O homem que traiu – sem querer – a sua esposa

Encontraram-se, num sábado, às dez horas da noite, na praça Dom João VI, José do Carmo, que retirara-se, dez minutos antes, do bar Nabé, e duas amigas suas, Carmem e Carmelita. Assim que saudaram-se com beijos no rosto, Carmem perguntou para José do Carmo:

– Está bem a Solange?

– Que Solange? – perguntou, intrigado, José do Carmo.

– A Solange – respondeu Carmem, enquanto Carmelita conservou-se, em silêncio, fitando José do Carmo, na expectativa, um sorriso escarninho a se lhe esboçar no rosto.

Carmo, surpreso com resposta tão enigmática, sorriu, olhou de Carmem para Carmelita, e de Carmelita para Carmem, e para esta perguntou, sorrindo:

– Que Solange, Carmem? Conheço quatro Solange: A prima do Renato, gerente do banco A*; a mãe da Márcia, que trabalha comigo; a irmã da Susana, cabeleireira, que tem um salão de beleza (freqüentado só por mulheres feias) perto da minha casa; e a diretora da escola B*.

– Você enlouqueceu, Zé? – perguntou Carmem.

– Que eu saiba, não – respondeu José do Carmo, gracejando. – Além disso, se eu tivesse enlouquecido, eu não saberia que enlouqueci.

– Você enlouqueceu, Zé, não me resta dúvidas – disse Carmem. – Refiro-me à Solange, a sua esposa.

– A minha esposa! – exclamou José do Carmo, surpreso com a revelação. – A minha esposa chama-se Solange?

Entreolharam-se José do Carmo, Carmem e Carmelita, todos surpresos, cada um por uma razão.

– Ela é loira – perguntou José do Carmo, referindo-se à sua esposa -, e de um metro e oitenta de altura?

– Não – respondeu Carmem, de imediato. – Ela é morena e da altura de um metro e sessenta.

– Meu Deus! – exclamou José do Carmo, ao mesmo tempo em que se aplicou um tapa na própria testa. – Então… Então… Diabos! Então eu fiz uma grande besteira.

O Mentiroso

– Foi o que aconteceu – esbravejou Rodolfo, visivelmente irritado.

– Não foi, não, Rodolfo – retrucou Renato. – Lembra-se do que você contou para todo mundo?

– Contei o que aconteceu.

– Você contou uma história bem conveniente.

– O que você está querendo me dizer?!

– Que você mentiu.

– Menti?!

– Mentiu.

– Não menti.

– Mentiu. Você mentiu.

– Menti?! Lembro-me, e muito bem, do que eu fiz e disse. Não menti.

– Mentiu. Você é um mentiroso profissional. Você contou mais uma das suas infinitas mentiras.

– Você me ofende. Que outras mentiras contei?!

– Que outras mentiras!? Ora, Rodolfo. Perdi a conta de quantas mentiras você já contou. Perdi a conta. Você mente, e mente, e mente, e mente… E mente. Até a respeito do seu nome você mente.

– Quê!?

– Para a Lucinha você disse chamar-se Leandro; para a Mariângela, Luciano; para a Gorete, Vinicius. E mentiu sobre os seus pais e a respeito da cidade em que nasceu…

– Não acredito no que você me diz.

– Se você acredita ou não, o que você fez já está feito, e não vai fazer com que você deixe de ser o mentiroso que você é, e as pessoas não deixarão de saber que você é um mentiroso incorrigível. Todos sabemos que você nada mais é do que um mentiroso. Sorte sua que hoje em dia não há um Gepeto perambulando por aí.

-Quem é Gepeto?

– Você nunca ouviu falar do Collodi?

– Não.

– E do Pinóquio?

– Já. Quem nunca ouviu falar dele?! O que o Pinóquio tem a ver com o tal de Gepeto e com o tal do outro que você mencionou?

– Collodi é o autor do livro que conta a estória do Pinóquio e Gepeto é o personagem que, na estória, dá vida ao Pinóquio.

– E o que os três têm a ver com o que aconteceu ontem?

– Para certas coisas você é esperto, esperto até demais; para outras, asnaticamente burro.

– Você me ofende.

– Se eu digo que não existe nenhum Gepeto por aí e que ele deu vida ao Pinóquio, o que você entende?

– É uma indireta?

– Enfim, você despertou de um sono profundo.

– Você está me dizendo que eu sou tão mentiroso quanto o Pinóquio?!

– Não. Estou dizendo que você é mais mentiroso do que ele. Muito mais.

– Grande amigo você é.

– Já livrei você de muitas enrascadas nas quais você se enroscou por causa das suas mentiras. Desta vez, você que se entenda com a Adriana. Eu não direi para ela que eu e você fomos, ontem, ao campo de futebol.

– Mas você e eu fomos ao campo de futebol.

– O quê!? Onde você está com a cabeça!?

– Não fomos ao campo de futebol, ontem, não?!

– O quê!? Do que você está falando? Não fomos ao campo de futebol, ontem. Eu e a Andressa fomos ao cinema. E você e a Beatriz, ao motel.

– Não fui ao motel.

– Foi.

– Não fui.

– Pois eu digo que foi. E digo com todas as letras: Você traiu a Adriana. E não foi a primeira vez. E não será a última, com certeza. Faça-me um favor, Rodolfo: Não me envolva mais em seus problemas. Eu vou embora.

– Espere um pouco, Renato. Não me deixe na mão. Estou confuso. Não me lembro de ter ido com a Beatriz ao motel. Que Beatriz!? E eu traí a Adriana!? Eu sou incapaz de traí-la. Eu, trair a minha cara-metade!? Jamais! Traição é crime imperdoável. Eu amo a Adriana. Ela é a paixão da minha vida. Meu docinho de coco. Casei-me com ela porque eu a amo. Sou incapaz, incapaz, entendeu!? de traí-la. Eu e você fomos, ontem, ao campo de futebol. Eu sei que fomos ao campo de futebol, Renato. Eu sei.

– Com toda a sinceridade, Rodolfo: Você está muito estranho ultimamente. Até você acredita nas suas mentiras. É o cúmulo dos absurdos.
*
Uma semana depois:
Casa de Rodolfo e Adriana.
Domingo.
Uma e quarenta e cinco da madrugada.
À escuridão da sala, Adriana, sentada no confortável sofá, trajando, unicamente, uma camisola; com as pernas cruzadas, a direita por sobre a esquerda, movia o pé direito – percebia-se-lhe sinais de irritação e impaciência; semi-adormecida, quase sucumbindo ao sono, aguardava Rodolfo.
E Rodolfo entrou em sua casa. Seus passos, lentos, cuidadosos, silenciosos.

– Por que você demorou tanto, querido? – perguntou-lhe Adriana assim que ele, ao apertar o interruptor, acendeu as duas lâmpadas da sala.

– Querida. O que você faz, aqui, no escuro?! Por que você está, aqui, no escuro?! E de camisola?!

– Eu estava esperando você.

– Esperando-me!?

– Sim. Eu estava esperando você. Você demorou. Faz tempo que estou esperando você.

– Desculpe-me, querida. Você sabe como é a minha vida atribulada. Nos finais de semana, eu vou, você sabe, com os amigos jogar futebol no campo de futebol perto da cada do Renato, ou no perto da casa do pai dele, ou no perto da Igreja São Benedito.

– Querido…

– O Renato convidou-me para ir lá, hoje, jogar uma pelada e beber umas loiras geladas. Fui. E não vi a hora passar. Desculpe-me. Peço desculpas, Adriana. A hora passou. Nossa! Duas horas! Já!? Pelo amor de Deus! Como o tempo passa depressa!

– Querido…

– E eu pensando que eram, ainda, umas dez da noite, e nem um segundo a mais. E já são duas da madrugada! Pelo amor de Deus! O que aconteceu com os ponteiros do relógio!? Como o tempo passa depressa! Nossa Senhora! E eu pensando que era cedo ainda. Modo de falar, né, querida. Força de expressão. Eu não imaginei que fiquei tanto tempo lá no campo, com o Renato, o Vinicius, o Pedro, o Carlos, o Ricardo, o Paulo, o Roberto, e outros camaradas meus, jogando futebol, desde… Desde que horas? Desde às seis… desde às cinco… Não me recordo. Depois de um dia de trabalho cansativo, muito cansativo, você sabe, né, querida! preciso de uma partidinha de futebol com os amigos, para espairecer, queimar as calorias, gastar as energias, e renovar as energias, gastando-as. É um paradoxo. Um paradoxo. Gasta-se energia, para renová-la.

– Querido, do que você está falando?! Assim que chegamos, eu da casa de mamãe e você da casa de seu irmão, principiamos conversa, que os latidos do Golias interromperam. E você foi ao quintal saber porque o Golias latia tanto, e eu fui banhar-me. E assim que saí do banho, sentei-me, aqui, e fiquei à sua espera. E já faz quase duas horas que você foi ao quintal. Por que você demorou tanto tempo?! Por que o Golias latia tanto? E que história é essa de terem ido jogar futebol você, o Renato, o Vinicius, o Pedro, o Roberto?! Você não saiu daqui de casa depois que regressamos, você, da casa de seu irmão, eu, da de mamãe.

– Golias!? Latidos!? Mamãe!? Meu irmão!? Querida, eu vim do campo de futebol, não vim!?

Caiu na rede. É peixe.

Para: Valério.

De: Edson.

Assunto: Traição.

Tratante! Você me apunhalou pelas costas. O Ygor contou-me que você abordou a Paula, com insistência suspeita, durante os dias em que estive em Manaus. Ainda não tive oportunidade de conversar com a Paula. A mãe dela, a convalescer de uma grave doença, está na Santa Casa de Misericórdia. Paula a está velando. Estive na casa dela, ontem, à noite. Pensei em falar-lhe a respeito do que contou-me o Ygor, mas contive-me ao ver-lhe os olhos fundos e o rosto, que transparecia exaustão. Mordi a língua. Não quis atormentar a Paula com as suspeitas a respeito da fidelidade dela. Depois, passei na sua casa, Valério. Eu queria pôr tudo em pratos limpos. Quero ouvir de você a história. Quero ouvi-la da sua boca, Valério. Seu pai disse-me que você e a Felícia foram ao cinema. Divertiram-se? A Felícia sabe que você, na minha ausência, abordou a Paula com propostas indecentes? É assim que você age com os amigos, Valério? Apunhala-nos pelas costas? Você, na minha ausência, foi à casa da Paula, e… Se a Paula, ontem, não estivesse tão cansada, tão preocupada, eu a teria interrogado. Eu a jogaria contra a parede, e a espremeria até ela me contar tudo. Valério… Quem diria! Disse-me o Ygor que logo após a minha partida você foi visitar a Paula; depois, assim que dona Marilda adoeceu, você foi consolar a Paula… Que espécie de homem você é? Por que não cantou a Paula na minha frente? Quero conversar com você. Ao contrário de você, não fujo da raia. Não quero que a nossa conversa se resuma a e-mails. Quero falar com você. Vou me encontrar com você. Você terá de me explicar o que fez, durante a minha ausência, com a Paula. O que você foi fazer na casa dela? Você terá de me dizer o que foi fazer lá. Valério, irei à sua casa amanhã cedo. Até amanhã.

Para: Edson.

De: Valério.

Assunto: Boatos.

Edson, você quer saber por que fui à casa da Paula? Fui ajudar a Paula a levar roupas, comida, remédios, revistas e brinquedos para a dona Marilda. Você não me encontrou, domingo, na minha casa, caso tenha ido lá. Você perdeu a viagem. Mas não pense que fugi de você. Não fugi. As suas ameaças não passam de bravatas de um homem que perdeu a lucidez em decorrência do ciúme que o aflige. Você foi deselegante, no e-mail que me enviou. Eu não estava na minha casa, no domingo. Não estou lá, agora. Estou em São Paulo, em um hotel. Participo de um congresso de psicólogos. Quero atualizar os meus conhecimentos. A psicologia é uma arte, uma arte nobre. E eu, que não desejo perder o trem da história, tenho de me manter atualizado.

Vamos à resposta ao seu insultuoso e-mail. Conclui a leitura há dois minutos. Você me ofende, Edson. Você é injusto comigo. Você fez insinuações maldosas sobre o meu caráter. O que mais me surpreende é saber que você dá atenção ao que o Ygor diz. Pelo amor de Deus, Edson! Pense, meu amigo. Use o seu cérebro. O que você tem na cabeça? Você, no e-mail, ofendeu-me. Você está com ciúme. Vou levar isso em consideração. Sei que você gosta da Paula e está um pouco inseguro. Sei que, nos últimos meses, você e ela se desentenderam seriamente. A notícia da discussão de vocês dois, na churrascaria O Gaúcho, espalhou-se por toda a cidade. Que escândalo! Saiba, Edson, que, em nenhum momento, ao contrário do que você pensa, esfaqueei você pelas costas. Eu jamais faria isso. Você é meu amigo, amigo do peito. Você está com ciúme. Chateia-me saber que você dá mais valor ao que o Ygor diz para você do que à nossa amizade. Chateia-me saber que você desconfia de mim. Eu preferiria não saber disso, mas sei. Ainda bem que você não disse para a Paula tudo o que pensou em dizer-lhe. Se dissesse, ela jamais perdoaria você. Você sabe disso. Converse com o Ygor. Exija-lhe explicações. Diga-lhe que desminto tudo o que ele disse para você. Edson, você esqueceu o que o Ygor disse da Carla? O pai dela a expulsou de casa após o Ygor dizer-lhe que a Carla traficava drogas, prostituía-se, e tinha um caso com o chefe dela. O Ygor detesta a humanidade, e não se entende com quem não se curva aos desejos dele. Ele havia pedido a Carla em namoro. Como ela o rejeitou, ele, maligno como todos os psicopatas, arquitetou a destruição dela. Coitado do seu Pedro. Como ele sofreu ao saber que havia sido tão injusto com a Carla. Arrependido, ele pediu-lhe desculpas. A Carla a aceitou, e o perdoou. E o Ygor… O seu Pedro não o moeu de pancadas porque a Carla pediu-lhe que esquecesse a história. O seu Pedro prometeu-lhe que a esqueceria. Mas… Um passarinho contou-me que ele foi ao confessionário… confessar um pecado que ainda não cometeu. Esta história não nos diz respeito. Vamos voltar à nossa história. Edson, você sabe tanto quanto eu que o Ygor é vingativo e rancoroso. Procure saber se ele tem algo contra você ou contra eu. Certamente, tem, e contra nós dois. O Ygor não tem amigos; tem cúmplices. Tenha cuidado, Edson. O Ygor é traiçoeiro. Ele quer nos jogar um contra o outro. Você está caindo, como um patinho, no jogo dele. Refresque a cabeça, Edson. Esteja certo de uma coisa: O Ygor é um mentiroso descarado.

Saudações.

Dê um abraço, um beijo e um pedaço de queijo pra Paula.

Para: Edson.

De: Valério.

Assunto: Está na hora de você tirar a máscara!!!

Você se faz de santo e de vítima. Só se for de santo do pau oco e vítima das suas armações, como o Cebolinha o é dos planos infalíveis dele. Quer dizer, então, que você se faz de vítima, ofende-me, insinua que tenho um caso com a Paula e que estou apunhalando você pelas costas, para desviar a minha atenção das suas verdadeiras intenções? Você sabe do que estou falando. O Carlos contou-me.

Regressei de São Paulo. O congresso me foi de grande valor. Aprendi muitas coisas interessantes, surpreendentes, sobre a condição humana.

Aqui, em casa, eu, feliz, muito feliz…

Contou-me o Carlos que você, além de romper o namoro com a Paula, foi, para se vingar de mim, até a Felícia, insinuou-se para ela, e disse-lhe que tenho um caso com a Paula. A Felícia, contou-me o Carlos, induzida por você, com intenção de se vingar de mim, correspondeu ao seu assédio, e traiu-me. Eu disse para você não dar ouvidos ao Ygor. E o que você fez? Você preferiu acreditar nele do que em mim e na Paula. Idiota! O que você conseguiu com isso? Você perdeu a Paula. Eu soube, contou-me o Carlos, que ela não quer mais saber de você. Imbecil! Ela tem todas as razões do mundo para não querer mais saber de você. E você perdeu a minha amizade. Depois que o Carlos retirou-se da minha casa, fui à casa da Felícia. Eu e a Felícia discutimos. E rompemos o namoro. Você acabou com o meu namoro com a Felícia, um namoro de um ano e meio. Eu e ela pensávamos em noivar e nos casar dentro de um ano. Obrigado, amigão! Obrigado! Você acabou com a minha felicidade! Obrigado! Você sabe o que farei daqui a pouco? Irei ao bar do Chicão, e encherei a cara de pinga, cachaça, caipirinha e vodka. Beberei toda bebida que eu encontrar no bar. Afogarei as minhas mágoas. Traíram-me a minha namorada e o meu amigo, o meu melhor amigo, aliás, meu ex-melhor amigo. Que vida! Esqueça que existo, imbecil!

Para: Valério.

De: Edson.

Assunto: Inocência.

Eu, um tolo, briguei com a Paula. Sou um imbecil, reconheço. Eu devia ter dado ouvidos aos seus conselhos, Valério. Falei para a Paula da história que o Ygor contou-me. A Paula ficou fula da vida. E com razão. Ela me disse que não quer mais olhar para mim. Ainda não me encontrei com o Ygor. Assim que eu o encontrar, ele terá de me dar explicações. Por que acreditei nele!? Por quê? A Paula, coitada, não parece a Paula. A dona Marilda piorou. Coitada! Falei um punhado de asneiras para a Paula. Se eu pudesse voltar no tempo, eu não diria o que eu disse. Vivi num inferno, nos últimos dias. Espero que a Paula me perdoe. Ela ficou muito chateada. Esse problema é meu. Agora, cá entre nós, Valério, você é um idiota! Um grandessíssimo idiota! Você pensa que é o tal, mas não passa de um idiota com PhD em Harvard! Você pensa que, por ter estudado psicologia e conhecer as mais recentes teorias de laboratório – que só dão certo em ratos – dos seguidores de Freud, Jung e outros analistas de Bagé, entende de pessoas. Você, no último e-mail que me enviou, chamou-me de imbecil. Saiba que o imbecil é você! Também sou imbecil, é verdade, mas você é mais imbecil do que eu porque é mais esclarecido e se considera mais esperto do que eu. E é diplomado. E ostenta, orgulhoso, o seu respeitável título de psicólogo. O Ygor me fez de bobo? Sim. E o Carlos fez você de bobo! Ele disse para você que eu e a Felícia… Não vejo a Felícia há um mês, ou dois meses. Não sei por onde ela anda. O Carlos disse pra você que eu e ela… Que absurdo! A Felícia é para mim a irmã mais velha que não tenho. Você acreditou no que o Carlos disse pra você!? Você é otário! Para o seu conhecimento: Eu e a Felícia não traímos você. Repito: Eu e a Felícia não traímos você. Você quer que eu repita? Repito: Eu e a Felícia não traímos você. Não vejo a Felícia há mais de um mês. Repito: Não vejo a Felícia há mais de um mês. Você quer que eu repita? Não é necessário. Você já entendeu a mensagem. Você fez uma grande burrada! Imbecil! Você discutiu com a Felícia. Vocês romperam o namoro. Não ponha a culpa em mim, imbecil! A culpa é sua, inteiramente sua. Vá ao bar do Chicão. Vá! Está esperando o quê!? Encha a cara, por você e por mim. Você acreditou no que o Carlos disse pra você! Imbecil! O Carlos é mentiroso e traiçoeiro. Ele é pior do que o Ygor! Você se lembra dos boatos que ele espalhou a respeito do Frederico? Não preciso entrar nos detalhes. Você conhece a história melhor do que eu. O Frederico foi demitido, e está desempregado há oito meses. Valério, vá para o inferno! Esqueça que existo. Vá encher a cara, pinguço imbecil! Otário! Livre-se do seu complexo de… Sei lá de quê! Uma coisa é certa, Valério: nesta história, você fez o papel do idiota esclarecido.

Para: Edson.

De: Valério.

Assunto: Notícia surpreendente.

Vi, ontem, na Praça Joaquim Nabuco, a Paula e o Ygor. Beijavam-se apaixonadamente.

Para: Valério.

De: Edson.

Assunto: Sente-se. Depois, leia este e-mail.

Vi, assim que saí do banco, dois pombinhos apaixonados, agarradinhos, na loja Pés Livres: a Felícia e o Carlos.

Para: Carlos.

De: Ygor.

Assunto: Operação Otelo.

Missão Cumprida. Sucesso Absoluto.

Para: Ygor.

De: Carlos.

Assunto: Operação Otelo.

Estou preparado para o que der e vier. Qual será a próxima missão?

 

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