A Difícil Arte de Arrumar no Prato o Arroz e o Feijão.

– Bom dia.

– Bom dia.

– O senhor pode nos conceder um minuto do seu tempo para nos responder uma pergunta a respeito dos seus hábitos alimentares?

– Sim.

– O senhor já almoçou, hoje?

– Já.

– O que o senhor comeu?

– Tomate, ervilha, ovo frito, cebola, e um bife, e arroz e feijão.

– O senhor comeu arroz e feijão?

– Sim.

– O senhor pôs o arroz em baixo, ou em cima, do feijão?

– Em cima.

– O senhor conhece os estudos sociológicos e antropológicos a respeito da disposição do arroz e do feijão no prato?

– Não.

– O senhor sabe qual é o simbolismo que a disposição, no prato, do arroz em cima do feijão representa?

– Não. Existe um símbolo?

– Sim. Existe, sim, senhor. O senhor sabia que é a mensagem implícita o ódio que o homem branco sente pelas pessoas negras? Sendo o senhor um homem branco…

– Que!? Absurdo! Eu não odeio os negros.

– Odeia, sim.

– Não odeio, não. Tenho muitos amigos negros. E uma das minhas duas cunhadas é negra. E ela é mulher honesta, esposa exemplar de meu irmão, mãe dedicada, amorosa. Mulher respeitável, adorada, e com ela dou-me muito bem.

– O senhor não sabe que odeia os negros, mas os odeia. O sentimento de ódio está implícito no ato de pôr, num prato, o arroz em cima do feijão. Estar em baixo é o mesmo que inferioridade, e estar em cima, superioridade. No subconsciente coletivo de um povo branco patriarcal, de passado escravocrata, todo ato carrega uma carga emocional de preconceito racial, inscrito nos genes do homem branco; sem o saber, deixa-se transparecer tal valor racista nos mais simples gestos. O senhor já se perguntou porque o senhor põe o arroz em cima do feijão?

– Mas o feijão que eu como não é preto; é marrom, carioquinha, e marrom bem claro, quase branco.

– No inconsciente coletivo, o feijão representa a pessoa negra.

– Eu nunca pensei tal pensamento. Que eu saiba, feijão é feijão, seja o carioquinha, que eu como todo dia, seja o preto, que eu como, nos churracos, nos fins-de-semana.

– O senhor nunca pensou no simbolismo da disposição do arroz e do feijão, no prato, o arroz em cima do feijão, porque o senhor herdou de seus ancestrais brancos o preconceito do homem branco pelo homem negro.

– Para mim, feijão é feijão, e arroz arroz. Não há homem branco e homem negro em tal história; há apenas arroz e feijão.

– Realizamos interessantes estudos de comportamento a respeito dos hábitos das pessoas brancas. O senhor não imagina a carga emocional de ódio ao negro que o senhor carrega no seu subconsciente.

– Eu não odeio os negros.

– Odeia, sim.

– Eu, que me conheço há cinquenta anos, sei que não os odeio, e você, que nunca vi mais gordo, quer me dizer que me conhece melhor do que eu me conheço?!

– Estudei, na faculdade, sociologia,antropologia, e psicologia. Tenho amplos conhecimentos de psicologia social e de sociologia da psicologia, sociologia da história, sociologia genética, antropologia social, e outras disciplinas do campo de humanas. Sei ver além do que as pessoas sem instrução conseguem, e podem, ver: todas as pessoas brancas, já é do conhecimento de todos os estudiosos de humanas, carregam, no mais íntimo de seu ser, o ódio preconceituoso pelos negros. E no ato de pôr o arroz em cima do feijão está implícito tal preconceito racial.

– ‘tá bom. Você me convenceu. A partir de amanhã, irei pôr o feijão em cima do arroz.

– O senhor sabe qual mensagem está implícita em tal disposição, o arroz em baixo do feijão? O senhor tem idéia do valor simbólico do arroz em baixo do feijão?

– Sei: a de que eu gosto de comer feijão e arroz.

– Qual é a mensagem implícita na disposição, no prato, do arroz em baixo do feijão?

– Mensagem implícita!? E há mensagem implícita?!

– Há.

– E qual é? Diga-me, sabichão.

– Eu já disse ao senhor que o feijão é o símbolo da pessoa negra; e o arroz, digo, é o da pessoa branca. Ao pôr o feijão em cima do arroz, o homem branco, ao se pôr a comer do almoço, irá, primeiro, comer o feijão, que está em cima do arroz, e, depois, se a fome ainda lhe alimentar espírito, irá comer o arroz, que está em baixo do feijão. O senhor não percebeu o símbolo racial que tal disposição do arroz e do feijão representa. Fosse o senhor um homem instruído, o detectaria, no ato. Veja: se está o feijão, que representa a raça negra, em cima do arroz, que representa a raça branca, então, a pessoa, ao pôr-se a comer do que há no prato, leva à boca, primeiro, o feijão, que representa, repito, a raça negra; é, portanto, o corolário: mata-se a gente negra, primeiro; se a fome persistir, mata-se a gente branca; se não, a gente branca salva-se. Mas os negros sempre são sacrificados.

– Que absurdo.

– Absurdo?! O senhor não faz idéia dos significados raciais do simples ato de arrumar, no prato, arroz e feijão. E não fazendo idéia, não pode alcançar seu espírito, de homem branco de uma sociedade de passado escravocrata, e assim jamais empreenderá esforço sincero para apreender a mensagem implícita em todos os seus atos de herdeiro cultural de uma sociedade racista. Ao pôr o arroz em baixo do feijão, está-se, sem o saber, a indiciar que se está disposto a, é o desejo subjacente, sacrificar o povo negro, e talvez avançar contra o povo branco, ato, este, simbolizado no apetite, que talvez não seja tão feroz quanto se pensou que fosse ao preparar o prato; aqui, o homem branco, deixando, no prato, de resto, o arroz, está a comunicar seu desejo de livrar da morte os brancos.

– Eu jamais deixei restos… Não desperdiço comida.

– Não vem ao caso, se o senhor deixa, ou não, restos. O simbolismo do sacrifício dos negros está implícito no ato de pôr o feijão em cima do arroz, independentemente de o homem branco comer, ou não, todo o arroz.

– Tudo bem, amigão, tudo bem. Não irei pôr o feijão em cima do arroz. A partir de amanhã, melhor, a partir de hoje, à noite, se eu jantar, irei pôr o feijão no lado direito do prato, e o arroz no esquerdo.

– O senhor já pensou no simbolismo implícito de tal ato?

– Que simbolismo implícito!?

– É unânime, entre os historiadores, que o nazismo e o fascismo são ideologias políticas situadas à direita do espectro político; portanto, ao se pôr o feijão à direita do arroz, associa-se a raça negra ao fascismo e ao nazismo; sabendo-se que tais ideologias as defendem tipos humanos inescrupulosos, sórdidos, genocidas, associa-se os negros à sordidez, ao genocídio.

– Então, irei pôr o feijão à esquerda do arroz.

– O senhor não está me entendendo.

– Não?!

– Não. Veja bem. Há duas ideologias políticas: a da esquerda e a da direita. A da direita é extremista, intolerante, radical, fascista e nazista, e racista. Persegue, e mata, as pessoas da esquerda, para dizimá-las. A esquerda, que é democrática, é defensora da justiça social. Ao separar o feijão, no prato, à esquerda, e, à direita, o arroz, cria-se um símbolo de segregação racial, isolando-se dos brancos os negros, assim facilitando, pelos brancos, que são racistas, a identificação dos negros, o que favorece a perseguição e a morte destes por aqueles. Está implícita tal mensagem em tal disposição, no prato, do arroz e do feijão. É um símbolo…

– Já entendi, amigo, já entendi. Amanhã, no almoço, eu farei o seguinte: em vez de pôr o feijão à esquerda, ou à direita, e o arroz, à direita, ou à esquerda, irei pôr o feijão na metade do prato mais distante de mim, e o arroz na metade mais próxima.

– Se o senhor entendesse a mensagem implícita em tal símbolo, que está implícito…

– E há símbolo implícito, neste caso, também?!

– Sim. Há. O senhor nunca estudou simbologia da culinária, da cultura da alimentação, e da associação umbilical entre os alimentos e a cultura história dos povos. Infelizmente, muitas pessoas preferem ignorar tal assunto, e zombar de quem se dedica a estudá-lo, do que reconhecerem-se ignorantes. Estudei o assunto racial durante vários anos. E sei o que digo. E entendo as mensagens implícitas nos atos mais comuns dos homens, que ignoram o real, verdadeiro símbolo deles. O senhor não faz idéia de qual é a mensagem implícita em se pôr, no prato, mais distante da pessoa, o feijão do que o arroz.

– E qual é a mensagem implícita? Estou curioso para saber qual é.

– É a mensagem implícita à do desprezo do homem branco pelo homem negro.

– Você está me dizendo que eu desprezo os negros?

– Sim.

– Eu já disse para você, cara, que tenho amigos negros e uma cunhada negra. E eu os amo.

– O senhor pensa que os ama. O senhor quer acreditar que os ama, mas o senhor os odeia.

– Eu os odeio!?

– Sim. O senhor os odeia. O senhor não sabe que os odeia. Mas eu sei que o senhor os odeia. Os meus estudos, em faculdade renomada, garantem-me a certeza da minha asserção. O feijão, no prato, na metade mais distante de quem arrumou o prato, é o símbolo do desejo dos homens brancos manter os homens negros longe, distantes, pois o contato do corpo dos brancos com o corpo dos negros, enoja os homens brancos, que não desejam sequer sentir o odor corporal dos negros. Os homens brancos, com tal disposição do feijão e do arroz no prato, é o símbolo representado, quer manter os homens negros afastados, pois os despreza.

– Então, eu irei pôr o feijão na metade do prato que estiver mais próxima de mim.

– O senhor quer manter os negros à rédea curta, não é mesmo?

– Que!? Ora, eu ponho o feijão mais perto…

– E por que o senhor irá pôr o feijão mais perto do senhor? Não nos esqueçamos: o feijão é o símbolo da raça negra. O feijão mais perto, no prato, de quem no prato o arruma, indica que o homem branco quer que os negros fiquem ao alcance de suas mãos, para mais facilmente capturá-los caso eles queiram fugir; e o arroz, no prato, na metade mais distante, indica o homem branco, que impede a fuga do homem negro, cercando-o.

– Eu nunca pensei em tudo o que você me disse. Se separar, no prato, o arroz e o feijão é ato reprovável, condenável, então, na minha próxima refeição, que se dará, hoje, à noite, no jantar, ou amanhã, no almoço, ao meio-dia, irei misturar o arroz e o feijão. E a partir de então, eu não mais irei separá-los. Ficarão misturados para sempre.

– Na mistura do arroz com o feijão está implícito o desejo de promover a miscigenação.

– E não é bom?! Assim, todos miscigenados,não havendo brancos e negros, não haverá atritos entre negros e brancos, que, juntos e misturados, constituirão uma, e só uma, e apenas uma, raça. E teremos harmonia entre os povos. Não haverá mais guerras raciais.

– O senhor se engana.

– Engano-me!?

– Sim. Engana-se. O senhor foi seduzido pelo discurso do brasileiro gentil que acredita numa idéia falaciosa: a da democracia racial. Tal idéia promove a extinção, dentro de quatro, cinco, seis gerações de miscigenados, da raça negra. Ora, sabe-se que, os da primeira geração de um casal composto por um negro e uma branca, ou por um branco e uma negra, tem pele mais clara do que a do genitor, ou genitora, negro, negra, e se este produto miscigenado da primeira geração conjuga-se com um branco, ou com uma negra, a geração seguinte terá pele ainda mais clara do que a do seu ascendente imediato. Com o passar das gerações, os negros desaparecerão. E é este o símbolo da miscigenação, símbolo que está implícito na mistura, no prato, de arroz e feijão. É a sua mensagem implícita o genocídio da raça negra.

– Parece-me que você entende de símbolos e mensagens implícitas.

– Sim. Entendo. Estudei, eu já disse, e repito, sociologia e antropologia e psicologia. Tenho formação intelectual apropriada para saber o que alimenta o ser dos seres humanos. O senhor prova, ao acreditar que é a miscigenação benéfica à sociedade, que não entende seus desejos e pensamentos.

– Eu não sei o que desejo e penso? A miscigenação…

– O senhor não tem o preparo intelectual para se analisar, para se conhecer, e tampouco avaliar o que está no seu subconsciente.

– Quer saber de uma coisa, amigão?! Eu jamais irei comer arroz com feijão. Irei pôr, no prato, a partir de agora, apenas arroz, e só arroz.

– O senhor, assim agindo, dará uma mensagem: a de que os negros devem ser extintos.

– O quê!? Eu, desejar a extinção dos negros!? Longe disso! Conheço muitas pessoas negras. Por que eu lhes desejaria a morte?

– É o que o símbolo indica.

– Que símbolo!?

– O da presença de arroz, unicamente arroz, no prato. Se o arroz é o símbolo do homem branco, e o feijão do homem negro, então a ausência, no prato, de feijão representa a exclusão social do homem negro, ou, melhor, de sua extinção, pois a única maneira de excluí-lo definitivamente do convívio social se faz dizimando-o.

– Pôxa vida! Está implícita tal mensagem na participação exclusiva do arroz no prato?!

– Sim. Está.

– Então, o meu prato jamais verá um grão de arroz. Agora, só feijão. Só feijão.

– E a mensagem implícita que tal símbolo representa?!

– Quê!? Você ‘tá de brincadeira! Há mensagem implícita, neste caso, também?!

– Sim. Há.

– E qual é?

– O desejo do homem branco de manter cativos na senzala os negros. Neste caso, o prato representa o cárcere, e o cárcere dos negros é a senzala. E é o proprietário da casa grande o homem branco. É o símbolo, em tal caso, o desejo do homem branco em ter os negros sob seu domínio; assim, pode o homem branco vergastá-los, no pelourinho, ao seu bel-prazer sádico, desumano.

– Você venceu, amigão. Você venceu. Jogo a toalha. Fui à nocaute, aceito. Admito a derrota. Entendi o recado: o arroz representa a raça branca, e o feijão a negra. Entendi. Não irei incorrer em outro ato preconceituoso e racista ao comer feijão e arroz. Melhor, ao pôr arroz e feijão no meu prato. Jamais. Nunca. E sabe por quê?

– Não. Não sei.

– Você quer saber por quê?

– Sim. Eu gostaria de entender o que o senhor me disse. Se puder me fazer tal gentileza…

– Sim. Posso. Eu não irei, nem hoje, tampouco amanhã, menos ainda em todos os outros dias que me restarem de vida, comer arroz e feijão. Nunca mais. Não comerei arroz com feijão, nem o arroz, e só o arroz, e muito menos o feijão, e só o feijão. Estou mudando os meus hábitos alimentares. Será outra a minha dieta, e nesta não entrarão o arroz e o feijão; nenhum dos dois. Meus pratos jamais verão arroz e feijão. Jamais me prepararei pratos que tenham, no cardápio, arroz e feijão. Jamais. Você está satisfeito?!

– Você conhece a mensagem implícita…

– Que mensagem implícita!? Não irei pôr arroz em cima do feijão, e nem feijão em cima do arroz, e nem o arroz à esquerda do feijão, e nem o arroz à direita do feijão, e nem… Ora, que mensagem implícita, se no meu prato haverá de tudo, até pedra e tijolo, menos arroz e feijão?!

– Se o senhor estivesse intelectualmente preparado para captar as sutilezas simbólicas dos atos corriqueiros do homem branco, detectaria a mensagem racista que se transmite ao não se pôr arroz e feijão no prato. A ausência simultânea, no prato, de arroz e feijão, simboliza uma artimanha, concebida pela raça branca, de simulação de igualdade entre as raças, sendo que, na verdade, indica o desejo de os brancos induzirem os negros a neles acreditarem, e assim os negros, confiando nos brancos, não se praparam para revidar os ataques que os brancos irão lhes desferir.

– Ah! Pelo amor de Deus! Cansei-me desta conversa, que eu deveria ter encerrado antes de iniciá-la. Dê-me licença. Perdi muito tempo ouvindo suas asneiras. E tenha um bom dia.

– O senhor disse que no seu prato não haverá arroz e feijão, mas haverá pedra e tijolo. O senhor sabe qual é a mensagem implícita…

– Sei. Sei, amigão. Sei. A mensagem implícita está no meu subconsciente: irei esmagar sua cabeça com pedradas e tijoladas. Soterrarei você sob uma tonelada de tijolos e pedras, que são, as pedras e os tijolos, símbolos do meu poder. Agora, suma da minha frente. É uma ordem, cuja mensagem explíta é…

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O socialismo dos socialistas e o socialismo real. Profissão: bandido. Multiculturalismo e politicamente correto. Notas breves.

Diz, melhor, dizia a lenda que Hugo Chavez, e, após ele, Nicolás Maduro, implantaram, na Venezuela, políticas econômicas, de inspiração socialista, anti-capitalista, de distribuição gratuíta de petróleo e alimentos aos venezuelanos, a favorecer o Estado, em detrimento dos capitalistas e empresários, políticas que fariam da Venezuela um paraíso, país, a Venezuela, onde não mais existiriam injustiça social e desigualdade de renda. E o povo venezuelano acreditou no canto da sereia socialista e embebedou-se com as facilidades que os esquerdistas, de bom grado, amáveis, ofereceram-lhe, e vislumbrou, no horizonte imaginativo, fantástico, que a oratória de Chavez e companheiros de jornada inspiraram-lhe, o paraíso; e cuspiu na cara de todo aquele que lhe chamou a atenção para o perigo que as políticas de Chavez e Maduro representavam, expondo-as à razão, projetando luz sobre seu núcleo demagógico, populista, trazendo-lhe para diante dos olhos cenas de um futuro negro, tétrico, o povo venezuelano a comer o pão que o diabo amassou. Dos alertas o povo venezuelano fez pouco caso; preferiu acreditar nos políticos que lhe prometiam o céu. E mal sabia que teria o inferno. Entregou aos seus carrascos a corda com que eles o enforcaram. Foi tiro, e queda; e não foram necessárias décadas, ou uma centúria, para que a miséria decorrente da política socialista chavista e madurista se tornasse do conhecimento do mundo. Mas enquanto tal não se deu; enquanto puderam do mundo ocultar os horrores, que se multiplicavam, na Venezuela, a miséria, que se encorpava, a tirania, que, se fortalecendo, massacrava o povo, e o êxodo de venezuelanos para a Colômbia e o Brasil, os socialistas declaravam, orgulhosamente, de peito cheio, que o socialismo trouxe paz, riqueza, justiça, igualdade e democracia aos venezuelanos ao eliminar os capitalistas, mas bastou perderam o controle da narrativa, o mundo vindo a conhecer o inferno em que a Venezuela se transformou, que mudaram o discurso; agora, dizem que na Venezuela não há socialismo; que os postulados socialistas não estão, e nunca estiveram, contemplados nas políticas de Hugo Chavez e Nicolás Maduro. E os socialistas, então, decidiram apostar todas as suas fichas na Argentina, que ia desgovernada, diziam, nas mãos de Maurício Macri, amigo dos capitalistas gringos. Tinham os socialistas, para o bem do povo argentino, de remover da Casa Rosada o desumano capitalista, e no seu lugar pôr um socialista. E assim foi feito: Alberto Fernández foi eleito o representante, democraticamente eleito presidente da Argentina, do povo argentino. E tem ele a graciosa Cristina Kirchner sua vice. E a Argentina rumou, a passos largos, e seguros, ao paraíso, agora a viver sob regime socialista; e os socialistas clamaram vitória, e os argentinos felicidade inédita. Só que não, como se diz por aí. A Argentina vai de mal a pior. Os heróis dos antibolsonaristas, Alberto Fernández e Cristina Kirchner, traíram, dizem, agora, os socialistas, os ideais nobres do socialismo e, ao invés de produzirem riqueza, igualdade e justiça, produziram miséria, desigualdade e injustiça. Traidores miseráveis! E os socialistas, heróicos e destemidos combatentes do mal capitalista, persistem; não desistem; são resilientes; não esmorecem. Estão decididos a erguer, agora no Chile, o paraíso socialista, com o tal Gabriel Bóric, personagem lendário, herói impoluto, que está a pedir um Homero para lhe registrar, em hexâmetros dactílicos,seus feitos memoráveis, para conhecimento da posteridade.

*

Não li, com atenção, uma certa notícia, cujo teor passou-me, diante dos olhos, na velocidade da luz: um governador qualquer de não sei qual estado da federação brasílica, ou um prefeito qualquer de sei lá eu qual município, disse que temos os brasileiros de atentar para a importância da indústria do tráfico de drogas, que está a contribuir para atenuar os efeitos nefastos do desemprego causado pela epidemia, pois o tráfico está a empregar muitos, muitos jovens, que, sem a oportunidade, imperdível oportunidade, que os traficantes lhes oferecem, estariam, perdidos, na rua, sujeitos a serem aliciados por criminosos, e a integrarem a legião de marginais que estão a flagelar a sociedade brasileira, e a virem a perpetrar crimes, e crimes horrendos, hediondos. Quase me vieram lágrimas aos olhos, confesso, ao conhecer a dedicação do político pelo bem comum, mesmo que eu tenha passado por cima os olhos em tal reportagem. É consolador saber que há políticos brasileiros que pensam no bem-estar dos brasileiros.

*

Está a Suécia em maus lençóis. Marco Frenette informa que, durante o regime militar, muitos comunoterroristas fugidos do Brasil, expatriaram-se para a Suécia; e com a imigração desordenada de adeptos do islamismo, enfrenta o país de Selma Lagerlof o domínio dos maometanos, que, em algumas áreas do país, impõem a sharia, e ninguém lhes faz objeção. E ai de quem se opõe às políticas multiculturalistas e progressistas que estão a rasgar o tecido social sueco! Quem ousa questionar, esboçar, que seja! uma crítica a tal política, é tachado de fascista, de extremista de direita, de islamofóbico. O mesmo fenômeno, já chegou ao meu conhecimento, e não foi hoje, nem ontem, se dá em outros países europeus, principalmente na Alemanha, na Grã-Bretanha, na Noruega e na Holanda. Não sei se procede a notícia, ou se é teoria da conspiração: ocorreu, há não muito tempo, na Alemanha, estupro coletivo, na véspera de comemorações natalinas; centenas de mulheres foram estupradas por muçulmanos. E dá-se a conhecer que é a Suécia a capital mundial dos estupros. E não podem os suecos esboçar uma queixa que o mundo lhes desaba sobre a cabeça e soterra-os sob toneladas de impropérios.
O multiculturalismo, e todo o pacote politicamente correto, está a fazer um estrago danado em todas as nações, mas, parece, mais nos países da Europa ocidental e nos Estados Unidos do que em qualquer outra parte do mundo. Algumas nações rejeitam terminantemente o manual de instruções do instrumento politicamente correto, em seu todo, e nem sequer desejam pô-lo sobre a mesa para discussão; sabem do poder corrosivo de tal obra malfazeja, e não pretendem perder tempo simulando urbanidade, civilidade, como o fazem os povos europeus, que, para se diferenciarem do restante do mundo, e se darem ares de sofisticados, culturalmente superiores, e não se misturarem com os bárbaros de outras praças, adotam o figurino que os engenheiros sociais lhes oferecem, e o fazem orgulhosos, gostosamente. São os gostosões do planeta, e muitos, tais quais avestruzes, estão, com a cabeça enfiada no chão, a estapearem e escoicearem toda pessoa que lhes exorta a olhar em volta para se conscientizarem do inferno que a pusilanimidade deles criou. Pisaram na jaca, e pisaram feio, e agora choram as pitangas. E pergunto-me se são de crocodilo as lágrimas que lhes escorre pelo rosto.

É racismo, sim!

Há um mundo, mundo de gente bizarra, grotesca, anômala, mundo que os homens comuns, que representam a maioria dos indivíduos da espécie humana, os bípedes implumes mais inteligentes do universo, não desejam conhecer, e do qual recebem, queiram ou não, inúmeras, incontáveis, notícias, que a gente estranha que nele vive não se vexa de lhes dar, e com a pachorra e a presunção de seres superiores, investidos de autoridade moral e intelectual e cultural e civilizacional que só os escolhidos possuem. E há poucos dias, alguns homens comuns tiveram a graça de receber duas notícias do estranho, bizarro mundo em cujas terras jamais desejaram pisar, e não sonham em tê-las sob os seus pés, e de cujos habitantes querem manter distância segura, mas nem sempre o conseguem, e a vida os obriga a com eles conviver, o que é deveras desgastante, doído, sofrido, angustiante, frustrante, irritante. Uma das duas notícias traz informações do balacobaco, uma inusitada leitura de um, não sei se digo certo, esporte popular, ou, simplesmente, uma atividade lúdica popular, que se pratica em cima de mesas de bilhar, a sinuca – não sei se se diz mesa de bilhar, ou mesa de sinuca, e não sei diferenciar bilhar de sinuca (da mesma forma que não sei distinguir truco de pôquer), pois não sou adepto de nenhum dos dois jogos, e não faço idéia se talvez sejam “bilhar” e “sinuca” dois nomes do mesmo jogo. O ponto mais importante da interessante notícia acerca do jogo popular que no mundo dos homens comuns se pratica, e com muito gosto, e que no mundo de gente bizarra do qual a notícia chegou recebeu a atenção de um daqueles seus típicos habitantes, personagem que aos homens comuns causam espanto de tão esquisitos, grotescamente esquisitos, estranhos, bizarramente estranhos, anômalos, escalafobeticamente anômalos; o ponto mais importante, prossigo – e eu fiquei a ponto de perder o fio da meada -, da interessante notícia é uma informação que o distinto adventício transportou ao mundo dos homens comuns: é a sinuca um jogo racista. Racista!? Sim. Racista. E explica, para que nenhuma dúvida persista na mente de nenhum homem comum, o caro alienígena (alienígena, aqui, sinônimo de ‘aquele que vem de fora’, e não de extraterrestre, embora seja ele um lunático de marca maior), o seu perspicaz pensamento: “É racista a sinuca, afinal todos os seus elementos constituintes apontam para a luta de classes racial: é a principal bola do jogo a branca, agente da ativa, a mais poderosa, que cumpre o papel de empurrar a bola preta, agente da passiva, removendo-a, com um taco, à força, para dentro da caçapa – e estampa a bola preta o número oito. É a caçapa símbolo da senzala; a mesa, da casa grande; a bola branca, da raça branca; a bola preta, da raça negra; o taco, do chicote; o número oito, de algemas. Todo o jogo é um instrumento de opressão, a carregar mensagens subliminares, símbolos que, aos poucos, e sem que as pessoas se dêem conta, fazem a cabeça do povo, que, habitando a sociedade ocidental, de matriz européia, helênica, cristã, colonizadora, paternalista, patriarcal, binária, é facilmente sugestionável, influenciável, e de tal influência não pode escapar. Desta forma, cientes da influência deletéria, na mente do povo, do hábito deste praticar tal jogo, exigimos, dele, para o bem da humanidade, a proibição, e a consequente supressão de todos os documentos históricos que lhe dão conhecimento.” É este o teor da idéia, brilhante idéia, produto da inteligência sagaz do bizarro habitante do mundo que o homem comum não deseja habitar, e cujos habitantes estão constantemente a atormentá-lo a ponto de fazê-lo perder a sanidade e com os quais é ele obrigado a conviver.
Da outra notícia, tão espantosamente inusitada, e da qual digo pouco, quase nada, para dar fim a esta crônica, que escrevi, não digo a contragosto, mas para expor o mal que aos homens comuns fazem os que, do outro mundo neste se manifestando, dizem lhe querer o bem, lhe fazer o bem, escrevo apenas: é urgente proibir-se a comercialização de palmito, ou, então, que se mude o nome de tal substância comestível, pois é, dele, a primeira sílaba sexista, machista, a extravasar masculinidade tóxica.
As criaturas que do mundo bizarro, estranho, as do outro mundo possível, as do mundo melhor, oferecem os seus préstimos aos homens comuns, e estão a assediá-los, querem, deles, a salvação, e não medem esforços para dar-lhas, e estão dispostos, até, para salvá-los, matá-los, se eles rejeitam, intransigentes, irredutíveis, a oferta.

A Cultura do Cancelamento

Não é a cultura do cancelamento um fenômeno moderno; é antigo, bem antigo; retrocede até o tempo dos filósofos da Grécia, há dois mil e quinhentos anos. Platão registra, na Apologia de Sócrates, os derradeiros momentos da vida do pai da filosofia ocidental; Sócrates, além de não seguir a cartilha, digo, politicamente correta daquele distante período da história da civilização, trazia à superfície, e ao conhecimento de todos, a ignorância dos sábios seus contemporâneos, pessoas que se autointitulavam senhores do universo, demiurgos contemplados, pelos deuses do Olimpo, com a omnissapiência; gente que se arvorava entidade superior, sobrenatural, de dons superiores às divinas; pessoas que, diante daquele feioso que se sentava nas escadarias dos templos e das praças da Grécia e dedicava, não apenas um dedo, mas muitos, muitos dedos, de prosa com os seus conterrâneos, expondo a incultura e a ignorância, e a pouca, ou nenhuma, inteligência dos dignatários de então, sentindo-se inferior a ele, e reconhecendo-lhe a superioridade intelectual e a moral, decidem aniquilá-lo, não por meios honestos, pelo confronto de idéias, o que eles não se atreviam a fazer, e tampouco por meios violentos, assim não se expondo ao povo como seres autoritários, mas, num simulacro de Justiça, o destino dele traçado antes do início do julgamento, condenando-o à morte. E ele, o mestre de Platão, o emblema da filosofia ocidental, Sócrates, bebeu de um copo cicuta, e partiu desta para a melhor, o mundo dos espíritos, onde até hoje ele palestra com sábios de seu porte. “Cancelaram-no” os potentados daquela época.
Os artífices de um mundo perfeito, um mundo melhor, um novo mundo, entidades celestiais, que desde que o mundo é mundo almejam fazer todos verem o que eles querem que todos vejam seja o que for o que eles querem que todos vejam e curvarem-se, reverentes, diante deles, “cancelam” todos os indivíduos que ousam, antes de tudo, respeitarem cada qual sua consciência. Querem os senhores do universo fazer com que as pessoas não percebam o mundo como ele é, mas vê-lo com a figura que eles lhe emprestam. E para impôr sua política, que, sabem, não têm nem sequer um pé na realidade, contam com milhares de militantes profissionais, muitos deles regiamente pagos, e incontáveis idiotas úteis, facilmente sugestionáveis, autômatos descerebrados, servis sem saber que o são, insanos, dispostos, porque destituídos de razão, de sentimentos humanos, a eliminarem toda e qualquer pessoa que, dizem-lhes os senhores do universo, contraria os cânones sagrados do politicamente correto, que trará à escuridão a luz – e os idiotas úteis acreditam-se donos da verdade, abnegados paladinos da Liberdade e da Justiça, denodados e aguerridos guerreiros do bem-estar social, do fim das injustiças, das censuras, e não percebem que estão a fortalecer os agentes da opressão, do fim das liberdades individuais, da extinção da Justiça e da criação de um maquinário de extermínio da vida humana. E são tão ferozes, tão bárbaros, tão insanos, tão desprezíveis tais seres saídos das trevas, os “canceladores”, que eles, sanguissedentos, arrostam, violentamente, um jogador de vôlei, um artista qualquer, um tenista, um ilustre desconhecido que se atrevem a externar, publicamente, uma opinião, que não está contemplada na agenda politicamente correta, e sonham, felizes, vê-las a expirarem nos estertores da morte.

Bolsonaro na ONU: sucesso retumbante.

Ontem, dia 21 de Setembro de 2021, o presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, no discurso de abertura da reunião anual da Organização das Nações Unidas, apresentou, assenhoreado pela ambição, nobre e humana, de um aguerrido, destemido, voluntarioso e abnegado combatente da Democracia, da Liberdade e da Justiça, em um pouco mais de dez minutos, numa oratória límpida, num estilo primoroso, com a dicção dos mestres helênicos da arte do bem falar, numa retórica vazada nos moldes clássicos do exercício correto e justo da exposição das idéias, as suas políticas, que se coadunam com as dos vanguardistas do espírito humano; e encerrado o seu discurso, ovacionaram-lo e o aplaudiram, estrondosamente, em pé, os chefes-de-estado presentes no prédio da Organização das Nações Unidas, todos eles, enquanto ele discursava, a ouvirem-lo, atentamente, embevecidos, alumbrados com a ínsigne postura do líder nato da nação mais rica e próspera da América do Sul; e os efusivos aplausos os congêneres do representante brasileiro os estenderam até se cansarem, durante quarenta e quatro minutos. Nas horas que se seguiram e no dia de hoje, jornais de todo o mundo e sites e emissoras de televisão estamparam a venerável figura do presidente da República Federativa do Brasil, acompanhada do discurso magistral que saira da boca dele, um estadista, o personagem de maior importância de toda a história da nação que se formou a partir da amálgama, em seus primórdios, de lusitanos, africanos e nativos ameríndios pré-colombianos, com a contribuição posterior de ingredientes étnicos e culturais de outros povos. Estas palavras, poucas, estão aqui inscritas para enaltecer o valoroso presidente do Brasil, um herói de escala universal. Não nos estenderemos, neste artigo, os louvores ao senhor Jair Messias Bolsonaro, coquanto ele mereça todos os concebíveis, e, esculpida em bronze, uma estátua titânica de sua portentosa, apolínea e hercúlea figura. Aqui encerrado o parágrafo que dá aos nossos leitores a conhecer a participação do lídimo e legítimo representante do povo brasileiro na reunião anual da Organização das Nações Unidas neste 2021, reproduzimos, no parágrafo subsequente, dele, o eloquente discurso, discurso, este, uma obra-prima da retórica política que merece atentas e reverentes leituras e releituras. Eis o discurso do ilustríssimo presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro:

Amigues, hoje, eu, o presidente do Brasil, estou, aqui, para anunciar a todes as políticas politicamente corretas, comunistas, socialistas, de ideologia de gênero, marxistas e leninistas, que estou, eu, Jair Messias Bolsonaro, proponente da extinção das soberanias nacionais, a voz do Estado brasileiro, eu, Jair Messias Bolsonaro, o Estado, eu, Jair Messias Bolsonaro, a Opinião Pública Brasileira, obediente ao Governo Mundial, a implementar, em todo o território brasileiro, punindo todo cidadão brasileiro recalcitrante com o fuzilamento, as políticas que irão fazer do Brasil um paraíso socialista tecnocrata transhumano e cientificista. Fuzilei, fuzilo e fuzilarei ao paredão todo indivíduo hostil, de mentalidade fascista e nazista, de temperamento genocida, capitalista, ocidental, supremacista branco e cristão fundamentalista e intolerante. A religião é o ópio do povo. Deus é um personagem do tempo do nunca, do arco-da-velha, das histórias da carochinha de nossos avós brutos e asselvajados, adorado pelos energúmenos medievalistas, preconceituosos e fanáticos crentes que estão sempre a sobraçar o livro, que eles têm na conta de sagrado, recheado de baboseiras folclóricas, lendárias, de um povo rude, bárbaro, inculto e ignaro. A família, esta instituição opressora, burguesa, capitalista, favorece o exercício autoritário, ditatorial, totalitário do patriarcado sexista e machista, e dela tira seu poder máximo o homem cristão, ocidental, branco, loiro e de olhos azuis. A religião é o ópio do povo. O Grande Satã tem de ser aniquilado. Todo o poder aos proletários! Abaixo a burguesia! Eu odeio a classe média! Há lógica no assalto. Proletários de todo o mundo, uni-vos! Vivas à revolução! Para salvarmos a Terra urge extirpar-lhe o tumor cancerígeno maligno que muito mal lhe faze: a espécie humana. Vivas à Mãe Gaia! O Estado sou eu! A opinião pública sou eu! Iniciemos o processo de renovação da natureza removendo do útero das fêmeas da espécie humana o amontoado de células, coisa inerte e sem vida, bizarra e anômala, que, no interior dele, os homens inserem numa quantidade que elas ignoram. Todo o poder às mulheres empoderadas! Às pessoas sem vagina, dotadas de masculinidade tóxica, o paredão, destino reservado a todos os seres que não sabem qual é o seu papel na história, papel que o partido lhes reserva. Salvemos as baleias! Salvemos os pandas! Salvemos as tartarugas marinhas! Regulamentemos a mídia e a internet para que elas não disseminem dos conservadores fascistas e nazistas e genocidas fakes news e discursos de ódio. Exterminemos o gabinete do ódio conservador! Todo poder aos soviétes e aos chins! Fidel Castro e Che Guevara, olhai por nós! Marx e Engels, orai por nós! Lênin e Stalin, olhai por nós! Mao e Pol Pot, orai por nós! Não há dois sexos. Há setecentos e noventa e quatro gêneros, ensinam-nos os heróis do movimento. Abaixo a ditadura dos capitalistas opressores! Que os filhos libertem-se dos grilhões com que seus pais lhes manietam os movimentos! Fim aos tabus! Enalteçamos o amor intergeracional! Louvemos os novos tipos de família! Abaixo a família tradicional, arcaica, opressora, liberticida, pecadora! Vivas ao amor com os animais, com as plantas, com os objetos, com os cadáveres! Que aos inúteis à paz socialista seja oferecida a morte digna via injeção letal, ou por envenenamento, ou enforcamento, ou fuzilamento. Enviemos os inimigos da paz universal aos campos de reeducação, instrução e treinamento. Que as crianças não vivam na companhia de seus pais, seres opressores, que as maltratam durante sessões diárias de tortura psicológica de inspiração cristã! Que nenhuma pessoa tenha direito à legítima defesa! Que a educação e a segurança fiquem a cargo do Estado, exclusicamente do Estado. Fiquemos em casa; a economia veremos depois. Que ninguém se retire, à rua, de sua casa, até segunda ordem. Prisão aos refratários aos decretos estatais. Internacionalizemos a Amazônia, e o Pantanal, e o Mangue, e a Chapada Diamantina, e os Lençóis Maranhenses, e Fernando de Noronha, e a ilha de Marajó, e Parintins, e o Recôncavo Bahiano. O homem branco é racista; é racista de espírito; é mal; é iníquo. Amigues, sei que estas minhas palavras, poucas, ecoam no espírito de todes vocês. Unidos, iluminaremos, guiados por cientistas renomados, a mente dos humanos; e aos que optarem por permanecerem à escuridão oferecemos um paredão e um cárcere e lhes daremos o direito de escolher o que entenderem que lhes seja a melhor das duas opções, que lhes deixaremos à disposição. Tenhamos um bom dia, amigues. Fidel Castro e Che Guevara, olhai por nós! Marx e Engels, orai por nós! Lênin e Stalin, olhai por nós! Mao e Pol Pot, orai por nós!

*

Nota de rodapé: Inútil é dizer, digo, todavia: o discurso aqui apresentado é uma peça de ficção; e o Jair Messias Bolsonaro que o proferiu não existe – se existisse, cá entre nós, amá-lo-iam e o idolatrá-lo-iam onze de cada dez de seus inimigos.

… e ninguém desejará nascer branco.

Personagem A: Você é branco, certo?
Personagem B: Certo.
P.A.: Por que você nasceu branco?
P.B.: Porque eu nasci… Ora, nasci branco porque nasci branco.
P.A.: Por que você nasceu branco, e não negro?
P.B.: Ora, porquê!? Porque nasci assim, o filho mais bonito da minha mãe. Sou filho único, o que…
P.A.: Você nasceu branco porque não quis nascer negro.
P.B.: Como é que é!? Cupim comeu o seu cérebro?! Explique-me a sua teoria.
P.A.: Você é racista.
P.B.: Quê!? Que papo besta é esse!? Desmiolou-se?!
P.A.: O sentimento racista está implícito na sua alma, daí você, não querendo nascer negro, nasceu branco.
P.B.: Caçamba! Quanta caraminhola! Eu sabia que eu ia nascer, e quis nascer branco?!
P.A.: Sim! O preconceito racista que anima o seu espírito anímico antecede a sua concepção. Estava inscrito na sua alma espiritual, que transcende o seu estado material, antes de você retirar-se do útero de sua genitora.
P.B.: Carambolas e jabuticabas! E você fala difícil, hein!?
P.A.: E não desconverse: Você é racista!
P.B.: Macacos me mordam! E você, carinha?! Você é racista.
P.A.: Eu!? Racista, eu?! Não seja atrevido!
P.B.: Além de racista, você é burro.
P.A.: E por quê!? Responda-me.
P.B.: Por quê!? Ora bolas! Você é branco.

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