáticas avatar feminino do Aquecimento Global?! ou o Aquecimento Global reencarnado numa entidade feminina?! Neste mundo de “cancelamentos” até os fenômenos naturais apocalípticos masculinos são assassinados para que assumam o protagonismo da história seus correspondentes femininos, sempre superiores, mais poderosos. Que mundo infernal!

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Reza a lenda que Pelé, o nosso querido Edson Arantes do Nascimento, é canhoto. Ora, se é verdade que é ele canhoto, então o jornalista cuja reportagem, publicada ontem, li hoje, mentiu ao dá-lo como um futebolista destro no manejo da bola. Afinal, é Pelé canhoto, ou destro? Ou ambidestro?

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… e um meteoro caiu, no México – e tenha de ser no México!? Não podia ser na Argentina?! -, em uma era em que mexicanos e brasileiros ainda não haviam erguido um muro na fronteira entre México e Brasil, e dizimou os dinossauros. Que meteoro inconsequente! Por que ele não exterminou os pernilongos? À noite, eu, deitado na cama e os menestréis de pernas longas a atanazarem-me e a atazanarem-me com as suas melodiosas canções e trovas campestres. E eu, sem pregar o olho, a atravessar, em branco, ou em claro, tanto faz, a noite. Fossem os pernilongos varridos para outro plano existencial, e não os dinossauros, hoje admiraríamos estes monstrengos a perambularem modorrentamente pela vastidão dos continentes, e poderíamos dormir tranquilos e sonhar com os anjos.

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Os carinhas apoiaram, incondicionalmente, a política do Fique Em Casa e afirmaram ser tal política indispensável para se combater a disseminação do coronavírus. Depois de meses, a crise econômica batendo na porta, os preços de alimentos e combustíveis a elevarem-se consideravelmente, além de não verem uma relação de causa e efeito entre a política que defenderam com unhas e dentes e a crise econômica, culpam o presidente Jair Messias Bolsonaro pela crise econômica, sendo que ele não promoveu o Fique Em Casa, e esquecem-se que as medidas de restrições às atividades econômicas foram decretadas tendo-se em mente a redução dos casos de mortes, durante a epidemia, pelo vírus. Ora, para tais pessoas foram essenciais tais medidas, e a crise destas advinda foi por elas prevista, afinal, elas esgoelavam em tom autoritário “Fique Em Casa; a economia a gente vê depois.”, cientes de que o impacto na economia da política insana (que elas consideravam sensata) que defenderam seria devastador; se não, por que o “a economia a gente vê depois.”?

Mas entendo que a percepção que os anti-bolsonaristas tem da economia nacional está distante da realidade, talvez num universo paralelo. A economia brasileira enfrenta alguns percalços, é inegável, mas não vai de mal a pior, como dizem por aí os anti-bolsonaristas, que empreendem uma aventura política de terra arrasada e querem fazer as pessoas verem o que não existe. Se a economia nacional não vai de vento em popa, e não vai – e não podemos desconsiderar as adversidades que o mundo enfrentou nestes últimos vinte e quatro meses -, também não está indo à bancarrota; acredito, mesmo, que cresce, e agora alicerçada em bases mais sólidas.

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Intelectuais da direita conservadora querem que o presidente Jair Messias Bolsonaro jogue por terra o tal de estamento burocrático, este glutão paquidérmico, um primo distante do Gargântua, que está, há séculos, a devorar os brasileiros. De mentalidade revolucionária, românticos aguerridos, bravos e destemidos, heroicamente dispostos a sacrificarem sangue alheio, não dizem o que o presidente Jair Messias Bolsonaro teria de fazer após o desmantelamento do tal estamento burocrático, e tampouco o que os de tal estamento e seus aliados instalados aqui em terras brasileiras e os estabelecidos no exterior fariam se iriam reagir ao desmonte do edifício que lhes faz a fortuna, ou se se resignariam, prosternados, impotentes, diante do presidente Jair Messias Bolsonaro, que lhes tirara o osso da boca. Nesta hora, penso no Garrincha: “Combinaram com os russos?”

Com tais amigos, o presidente Jair Messias Bolsonaro não precisa de inimigos.

Dentre tais intelectuais, há os que declaram que de nada adianta o presidente Jair Messia Bolsonaro indicar fulano, ou beltrano, conservadores, para o STF, porque eles são produtos do estamento burocrático – ou sistema, ou mecanismo. E o que propõem tais criaturas? Que o presidente Jair Messias Bolsonaro destrua o estamento burocrático, e, depois, crie um novo STF, cujas onze cadeiras seriam ocupadas por ministros conservadores. Quanta sabedoria! E de onde sairiam tais ministros? Das escolas do novo estamento burocrático, agora conservador. E quando? Eis a questão. Quanto tempo é preciso para se erguer novo estamento burocrático, agora conservador? E até lá como fica a justiça no Brasil? Viverá os brasileiros sob um regime anárquico? Se é que se pode viver em tal regime. E os inimigos do Jair Messias Bolsonaro ficariam, de braços cruzados, a admirá-lo a reconstruir o Brasil como lhe desse na telha?

Mensagem do Barnabé Varejeira – Ô povo fraco!

Bão dia, Cérjim. Já é seis hora. O galo já cantô o sór raiá. E o sór raiô. E eu já ordeei as vaca, e já recoí os ovo das galinha, ovos bão, batuta de nutritivo, de deixá todos os meu fio forte inguar tôro, e já peguei do pomar frutas, e, com a graça de Deus, que espaventô a desgraça do diabo, na compania da muié que me acompanha desde o casório na Igreja de Nosso Senhor e dos fio meus querido, bebi café-com-leite, comi pão com mantêga que nóis preparâmo, e muintas, muintas fruta. Agorinha, mermo, me adespedi da muié e dos fio, pa í trabaiá. Finquei pé, aqui, uns minuto, pa dá um bão dia pa famia, pôs parente e pôs amigo. E pa enviá esta mensage po cê, Cérjim, mensage importante. Sei que as coisa não tão nada bem, e pá muita gente vai de mal a pió, e não sobra pão pá ninguém, mas querditando em Deus fica mió. Rimô, inté. Bem, ninguém; pió, mió. Não é de poesia que eu quero falá po cê. Quero dá po cê mensage de animação. Tô veno muintos ómi e muintas muié preocupado demais. Tá certo! Os político tão abusano da sorte. Inventáro esta instória de mocorongovírus só pá martratá as pessoa. Eu não sô bobo. Não naci ônti. Cê acha, Cérjim, que o mocorongovírus matô todo esse mundaréu de gente que dizem por aí que ele matô? Matô, nada. É instória da carochinha, da mamãe gansa, do arco-da-véia, conversa pa boi dormí. Mas, pensa, aqui, comigo, Cérjim, ca sua cabeça, e não ca mia: Se o mocorongovírus matô muinta tanta gente, que sóbe pa mais de um mião, o pobrema não tá no mocorongovírus; tá nas pessoa, que tão muinto fraca. Não engulo, e de jeito maneira, a instória do pãodemônio do mocorongovírus. É instória do arco-da-véia mais véia do que o arco, que é do tempo do Matusalém. Pior, inté, pruque as instória do arco-véia têm, lá, a sua graça, e a do mocorongovírus é bestice de gente da cidade grande. E aí em Piamoangaba tá cheio de bobão que querdita no que político e cientista e médico, todos mentiroso, conta. Não todos, é vredade que se diga. A vida de ôceis da cidade tá difícil, sei eu. Mas a curpa é dos ómi dipromado, bando de gente besta, fiótinhos de cruz-credo. E digo uma coisa, Cérjim: Não se percupe muinto, não, com os pobrema atuar, pois vai piorá; dêxe pa se percupar mais tarde; se o cê esquentá, em demasiado, a cabeça, o cê vai fritá o seu cérbero, o se vai torrá o seu cérbero, e quando vié os maior pobrema, o cê não vai tê força pá agi. Percupe-se só o necessário, e guarde energia pá quano vié coisa mais séria. Ou o cê acha que os político vão dá sossego pa os ómi de bem!? Não vão, não. Eles quer dominá toda as gente do universo. Então, Cérjim, esta é a mensage que eu queria enviá po cê; já enviei, então posso terminá a mensage. Por hoje são esta as palavra que tenho pa dizê. Que Deus Nosso Senhor Jesus Cristo, fio de José e Maria, abençoe o cê, e não dêxe o cê caí nas lábia do demônio. Inté.

Meios de comunicação!? Bolsonaro, a vacina e a máscara. Fauci e Wuhan. E outras notas breves.

Os meios de comunicação comunicam o quê? Dizem por aí que transmitem informações a respeito de fatos, fatos verídicos, sem distorcê-los, sem interpretá-los. Há quem acredite ser verdadeira tal sentença. Um truismo. Na minha outra vida, eu, um ingênuo que mal suspeitava da hombridade dos profissionais dos meios de comunicação, acreditava que era real a imagem de nobreza, confiança, dos assim chamados meios de comunicação – jornais, revistas, televisão. Sei, hoje, que eles não são nada além de meios de subversão.

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Enquanto em alguns blogs e sites nacionais, poucos, e, principalmente, nos americanos, fala-se de Anthony Fauci, da fuga, facilitada, ou não, tal questão está em aberto, do vírus chinês de um laboratório de virologia de Wuhan, a grande mídia tupiniquim dorme, num universo paralelo, em berço esplêndido. Não toma conhecimento do assunto que está agitando sites e blogs independentes. Melhor: conhecimento da questão os profissionais da mídia têm, mas eles não têm interesse em fazê-la cair na boca do povo. Que o povo nunca venha a saber de Fauci, do laboratório de virologia de Wuhan, do aumento de função do vírus, que, artificial, foi criado em laboratório, e coisa e tal.

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Há um ano, no primeiro capítulo da Epidemia – Fraudemia, digamos a verdade – do Coronavírus – Mocorongovírus, segundo o Barnabé Varejeira, meu amigo – anunciava-se: a vida voltará ao normal assim que tivermos a vacina – e as pessoas se vacinarem, é óbvio. Deixariam, então – o futuro alvissareiro prometido pelos onipresentes especialistas da Medicina e da Ciência -, de haver razão para se conservar restrições à movimentação de pessoas em locais públicos, aglomerações no interior de propriedades privadas, atividade comercial, e para a obrigatoriedade de uso de máscaras. Mas, mas… O presidente Jair Messias Bolsonaro – nas palavras de um homem de mãos calejadas, Bomnosares – o nosso querido Capitão Bonoro, resolveu – e tinha de ser ele, ó meu Deus! – dizer, em público, em ato e bom som, que as pessoas já vacinadas e as que já foram infectadas com o mocorongovírus não têm de ser obrigadas a usarem máscaras em locais públicos. E não é que os onipresentes, e também omnissapientes, especialistas, reprovaram-lhe as palavras! Ora, se as vacinas, dizem por aí, imuniza as pessoas vacinadas, que, agora, não transmitem vírus e não são mais por ele infectadas, por que têm elas de usarem na cara a máscara?!

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Com a vacinação – foi o que se disse desde que o mundo é mundo -, reduzir-se-ia os casos de infecção e morte por vírus chinês. E não mais seriam necessárias medidas restritivas ao comércio e à circulação de pessoas em locais públicos. Dá o que pensar a manutenção e, em alguns casos, a ampliação, de medidas restritivas – quarentena, lockdown, fica ao gosto do freguês – por presidentes de países cuja população está quase que em sua metade vacinada. Cito o Chile e o Uruguai, que decretaram novos lockdowns.

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O presidente da Argentina, Alberto Férnandez, decreta lockdown, após meses de lockdown, para conter o avanço da pandemia, que os lockdowns anteriores não contiveram. E na cidade brasileira de Araraquara, umas das mais severas na aplicação de restrição à livre movimentação de pessoas, não se vê os prometidos bons resultados dos lockdowns e quarentenas. Enquanto isso, no Texas, um dos estados dos Estados Unidos, toda restrição à livre circulação de pessoas foi suspensa e foi eliminada a obrigatoridade ao uso de máscara, e os casos de morte pelo vírus despencou de um dia para o outro, para surpresa de todos. E os onipresentes e omnissapientes especialistas em segurança sanitária não tomaram conhecimento de tais informações.

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Disseram que a vacina é um produto pronto e acabado. E eu vi, dias atrás, numa reportagem, que um grupo de mais de trezentas mulheres grávidas participam de uma pesquisa para analisar os efeitos da vacina em gestantes. Epa! Parem a Terra, que eu quero descer. A vacina ainda está em fase experimental?! Estão testando os efeitos dela em mulheres grávidas?! E eu, e só eu, estranhei o teor da reportagem?!

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Há quem proponha que o Estado deva punir com cárcere privado numa fétida enxovia todo e qualquer cidadão da selva brasílica que ousar dizer que a vacina é uma porcaria e que o tratamento precoce salva vidas. E quem propõe tal política tem em mente o bem-estar da humanidade, é claro. Pergunto-me onde fica o debate científico aberto, franco, na cabeça de tal gente.

O vírus é o que dizem que ele é? Arma biológica? Quem a produziu? Revelações. Em quem acreditar? Fundão sem fundo e o presidente Bolsonaro. Cuba. E outras notas breves.

Que o mundo dá voltas ninguém há de negar, mesmo que ninguém sinta a constante rotação, que, é a verdade, não atrai a atenção de onze em cada dez humanos. Os homens, excetuados alguns poucos cientistas e curiosos, ocupam seus dias com outros afazeres. Mas o mundo, a nossa Terra, podia dar voltas numa velocidade inferior à costumeira. Que desacelere. Os humanos não suportamos, mais, tanta revolução.

Assisti, hoje, dia vinte, ao vídeo “Reiner Fuellmich entrevista Dr. David Martin – Afinal foi uma ilusão fabricada.”, legendado, publicado, no Rumble, canal de vídeos na internet, no dia dezesseis deste mês. Tem um pouco mais de uma hora de duração. É ilustrativo. Dá-nos o que pensar. Faz-nos coçar a cabeça, até nos arrancarmos os cabelos. Não ouso, aqui, nesta nota breve, reproduzir, puxando pela memória, as informações que o entrevistado fornece, inúmeras, e tampouco empregar o vocabulário dele. Não é está a minha ambição. Quero, aqui, dar, unicamente, uma idéia, que, sei, é fraca, do teor do vídeo, e encerrar esta nota breve com um comentário pessoal.

Diz o Dr. David Martin que não é o coronavírus, o tal de SARS-CoV-2, o bode expiatório que os políticos nomeiam para nos infernizar, uma criatura nova, surgida no ano de 2.020, vinda de um laboratório, do qual escapou após driblar-lhe o sistema de segurança máxima de matar de inveja os construtores de Alcatraz. Nada disso. Já era a danada conhecida de todos, e há décadas. Documentos dão a conhecer a sequência genética do coronavírus (mocorongovírus, no vernácuo acaipirado do meu amigo Barnabé Varejeira), apresentando-o como de um ser novo. Não o é, entretanto. É ele um matusalém. Nosso velho conhecido. E estou me repetindo.

Em certo momento da entrevista, o entrevistado, bem humorado, afirma que primeiro criaram uma demanda para uma vacina, que estava patenteada antes da patente do vírus, que, sendo criatura natural, não pode ser patenteada, pois pode-se patentear apenas o que é artificial, produto da criação humana. Havia, nos longínquos anos 2000, uma vacina contra coronavírus para uso em coelho e em cães, e não em humanos. E a criação do novo (que não é novo) coronavírus, se deu nos laboratórios do NIAID (National Institute of Allergy and Infectious Diseases) e contou com a participação do mitológico Anthony Fauci.

E fala o Dr. Martin de HIV, de armas biológicas, do DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency – Programa de Pesquisas Avançadas de Defesa dos Estados Unidos), do anthrax, da Ciprofloxacina, da NIH (National Institutes of Health), das agências de saúde (ou devo dizer “de doença”?) estrangeiras na história da criação do novo (que não é novo) coronavírus.

Brinca o Dr. David Martin que criaram um tratamento médico para uma doença provocada por um vírus que não existe, vírus, este, o tal de SARS-CoV-2 (mocorongovírus, repito, no singular dicionário do Barnabé Varejeira, meu amigo), vírus, o Covid, que é um avatar, uma simulação de computador, uma espécie de personagem de videogame do time do Kratos e do Donkey Kong. Pensei em dizer do da Lara Croft ou do do Sonic. Mas a êmula de Indiana Jones é muito meiga e prodigiosa e exuberantemente voluptuosa e o rival do Ligeirinho, muito rápido, ligeiramente veloz, um rival de Usain Bolt (e o tal de coronavírus, desde sempre suspeitou Barnabé Varejeira, é um mocorongo).

Além de não ser novo o novo coronavírus, a teoria do vazamento do vírus de um laboratório de virologia de Wuhan não passa de uma asneira.

E declara o Dr. David Martin que a vacina injeta nas pessoas estimuladores de patógenos.

Enfim, queriam porque queriam os propugnadores da vacinação universal criar um ambiente propício para criar a procura por um produto, a vacina, que não tinha uso.

A campanha de terror psicológico promovida, à perfeição (ou não, são muitos os impenitentes negacionistas – que, todavia, calculo, não sei se pessimista, constituem parcela reduzida da população mundial), pela mídia tradicional e internética, cuidou de induzir o povo à histeria e levá-lo a suplicar dos governos o elixir da imortalidade – e milhões de pessoas ainda não se deram conta de que foram levados, tais quais cãezinhos de Pavlov, a fazer o que os engenheiros sociais quiseram que fizessem – e ofereceram-se-lhes de ratinhos de laboratório.

Prometi, linhas acima, apresentar os meus comentários, que serão breves: há mais de um ano ouvi dizer à boca miúda que era o coronavírus personagem folclórico inofensivo, filho putativo de Bruce Wayne; depois, que era ele um ser mitológico apocalíptico, bíblico, no dizer de alguns, pagão, no de outros; não muito tempo depois, que era ele uma criatura usada, em experiências científicas, por cientistas chineses, que nutriam a ambição de criar um rival do Godzilla, e usá-lo para destruir os Estados Unidos; depois, veio-me ao conhecimento que era ele apenas um vírus, e nada mais, que nasceu em algum lugar, ninguém sabia onde, e espalhou-se pelo mundo; meses atrás, eu soube que ele escapara de um laboratório de Wuhan; e agora, escuto um homem dizer que é ele uma criatura, que não existe, produzida em laboratórios americanos. Qual destas histórias é verossímil? Há uma que o seja? São todas inverossímeis? Mas há verossimilhança na inverossimilhança!? Pois bem, declaro que já não sei o que pensar a respeito de uma questão que eu acreditava conhecer.

Este vídeo, que me deu o que pensar, e me fez escrever esta nota breve, me obriga a jamais me precipitar a adotar uma postura de convergência ou divergência com o que se divulga. Agora, com uma pulga atrás da orelha, pergunto-me se a narrativa do Dr. David Martin procede, ou se é desinformação, afinal, agora aponta-se o dedo aos Estados Unidos, e o dedo acusador não é de um chinês. Que Ion Mihai Pacepa me ajude a pensar.

Se eu incorri em algum despautério; se eu transmiti alguma informação errada; se eu embaralhei os dados fornecidos pelo Dr. David Martin; se eu, enfim, escrevi o que não devia escrever, desculpo-me com o leitor e peço-lhe que me compreenda.

Esta nota breve ficou breve só na minha intenção.

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O Fundão dá o que falar. Não precisaríamos nos atormentar com tal assunto se as campanhas eleitorais fossem financiadas com dinheiro de pessoas e de empresas. Que cada brasileiro, sendo este seu desejo, doe um quinhão, ou uma moeda que seja, de seu bolso ao candidato que apóia ou ao partido político ao qual é filiado – ou, se não é a ele filiado, subscreve-lhe suas políticas. Mas tirar de cada cidadão brasileiro uma porcentagem do que lhe pertence (Qual é a fonte de recursos do Fundão? Impostos, taxas e emolumentos cobrados ao cidadão pelo Estado. E quem recolhe aos cofres públicos o produto da riqueza do trabalho? O cidadão.) e entregá-la a partidos políticos, que a distribui aos políticos, é um acinte ao povo que sua em bicas todo santo dia para comer o seu prato feito e encerrar o mês sem um tostão no bolso furado. Assim todo brasileiro financia políticos que ele não tem em alta conta e que defende valores que ele não esposa. Infelizmente é neste pé que estamos.

E o famigerado Fundão, assim jocosamente designa o brasileiro a conta, estipulada pelos legisladores nacionais, que teremos de pagar, sabem pessoas de mente suspicaz, está a servir de moeda de troca, em Brasília, políticos a se oporem ao presidente Bolsonaro a chantageá-lo. Que ele ouse vetar o aumento da verba destinada às campanhas eleitorais de 2.022! Ele verá o que é bom pra tosse e com quantos paus se fazem uma canoa. Se vetar o aumento do montante de recurso destinado ao Fundão, Jair Bolsonaro, prevê Ricardo Santi, em publicação do dia vinte deste mês, para enfrentar os seus inimigos, contará apenas consigo mesmo, constituirá um exército de um homem só, um de Brancaleone, a encarar, destemido, dragões e a desferir golpes a esmo, amalucados, contra moinhos de vento.

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Ilustrado com uma foto que retrata uma praia paradisíaca, de Cuba, o texto de Lukas Hawks, de ontem, dia dezenove, fala, em poucas palavras, que o país caribenho, de principal destino turístico dos sobrinhos do Tio Sam, um paraíso na Terra, converteu-se, após a revolução comunista concretizada por Fidel e Che, num paraíso socialista, isto é, um inferno na Terra. Hoje, sob a foice e o martelo comunistas, os cubanos para fugir à opressão contra eles praticada pelo Estado comunista da ilha-cárcere, arriscam-se em balsas, enfrentam tubarões, para, rezam, pisar em terras da Flórida. O destino dos mal sucedidos, capturados pelos agentes de Cuba, é mais sofrido, dramático e trágico do que o que tem os que naufragam e, caídos nas águas caribenhas, são triturados pelos dentes afiados dos caçadores dos mares.

E em outra publicação, esta do dia quinze, tece um comentário rápido, penetrante: antes, o comércio com os americanos eram prejudiciais à Cuba, daí a necessidade de uma revolução socialista; hoje, a ausência de comércio com os americanos é prejudicial à Cuba. Coitado do Tio Sam!

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O jogo de poder dos poderosos Senhores do Universo dá um novela de suspense magistral. Maurício Alves informa que Mark Zuckerberg pode estar a fazer a caveira de Gates e Biden, pois conta com o arrimo de pessoas mais poderosas do que os três. Quem pode imaginar que possa existir gente mais poderosa do que o atual presidente dos Estados Unidos? E informa tambêm que Fauci e Gates estão em maus lençóis, torrando uma boa fortuna com advogados. Tal história está relacionada com o Instituto de Virologia de Wuhan, China, patentes do SARS-CoV-2 e algumas outras questiúnculas incontornáveis.

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Admirei duas pinturas, ambas publicadas, no Facebook, na conta do Ars Europe, uma de Giuseppe Vermiglio, esta a retratar Davi e Golias, aquele a exibir a cabeça deste, decepada, em sangue; e uma, óleo sobre tela, de Cornelius de Voss, pintor flamengo, a exibir Vênus a sair do mar, sob o olhar de Tritão e de cupidos.

A pintura de Giuseppe Vermiglio é impactante, realista, nua, crua. Ilustra, segundo o texto, curto, que acompanha a reprodução da pintura, episódio narrado no primeiro livro de Samuel.

Governo Federal, boas notícias. Lei de Diretrizes Orçamentárias, algumas notas. Passaporte sanitário. E China. E outras notas breves.

Da SECOM, Serviço de Comunicação do Governo Federal, duas notícias: O Governo Federal investirá mais de trinta milhões de reais em obras de saneamento no Distrito Federal e em treze estados da federação, nas cinco regiões do território nacional; e, o crescimento da movimentação portuária, informa a Agência Nacional de Transportes Aquaviários no Painel Estatístico Aquaviário, neste ano, foi da ordem de 9,3%.

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Raquel Brugnera, em sua página do Facebook, hoje, 19/07/2021, dá uma síntese da substância da Lei de Diretrizes Orçamentárias (conjunto de regras – e não o orçamento federal anual, como muita gente pensa – para o uso do dinheiro público no ano seguinte à sua assinatura) publicada neste 2021 e seus dois pontos polêmicos, o que discute o salário mínimo e o do Fundo Eleitoral (o famigerado Fundão), e fala da manobra empreendida por Marcelo Ramos, que está presidente da Câmara na ausência de Arthur Lira, de recesso.

Explica Raquel Brugnera que os recursos que se discutem na LDO convertem-se em Orçamento após concretização das regras discutidas, que, aprovadas, participam da LOA (Lei Orçamentária Anual). Neste 2021, foram votadas 57 programas e 223 ações, que deputados, senadores e comissões do Poder Legislativo e Bancadas Estaduais sugeriram, e mais 773 emendas. Dentre os objetos de discussão, determinou-se que municípios com população de até cinquenta mil habitantes, estando inadimplentes, podem recorrer ao Governo Federal e obter recursos para honrar os seus compromissos; e que dar-se-á prioridade aos programas habitacionais, aos de vacinação, aos de tratamento de câncer, e às creches; e que para o Censo, às Polícias, ao ensino integral, aos programas de inclusão digital e ao estímulo ao agronegócio não se promoverá redução de valores.

As duas polêmicas, citadas linhas acima, resumem-se ao Salário Mínimo e ao Fundo Eleitoral, sendo que este está a engendrar debate popular acalorado. E a autora dos textos informa que o parágrafo que menciona o aumento dos recursos para o Fundão, da ordem das unidades de bilhões de Reais, de 2 para 5,7, contou com a rejeição da base do Governo, base que queria votá-lo em separado, mas, voto vencido, ao votar para a aprovação da LDO, acabou por aceitar o Fundão, ciente, no entanto, que o Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, poderá vetá-lo. E conclui a autora que as Casas Legislativas podem derrubar o veto presidencial.

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Nesta nota breve, um apanhado de informações que colhi de dois textos, cada um de um autor, ambos publicados no Facebook, e de um artigo de site. Este, de autoria de Will R. Filho, dado ao público, sob o título “Embaixador da China no Brasil contraria a fé cristã em postagem: “O Povo é Deus.” “, no site do jornal Opinião Crítica; e aqueles são, um, de autoria de Neto Curvina, o outro, de Patrick Alves, ambos de 19/07/2021.Reúno o teor dos três textos, em síntese, nesta nota breve, em vez de comentar cada um deles em uma nota separada, porque tratam os três de assuntos que se complementam. O de Neto Curvina, prende-se à política de passaporte sanitário, que está a se exigir em inúmeros países, mas é rejeitado pela população – embora parcela considerável dela a aceite bovinamente. Comenta o autor que tal passaporte nada tem de objetivo sanitário, sendo, unicamente, medida autoritária a atender uma agenda política de uma ditadura sanitária globalista. Com tal passaporte, e a vacinação obrigatória, que não poucas pessoas estão a rejeitar, o setor de turismo de países inteiros irá colapsar, e sabendo-se que países como França, Israel e Portugal dependem dele, estes países sofreram um bocado. E ao final afirma que logo iremos todos mendigar migalhas aos chineses. E é a China o elo  deste texto de Neto Curvina com o de Patrick Alves e o artigo de Will R. Filho. Patrick Alves acompanha seu texto, curto, de um mapa com a indicação dos países com maiúsculo investimento chinês. E é assustador: toda a África, toda a Ásia, quase toda a América do Sul e quase toda a Europa é, ou está na iminência de ser, colônia chinesa. E no Brasil tem a China hidrelétricas, escolas, rodovias, e está em vias de possuir redes de transmissão de energia. E tem muitos políticos, políticos brasileiros. E quantas moedas chinesas estes receberam pelos serviços prestados aos mestres do kung-fu? E Will R. Filho fala da manifestação pública do embaixador chinês no Brasil, Yang Wanning, que escreveu, e deu a público: “Quem é Deus? O Povo é Deus, é o povo que faz a história e determina a história.” Em um país de cristão, a manifestação do embaixador é um acinte. Além de reproduzir tais palavras do embaixador chinês, evoca o autor alguns fatos histórios dramáticos e trágicos da história chinesa (o Grande Salto Adiante, que matou de fome quarenta milhões de chineses; e o banho de sangue perpetrado por estudantes chineses, que mataram familiares, professores e intelectuais), e explica: Na cultura comunista é o líder do Partido Comunista da China a encarnação do Povo, portanto, ao dizer “O Povo é Deus” entenda-se que está a declarar que Xi Jinping é Deus, melhor deus, um deus político, ideológico, comunista.

Relembro: há poucas semanas li, de Maurício Alves, textos em que ele afirma que o dragão oriental não tem o poder que ele acredita possuir e o que a mídia lhe atribui, e que os Estados Unidos estão, neste momento, a quebrar-lhe a espinha dorsal. Não sei como encaixar tais dados naqueles que colhi dos dois textos e do artigo os quais tratei nesta nota breve.

E uma recordação: Jair Messias Bolsonaro, ainda candidato à presidência do Brasil alertava: A China está comprando o Brasil. E ele, se presidente, iria permitir que a China comprasse do Brasil. Pergunto: ainda estamos em tempo de evitar tornarmo-nos uma colônia chinesa?

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 Silas Feitosa publicou, hoje, 19/07/2021, um texto que esposa uma idéia que li em outro texto cujo autor não me lembro – não anotei, dele, o nome, na ocasião: os ambientalistas estão a forçar o aumento do preço dos combustíveis de origem fóssil, em atendimento à agenda ONU 2030. O projeto, de substituir a matriz energética atual pela chamada de energia limpa, renovável. No texto ao qual fiz alusão, e que, dias atrás, tratei, aqui, diz o autor que a produção da chamada energia limpa não é, na comparação com a de origem fóssil, economicamente vantajosa, daí a ocorrência, suspeita, de explosões, no Oriente Médio, de gasodutos em dois ou três países produtores de petróleo, o que ocasionaria a redução, no mercado internacional, da oferta do ouro negro, e, automaticamente, o aumento do preço deste, que, na comparação com os dos concorrentes ditos de origem limpa, seria desvantajoso.

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Dois textos, um de Kleber Sernik, um de Carlo Manfredini, ambos do dia dezoito do corrente mês, a versar sobre Cuba, sua história recente. O de Kleber Sernik, sob o título “Cuba: Como era antes do comunismo e como ficou.” oferece informações interessantes; e o de Carlo Manfredini resume-se a comentários ligeiros e condenação aos que beijaram os pés dos Castro.

No texto de Kleber Sernik, dentre outras informações, lê-se: Em 1958, Cuba tinha população de 6,5 milhões de habitantes, PIB per capita maior que o da Irlanda, da Áustria, da Espanha e do Japão, médicos e dentistas per capita superior ao da Grã-Bretanha, mortalidade infantil inferior ao da França e da Alemanha, e era a vigésima nona maior economia do mundo. Feita a revolução, em 1959, o governo cubano confiscou 382 empresas americanas, sem indenizar os proprietários delas. E Cuba foi subsidiada pela URSS, que lhe comprava açúcar pelo quintuplo do preço de mercado, assim criando, na mais famosa ilha caribenha, a monocultura açúcareira. E financiou, para agradar os seus credores, os comunistas soviéticos, guerras no Congo, e na Etiópia, na Nicarágua e na Bolívia, e em Angola e em El Salvador, além de outros países. E caiu o muro de Berlim. E a Rússia suspendeu os subsídios à ilha-cárcere. E veio a Venezuela a amparar os Castro, mas a política de Chaves e Maduro provocaram a ruína da Venezuela. E a política de Donald Trump foi pá de cal sobre os carrascos cubanos. Presume-se. E o povo cubano está a comer o pão que o diabo amassou.

É o presidente Jair Messias Bolsonaro nazista e fascista? Copa América. E outras notas breves.

Dizem de viva voz os anti-bolsonaristas que é o presidente Jair Messias Bolsonaro nazista e fascista. Pergunto-me se se sustenta tal afirmação se se considerar a política que ele está a promover e a implementar, e não a retórica saída da boca dos inimigos dele. Em nenhum momento o presidente Jair Messias Bolsonaro esboçou, mesmo pressionado a fazê-lo, um ato anti-democrático, autoritário, de inspiração nazista e fascista. Sua postura é a de um homem de espírito democrático. Com a popularidade de que goza teria ele poder de impor-se a todos, se assim o desejasse, rasgar a Constituição Federal, e estabelecer um estado de exceção; e teria, não erro em dizer nesta especulação que jamais poderá ser analisada, amplo apoio popular. Está ele a defender o direito, que ele considera inalienável, inegociável, à legítima defesa, cada cidadão a usar, se sua consciência o mandar, arma-de-fogo, a reduzir o Estado ao desregulamentar inúmeros setores da economia, a criar mecanismos de ajuda às micro e pequenas empresas, a eliminar a proibição ao ensino domiciliar, e outras medidas que convergem para uma política de maior autonomia de cada cidadão brasileiro. E nestes mais de um ano de fraudemia – para muitos, epidemia – do coronavírus (Covid, para os íntimos; mocorongovírus, para o Barnabé Varejeira), o povo, torturado pela mídia, incapaz de pensar acerca do que está a acontecer, o presidente Jair Messias Bolsonaro assume, contra tudo e contra todos, a postura de um chefe-de-estado comprometido com as liberdades individuais; não escreveu nem sequer um rascunho de uma política de supressão da liberdade do cidadão brasileiro em nome de uma política sanitária insana e abusiva, lesiva à vida de toda pessoa que vive em território de terras em que se plantando tudo dá. Não ameaçou com multa e prisão quem decidiu sair de sua casa, ir trabalhar para seu sustento, fazer uso de remédios e não se deixar vacinar. Fosse um homem dotado de espírito autoritário, de alma nazista e fascista, seria ele, hoje, o dono do Brasil. Mas dono do Brasil, dizem, é aquele cujas obras, inacabadas, o presidente Jair Messias Bolsonaro não pode concluir.

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Há mais de um mês ouço falar que está na iminência de quebrar no Brasil a terceira onda – provocada por uma versão indiana do vírus de Wuhan, (mocorongovírus, ensina Barnabé Varejeria) nosso velho conhecido – de infecção viral. Mas, tudo dá a entender que tal onda não se realizará; esqueceram de combinar com os indianos, ou hindus, como queiram, a importação do vírus tão malfadado, que, declaram, é 60% mais letal do que o original, saído da China, dizem. Todavia, insistem as trombetas do apocalipse a profetizar o flagelo que nos abaterá. Se é verdade, ou não, não sei; sei apenas que para se conter o avanço do chinavírus entre nós a medida mais promovida e praticada, dada como eficiente e indispensável, é a quarentena (ou lockdown, para quem ama usar palavras estrangeiras num texto em português). Se é assim, por que prefeitos e governadores, à ameaça do coronavírus (mocorongovírus, diria Barnabé Varejeira), ao invés de tomarem tal providência, estão a suspender as restrições às atividades públicas?

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Uma celeuma animou os espíritos dos brasileiros há poucas semanas. Envolvia futebol e epidemia. É sensato promover, no Brasil, a Copa América? Não iriam os casos de infecção e morte pelo tal de Covid, que está a nos atormentar há um bom par de meses, aumentar consideravelmente piorando o já estado miserável do nosso sistema de saúde e ocasionando um morticínio sem precedentes nas terras de Cacambo e Lindóia? Com a voz da certeza inspirada pelos deuses pagãos, os flageladores da humanidade cravaram: é uma rematada tolice, uma irresponsabilidade genocida um campeonato esportivo no Brasil num momento tão sensível. E choveu uma tempestade torrencial diluviana de pancadas na cabeça do presidente Jair Messias Bolsonaro. Passadas as semanas, a Copa América seguiu o seu curso normal, e não se realizou o cataclisma profetizado.

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Lembro-me que no ano passado, ali pelos meses de Outubro, Novembro, informava-se que de todas as vacinas contra o coronavírus (Covid, para os íntimos; mocorongovírus, no vocabulário singular do Barnabé Varejeira) era a melhor a Coronavac, que serviria, porque tinha 100% de eficiência, para imunizar as pessoas por ela vacinadas contra o vírus em sua versão original e contra os de todas as versões dele atualizadas (isto é, as variantes, as cepas). Pois bem, passaram-se os meses, e muitos milhões de pessoas tiveram em si injetada a vacina chinesa (ou vachina, sua alcunha carinhosamente concebida pelos que não vêem com bons olhos o governo comunista chinês). E os mesmos que diziam que ela era o elixir da saúde, a poção mágica contra o mal chinês, afirmaram que teriam as pessoas vacinadas (ou vachinadas) de seguir a respeitar as regras sanitárias (uso de máscaras – se possível de duas camadas, ou duas máscaras sobrepostas uma à outra -, isolamento social; enfim, todo o pacote sanitário), pois poderiam vir a serem infectadas, e, se infectadas, infectar as que não se vacinaram – o que por si só já era um contra-senso, afinal, as vacinadas estão imunizadas. E constrangidos diante dos casos, inúmeros, de pessoas que, já vacinadas há meses com as duas doses da Coronavac, foram infectadas pelo vírus saído de Wuhan, e adoeceram, vindo algumas a morrerem, declararam, tom de voz vacilante, numa postura de quem simula segurança para inibir qualquer pessoa atrevida de lhe questionar a afirmação, que nenhuma vacina – a Coronavac, portanto, incluída – é 100% eficiente e que todas elas podem provocar efeitos colaterais nas pessoas vacinadas.

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Nos idos de Abril deste ano de 2.021, informava-se que o Brasil enfrentaria um aumento expressivo de infecções e mortes por Covid, se o Governo Federal (entenda-se: o presidente Jair Messias Bolsonaro) não implementasse um lockdown nacional de um mês e vacinação em massa de toda a população antes da suspensão do lockdown. O presidente Jair Messias Bolsonaro não fez nem uma coisa e nem outra, e os casos de infecções e mortes por Covid reduziram-se expressivamente.

Transhumanismo. Paulo Freire. Interface homem-máquina. Neurolink e Musk e Nicolelis. Bill Gates. Vacina e Novo Normal. Comprovação científica. E outras breves notas.

Está em discussão nos Estados Unidos a permissão do uso de fetos abortados em experiências genéticas que visam a criação de seres híbridos, mistos de humanos e animais. Há quem defenda tal prática científica, nos Estados Unidos e noutros países ocidentais, para que na área da Ciência Biológica o Ocidente não seja ultrapassado pela China. E onde fica a ética científica? Em defesa de uma vantagem competitiva entre as nações admite-se que os homens de jaleco branco brinquem de Deus? Se na China admite-se tal prática, e, segundo consta, no país dos mestres do kung-fu não há empecilhos para tais experimentos, deve o Ocidente trilhar o mesmo caminho, ou pressionar o governo da China a criar normas para abandoná-lo? E cá entre nós, não creio que no Ocidente não existe laboratórios científicos clandestinos onde cientistas se divertem misturando os genes de humanos com o de macacos e com os de outros animais.

Nas minhas primeiras palavras desta nota breve eu disse “fetos abortados”. Não são tais palavras as apropriadas para se identificar a ação empreendida na supressão à vida de seres humanos em seu estado intra-uterino. O correto seria “crianças assassinadas” ou “seres humanos assassinados”.

Uma série de televisão, que está para estrear, ou já estreou, não sei, Sweet Thoot, exibe criaturas híbridas fofinhas, crianças com focinho de porco e crianças com orelhas de alce. E as pessoas inocentes as acham uma gracinha. Não percebem que os financiadores do transhumanismo as preparam para acolher experiências científicas antiéticas e ver com naturalidade as anomalias que delas irão brotar.

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Dias atrás, neste mesmo canal e neste mesmo horário, escrevi que do pouco que eu conheço das idéias de Paulo Freire, o ato de ensinar e a escola não tinham razão de ser, de existir. Se o professor não pode transmitir aos alunos conhecimentos – transmitir conhecimentos é ato opressor -, não podem ter autoridade, que é opressora, e se não há conhecimentos superiores e conhecimentos inferiores, mas conhecimentos diferentes (sem escala de valores, portanto) – e assim, conclui-se, igualam-se os dos professores e os dos alunos – não há razão para se conservar a dispendiosa estrutura moderna de ensino. E dois dias atrás anotei algumas palavras-chave para registrar um pensamento que me coçou a cabeça. E agora eu o dou ao papel. É este: Se a transmissão, pelos professores, aos alunos, de conhecimentos é ação opressora; se a autoridade do professor é opressora; e se não há escala de valores entre os conhecimentos, e, portanto, não são superiores, em comparação com os dos alunos, os dos professores, então, ampliando o alcance do raciocínio, Paulo Freire revela-se incoerente ao transmitir os seus conhecimentos de pedagogia (muita gente diz que não há pedagogia no pensamento dele – deixo, aqui, esta questão de lado), por meio de seus livros – assim ele oprime quem o lê – e os professores paulofreireanos erram triplamente, deixando-se por ele oprimir, ao reverenciá-lo, reconhecendo-o uma autoridade, recolhendo, dele, os conhecimentos que ele lhes transmite e tratando-o como um ser dotado de conhecimentos superiores.

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As Forças Armadas das mais poderosas nações já empregam em seus soldados exoesqueletos e outros equipamentos – e medicamentos – que lhes ampliam os sentidos. O homem, hoje, pode ter em seu corpo inseridos inúmeros mecanismos, alguns que lhe prolongam a vida, corações artificiais, marca-passos. Há equipamentos que beneficiam enormemente os sequelados em acidentes e os nascidos com deficiência de movimentos devido à má constituição de ossos e músculos. Mas o sonho do Homem de querer emular Deus o levará à ruína.

Umas das propostas que ao meu ver é absurda, grotescamente desumana, uma ameaça à condição humana do ser humano é a do Neurolink, de Elon Musk, o herói dos geeks e dos nerds. Não é novidade. Está esposada, por Miguel Nicolelis, em Muito Além do Nosso Eu, livro que li há um bom tempo e que me causou imenso desconforto. Propõe ele a conexão do cérebro de todos os seres humanos com um computador global. Assim, acredita, chegaremos ao paraíso, pois toda pessoa saberá dos pensamentos de toda pessoa. Ninguém irá mentir, tampouco enganar alguém. Lindo, não?! E quem irá controlar o computador global? Os tiranos agradecem.

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Jayson Rosa, do canal Casando o Verbo, nos seus vídeos fala de inúmeros assuntos relacionados à manipulação do pensamento por meio de filmes, de transhumanismo. Não compartilha da idolatria de muitos pelo Elon Musk, o homem – dizem – mais rico do mundo.

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Falando em Elon Musk: Dias atrás, ele declarou, em alto e bom som, que a sua empresa Tesla não iria mais negociar com o Bitcoin, a criptomoeda mais famosa do universo. E o valor do Bitcoin despencou, no precipípio, no mesmo dia; agora, para a minha supresa, li uma notícia de estarrecer, de derrubar o queixo do mais impassível dos homens: Elon Musk declarou aos quatro ventos que a Tesla poderá negociar com o Bitcoin. E o valor do Bitcoin escalou o Everest. Não posso terminar esta nota breve sem uma pergunta: Nas mãos de quem estão os Bitcoins?

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E o Bill Gates, que até há não muito tempo era o homem mais rico do mundo, posto que ele perdeu para o Elon Musk, fez mais uma das suas. Oficialmente, Gates e Musk são os homems mais ricos do mundo, mas há quem diga que eles são os pobretões do panteão dos miliardários. Deixemos tal questão de lado, e tratemos da última do Bill Gates. Ele quer porque quer salvar a Terra do aquecimento global; para tanto, pensou numa idéia brilhante: pulverizar poeira, partículas aerossolizadas, na estratosfera terrestre, assim criando uma camada protetora, que restituirá ao espaço sideral os raios de luz disparados pelo Sol, nosso querido Sol. Seriam borrifos de carbonato de cálcio, atóxico. É um projeto que participa de uma ambição universal de geoengenharia, cujos proponentes miram o objetivo de alterar a estrutura física da Terra, mas não querem atingi-lo com coisinhas pequenas, não, como a construção de uma represa, e a da Muralha da China, e a da Pirâmide de Quéops, e a do Canal de Suez, e a do Maracanã. Querem chegar a ele com coisinhas imensas, de escala universal. Há quem veja com bons olhos tal idéia. Para mim, que não sou cientista nem nada, parece-me uma rematada sandice. E uma idéia de jerico a do Bill Gates. E pergunto-me se há algum parentesco entre Bill Gates e Mini-Me.

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Até outro dia dizia-se que teríamos restituída a nossa vida de antes da pandemia (melhor: fraudemia) assim que nos vacinássemos. E era a vacina o elixir da saúde, o escudo protetor, infalível instrumento de defesa, contra o chinavírus. Agora, vacinada, a pessoa – dizem os onipresentes especialistas, que até ontem prometiam o paraíso àqueles que se vacinassem – tem de usar a malfadada máscara, manter o distanciamento social, evitar aglomerações, porque não é 100% segura a vacina. E só agora descobriram isso!? E quando teremos uma vacina 100% segura? Nunca, pois o vírus está em constante e ininterrupta mudança. Teremos, então, de esconder, e para sempre, atrás de uma máscara, a nossa cara e não mais nos reunirmos com familiares, parentes e amigos; teremos, enfim, segundo médicos e cientistas renomados, heróis dos coronalovers e vacinalovers, de rejeitarmos a nossa vida social, de nos negarmos a viver, ao atendermos as exortações dos veneráveis especialistas, benfeitores da humanidade.

E as máscaras são 100% eficientes. As de pano? Já se sabe que são inúteis.

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Não se admite o uso, pelos que adoecem de gripe causada pelo vírus chinês, de remédios que, dizem, não têm comprovação científica. Pergunto-me se posso processar minha avó paterna – já falecida, e que Deus a tenha – que, aos meus oito, nove anos, não me lembro, eu atormentado por febre, que de jeito nenhum queria me deixar, submeteu-me, na casa dela, a um suadô, que consistiu no seguinte: bebi um copo de água com alho e deitei-me, no sofá da sala, sobre e sob camadas e mais camadas de cobertores, à noite, e dormi, e acordei, na manhã do dia seguinte, tinindo de bom, suado, minhas vestes encharcadas, fedendo a alho. Sarei.

Minha avó se perguntava se tal tratamento, o suadô, tem comprovação científica?! Minha avó merece responder postumamente a um processo?

E quantas pessoas já fizeram uso de babosa sobre machucados para inibir o aparecimento de cicatrizes? Alguém se pergunta se há comprovação científica do uso benéfico de babosa em tais casos? E para o uso de caninha do brejo para tirar pedras dos rins alguém pergunta se há comprovação científica? E para o emprego de picumã para estancar sangue de machucados? Alguém pergunta se há comprovação científica? E para drenar o pus de um machucado provocado por unha encravada, como se deu comigo há mais de trinta anos, usa-se compressa com água quente. E quem é que pergunta se tal prática tem comprovação científica? Ora, as pessoas, no seu dia-a-dia, usam o que funciona, o que traz bons resultados, independentemente de haver ou não comprovação científica. E digo mais: as pessoas ignoram, em muitos casos, solenemente, e desdenhosamente, conselhos médicos, e se tratam por si mesmas, com os meios que lhes estão mais às mãos. E muitas pessoas nem sequer tomam ciência de médicos e cientistas, e tampouco desejam saber o que eles pensam, e não são poucas as que os desprezam.

Toda essa história de se obter uma comprovação científica do uso deste e daquele medicamento e deste e daquele tratamento é política de desprezo pela sabedoria popular, pelos conhecimentos milenares adquiridos e acumulados pelos nossos avós, bisavós e mais antigos ancestrais. Os profissionais da ciência moderna se arvoram os proprietários exclusivos do conhecimento sobre a vida e a morte. E porque digo “proprietários exclusivos”? Porque excluíram Deus da história.

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Li por aí que há uma tal de Teoria Racial Crítica, que, em resumo, determina que é o homem branco por natureza racista. Que seja tal idéia uma rematada idiotice só os tolos não sabem. Mas o mais surpreendente desta história é que homens brancos na tal teoria citada linha acima vêem um instrumento de combate ao racismo. Tolos! Estão atirando no próprio pé. Estão ao carrasco entregando o machado e oferecendo o pescoço. Se todo homem branco é em sua essência racista, então eles também o são. São assustadoras as imbecilidade e estupidez de tal gente.

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Não é difícil encontrarmos notícias que nos dão a conhecer histórias macabras de mulheres que acusam falsamente homens de as haver estuprado. Pede-se às mulheres que colham as provas para sustentar a acusação, afinal ao acusador – em tais casos, as acusadoras – cabe o ônus da prova. E aparecem defensores – falsos defensores – das mulheres que alegam que em tais casos não é obrigação da mulher colher as provas, pois tal é muito constrandor, e adicionam, então, a conclusão, que, afirmam, encerra-se em justiça para com as mulheres: a de que o homem tem de provar-se inocente. É a total inversão dos valores. Que é constrangedor para a mulher a situação em que se encontra, após seviciada, num processo, ter de provar que a acusação que faz ao homem procede, ninguêm ignora; mas alegar que por causa do constrangimento deve-se dispensar a mulher de responder ao seu compromisso é um acinte à Justiça.

Vejamos, agora, um cenário com outros personagens: um homem acusa outro homem, este homossexual, de havê-lo estuprado. A qual destes dois cabe o ônus da prova? Ao acusador, ou ao acusado? Prevalecerá, neste caso, a pressão da militância?!

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Sempre que um policial branco mata, independentemente das circunstâncias, um homem negro, nasce, por combustão espontânea (financiada e orquestrada por metacapitalistas mais rico do que o Tio Patinhas), revoltas e sublevações sociais que põem cidades inteiras de pernas para o ar. Mas quando um homem, bandido, assassino, seja ele branco, negro, marrom, amarelo ou verde, mata um policial negro, ouve-se o mais retumbante silêncio, que ecoa no labirinto de todas as pessoas em todo o mundo. E onde a revolta dos defensorea dos negros?! Não se ouve um pio a respeito, nem a metade de um pio. 

Dizem aqueles que esbravejam no primeiro caso e calam no segundo que naquele o policial é um agente do Estado, um agente que tinha o dever de agir com justiça, sem preconceitos, sem discriminar as pessoas pela cor da pele. É justo. É o correto. O Estado, neste caso, portanto, falhou ao ter em sua estrutura um racista. E no segundo caso, nada dizem porque não foi um agente do Estado que matou o policial negro. Aqui, fazem distinção entre a violência do Estado e a violência de um cidadão, e culpam o Estado, no primeiro caso, e inocentam o cidadão, este, vítima da sociedade, no segundo. Há duas observações a se fazer: As pessoas que culpam o Estado, no primeiro caso, e inocentam o cidadão, no segundo, são estatólatras, de esquerda, vêem no Estado a instituição suprema infalível; e, não entendem que no segundo caso, o do assassinato do policial negro, o Estado também falhou, pois não protegeu o policial. Nos dois casos, o Estado falhou; no primeiro, ao contratar um agente que não atendia aos requisitos essenciais para o exercício do trabalho de polícia; no segundo: ao não garantir a segurança de um de seus agentes. E é de surpreender que os sábios estatólatras seguem, diante de provas cabais dos limites do poder do Estado, a pintar o Estado como a instituição suprema, infalível. Não sabem tais seres que é o Estado uma abstração, apenas uma abstração, fruto das elucubrações de homens que, porque homens, são falíveis?!

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Os auto-intitulados defensores da liberdade de expressão não admitem que gozem da liberdade de expressar seus pensamentos – nas redes sociais, inclusive – pessoas que não subscrevem o pensamento politicamente correto, a ideologia de gênero, a política dos pronomes neutros, e outras coisinhas mais. São intolerantes os defensores da liberdade de expressão. Para ocultar de si mesmos e de outros a sua intolerância declaram-se anti-facistas e anti-nazistas, e rotulam de facistas e nazistas seus oponentes, assim demonizando-os e justificando a exclusão deles de toda discussão pública.

Os defensores da liberdade, autoritários. Os seguidores da Ciência, anticientíficos. Os sábios que nada sabem. Os idiotas úteis. Arma biológica chinesa. E outras notas breves.

Os heróicos, abnegados defensores da liberdade, lídimos guerreiros da justiça social, neste mais de um ano de fraudemia, revelaram-se tipinhos autoritários, caricaturas da caricatura de Adolf Hitler criada por Charles Chaplin. Em toda família um de seus membros, no mínimo – nas menos desgraçadas pelo vírus do autoritarismo -, revelou-se um patético ditadorzinho de calça apertada; e este era o que mais fazia discursos de amor pela Liberdade, pela Justiça, pela Democracia. Tais criaturas, que se tinham – e ainda se têm – na conta de justiceiras sociais – e justiceiras sociais elas são, mas na sua corrente acepção, a de seres que se atribuem autoridade moral e intelectual, superiores aos reles humanos, dotados do direito, portanto, de massacrar qualquer um com as suas ladainhas moralizantes -, mostraram-se em sua verdadeira mentalidade, que é autoritária, umas explicitamente, mal conseguindo conter seu ímpeto autoritário, outras, esforçando-se para conservar as aparências, emprestando certo respeito pelos próximos, mas não se contendo todo o tempo, deixando transparecer sua animosidade contra quem não lhe segue os passos e suas má-vontade e má-fé.

Nesta era de fraudemia – uma pandemia virtual, que só se viu na mídia e em discursos de médicos e cientistas renomados -, os defensores da liberdade foram os primeiros que perderam – aqueles que a tinham – a capacidade de pensar com racionalidade, ponderar as questões, e a sucumbirem ao bombardeio midiático, que anunciou o apocalipse, e a genuflexionarem-se, reverentes, acovardados e aterrorizados, diante dos micro-ditadores que impuseram as restrições mais severas, mais draconianas, às liberdades do ser humano, como a de ir e vir, a de trabalhar para seu sustento e o da sua família, a de se reunir, livremente, com seus familiares e parentes e amigos.

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Ninguém é tolo para declarar que não há um vírus a matar pessoas, e que não houve um surto epidêmico de mortes por vírus. Mas acreditar, piamente, que tudo o que se diz do vírus é verdade é ato de gente crédula, e não de gente cética, de espírito científico. Num mundo de gente de carne e osso, e não de gente idealizada a viver num mundo imaginário edênico, políticos, empresários, profissionais liberais, inclusive os da área da saúde, defendem, e muitos inescrupulosamente, seus interesses pessoais, indiferentes ao mal que podem vir a causar a outras pessoas, e alguns deles, cá entre nós, o mal aos próximos desejam.

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Nada sabem de Ciência os Seguidores da Ciência. Nada. Mas eles se têm na conta de mestres da Ciência porque curvaram-se, temerosos, à autoridade dos heróis midiáticos, médicos e cientistas renomados que os meios de comunicação (melhor: meios de subversão) elegeram sábios, seres dotados de omnissapiência, infalíveis, criaturas celestiais de poderes divinos materialistas, e do materialismo mais chão, mais cru, mais estreito.

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Aqueles que nestes meses do que se convencionou intitular Pandemia do Coronavírus atribuíram-se dons superiores – e, aqui, falo de pessoas comuns, e não de políticos e cientistas renomados e de presidentes e diretores de organizações mundiais – revelaram-se providos da mais reles paixão pelo mandonismo, de desprezo pela verdade, pelo estudo, de uma arrogância que não encontrou limites, donos de uma auto-imagem doentiamente insensata que lhe satisfaz o ego inflado, inchado. Tais pessoas, acriticamente, acolheram todo o discurso midiático acerca do vírus que tanto nos atormenta. Nada questionaram. E se dizem racionais, pensadores independentes, que ninguém pode manipular. Foram facilmente sugestionados a acolher como verdades, truismos, todo e qualquer discurso que por mais ridículo, esdrúxulo, patético fosse – e talvez por tal razão perderam a razão, aqueles que a possuíam, perdidos num torvelinho de ordens que se anulavam, de narrativas que se contradiziam, desarrazoados insanos de enlouquecer todo e qualquer filho de Deus. E dizem, de peito inflado, pomposos: “Eu sigo a ciência.” e condenam os que eles chamam de negacionistas ao ostracismo. Para eles estes são párias e merecem viver à margem da sociedade porque não acreditam nos médicos e cientistas renomados. Eu ia escrever que os Seguidores da Ciência endeusam os cientistas, mas corrigi-me a tempo. Eles não sabem diferenciar dos cientistas os charlatães, afinal não sabem o que a Ciência é, e não sabendo o que ela é não podem saber quem de fato faz ciência e quem diz fazer ciência mas está apenas a falar em nome dela e não a praticando.

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Os carinhas se dizem anticapitalistas, defensores da justiça social, pedem o fim da desigualdade de renda, e apóiam medidas restritivas ao comércio, que favorecem, ainda não entenderam os pascácios, as grandes empresas, que têm poder econômico para sustentar prejuízos durantes anos. E as empresas que faliram durante a fraudemia foram as pequenas e as médias. Assim, as grandes empresas conquistaram mercados, monopolizaram muitos deles, sem precisarem provar que são os mais competentes. Ora, no ano passado reportagens indicaram que os homens mais ricos do mundo, bilionários, enriqueceram-se, enquanto os mais pobres empobreceram. E sabem disso os anticapitalistas defensores do fim da desigualdade de renda. Mas tais néscios não atinam com a relação entre medidas restritiva ao comércio e o empobrecimento dos mais pobres e o enriquecimento dos mais ricos. São, ou não são, úteis aos metacapitalistas os idiotas que dizem combater o Grande Capital?!

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De algumas semanas para cá, pululam na mídia americana notícias que informam que é o coronavírus uma arma biológica desenvolvida pela China. Se é, não sei. Parece-me muito grosseira a história que narram. Dar à China, exclusivemente à China, a culpa pelo flagelo que oito bilhões de humanos enfrentam é, assim vejo, um atentado contra a inteligência humana. Penso que há muita gente poderosa, no Ocidente, esquivando-se de suas responsabilidades, melhor, irresponsabilidades, pelo que promoveram neste ano e meio de recrudescimento de políticas autoritárias subjacentes e justapostas às políticas ditas sanitárias que em nada melhorou a situação. Não tenho, é óbvio, e eu nem precisaria tocar neste ponto, conhecimento do que se passa nos suntuosos escritórios de chefes de Estado, de diretores de organizações mundiais, de presidentes das farmacêuticas e das Big Techs, e das mansões dos patriarcas das famílias dinásticas que mandam e desmandam em nosso mundo; mas nada me impede de imaginar que no Ocidente há muita gente poderosa com insônia temendo ver seu busto exposto em praça pública, cuspida e coberta de sujidades. Apontam o dedo acusador para o Partido Comunista Chinês, o bode expiatório, pessoas que até ontem foram, dele, seus mais fiéis aliados. É o Partido Comunista Chinês o boi de piranha. Muita gente poderosa que compartilha com os comunistas chineses de sua visão de mundo materialista, anti-religiosa, e que ambiciona criar um governo totalitário global seguem na promoção de suas políticas anti-humanas enquanto o mundo concentra seus olhos na China.

Eu disse, linhas acima, que entendo grosseira a narrativa que dá a China protagonista – antagonista do Ocidente – de uma história de ingredientes bélicos a preparar-se para a Terceira Guerra Mundial, que seria uma guerra biológica, e não química, como a primeira, e tampouco atômica, como a segunda. E seria o coronavírus a arma que ela empregaria contra o Ocidente. A intenção da China, dizem, era lançar nos países ocidentais o vírus para colapsar-lhes o sistema de saúde. Ora, parece-me muito grosseira tal artimanha, pois os países ocidentais rastreariam a origem do vírus até a sua origem – como dizem estar fazendo neste momento com o chinavírus, que se originou num laboratório de virologia de Wuhan – e contra-atacariam com um vírus de equivalente poder, ou superior. Penso que a guerra que se faz hoje é mais sutil, e os povos ocidentais têm em seus próprios governos seus inimigos, e também nas organizações mundiais que sustentam com impostos escorchantes. O vírus é a arma biológica que o governo chinês pretendia lançar contra os países ocidentais, ou os governos dos países ocidentais declaram que é o vírus chinês uma arma biológica chinesa contra a qual eles têm o antídoto, este a verdadeira arma biológica? Não podemos ignorar que os governos ocidentais oprimem seus povos, e muitos deles – aqui no Brasil, prefeitos e governadores, e vereadores e deputados, estaduais e federais, e senadores, e juízes – comem nas palmas das mãos, dos comunistas chineses, uns, dos metacapitalistas ocidentais, outros, metacapitalistas ocidentais e comunistas chineses, cada um ao seu modo, a arquitetarem um edifício totalitário global.

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No ano passado, Sérgio Moro, na condição de herói nacional, de patrimônio brasileiro, homem de quem todo brasileiro se orgulhava, revelou-se um vilão, o Marreco de Maringá – assim o indigitavam alguns daqueles que não o viam com bons olhos -, derrubando o queixo de muitos milhões de brasileiros. Lembro-me que tão logo ele se revelara em sua inteireza, para desilusão e tristeza de muitos, profissionais da área jurídica cerraram fileiras ao seu lado, enalteceram-lhe a biografia, da qual o então Ministro da Justiça era cioso, e pediram, melhor, exigiram, uns, o impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro, e outros, o caluniaram com nomes que simulavam educação e vocabulário aparentemente sofisticado. Não hesitaram em condenar o presidente Jair Messias Bolsonaro. Para homens das Leis, representantes da Justiça, eles se revelaram desprovidos de senso de Justiça, afinal, tinham ouvido até então uma lado da história, a contada por um dos seus, o acusador Sérgio Moro, e ignoraram o acusado, o presidente Jair Messias Bolsonaro, cuja voz não tinham ouvido e não pretendiam ouvir, e a rejeitaram antes mesmo de ouvi-las. E a ouviram, e no mesmo dia em que ouviram a de Sérgio Moro, e a rejeitaram. E anteviram a revelação aos olhos de todos da má conduta que ao presidente Jair Messias Bolsonaro o Sérgio Moro imputara. E até hoje, decorridos quatorze meses daquele fatídico dia, nada de o Sérgio Moro revelar os podres que ele atribuíra ao presisente Jair Messias Bolsonaro. E muitos profissionais de justiça ainda têm Sérgio Moro na conta de herói e rejeitam, terminamtemente, de antemão, toda réplica, com intransigência. Mas nada se provou contra o presidente Jair Messias Bolsonaro nestes meses todos. Mas Sérgio Moro revelou-se um homem inculto, imerecedor de confiança, homem que, nos meses que se seguiram, aproximou-se dos tipos mais desprezíveis da política brasileira. E penso na conduta dos profissionais da classe jurídica que ainda o enaltecem. Conduta corporativista, entendo eu, e de auto-proteção. Tais personagens têm auto-imagem favorável, entendem-se membros de uma casta social superior, culta e sofisticada, seres divinos. Mas eles sabem que a imagem pública deles é uma farsa, maquiagem apenas, à qual se agarram com unhas e dentes, cientes de que não são os seres superiores que dizem ser; daí um dos seus, Sérgio Moro, revela-se, e por seus recursos intelectuais superiores aos dos seres humanos, um tipo incomum em sua ignorância, incultura e ausência de valores elevados, e eles correm, constrangidos, não erro em dizer que aterrorizados, para blindá-lo, pois se ele se revela um tipo abaixo da média do comum dos homens, reles, eles se sentem atingidos, expostos em sua verdadeira estatura, membros de uma classe que vive de aparências.

Os homens – e as mulheres também, óbvio – que, trabalhando para a Justiça com seriedade e sinceridade e humildade, talentosos e inteligentes, donos de integridade moral, não mediram palavras nas críticas ao Sérgio Moro, diga-se de passagem; os que eu vi a brindá-lo foram os pernósticos, os presunçosos, os que se arvoram, porque ostentam um título, seres superiores.

O Despioramento da Economia Brasileira. Boas notícias, infelizmente. Tio Sam Desgovernado. E outras notas breves.

No Brasil, se as coisas não vão de mal a pior, vão de pior a mal, não importa o que ocorra, se o homem público que ocupa a cadeira de presidente, na companhia de seres iníquos, de alma carcomida, não bebe champagne e não come caviar, em banquetes nababescos financiados com o dinheiro suado do povo brasileiro, em suntuosos salões aristocráticos paramentados com obras de profundo mal gosto, de dar engulhos em toda e qualquer pessoa que tenha no espírito, conservada, a consciência do que é belo, de bom-gosto. E se aquele que, no cumprimento de seu dever cívico, contra poderosas forças disruptivas, movimentos revolucionários subversivos, supera dificuldades inimagináveis e obtêm sucesso considerável na Economia do país, produzindo riqueza e gerando emprego, atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro, do fruto do trabalho dele e de sua equipe se diz que é algo que despiorou o que ele mesmo, o presidente indigitado, havia piorado, que era a Economia que ele herdou de seus antecessores, que, sabe toda pessoa minimamente informada, administraram com zelo admirável o rico dinheirinho do povo brasileiro.

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De boas notícias, o inferno está cheio. Por que há de dar boas notícias a mídia aos brasileiros, se é mais vantajoso aterrorizá-los com más notícias, que os deixam com os cabelos em pé, a passarem noites em branco, atormentados por insônias desvigorantes, ou, se eles caem em sono profundo, a perturbá-los com pesadelos assustadores. O PIB nacional cresceu razoavelmente bem no primeiro trimestre do corrente ano e se prevê que irá crescer em torno de quatro por cento, neste ano, em relação ao ano passado. Que triste é para os infelizes cavaleiros do apocalipse tão boa notícia.

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Está Joe Biden – Dodô Bidê, para os íntimos -, o presidente americano, a desgovernar a casa do Tio Sam, nosso querido parente do norte. Há crise na divisa territorial da grande nação com a terra dos astecas. Lá imigrantes são barrados, presos – e a vice-presidente americana, em viagem à Guatemala, solta uma pérola de fazer cair o queixo daqueles que, de tão ingênuos, acreditam que os burros azuis e vermelhos amam os sobrinhos do Tio Sam e lutam pelo bem-estar deles.

E o resultado da política de desinvestimento na polícia se faz conhecer: aumento da violência em boa parte dos EUA.

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Os carinhas dizem seguir a ciência. Alguns ignoram solenemente a existência de Didier Raoult e Luc Montagnier, dois cientistas de primeiro time que não subscrevem a ladainha reinante na imprensa de todo o mundo. Outros, conhecendo-os, e acerca deles ouvindo comentários, poucos, torcem o nariz e rejeitam terminantemente qualquer idéias saídas da boca deles. São ambos negacionistas, nas palavras dos seguidores da ciência, gente que jamais ocupou sequer um segundo de sua humilde existência ao nobre estudo da ciência.

Quanto a ouvir idéia diferentes daquelas que defendem, os carinhas que seguem a ciência não querem nem saber. Que!? Confrontar hipóteses, eu!? Tá doido, tio. Adoto como verdadeiramente científica, ou cientificamente verdadeira, a que os heróis midiáticos, aqueles cientistas e médicos renomados alçados ao píncaro do estrelato pela imprensa, afirma ser a correta.

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É possível construir-se um muro na divisa territorial dos Estados Unidos com o México. É impossível construir-se um muro na divisa territorial do Brasil com o México, pelas razões óbvias – mas Geografia não é o forte de um certo político tupiniquim.

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Onde estão os humoristas brasileiros? De férias? São tantos os disparates da classe política, da artística, que dá para se criar um sem fim número de anedotas e piadas.

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Os remédios cujos nomes não podem ser citados, remédios que compõem um tratamento que não pode ser veiculado, estão salvando muitas vidas, vidas de pessoas que, se se deitassem em berço esplêndido à espera de cuidados de profissionais que trabalham em órgãos competentes, morreriam intubados num leito de UTI.

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Enquanto isso, na divisa entre Brasil e México, uma sublevação social na Colômbia, que, segundo consta nos livros de geografia de um certo político, faz divisa com o Canadá.

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As figurinhas carimbadas da política e do showbusiness nacional já ensinaram aos ignaros descendentes de Peri e Ceci que na Amazônia há girafas e que Brasil e México são países vizinhos. Não está longe o dia em que lhes ensinarão o Teorema de Pitágoras e a Sequência de Fibonacci. E quem criou o Teorema de Pitágoras? E a sequência de Fibonacci?

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E da Bielorússia nenhuma notícia. E nem da Ucrânia. E ninguém fala das peripécias bélicas do Putin. E o Afeganistão é um país distante, muito distante. E a China e a Austrália estão em rota de colisão. E a China e as Filipinas estão em rota de colisão. E a China e Taiwan estão em rota de colisão. E a China e os Estados Unidos estão em rota de colisão. A China, parece-me, está em rota de colisão com todos os outros países.

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As mais avançadas tecnologias que temos à nossa disposição estão obsoletas. As mais avançadas das mais avançadas são de uso exclusivo das forças armadas das nações mais poderosas do mundo e de alguns, poucos, miliardários universais de antigas dinastias.

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E já se fala em uma nova onda de infecção por coronavírus, agora de uma variante que nasceu no Vietnã. Nem bem nos livramos da hindu, e já temos que enfrentar a vietnamita. Farei algumas pesquisas, rápidas, de geopolítica. O Vietnã está confrontando a China em algum campo de interesse do governo comunista deste país?

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Pesquisas de intenções de votos, não faz muito tempo, apontavam Bolsonaro em maus lençóis. E dizia-se aos quatro ventos que ele perdia popularidade. Mas aí, o Capitão Bonoro inventou de passear de moto, em Brasília, no Rio, e em São Paulo. Assim, ele derrubou duas narrativas: a de que perde para os seus adversários num confronto eleitoral e a de que não tem popularidade, perdeu-a, é impopular. E os seus principais oponentes, em particular o Nove Dedos, também chamado de Nine Molusco, não dão a cara à rua. E não mais se publica na nossa tão confiável impressa pesquisa de intenções de voto.

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E da terra do Tio Sam, notícia do Arizona, condado de Maricopa. Dá-se os últimos retoques na auditoria dos votos das eleições americanas de 2.020. Há novidades por aí. E a mídia brasileira a ignorar o assunto, do mesmo modo que ignora Faucy, laboratório de Wuhan, fogo em embarcação iraniana, rebeldes ganhando espaço no Afeganistão…

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Todos os que andamos hoje em dia pela face da Terra temos a disposição infinitas fontes de informações. Infelizmente, muitos de nós não desgrudam os olhos da telinha da televisão, sintonizada nos canais de sempre.

Em 2.030, na escola…

Era o primeiro dia de aula na Escola Princesa Isabel, de ensino infantil. As crianças a invadiram em vagalhões destruidores, que não poderiam ser contidos nem por todo o maquinário construído pelo homem para a contenção de fenômenos naturais devastadores. A algazarra das crianças traduzia o ânimo delas, criaturas de almas angelicais. Abraçaram-se, espontâneas, expansivas; falaram-se; gargalharam. Sempre em alto e bom som, com toda a força de seus pequenos pulmões, que emitiam sons altissonantes, de fazer tremer o Everest. No rosto delas, o sorriso aberto; nos olhos, o brilho da inocência, da ínfrene alegria. Dominaram da escola o pátio e os corredores. Algumas, acompanhadas de seu pai, ou de sua mãe, logo das mãos deles, assim que viam um amigo, se desvencilhavam e iam alimentar a multidão turbilhonante que tomara conta do território escolar. O caos presente ocultava a ordem existente. Ao soar do sinal que indicou o início das aulas, as crianças rumaram cada uma delas para a sala-de-aula que frequentaria durante o ano letivo. E esvaziou-se o pátio, de onde saía o ruído do silêncio, e nada mais. Em uma das salas-de-aula, a de número 7, da quarta-série, além de vinte e oito crianças, entrou a professora Ludmila, mulher de trinta e dois anos, professora desde os vinte. De estatura mediana, cabelos pretos, lisos e compridos, esbelta, simpática, de espírito cativante, era querida por seus alunos.

Após alguns minutos de conversa descontraída com seus alunos, e assim que eles se silenciaram, disse a professora Ludmila:

– Vamos à chamada.

– Vamos – replicaram algumas crianças; e todas riram.

– Prestem atenção – pediu a professora Ludmila. – Álcoolgeorge.

– Presente.

– Álcoolgerson.

– Estou aqui no fundo.

E gargalhadas dominaram a sala.

– Engraçadinho – censurou-o a professora Ludmila, sorrindo. – Atenção! Álcoolgilson.

– Presente.

– Cloroquiniano.

– Presente.

– Covidiano.

– Presente.

– Distanciamentónio.

– Presente.

– Professora, a ponta do meu lápis ‘tá quebrada – disse uma aluna.

– Você tem apontador? – perguntou-lhe a professora Ludmila.

– Não – respondeu a aluna. – Eu o esqueci, na minha casa, em cima da minha cama.

– Quem pode emprestar um apontador para ela? – perguntou a professora Ludmila a todos os alunos.

E três alunos oferecem à aluna um apontador, e ela pegou o que lhe ofereceu um aluno sentado à sua direita, e pôs-se a apontar o lápis.

– Vamos retomar a chamada – anunciou a professora Ludmila.

– Sim, professora – exclamaram os alunos.

– Imunidadenilson.

– Presente.

– Infecsálvio.

– Eu esqueci o presente, professora.

Os alunos riram. E a professora Ludmila pediu-lhes silêncio, e prosseguiu com a chamada:

– Isolamentobias.

– Presente, professora.

– Isolamentônio.

– Presente.

– Ivermectiago.

– Presente.

– Lockdowniel.

– Presente. Posso ir embora, professora? Ontem, eu não terminei a terceira fase do Game of Virus.

– Não!? – exclamou um aluno, surpreso. – Eu já. E estou na sexta fase.

– Legal! – exclamou outro aluno.

– Meninos, silêncio – censurou-os a professora Ludmila. – No recreio, vocês poderão falar do jogo; aqui na sala, não. Lockdowniel, você não pode ir embora. E comportem-se todos vocês. Atenção à chamada. Lockdownson.

– Presente.

– Pandemilton.

– Presente.

– Quarentênio.

– Presente, professora.

– Recuperadouglas.

– Presente.

– Vacinelson.

– Ele não veio, professora – disse Pandemilton. – Ele mora perto da minha casa. Ontem, ele e a mãe dele, a dona Amélia, que é muito chata, e muito, muito feia, disseram para a minha mãe que hoje ele iria ao médico.

– Tudo bem – disse a professora Ludmila. – À chamada. Vacinicius.

– Presente.

– Azitromisílvia.

– Presente.

– Cloroquiniana.

– Presente, professora.

– Coronádia.

– Presente, professora.

– Coronavilma.

– Presente.

– A Coronavilma é muito chata – disse Cloroquiniano.

– Chato é você! Bobão! – replicou Coronavilma.

– Silêncio, por favor – reprovou-os a professora Ludmila. – Atenção à chamada. Covidiana.

– Presente.

– Infecsílvia.

– Não veio – disse Lockdownson.

– Isolamentónia.

– Presente.

– Quarentenina.

– Presente.

– A Quarentenina também é chata – disse Cloroquiniano.

– E você é bobo – retrucou Quarentenina.

– Bobo e bocó – completou Coronavilma.

– A conversa não chegou no chiqueiro, nariz de porquinha – respondeu Cloroquiniano, dirigindo-se à Coronavilma.

– Professora, a senhora ouviu… – perguntava Coronavilma à professora Ludmila.

– Sim, Coronavilma, ouvi – respondeu-lhe a professora Ludmila antes que ela completasse a frase. – Silêncio, todos vocês. E você, Cloroquiniano, não me interrompa. E seja educado com as suas colegas.

– Sim, senhora – respondeu Cloroquiniano.

– Professora, mande o Cloroquiniano para a diretoria – sugeriu Coronavilma.

– À chamada – disse a professora Ludmila. – Eu ainda não a terminei. Quarentenívia.

– Presente, professora.

– Vacinúbia.

– Presente.

– Zincarla.

– Presente.

– Zincátia.

– Presente, professora.

– Agora – disse a professora Ludmila -, encerrada a chamada, à aula.

Quando eu terei a minha vida de volta? – Uma fábula do tempo do coronavírus.

Capítulo 1

– Fique duas semanas na sua casa, protegido. Nela, o coronavírus nenhum mal poderá fazer a você. Não saia da sua casa. O coronavírus está la fora, na rua. Proteja-se. Fique na sua casa durante duas semanas. É a orientação de médicos e cientistas renomados. Para a sua proteção. Assim que passarem as duas semanas, você terá de volta a sua vida. Fique em casa.

– Sim, senhor.

Capítulo 2

– Senhor, já se passaram as duas semanas. Posso ter a minha vida de volta?

– Não. Não pode. Evite aglomerações e use máscara em locais públicos e nos estabelecimentos comerciais, nas igrejas, nos consultórios médicos, nos escritórios de advocacia; enfim, em todo lugar.

– Mas, senhor… Por quê?

– Médicos e cientistas renomados, após novos estudos, descobriram que evitar aglomerações e usar de máscara são essenciais para o combate ao coronavírus.

– Mas, senhor, durante quanto tempo deverei usar máscara e evitar aglomerações?

– Seis meses.

– E depois de seis meses terei a minha vida de volta?

– Sim. Evite aglomerações e use máscara. E em seis meses você terá de volta a sua vida. Use máscara. Evite aglomerações.

– Sim, senhor.

Capítulo 3

– Senhor, passaram-se os seis meses. Posso ter a minha vida de volta?

– Não.

– Não!?

– Não. Você terá de se vacinar.

– Vacinar-me!? Mas o senhor me disse que…

– Cientistas e médicos renomados, após novos estudos, descobriram que o coronavírus é mutante e provoca ondas epidêmicas, uma, duas, várias, e que o único meio de vencê-lo é vacinando-se, para se adquirir imunidade.

– Entendi, senhor. E a máscara!? Posso descartá-la!?

– Não. Use-a. Para a sua proteção. Durante os novos estudos, médicos e cientistas renomados descobriram que o uso contínuo e ininterrupto de máscara reforça a proteção e a imunidade. Continue a usá-la.

– E aglomerações…

– Evite-as. Evite-as.

– Senhor, eu poderei, após vacinar-me, dispensar a máscara?

– Sim. Vacine-se.

– Sim, senhor.

Capítulo 4

– Senhor, eu me vacinei. O senhor me dá a minha vida de volta?

– Não posso. Cientistas e médicos renomados, após novos estudos, descobriram que o coronavírus ainda não foi embora.

– Não foi!?

– Não.

– Mas… Senhor, eu quero comemorar o aniversário de meu filho mais novo. Ele faz seis anos, na próxima semana. Minha esposa e eu queremos lhe dar uma festinha… convidar os amigos…

– Não pode. Aglomeração de pessoas favorece o coronavírus, que se transmite, rapidamente, entre as crianças.

– Entendo, senhor, entendo.

– Ótimo.

– Mas… Mas, senhor, agora que estou vacinado, e imunizado contra o coronavírus, não preciso usar máscara…

– Precisa, sim. Precisa.

– Preciso!? Mas… Senhor…

– Médicos e cientistas renomados descobriram, após novos estudos, que o uso de máscara é indispensável. O coronavírus está mais forte do que nunca. Use máscara.

– Durante quantos dias?

– Dias, não. Meses. Durante seis meses. Use máscara.

– Sim, senhor.

Capítulo 5

– Senhor, passaram-se os seis meses. Posso ter a minha vida de volta?

– Ainda não.

– Não!? Por quê!?

– Cientistas e médicos renomados descobriram, após novos estudos, que o coronavírus voltou com força total. Irá matar milhões de pessoas, se nos descuidarmos, se afrouxarmos as medidas de segurança.

– E o que tenho de fazer, senhor?

– Vacinar-se.

– Vacinar-me!? Mas, senhor, eu já me vacinei.

– Você precisa de mais uma dose. A segunda.

– Mais uma dose!?

– Sim. Médicos e cientistas renomados dizem que é necessário fortalecer o sistema imunológico. O coronavírus sofreu mutação, e está muito forte. Vacine-se. Vacine-se com uma outra dose, a segunda.

– Sim, senhor.

Capítulo 6

– Senhor, eu me vacinei duas vezes. Duas doses. Posso ter a minha vida de volta?

– Não.

– Não!?

– Não. Cientistas e médicos renomados descobriram, após novas pesquisas, que o coronavírus é resiliente, muito resiliente. Não morreu.

– E o que eu tenho de fazer, senhor?

– Ficar em casa, evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social, e usar máscara. E vacinar-se.

– Vacinar-me!?

– Sim. É preciso vacinar-se. Você tem de tomar a terceira dose da vacina, para reforçar o seu sistema imunológico.

– Mas, ficar em casa…

– Fique em casa, para evitar aglomerações.

– E a máscara…

– Use máscara.

– Mas, e a minha vida!?

– Você a terá de volta se ficar em casa, usar máscara, evitar aglomerações, respeitar o distanciamento social, e vacinar-se.

– E em quanto tempo terei a minha vida de volta?

– Seis meses. Fique em casa, evite aglomerações, mantenha o distanciamento social, use máscara, e vacine-se.

– Sim, senhor.

Capítulo 7

– Senhor, passaram-se os seis meses. O senhor me devolve a minha vida?!

– Não posso.

– Não pode!? Não!? Mas o senhor…

– Não podemos relaxar as medidas de combate ao coronavírus.

– Mas já se passaram os seis meses.

– Eu sei. Mas cientistas e médicos renomados descobriram, após novas pesquisas, que o coronavírus se fortaleceu. Agora, ele consegue entrar nas casas das pessoas.

– Mas, então… Então, senhor… Então, de que adianta eu me trancar em minha casa, se o coronavírus está lá dentro?!

– O coronavírus que está fora da sua casa é mais forte.

– Mas…

– Não seja um negacionista. Respeite a ciência.

– Mas…

– Agora terei de instalar câmaras dentro da sua casa.

– Câmaras dentro da minha casa!? Mas…

– O que você teme?

– Eu!?

– Sim. Você. O que você teme? Você maltrata seus filhos?

– Não.

– Você espanca sua esposa?

– Não.

– Você pratica, dentro da sua casa, alguma atividade criminosa?

– Não.

– Quem não deve, não teme.

– Mas, senhor minha esposa, meus filhos e eu temos a liberdade…

– Vocês não têm o direito de serem individualistas egoístas num momento em que toda a sociedade sofre por causa de um vírus mortal, para cujo combate se fazem necessárias políticas de interesse coletivo, que se sobrepõem aos, e anulam os, desejos egoístas dos indivíduos. Entendeu?

– Sim, senhor. Entendi.

– Todos, para o bem-comum, temos de fazer a nossa parte; todos temos de sacrificar um pouco da nossa liberdade, para o bem de todos.

– Entendi.

– Instalarei câmaras de vigilância em todos os cômodos da sua casa, onde você, sua esposa e seus filhos terão de respeitar o isolamento social e evitar aglomerações. Dois de vocês não poderão se conservar, ao mesmo tempo, no mesmo cômodo. Terão de estabelecer regras de conduta, para não se cruzarem nos corredores de sua casa. Entendeu?

– Sim, senhor. Entendi, sim, senhor. Mas, senhor, as câmaras não ficarão na minha casa para sempre, ficarão?

– Não. Ficarão, lá, apenas durante seis meses, até o coronavírus se enfraquecer; para ele se enfraquecer, basta vocês respeitarem o isolamento social dentro da sua casa e evitar aglomerações. Respeite tais medidas, que em seis meses você terá a sua vida de volta.

– Sim, senhor.

Capítulo 8

– Senhor, passaram-se os seis meses. O senhor me devolve a minha vida?

– Não posso.

– Por quê, senhor!? Por quê!?

– Cientistas e médicos renomados descobriram, após novos estudos, que o coronavírus se fortalece, dia após dia, porque há muitos seres humanos no planeta Terra, cujos recursos naturais estáo saturados, e que se enfraquece, debilita-se. E os humanos consomem muitos produtos naturais.

– Mas os recursos naturais não se renovam, senhor?!

– Não seja um negacionista fanático, intolerante, radical!

– Mas, senhor, o que tiramos da terra à terra restituímos.

– Você é um negacionista intransigente. Terá de ser reeducado. Você, e sua esposa e seus filhos. Vocês terão de assistir aos programas e documentários educativos oficiais cujo teor considera as descobertas científicas de médicos e cientistas renomados, e não de charlatães obscurantistas, religiosos medievalistas fanáticos, inquisitoriais. E tiraremos de você, de sua esposa e de seus filhos acesso a meios de comunicação e livros que não reproduzem a política oficial elaborada, nas organizações internacionais, por médicos e cientistas renomados. Você, sua esposa e seus filhos permanecerão recolhidos à sua casa durante seis meses. E as câmaras serão de imprescindível utilidade para educar vocês, impedir que vocês incorram em algum desatino, que possa jogar por terra todo o nosso esforço e recursos que empregamos no combate ao coronavírus. Você entende a importância de persistirmos em nossa política de contenção do coronavírus?

– Sim, senhor. Entendo…

Capítulo 9

– Senhor, já se passaram os seis meses. O senhor me devolve…

– Não posso.

– Não!?

– Não. O coronavírus é resiliente. E resistente. E mais resistente do que se pensava. Cientistas e médicos renomados descobriram que, agora, devido o adoecimento da Terra, causado pelos seres humanos, que são numerosos, o coronavírus fortaleceu-se. Compreenda: Enfraquece-se a Terra; fortalece-se o coronavírus. Há uma relação direta entre o fortalecimento do coronavírus e o enfraquecimento da Terra. Não podemos descuidar. E os cientistas e médicos renomados propõem a redução da população humana; assim, havendo menos seres humanos, a Terra recupera sua energia, e fortalece-se, e o coronavírus enfraquece-se, consequentemente. Todos temos de fazer a sua parte de sacrifício, participar do esforço de eliminar o coronavírus, e para tanto é indispensável que a Terra se fortaleça.

– E o que devo fazer, senhor?

– Após seis meses educado pelos nossos programas educativos, você está apto a, compreendendo a periclitante situação atual, praticar atos que condizem com a de homens abnegados, responsáveis, que têm compromisso com o bem-comum, homens que, honrados, põem a saúde da coletividade acima de seus interesses mesquinhos. Você terá de suprimir à vida sua esposa e seus filhos, para libertá-los do terror em que o mundo se converterá caso a Terra se enfraqueça, e, consequentemente, o coronavírus se fortaleça. O governo mundial oferecerá a vocês todos os instrumentos mecânicos, e legais e morais para você executar a inadiável tarefa. Você entende a importância de seu gesto, não entende?

– Sim, senhor, entendo.

– Então, não permita que sua esposa e seus filhos vivam num mundo assustadoramente devastado pelo coronavírus. Dê a eles uma digna morte.

– Sim, senhor.

Capítulo 10

– Senhor, minha esposa e meus filhos estão num outro estado existencial. Libertei-lhes os espíritos da prisão carnal. Salvei-os. O senhor me dá minha vida de volta??

– Não posso. Cientistas e médicos renomados descobriram que a Terra ainda está fraca, e o coronavírus, forte. Não podemos afrouxar as medidas de contenção do coronavírus.

– E o que devo fazer, senhor? Diga-me. O que devo fazer para ter a minha vida de volta?

– Mate-se.

– Sim, senhor.

… e todos viveram felizes para sempre.

Fim.

O Julgamento – Uma história do tempo do coronavírus

João Fulano da Silva invadiu uma casa, e estuprou e matou mãe e filha. E policiais o capturaram e o prenderam.
No tribunal, perguntou-lhe o juiz, educadamente:

– João Fulano da Silva, o senhor já tomou a vacina contra o coronavírus?

– Tomei, sim, senhor doutor. Tomei – respondeu-lhe, humildemente, João.

E seguiu-se a conversa:

– E o senhor – perguntou o juiz -, senhor João, usava máscara enquanto estuprava e matava aquelas duas mulheres?

– Sim, senhor, eu usava máscara, e uma de três camadas.

– O senhor é um homem de responsabilidade social. Respeita a saúde pública. Tem empatia coletiva. Pelos poderes a mim conferidos pelas leis deste mundo, concedo ao senhor João Fulano da Silva a liberdade.

– Posso, senhor doutor, fazer uma pergunta?

– À vontade.

– Posso estuprar e matar outras mulheres e também matar e estuprar mulheres?

– Matar, e depois estuprar?! – perguntou o juiz, intrigado.

– Sim. Eu gosto de…

– Entendi. Não preciso dos detalhes. Você, um cidadão responsável, exemplar, comprometido com a saúde coletiva, tem o direito de viver a sua vida como bem entenda, desde que não se esqueça de usar máscara.

– Não esquecerei, não, senhor doutor. E eu uso máscara de três camadas.

– Então, vá. Você é um homem livre. Divirta-se. E não se esqueça da máscara.

– Obrigado, senhor doutor. Obrigado. Até breve.

Vacina? Não vacina? Tem efeitos colaterais? Não tem efeitos colaterais?

Quem foi o tolo que disse que a vacina contra o Covid-19 causa efeitos colaterais? Quem?! Tomei a vacina há uma semana, e sinto-me otimamente bem. Ontem, por exemplo, ouvi a Dilma Roussef falar do álcool-em-gel, e entendi o que ela disse. ‘ta’í a prova de que a vacina não me afetou, não prejudicou meu cérebro.
É ou não é para se comemorar!?

Epidemia. Fraudemia. 1984. Admirável Mundo Novo.

Desde o início do capítulo A Epidemia do Covid-19 muitos estudiosos alertaram: tal história é um experimento social. No transcurso dos últimos duzentos e quarenta dias, inúmeros eventos reforçaram, nas pessoas menos sugestionáveis, que não estão sob a influência dos meios de comunicação – ou, se estão, resistiram, e bravamente, à agressão midiática -, a percepção e a convicção de que a epidemia, ou pandemia, foi uma fraude – que já recebeu o título jocoso de Fraudemia – arquitetada para destronar Jair Messias Bolsonaro da cadeira de presidente do Brasil e impedir a reeleição, nos Estados Unidos da América, de Donald Trump, e, com a queda destes dois colossos, aguerridos combatentes da soberania de suas respectivas nações, obter a submissão de todos os povos ao poder totalitário global, de matriz anti-cristã, sustentado pela fortuna faraônica de capitalistas multibilionários (metacapitalistas, no neologismo cunhado por Olavo de Carvalho – isto é, ricaços que, tão podres de rico, não querendo mais respeitar as regras do livre mercado, o que lhes põe em risco a fortuna nababesca tão arduamente amealhada, associam-se com os Estados nacionais e organizações mundiais tendo em mente a implementação de um arcabouço legal que elimina a concorrência indesejada) e conservado pelo exército chinês – com, a depender de quem seja o presidente dos Estados Unidos pelos próximos quatro anos, a participação das forças armadas americanas. Para muita gente, e gente de primorosa formação intelectual e de moral ilibada, não restam dúvidas de que enfrentamos um dos maiores blefes, se não o maior, da história da civilização – e seus promotores almejam remover do coração dos homens os valores que, bem e mal, sustentam a civilização, e neles inserir outros, que irão desumanizá-lo.

Logo no início deste capítulo cujos eventos estamos vivenciando, a duplicidade dos agentes encastelados em organizações globais e em governos nacionais, estaduais e municipais mundo afora, revelou-se em não raros momentos. Ora tais personagens declaravam que o Covid-19 provoca uma gripe comum – e para dela nos proteger, bastaria que nos alimentássemos bem, nos expuséssemos ao sol, praticássemos exercícios físicos ao ar livre; ora que ele era assustadoramente letal aos humanos; ora que ele não se transmitia de humanos para humanos; ora que ele só se encontrava em morcegos e que não havia a mais remota possibilidade de deles saltar para os humanos, e os infectar – tal possibilidade, asseguraram, estava descartada; ora que ele tem uma elevada velocidade de transmissão de humanos para humanos; ora que medidas drásticas, que consistiam na suspensão de toda a atividade econômica mundial e no confinamento de oito bilhões de seres humanos em suas casas, eram imprescindíveis para o correto combate à disseminação de criatura tão infinitesimal, mortal, capaz de dizimar cidades inteiras, nações inteiras. Poder-se-ia alegar ignorância, acerca da real natureza do Covid-19, dos cientistas, médicos e agentes políticos, econômicos e midiáticos, para explicar todas as controvérsias envolvidas neste capítulo da nossa história, toda a confusão e todos os erros que resultaram em políticas prejudiciais aos humanos e capazes de promover uma ruptura civilizacional; todavia, observando-se, atentamente, os eventos, que se sucederam, como vagalhões devastadores, contra o nosso bem-estar, e avaliando a biografia das personagens instaladas na cúpula de organizações globais e de governos e de megacorporações capitalistas, obrigamo-nos a concluir que tudo não passou de uma peta – diria a personagem mais traquinas de Monteiro Lobato – uma peta global, uma peta universal; e muita gente trabalhadora, honesta, engoliu-a, adotou-a como verdade, pois os que a contaram conseguiram atingir-lhe o ponto fraco: o medo de morrer.

Com o passar dos dias, o que era uma medida passageira, a quarentena, proposta, e implementada, apenas para, desacelerando a velocidade do contágio de pessoas pelo Covid-19 e erguer hospitais de campanha, evitar o colapso do sistema de saúde, incapaz, então, dizia-se, de acolher, de um dia para o outro, milhões de pessoas infectadas pelo Covid-19, assumiu ares de política eterna, gênese do Novo Normal, uma nova era civilizacional, que terá no confinamento residencial, no distanciamento social, no uso perpétuo da máscara e na vacinação compulsória (sob a perspectiva de se tornar um pária quem se recusar a deixar-se vacinar contra o Covid-19) a cultura vigente.

Seriam as medidas de combate ao Covid-19 eficientes? Pesquisas realizadas, nos Estados Unidos, há três, quatro meses, indicaram que 60% (sessenta por cento) dos infectados pelo Covid-19 o foram no interior de suas residências, e que mais de 90% das pessoas, assintomáticas, são imunes ao vírus e não os transmitem para outras pessoas – podem tais pessoas, portanto, tomando medidas profiláticas simples e comuns, como o hábito de lavar as mãos com água e sabão, exercer as suas tarefas sociais diárias. Sendo assim, não há motivos para tanta celeuma em torno do Covid-19 – mas as pessoas, trituradas pelas notícias, assustadoramente apocalípticas, que recolhem dos meios de comunicação, e derrotadas pelo medo, são hostis ao chamado da razão. Deve-se enfrentar, declaram não poucos médicos, o Covid-19 com os mesmos cuidados, as mesmas cautelas, as mesmas precauções, como se enfrenta qualquer vírus transmissor da gripe.

Ocupo-me, agora, com os eventos que se sucederam no Brasil. Obrigo-me a concluir que os brasileiros somos vítimas de agentes públicos e privados descompromissados com o nosso bem-estar, personagens que envidam todos os esforços para de nós subtrair os mais valiosos bens, e não me refiro aos materiais, embora estes eles também estejam a nos surrupiar; querem nos reduzir a bonecos acéfalos, manipuláveis, incapazes de lhes esboçar resistência aos planos maléficos que ambicionam concretizar. Negaram aos brasileiros já infectados pelo Covid-19 tratamento precoce com remédios já há décadas do conhecimento público – e muitos médicos, movidos pelas mais variadas (e reprováveis) razões, acataram, servilmente, as ordens de governadores e prefeitos, e nas receitas aviadas não incluem tais remédios, pois eles provocam efeitos colaterais em quem os toma, podendo, inclusive, ocasionarem-lhes a morte. E em nenhum momento apresentaram casos de pessoas falecidas em decorrência da ingestão de tais remédios, casos documentados, na literatura médica, antes da apresentação do coquetel de remédios como um recurso de tratamento dos infectados. Prometeram a suspensão das medidas restritivas assim que estivesse à disposição de todos a vacina milagrosa, que salvaria a humanidade. Neste estágio da história, já haviam esquecido que o Covid-19 se disseminaria, naturalmente, de pessoa para pessoa, até atingir a tal da imunidade de rebanho, e da importância, para a saúde de todos, dos indispensáveis exercícios físicos ao ar livre, banho de sol e boa alimentação; teriam, agora, as pessoas de se conservarem, recolhidas às suas casas, até o advento da vacina milagrosa. E o que era uma política – a quarentena – passageira converteu-se numa política perpétua. E veio a máscara, onipresente. E as ameaças às pessoas que se recusassem a estampá-la na face, em ambiente público e no interior de estabelecimentos comerciais e órgãos públicos. E amedrontadas as pessoas acolheram tal política, servilmente. E a quarentena recebeu um nome pomposo: Lockdown. E sucedem-se as ameaças de multa e prisão àqueles que resistem às ordens dos agentes públicos. E a própria sociedade, aterrorizada, torturada, martiriza os indivíduos que ousam erguer a cabeça e encarar o monstro que a todos pretende devorar. E anunciam uma segunda onda, que aqui, nestas plagas encontradas por Pedro Álvares Cabral, chegará da Europa, da decadente Europa discritianizada. E as pessoas, assustadas, atendendo ao apelo do medo que as consome, resignam-se: submeter-se-ão à rodada, agora não de uma inofensiva quarentena, mas de um nocivo lockdown, que será implementado, dizem, não porque governantes inescrupulosos, autoritários, que estão apenas agindo em defesa dos seus vis interesses pessoais, mas porque há muita gente irresponsável que não obedece às orientações de autoridades constituídas e de renomados médicos e cientistas.

Esquecia-me: as pessoas que não acolheram os apelos da galerinha do Fique Em Casa foram, por membros de tal galerinha, vilipendiadas, crucificadas em praça pública, cuspidas, achincalhadas, alcunhadas irresponsáveis; ora, as pessoas que, sem um centavo no bolso para comprar o arroz e o feijão de cada dia, saíram de suas casas, todo santo dia, com medo de, se infectadas pelo Covid-19, partirem desta para a melhor, para plantar, cultivar, colher, beneficiar, empacotar, transportar o arroz e o feijão que a galerinha do Fique Em Casa comeu todo dia, receberam, de tal galerinha, o desprezo, o desdém, a ingratidão, e dela ouviram xingamentos impublicáveis, ofensas irreproduzíveis. A galerinha do Fique Em Casa lhes devota ódio insano, assassino.

Os eventos políticos que se sucederam, no Brasil, são de embasbacar todo filho de Deus. Pessoas, sozinhas, numa ampla avenida de uma capital de estado, ou na praia, ao ar livre, foram abordadas por homens truculentos, trajados com a farda da Polícia Militar – recuso-me a chamá-los de policiais -, que as agarraram, as enfiaram, à força, numa viatura policial. E prefeitos mandaram agentes públicos soldarem portas de estabelecimentos comerciais; e governadores assinaram decretos proibindo médicos de receitarem remédios para o tratamento da doença provocada pelo Covid-19, e criaram sistema de monitoramento de sinais de telefones celulares cujo único fim foi o de obter-se a localização das pessoas, para controlar-lhes os movimentos, alegando o fim de inibir, para o bem-estar de todos, aglomerações; e determinaram a obrigatoriedade de realização de testes rápidos em todas as pessoas que falecessem durante a epidemia, para identificação de Covid-19, e, se positivo o teste, declarar a causa da morte o Covid-19 (medida, esta, denunciam, que inflou o número de casos de morte por Covid-19); e proibiram autópsias de pessoas cuja morte foi imputada ao bode expiatório de hoje em dia, o Covid-19 (politicamente muito conveniente tal medida, justificada, cinicamente justificada, como necessária para se evitar a disseminação do vírus).

Abismados, apalermados, assustados, aterrorizados, assistimos a um circo de horrores. E não poucas pessoas, mesmerizadas por imagens horrendas transmitidas pelos meios de comunicação, curvaram-se, servis, aos tiranetes de plantão, e, impotentres, desfibradas, suplicaram-lhes medidas restritivas: que os tiranetes lhes impusessem um conjunto de normas que as protegessem, acreditaram, movidas pelo medo torturante, da irresponsabilidade de indivíduos descompromissados com o bem-comum, egoístas, egocêntricos, individualistas impenitentes. E assim tais pessoas, tiranizadas, curvaram-se ao garrote daqueles que os seviciavam e entregaram-lhes um pouco da liberdade da qual ainda gozavam, liberdade que não tinham conquistado com o sacrifício de seu próprio sangue, liberdade que herdaram de seus antepassados, que lutaram, bravamente, para, com o próprio sangue, conquistarem-la, liberdade que, agora, desprezada, rejeitada, jaz inerte, abandonada por pessoas intimidadas, não pelo Covid-19, mas por políticos conluiados com os meios de comunicação, esta engrenagem de tortura psicológica de cujos mecanismos poucas pessoas escapam.

E agora é outro o cenário: Estados Unidos. Os mais recentes eventos sucedidos nos Estados Unidos indicam, para quem deseja ver, que a epidemia promovida por Covid-19 foi uma farsa universal razoavelmente, e não plenamente, bem arquitetada, com o fim, e não o único fim, de impedir a reeleição de Donald Trump, homem que, altivo, encara, praticamente sozinho, os inimigos dos Estados Unidos, e enfrenta-os onde quer que eles estejam; inclusive, e principalmente, os que se encontram encastelados no coração da América. E o epônimo Donald Trump está a drenar o pântano, o Deep State, que almeja pôr na Casa Branca o tal de Joe Biden, que, em não poucas aparições públicas, revelou claros sinais de demência e sobre o qual pesam acusações de pedofilia, duas razões que podem vir a, caso ele assuma, de fato, o cargo de presidente dos Estados Unidos da América, serem aventados para alijarem-lo do Salão Oval.

As infinitas denúncias de fraude eleitoral, em sua maioria envolvendo os votos enviados pelo correio, dão razão às vozes que, há meses, anteviram o espetáculo grotesco e arabesco ao qual estamos, perplexos, incrédulos, assistindo. Daí persistirem nas políticas restritivas até o dia das eleições e bombardearem os americanos com notícias desencontradas, confundindo-os, atormentando-os, perturbando-os, assim paralisando-os. Todavia, contrariando as ambições dos cavaleiros do apocalipse e dos artífices do governo global, que almejam a queda do Tio Sam, o que lhes seriam de inestimável valor, afinal, terão, se bem sucedidos em tão diabólica empreitada, à disposição, o maior e mais poderoso aparato bélico e tecnológico, contra o qual nenhum povo, lutando pela sua liberdade e pela soberania de sua nação, poderia impor resistência, a América resiste. Temos, após todos os eventos que ora testemunhamos, de louvar o povo americano, que, apesar dos múltiplos inimigos que enfrenta, resiste, heroicamente, e ousa sair em defesa de sua nação – o mesmo deve-se dizer do povo brasileiro, que, ao seu modo meio atabalhoado, não sucumbiu ao terror proclamado pelos cavaleiros do apocalipse e pela escória da política nacional.

Há muito para se falar do Capítulo Epidemia do Covid-19. Não tenho a ambição de encerrar assunto tão complexo, de difícil, impossível, mensuração, num simples artigo, que já assume dimensões não antevistas originalmente, rabiscado, às pressas, em folhas de sulfite, com lápis. São muitas as informações que me vêm, caoticamente, num roldão asfixiante, à mente; e os pensamentos que tal assunto me inspira, inúmeros; para organizá-los, anoto-os em folhas à parte, e consulto as anotações, delas retirando, para a redação deste artigo, as que me servem; esforço-me para não escrever um artigo prolixo, bagunçado, direi; e sei que meu esforço não foi inteiramente vão, pois consegui, bem ou mal, emprestar certa ordem à exposição das minhas idéias.

Sei que o artigo vai extenso, mas tenho algumas coisinhas mais para dizer, sem as quais ele ficará incompleto.

Vê-se que muitas pessoas, que se curvaram, acriticamente, sem esboçar resistência, aos ditames das autoridades sanitárias, servis a políticos inescrupulosos, que se revestiram de poderes infinitos, autoritários, agora, mais assustadas do que nunca, suplicam aos governadores e prefeitos, que delas abusam da boa-vontade, segunda rodada de restrições abusivas, arbitrárias, para impedir a segunda onda de disseminação do Covid-19. Esta história de segunda onda é uma peta, diria a Emília, e tão mal contada, que faz muitas pessoas, torturadas pela engrenagem demoníaca dos meios de comunicação, nela acreditarem, piamente; e tais pessoas ouvem, uma vez mais, as vozes do apocalipse, vozes que, há meses, vaticinam, oráculos agourentos, o fim do mundo – que não veio na primeira onda, mas virá, é certo, na segunda (e caso não se dê, na terceira; ou na quarta; ou na quinta; ou na sexta; ou na sétima…). E suplicam tal política porque, alegam, convictas do que pensam, pessoas irresponsáveis não respeitam as ordens das autoridades constituídas, médicos e cientistas e políticos. E quais médicos e cientistas? Os midiáticos. Os que a imprensa elegeu autoridades infalíveis. Há um quê de religiosidade na credulidade das pessoas que se genuflexionam, reverentes, diante de tais sumidades médicas e científicas; e tais pessoas, convertidas em jihadistas, têm na conta de impenitentes hereges quem não lhes dedicam culto e não os obediecem automática, e irracionalmente. É assustador, e preocupante – para dizer o mínimo. Tais pessoas não percebem que obedecem quem os oprime, e estão a entregar o machado ao carrasco, que lhes irá cortar, sem hesitar, na primeira oportunidade, o pescoço, e se vangloriar do ato feito, e ofendem, maltratam, desprezam aqueles que, conscientes do que se passa e antevendo perigos maiores, se dispõem a lutar pelo bem comum.

Para muitas pessoas não resta dúvida de que toda a parafernália empregada na luta contra o chinavírus atende a interesses escusos de personagens poderosas, sem rosto, personagens acomodadas nos seus castelos suntuosos, de magnífico esplendor, neles ilhadas, isoladas dos homens comuns, a estes inacessíveis. E tampouco a epidemia existe; é a epidemia uma peça política de alcance global; e as orientações para o combate ao Covir-19 são, na verdade, dispositivos de controle social. O uso de máscara, a quarentena e a vacina, medidas alegadamente tomadas para impedir a disseminação do vírus, já se revelaram inúteis, contraproducentes. E já se antevê males ainda maiores do que os que se pretendia com tais medidas evitar: O aumento considerável de mortes por fome e suicídio; a crise econômica, que produzirá caos social inédito; aumento dos casos de depressão e outros distúrbios psicológicos, e dos casos de doenças relacionadas ao sedentarismo; e o prejuízo à educação e à saúde física e mental das crianças. Hoje, para evitar a disseminação de um vírus – que já se revelou de baixíssima letalidade -, e, consequentemente, o colapso do sistema de saúde, implementaram – e com sucesso, total em alguns países, estados, cidades, e relativo em outros – políticas autoritárias, de cerceamento da liberdade dos indivíduos, sacrificados, estes, em holocausto, no altar da coletividade. E não é insensatez, tolice, prever que, num futuro não muito distante, as personagens que financiaram a epidemia do Covid-19, financiarão outra epidemia, a do Covid-30, ou a do Covid-40, certos de que muitas pessoas, hipnotizadas pelos meios de comunicação, que insistirão em disseminar idéias coletivistas, se curvarão, reverentes, e aterrorizadas, diante das sumidades científicas e médicas eleitas entidades celestiais infalíveis, omnissapientes, e acolherão ordens (dadas em tom de simples orientações), que lhes soarão aos ouvidos como de origem divina, ainda mais desumanas do que as ditas neste ano de 2.020. E dentre tais medidas, não é absurdo cogitar, estarão a supressão da propriedade privada e a da integridade do corpo humano (recursos dos quais os Senhores do Mundo abusarão ao seu bel prazer) – estará consagrada, na carta magna do império global, o sacrifício de pessoas que, além de dispenderem recursos públicos escassos, não contribuem para a produção econômica: enfermos, velhos, e crianças (as ainda em estágio intra-uterino e as recém-nascidas – já se fala em aborto pós-parto, tema, este, magistralmente tratado, por Hélio Angotti Neto, no livro A Morte da Medicina). O futuro que os Senhores do Mundo nos reservam será o inferno na Terra; e muita gente entenderá que é o inferno o paraíso. Será um mundo orwelliano, atualmente gestado, onde a semântica sofrerá uma revolução, fenômeno, este, que já presenciamos, e do qual muitas pessoas não se dá conta, tão perturbadas estão sob o bombardeio das orientações que desorientam e das ordens que lhes desordenam o espírito. Hoje, o cerceamento da liberdade é ação libertária; as políticas de confinamento, obrigatórias e prejudiciais à saúde, ações de proteção da saúde, da sociedade; encolher-se, amedrontado, dentro de uma casa, é coragem; a disposição para trabalhar, para se sustentar e a família, atitude irresponsável, de gente que só pensa em si mesma. Já se realizou a revolução semântica, que produz, e reproduz, a revolução de valores. O mundo está de cabeça para baixo, e há muita gente que, andando de quatro, acredita que conserva íntegro o ser de sua condição humana.

Em Hitler e os Alemães, Eric Voegelin diz que Dom Quixote vive numa segunda realidade, um mundo só dele, e que sua convicção torna-o tão persuasivo na defesa de seu mundo fictício, dando-o como o mundo real, a primeira realidade, que faz seu fiel escudeiro, Sancho Pança, homem realista, pragmático, oscilar entre a primeira realidade, a do nosso mundo, e a segunda realidade, a do mundo imaginário, no caso o concebido pela mente adoentada de seu senhor Dom Quixote, o Cavaleiro da Triste Figura.

Muitas pessoas honestas estão, neste momento, sob forte impacto da narrativa da Epidemia de Covid-19, oscilando entre a segunda realidade, a distopia que se criou no bojo do Covid-19, e a primeira realidade, e não poucas, de religiosidade epidérmica, de nenhuma espiritualidade, mergulharam, e de cabeça, no mundo fictício, distópico, engendrado por engenheiros sociais que estão erigindo o admirável mundo novo do livro de Aldous Huxley. Tais pessoas revelam fragilidade psicológica, espiritualidade de ocasião, materialismo raso, pragmatismo interesseiro, relativismo moral, apego ao dinheiro, acomodação ao conforto e às facilidades que a civilização oferece. São facilmente cooptadas pelas forças do mal, corruptoras, e não lhes impõe resistência. Oferecem-se de alimento ao monstro escatológico, insaciável devorador de alma humana, e acreditam que estão denodadamente lutando com ele.

Este é o cenário que se me desvela. O futuro que nos aguarda não me parece o paraíso que muita gente profetiza, paraíso que se concretizará, acredita-se, se nos submetermos às ordens dos Senhores do Mundo.

Quarentena e Lockdown

Substituíram quarentena por Lockdown porque Quarentena lembra Curupira, Saci e Boitatá. E brasileiro não teme personagens folclóricos tupiniquins tão inofensivos, de aparência simpática e espírito amigável. Já Lockdown lembra os deuses nórdicos, dos bárbaros, asselvajados vikings. E ao pensar neles vem à mente o Ragnarok, o fim de Midgard. Agora a coisa é séria.

A Denúncia – Uma história do tempo do coronavírus

Eram vinte e duas horas de um sábado.
Em sua casa, na varanda, sentado numa cadeira de plástico, branca, Joaquim, máscara multicolorida a cobrir-lhe o rosto desde o nariz até o queixo, olhava à rua, sem se deter em nenhum ponto; sempre que uma pessoa se lhe passava diante dos olhos, ele, cidadão consciente e responsável, verificava se ela trazia, no rosto, uma máscara ajeitada, corretamente, a cobrir-lhe nariz e boca, e acompanhava-a com o olhar até ela sair-lhe do campo de visão. Havia duas horas, só, exercia a sua tarefa, a de policiar a conduta das pessoas que à rua saíam de suas casas. Sacrificava, pelo bem comum, de sua vida, muitas horas por dia, dedicado que era à coletividade.
Não haviam transcorrido quinze minutos após as vinte e duas horas, aos seus olhos surgiram três pessoas, dois homens e uma mulher. A mulher trazia, cobrindo-lhe nariz e boca, máscara cor-de-rosa. Um dos homens tinha uma máscara preta a ocultar de olhos alheios nariz e boca; e o outro, sem máscara, tinha, desnudo, o rosto. Joaquim arregalou os olhos, e levantou-se da cadeira. O homem sem máscara, indo da direita para a esquerda, passou pela mulher, e pelo outro homem, que a seguia, a poucos metros de distância. Estavam distantes do homem sem máscara o homem e a mulher mascarados uns vinte metros quando este homem, o mascarado, acelerou os passos – ao mesmo tempo que retirou do bolso da calça um canivete, que abriu, dele exibindo a lâmina afiada, que brilhou à luz da lâmpada do poste – na direção da mulher, que lhe ignorava a presença, e, numa sequência de movimentos rápidos, com a mão esquerda cobriu-lhe a boca, impedindo-a de emitir qualquer gemido, e enfiou-lhe, na ilharga direita, o canivete, e retirou-o de dentro dela, e enfiou-lho no pescoço. Caíram a mulher e o homem que a esfaqueva, ele por sobre ela.
Joaquim, aterrorizado, alternava a sua atenção entre as duas cenas: a que lhe exibia o homem sem máscara e a que lhe revelava o homem e a mulher, ambos de máscaras, ele a matá-la com um canivete. Com as mãos trêmulas, tirou do bolso na camisa o telefone celular, e, sem pensar duas vezes, discou para a delegacia de polícia; assim que uma policial atendeu-o, disse-lhe, rapidamente, imensamente assustado:

– Mandem, e logo, uma viatura policial para cá, rua George Orwell. Imediatamente! É urgente! Mandem dois policiais, e rápido. Rápido! Há, aqui, na rua, um homem. Ele está sem máscara! Venham logo, antes que ele fuja! Mandem dois policiais! É urgente! Urgente! Urgente! Antes que ele fuja!

O homem que evitou o divórcio

– Você não me acreditará, Nelson. Você, após ouvir-me a história, me dirá que sou um mentiroso, um mentiroso inescrupuloso, malvado, um mau-caráter, um mentiroso compulsivo, um rematado mentiroso, um mentiroso incorrigível, um caso perdido, o pai da mentira, o mentiroso dos mentirosos, o gênio da mentira. Não me interrompa, Nelson; não me interrompa. Deixe-me contar para você o que me aconteceu há uns trinta minutos; ou há uma hora, ou há duas horas, não sei. Estou desnorteado. Ainda não me recuperei do desgaste físico e mental da minha mais recente aventura conjugal, um drama, que só não descambou numa tragédia porque fiz bom uso da minha lábia de vendedor tarimbado, de um homem de quarenta anos de experiência no comércio. Minhas mãs, trêmulas; meu peito, incha e desincha, afobado; minhas têmporas, porejadas. Se eu não tivesse feito bom uso da minha oratória de vendedor eu já estaria no olho da rua; a minha patroa teria me demitido; e sem pensar duas vezes teria me dado um belo de um pontapé, e me chutado para fora da casa, arremessando-me na sarjeta. É, Nelson! O coronavírus veio para destruir a vida de todos. O coronavírus é um bicho danado de ruim, criatura nefasta, cruel, muito cruel, uma praga destruidora de lares, promotora de brigas e desentendimentos. O bicho desgraçado obriga todo filho de Deus que deseja sair de casa da casa sair de máscara. E eu cumpro a minha obrigação ao pé da letra, e não saio de casa sem uma das quatro máscaras que minha patroa me comprou há uns dois meses. Temos de nos resguardar ela e eu, mais ela do que eu, afinal ela tem umas complicações no coração, que nunca foi lá grande coisa, e é diabética; e tenho, mesmo sendo forte, de contribuir para a segurança dela, e para a minha também, e para a de meus filhos, e a de meus pais, e a de meus sogros, pessoas bondosas e generosas. E de máscara a cobrir-me a cara, saí de casa, logo após o café-da-manhã, e fui à lotérica; e, trinta minutos depois, saído, já, da lotérica, fui ao banco. Tive de enfrentar duas filas de dar voltas no quarteirão. A para o banco tinha o dobro da para a lotérica. Perdi, calculo, duas horas do dia nas filas. Fazer o que, Nelson!? Eu tinha de pagar contas e depositar dinheiro na conta de meus pais e na do Carlinho, o Carlinho do açougue do Campo Alegre. Assim que saí do banco, irritado, fui à lanchonete… à lanchonete… Esqueci-lhe o nome. Comprei uma coxinha e um refrigerante. Não podendo sentar-me à mesa, fui à Praça Monsenhor Marcondes, e sentei-me em um dos bancos. Abaixei a máscara, ajeitei-me no banco, olhei ao redor, e dei uma boa mordida na coxinha, que estava uma delícia, diga-se de passagem. E destampei a garrafa de refri, e quase a esvaziei em um gole, de tão gelada estava. Refrescou-me o refri. E acertei mais uma dentada na coxinha, arrancando-lhe um bom naco, quase a reduzindo à nada. E degustava eu do refrigerante e da coxinha quando vi, aproximando-se de mim, uma mulher que, pensei assim que a vi, não era de se jogar fora, não; não era uma sereia, e tambêm não era uma baranga. E sentou-se ao meu lado, a atrevida. Eu sou casado. “Ela não me viu a aliança!?”, perguntei-me. Há, na praça, uns vinte bancos; e uns oito deles estavam desocupados; e aquela mulher sentou-se ao meu lado, a um palmo de mim, se muito. “Que atrevimento!”, pensei. E a mulher me olhou, e deteve em mim o olhar. Os olhos dela, castanhos. Disfarcei, olhei para ela, e tão logo meus olhos viram os olhos dela, virei-me para o outro lado, cocei o nariz, e pensei comigo: “O que esta mulher quer comigo? Deve ser uma encalhada à caça de um bom partido. E me escolheu para marido, a maldita. Não me parece feia; e também não é bonita. Havendo tanto homem no mundo, por que ela veio até mim? Está desesperada, com medo de ficar pra titia; só pode ser isso.” Eu não sou um bonitão de novela, Nelson, e nunca atrai mulher nenhuma. Só a Cátia, e com muita dificuldade. Você sabe. Você foi um dos cupidos que me ajudou a conquistá-la. Não sou o Robinho, aquele felizardo, que nasceu mais bonito do que o Tom Cruise. Mulher sempre choveu na horta dele. Mas eu!? Coitado de mim! Só a Cátia, e olhe lá! Mas hoje, aquela mulher, na Praça Monsenhor Marcondes… “Quem é a bandida!?”, pensei, e me perguntei. “O que a dona viu em mim?”, perguntei-me ao sentir o olhar dela pousado em mim. E com insistência ela me fitava. Constrangido, e discretamente, fui um pouco para o lado, afastando-me da moça, que, não muito discretamente, aproximou-se de mim. E eu, com a mesma discrição anterior, mexi-me até a beirada do banco; e a moça, sem esperar-me ajeitar a garrafa de refri ao lado, no chão, achegou-se, e colou-se, em mim, e, sem que eu dela esperasse qualquer outro movimento, levou a mão à minha boca, para dela me remover um pequeno pedaço, que me ficara um pouco acima da comissura direita, da coxinha que eu comia. E tão logo senti os dedos da mulher em mim, movi a cabeça, e exclamei: “Ei!”, e fitei a mulher, e ela me fitou, ambos supresos, eu com o gesto dela, atrevido, e ela, com a minha reação, inesperada e, penso, segundo ela, exagerada. E pensei: “Já passou da hora de dar um basta nesta história.” Dei tratos à bola, e disse, carrancudo, à moça, um tanto quanto mal-educado, rude, grosseiro, em desrespeito às lições que eu trouxe do berço, lições que meus pais me ensinaram acerca do tratamento que um homem deve conceder, sempre, independentemente das circunstâncias, às mulheres: “Não me leve à mal, não, minha senhora, mas você não faz o meu tipo.” E foi só eu concluir a fala, que senti, na cara, um tapa, um tapa daqueles, bem dado, que me sacudiu o cérebro, um tapa de arrancar os dentes e revirar os olhos. Surpreso, e muito surpreso, movi a cabeça, e conservei-me sentado, no banco, de modo a manter-me distante das garras daquela mulher que, desprezada por mim, despeitada, ferida em seu orgulho mulheril, estava, eu sabia, enraivecida, muito enraivecida. E a mulher esbravejou: “Imbecil! Idiota! Estúpido! Vagabundo! Bandido! Salafrário! Canalha! Patife!” Fitei-a, espantado. “Que tempestade em copo d’água.”, pensei. E bufando de raiva a mulher removeu de si a máscara. E o céu desabou-me sobre a cabeça! Era a Cátia. Puxa vida! Nelson, você consegue imaginar a cara dela!? Chispava ódio. Levantou-se do banco a Cátia; e afastou-se de mim, a passos apressados. E eu, lá, na praça, no banco, sentado, apalermado, tentando, em vão, concatenar as idéias, rearranjar os pensamentos, esperando os neurônios reocuparem cada um deles o seu lugar original. Macacos me mordam, Nelson! Era a patroa! E assim que me recuperei da surpresa, levantei-me do banco, e corri atrás da Cátia, e cheguei até ela; e ela não desacelerava os passos; e pedi-lhe desculpas; e ela não quis prosa comigo. As minha palavras caíram em ouvidos moucos. A Cátia nem sequer se dignou a me olhar. Pensando, agora, em retrospectiva, surpreende-me ela não haver descarregado em mim uma catadupa ainda maior de impropérios. Ela soube, bem, ou mal, não sei, controlar os nervos. E foi a muito custo que, já em casa, usando da minha lábia de vendedor tarimbado, eu consegui amansar a fera, que, ferida em sua vaidade, me disparava olhares ferinos e me alvejava com rosnados e grunhidos que assustariam um homem mais pacato. Enfim, arranquei-lhe do rosto um sorriso. E nos divertimos com a confusão. Que o coronavírus regresse à China, e logo. Já me causou muitos dissabores, e quase me arranjou um divórcio indesejado.

Em tempos de epidemia, uma aventura assustadoramente emocionante

Saí, hoje, antes de o relógio dar doze badaladas às onze horas – o relógio está desregulado -, de casa, sem máscara a cobrir-me a bela estampa, como de hábito, e principiei a minha caminhada matinal, sem pressa, a passos lentos, e nem bem eu havia percorrido cem metros, vislumbrei, ao horizonte, aproximando-se, e rapidamente, de mim, para a minha contrariedade, duas motos, a governá-las cada uma delas um policial, ambos devidamente encapacetados, e tenso, nervoso, pensei em girar sobre os calcanhares, receando a abordagem e, era certo, a minha condução, pelos dois agentes da lei, à delegacia, e regressar à origem da minha caminhada, isto é, à minha casa. E dos policiais desviei o olhar. E eles distavam de mim vinte metros, quando apontei-lhes, segunda vez, meus olhos, num misto de temor e tremor, e vi… e vi… e vi, limpas, as caras deles, limpas e livres de máscaras. E divisei-lhes olhos, nariz, boca, sobrancelhas. Respirei, aliviado, e segui o curso da minha caminhada matinal. E os policiais passaram por mim, indiferentes à minha humilde e obscura existência. E cobri trezentos metros, calmo, tranquilo. Ao passar ao largo da praça, vi, poucos metros à minha frente, assim que dobrei a esquina, parados, conversando, dois policiais, ambos com o rosto coberto com máscara preta, na mesma calçada pela qual eu andava. Pensei comigo: “Agora me ferrei!”, em alto e bom som, meus pensamentos a me ricochetearem nos tímpanos vezes sem conta. E segui o trajeto, afugentando de minha já um pouco dilapidada cabeça de homem de quarenta e seis anos o pensamento que queria me impelir a atravessar a rua para que eu evitasse os policiais. Que fosse o que Deus quisesse. E pelos policiais passei. Eles, sem interromperem a conversa que lhes ocupava a atenção, se dignaram a me fitar com um olhar em que não se lia nada além do que nos olhares dos homens comuns está escrito. E segui, a passos lentos, a minha caminhada, sem interrompê-la. Minutos depois, regressei à minha casa, e tão logo adentrei em seus domínios, fui à sala de estudos, que serve, também, de quarto (e vice-versa), sentei-me à escrivaninha, peguei de uma caneta, e puxei de uma pilha de folhas de sulfite uma folha, e pus-me a escrever este relato da minha emocionante aventura matinal.

O Dia do Pico – Em tempos de epidemia, uma poesia em versos livres, leves e soltos.

O Dia do Pico
Hoje é o Dia do Pico.
Ontem foi o Dia do Pico.
Amanhã será o Dia do Pico.
Todo dia é o Dia do Pico.
De tanto pico daqui,
E pico de lá,
E pico dali,
e pico de acolá,
que todo mundo ficou picado.
*
Nota esclarecedora, pelo Editor:
“Picado”, na poesia, tem duplo sentido: Quer dizer que ou todo mundo ficou picado de tão picado todo mundo foi, ou que todo mundo está picado porque picado foi todo mundo.

Patrulheiros Fique Em Casa (Versão 2)

Eram seis horas da manhã.

João despertou, moveu-se, na cama, sob o fino lençol, lenta e cuidadosamente, para não acordar sua esposa, que fôra, às duas da madrugada, dormir, exausta, após um dia de muitas tarefas, no transcurso do qual dedicou-se a cuidar de seu pai, um ancião enfermo, que requer muitos cuidados. Sem fazer ruídos, sentou-se na beira da cama, calçou os chinelos, e retirou-se do quarto, e foi ao banheiro, onde deixara, na véspera, as roupas que usaria durante o dia de trabalho. Banhado, barbeado, penteado, perfumado, retirou-se, vinte minutos depois, do banheiro, andando pé ante pé, para não acordar sua esposa, que merecia o sono dos justos, e rumou à cozinha, onde preparou o seu café-da-manhã, e o de sua esposa e os dos três filhos. Eram sete horas e quarenta e cinco minutos, um de seus filhos, o primogênito, jovem recém-entrado na vida adulta, foi à cozinha, e saudou-o com a benção costumeira. João respondeu à saudação, orientou-o quanto às tarefas do dia, disse-lhe que ele ajudasse à mãe a cuidar dos irmãos menores e os entretivesse, e lhes aplicasse uns sopapos e puxões de orelhas, caso eles os merecessem. Pai e filho conversaram até às oito e meia. E despediram-se. Após pegar, de sobre a estante da sala a carteira, João retirou-se da sua casa, e deu os primeiros passos para ir à empresa.

Na casa vizinha à de João, às oito horas, acordaram José e sua esposa. Ela ficaria em casa, cuidando dos afazeres domésticos e entretendo os três filhos, todos crianças, o primogênito de oito anos. E José iria à empresa. José banhou-se. E comeu e bebeu do café-da-manhã que sua esposa lhe preparara. Com sua esposa conversou durante uns dez minutos, e dela recebeu uma pequena folha de papel sulfite com a lista de compras e uma receita médica e uma fatura da empresa de fornecimento de energia elétrica, e recomendações quanto à marca de alguns produtos e a composição deles. Após ouvir-lhe as orientações e recomendações, dela despediu-se com um beijo nos lábios, e retirou-se da casa, de sua esposa ouvindo que Deus o acompanhasse e para ela dizendo que ela ficasse com Deus. Eram oito e meia.

João e José saudaram-se, e rumaram, juntos, à empresa. Eram amigos de longa data e colegas de trabalho. Inteiraram-se das novidade e criticaram o governador e o prefeito. Elencaram as decisões autoritárias deles. Não haviam chegado à esquina, uma viatura do Patrulheiros Fique Em Casa, em baixa velocidade, aproximou-se deles. João e José, na expectativa, fitaram-la, receosos. Assim que a viatura se lhes aproximou, viram que havia dois patrulheiros no seu interior. Detiveram-se. E o patrulheiro sentado no banco do carona, carrancudo, ríspido, indagou-lhes.

– O que as donzelas estão fazendo aqui?

E José, homem que não leva desaforos para casa, replicou, de imediato:

– Por que você não cuida da sua vida!?

O patrulheiro cerrou as sobrancelhas, mordeu os lábios, rilhou os dentes, concentrou o seu olhar de poucos amigos em José e bufou de raiva. O motorista, se lhe antecipando, e antevendo uma luta corporal entre o outro patrulheiro e José, e medindo o porte deste e calculando a raiva daquele, de quem era conhecedor do temperamento atrabiliário, certo de ser ele um pavio curto, disparou a João e José a ordem:

– Retornem às casas de vocês. E fiquem em casa.

– E por quê?! – perguntou José, num tom de voz alto, desafiador.

– Estamos de quarentena. É ordem: todos devem ficar em casa.

E José replicou.

– E o que vocês dois estão fazendo aqui!? Por que vocês não estão nas casas de vocês?

O patrulheiro sentado, no banco do carona, tratou, e logo, de abrir a porta da viatura, desta retirar-se, e fincar pé diante de José, um palmo separando-o dele, fitando-o nos olhos, bufando, medindo-lhe, instintivamente, a força física. O outro patrulheiro retirou-se da viatura, foi até o seu colega, pediu-lhe calma, e disse para João e José:

– Nós – referiu-se a si mesmo e ao seu colega – estamos fazendo o nosso trabalho.

– E nós queremos ir à empresa fazer o nosso trabalho – replicou João.

– Entendemos, amigo – disse o patrulheiro. – Mas vocês têm de ficar em casa. Têm de respeitar a quarentena – ao dizer tais palavras, pôs a mão direita sobre o ombro esquerdo do seu colega, e a este pediu que se acalmasse e se afastasse de José. Ele lhe atendeu ao pedido, e de José afastou-se, de má vontade, sem desviar, dele, o olhar, em nenhum momento; nem piscar, piscou. E enquanto o patrulheiro de cara-de-poucos-amigos, enfezado, e José, igualmente enraivecido, encaravam-se, prontos para se lançarem um contra o outro e socarem-se até à morte, João e o outro patrulheiro estenderam-se no seguinte diálogo:

– José e eu somos pais de família. Temos de trabalhar, para ganhar o nosso o nosso arroz e feijão de todo dia. Não podemos nos dar ao luxo de permanecermos em casa. Não somos ricos. Não nascemos em berço de ouro.

– Eu entendo…

– Se me entende, deixe-nos ir trabalhar; precisamos do nosso ganha-pão.

– Recebemos ordens para abordarmos todos os elementos…

– Agora somos “elementos”?! Que absurdo! Não somos pessoas, não?!

– Quero que você me entenda. Recebemos ordens…

– Não as cumpra…

– Não podemos.

– E por que não? Ninguém tem de cumprir ordens que prejudicam outras pessoas.

– Ouça…

– Vocês não têm que acolher ordens que contrariem a consciência de você.. A menos que concordem com os desmandos do governador e do prefeito.

– É a lei, meu amigo. É lei. Estamos cumprindo a lei.

Assim que o patrulheiro proferiu tais palavras, José, que, encarando o outro patrulheiro, que o encarava, e que se continha para não se lançar sobre ele, empurrou-o, jogando-o contra a viatura, surpreendendo-o com tal golpe, e atraindo para si a atenção de João e do outro patrulheiro, e para este disse, em tom elevado, aproximando-se dele, desafiador, quase lhe encostando no nariz o nariz:

– Lei!? Lei!? Vocês respeitam leis que impedem as pessoas de trabalharem!? Vocês respeitam leis que impedem as pessoas de tirarem o sustento do próprio trabalho!? Que tipo de homens sãos vocês? Vocês não são homens; vocês são ratos.

Enquanto José lançava tais palavras ao rosto do patrulheiro, o outro patrulheiro, recuperando-se do empurrão, deu uns dois passos na direção de José, punho cerrado. João, mantendo o estado de espírito, interpôs-se entre eles, e foi pelo patrulheiro empurrado. José, aqui, encerrou a sua palestra inspirada pela fúria que ele, com extrema dificuldade, continha, voltou-se para João, e fez um movimento em direção ao patrulheiro que o empurrara, preparado para neste encaixar, na cabeça, um soco; o outro patrulheiro puxou José pelo ombro; e José, instintiva, e automaticamente, moveu, com um gesto abrupto, o braço, acertando-lhe, com o cotovelo, o nariz. João pediu a José calma, chamando-o à razão. Enquanto o patrulheiro golpeado no nariz recuava alguns passos, curvava-se para a frente e levava as mãos ao nariz e o outro patrulheiro, indeciso, olhava ora para o seu colega, ora para José e João, João puxou José para trás, e ambos afastaram-se dos dois patrulheiros alguns metros. E o patrulheiro que até segundos antes desafiava-os, foi até o que massageava o nariz atingido pelo cotovelo de José. Transcorridos alguns segundos, o patrulheiro, após avaliar o nariz do seu colega, voltou-se para José, e disparou-lhe:

– Você irá pagar muito caro pela afronta.

– Você é só um cachorrinho do governador e do prefeito – retrucou José.

João pediu a José calma. Este se conteve. João tinha ascendência moral sobre seu amigo mais novo, homem buliçoso, de muita energia. De temperamento sereno, sempre o orientava, e não foram poucas as vezes que seus conselhos, acolhidos por ele, o impediram de se envolver em apuros. José respeitava-o, reconhecia-lhe a autoridade; daí conter-se assim que ele, de frente para si, olhando-o nos olhos, as mãos pousadas em seus ombros, pediu-lhe calma, numa voz tranquilizadora. José calmo, João voltou-se, fitou os patrulheiros, moveu a cabeça em direção a José, pediu a este que permanecesse onde estava, disse-lhe que iria resolver a questão, e foi até os patrulheiros, aproximou-se deles, e desculpou-se com o patrulheiro golpeado, no nariz, por José, e prosseguiu:

– Estamos todos nervosos com a situação. Não queremos desentendimentos. Eu e José temos de trabalhar. Eu tenho esposa e filhos que precisam de mim, e José é casado, a esposa dele tem de ficar em casa para cuidar dos três filhos deles, todos crianças. E ela não pode ir trabalhar. Ela é professora de uma creche, que está fechada; e os três filhos dela e de José foram dispensados de frequentar a escola. E a esposa de José não sabe se, no próximo mês, receberá o salário, e nem se manterá o emprego, ou se será demitida. Se demitida, a renda da família de José se reduzirá à metade. E se José também perder o emprego!? Vocês me entendem? A situação da minha esposa e minha não é tão preocupante, pois temos um escritório em casa; e minha esposa dá aulas particulares, de inglês, via computador, e tem uma boa renda. Mas eu tenho de conservar o meu emprego; se eu o perder a renda da minha família se reduzirá à metade. E a de José? A esposa dele pode perder o emprego, e José também. E o que será deles e dos filhos deles, se ambos perderem o emprego? De onde eles tirarão o dinheiro de que precisam para comprar a comida para eles e para os três filhos deles? Eles não terão renda.

– Eu entendo – respondeu o patrulheiro que tivera seu nariz golpeado por José. – Mas nós estamos cumprindo ordens.

– E as ordens que vocês receberam – replicou João, seguro de si – são injustas. Vocês não têm a obrigação moral de cumpri-las, se a consciência de vocês entendem que elas fazem mal, muito mal, às pessoas.

Entreolharam-se os dois patrulheiros. João notou que eles estavam confusos, entrechocando-se no cérebro deles pensamentos conflitantes; e se persuadiu de que, com algumas palavras sensatas, poderia chamá-los à razão e fazê-los entender que eles, sendo patrulheiros, têm o desejo de ajudar as pessoas, e não o de prejudicá-las. Antes, porém, de dar sequência à sua palestra, o patrulheiro com o nariz machucado tomou a palavra:

– Todas as pessoas têm de ficar em casa. Fora de casa, podem ser infectadas pelo coronavírus, que já matou milhares de pessoas e que irá matar muita gente se ninguém respeitar a quarentena. Toda pessoa tem de pensar no bem-estar coletivo, e não em si mesma, só nos seus próprios interesses.

– Mas… – principiou João, reconhecendo a intransigência do patrulheiro, presumindo, e corretamente, que a cabeça dele estava recheada de imagens apocalípticas inspiradas pela agressiva campanha midiática que aterrorizou bilhões de pessoas mundo afora; sabia, estava certo, de que seria praticamente impossível convencê-lo do erro em que ele se encontrava.

– Ouça-me – prosseguiu o patrulheiro. – Ouça-me: Você e o seu amigo, se perderem o emprego, poderão conseguir outro…

– O quê!? – interrompeu-o João, surpreso com o que ouviu. Os seus gestos e o tom de sua voz, ligeiramente mais elevada do que o habitual, atraíram a atenção de José, que, até este momento, controlando-se, conservava-se à parte.

José andou na direção de João, e dos patrulheiros, que o fitaram. Com um gesto, João pediu-lhe calma, e, dirigindo-se aos patrulheiros, disse:

– Se perdermos o emprego, José e eu não teremos a certeza de conseguirmos outro. Você disse – prosseguiu, olhando para o patrulheiro com o nariz machucado – que José e eu poderemos conseguir outro emprego; você reconhece que não há certeza de que conseguiremos outro; é só uma possibilidade, e não uma certeza.

– Amigo – retomou a palavra o patrulheiro -, a vida é mais importante…

– Mais importante do que o quê!? – perguntou José, irritado, antecipando-se a João, indo na direção do patrulheiro.

João interpôs-se entre José e os patrulheiros, para impedir que eles se engalfinhassem numa luta corporal  da qual todos saíram machucados. Sabedor do temperamento sanguíneo do seu amigo, tinha consciência de que a situação poderia vir a desandar, e converter-se num constrangedor espetáculo de animalidade; até o momento, com muita fleuma, conteve os ânimos exaltados de José e do patrulheiro de cara de poucos amigos; mas, agora, não tinha mais a certeza de que contaria com a calma que lhe inspirasse palavras que exercessem alguma ascendência sobre os outros três personagens com os quais contracenava neste grotesco capítulo da história humana; entendia que perdia o controle da situação, que o protagonismo não era mais seu, que outros dois personagens, José e o patrulheiro de cara de poucos amigos ascendiam nos papéis que representavam, que eles, de coadjuvantes, assumiriam o papel de protagonistas. João sabia que se perdesse para eles o papel principal os eventos que se seguiriam exibiriam cenas constrangedoras, reduzidos os quatro personagens a criaturas irracionais, estúpidas. Foi então que veio em seu socorro uma idéia: dizer aos patrulheiros que ele e José não iam à empresa, para trabalhar, mas que saíram de casa para um passeio; e assim fez; e do patrulheiro ouviu:

– Não se permite aglomerações na rua.

– O quê!? – perguntaram João e José, surpresos, em uníssono. – Aglomerações!? Aglomerações!?

– Vocês dois… – prosseguiu o patrulheiro.

E João e José o interromperam.

– Nós dois somos dois homens, apenas. Aglomerações… Estamos…

– Mude o seu tom de voz, rapaz – vociferou o patrulheiro de cara de poucos amigos contra José, desse aproximando-se, ameaçador, fuzilando-o com os olhos, furioso, preparado para acertar-lhe um soco na cabeça. José, antecipando-se-lhe, golpeou-o com um soco, no nariz, com tanta força, que o arremessou-o para trás. O patrulheiro, sua cabeça jogada para trás, caiu, desequilibrado, sentado, pousando, como pôde, desajeitadamente, as mãos no chão, para não bater com a cabeça no muro de uma residência; via-se-lhe no rosto, estampada, a surpresa que dele se acometeu; e um fio de medo; ele não previra, era certo, que José poderia alvejá-lo com um murro tão potente, certeiro, que quase lhe roubou a consciência; era visível a sua confusão e o seu estado de semi-consciência, de quem não entendia o que se passava; olhava, desnorteado, cerrando e descerrando as pálpebras, mal conseguindo ver o que estava a um palmo de seus olhos. João não precisou ir até José para contê-lo, pois ele, vendo, caído, o patrulheiro, deteve-se a observá-lo. O rosto de José transparecia a raiva contida que lhe fervia nos vasos sanguíneos. O outro patrulheiro acudiu o patrulheiro caído; acocorado, deu-lhe leves tapas no rosto, para retirá-lo do torpor em que o soco que recebera o mergulhara, chamando-o pelo nome, sob os olhares de João e José.

Assim que se recompôs, o patrulheiro, massageando o rosto, levantou-se, desajeitadamente, com a ajuda de seu colega, e olhou para José, este, então, com o olhar franzido, o cenho cerrado, os músculos do rosto contraídos, os punhos fechados, em posição de ataque. O olhar do patrulheiro, agora, não exibia a confiança de antes; era o olhar de um homem amedrontado e humilhado. João, reconhecendo que os ânimos haviam se esfriado – o de José, inclusive, pois, sabia João, José agora tinha o domínio, conquistado pela sua estatura e força física e agressividade, sobre os seus oponentes -, desculpou-se com os patrulheiros, e, para os persuadir de deixar a eles, João e José, a seguirem o rumo, tranquilamente, até a empresa, decidiu exibir a sua carta derradeira, na qual pensara enquanto os patrulheiros se recuperavam da lição que José lhes ministrara:

– Patrulheiros, José e eu não saímos, ele, da casa dele, eu, da minha, para irmos à empresa, e nem para uma caminhada – as suas palavras, magnéticas, atraíram a atenção dos patrulheiros e de José, e os três, José mais do que os outros dois, intrigados, na expectativa, ouviram João, atentamente. – Direi a verdade parta vocês. Nós saímos, José da casa dele, eu da minha, para irmos à boca do Tião Tatu. Vocês o conhecem. Ele é uma personalidade muito famosa na cidade. É ele, e vocês sabem, quem fornece maconha, cocaína, lsd, crack, para os magnatas locais, os médicos, os advogados… Não preciso falar para vocês o que vocês já sabem, e melhor do que eu. Ora, José, na casa dele, e eu, na minha, confinados, não conseguimos aturar, eu, minha esposa e filhos, José, a esposa e os filhos dele. Precisamos espairecer. As mulheres falam mais do que a boca, e os filhos são muito barulhentos. São insuportáveis. Estamos José e eu à procura de um pouco de refresco. E onde há tranquilidade, agora, com todo o auê causado pelo coronavírus? Na boca do Tião Tatu. Lá, José e eu gozaremos de algumas horas de calmaria. Precisamos alimentar o espírito esmagado pela esposa e pelos filhos. E urgentemente. Não aguentamos mais. Estamos a ponto de explodirmos. E lá, na boca do Tião Tatu, sabemos, a esta hora, há, além do néctar dos deuses, novinhas, novinhas irresistíveis. Entendem-nos? José e eu só queremos nos divertir.

Os patrulheiros entreolharam-se, e sorriram, cúmplices; ato contínuo, um deles, o que dirigia a patrulha, disse, sorridente, para João e José:

– E por que vocês não nos disseram antes?!

– Ora, é que pensávamos que vocês iriam nos prender – respondeu João.

– Prender vocês por quê!? – perguntou o patrulheiro, num misto de surpresa e indignação. – Não recebemos ordens para prendermos homens de bem. Temos ordens para abordarmos toda pessoa que sai de casa para trabalhar, ou para caminhar. Vocês não estão incluídos em nenhuma destas duas categorias. Se tivessem nos falado antes, teríamos evitado a confusão.

– Não sabíamos – comentou João, surpreso, mas ocultando dos seus interlocutores a surpresa.

– Tudo bem – disse o patrulheiro. – São águas passadas.

– Lamentamos o mal-entendido – desculpou-se João. – Eu e José pedimos desculpas. Principalmente a você – disse, dirigindo-se ao patrulheiro que recebera o soco de José; e voltando-se para José, transmitiu-lhe, com o olhar, a mensagem, que ele compreendeu de imediato.

– Desculpe-me – disse José, dirigindo-se ao patrulheiro que golpeara minutos antes. – Não era a minha intenção…

– Tudo bem – interrompeu-o o patrulheiro. – Desculpas aceitas – e estendeu a mão, em cumprimento a José, que lha apertou amigavelmente. – Você tem um ótimo soco de direita – comentou, sorrindo, jocoso. – Respeito quem me manda para o chão com um soco. Mas não abuse, não. Da próxima vez você não me pegará desprevenido.

Os quatro personagens cumprimentaram-se, amigavelmente, renovaram os pedidos de desculpas, trocaram algumas notícias; e desejaram-se um bom dia. E os patrulheiros entraram na viatura, e deixaram João e José livres para irem à empresa trabalhar.

A quarentena está me enlouquecendo

– A quarentena ‘tá me deixando louco. Juro que, há uns cinco minutos, eu vi um pardal voando.
– Quê!? Pardal… Ora, mas pardal voa, mesmo.
– Voa!?
– Mas é claro que voa. Pardal é pássaro. Bota ovo, tem bico e pena, e pneu nos ossos.
– Então… então eu era louco antes. Que diabos a quarentena ‘tá fazendo comigo!?

A quarentena não está me fazendo bem

Hoje de manhã, antes de me retirar de casa para ir ao supermercado, peguei uma caneta esferográfica azul e um pequeno pedaço de folha de papel sulfite, e neste rascunhei, às pressas, a lista de compras, de poucos itens. E assim que, trinta minutos depois, entrei no supermercado, consultei a lista: um quilo de bife de fígado; dois litros de leite; um quilo de farinha de mandioca; meia dúzia de laranjas serra-d’água; duzentos gramas de azeitonas sem caroço; e, por último, meio quilo de pó de cabeça.

Na quarentena, uma experiência interessante.

Hoje eu fiz uma experiência bem legal: Peguei cem gramas de farinha de mandioca, meio litro de gasolina, cinquenta gramas de pó de café e vinte gramas de cocô de cachorro. Misturei tudo. Enfiei a mistura numa garrafa pet. E arremessei a garrafa contra a lâmpada da cozinha. E a lâmpada: Bum!!! Explodiu. E o que eu aprendi ao realizar esta experiência?! Que o Cometa Halley é um peixe da família das maritacas. Legal, né!?
Observação do psiquiatra: A quarentena não está fazendo bem para o Sergio, não. Ele tá ficando doido. Assinado: Napoleão Bonaparte III, imperador da França.

O Início do Fim do Mundo. Ou: Em Tempo de Epidemia e Quarentena.

Eram oito horas da manhã.
– Hospital Municipal. Posso ajudar?
– É do hospital? – perguntou uma voz aterrorizada, feminina.
– Sim, senhora. É do Hospital Municipal – informa a telefonista, atenciosa, alertada pelo tom de voz da sua interlocutora. – Posso ajudar a senhora?
– O meu marido teve um treco, e caiu no chão – principiou a mulher o seu relato, confuso. – E está morre, não morre. Está com a mão no peito e com os olhos arregalados. Acho que o coração dele pifou. Foi um piripaque.
– Minha senhora, diga-me o seu nome e o seu endereço; e eu irei solicitar uma ambulância para a senhora.
– Eu não preciso de ambulância. Quem precisa de ambulância é o meu marido.
– Senhora, diga-me, por favor, o seu nome e o seu endereço.
– Eu sou a Maria Elizabeth, a Maria da Quitanda. O meu marido vai morrer. Ele está com os olhos arregalados, iguais os olhos de peixe morto…
– Minha senhora, qual é o seu endereço? Diga-me o seu endereço.
– Se ele morrer – referia-se ao seu marido -, o que será de mim!? O que, meu Deus!? Os pés dele estão dando pulos. Parece até que foram picados por saúvas. E ele está com os olhos arregalados. O que aconteceu com ele? Ele teve um treco.
– Minha senhora, o seu endereço…
– Rua Carlota Joaquina… Não, não é… Rua Carlota Joaquina é o endereço da minha irmã… Aqui é Rua Dona Leopoldina. O número?! Ai, meu Deus! Esqueci. Qual é o número?!
– Minha senhora…
– Cinco mil… Não… Seis… Não. Cinco mil e seiscentos e… Ai, meu Deus! Cinco mil e quatrocentos e oitocentos e… Cinco mil e quatrocentos e oitenta e… e seis. É. É cinco mil e quatrocentos e oitenta e seis. No bairro do Barão.
– Bairro do Barão?…
– Sim. Do Barão. É assim que a gente daqui diz. É o bairro Fazendeiro Antônio. O fazendeiro Antônio era, no tempo do onça, quando eu era, ainda, menina, o manda-chuva da cidade. Aqui ele mandava e desmandava. Dava ordens até para o prefeito e para o padre. Fazia e acontecia. Até chuva ele fazia. E a gente de antigamente chamava ele de Barão.
– Senhora, uma ambulância já está indo à casa da senhora.
– E que venha logo. O meu marido não aguenta muito tempo, não. Tá vai, não vai. Que Deus nos ajude. E que perdõe todos os pecados do meu marido. E são muitos os pecados dele.
– Acalme-se, minha senhora. Paramédicos…
– Não tem de parar os médicos, não. Eles têm de vir, e logo.
– Eu quero dizer que a ambulância já está a caminho da casa da senhora.
– Ah! Sim. Entendi. Eu fiz confusão. Desculpe. Estou muito nervosa. Esperarei pelos médicos. Vou desligar o telefone, para ajudar o meu marido. Ele não pode morrer sem se confessar. Não pode.
E desligaram o telefone Maria Elizabeth e a telefonista do Hospital Municipal.
A ambulância retirou-se do pátio do Hospital Municipal e principiou a jornada de quatro quilômetros rumo à casa de Maria Elizabeth. Não havia percorrido quinhentos metros, a ambulância sacolejou; e ouviu-se um estouro. E fumaça escapou de sua dianteira. E o motorista esforçou-se para conservar-lhe o governo, no que foi bem-sucedido.
Saíram da ambulância, incontinenti, o motorista e o paramédico. Ambos verificaram o que havia sucedido com o veículo. E concluíram que teriam de solicitar outra ambulância para socorrer Maria Elizabeth. O motorista telefonou para o Hospital Municipal, e inteirou a telefonista a respeito do ocorrido; e a telefonista lhe informou que a outra ambulância retirara-se do pátio do hospital, para socorrer uma vítima de acidente doméstico, no outro lado da cidade. O motorista, então, após desligar o telefone, discou para um mecânico.

– Mecânica Gonzalo – disse o homem que atendera ao telefonema.
– Preciso – declarou, de imediato, o motorista da ambulância -, com urgência, que o senhor faça um reparo na minha ambulância. Não sei o que aconteceu. Alguma pane no motor, provavelmente.
– Não poderei ajudar você, amigo. Desculpe-me. O meu carro está sem gasolina.
– Vá a um posto de combustível, por favor. É urgente. Temos de atender um homem, que teve um ataque cardíaco, é certo.
– Lamento, amigo. Não posso. Os postos de combustíveis estão fechados. Não têm combustíveis. Os tanques estão vazios. Lamento. Eu gostaria de ajudar você, mas não posso.
– Mas… Os seus vizinhos não podem tirar gasolina do tanque dos carros deles?
– Não. Todos eles estão com os carros com os tanques vazios. Não têm nem um pingo de gasolina, nem de álcool, de nada. Agorinha, mesmo, pedi um litro de gasolina para o seu Estevão, que mora numa casa do outro lado da rua, e ele me disse que o tanque do carro dele está mais seco do que o deserto do Saara. Eu peço desculpas, amigo. Não posso ajudar você. Só peço a Deus que você consiga consertar a ambulância e ajudar quem está precisando da sua ajuda.
– Obrigado, senhor – agradeceu o motorista da ambulância, desconsolado.
– Disponha.
E Gonzalo, o mecânico, e o motorista da ambulância desligaram o telefone quase que ao mesmo tempo.
O motorista da ambulância e o paramédico trataram, e logo, de contatar outros mecânicos, e todos eles lhes deram as mesmas notícias: Não tinham combustível no tanque do carro e os postos de combustíveis estavam fechados. Perderam ambos preciosos minutos telefonando para oficinas mecânicas. Enquanto eles desdobraram-se para encontrar uma solução para o problema que lhes ocupava os pensamentos, o Hospital Municipal recebeu um telefonema:
– Hospital Municipal. Posso ajudar?
– Não precisam me mandar uma ambulância. Não precisam – disse uma voz embargada, de uma mulher em prantos.
– Senhora, o que…
– O meu marido já bateu as botas. O finado Jerônimo…
– Minha senhora… Qual é o nome da senhora?
– Maria Elizabeth, a Maria da Quitanda. O meu marido partiu desta para a melhor. Deus já veio buscá-lo. Ou o Diabo, não sei. O finado Jerônimo não se confessou. Morreu pagão. Não preciso da ambulância.
– Minha senhora, eu…
– E… Eu preciso que venham tirar o corpo do finado.
– Minha senhora, não temos ambulâncias…
– E o que eu faço, moça?! Deixo o meu marido, aqui, apodrecendo, até os urubus sentirem-lhe o fedor e comerem-lhe da carne?!
– Minha senhora, acalme-se…
– Acalmar-me!? Logo, logo, o finado Jerônimo, que nunca foi um homem bem asseado, começa a feder, e eu terei de aturar-lhe o fedor. E por quanto tempo, moça?! Hein!? Quero uma ambulância aqui.
– Não temos…

– E o que eu faço, então, hein, moça?! O que eu faço?!
– Senhora…
– Eu já sei, querida, o que fazer. Não temos carro eu e o meu marido. Mas o Carlos Renato, da funerária, tem. Ele é amigo nosso. Pedirei para ele vir buscar o corpo do finado e levá-lo para… Não sei para onde.
– Tem de trazê-lo, para a autópsia.
– Eu sei. Vou telefonar para o Carlos Renato.
E desligou o telefone Maria Elizabeth. E a telefonista do Hospital Municipal seguiu-lhe o exemplo.
Ato contínuo, Maria Elizabeth telefonou para Carlos Renato, o agente funerário.
– Carlos Renato?! – perguntou Maria Elizabeth, antecipando-se a quem atendera à ligação, assim que ouvira ruídos advindos do outro lado da linha.
– Sim. Sou eu… Quem é que…
– Sou eu, Carlos Renato, a Maria da Quitanda.
– Oi, dona Maria. Bom dia. Como a senhora está? Tudo bem? E o seu Jerônimo, como vai ele?
– O Jerônimo morreu, Carlos Renato.
– Quê!? Como foi isso, dona Maria?!
– Não sei o que aconteceu. Ele estava aqui, coonversando comigo… E de repente, mais que de repente… Ele teve um treco… E foi-se…
– Meu Deus, dona Maria. Que tragédia! Eu não consigo acreditar. Ontem, o seu Jerônimo estava tão bem, tão feliz, esbanjando saúde, bebendo cervejinha, lá no bar do Costa Quente, e falando bastante abobrinhas, e jogando bilhar… Ele ganhou uma boa grana…
– Ele me contou. Mostrou-me o dinheiro.
– O seu Jerônimo é fera no bilhar. Ganhou de todo mundo. De mim, duas vezes, e tirou-me do bolso duzendos reais. Ele é o nosso Rui Chapéu.
– Você pode me ajudar, Carlos Renato?
– Diga-me, dona Maria. Estou às suas ordens.
– Telefonei para o Hospital Municipal, e solicitei uma ambulância, mas todas as ambulâncias estão quebradas. O hospital não pode me ajudar. E eu tenho de tirar, daqui da sala, o corpo do finado Jerônimo. O finado Jerônimo não pode ficar aqui. Você pode me fazer o favor de vir tirá-lo e levá-lo, não sei para onde, para que se faça, nele, os estudos de… de… Você me entendeu, né, Carlos Roberto?
– Entendi, dona Maria. Entendi. A senhora sabe que eu quero ajudar a senhora, dona Maria, mas… Eu quero muito bem a senhora e o seu Jerônimo… Mas… Estou constrangido em ter de dizer à senhora que não poderei ajudá-los. A senhora e o seu Jerônimo me ajudaram tantas vezes… Mas… Eu não posso. O meu carro está sem combustível. Há uns minutos, eu pedi ao Sergio, o meu vizinho da direita, o carro emprestado, para eu ir socorrer a minha irmã, e ele me disse que o carro dele está sem combustível, e todos os postos de combustíveis estão fechados. Está um inferno, dona Maria, a cidade, um inferno. E ontem eu não pude socorrer um amigo meu. E eu conversei, anteontem, ontem e hoje cedinho, com alguns amigos, e com o meu pai, e com dois primos, por telefone, e todos eles me disseram que não têm combustível. Peço desculpas, dona Maria…
– Eu entendo, Carlos Renato. Eu entendo. Infelizmente, é esta a triste realidade.
– Eu estou constrangido em não poder…
– Não se preocupe, Carlos Renato, não se preocupe. Eu entendo. Todos estamos passando por uma hora difícil.
– E perdoe-me, dona Maria. Que falta de educação a minha! Eu ainda não desejei à senhora condolências. Desculpe-me, dona Maria.
– Você não tem que me pedir desculpas, Carlos Renato.
– Mas… Dona Maria, e quanto ao arroz e feijão? Sei que não é hora… A senhora tem arroz e feijão?
– Tenho.
– E alface, chicória, tomate, pimentão?
– Pimentão, não tenho. Mas tenho alface, chicória e tomate, e rúcula, agrião, quiabo e couve-flor.
– Que bom. E frutas a senhora tem?
– Tenho laranjas, maçãs, pêras, bananas e uma goiaba e um abacaxi.
– Que bom. E carne a senhora tem?
– Não. Carne eu não tenho.
– Não!?

 

Em tempo de Coronavírus, comprar arroz e feijão

A telefonista do Supermercado Compre Bem e Pague Também atendeu ao telefone:
– Posso ajudar?
– Sim. Meu nome é Fábio. Estou de quarentena. Não posso sair daqui de casa. Vocês entregam arroz e feijão nas residências?
– Sim, entregamos. E por que você não pode sair da sua casa?
– Porque o Coronavírus pode me matar.
– Não podemos entregar arroz e feijão para você, não.
– Não?! Mas você disse…
– Eu sei o que eu disse. Tenho boa memória. O motoboy não vai arriscar a vida dele para entregar arroz e feijão, para você, na sua cada. Entenda: A sua vida não vale mais do que a do motoboy. Quem você pensa que você é? O vírus pode matar você, e pode matar o motoboy também.
– Olha, eu…
– Não olho nada, não. Você tem alguma doença grave?
– Não.
– É idoso?
– Não.
– Então, venha buscar o arroz e o feijão.
– Mas…
– Nem mas, nem meio mas. Basta lavar bem as mãos com água e sabão…
– Água e sabão?!
– Se quiser, use soda cáustica.
– Você está sendo grosseira.
– Sempre fui. A grosseria é uma das minhas virtudes. De nascença. Eu a herdei de meu pai, que a herdou do pai dele, que a herdou… Você entendeu: a grosseria é uma virtude da minha família.
– Você está sendo desrespeitosa. Quero falar com o gerente. Chame-o.
– E o que você…
– Quero lhe fazer uma reclamação.
– Tudo bem. Vou chamá-lo. Pai, tem um homem aqui ao telefone querendo falar com o senhor.
E o Fábio desligou o telefone.
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