Escrever bem. Tensão nos Balcãs. 2.000 Mules. Guerra na Ucrânia. Notas breves.

No texto, publicado, no Facebook, “Como Escrever com Clareza.”, na página “Língua e Tradição”, Lara Brenner fala da importância do ato de escrever, mas não escrever sem um propósito definido, e, sim, tendo em mente um tema importante, que toca fundo no espírito de quem se põe a escrever, a ponderar as argumentações apresentadas, com sinceridade e coragem autênticas, e pensamentos ordenados numa sequência lógica, buscando-se o conhecimento de si, enfrentando os seus demônios – e para tanto tem de se conhecer as regras básicas da gramática, para que se possa expor os pensamentos com segurança, o que se alcança, com certo esforço e dificuldade, é verdade, se, e apenas se, se é franco para consigo mesmo quem se dedica a escrever. E menciona um estudioso, James Pennebacker, que, nos anos 1990, persuadiu doentes a participar de um teste de escrita, que se conhece pelo nome de psiconeuroimunologia, importante remédio anímico, e obteve resultados satisfatórios. Ao ler tal texto, evoquei a figura de Olavo de Carvalho, escritor, filósofo e professor de extraordinária formação literária, que exortava alunos seus e seus leitores, e seus admiradores, enfim, qualquer pessoa a, de tempo em tempos, escrever um necrológio, cada um o seu, a refletir sobre sua vida, um exercício poderoso para o autoconhecimento, uma atividade salutar. E lembrei-me de Rodrigo Gurgel, professor, escritor e crítico literário fora-de-série, que não se nega a, e tampouco se cansa de, falar da importância de se escrever diários e memórias.

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Está a aumentar, li em algum lugar, as tensões nos Balcãs. As Forças Armadas sérvias estão a realizar exercícios militares.

Não foi há muito tempo que o povo daquela região, um caldeirão étnico e cultural, viveu um mortícinio durante conflitos sangrentos insuflados, li, por nações ocidentais, Estados Unidos em particular. E esfacelou-se a Iugoslávia. Desentranhou-se. E as nações que de tal esfacelamento resultaram estão sempre na iminência de se auto-destruírem. Para irem às vias de fato, basta uma fagulha; e qualquer coisa, um piscar de olhos mal interpretado, pode vir a detonar novo conflito sangrento entre os povos balcânicos.

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O documentário 2.000 Mules, de Dinesh D’Souza, que não assisti, mas do qual já li comentários, está a dar o que falar, e a pôr em pé os cabelos de muita gente, até os de carecas, e a roubar o sono de gente que, conquanto diabólica, até outro dia, enquanto dormia, sonhava com os anjos. Dá notícia o documentário – foi o que eu li – da ocorrência de fraudes nas eleições americanas de 2.020. Exibe os “mulas” do Partido Democrata a executarem atos indignos de pessoas que respeitam as regras democráticas.

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Ao contrário do que muitos comentadores, estudiosos e especialistas afirmaram, na antevéspera, na véspera, e durante os preparativos militares, da eclosão da guerra que ora varre a Ucrânia, Vladimir Putin, assim pensam alguns observadores, jamais pretendeu tomar de assalto a Ucrânia, e conquistar Kiev em no máximo uma semana, e tampouco reconstruir, nos anos subsequentes, a União Soviética. Todos os blogueiros, jornalistas e youtubers e similares que defenderam tal tese limitaram-se a ecoar a narrativa da imprensa ocidental, que está nas mãos de multibilionários ocidentais, os mesmos que têm na Rússia, e não em Vladimir Putin, independentemente de quem ocupa a cadeira principal do Kremlin, um inimigo a ser abatido; e foi com a unanimidade midiática que Volodymyr Zelensky se converteu em um herói da estirpe de Winston Churchill, mas que, já se percebe, não passa de um capacho dos globalistas ocidentais, dos metacapitalistas, que ambicionam pôr todas as nações sob o garrote de um Estado Global, e que não medem esforços para atingir os seus objetivos.

Pretende Vladimir Putin, dizem alguns comentadores, unicamente, avançar, aos poucos, lenta, e constantemente, e inexoravelmente, para dentro do território ucraniano, a partir do leste, fronteira da mãe da Rússia com a Mãe Rússia, e com seus meios ir eliminando, durante o avanço, os militares ucranianos, os mercenários estrangeiros e os neonazistas – que, parece, não são personagens fictícios de uma trama russa diabólica, conspiracionista, mas pessoas de carne e osso que há um bom tempo estão a aterrorizar os ucranianos, principalmente os do leste, em Donbass e Donetsk -, deixando, assim, segura, a retaguarda, evitando, consequentemente, surpresas desagradáveis – se dominasse toda a Ucrânia antes de eliminar a resistência militar ucraniana e os combatentes estrangeiros, o exército russo enfrentaria, posteriormente, dificuldades insuperáveis para conservar o controle do território ucraniano, e manter a ordem social, e teria problemas maiores, infinitamente maiores, do que o que enfrentou ao pôr os pés na Ucrânia. Os que declararam que a OTAN armou uma arapuca para Vladimir Putin, e ele nela caiu como um patinho, equivocaram-se, presume-se, redondamente, pois partiram do princípio que era intenção dele conquistar a Ucrânia da noite para o dia, começar a guerra na segunda-feira à noite e dá-la, vitorioso, por encerrada, na terça-feira de manhã. Se não foi essa a intenção primordial de Vladimir Putin, por que, então, o exército russo avançou, pelo norte, território ucraniano adentro, contra Kiev? Entendem alguns estudiosos de estratégia militar que os militares russos que participaram de tal manobra, seguindo à risca um plano desenhado no Kremlin, tinham a função de obrigar as Forças Armadas ucranianas a manter em Kiev batalhões ucranianos, que, para bloquear o avanço russo, não poderiam auxiliar os batalhões ucranianos que combatiam no leste – e estes não recebendo reforços, as duas posições militares ucranianas, a do leste e a de Kiev, ficaram em desvantagem frente ao exército russo.

Após os mais de dois meses de conflito, a Rússia segue, lenta, e gradativamente, o seu avanço por terras ucranianas, com segurança, e destrói aeroportos e ferrovias, impedindo que o carregamento de armas enviadas por Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e alguns poucos outros países chegue às tropas ucranianas.

E é resultado visível, e preocupante, e direto, do conflito, a elevação dos preços das commodities russas, gás, petróleo, matérias-primas e produtos alimentícios, pelos quais agora a Europa paga mais caro do que pagava há poucos meses. E é preocupante a redução da produção de alimentos da safra ucraniana; e já se avizinha crise de abastecimento de produtos alimentícios nos países mais pobres – escassez e encarecimento de alimentos.

E para encerrar esta nota breve, notas brevíssimas: Militares ucranianos, em Azovstal, usam a população de escudo humano; a Ucrânia perde, todo santo dia, uns quinhentos soldados; mães e esposas de ucranianos revoltam-se contra o governo ucraniano, que está a recrutar seus filhos e maridos, e a enviá-los para a frente de batalha, para a morte certa, pois eles, antes, não recebem apropriados treinamento e armamentos – são apenas buchas-de-canhão, homens descartáveis; as sanções que alguns países europeus impuseram à Rússia afetam mais eles mesmos do que a Rússia; mercenários estrangeiros, que acreditaram que teriam vida fácil na Ucrânia, e que passeariam por lá, regressam, com o rabo entre as pernas, aos seus países de origem.

Muitas das informações que registrei, nesta nota breve, eu as tirei de textos de Kleber Sernik, e de outras fontes.

Para me informar acerca do que se passa na Ucrânia, não necessariamente em terras ucranianas, mas ao conflito que envolve Rússia e OTAN, que tem na Ucrânia seu principal, em termos bélicos, campo de batalha, leio textos do já citado Kleber Sernik, e de Kassandra Marr, Karina Michelin, Naomi Yamaguchi, Maurício Alves, e outros.

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