Quarentena e Lockdown

Substituíram quarentena por Lockdown porque Quarentena lembra Curupira, Saci e Boitatá. E brasileiro não teme personagens folclóricos tupiniquins tão inofensivos, de aparência simpática e espírito amigável. Já Lockdown lembra os deuses nórdicos, dos bárbaros, asselvajados vikings. E ao pensar neles vem à mente o Ragnarok, o fim de Midgard. Agora a coisa é séria.

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Patrulheiros Fique Em Casa (Versão 2)

Eram seis horas da manhã.

João despertou, moveu-se, na cama, sob o fino lençol, lenta e cuidadosamente, para não acordar sua esposa, que fôra, às duas da madrugada, dormir, exausta, após um dia de muitas tarefas, no transcurso do qual dedicou-se a cuidar de seu pai, um ancião enfermo, que requer muitos cuidados. Sem fazer ruídos, sentou-se na beira da cama, calçou os chinelos, e retirou-se do quarto, e foi ao banheiro, onde deixara, na véspera, as roupas que usaria durante o dia de trabalho. Banhado, barbeado, penteado, perfumado, retirou-se, vinte minutos depois, do banheiro, andando pé ante pé, para não acordar sua esposa, que merecia o sono dos justos, e rumou à cozinha, onde preparou o seu café-da-manhã, e o de sua esposa e os dos três filhos. Eram sete horas e quarenta e cinco minutos, um de seus filhos, o primogênito, jovem recém-entrado na vida adulta, foi à cozinha, e saudou-o com a benção costumeira. João respondeu à saudação, orientou-o quanto às tarefas do dia, disse-lhe que ele ajudasse à mãe a cuidar dos irmãos menores e os entretivesse, e lhes aplicasse uns sopapos e puxões de orelhas, caso eles os merecessem. Pai e filho conversaram até às oito e meia. E despediram-se. Após pegar, de sobre a estante da sala a carteira, João retirou-se da sua casa, e deu os primeiros passos para ir à empresa.

Na casa vizinha à de João, às oito horas, acordaram José e sua esposa. Ela ficaria em casa, cuidando dos afazeres domésticos e entretendo os três filhos, todos crianças, o primogênito de oito anos. E José iria à empresa. José banhou-se. E comeu e bebeu do café-da-manhã que sua esposa lhe preparara. Com sua esposa conversou durante uns dez minutos, e dela recebeu uma pequena folha de papel sulfite com a lista de compras e uma receita médica e uma fatura da empresa de fornecimento de energia elétrica, e recomendações quanto à marca de alguns produtos e a composição deles. Após ouvir-lhe as orientações e recomendações, dela despediu-se com um beijo nos lábios, e retirou-se da casa, de sua esposa ouvindo que Deus o acompanhasse e para ela dizendo que ela ficasse com Deus. Eram oito e meia.

João e José saudaram-se, e rumaram, juntos, à empresa. Eram amigos de longa data e colegas de trabalho. Inteiraram-se das novidade e criticaram o governador e o prefeito. Elencaram as decisões autoritárias deles. Não haviam chegado à esquina, uma viatura do Patrulheiros Fique Em Casa, em baixa velocidade, aproximou-se deles. João e José, na expectativa, fitaram-la, receosos. Assim que a viatura se lhes aproximou, viram que havia dois patrulheiros no seu interior. Detiveram-se. E o patrulheiro sentado no banco do carona, carrancudo, ríspido, indagou-lhes.

– O que as donzelas estão fazendo aqui?

E José, homem que não leva desaforos para casa, replicou, de imediato:

– Por que você não cuida da sua vida!?

O patrulheiro cerrou as sobrancelhas, mordeu os lábios, rilhou os dentes, concentrou o seu olhar de poucos amigos em José e bufou de raiva. O motorista, se lhe antecipando, e antevendo uma luta corporal entre o outro patrulheiro e José, e medindo o porte deste e calculando a raiva daquele, de quem era conhecedor do temperamento atrabiliário, certo de ser ele um pavio curto, disparou a João e José a ordem:

– Retornem às casas de vocês. E fiquem em casa.

– E por quê?! – perguntou José, num tom de voz alto, desafiador.

– Estamos de quarentena. É ordem: todos devem ficar em casa.

E José replicou.

– E o que vocês dois estão fazendo aqui!? Por que vocês não estão nas casas de vocês?

O patrulheiro sentado, no banco do carona, tratou, e logo, de abrir a porta da viatura, desta retirar-se, e fincar pé diante de José, um palmo separando-o dele, fitando-o nos olhos, bufando, medindo-lhe, instintivamente, a força física. O outro patrulheiro retirou-se da viatura, foi até o seu colega, pediu-lhe calma, e disse para João e José:

– Nós – referiu-se a si mesmo e ao seu colega – estamos fazendo o nosso trabalho.

– E nós queremos ir à empresa fazer o nosso trabalho – replicou João.

– Entendemos, amigo – disse o patrulheiro. – Mas vocês têm de ficar em casa. Têm de respeitar a quarentena – ao dizer tais palavras, pôs a mão direita sobre o ombro esquerdo do seu colega, e a este pediu que se acalmasse e se afastasse de José. Ele lhe atendeu ao pedido, e de José afastou-se, de má vontade, sem desviar, dele, o olhar, em nenhum momento; nem piscar, piscou. E enquanto o patrulheiro de cara-de-poucos-amigos, enfezado, e José, igualmente enraivecido, encaravam-se, prontos para se lançarem um contra o outro e socarem-se até à morte, João e o outro patrulheiro estenderam-se no seguinte diálogo:

– José e eu somos pais de família. Temos de trabalhar, para ganhar o nosso o nosso arroz e feijão de todo dia. Não podemos nos dar ao luxo de permanecermos em casa. Não somos ricos. Não nascemos em berço de ouro.

– Eu entendo…

– Se me entende, deixe-nos ir trabalhar; precisamos do nosso ganha-pão.

– Recebemos ordens para abordarmos todos os elementos…

– Agora somos “elementos”?! Que absurdo! Não somos pessoas, não?!

– Quero que você me entenda. Recebemos ordens…

– Não as cumpra…

– Não podemos.

– E por que não? Ninguém tem de cumprir ordens que prejudicam outras pessoas.

– Ouça…

– Vocês não têm que acolher ordens que contrariem a consciência de você.. A menos que concordem com os desmandos do governador e do prefeito.

– É a lei, meu amigo. É lei. Estamos cumprindo a lei.

Assim que o patrulheiro proferiu tais palavras, José, que, encarando o outro patrulheiro, que o encarava, e que se continha para não se lançar sobre ele, empurrou-o, jogando-o contra a viatura, surpreendendo-o com tal golpe, e atraindo para si a atenção de João e do outro patrulheiro, e para este disse, em tom elevado, aproximando-se dele, desafiador, quase lhe encostando no nariz o nariz:

– Lei!? Lei!? Vocês respeitam leis que impedem as pessoas de trabalharem!? Vocês respeitam leis que impedem as pessoas de tirarem o sustento do próprio trabalho!? Que tipo de homens sãos vocês? Vocês não são homens; vocês são ratos.

Enquanto José lançava tais palavras ao rosto do patrulheiro, o outro patrulheiro, recuperando-se do empurrão, deu uns dois passos na direção de José, punho cerrado. João, mantendo o estado de espírito, interpôs-se entre eles, e foi pelo patrulheiro empurrado. José, aqui, encerrou a sua palestra inspirada pela fúria que ele, com extrema dificuldade, continha, voltou-se para João, e fez um movimento em direção ao patrulheiro que o empurrara, preparado para neste encaixar, na cabeça, um soco; o outro patrulheiro puxou José pelo ombro; e José, instintiva, e automaticamente, moveu, com um gesto abrupto, o braço, acertando-lhe, com o cotovelo, o nariz. João pediu a José calma, chamando-o à razão. Enquanto o patrulheiro golpeado no nariz recuava alguns passos, curvava-se para a frente e levava as mãos ao nariz e o outro patrulheiro, indeciso, olhava ora para o seu colega, ora para José e João, João puxou José para trás, e ambos afastaram-se dos dois patrulheiros alguns metros. E o patrulheiro que até segundos antes desafiava-os, foi até o que massageava o nariz atingido pelo cotovelo de José. Transcorridos alguns segundos, o patrulheiro, após avaliar o nariz do seu colega, voltou-se para José, e disparou-lhe:

– Você irá pagar muito caro pela afronta.

– Você é só um cachorrinho do governador e do prefeito – retrucou José.

João pediu a José calma. Este se conteve. João tinha ascendência moral sobre seu amigo mais novo, homem buliçoso, de muita energia. De temperamento sereno, sempre o orientava, e não foram poucas as vezes que seus conselhos, acolhidos por ele, o impediram de se envolver em apuros. José respeitava-o, reconhecia-lhe a autoridade; daí conter-se assim que ele, de frente para si, olhando-o nos olhos, as mãos pousadas em seus ombros, pediu-lhe calma, numa voz tranquilizadora. José calmo, João voltou-se, fitou os patrulheiros, moveu a cabeça em direção a José, pediu a este que permanecesse onde estava, disse-lhe que iria resolver a questão, e foi até os patrulheiros, aproximou-se deles, e desculpou-se com o patrulheiro golpeado, no nariz, por José, e prosseguiu:

– Estamos todos nervosos com a situação. Não queremos desentendimentos. Eu e José temos de trabalhar. Eu tenho esposa e filhos que precisam de mim, e José é casado, a esposa dele tem de ficar em casa para cuidar dos três filhos deles, todos crianças. E ela não pode ir trabalhar. Ela é professora de uma creche, que está fechada; e os três filhos dela e de José foram dispensados de frequentar a escola. E a esposa de José não sabe se, no próximo mês, receberá o salário, e nem se manterá o emprego, ou se será demitida. Se demitida, a renda da família de José se reduzirá à metade. E se José também perder o emprego!? Vocês me entendem? A situação da minha esposa e minha não é tão preocupante, pois temos um escritório em casa; e minha esposa dá aulas particulares, de inglês, via computador, e tem uma boa renda. Mas eu tenho de conservar o meu emprego; se eu o perder a renda da minha família se reduzirá à metade. E a de José? A esposa dele pode perder o emprego, e José também. E o que será deles e dos filhos deles, se ambos perderem o emprego? De onde eles tirarão o dinheiro de que precisam para comprar a comida para eles e para os três filhos deles? Eles não terão renda.

– Eu entendo – respondeu o patrulheiro que tivera seu nariz golpeado por José. – Mas nós estamos cumprindo ordens.

– E as ordens que vocês receberam – replicou João, seguro de si – são injustas. Vocês não têm a obrigação moral de cumpri-las, se a consciência de vocês entendem que elas fazem mal, muito mal, às pessoas.

Entreolharam-se os dois patrulheiros. João notou que eles estavam confusos, entrechocando-se no cérebro deles pensamentos conflitantes; e se persuadiu de que, com algumas palavras sensatas, poderia chamá-los à razão e fazê-los entender que eles, sendo patrulheiros, têm o desejo de ajudar as pessoas, e não o de prejudicá-las. Antes, porém, de dar sequência à sua palestra, o patrulheiro com o nariz machucado tomou a palavra:

– Todas as pessoas têm de ficar em casa. Fora de casa, podem ser infectadas pelo coronavírus, que já matou milhares de pessoas e que irá matar muita gente se ninguém respeitar a quarentena. Toda pessoa tem de pensar no bem-estar coletivo, e não em si mesma, só nos seus próprios interesses.

– Mas… – principiou João, reconhecendo a intransigência do patrulheiro, presumindo, e corretamente, que a cabeça dele estava recheada de imagens apocalípticas inspiradas pela agressiva campanha midiática que aterrorizou bilhões de pessoas mundo afora; sabia, estava certo, de que seria praticamente impossível convencê-lo do erro em que ele se encontrava.

– Ouça-me – prosseguiu o patrulheiro. – Ouça-me: Você e o seu amigo, se perderem o emprego, poderão conseguir outro…

– O quê!? – interrompeu-o João, surpreso com o que ouviu. Os seus gestos e o tom de sua voz, ligeiramente mais elevada do que o habitual, atraíram a atenção de José, que, até este momento, controlando-se, conservava-se à parte.

José andou na direção de João, e dos patrulheiros, que o fitaram. Com um gesto, João pediu-lhe calma, e, dirigindo-se aos patrulheiros, disse:

– Se perdermos o emprego, José e eu não teremos a certeza de conseguirmos outro. Você disse – prosseguiu, olhando para o patrulheiro com o nariz machucado – que José e eu poderemos conseguir outro emprego; você reconhece que não há certeza de que conseguiremos outro; é só uma possibilidade, e não uma certeza.

– Amigo – retomou a palavra o patrulheiro -, a vida é mais importante…

– Mais importante do que o quê!? – perguntou José, irritado, antecipando-se a João, indo na direção do patrulheiro.

João interpôs-se entre José e os patrulheiros, para impedir que eles se engalfinhassem numa luta corporal  da qual todos saíram machucados. Sabedor do temperamento sanguíneo do seu amigo, tinha consciência de que a situação poderia vir a desandar, e converter-se num constrangedor espetáculo de animalidade; até o momento, com muita fleuma, conteve os ânimos exaltados de José e do patrulheiro de cara de poucos amigos; mas, agora, não tinha mais a certeza de que contaria com a calma que lhe inspirasse palavras que exercessem alguma ascendência sobre os outros três personagens com os quais contracenava neste grotesco capítulo da história humana; entendia que perdia o controle da situação, que o protagonismo não era mais seu, que outros dois personagens, José e o patrulheiro de cara de poucos amigos ascendiam nos papéis que representavam, que eles, de coadjuvantes, assumiriam o papel de protagonistas. João sabia que se perdesse para eles o papel principal os eventos que se seguiriam exibiriam cenas constrangedoras, reduzidos os quatro personagens a criaturas irracionais, estúpidas. Foi então que veio em seu socorro uma idéia: dizer aos patrulheiros que ele e José não iam à empresa, para trabalhar, mas que saíram de casa para um passeio; e assim fez; e do patrulheiro ouviu:

– Não se permite aglomerações na rua.

– O quê!? – perguntaram João e José, surpresos, em uníssono. – Aglomerações!? Aglomerações!?

– Vocês dois… – prosseguiu o patrulheiro.

E João e José o interromperam.

– Nós dois somos dois homens, apenas. Aglomerações… Estamos…

– Mude o seu tom de voz, rapaz – vociferou o patrulheiro de cara de poucos amigos contra José, desse aproximando-se, ameaçador, fuzilando-o com os olhos, furioso, preparado para acertar-lhe um soco na cabeça. José, antecipando-se-lhe, golpeou-o com um soco, no nariz, com tanta força, que o arremessou-o para trás. O patrulheiro, sua cabeça jogada para trás, caiu, desequilibrado, sentado, pousando, como pôde, desajeitadamente, as mãos no chão, para não bater com a cabeça no muro de uma residência; via-se-lhe no rosto, estampada, a surpresa que dele se acometeu; e um fio de medo; ele não previra, era certo, que José poderia alvejá-lo com um murro tão potente, certeiro, que quase lhe roubou a consciência; era visível a sua confusão e o seu estado de semi-consciência, de quem não entendia o que se passava; olhava, desnorteado, cerrando e descerrando as pálpebras, mal conseguindo ver o que estava a um palmo de seus olhos. João não precisou ir até José para contê-lo, pois ele, vendo, caído, o patrulheiro, deteve-se a observá-lo. O rosto de José transparecia a raiva contida que lhe fervia nos vasos sanguíneos. O outro patrulheiro acudiu o patrulheiro caído; acocorado, deu-lhe leves tapas no rosto, para retirá-lo do torpor em que o soco que recebera o mergulhara, chamando-o pelo nome, sob os olhares de João e José.

Assim que se recompôs, o patrulheiro, massageando o rosto, levantou-se, desajeitadamente, com a ajuda de seu colega, e olhou para José, este, então, com o olhar franzido, o cenho cerrado, os músculos do rosto contraídos, os punhos fechados, em posição de ataque. O olhar do patrulheiro, agora, não exibia a confiança de antes; era o olhar de um homem amedrontado e humilhado. João, reconhecendo que os ânimos haviam se esfriado – o de José, inclusive, pois, sabia João, José agora tinha o domínio, conquistado pela sua estatura e força física e agressividade, sobre os seus oponentes -, desculpou-se com os patrulheiros, e, para os persuadir de deixar a eles, João e José, a seguirem o rumo, tranquilamente, até a empresa, decidiu exibir a sua carta derradeira, na qual pensara enquanto os patrulheiros se recuperavam da lição que José lhes ministrara:

– Patrulheiros, José e eu não saímos, ele, da casa dele, eu, da minha, para irmos à empresa, e nem para uma caminhada – as suas palavras, magnéticas, atraíram a atenção dos patrulheiros e de José, e os três, José mais do que os outros dois, intrigados, na expectativa, ouviram João, atentamente. – Direi a verdade parta vocês. Nós saímos, José da casa dele, eu da minha, para irmos à boca do Tião Tatu. Vocês o conhecem. Ele é uma personalidade muito famosa na cidade. É ele, e vocês sabem, quem fornece maconha, cocaína, lsd, crack, para os magnatas locais, os médicos, os advogados… Não preciso falar para vocês o que vocês já sabem, e melhor do que eu. Ora, José, na casa dele, e eu, na minha, confinados, não conseguimos aturar, eu, minha esposa e filhos, José, a esposa e os filhos dele. Precisamos espairecer. As mulheres falam mais do que a boca, e os filhos são muito barulhentos. São insuportáveis. Estamos José e eu à procura de um pouco de refresco. E onde há tranquilidade, agora, com todo o auê causado pelo coronavírus? Na boca do Tião Tatu. Lá, José e eu gozaremos de algumas horas de calmaria. Precisamos alimentar o espírito esmagado pela esposa e pelos filhos. E urgentemente. Não aguentamos mais. Estamos a ponto de explodirmos. E lá, na boca do Tião Tatu, sabemos, a esta hora, há, além do néctar dos deuses, novinhas, novinhas irresistíveis. Entendem-nos? José e eu só queremos nos divertir.

Os patrulheiros entreolharam-se, e sorriram, cúmplices; ato contínuo, um deles, o que dirigia a patrulha, disse, sorridente, para João e José:

– E por que vocês não nos disseram antes?!

– Ora, é que pensávamos que vocês iriam nos prender – respondeu João.

– Prender vocês por quê!? – perguntou o patrulheiro, num misto de surpresa e indignação. – Não recebemos ordens para prendermos homens de bem. Temos ordens para abordarmos toda pessoa que sai de casa para trabalhar, ou para caminhar. Vocês não estão incluídos em nenhuma destas duas categorias. Se tivessem nos falado antes, teríamos evitado a confusão.

– Não sabíamos – comentou João, surpreso, mas ocultando dos seus interlocutores a surpresa.

– Tudo bem – disse o patrulheiro. – São águas passadas.

– Lamentamos o mal-entendido – desculpou-se João. – Eu e José pedimos desculpas. Principalmente a você – disse, dirigindo-se ao patrulheiro que recebera o soco de José; e voltando-se para José, transmitiu-lhe, com o olhar, a mensagem, que ele compreendeu de imediato.

– Desculpe-me – disse José, dirigindo-se ao patrulheiro que golpeara minutos antes. – Não era a minha intenção…

– Tudo bem – interrompeu-o o patrulheiro. – Desculpas aceitas – e estendeu a mão, em cumprimento a José, que lha apertou amigavelmente. – Você tem um ótimo soco de direita – comentou, sorrindo, jocoso. – Respeito quem me manda para o chão com um soco. Mas não abuse, não. Da próxima vez você não me pegará desprevenido.

Os quatro personagens cumprimentaram-se, amigavelmente, renovaram os pedidos de desculpas, trocaram algumas notícias; e desejaram-se um bom dia. E os patrulheiros entraram na viatura, e deixaram João e José livres para irem à empresa trabalhar.

A quarentena está me enlouquecendo

– A quarentena ‘tá me deixando louco. Juro que, há uns cinco minutos, eu vi um pardal voando.
– Quê!? Pardal… Ora, mas pardal voa, mesmo.
– Voa!?
– Mas é claro que voa. Pardal é pássaro. Bota ovo, tem bico e pena, e pneu nos ossos.
– Então… então eu era louco antes. Que diabos a quarentena ‘tá fazendo comigo!?

A quarentena não está me fazendo bem

Hoje de manhã, antes de me retirar de casa para ir ao supermercado, peguei uma caneta esferográfica azul e um pequeno pedaço de folha de papel sulfite, e neste rascunhei, às pressas, a lista de compras, de poucos itens. E assim que, trinta minutos depois, entrei no supermercado, consultei a lista: um quilo de bife de fígado; dois litros de leite; um quilo de farinha de mandioca; meia dúzia de laranjas serra-d’água; duzentos gramas de azeitonas sem caroço; e, por último, meio quilo de pó de cabeça.

Patrulheiros Fique Em Casa – (versão 1)

João e José, irmãos, domingo, ao entardecer, após uma semana trancafiados em casa, saíram para esticar as canelas. Ao chegarem à esquina, uma viatura do Patrulheiros Fique Em Casa aproximou-se deles, e o patrulheiro lhes berrou, fungando de raiva:
– Voltem para casa. Têm de ficar de quarentena.
– E o que você está fazendo aqui, patrulheiro? – perguntou-lhe José, rindo. – Volte para a sua casa.
– Engraçadinho. Eu tenho de manter a ordem.
– Mas nós temos de trabalhar – mentiu João. – Tratalhamos, na Fábrica Monte e Desmonte, no turno da noite. Temos de ganhar o nosso ganha-pão. A frase ficou feia, né, José: “Ganhar ganha-pão”? Que falta de estilo.
– Não podem – replicou o patrulheiro. – Tem de obedecer a quarentena.
– Eu não a conheço – replicou José.
– Você não conhece quem!? – perguntou, intrigado, o patrulheiro.
– A sua patroa – respondeu João.
– A minha patroa!? – perguntou o patrullheiro, ainda mais intrigado.
– Sim – respondeu José. – Sim. A sua patroa: a Quarentena.
– Chega de palhaçada – bufou o patrulheiro, de raiva.
– Palhaçada ou palha assada? – divertia-se João com a confusão do patrulheiro.
– Basta! Engraçadinhos, basta! Voltem para a casa de vocês. Respeitem a quarentena.
– Senhor patrulheiro – disse José -, nós mentimos para o senhor. Pedimos-vos as nossas humildes desculpas. Na verdade eu e meu irmão não estamos indo trabalhar. Estamos apenas caminhando, para espairecer um pouco, desenferrujar os ossos…
– Não podem – berrou o patrulheiro. – É proibido aglomerações.
– Aglomerações!? – exclamaram, confusos, ao mesmo tempo, José e João, que se entreolharam, intrigados.
– Sim – respondeu o patrulheiro. – Vocês são dois. E dois é mais de um. Um é um só. Dois é mais de um. Se é mais de um não é singular; é plural. Se é plural, é aglomeração.
– E essa agora!? – exclamou João.
– Vixi Maria! – exclamou José.
– Tudo bem, senhor patrulheiro – disse João, ao vê-lo pegar de um cassetete. – Tudo bem, senhor, Perdoe-nos, pedimos humildemente. Mentimos para o senhor duas vezes. Perdoe-me. Respeitamos o senhor. Digo a verdade, agora, senhor patrulheiro: eu e meu irmão não vamos trabalhar; nem saímos de casa para passear. Serei sincero, senhor patrulheiro: Nós estamos indo até a biqueira. Somos viciados, drogados. Vamos comprar LSD, crack, maconha, cocaína, lá na boca do Carlão Tatu-Bola. Não queremos desampará-lo, neste momento tão difícil. Ele tem de ganhar a graninha dele, né?! E nós temos de nos divertir um pouco, né, senhor patrulheiro!? É só consumo recreativo. E lá tem funk; e novinhas… Se é que o senhor me entende… – piscou, rindo, cúmplice.
– Ah! – exclamou o patrulheiro, sorrindo. – Por que não me disseram assim que abordei vocês!? Teríam evitado atrito e constrangimento. Neste caso, fiquem à vontade. Não há lei que proíba as pessoas de se divertirem. Tenham uma boa noite de diversão, senhores.
– E tenha uma boa noite de trabalho, senhor patrulheiro.
E o patrulheiro Fique Em Casa entrou na viatura, acenou para João e José, e seguiu a patrulhar a cidade.
E João e José passearam tranquilamente.

Na quarentena, uma experiência interessante.

Hoje eu fiz uma experiência bem legal: Peguei cem gramas de farinha de mandioca, meio litro de gasolina, cinquenta gramas de pó de café e vinte gramas de cocô de cachorro. Misturei tudo. Enfiei a mistura numa garrafa pet. E arremessei a garrafa contra a lâmpada da cozinha. E a lâmpada: Bum!!! Explodiu. E o que eu aprendi ao realizar esta experiência?! Que o Cometa Halley é um peixe da família das maritacas. Legal, né!?
Observação do psiquiatra: A quarentena não está fazendo bem para o Sergio, não. Ele tá ficando doido. Assinado: Napoleão Bonaparte III, imperador da França.

O Início do Fim do Mundo. Ou: Em Tempo de Epidemia e Quarentena.

Eram oito horas da manhã.
– Hospital Municipal. Posso ajudar?
– É do hospital? – perguntou uma voz aterrorizada, feminina.
– Sim, senhora. É do Hospital Municipal – informa a telefonista, atenciosa, alertada pelo tom de voz da sua interlocutora. – Posso ajudar a senhora?
– O meu marido teve um treco, e caiu no chão – principiou a mulher o seu relato, confuso. – E está morre, não morre. Está com a mão no peito e com os olhos arregalados. Acho que o coração dele pifou. Foi um piripaque.
– Minha senhora, diga-me o seu nome e o seu endereço; e eu irei solicitar uma ambulância para a senhora.
– Eu não preciso de ambulância. Quem precisa de ambulância é o meu marido.
– Senhora, diga-me, por favor, o seu nome e o seu endereço.
– Eu sou a Maria Elizabeth, a Maria da Quitanda. O meu marido vai morrer. Ele está com os olhos arregalados, iguais os olhos de peixe morto…
– Minha senhora, qual é o seu endereço? Diga-me o seu endereço.
– Se ele morrer – referia-se ao seu marido -, o que será de mim!? O que, meu Deus!? Os pés dele estão dando pulos. Parece até que foram picados por saúvas. E ele está com os olhos arregalados. O que aconteceu com ele? Ele teve um treco.
– Minha senhora, o seu endereço…
– Rua Carlota Joaquina… Não, não é… Rua Carlota Joaquina é o endereço da minha irmã… Aqui é Rua Dona Leopoldina. O número?! Ai, meu Deus! Esqueci. Qual é o número?!
– Minha senhora…
– Cinco mil… Não… Seis… Não. Cinco mil e seiscentos e… Ai, meu Deus! Cinco mil e quatrocentos e oitocentos e… Cinco mil e quatrocentos e oitenta e… e seis. É. É cinco mil e quatrocentos e oitenta e seis. No bairro do Barão.
– Bairro do Barão?…
– Sim. Do Barão. É assim que a gente daqui diz. É o bairro Fazendeiro Antônio. O fazendeiro Antônio era, no tempo do onça, quando eu era, ainda, menina, o manda-chuva da cidade. Aqui ele mandava e desmandava. Dava ordens até para o prefeito e para o padre. Fazia e acontecia. Até chuva ele fazia. E a gente de antigamente chamava ele de Barão.
– Senhora, uma ambulância já está indo à casa da senhora.
– E que venha logo. O meu marido não aguenta muito tempo, não. Tá vai, não vai. Que Deus nos ajude. E que perdõe todos os pecados do meu marido. E são muitos os pecados dele.
– Acalme-se, minha senhora. Paramédicos…
– Não tem de parar os médicos, não. Eles têm de vir, e logo.
– Eu quero dizer que a ambulância já está a caminho da casa da senhora.
– Ah! Sim. Entendi. Eu fiz confusão. Desculpe. Estou muito nervosa. Esperarei pelos médicos. Vou desligar o telefone, para ajudar o meu marido. Ele não pode morrer sem se confessar. Não pode.
E desligaram o telefone Maria Elizabeth e a telefonista do Hospital Municipal.
A ambulância retirou-se do pátio do Hospital Municipal e principiou a jornada de quatro quilômetros rumo à casa de Maria Elizabeth. Não havia percorrido quinhentos metros, a ambulância sacolejou; e ouviu-se um estouro. E fumaça escapou de sua dianteira. E o motorista esforçou-se para conservar-lhe o governo, no que foi bem-sucedido.
Saíram da ambulância, incontinenti, o motorista e o paramédico. Ambos verificaram o que havia sucedido com o veículo. E concluíram que teriam de solicitar outra ambulância para socorrer Maria Elizabeth. O motorista telefonou para o Hospital Municipal, e inteirou a telefonista a respeito do ocorrido; e a telefonista lhe informou que a outra ambulância retirara-se do pátio do hospital, para socorrer uma vítima de acidente doméstico, no outro lado da cidade. O motorista, então, após desligar o telefone, discou para um mecânico.

– Mecânica Gonzalo – disse o homem que atendera ao telefonema.
– Preciso – declarou, de imediato, o motorista da ambulância -, com urgência, que o senhor faça um reparo na minha ambulância. Não sei o que aconteceu. Alguma pane no motor, provavelmente.
– Não poderei ajudar você, amigo. Desculpe-me. O meu carro está sem gasolina.
– Vá a um posto de combustível, por favor. É urgente. Temos de atender um homem, que teve um ataque cardíaco, é certo.
– Lamento, amigo. Não posso. Os postos de combustíveis estão fechados. Não têm combustíveis. Os tanques estão vazios. Lamento. Eu gostaria de ajudar você, mas não posso.
– Mas… Os seus vizinhos não podem tirar gasolina do tanque dos carros deles?
– Não. Todos eles estão com os carros com os tanques vazios. Não têm nem um pingo de gasolina, nem de álcool, de nada. Agorinha, mesmo, pedi um litro de gasolina para o seu Estevão, que mora numa casa do outro lado da rua, e ele me disse que o tanque do carro dele está mais seco do que o deserto do Saara. Eu peço desculpas, amigo. Não posso ajudar você. Só peço a Deus que você consiga consertar a ambulância e ajudar quem está precisando da sua ajuda.
– Obrigado, senhor – agradeceu o motorista da ambulância, desconsolado.
– Disponha.
E Gonzalo, o mecânico, e o motorista da ambulância desligaram o telefone quase que ao mesmo tempo.
O motorista da ambulância e o paramédico trataram, e logo, de contatar outros mecânicos, e todos eles lhes deram as mesmas notícias: Não tinham combustível no tanque do carro e os postos de combustíveis estavam fechados. Perderam ambos preciosos minutos telefonando para oficinas mecânicas. Enquanto eles desdobraram-se para encontrar uma solução para o problema que lhes ocupava os pensamentos, o Hospital Municipal recebeu um telefonema:
– Hospital Municipal. Posso ajudar?
– Não precisam me mandar uma ambulância. Não precisam – disse uma voz embargada, de uma mulher em prantos.
– Senhora, o que…
– O meu marido já bateu as botas. O finado Jerônimo…
– Minha senhora… Qual é o nome da senhora?
– Maria Elizabeth, a Maria da Quitanda. O meu marido partiu desta para a melhor. Deus já veio buscá-lo. Ou o Diabo, não sei. O finado Jerônimo não se confessou. Morreu pagão. Não preciso da ambulância.
– Minha senhora, eu…
– E… Eu preciso que venham tirar o corpo do finado.
– Minha senhora, não temos ambulâncias…
– E o que eu faço, moça?! Deixo o meu marido, aqui, apodrecendo, até os urubus sentirem-lhe o fedor e comerem-lhe da carne?!
– Minha senhora, acalme-se…
– Acalmar-me!? Logo, logo, o finado Jerônimo, que nunca foi um homem bem asseado, começa a feder, e eu terei de aturar-lhe o fedor. E por quanto tempo, moça?! Hein!? Quero uma ambulância aqui.
– Não temos…

– E o que eu faço, então, hein, moça?! O que eu faço?!
– Senhora…
– Eu já sei, querida, o que fazer. Não temos carro eu e o meu marido. Mas o Carlos Renato, da funerária, tem. Ele é amigo nosso. Pedirei para ele vir buscar o corpo do finado e levá-lo para… Não sei para onde.
– Tem de trazê-lo, para a autópsia.
– Eu sei. Vou telefonar para o Carlos Renato.
E desligou o telefone Maria Elizabeth. E a telefonista do Hospital Municipal seguiu-lhe o exemplo.
Ato contínuo, Maria Elizabeth telefonou para Carlos Renato, o agente funerário.
– Carlos Renato?! – perguntou Maria Elizabeth, antecipando-se a quem atendera à ligação, assim que ouvira ruídos advindos do outro lado da linha.
– Sim. Sou eu… Quem é que…
– Sou eu, Carlos Renato, a Maria da Quitanda.
– Oi, dona Maria. Bom dia. Como a senhora está? Tudo bem? E o seu Jerônimo, como vai ele?
– O Jerônimo morreu, Carlos Renato.
– Quê!? Como foi isso, dona Maria?!
– Não sei o que aconteceu. Ele estava aqui, coonversando comigo… E de repente, mais que de repente… Ele teve um treco… E foi-se…
– Meu Deus, dona Maria. Que tragédia! Eu não consigo acreditar. Ontem, o seu Jerônimo estava tão bem, tão feliz, esbanjando saúde, bebendo cervejinha, lá no bar do Costa Quente, e falando bastante abobrinhas, e jogando bilhar… Ele ganhou uma boa grana…
– Ele me contou. Mostrou-me o dinheiro.
– O seu Jerônimo é fera no bilhar. Ganhou de todo mundo. De mim, duas vezes, e tirou-me do bolso duzendos reais. Ele é o nosso Rui Chapéu.
– Você pode me ajudar, Carlos Renato?
– Diga-me, dona Maria. Estou às suas ordens.
– Telefonei para o Hospital Municipal, e solicitei uma ambulância, mas todas as ambulâncias estão quebradas. O hospital não pode me ajudar. E eu tenho de tirar, daqui da sala, o corpo do finado Jerônimo. O finado Jerônimo não pode ficar aqui. Você pode me fazer o favor de vir tirá-lo e levá-lo, não sei para onde, para que se faça, nele, os estudos de… de… Você me entendeu, né, Carlos Roberto?
– Entendi, dona Maria. Entendi. A senhora sabe que eu quero ajudar a senhora, dona Maria, mas… Eu quero muito bem a senhora e o seu Jerônimo… Mas… Estou constrangido em ter de dizer à senhora que não poderei ajudá-los. A senhora e o seu Jerônimo me ajudaram tantas vezes… Mas… Eu não posso. O meu carro está sem combustível. Há uns minutos, eu pedi ao Sergio, o meu vizinho da direita, o carro emprestado, para eu ir socorrer a minha irmã, e ele me disse que o carro dele está sem combustível, e todos os postos de combustíveis estão fechados. Está um inferno, dona Maria, a cidade, um inferno. E ontem eu não pude socorrer um amigo meu. E eu conversei, anteontem, ontem e hoje cedinho, com alguns amigos, e com o meu pai, e com dois primos, por telefone, e todos eles me disseram que não têm combustível. Peço desculpas, dona Maria…
– Eu entendo, Carlos Renato. Eu entendo. Infelizmente, é esta a triste realidade.
– Eu estou constrangido em não poder…
– Não se preocupe, Carlos Renato, não se preocupe. Eu entendo. Todos estamos passando por uma hora difícil.
– E perdoe-me, dona Maria. Que falta de educação a minha! Eu ainda não desejei à senhora condolências. Desculpe-me, dona Maria.
– Você não tem que me pedir desculpas, Carlos Renato.
– Mas… Dona Maria, e quanto ao arroz e feijão? Sei que não é hora… A senhora tem arroz e feijão?
– Tenho.
– E alface, chicória, tomate, pimentão?
– Pimentão, não tenho. Mas tenho alface, chicória e tomate, e rúcula, agrião, quiabo e couve-flor.
– Que bom. E frutas a senhora tem?
– Tenho laranjas, maçãs, pêras, bananas e uma goiaba e um abacaxi.
– Que bom. E carne a senhora tem?
– Não. Carne eu não tenho.
– Não!?

 

Em tempo de Coronavírus, comprar arroz e feijão

A telefonista do Supermercado Compre Bem e Pague Também atendeu ao telefone:
– Posso ajudar?
– Sim. Meu nome é Fábio. Estou de quarentena. Não posso sair daqui de casa. Vocês entregam arroz e feijão nas residências?
– Sim, entregamos. E por que você não pode sair da sua casa?
– Porque o Coronavírus pode me matar.
– Não podemos entregar arroz e feijão para você, não.
– Não?! Mas você disse…
– Eu sei o que eu disse. Tenho boa memória. O motoboy não vai arriscar a vida dele para entregar arroz e feijão, para você, na sua cada. Entenda: A sua vida não vale mais do que a do motoboy. Quem você pensa que você é? O vírus pode matar você, e pode matar o motoboy também.
– Olha, eu…
– Não olho nada, não. Você tem alguma doença grave?
– Não.
– É idoso?
– Não.
– Então, venha buscar o arroz e o feijão.
– Mas…
– Nem mas, nem meio mas. Basta lavar bem as mãos com água e sabão…
– Água e sabão?!
– Se quiser, use soda cáustica.
– Você está sendo grosseira.
– Sempre fui. A grosseria é uma das minhas virtudes. De nascença. Eu a herdei de meu pai, que a herdou do pai dele, que a herdou… Você entendeu: a grosseria é uma virtude da minha família.
– Você está sendo desrespeitosa. Quero falar com o gerente. Chame-o.
– E o que você…
– Quero lhe fazer uma reclamação.
– Tudo bem. Vou chamá-lo. Pai, tem um homem aqui ao telefone querendo falar com o senhor.
E o Fábio desligou o telefone.
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