Fique em casa, se puder.

E não é que já começaram a reescrever a história? Lembro-me que jornalistas (não sei se é correto chamá-los jornalistas), artistas (artistas?), homens da Lei (que lei?), e esportistas, e intelectuais (considero inapropriado defini-los assim), e políticos, desde Março do longínquo ano de 2.020, de triste memória, exortaram, com ares autoritários, e alguns ameaçaram com multa e prisão, os brasileiros a se trancafiarem em casa, a se isolarem, repetindo, ad nauseam (gostou do latim, querido leitor?), o hipnotizando, aterrorizantemente mesmerizante, estribilho “Fique em Casa.”, do qual milhões de brasileiros não conseguiram, depois de por ele capturados, se livrar. Durante vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, que se estenderem por meses sem fim, a sentença a proferiram homens e mulheres dedicados, sabemos, ao bem-estar da humanidade, em programas de auditório, de culinária, de arte, esportivos, durante a transmissão de jogos, nos intervalos e durante programas infantis, enfim, concentraram-se os profissionais da mídia (e muitos da internet) a proferir a sentença, que se assemelhava a um mandamento divino, “Fique em Casa.”. Agora, cientes de que a política “Fique em Casa; a economia a gente vê depois.” causou um estrago danado na economia de países inteiros, já estão os seus defensores a reescreverem a história. E tão cedo. Mal acabou – se é que acabou – tal capítulo da história, e já estão a dizer que não disseram o que todos sabemos que disseram. 

O presidente Jair Messias Bolsonaro comparece a um estúdio de um outrora popular telejorna da outrora mais poderosa emissora de televisão do Brasil, e, diante da crítica que ele faz à política do “Fique em Casa”, a entrevistadora (se é que se pode dizer assim), sem-cerimonisamente afirma que disseram, não “Fique em casa”, mas “Fique em casa, se puder.”. Quem se lembra de, em algum momento ouvir os defensores do “Fique em “Casa” dizerem “Fique em Casa, se puder.”? Dizem que brasileiro tem memória fraca. Se é verdade, não sei. Eu só sei que eu, um brasileiro, devo ter, e tenho certamente, memória fraquíssima, pois não me lembro de, em algum momento desde o ano de 2.020, ouvir alguém, menos ainda um funcionário da tal emissora de televisão, pedir, solicíta, e gentilmente, aos brasileiros “Fique em casa, se puder.”. E tem mais. Tem mais?! Tem. Contou-me um passarinho que já se apresentou, em um desses portais de notícias da internet, uma personalidade que eu nunca tinha visto mais gorda, que afirmou que no Brasil jamais se decretou lockdown e quarentena. Pôxa vida! Essa doeu. Devemos os brasileiros darmos mãos à palmatória, e reconhecermos que não nos lembramos, e jamais entendemos, o que se passou em nosso querido país nos últimos dois anos.

Compreendo a atitude daquelas pessoas que estão, agora, a desconversar, a reescrever a história. Compreendo. Elas defenderam uma política que, sabiam, iria causar uma crise econômica, viram a crise econômica se avizinhando, viram que o povo entendeu a causa da crise (a política do Fique em Casa), tentaram, em vão, jogar a batata quente no colo do presidente Jair Messias Bolsonaro, história, esta, que não colou, história que os brasileiros não a compramos. Diante de tal cenário, sobrou aos defensores do “Fique em Casa” uma alternativa, a única: negar que algum dia defenderam a política do “Fique em casa.”

Por que linhas acima afirmei que os defensores do “Fique em Casa” sabiam que tal política resultaria, infalivelmente, em uma crise econômica? Ora, a resposta encontra-se na sentença “Fique em casa; a economia a gente vê depois.” Aí está uma relação de causa e efeito. “Fique em casa” é sinônimo de “paralisação das atividades econômicas” e “a economia a gente vê depois” de “crise econômica”. Portanto, toda pessoa que defendeu tal política sabia que o “Fique em casa” (paralisação das atividades econômicas) seria a causa de um efeito “a economia a gente vê depois” (crise econômica), o que de fato se deu, em parte. Por que “em parte”, e não em seu todo? Por que o presidente Jair Messias Bolsonaro e sua equipe ministerial não ficaram morcegando durante estes dois anos; trabalharam, e com inteligência. E os brasileiros temos de lhes dar crédito: eles fizeram do Brasil um dos países que melhor se reergueram do tombo de 2.020. A economia brasileira atinge níveis de quase pleno emprego, o câmbio está razoavelmente bem, a taxa de juros baixas, a inflação controlada, enfim, todos os índices econômicos são positivos, e o futuro próximo alvissareiro.

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