Fique em casa; o Bolsonaro e o Guedes nós os culparemos depois.

No longínquo ano de 2.020, de triste, e constrangedora, memória, não poucas pessoas, facilmente sugestionáveis, de cabeça baixa, os joelhos dobrados, a suplicar aos órgãos competentes – competentes em sua iniquidade – ordens desarrazoadas que as escravizassem, esmagadas, trituradas em seu ser, no âmago de sua alma, pela mídia televisiva e internética, estribilhou, doentia, e histericamente, o poema, saído de uma cabeça doentiamente má, “Fique em casa; a economia a gente vê depois.”, certas de que “Fique em casa” era sinônimo de paralisação das atividades econômicas, e “a economia a gente vê depois” de crise econômica, e não podem, hoje, tergiversar: sabiam o que pediam, e o que desejavam, dispostos a, para pouparem vidas, que a vacina iria salvar, enfrentar, depois, depois de ficarem, a economia, que se depararia com dificuldades sem conta, que foram previstas quando a história do ano de 2.020 se principiava. Que a economia brasileira sofreu um golpe, e tombou, é fato; e é fato, também, que as previsões, feitas por especialistas, que reproduzem o que as pesquisas indicam, e seguem a ciência, previsões que, tão agourentas, anteviram desastre econômico sem igual na história do Brasil, não se concretizaram, para o bem do Brasil, para a alegria – e alegria agridoce – dos brasileiros, e para tristeza dos que encontraram no episódio codiviano uma oportunidade imperdível de fazer em terras brasileiras o inferno. Organismos internacionais anteviram um tombo de 9% do PIB nacional; e o que se viu foi um de 4%. Tal cenário, não tão ruim quanto o previsto, provocou, ainda assim, imensos males aos brasileiros, que, aos milhões, após perderem o emprego, sob sol e chuva, enfrentaram, humilhados, durante horas a fio, o desgaste, emocional e físico, em filas quilométricas de bancos oficiais, para retirarem, uns, o auxílio governamental, outros as economias acumuladas durante os anos de trabalho. A taxa de desemprego da população economicamente ativa foi à estratosfera, milhões de brasileiros a amargarem vida de desocupados e a viverem de pouco, mas indispensável, dinheiro, durante meses, até atravessarem os dias de vacas-magras, que ninguém sabia quantos seriam, pois eram muitos, uma legião, os políticos dispostos a prolongarem o sofrimento do povo para, ao final da história, amealharem os seus dividendos políticos -tudo indica que eles, e não todos eles, deram com os burros n’água. E tal estado, de, para muitos, desesperança, estendeu-se por meses, que vieram a completar um ano, e prosseguiu além. E não demorou, arrefecendo-se a epidemia – e não estou convencido de que enfrentamos uma epidemia causada por um vírus -, a brotar, de todos os cantos, vozes, saídas das profundezas da Terra, a bradarem, veborrágicas, contra o presidente Jair Messias Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, que, amalgamados, constituem um monstro mitológico, lendário, o Bolsoguedes, para alguns espécime terrivelmente devastadora, para outros um ser benfazejo, as críticas mais acerbas, as acusações mais humilhantes, deles fazendo os únicos responsáveis pela crise econômica que o Brasil então enfrentava, o desemprego em níveis insustentáveis, os juros altos, o dragão da inflação, insaciável glutão, a devorar pessoas, e a queimar-lhes o pouco do dinheiro que elas conservavam em mãos, e a moeda corrente nacional, o Real, a adquirir ares de substância tóxica. Esqueceram-se, e, parece-me, convenientemente, que já era esperada a crise econômica, crise, esta, o “depois” do poema que recitavam, todo santo dia, no café-da-manhã, no almoço, no café-da-tarde, na janta, e ao acordar e ao dormir, enfim, em todas as horas do dia, “depois” que, sabiam, seria – e agora era – a consequência inevitável do “fique”. Falhou-lhes a memória, aqui.

E dá-lhe “Bozo genocida!”, “Guedes incompetente!”, “Bozo destrói economia do Brasil!”, “Guedes vagabundo!” “A economia brasileira está um desastre!” Desandava a economia brasileira. Profetizava-se a bancarrota do Brasil. E não acabou-se a história. Transcorreram-se os meses. O Real, outrora tóxico, valorizou-se, o PIB enriqueceu-se, o mercado de trabalho tangencia a situação de pleno emprego, o dragão da inflação está domado, os juros sob controle. E os Fique em Casa, diante do cenário que não lhes corresponde ao que previram, e, não erro em dizer, desejavam, estão, agora, a, em vez de reconhecer os méritos do Bolsoguedes, a comparar o desempenho econômico do Brasil com os de países que se saíram melhor da crise que a todos os países abateu, para desmerecer o trabalho, e trabalho de peso, valioso, do presidente e seu Posto Ipiranga.

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