Em busca da sabedoria.

Diz a lenda que os filósofos buscam a sabedoria. É o que diz a lenda. Mas sabem os filósofos o que a sabedoria é, sabem identificá-la e sabem onde ela se encontra? Sabem que instrumentos usar para detectá-la? Do pouco que eu li de Filosofia, percebi que os filósofos não se entendem quanto à natureza da sabedoria; e não sabendo de que natureza ela é, não sabem que instrumentos usar para detectá-la. Batem cabeças os filósofos; dão à sabedoria distintas definições e compreendem que para se saber o que ela é têm de usar instrumentos de pensamentos os mais variados, por uns adotados como os apropriados, por outros ignorados porque inúteis. Ou os filósofos não sabem o que a sabedoria é, ou sabem; se não sabem, entende-se a confusão em que eles encontram, hoje como há dois mil e quinhentos anos; se sabem, perguntemos, então, porque se contradizem tanto uns aos outros, e estão sempre a se digladiarem, nem sempre com a compostura de sábios. Mas seja qual for a realidade, agradecemos aos céus pela existência dos filósofos, que, batendo-se entre si, e não se entendendo em praticamente nenhuma questão que eles consideram importante, além de se revelarem em seus menos nobres aspectos humanos, provam aos homens comuns que estes estão em boa companhia; são todos de carne e osso, e ignorantes da explicação correta para as questões essenciais.
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Primeiro, deve-se chegar à sabedoria, e depois se pensar sabiamente as coisas do mundo, ou pode-se pensar sabiamente as coisas do mundo sem que se chegue à sabedoria? Qualquer pessoa pode pensar as coisas do mundo, independentemente do pensamento alheio? Pode-se senti-las, e pensar acerca daquilo que se sente. E como saber se está pensando corretamente?
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As disputas intelectuais entre os filósofos fazem um imenso bem aos humanos: todos os filósofos revelam-se falhos, limitados, e, consequentemente, nenhum deles se impõe a todos, pois todos eles podem ser questionados. Não é a Filosofia de todo inútil. Os filósofos provam que são pessoas que gostam de ocupar o tempo pensando, enquanto outros homens o ocupam construindo casas, preparando as refeições, inventando máquinas, pintando quadros, exercendo outras atividades.

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Em busca de sabedoria, o brasileiro foi à Grécia.

Ao alvorecer do século XX, um brasileiro, Tobias Alvarenga Ramos de Souza Lima e Silva, homem amargurado, após ouvir a sensata exortação de um amigo que muito bem lhe queria, Paulo Pires de Campos Peixoto, rumou, na primeira oportunidade que se lhe apresentou, oito dias depois, de navio, à Grécia, onde, dissera-lhe o amigo, ele poderia conversar com homens sábios. Logo no dia seguinte ao seu desembarque em Atenas, ouviu de um venerável octogenário de ares sapienciais, edificantes palavras de sabedoria. Satisfeito com o que ouvira, no dia seguinte regressou ao Brasil. Como Tobias Alvarenga Ramos de Souza Lima e Silva do idioma grego não sabia patavinas, ele não entendeu, é óbvio, o que o sábio grego lhe dissera, e para mim, que registro este capítulo da sua biografia, não pôde transmitir o que dele ouvira – e tampouco para outro filho de Deus. E aqui deixo registrada esta interessante aventura de um brasileiro que foi à Grécia em busca de sabedoria.

O Reino de Ouro e o Reino de Cobre

Havia, há milhares de anos, dois reinos, o Reino de Ouro, e era seu rei o Sábio, e o Reino de Cobre, e era seu rei o Estúpido. Um dia um camponês encontrou, num recanto do Reino de Ouro, um ovo de dragão, e no Reino de Cobre um caçador encontrou, numa região distante, um ovo de dragão. E aos reis dos dois reinos deram a notícia das descobertas, o camponês ao rei Sábio, e o caçador ao rei Estúpido. E o rei Sábio deu a ordem aos seus súditos: “Destruam o ovo”, e eles o destruíram. E o rei Estúpido disse, desdenhoso, imprevidente, aos seus súditos: “Não se preocupem. É só um ovo”, e o ovo foi deixado intacto. E sucederam-se os dias, e eclodiu o ovo de dragão que o rei Estúpido não permitiu que destruíssem, e do seu interior saiu um pequeno e inofensivo dragão, que, no decorrer de trinta anos, cresceu, encorpou-se, e tornou-se um dragão adulto, poderoso. E chegou o dia em que o dragão atacou o Reino de Cobre e dizimou a sua população.

Sábio, rei do Reino de Ouro, ciente de que o rei do Reino de Cobre era um estúpido, informado de que ele não deu aos súditos dele ordem para destruírem o ovo de dragão, e certo de que os dragões não respeitam as fronteiras territoriais convencionadas entre os reinos, construiu, no decurso dos trinta anos que se seguiram às descobertas dos ovos de dragões, mecanismos para a defesa do Reino de Ouro e para a guerra, que seria encarniçada, contra o dragão.

E o dragão, após destruir o Reino de Cobre, rumou para o Reino de Ouro, e não o destruiu, pois encontrou um reino preparado para enfrentá-lo.

A guerra entre o Reino de Ouro e o dragão estendeu-se por muitos anos, até que, enfim, dela saiu vitorioso o Reino de Ouro, e morto o dragão.

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