Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais (Law & Order: Special Victims Unit – Temporada 18; episódios 20, Sonho Americano (American Dream), e 21, Santuário (Sanctuary)

Na trama, desenrolada em dois episódios, 20 e 21, respectivamente, Sonho Americano (American Dream) e Santuário (Sanctuary), da temporada 18, a equipe da SVU, Unidade de Vítimas Especiais (Special Victims Unit), de Nova Iorque, liderada pela tenente Olívia Benson (Mariska Hargetay) e que tem entre seus membros os detetives Odafin Tutuola (Ice-T), Amanda Robbins (Kelli Giddish) e Dominick “Sonny” Carisi Jr. (Peter Scanavino), empreende uma caçada aos estupradores de duas mulheres, ambas imigrantes, árabes, muçulmanas, e ao assassinato de uma delas. De início, as suspeitas recaem sobre um parente delas, que, além de muçulmano, é homossexual e imigrante ilegal, e, simultaneamente, e sucessivamente, sobre um porto-riquenho, também imigrante ilegal, marido e pai de duas filhas. O árabe muçulmano e homossexual temia sua deportação para o seu país, pois, sabia, ao pôr, nele, os pés, comeria o pão que o diabo amassou; e os porto-riquenhos temiam serem deportados, pois a familia se desfaria, afinal os pais seriam deportados, e as filhas, nascidas na terra do Tio Sam, ficariam em solo americano. Enfim, os investigadores, escudados pelo promotor-assistente de Nova Iorque, Rafael Barba (Raúl Esparza), encontram os autores dos horrendos crimes originalmente imputados aos imigrantes ilegais, o árabe homossexual e ao porto-riquenho casado e pai de duas filhas: dois norte-americanos, ambos brancos.

Chamaram-me a atenção, sem que houvessem me surpreendido, a caracterização dos suspeitos e a dos crimininosos: os suspeitos, imigrantes ilegais, vítimas, nos Estados Unidos, de uma política imigratória (os episódios são de 2017, não me escapou tal informação – e Donald Trump já era o presidente dos Estados Unidos) alcunhada xenófoba, e tida como sórdida, cruel, desumana, são bons, pacatos; e os criminosos, ambos, repito, americanos e brancos, destilam ódio aos imigrantes e exibem, abertamente, seus sentimentos supremacistas.

O filme vende idéias prejudiciais à imagem, não apenas do presidente americano, objeto de ódio de onze em cada dez esquerdistas, dos Estados Unidos enquanto nação e dos americanos enquanto povo. O emblema do mal está colado na testa dos homens brancos.

O árabe muçulmano temia a deportação, pois, sabia, assim que pisasse em solo de seu país de origem, seria escorraçado; aqui, nesta questão, pedia-se uma condenação dos produtores do filme aos muçulmanos, que maltratam, segundo o que se apreende do roteiro, os homossexuais, mas o que se vê é condenação ao governo americano, que, indiferente ao destino dele, deporta-o. Fica-se com a sensação de que são os vilões da história os Estados Unidos, reduzidos à pessoa do presidente Donald Trump, os americanos, povo crudelíssimo, e os homens brancos, seres iníquos por natureza.

É tal estória uma panfleto ideológico anti-americano; para olhos atentos, é uma descarada, desabusada propaganda anti-americana que induz muitos americanos a se envergonharem de sua pátria e os outros povos a verem, nos americanos, homens desprovidos dos mais nobres sentimentos humanos.

O Jardim dos Prazeres (The Pleasure Garden) – de Alfred Hitchcock – 1925

A nossa falha condição humana pode nos levar ou à perdição, ou à salvação. É esta a síntese que faço deste filme em preto e branco, mudo, de Alfred Hitchcock, mestre irrivalizado dos filmes de suspense.
Moça ingênua e ambiciosa, Jill Cheyne (Carmelita Geraghty), noiva de Hugh Fielding (John Stewart), procura, para realizar seus sonhos, emprego de dançarina no teatro Pleasure Garden, cujo diretor, Mr. Hamilton (George Snell), rejeita-a; ela, todavia, persistente, dele obtêm uma oportunidade para apresentar-se; apresenta-se, e agrada ao público selecionado para avaliar as dançarinas. Assim que acordou com Mr. Hamilton sua remuneração, e após um contratempo, Patsy Brand (Virgínia Valli), convida-a a pernoitar na casa de Mr. Sidey (Ferdinand Martini) e Mrs. Sidey (Florence Helminger).
Predestinada ao estrelato, bem sucedida, distancia-se de Hugh Fielding e despreza Patsy Brand, e principia relacionamento com o Príncipe Ivan (C. Falkenburg). Vive no luxo e na abastança. Abordam-la ricaços e aristocratas. Está sempre paramentada com vestes luxuosas. Vive em um palacete.
Paralelamente à trama de Jill Cheyne, desenrola-se a de Patsy Brand, daquela independente e com ela conectada, até um certo ponto do filme, que, então, abandonando a daquela, que é relegada ao papel de figurante, concentra-se na de Patsy Brand.
Casados, Patsy Brand e Levet (Miles Manded) rumam à Itália, para a lua-de-mel. Patsy Brand deixara seu cachorro de estimação, Cuddles, aos cuidados do casal Sidey. E às margens do lago Como os recém-casados gozam de um idílio inesquecível durante algum tempo; e não tarda Levet a revelar seu temperamento rude; e deixando sua consorte na Itália, ele ruma a uma colônia britânica, onde permaneceria durante dois anos, e aonde Hugh Fielding iria. Mal sabia Patsy Brand que seu marido viveria, em tal colônia, relações ilícitas com uma jovem nativa, bela, formosa. Para justificar a ausência de comunicação epistolária com sua esposa, Levet envia-lhe uma carta informando-a de seu lastimável estado de saúde. Sobressaltada com a notícia, ela decide ir-lhe ao encontro, mas teria de conseguir, para empreender a viagem, dinheiro para a compra da passagem. Recorre, então, à Jill Cheyne, que, desdenhosa, lhe nega assistência, assistência que Patsy Brand obtêm, para sua surpresa, dos Sidey, que lhe entregam as economias que haviam reunido no decurso dos anos. Patsy Brand agradece-lhes a inestimável oferta. E vai à colônia britânica, onde vem a tomar conhecimento, para seu desgosto, do estado reprovável em que seu marido vivia com a jovem nativa, e onde lhe chega ao conhecimento o preocupante estado de saúde de Hugh Fielding, que, acamado, sofria de um mal que poderia vir a ceifar-lhe a vida.
E Levet precipita-se num estado de insanidade homicida. Delira. Vê fantasmas, que o aterrorizam. Ameaça agredir Hugh Fielding. Deseja matar Patsy Brand. Seu estado, deplorável, de um homem que, se despindo de sua essência humana, convertera-se numa alimária, horrenda, grotesca, bípede animalesco, irascível, doentio.
Patsy Brand e Hugh Fielding, enfim, regressam à companhia dos Sidey e de Cuddley.
Este é o entrecho de O Jardim dos Prazeres (Pleasure Garden), filme de um jovem Alfred Hitchcok, que se tornaria um ícone da sétima arte. Filme de quase um século, merece atenção ainda hoje, pois trata, com simplicidade, e crueza, de eternos fenômenos humanos.

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice) – Breves observações acerca da batalha final.

Não é o meu objetivo, nesta resenha, dar um resumo do filme, tampouco dissecar a psicologia das personagens, e nem considerar os recursos técnicos e os efeitos especiais nele utilizados – estes recursos são irrelevantes; relevantes, nos filmes, são a trama e a consfiguração das personagens. Não são raros artigos e resenhas de filmes que, se prendendo na avaliação dos aspectos irrelevantes, muitos deles insignificantes, negligenciam o estudo dos relevantes, essenciais, indispensáveis. Uma boa história, seja ela a de um filme, a de um romance, a de um conto, a de uma novela, tem uma narrativa bem elaborada e personagens bem construídos. E estes são os dois ingredientes nos quais os resenhistas e os ensaistas deveriam dedicar a sua atenção ao tratar dos filmes que estudam.
Nesta resenha, o título indica, dedico-me a comentar, do filme, a batalha final, que envolve os heróis Super-Homem (Henry Cavill), Batman (Ben Affleck) e Mulher-Maravilha (Gal Gadot) e o vilão Apocalipse – o coronel Zod (Michael Shannon), recriado por Lex Luthor (Jesse Eisenberg), com o sangue deste, e transfigurado numa criatura monstruosa, cujo poder supera os dos seus três oponentes somados, uma criatura quase indestrutível, que possui um, e apenas um, ponto fraco, o mesmo de seu antagonista kryptoniano. Eu não irei resumir a luta final; irei, apenas, traçar descrições, poucas, de cenas que me chamaram a atenção, adicionando-lhes breves observações, que esclarecem o meu ponto de vista.

Começo as minhas observações indicando a cena que, entendo, é a primeira cena da batalha final que revela a ausência de lógica, de consistência narrativa, e que foi concebida com o único propósito de justificar uma outra cena, que se desenrola pouco depois, cena, esta, que apresenta o poder de renovação do herói kryptoniano e sua entrada triunfal na batalha.

O Super-Homem, elevando-se no ar, carrega consigo o seu monstruoso oponente. Voa o Super-Homem; o Apocalipse, não. É o Apocalipse desprovido do talento de voar, conclui-se ao atentar para as cenas que o mostram dando saltos prodigiosos, cobrindo um espaço considerável em cada salto. Está o Super-Homem empurrando Apocalipse para além da atmosfera terrestre, e batendo-se com ele, quando na direção deles é lançado um míssil munido de artefato nuclear. E aproxima-se o míssil de Super-Homem e Apocalipse. E Super-Homem agarra-se ao seu adversário, segura-o, move-se, com ele sob seu domínio, de modo a deixá-lo entre o míssil e ele, Super-Homem, no instante do impacto, recebendo Apocalipse toda a carga da devastadora explosão. Aqui, observo um detalhe absurdo: Super-Homem voa; Apocalipse, repito, não. Apocalipse, que é incapaz de voar, encontra-se no espaço aberto; ele não poderia, portanto, mesmo que o desejasse, esquivar-se do míssil que ia em sua direção; sendo assim, nenhuma razão há para o Super-Homem conservá-lo sob seu domínio; aqui, Super-Homem, inteirado da aproximação do míssil, teria de abandonar Apocalipse, e voar, e numa velocidade superior à do Papa-Léguas, para longe de seu inimigo. E a detonação do artefato nuclear atingiria o Apocalipse, unicamente. Na sequência, chamou-me a atenção um segundo absurdo: Apocalipse cai, na Terra, em uma ilha desabitada. Ao ver esta cena (e não na primeira vez que assisti ao filme), perguntei-me porque Apocalipse, atingido, por um míssil dotado de explosivo nuclear (míssil lançado da Terra), quando ele estava fora dos domínios da atmosfera terrestre, caiu na Terra, ao invés de ser arremessado para longe dela. A cena do míssil atingindo, no espaço aberto, Apocalipse e Super-Homem, parece-me saído da cabeça de um roteirista que acreditou que é ela de grande impacto – e de fato é. E os dois antagonistas, sobrevivendo à explosão de um artefato nuclear, revelam a dimensão do poder deles, o que impressiona os espectadores.

Não muitos minutos depois, os criadores do filme presenteiam as pessoas que o assistem com outra cena ainda mais absurda. Batman, melhor, Bruce Wayne, o homem por trás da máscara do morcego, reputado homem dotado de um intelecto privilegiado (e ele é inteligente, mais inteligente do que os roteiristas do filme, roteiristas que, sem inteligência para dimensionar o valor de seu trabalho, rebaixam a personagem à estatura deles), certo de que só havia um meio de derrotar Apocalipse (fincar-lhe no corpo a lança em cuja ponta há uma pedra de kryptonita, afiada), decide atrair-lhe a atenção, deixar a ilha desabitada, e, com Apocalipse no seu encalço, ir até Gotham City, onde se encontrava a lança em cuja ponta havia uma pedra, afiada, de kryptonita. Quanta inteligência, Batman – diria, irônico, o Robin da antiga séria de televisão. Bruce Wayne conduziu um monstro de poder irrivalizado, imensurável, capaz de destruir um país inteiro, tirando-o de uma ilha desabitada, para para Gotham City. Ele deveria, aqui, rumar, incontinenti, para Gotham City, encontrar a lança, e regressar, de posse dela, para a ilha desabitada onde se encontrava o monstro kryptoniano. Mas ele decidiu, incontinente, com a astúcia, que os roteiristas lhe concederam, de Chapolin Colorado, provocar o seu poderoso oponente e conduzi-lo à cidade eternamente aterrorizada pelo Coringa, e,pelo Batman também – mais por este do que por aquele.

E observo outra cena absurda: Apocalipse, saturado de energia, expande-se, expelindo energia em todas as direções. E de tão avassaladora, a energia liberada provoca tremores nas construções circunvizinhas, derrubando-as sobre Lois Lane (Amy Adams), que fôra buscar a lança (que ela, após o encerramento da luta que travaram Super-Homem e Batman, arremessara numa funda cavidade cheia de água); em decorrência dos tremores causados por Apocalipse, as paredes do prédio em ruínas em que se encontrava Lois Lane despencam, e ela, para escapar de ser atingida pelos destroços, pula na cavidade, cheia de água, em que deixara a lança em cuja extremidade havia a pedra, afiada, de kryptonita. Tal decisão revelou-se contraproducente, insensata, pois blocos imensos caíram na cavidade em que Lois Lane procurara abrigo, impedindo–a de se retirar da água – e ela morreria afogada, se Super-Homem não fosse, pouco depois, em socorro dela. Ora, Lois Lane teria de buscar abrigo em outro local, e não numa cavidade cheia de água.

Abro um parêntese: Ao fim de sua luta com Super-Homem, Batman devia carregar a lança consigo, e não largá-la em meio às ruínas do prédio em que se dera o embate entre eles; e Lois Lane não devia tê-la arremessado, para conservá-la distante de Super-Homem, na cavidade cheia de água. Tal cena foi criada para pôr, na cena descrita linhas acima, Lois Lane em perigo, e justificar a cena em que Super-Homem vai em socorro dela. E parêntese fechado, prossigo:

Na sequência à cena de salvamento, por Super-Homem, de Lois Lane, Super-Homem, em busca da lança, mergulha na água onde ela estava, e não emerge; Lois Lane o socorre, é claro, pois Super-Homem, fragilizado devido à proximidade da kryptonita, mal consegue se mover. E segue o filme. E Super-Homem, que, imerso, próximo da lança, mal conseguia mover um dedo, agora, emerso, empunha-a, e voa, com certa desenvoltura, a lança em riste, até Apocalipse, cravando-lha, no peito, na altura do coração. Esta cena é tão absurda como as anteriores. Super-Homem não poderia, jamais, carregar a lança com ponta de kryptonita. A Mulher-Maravilha, que não sucumbe aos efeitos debilitantes da kryptonita, teria de pegar a lança, e arremessá-la contra Apocalipse, cravando-lha no peito; e, na sequência, Super-Homem, voando, iria até a lança, e, numa colisão frontal, a empurraria para dentro do monstro kryptoniano, matando-o.

Pode-se dizer que estas minhas breves observações são tolices de um crítico excessivamente exigente que não sabe dedicar-se a algumas horas de diversão assistindo, tranquila, e despreocupadamente, um filme de aventuras de super-heróis, obra criada apenas para entreter as pessoas, pois, sendo tal filme apenas uma aventura de super-heróis, não merece ser levado muito a sério. Eu concordaria, não totalmente, com tais comentários, que me soariam como reprimendas. Narra o filme, é verdade, apenas uma estória protagonizada por super-heróis; é literatura de um gênero popular que não pede complexidade de nenhum tipo; todavia, deve-se dizer que toda história, independentemente de seu gênero e das pretensões de seus criadores, tem de possuir consistência. Não há razão justificável para os roteiristas de estórias de super-heróis negligenciar o roteiro. Quem já leu estórias em quadrinhos de super-heróis escritas por John Byrne, Roger Stern, Roy Thomas e outros escritores do mesmo quilate, sabe que tal gênero literário oferece obras de elevado nível. O público de tais filmes, sei, não é muito exigente; sugestionável, contenta-se com as cenas espetaculares e os cenários grandiosos, exuberantes, que deles fazem a popularidade. Não é criterioso. É possível criar, para o cinema, uma estória de super-heróis com roteiro bem elaborado, nulos de erros grosseiros e absurdos como os apontados acima, consistente, respeitando-se os ingredientes que fizeram a fama do gênero nos quadrinhos: a sua fantástica, fascinante, fabulosa, inverossimilhança, que adquire verossimilhança nas mãos de talentosos roteiristas e desenhistas.

Incomoda-me a suspeita: um filme com tantos absurdos foi concebido, não porque Hollywood está carente de bons roteiristas, mas porque tem o objetivo de destruir a inteligência das pessoas, pois Batman vs Superman: A Origem da Justiça, não é um caso único de filme repleto de cenas absurdas, desconexas, ilógicas; é um exemplar do padrão hollywoodiano. É a regra, e não a exceção. No gênero de super-heróis e em outros gêneros, há trilhões de filmes recheados de cenas absurdas, ilógicas, patéticas em todos os aspectos imagináveis, compondo roteiros sem início, sem meio, sem fim.
Quantas pessoas que assistiram ao Batman vs Superman: A Origem da Justiça, atentaram para os aspectos absurdos das cenas aqui observadas? Tão habituados a coisas igualmente irracionais, adotaram, com indiferença e passividade, todos os absurdos aqui elencados sem se darem conta da existência deles.
É impossível, em imaginação, dimensionar o estrago que os filmes hollywoodianos atuais provocam em pessoas acostumadas a assisti-los desde o berço. Suspeito que Hollywood almeja a destruição da inteligência das pessoas, pois não acredito que hoje em dia não exista escritores talentosos que possam escrever bons roteiros de filmes; de filmes de super-heróis, inclusive. E Hollywood, uma indústria bilionária. pode, contratar, e a peso de ouro, roteiristas talentosos, escritores criativos, de qualquer lugar do mundo. Se não zela pelo bom roteiro de seus filmes, tem, presumo, outros propósitos, inconfessados, além do de amealhar uma fortuna de dar inveja aos faraós do antigo Egito.

NCIS – episódio 24 da temporada 16

No derradeiro episódio da temporada 16 de uma das séries mais populares da televisão americana – que já contou em sua galeria de personagens com os icônicos Anthony DiNozzo (Michael Weatherly), Abigail “Abby” Sciutto (Pauley Perrette) e Ziva David (Maria José de Pablo – Cote de Pablo), os três de tão grande popularidade que eclipsam as personagens que as substituíram, respectivamente Nick Torres (Wilmer Eduardo Valderrama), Kasie Hines (Diona Reasonover) e Eleanor Bishop (Emily Wickersham) -, Leroy Jethro Gibbs (Thomas Mark Harmon) e sua equipe, Nick Torres, Timothy McGee (Sean Murray) e Eleanor Bishop deparam-se com um caso que adquire um tom pessoal a Leroy Jethro Gibbs, que se vê obrigado a transgredir uma das suas proverbiais regras, a 10, que o dissuade de se envolver em seus casos, emprestando-lhe um caráter pessoal. Principia o episódio cena em que dois jovens, um moço e uma moça, em um carro, ele a dirigi-lo, rumam, em alta velocidade, para o hospital; apressam-los a iminência de uma tragédia: a morte de Emily Fornell (Juliette Angelo), filha de Tobias Fornell (Joseph Peter “Joe” Spano), ex-agente do FBI e investigador particular, e de Diane Sterling (uma das ex-esposas de Leroy Jethro Gibbs, já falecida, com cujo “fantasma” Gibbs conversa). Esta a razão de Leroy Jethro Gibbs atormentar-se em diálogos imaginários com Diane Sterling, que o repreende, e, praticamente, dá-lhe uma ordem: que ele desconsidere a regra 10, em cuja transgressão ele incorrera em outras situações, e investigue o caso que quase vitimou Emily Fornell. Leroy Jethro Gibbs, escudado pelo Doutor Donald “Ducky” Mallard (David Keith McCallum, Jr.) e autorizado pelo diretor Leon Vance (Roscoe “Rocky” Carroll), lidera a sua equipe. A trama é simples, de nenhuma complexidade artificial; as personagens executam suas respectivas tarefas, representam os papéis que lhes competem. O ponto nuclear do episódio não é o desenrolar da trama investigativa, quase inexistente, tampouco o seu desenlace, mas, sim, um flagelo que hoje em dia assola os Estados Unidos, aterrorizando os americanos: o do consumo de opioides pelos filhos do Tio Sam, uma enfermidade social sangrenta que ceifa, nos EUA, a vida de sessenta mil almas por ano.
Emily Fornell, descobre-se, sucumbira aos prazeres proporcionados pela substância, o opioide, e fica a ponto – é a cena representada no início do episódio – de partir desta para a melhor, separando-a da morte uma linha tênue, bem tênue, quase invisível. Sobrevive, milagrosamente, à overdose. Sabe-se, posteriormente, que ela está viciada em tal composto químico.
Chama a atenção um ponto: em nenhum momento, Emily Fornell é apresentada como uma criminosa; ao contrário, ela é exibida como uma vítima, que, jovem, deixara-se seduzir por uma cultura hedonista e inconsequente propagandeada como fornecedora de felicidade eterna que tantas alegrias promete – mas que entrega, unicamente, tristeza, sofrimento e miséria. Tobias Fornell trata sua filha com desvelo, carinho, dedicação de pai amoroso, devota-lhe todo o amor do mundo, conquanto ela, de comportamento alterado e fisionomia irreconhecível (e aqui os realizadores do episódio foram felizes ao emprestar-lhe um ar ensandecido, de uma pessoa possuída, não é exagero dizer, pelo demônio), lhe exiba desprezo e desdém. E entende que, mesmo protetor, não pôde impedi-la de ser atingida pelos perigos que o mundo oferece aos homens, o que dá-lhe sensação de impotência, obrigando-o a reconhecer que os pais não são onipotentes, onipresentes, oniscientes. Confrontado pela filha, que, desvairada, exibe-lhe desprezo, abre os braços, oferecendo-lhe amparo; e ela, então, se reconhece uma pessoa em desgraça, necessitada de ajuda, ajuda que ele lhe oferece ao acolhê-la aos braços.
O consumo de opioides, nos Estados Unidos, assumindo ares de epidemia, tão preocupante, recebe, da administração de Donald Trump, atenção especial. Dezenas de milhares de vidas se perdem todo ano. E neste episódio, que é o último da décima sexta temporada, toca-se em tal ferida social.
Os realizadores de NCIS foram felizes em tratar a questão com a seriedade e sensibilidade pedidas.
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