Ilya Muromets (1956) – direção: Alexander Ptushko

Baseia-se em um conto do folclore russo, de autoria dr M. Kochnev, a estória deste filme, que não tem muitos atrativos. É o seu herói Ilya Muromets (Boris Andreyev), homem de talentos sobre-humanos; a sua força é descomunal; sua valentia, irrivalizada. Está ele, em seu lar, na aldeia Karacharovo, quando guerreiros das estepes, sob o comando do tzar Kalin, (Shukur Burhonov) atacam-la, reduzem às cinzas muitas de suas habitações, e raptam Vassilisa (N. Myshkova). Na sequência, visitam a aldeia arruinada peregrinos que haviam recebido, do espírito do cavaleiro Svyatogor, herói lendário, mítico, uma espada, que eles deveriam entregar ao homem que estava destinado a salvar a mãe Rússia. E Ilya Muromets era tal herói. Ele nada pudera fazer para salvar Karacharovo da selvageria dos invasores porque não tinha os movimentos de seu corpo, os que recuperou assim que bebera um líquido, cujo principal ingrediente era certa erva de propriedades curativas, que os peregrinhos lhe haviam oferecido. Tão logo viram que Ilya Muromets reapropriara-se de sua força, entregaram-lhe os peregrinos a espada que em tempos imemoriais pertencia a Svyatogor. E o herói russo, destinado a salvar a sua pátria, após encontrar seus pais, e pedir-lhes a benção para ir a Kiev – que os guerreiros das estepes pretendiam conquistar -, e deles recebê-la, montou em Burushka, um potro, que o acompanharia em toda a longa viagem, durante cujo transcurso ele cresce, amadurece, encorpa-se, até assumir as formas de um robusto e formoso cavalo preto. E ao chegar Ilya Muromets em uma encruzilhada, corvos apresentam-lhe três caminhos: o que o levaria à riqueza; o que o conduziria ao seu casamento; e o que o condenaria à morte. E o herói decide seguir o que lhe daria um fim trágico. Era um herói Ilya Muromets. Para salvar Kiev, recusou a fortuna e as delícias do casamento. Estava decidido a sacrificar-se numa aventura que lhe exigiria coragem, sabedoria e força de vontade para enfrentar, e superar, todos os obstáculos que encontraria em seu caminho. E seguindo o herói seu curso, depara-se com o pequeno Rouxinol, o Ladrão, um ser disforme, repulsivo, cujo sopro provocava ventanias devastadoras. E o derrota. E segue rumo às terras do príncipe Vladimir (A. Abrikosov) e da princesa Apraksya (N. Medvedeva), onde conhece Dobrynia (G. Dyomin), um herói russo, e outras personagens lendárias. E resgata Vassilisa. E contratempos o fazem ser punido pelo príncipe Vladimir, que manda que o encarcerem num calabouço lúgubre, onde, aprisionado por anos, não morre de fome e sede porque uma toalha de mesa, mágica, que lhe tecera Vassilisa, dá-lhe o alimento e a água de que necessitou durante os anos de cárcerr. E revela-se Mishatychka (S. Martinson), súdito do príncipe Vladimir, traidor, a agir em favor do tsar Kalin. E encaminha a aventura para o seu fim. Ilya Muromets e seu filho digladiam-se, em Kiev, tsar Kalin e oe seus guerreiros a atacarem-la. É sangrenta a batalha. Ao final, aparece de entre as montanhas um dragão de três cabeças.

É o filme aventura, musical, comédia, drama, épico, romance histórico. Contêm em sua fórmula ingredientes destes gêneros e de mais alguns outros. Um dos seus atrativos é a paisagem, vasta, exibida em cenas panorâmicas; outro, o humor, simples, ingênuo – em algumas cenas, involuntário. Tem o filme duas cenas engraçadas, que saltam aos olhos, a graça produzida por erros de produção. Uma se dá num campo, após uma batalha, cadáveres a cobri-lo: um dos cadáveres, supostamente morto, move o braço esquerdo, para, assim me pareceu, remover da testa alguma coisa que o incomodava. Cá entre nós, o cadáver não estava inteiramente morto; não era um autêntico defunto. A outra cena, também em um campo de batalha: um soldado russo a manejar a espada com tal displicência que fiquei com a impressão que o ator que o representava não tinha a mínima idéia do que estava fazendo.

Sei que é o filme antigo, velho de sessenta e cinco anos, e que os recursos cinematográficos do ano de sua produção – e os soviéticos não nadavam, ao contrário do que afirmava a propaganda comunista, em dinheiro – não chegavam aos pés dos atuais, mas os produtores bem que podiam ter caprichado um pouco mais na construção do dragão de três cabeças que dá o ar da sua graça nas cenas finais do filme; parece tal monstro um boneco gigante de carro alegórico de escola de samba brasileiro.

É Ilya Muromets, de Alexander Ptushko, apesar de todos os seus defeitos, que são muitos, e eu decidi mencionar apenas alguns deles, um bom entretenimento.

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Liberation – filme 5 – The Last Assault (1971) – direção: Yuri Ozerov


Neste último filme da série de cinco dirigida por Yuri Ozerov, os soldados soviéticos avizinham-se do Reichstag, residência oficial de Adolf Hitler. Para dominar a Alemanha, e chegar ao objetivo que tinham em mira, restava-lhes atravessarem o rio Spree. No subterrâneo do metrô de Berlim, Tsvetayev (N. Olyalin) e Yartsev (M. Nozskin) confrontam soldados nazistas. A escaramuça, intensa. E deparam-se com multidão lá abrigada, para fugir da carnificina que ocorre na superfície, bombas a estourarem ensurdecedoramente. Na superfície, devastação indescritível. O centro de Berlim, em ruínas, reduzido a cinzas. Adolf Hitler (Fritz Diez) ordena subordinados seus que abram as comportas de contenção de água para inundar o metrô. E a multidão lá abrigada vê-se na contingência de, para se salvarem do afogamento, subirem à superfície. A cena desenrola-se, as pessoas fogem, e o subterrâneo inunda-se por completo. Enquanto tais eventos se sucedem, Hitler, no seu bunker, na companhia de Eva Braun (A. Waller) e Goebbels (H. Giese), que é apresentado com a perna direita mais curta do que a esquerda, a manquitolar, e membros do alto comando militar nazista transparecem preocupação e resignação, pois sabiam que os comunistas soviéticos aproximavam-se, ameaçadoramente, do Reichstag, e os soldados nazistas mal lhes podiam esboçar resistência. A derrota nazista era certa, sabiam. Atravessam os soviéticos o rio Spree. E Shatylov (A. Romashin) dá a Zinchenko ordem para o hasteamento, no topo do Reichstag, da bandeira da União das República Socialistas Soviéticas, e ele, Zinchenko encarrega Yegorov e Kantaria de empresa que representaria a conquista da Alemanha pelos soviéticos. E a guerra prossegue, nas ruas, Berlim em chamas, devastada, reduzida à pó, e no interior dos prédios em ruínas. Sucedem-se as mortes de soldados de ambos os exércitos. E é hasteada a bandeira soviética no topo do Reichstag.

Enquanto o derramamento de sangue segue caudaloso no centro de Berlim, Hitler, cujas mãos tremulam, caquético, casa-se com Eva Braun, e mata-a envenenada. Dizem os historiadores que Adolf Hitler suicida-se com um tiro. O filme deixa tal questão em aberto, dúvida a pairar sobre o destino dele. Hitler mata-se, ou o mataram, com um tiro? Tal ato, o derradeiro da vida dele, não é exibido. Estão Hitler e um militar nazista, numa sala, a porta fechada. E ouve-se um tiro. A cena não é exibida. Vê-se a porta pelo lado de fora da sala. E abre o militar nazista a porta da sala. E está Hitler estirado no chão, morto. Quem apertou o gatilho?
O militar diz para os que o esperavam no lado de fora da sala que Hitler se matara. Negociam nazistas e comunistas soviéticos o cessar fogo; e os soviéticos exigem a rendição incondicional de seus inimigos.

Os cenários são nus e crus; o realismo, repito o que escrevi nas resenhas aos filmes anteriores, é sóbrio.Para encerrar, duas cenas: a de Zoya (L. Golubkina), à boca do metrô, então inundado, a observar capacetes militares flutuando na água; e, a de Vasiliev (Y. Kamorny), à procura de Dorozhin. Duas cenas de sensibilidade cativante, contagiante.

E aqui encerra-se o épico de Yuri Ozerov.

… e a guerra continua…

Liberation – filme 4 – The Battle for Berlin (1971) – direção: Yuri Ozerov


E as tropas americanas avançam pelo norte da França – assistem à tela Stálin (Bukhuti Zakariadze) e Antonov (V. Strzhelchik). Incomoda Stálin o avanço dos americanos, que poderiam chegar, antes dos russos, a Berlim. Os russos conquistam terreno pelas frentes de combate na Bielorússia e na Ucrânia, sob comando de Zhukov (M. Ulyanov), Rokossovsky (V. Davydov), Orlov (B. Seidenberg), Katukov (K. Zabelin), Sokovsky (M. Postnikov), Rudenko (L. Presnetsov), Oriol, Galadzhev (L. Davlatov) e Malinin (G. Mikhailov). Em uma reunião, num salão suntuoso, ataviado com mobílias e lustre e estátuas e armaduras e vitrais, após ouvir o que tinha para lhe dizerem os generais, Zhukov dispensa-os e, pensativo, senta-se em uma cadeira e toca algumas notas num acordeão. Temiam os russos Guderian. E Zhukov e Katukov dedicam-se a pensar o que ele talvez pensava, prever-lhe os próximos passos e a ele anticiparem-se.

Enquanto os soviéticos conquistavam terreno, já entrados na cidade de Warsaw, na Alemanha anunciam os comandantes nazistas para Hitler que Eisenhower lhe sugeria armísticio de cem dias, e que as tropas alemães, derrotadas em várias batalhas, abandonaram posições. Hitler (Fritz Diez), de início abatido com as notícias, transtorna-se; e seu humor melhora ao ouvir de Guderian (H. Körbs) a sugestão de contra-atacarem os soviéticos na Pomerânia. E Keitel (G. M. Henneberg), Himmler (E. Thiede) e Wolff (J. Klose) articulam negociação com Dulles, em prejuízo da União Soviética. Na Suiça, palestram Wolff e Dulles; são ambos insinuantes; e a conversa amigável deles ambos chega ao conhecimento de Stálin (Bukhuti Zakariadze), que, em Yalta, no encontro com Roosevelt (S. Jaśkiewicz) e Churchill (Y. Durov), (a foto de tal encontro é uma das mais populares da Segunda Guerra), exibiu-lhes uma fotografia com a estampa de Wolff e Dulles e falou-lhes da desconfiança entre os três líderes Aliados. Sabia Stálin que estavam os soldados russos a sessenta quilômetros de Berlim, e os americanos a seiscentos. Assim que Stálin se levanta e se afasta dos seus dois interlocutores, o primeiro-ministro da Inglaterra diz ao presidente dos Estados Unidos que Stálin representaria uma ameaça a eles.
Em meio à guerra, um episódio animado, divertido; protagonizaram-lo Dorozhkin (. V. Nosik) e um soldado polonês, ambos a procurarem combustível para os tanques soviéticos; encontraram um vagão cheio de combustível, e dois vagões repletos de prisioneiros, no primeiro que abriram, mulheres, no segundo, homens. E são Dorozhkin e Vasiliev (Y. Kamorny) os protagonistas de um cena sensível, coadjuvando-os um casal e duas moças jovens e bonitas, animada por um leve toque de humor, discreto, acanhado.

E eu não poderia deixar de mencionar uma cena: a de Adolf Hitler com um globo terrestre. Ao vê-la, evoquei, de imediato, a hilária caricatura do líder nazista feita por Charles Chaplin.

Ao saber que os soviéticos haviam derrotado os alemães na Hungria e na Pomerânia, Hitler enfurece-se, desanca Dietrich, remove-lhe da farda as condecorações, e em seguida repreende Guderian. E a notícia da morte de Roosevelt alegra-o. E desce Hitler ao bunker – ao seu lado estão, além de outros, Eva Braun (A. Waller), Goebbels (H. Giese) e Magda Goebbels (Y. Dioshi). E comemoram o quinquagésimo aniversário do líder nazista.

E os russos cercam Berlim.

Há, neste The Battle for Berlin, menos cenas grandiosas do que nos três filmes anteriores, o que não o faz, na comparação com eles, menos interessante e espetular e admirável.

… e a guerra continua…

Liberation – filme 3 – Direction of the Main Blow (1970) – direção: Yuri Ozerov


Em Teerã, estão reunidos, para discutir os destinos do mundo, os três líderes dos Aliados, Roosevelt (S. Jaśkiewicz), Churchill (Y. Durov) e Stálin (Bukhuti Zakariadze). E o presidente americano propõe a abertura de uma frente de batalha, no norte da França, o que não desagrada os outros dois líderes. Na Túrquia, um agente nazista, infiltrado na embaixada britânica, fotografa um documento secreto cujo teor é a declaração das intenções dos Aliados de avançarem em Normandia, a segunda frente decidida, em Teerã, pelos três líderes que antagonizavam Hitler. Hitler (Fritz Diez), com as fotos em mãos, após lhe decifrarem o teor do documento dos Aliados, mostra-se desconfiado acerca da substância do documento; para ele, Churchill, um mestre da desinformação, pretendia engabelá-lo, pois, acreditava, jamais iriam os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Rússia atacar a Alemanha pelo norte da França.

Os soviéticos dão início à Operação Bagration. E avançam, contra as tropas nazistas, pela Bielorússia e Ucrânia. Coordenam tal operação Zhukov (M. Ulyanov), Bagramyan (V. Karen), Konev (Y. Legkov), Rokossovsky (V. Davydov), Chernyakhovsky (Y. Kolchinsky), Vasilevsky (Y. Burenkov), Meretskov (V. Kostenko), os principais personagens envolvidos no planejamento de operação tão grandiosa, que resulta em vitórias incontestáveis.

E para seu desgosto, e contrariedade, Hitler vem a saber que era verdadeiro o documento que o nazista (agente seu infiltrado na embaixada britânica na Túrquia) enviara-lhe.Impressionantes, as cenas das batalhas no pântano. Aliás, são impressionantes, deslumbrantes, encantadoras, neste filme, todas as cenas de batalhas; cenas de impacto a exibirem poderosas, devastadoras, assassinas, máquinas de destruição, em vastos panoramas, mas exibidas com tal arte e maestria que quem ao filme assiste esquece qual é o tema delas, cenas retratadas tão vivamente, que, em vez de provocar espanto, repulsa, encanta, fascina, deslumbra. Além dos tanques e outros veículos em terra, que se digladiam, nos céus, pilotos franceses e russos emulam seus equivalentes alemães. É o destaque deste episódio um piloto francês. E os soviéticos ocupam Potolski, Minsk e outras cidades. E seguem avançando em direção à Polônia. Há uma pausa na exibição de cenas de batalhas. E dá-se uma cena idílica entre Sergey Tsvetayev (N. Olyalin) e Zoya (L. Golubkina), cena que se encerra abruptamente.
Enquanto os soviéticos conquistam terreno no campo de batalha, na Alemanha membros do alto comando militar nazista planejam a morte de Hitler: a famosa Operação Valquíria, que falha fragorosamente. Participam da conspiração, tendo em mente estabelecer a paz com os Aliados, Herr von Kluge (H. Hasse), von Witzleben (O. Dierichs), Beck (W. Wieland), Carl Goerdeler, Friedrich Ollbricht (W. Ortmann), Werner von Haeften (E. Stecher), e Claus von Stauffenberg (A. Struwe), que ficou encarregado de levar a mala com a bomba até onde se encontrava-se Adolf Hitler. A bomba explode. Fere-se Hitler, que vê em sua sobrevida um milagre, um sinal alvissareiro, que lhe inspira ânimo em sua fúria bélica, demoníaca. E é o destino dos conspiradores trágico. E entra em cena Guderian (H. Körbs). E os russos chegam à Polônia.Não pretendo, nesta resenha, e não pretendi nas duas anteriores, e não pretenderei nas duas que irei escrever, dar o teor completo do filme. O filme tem mais, muito mais, do que o que escrevi; é maior do que eu poderia descrevê-lo. E tenho de repetir: as cenas das batalhas são deslumbrantes; os cenários, amplos, vastos, panorâmicos, magníficos. É impossível não se deslumbrar com o cenário, não se embasbacar com o que o filme oferece. Não sei dizer qual cena mais me impressionou.

… e a guerra continua…

Liberation – filme 2 – Breakthrough (1968) – direção: Yuri Ozerov

Neste segundo filme da série dirigida por Yuri Ozerov as batalhas entre alemães e russos, nazistas e comunistas soviéticos, após o ocorrido no Kursk, sucedem-se intensas, ferozes, em Kiev. Os soviéticos atravessam o rio Dnieper, com jangadas rústicas compostas de toras de madeira e por meio de cabeças-de-ponte (pontes improvisadas, de metal, sobre barcos, ao largo do rio). Os soviéticod usam de artimanhas para ludibriar os alemães, pistas falsas, avançam por um certo ponto do rio Dnieper, atraindo para este ponto a atenção dos alemães, enquanto, por outro ponto, atravessam o rio e os surpreendem. Tem papel fundamental em tão ingente tarefa Sergei Tsvetayev (N. Olyalin), que testemunha a morte de Sashka (S. Nikomenko), no bosque, logo após fugirem dos alemães passando pela vila de Lyutezh. Eram eles e outros russos iscas que os comandantes soviéticos usaram para despistarem os nazistas. Recebem os soviéticos, de Stálin (Bukhuti Zakariadze), a ordem de tirar das mãos dos nazistas Kiev, o que eles fazem até a data aprazada. Enquanto a guerra, no campo de batalha, às margens do rio Dnieper, prossegue sangrenta, os anglo-americanos avançam pela Sicília. Às cenas protagonizadas pelos britânicos e americanos alude-se; mas não são exibidas. E Hitler (Fritz Diez), enraivecido por causa dos reveses que seu exército sofrera em Kursk, e Mussolini (Ivo Garrani), abatido, amedrontado, indeciso, tímido, amedrontado, diante de seu congênere nazista, discutem, preocupados com o trágico destino dos italianos na Sicília. E o rei da Itália empreende a prisão de Mussolini, que é resgatado, numa façanha arriscada, dir-se-ia heróica, por Otto Skorzeny (F. Piersic), a mando de Hitler. E segunda discussão se dá entre os dois aliados, o alemão a se impôr ao italiano.

Ao final, encontram-se, em Teerã, Stálin, sempre sereno e ponderado, Roosevelt (S. Jaśkiewicz), sempre sorridente, e Churchill (Y. Durov), sempre a carregar um charuto à boca. E discutem os três a possibilidade de se abrir segunda frente de batalhas, na França, sugere Stálin, na Iugoslávia, propõe Churchill.

Quero destacar, aqui, a batalha que se desenrola na vila de Lyutezh, russos a fugirem, pelas suas ruas, de bombardeios alemães, que despejam, de aviões, bombas; morrem muitos russos. É um episódio de beleza visual extraordinária.

Embora o filme trate dos horrores da guerra, o diretor Yuri Ozerov não descura da estética; pode-se falar de uma estética da guerra, uma estética cinematográfica, que cativa e deslumbra quem ao filme dedica atenção. Exibe o filme a feiúra da carnificina, mas sem deixar de sensibilizar as pessoas para o que há de mais feio, de mais horrendo, de mais tétrico. Não expõe, do corpo humano, sangue e órgãos a espirram-se, para todos os lados, sempre que alvejados por algum projeto ou objeto qualquer em cenários visualmente repulsivos – o que é comum nos filmes americanos recentes, de guerra, de outro gênero qualquer.

É o filme espetáculo narrativo, cinematográfico, estético, visual.

Ao final, à meia-noite do dia 31 de Dezembro de 1943, os russos, em marcha por região coberta de neve, comemoram o alvorecer do ano de 1944.

… e a guerra continua…

Liberation – filme 1 – The Salient Ablaze (1968) – Direção: Yuri Ozerov

E aqui inicia-se o épico de Yuri Ozerov.

Na tela, um rinoceronte de metal, cinzento, alemão, em movimento. E outro, soviético, alveja-o com um disparo certeiro, perfurando-lhe a rígida carapaça. Estão os dois veículos, num campo de testes, sob os olhos atentos de Adolf Hitler (Fritz Diez), que, diante da exibição da fragilidade do veículo de guerra alemão, abatido, com apenas um tiro, por um similar soviético, decide adiar a Operação Citadel, terceira tentativa dos nazistas de conquistarem a terra dos russos.
As cenas do campo de batalha, na primeira linha de defesa soviética, dentro do território russo, são grandiosas; exibem centenas de tanques-de-guerra, em formação de ataque, correndo pelo território russo, sem encontrarem resistência digna de nome; avançam quase que sem obstáculos. Os comandantes soviéticos, visivelmente preocupados, debatem qual deve ser a atitude das forças militares soviéticas num momento tão adverso. Rokossovsky (V. Davydov), Zhukov (M. Ulyanov), Lukin (V. Sanayev), Gromov (V. Samoylov), Rybalko (D. Franco) e Vasilevsky (Y. Burenkov) são alguns personagens do alto comando soviético que se debruçam sobre a questão.
Ao proscênio, apresentam-se os heróis soviéticos. Um deles tem um fim trágico após os alemães o capturarem e o interrogarem, Maximov (V. Avdyushko), dois são os amigos Vasiliev (Y. Kamorny) e Dorozhkin (V. Nosik), e um é Sergei Tsvetayev (N. Olyalin), e a enfermeira Zoya (L. Golubkina) – estes dois, um par romântico.
Zoya, aterrorizada, socorre Sergei Tsvetayev.
Enquanto os comandantes dos exércitos dos dois países beligerantes planejam cada qual as suas ações e informam da situação no campo de batalha seus respectivos líderes, os alemães, Hitler, os russos, Stálin (Bukhuti Zakariadze), desenrolam-se batalhas sangrentas no Kursk. E logo os soviéticos anulam, numa contra-ofensiva devastadora, a vantagem nazista – é o início do fim dos nazistas.
São inúmeros os personagens envolvidos na trama, muitos deles reais – Stálin e Hitler, são dois deles.
Além das cenas das batalhas, grandiosas, que se sucedem em terras russas, há uma que se dá em região montanhosa da Iugoslávia.
E sabe-se que é prisioneiro no campo de concentração de Sachsenhausen o filho de Stálin, Yakov Dzhugashvili.
A narração segue lenta – lenta, e não tediosa. Grandiosas e impressionantes as cenas de batalha, o exército alemão a avançar com centenas de tanques-de-guerra sobre território russo, e os soldados soviéticos a contra-atacar de trincheiras. São tão numerosos os pontos que, de tão espetaculares, merecem destaque. The Salient Blaze – o primeiro de uma série de cinco filmes que narram a sangrenta escaramuça entre russos e alemães na Segunda Guerra Mundial, até a vitória russa – é de um realismo sóbrio, de impacto assombroso; não apela às cenas grotescas de imundícies, cadáveres desventrados suas vísceras a lhes escaparem de todos os poros, pedaços de corpos a juncarem o chão e cachoeiras de sangue a espirrarem de mortos e feridos. É de um realismo, repito, sóbrio, impactante, impressionante, desprovido de artíficios visuais de mau gosto.
É imperdível The Salient Blaze. Quem admira a Sétima Arte, em particular filmes de guerra, encontra nesta obra russa um espetáculo inesquecível.
*
Notas: 1) Assisti aos cinco filmes, numa versão legendada em inglês (as vozes dos personagens nos idiomas originais, russo, alemão, italiano, francês, inglês e outros) da série Liberation dirigida por Yuri Ozerov; 2) Mantive o título em inglês da versão que assisti; 3) Não podemos esquecer que é o filme russo; e, 4) Não indiquei as patentes dos personagens militares, que são indicados, muitos deles, com patentes diversas, pois muitos são, de um capítulo para o outro, promovidos de posto.
*
… e a guerra continua…

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