Carne de Vaca e Carne de Porco – Um Debate Epistemológico. Com a Participação dos Filósofos João Osso de Boi e Paulo Espinha de Peixe – transcrito por Zeca Quinha, e publicado no Zeca Quinha Nius.

O Zeca Quinha Nius, o maior e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre e de todos os outros orbes deste e de outros universos, tem a honra de apresentar aos seus leitores, que habitam os quatro cantos do orbe terrestre, em transcrição, a íntegra do debate, de cunho filosófico, antropológico, histórico, geográfico, psicológico, sociológico, teológico, parapsicológico, químico, físico, alquímico, metafísico, astrológico, astronômico, geológico, bovino, suíno, galinácio e ictiológico, do qual participaram dois nobres intelectuais brasileiros, os senhores João Osso de Boi e Paulo Espinha de Peixe. Antes de dar aos leitores do Zeca Quinha Nius, o maior e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre, o teor do debate, cuja substância são as palavras que os debatedores pronunciaram durante o debate, e não outras, que não foram ditas por eles, apresentamos breve, muito breve, brevíssima biografia deles, uma de cada um, pois cada um deles tem uma, e apenas uma, biografia, embora ninguém até o momento desta publicação tenha escrito, e tampouco publicado, a biografia deles, biografia que trata da vida deles, e não da de outras pessoas, que também podem ter uma biografia, ou mais de uma, a depender de quantas existam.

O senhor João Osso de Boi, dos dois debatedores o primeiro de quem falamos, e não o mais importante, é graduado e pós-graduado, gradualmente, em Linguística Alimentar, pela Faculdade dos Nomes Próprios Impróprios, Apropriados e Desapropriados, da Universidade Federal do Município de Pindamonhangaba do Norte-Nordeste. Escreveu sete obras grandiosas, cada uma delas com mais de dois milhões de palavras, e elaborou, com a sua inteligência invejável, a Teoria das Palavras Ditas e Não-Ditas Que Dizem as Ditas o Que Não Querem Dizer e Não Dizem as Não-Ditas o Que Querem Dizer Independentemente de Quem as Diz e as Não Diz, teoria que está exposta em um livro de mais de cinco milhões de palavras, uma obra monumental. E o senhor Paulo Espinha de Peixe, dos dois o segundo de quem falamos, e não o menos importante, é graduado, pós-graduado, doutorado e mestrado em Psicologia Parapsicológica do Pensamento Linguístico Humano Com e Sem Palavras, pela Faculdade de Antropologia Labial das Línguas Idiomáticas das Pessoas Falantes e Tagarelas, da Universidade Estadual do Município de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, e doutor honoris causa da Universidade Universal Terrestre e Terráquea da Cidade Indiana Pindamonhangabakrishnan. É autor de um livro em cuja capa há uma ilustração com um elefante, um sagui, uma ostra, uma estrela-do-mar, um pinguim, todos eles comendo batatas fritas, à mesa redonda, a participarem de uma confabulação linguística poliglota.

Agora que os leitores já leram, caso as tenham lido, as biografias, em resumo bem resumido, das duas ínsignes autoridades intelectuais, damos, nas linhas que seguem este parágrafo, a transcrição do histórico debate entre elas, que são eles, dois homens. Pedimos aos leitores que não se apressem na leitura, pois ainda não digitamos a transcrição; e que a leia na medida em que a digitarmos.

– A carne – disse João Osso de Boi, após as apresentações da lista de títulos, e muitos tíitulos, dos dois debatedores. – O que é a carne, e o que se diz da carne, e o que a carne é e não é é a questão que nos interessa, a mais importante em nossa civilização, a sociedade moderna, laica, cientificista, industrial e tecnológica em que vivemos. É a carne carne. É da essência da carne a sua substância carnuda. E é da carne que se origina a carnificina, a carnagem, a carnefilia, a carnefobia, o carnívoro e a carnívora, o carniceiro, a encarnação e a reencarnação, e o desencarnado, e a dona Maria da Encarnação. A carne em si, metafisicamente falando e dizendo ontológicamente, é laica; precede a existência da definição e do conceito de carne e as substâncias substanciosas que dela procedem. Não existisse a carne, não existiria o conceito de carne, e nem a definição dela, e tampouco a definição do seu conceito e o conceito da sua definição, tanto do que a carne é quanto do que são o conceito e a definição da carne. A existência da carne obrigou os humanos a pensar acerca da sua substância e das origens da linguagem cujo eixo de pensamento é a carne.

– Penso, meu amigo – disse Paulo Espinha de Peixe -, que, inexistindo a carne a existência da definição e do conceito de carne existiria, ou não, a depender dos estímulos intelectuais que os humanos porventura sofreriam no mundo em que a carne inexistisse. O intelecto humano é tão complexo e maleável que, mesmo desconhecendo a inexistência do inexistente e conhecendo a existência do existente, pensa na existência inexistente e na inexistência existente a ponto de conceber a entidade, em abstração, que associa a coisa ao objeto, independentemente se é o objeto uma coisa e a coisa um objeto; portanto, é o escólio, inexistindo, em concreto, a coisa, o objeto, em abstrato, inexiste, porque é a sociedade laica.

– O que me faz pensar, meu amigo, evocando, metafisicamente e ontologicamente e noologicamente e antropologicamente e etnologicamente e linguisticamente, os artigos e substantivos que se usa para designar, existencialmente e fenomenologicamente, a carne em suas inúmeras acepções, eles dela transcendem a materialidade; a carne seria carne mesmo se não existisse. Vejamos um exemplo: diz-se carne de vaca e diz-se carne de porco, sem se considerar a laicidade da carne e a sexualidade do açougueiro.

– Há açougueiros que, corroídos pela masculinidade tóxica, não compreendem, e não querem compreender, que a flatulência das vacas e dos bois interferem negativamente no clima terrestre, elevando a temperatura global, e ocasionando, consequentemente, maremotos e terremotos, interferindo, assim, automaticamente, nos ecossistemas do universo, com ressonâncias antropológicas e paleológicas que ecoam nos sistemas ecológicos dos outros sistemas estelares da Via-Láctea.

– Você tocou em um ponto sensível, que pode ser desdobrado em inúmeros pontos e estendidos em várias linhas, linhas retas e linhas curvas, pontuadas de pontos pontudos apontados em pontos curvos e pontos retos. Quero chamar a atenção para outro ponto, que também pode ser desdobrado, e esticado, e curvado e recurvado, aleatória e randomicamente, seguindo trilhas a esmo, em conformidade com a Teoria das Supercordas e em consonância com os postulados da Teoria da Relatividade Geral conectada às regras elementares da culinária japonesa. É o da designação das carnes. É a carne de vaca, entendem os dotados de preconceito linguístico da sociedade patriarcal, medievalista, feudal, de vaca, e a de porco, de porco. A carne de vaca não é necessariamente de vaca, pode ser de boi, e a de porco, de porca, e não obrigatoriamente de porco. A carne, considerando o ambiente laico da sociedade moderna, sendo carne, tem propriedades de carne, e são seus componentes carne, e de carne são as suas essências material e metafísica, e o nome “carne” transcende a carne, pois não compartilha com ela suas materialidade e concretude, pois a carne, para existir, independe do nome que a denomina e a identifica. A carne, portanto, em suas partes constituintes e em seu todo, sendo de vaca, é de boi, e sendo de boi é de vaca, e sendo de porco é de porca, e sendo de porca é de porco, e, por conseguintemente falando, e linguisticamente observando, não a carne, mas os nomes que a nomeiam, conclui-se que a sociedade não abandonou de todo os preconceitos linguísticos, herança de uma cultura bárbara, supersticiosa, de uma era que antecede a sociedade laica moderna, industrial e tecnológica, que tem na carne carne independentemente das suas existência e inexistência. É a carne um fenômeno extra-sensorial, um epifenômeno existencialista e parapsicológico devido à inconsistência da sua estrutura fenomenológica. E astrologicamente está a carne sob o reino de Plutão, e coroado por Júpiter, e amparado por Vênus, e justaposto a Urano, e alinhado a Mercúrio e Marte.

– O que se destaca nos nomes das carnes é a subjacente mentalidade discriminatória do povo conservador que, identificando na carne substância digerível, não atenta para a linguagem binária, o uso dos pronomes masculino e feminino, objetos culturais de sociedades corroídas pelo preconceito linguístico binário, e mal percebe a substância cosmológica de subsistência da civilização que existe sob a égide do capitalismo anárquico neoliberal e patriarcal, sob estrutura mercadológica cujo único fim é a exploração dos explorados em benefício dos exploradores, que têm na carne o símbolo etéreo e fluídico do domínio do lucro das empresas lucrativas, cujos proprietários se arvoram em árvores vetustas e milenares dotadas de vínculo umbilical com a natureza, e, portanto, revestidos com a sabedoria da Mãe Gaia, entidade celestial, suprema, divina, cuja divindade prescinde de transcendência teológica e metafísica. É impressionante o prejuízo que o senso comum do homem comum cuja essência está apodrecida por causa da masculinidade tóxica, que lhe fere o ser do seu ser, ser metamórfico, polimorfo, multifacetário. Enquanto não se derem conta da estupidez humana que faz da carne objeto de culto culinário e da nomeação binária, a sociedade não irá progredir.

– Se astrologicamente está a carne sob o signo dos astros, zodiacalmente ela está na substância concreta dos símbolos dos signos. No horóscopo há bichos, animais, todos de carne, e a libra, cujas balanças podem ser usadas para medir a extensão do peso das carnes, em equilíbrio, ou em desequilíbrio, e o aquário, que pode conter animais aquáticos, os peixes, ou outros animais, também compostos de carne, sendo, portanto, tanto o aquário, quanto a libra, objetos empregados para atuar em atividades humanas que têm na carne um fim em si mesmo. E na simbologia dos signos do horóscopo detecta-se a prevalência da ordem da desordem ordenada segundo a desordem cósmica da ordem cosmológica dos padrões parapsicológicos do magnetismo animal dos animais simbolizados pelos signos, cujas imanências conduzem e reconduzem os homens às eras terciária e quaternária das primícias dos prolegômenos inscritos no frontispício dos tratados noéticos, cujo patrono é Noé, escravocrata, o primeiro bípede implume a explorar o trabalho braçal dos animais da era paleozóica, o ser humano ainda a engatinhar em suas andanças pela Terra.

– Em se tratando de magnetismo animal, os animais o possuem em larga escala, em especial, e principalmente, os animais animalescos, cuja carne desencarna e reencarna segundo os estágios dimensionais da metempsicose ariana e marciana; sabe-se, também, que a carne dos animais, além de intimamente dotada, em sua quintessência, de magnetismo animal, tem alta dose de eletromagnéticas voltagem e amperagem no seu microscópico sistema elétrico, hidrelétrico e fotoelétrico, independentemente da consistência dos pólos da Terra, situados, um, em seu norte, um, no seu sul, um no seu leste, um, no seu oeste. E os vegetais e os minerais não são dotados de magnetismo animal, e nem os planetas.

– O tema, amigo, é um dos mais complexos sobre os quais os humanos nos debruçamos, dedicados a desentranhar-lhes os mistérios, que remontam às mais antigas sociedades obscurantistas e esotéricas do misticismo egípcio e das sociedades iniciáticas teosóficas e que estão inscritos nos tratados de magia negra concebidos por alquimistas e quiromantes e prestidigitadores, todos a corroerem a alma humana com seus exóticos e escalafobéticos tanglomanglos. É “carne” acrônimo de Consciência dos Animais Racionais Nativos do Exterior; em outras palavras, é a carne substância alienígena proveniente dos reptilianos que vivem, no centro da Terra Oca, além da Abóbada Celeste.

Resenha do livro A Teoria dos Pensamentos Randômicos, de José Carlos da Silva Quinha – por Joaquim Beltrano da Silva Fulano Cicrano de Souza – publicada no Zeca Quinha Nius.

O Zeca Quinha Nius, o maior e melhor, mais famoso e mais popular, hebdomadário digital do orbe terrestre – astro celeste que orbita o Sol, estrela que, além de iluminá-lo, ilumina outros oito planetas, e separa da noite o dia, – tem o prazer de publicar, hoje, especialmente hoje, e não ontem, e nem amanhã, uma resenha de um livro, A Teoria dos Pensamentos Randômicos, de autoria de José Carlos da Silva Quinha, para os íntimos Zeca Quinha, nosso querido e amado, primeiro e único fundador do Zeca Quinha Nius, e seu editor-chefe e chefe do seu editor.

São proverbiais, sabem os leitores do nosso bem reputado hebdomadário digital, Zeca Quinha Nius, a sabedoria e a primorosa formação intelectual de José Carlos da Silva Quinha – para os íntimos, Zeca Quinha -, seu primeiro e único fundador e editor-chefe, homem que, dotado de inúmeros e incontáveis diplomas universitários, prova de sua insígne constituição mental, psicológica, literária, filosófica, histórica, geográfica, gramatical, metafísica, sociológica, etnológica, antropológica, astronômica, cosmonáutica, biológica, química, venatória, astrológica, física e astrofísica, aritmética, geométrica e algébrica, exibe, magistralmente, nos artigos de sua autoria, todos extraordinariamente excepcionais, recheados de erudição, escritos em estilo primoroso, ático e barroco, parnasiano e clássico, romântico e gótico, numa retórica soberba, de estética impecável, todos os ingredientes, formidáveis, que lhe compreendem a personalidade, de ânimo imarcescível, de espírito aguerrido, de um valente e destemido guerreiro, de um altivo lutador da liberdade de imprensa e da de opinião. As suas fama e popularidade, popularmente famosas, desobriga-nos de escrever um bosquejo histórico minucioso, contando sua vida desde o dia em que veio ao mundo no dia que ao mundo veio do ventre de sua mãe, da sua biografia, já mundialmente conhecida, e reconhecida como uma das mais meritórias da atualidade de hoje em dia, nestas palavras de introdução à resenha do seu livro A Teoria dos Pensamentos Randômicos, obra de valor incalculável, de inestimável contribuição à valiosa cultura filosófica brasileira, desta ampliando exponencialmente o valor.

Na sua primeira obra-prima – e que não será a última, desejamos – à qual se dedicou, durante vários dias consecutivos, num labor diário extraordinariamente desgastante e simultaneamente prazeroso e gratificante, José Carlos da Silva Quinha, o nosso querido e amado Zeca Quinha, primeiro e único fundador do Zeca Quinha Nius, hebdomadário digital de enorme popularidade em todo o orbe terrestre, cujos artigos são de autoria de jornalistas dotados de vários diplomas universitários, presenteia-nos um pensamento que, de tão original e sofisticado, derruba o queixo de todas as pessoas que, de olhos esgazeados durante a leitura, tem-lhe contato ao lê-la. É um exercício intelectual valiosíssimo o seu A Teoria dos Pensamentos Randômicos.

Consiste tão intelectualmente bem formulada teoria, uma obra intelectual que representa o auge do poder criativo da espécie humana, na detecção de coerência e incoerência, conexão e desconexão, de pensamentos associados e dissociados que seguem sem seguir uma trilha racional e irracional destituída de lógica intrínseca adaptada à ilogicidade extrínseca à essência da lógica em sua formulação abstrata racional em cuja cerebrina elucubração metafísica não está incluída a racionalidade de raiz dialética do transcendentalismo imanente ao pensamento-em-si-e-por-ele-mesmo, pensamento, aqui, no singular, pensamento que, em síntese resumida, sintetiza, e resume, o pensamento-em-si dos pensamentos plurais, que se encadeiam num encadeamento que se origina no primeiro pensamento que lhe dá origem e origem aos pensamentos encadeados, e encerra-se, terminante e concludentemente, no pensamento que dá fim ao raciocínio, conquanto inexista o elo dialético que os encadeiam num pensamento coeso. Assim apresentada em tão poucas palavras, a teoria que José Carlos da Silva Quinha – o primeiro e único fundador e editor-chefe do hebdomadário digital Zeca Quinha Nius, o maior e mais popular hebdomadário digital do orbe terrestre, o único orbe terrestre de todos os tempos – concebeu apresenta elementos paradoxais, que, sendo e não sendo seus, revelam-se apropriados e inapropriados ao exame detido e aprofundado da realidade que nos cerca e na qual estamos, sem de tal nos conscientizarmos, imersos – dos pés à cabeça aqueles que nela penetrou primeiro os pés, e da cabeça aos pés aqueles que nela mergulhou primeiro a cabeça. Não transparece tal aspecto da teoria à mente dos desavisados, que, desprovidos de formação intelectual requintada comum às pessoas providas de diplomas universitários, são incapazes de apreendê-lo; e se lhes aflora à cabeça o desconforto que a estranheza intrínseca à imanência ontológica da teoria lhes inspira. E nesta confusão, compreensível, mas não justificável, os de formação intelectual aquém do exigido pela Teoria dos Pensamentos Randômicos, não a compreendendo em sua inteireza, tampouco uma parcela ínfima do seu teor, concluem que José Carlos da Silva Quinha, a mente privilegiada que a concebeu, é homem de inteligência superior, um espírito irrivalizado, um gênio universal e cósmico, não porque lhe compreende o talento, o gênio, mas porque, incapaz de compreendê-lo, simula compreensão, no desejo, reprovável, de não se revelar um asnático ignorante, um azêmola intelectualmente desqualificado, um alarve despudorado, um javardo ridículo.

Para desfazer confusões voluntárias e involuntárias, ilustra o autor desta resenha ao A Teoria dos Pensamentos Randômicos, do ilustre José Carlos da Silva Quinha, Zeca Quinha para os íntimos e admiradores (e muitos de seus admiradores são seus íntimos e muitos de seus íntimos são seus admiradores), com um exemplo, esclarecedor, clarificante e ilustrativo, no parágrafo subsequente a este.

Há, numa casa, além das duas pessoas que nela residem, em um aquário (com água ou sem água, não vem ao caso), um tatu, e, no galinheiro, um pato; há, portanto, em tal casa, quatro animais, dois seres vivos humanos e dois seres vivos não-humanos. E no quintal há uma pedra. Há, na casa, portanto, desconsiderando todos os outros dados – que não são dados, e tampouco dados – que não são úteis para este exemplo, cinco objetos (quatro seres vivos: dois humanos, um tatu e um pato) e um ser, a pedra, que não é um ser vivo, mas um ser, para efeito de explicação, morto. Dadas estas informações, concluí-se: as girafas não sabem ler os livros de Shakespeare e o Taj Mahal não está dentro de um formigueiro.

Lendo-se o parágrafo anterior, que ilustra a Teoria dos Pensamentos Randômicos, ilumina-se o cérebro do leitor, que, até o momento envolvido em trevas, apreende a essência do pensamento de José Carlos da Silva Quinha, nosso querido e adorado Zeca Quinha, o primeiro e único fundador do Zeca Quinha Nius, o mais popular e respeitável hebdomadário digital do orbe terrestre, a mente privilegiada que a concebeu, ao detectar-lhe a constituição da sua lógica ilógica e a sua dialética escalafobética, diabólica de tão singular e simplesmente complexa.

Nas derradeiras palavras desta resenha, reproduzimos a frase, que está gravada no frontispício do livro A Teoria dos Pensamentos Randômicos, de autoria de José Carlos da Silva Quinha, – Zeca Quinha, para os íntimos -, frase que lhe serve de epígrafe e de cuja substância é o livro uma paráfrase: “Há angu neste caroço.”

A luta de boxe sem lutadores – escrito por Alessandro Cassarrato – publicado no Zeca Quinha Nius

O município, que também é uma cidade, de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, localidade situada num aprazível recanto do nosso imenso Brasil, terra em que se plantando tudo dá, banana, côco e fubá, foi palco de um evento esportivo inédito, cujos ingredientes foram, em doses cavalares, emoção, suspense e aventura, e que hipnotizou milhões de indivíduos da espécie bípede alcunhada, pelos romanos, num latim crônico e anacrônico (crônico, porque está nas crônicas romanas; anacrônico, porque é extemporâneo, superado, obsoleto), de homo sapiens: A luta de boxe sem lutadores; a primeira do gênero; sucesso de público e de popularidade; e cujas ressonâncias políticas e sociais são de valor incalculável. Foram os lutadores deste inusitado e extraordinário evento esportivo Tião Soconopeito e Ditinho Murronacara, duas personagens imaginárias, concebidas, em imaginação, pelos seus criadores, homens criativos, imaginosos, engenhosos, de invejável espírito esportivo, e cujos nomes, não revelados, não são conhecidos pelo grande público, tampouco pelo pequeno público. Tião Soconopeito tem um metro e noventa de altura e cento e dez quilos; e Ditinho Murronacara, um metro e oitenta de altura e cento e um quilos. Dos dois boxeadores estas foram as únicas informações passadas ao público pelos organizadores do evento, informações indispensáveis para que cada pessoa que se dignou a dedicar uma hora de sua vida para assistir ao espetáculo marcial, que foi de doer e que entrou para a história para dela jamais sair, pudesse imaginá-los.

Realizou-se a luta no ringue do estádio municipal de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, edifício grandioso, majestoso, palco de eventos esportivos que atraem numeroso público todo fim de semana. Ao estádio convergiram cento e cinquenta mil pessoas – cada uma delas ocupou uma cadeira à ela reservada no momento da compra, por míseros R$ 150,00, do ingresso; e à televisão, para testemunharem o esmurramento mútuo e recíproco entre Tião Soconopeito e Ditinho Murronacara, segundo cálculos de confiáveis fontes de informações, mais de três bilhões de pares de olhos de pessoas da espécie humana de todo o orbe terrestre, o planeta azul que habitamos e que chamamos, incorretamente, de Terra. O sucesso, estrondo. Aconchegados às cadeiras da arquibancada do estádio, todas as cadeiras ocupadas, cada uma delas por um ocupante, o narrador esportivo principiou o início da sua narrativa com estas palavras: “Meu adorável público, apresento os dois maiores lutadores do século, bravos e destemidos gladiadores modernos. À direita, Tião Soconopeito. À esquerda, Ditinho Murronacara.” Neste momento, dois focos de luz surgiram, no teto, e ambos criaram, cada um deles um, um cone de luz, cada um projetado num ponto do estádio, num corredor entre as cadeiras. E todos os espectadores puderam imaginar, no cone de luz à direita do narrador, Tião Soconopeito, e no à esquerda, Ditinho Murronacara. E o público foi ao delírio. Aplaudiu e ovacionou, estrondosamente, os dois gladiadores modernos. Tremeram os alicerces do estádio. Enquanto os boxeadores rumavam ao ringue no ritmo do deslocamento dos dois cones de luz, do ponto em que estes surgiram originalmente, até o ringue, o público imaginava-os andando, altivos, sobranceiros, confiantes. E um juiz-de-luta desceu, por uma corda, ao centro do ringue. Enfim, detiveram-se os dois cones de luz próximos do juiz-de-luta, que, gesticulando, listou as regras da luta, para que todos pudessem ouvi-las. E apagaram-se os cones de luz. E o juiz-de-luta apitou o início da luta. E ia de um canto ao outro do ringue. E apartava os dois boxeadores, que se agarravam. E iniciava a contagem regressiva, e logo a encerrava antes de completar os dez segundos. Executava todos os seus movimentos com a desenvoltura de um mímico experimentado; e tão bem os executava que o público, acompanhando-o em sua evolução felina, um espetáculo à parte, sem perder, dele, sequer um ínfimo detalhe, concebia, em imaginação, os movimentos de Tião Soconopeito e Ditinho Murronacara, os dois boxeadores selecionados à mão para empreenderem o confronto inaugural da mais criativa e original modalidade esportiva criada, pelos seres humanos, nos últimos cem anos. E encerrou-se o primeiro assalto. E encerrou-se o segundo assalto. E encerrou-se o terceiro. E o quarto. E o quinto. E a luta prosseguia, indefinida. E o público acompanhava todos os movimentos do juiz-de-luta, podendo, assim, criar, em imaginação, os movimentos dos dois boxeadores, que se socavam e se esmurravam. E encerrou-se o sexto assalto. E o sétimo assalto. E o oitavo. E o nono. E o décimo, encerrando-se a luta sem que nenhum dos dois boxeadores, nocauteado pelo oponente, beijasse a lona. Ambos resistiram aos golpes um os do outro, e bravamente, e heroicamente, até o encerramento da luta. E o narrador, animado desde o princípio do embate entre Tião Soconopeito e Ditinho Murronacara, anunciou o vencedor, que superou o seu oponente em dois pontos: Ditinho Murronacara.

E, aqui, o silêncio sepulcral de alguns torcedores, abismados, supresos, boquiabertos, de olhos arregalados; e a euforia contagiante de outros, que se expandiram em ínfrene e incontinente alegria despudorada. Os eufóricos haviam imaginado vitorioso o boxeador anunciado, pelo narrador, como vitorioso, Ditinho Murronacara; os boquiabertos de indignação, contrariados, Tião Soconopeito. E nem bem haviam se recomposto da surpresa, desagradável surpresa, estes avançaram, aos berros altissonantes, indignados, contra o juiz-da-luta, que tratou, e logo, de escalar a corda, que haviam descido para que nela ele se agarrasse e lhe escalasse os vinte metros, até uma cabine, que o protegeria dos golpes que lhe pretendiam encaixar os ensandecidos torcedores que traziam os nervos à flor da pele. E principiou o confronto, bárbaro e selvagem confronto, entre os que deram, em imaginação, a vitória a Tião Soconopeito e os que a deram a Ditinho Murronacara. E intensificou-se o confronto. Cadeiras voaram, iguais mísseis teleguiados, pelo estádio. E as cento e cinquenta mil pessoas retiraram-se, iguais vagalhões que arrasam o litoral do Império do Sol Nascente, que é, também, o do Sol Morrente, e o do Sol Sobente (porque o Sol sobe) e o do Sol Descente (porque o Sol desce), do estádio por cujos arredores adjacentes à vizinhança espalharam-se, prosseguindo, em seu exterior, a guerra que dentro dele haviam principiado.

Espalhou-se a arruaça, nas ruas e nas avenidas e nas calçadas, a quebradeira, o quebra-quebra, o quebra-pau. O prefeito do município, que também é uma cidade, de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste recorreu ao governador do Estado estadual, solicitando-lhe forças, que se revelariam fracas, da política militar; e o governador enviou mil policiais ao município arrasado pelos brutos e asselvajados seres bípedes que haviam se retirado, aos trambolhões, do estádio. Fraca, de fato, a força policial. E o governador recorreu ao governo federal, solicitando-lhe, urgentemente, o envio de tropas federais à cidade, que também é um município, de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, que se via convertida num sangrento campo de batalha, sangrento e sanguinolento. O tempo urgia. E o presidente não se fez de rogado. Invocou a Constituição Federal. Decretou Estado de Sítio, de Fazenda e de Chácara no município, que também é uma cidade, de Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, e para lá enviou o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, e a torcida do Flamengo e a do Corinthians. E muita gente se perguntou, encasquetada, porque o presidente enviou a Marinha, se Pindamonhangaba do Sul-Sudeste, não sendo uma cidade litorânea, não tem mar. E as Forças Armadas, secundadas pelas torcidas do Flamengo e do Corinthians, contiveram, em quatro dias consecutivos, os arruaceiros. Foi um espetáculo de doer, e que entrará para a história – e dela jamais irá sair. Ao fim deste capítulo da história terráquea, Tião Soconopeito e Ditinho Murronacara estavam ilesos. O espetáculo, de doer, promovido pelas pessoas, que, perdendo as estribeiras e a compostura, sanguinolentas e temperamentais, atracaram-se e socaram-se e esmurraram-se, tal qual a luta entre Tião Soconopeito e Ditinho Murronacara, entrou para a história, e dela jamais irá sair.

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